Sem a presenca da Funai e dos misssionarios um novo tempo inicia-se na aldeia. Esperanca, perspectivas de futuro melhor toma conta daquela comunidade. Indescretivel.
As mulheres que vinham praticando silenciosos abortos para nao oferecerem seus fillhos a escravidao, a um mundo totalmente ameacador, incerto, comemoravam agora suas enormes barrigas. A vida voltava.
Este foi, talvez, o sintoma mais visivel da mudanca.
Que tal os participantes do Blog comentarem as eleições de 1989 já que fazem 20 anos da primeira eleição direta para presidente depois de quase 30 anos.
Muitos dos leitores do blog por serem jovens não devem ter passado por este momento, mas acho que foi a melhor eleição que tivemos, tanto pela campanha, como pelos candidatos.
Comentário
A campanha de 1989 começou mais cedo para mim. Tinha sido demitido da Folha depois de uma negociação do seu Frias com o Saulo Ramos, consultor geral da República e principal operador de Sarney. A razão foram as denúncias que fiz sobre a manipulação do segundo decreto do Plano Cruzado. A contrapartida oferecida por Sarney era irrecusável.
A demissão foi adiada por alguns meses devido ao Prêmio Esso que ganhei naquele ano, justamente devido às matérias sobre Sarney. Sofri escuta em casa – planejada pelo então diretor geral da Polícia Federal Romeu Tuma. Descobri graças ao então corregedor geral da Polícia Civil de São Paulo, Walter Maierovitch. Mas a Folha se recusou a noticiar.
Pouco antes tinha recusado convite para ser comentarista da Globo. Mantinha a página Dinheiro Vivo no JB.
Com a expulsao dos funcionarios da Funai da aldeia os missionarios (casal americano, com filha e sogro), tinham perdido a protecao e a legitimidade para suas acoes. A uniao, de anos, de exploracao e evangelizacao estava desfeita. O projeto comum entre o Coronel e a New Tribus of Brazil tinha se desmantelado.
Os missionario sabiam que o processo revolucionario que estava em curso na comunidade indigena era irreversivel e que suas presencas contrastava muito mais do que a simples diferenca fisica.
Atenção, pessoal, a comentarista Simonse trouxe o link de uma entrevista do Guilherme Motta ao Valor onde suas idéias, mesmo sendo questionáveis, seguem linhas de raciocínio mais claras. A nota está no pé deste post.
Confesso um certo desânimo em analisar entrevistas do tipo da que o professor Carlos Guilherme Motta concedeu hoje ao Estadão.
Motta fez sucesso nos anos 70 ou 80, quando pretendeu escrever uma obra monumental, uma espécie de enciclopédia do pensamento intelectual brasileiro. Era uma obra arraigadamente uspcentrista, na qual se permitia idiossincrasias pessoais – especialmente contra ninguém mais do que Sérgio Buarque de Hollanda, contra quem mantinha uma certa competição.
No afã de desmerecer Buarque de Hollanda e consagrar a USP, chegou a considerar a “História da Literatura Brasileira”, de Antônio Cândido como uma brasiliana de nível superior. Depois, estimulou uma falsa competição entre Antonio Cândido e Gilberto Freyre, visando desqualificar o pensador nordestino – visto por ele como “de direita”.
Nos dois casos, deixou Antonio Cândido em má situação, por pretender usá-lo como aríete justamente contra duas de suas maiores admirações intelectuais. O professor Antônio Cândido é cioso da sua relevância intelectual e suficientemente crítico para não pretender ombrear-se com suas duas admirações.
Na entrevista ao Estadão, Guilherme Motta mostra uma dificuldade comum a historiadores que, vindos de uma visão tradicional da matéria, não conseguem entender as novas dinâmicas do momento, em cima da bucha. Relaciona uma série enorme de conceitos, definições, fatos descosturados, incapaz de alinhavá-los e organizar o todo.
Não sejamos injustos: talvez não tenha conseguido o espaço necessário porque a entrevista visava obviamente cumprir uma pauta pré-determinada. Recentemente saiu uma entrevista assim com o Renato Lessa – que, desde o primeiro momento, duvidei que tivesse sido fiel ao seu pensamento (e não havia sido, de fato).
Pesquisando o doutor Sobral Pinto na rede, chego a resultado esplêndido, para começar a página do “Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro – FGV”, neste endereço é possível pesquisar uma boa documentação sobre nossa história :
Sérgio era admirado por indianistas como os irmãos Vilas-Boas e o médico Noel Nutels. Foi amigo de caciques como Raoni, Kremure, Megaron, Krumari e Kretire. Os índios o chamavam “Nambiguá caraíba” (homem branco amigo). Aos 37 anos, Sérgio Macaco (como era conhecido na Aeronáutica) já tinha seis mil horas de vôo e 900 saltos em missões humanitárias, de resgate e socorro em geral. Todavia o tipo de tarefa que lhe seria proposta ali pelos oficiais não era nem um pouco digna ou solidária.
Dia 12 de junho de 1968, o capitão para-quedista Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, convocado a uma reunião, foi recebido no gabinete do ministro da Aeronáutica pelos brigadeiros Hipólito da Costa e João Paulo Burnier, que viria a se tornar conhecido como torturador e assassino.
Nassif, vou postar aqui e na Agenda Cultural. Em homenagem aos leitores do Blog, passei a noite ouvindo o repente nordestino postado aqui, para digitá-lo.
TUDO INDICA que, se o deputado Ciro Gomes for candidato à Presidência da República, formará com Dilma Rousseff a velha dupla dos filmes policiais. O mau meganha azucrinará o tucano José Serra, enquanto a boa candidata, Dilminha, percorrerá o país com Nosso Guia, falando do Brasil de um novo tempo. É um ardil velho, mas legítimo, desde que Ciro Gomes respeite a inteligência alheia.
Assim como Lula, o tucano precisa de um adversário. Sete anos de pastor serviu Serra a Nosso Guia fazendo tudo, menos oposição, pois não serve a ele, mas à própria candidatura. Se em 2010 alguém exigir contas ao tucanato, todo mundo ganha. Ciro Gomes pretende esse papel, mas deve respeitar os fatos.
(…) Mas há outra pergunta: o que fez Ciro Gomes quando o câmbio estava apreciado?
Passados 15 anos, a informação parece nova: nada. É pior. Entre setembro de 1994 e janeiro de 1995 ele foi ministro da Fazenda.
Assumiu com o cambio apreciado e o dólar a R$ 0,80. Deixou o ministério com a moeda americana a R$ 0,84. Fazendo-se justiça ao deputado, no Ministério da Fazenda ele foi mais um animador do que um titular. Quem mandava no país era o grupo de sábios da ekipekonômica.
Eles deixaram o governo e foram felizes para sempre aninhando-se na banca.
A imagem que tenho do Carlos Lacerda ( estava cursando o ginásio à época) não é esta. Alguns simpatizantes falam de um político inteligente, culto e polêmico. O Roberto Freire não tem estas virtudes.
Que tal vc lançar como tema alguns políticos do passado, a começar pelo Lacerda ? Seria uma releitura para os que não conviveram com a mídia da época, e o tempo é a melhor maneira de ver o resultado de suas atuações ou pensamentos e contribuições
Nassif, eu era repórter, em Salvador, durante a campanha eleitoral de Fernando Collor de Mello, e talvez falte à sua análise conjuntural um elemento regional relevante. O argumento dos pontos positivos, aliás, aplicável a qualquer situação por onde se prospecte ações humanas as mais distintas, tem valor demasiado relativo quando se fala de Fernando Collor, ou melhor, das circuntâncias criminosas montadas, em mutirão nacional, para que ele fosse eleito.
“Mas, se ganha, não governa”, continuou Lula. “Outro dia, eu viajei com o Collor pra Alagoas. E eu perguntei pra ele: “Mas, Collor, como você foi nomear um cara como o João “Bafo de Onça” para o seu ministério [referindo-se a João Santana, nomeado por Collor secretário de Administração], um cara, sabe, que não ganhava nem eleição para diretório do PT?” E o Collor me disse: “Eu não tinha quadros”. É isso. Sem quadros, você não governa.”
Comentário
Ainda está por merecer uma análise sóbria o governo Collor. O despreparo da equipe era evidente. O João “Bafo-de-onça”, mencionado por Lula, era o João Santana, primeiro indicado Secretário de Administração, depois Ministro da Infra-estrutura – um superministério que juntava quatro ou cinco ministérios de peso.
Na época, João era um meninão. Freqüentávamos o Bar Brasil, dos irmãos Caruso. Cada vez que arrumava uma namorada bonita, o João se comportava como um ser superior, que nem olhava para o lado, para gargalhada de uma turma de sacanas empedernidos, como o Percival Maricatto e outros.
Pelos jornais, eu acompanhava a política, e numa matéria curta, li a noticia que no Rio, os estudantes haviam feito uma greve , contra a falta de verbas para a educação.Eu era menssageiro da FIESP,e numa tarde, alguns dias depois desta noticia , estava indo entregar uns documentos, no centro novo, Rua Barão de Itapetininga, e reparei que havia muitos policiais nas imediações do largo São Francisco,onde fica, Universidade de Direito.Passei a andar mais de vagar e quando me aproximei da faculdade,ouvi gritos de protesto,que clamavam por melhores verbas nas escolas públicas,lembrei da matéria e pude concluir que aquela era a mesma manifestação,ocorrida no Rio,resolvi tirar a gravata e num misto de medo e curiosidade,fui me aproximando dos estudantes e comecei a caminhar, como parte integrante do movimento.
A invasão da PUC SP ocorreu em setembro de 1977, há 32 anos atrás. Em São Paulo, já haviam ocorrido diversas outras passeatas, inclusive em anos anteriores, tanto por melhores condições de ensino, mais verbas e, principalmente pela luta contra a ditatura.
O dia 20 de setembro é especial para os gaúchos. Festejamos a REVOLUÇÃO FARROUPILHA, uma guerra que não foi ganha.
Os farrapos não derrotaram o Império. A Confederação formada pelas República Rio-grandense e Republica Juliana (Santa Catarina) ruiu. Fato. O tratado de Poncho Verde foi mais uma rendição do que um armistício. Verdade. Mas aqueles acontecimentos acabaram por galvanizar uma identidade cultural aos sul-rio-grandenses.
Um dos símbolos do Rio Grande do Sul e da epopéia farroupilha, cantado em todos os rincões de solo gaúcho, é o …
A veemência com que, na entrevista ao Canal Livre da Rede Bandeirantes, o notório cabo Anselmo (José Anselmo dos Santos), de olho numa indenização como perseguido político, tentou negar que já era agente infiltrado (e provocador) da direita ANTES do golpe de 1964, não consegue contestar o depoimento enfático do delegado Cecil Borer em 2001 – conforme o excelente texto (talvez definitivo) assinado por Mário Magalhães na “Folha de S.Paulo”, a 31 de agosto de 2009.
Estou me metendo nessa discussão por ser um assunto que me apaixona desde que participei, há pouco mais de três décadas, de uma reportagem de investigação da revista “Playboy”, conduzida pelo jornalista Marco Aurélio Borba, meu amigo (e editor nacional de “Opinião” no período em que dirigi a redação), que morreria poucos anos depois, num acidente em Brasília. Levantei para a revista no Rio, enquanto mais jornalistas faziam o mesmo em outros estados (não tenho aquele número da revista, mas seria bom se alguém pudesse informar ao menos o mês e o ano, entre 1977 e 1979, pois ainda acho que existem dados importantes ali).
lá pelos inícios dos anos 80, trabalhávamos na Istoé e quem descvobriu de fato o Cabo Anselmo0 foi a Suzana Veríssimo – você certamente lembra dela, que trabalhou com a gente na Veja. A Suzana descobriu que o Cabo Anselmo frequentava o DOPS de São Paulo, onde tinha um sócio, o delegado Josecyr Cuoco, com quem mantinha uma agência privada de informações que, com agentes infiltrados no movimento sindical e acesso aos relatórios dos alcaguertes do DOPS, vendia informações para as multinacionais, especialmente do setor automobilístico, na época muito assustadas com o novo sindcalismo que nascia no ABC.
A Suzana começou a levantar a matéria, quando o Cuoco descobriu e, com ajuda do Cenimar, montou uma operação de contra-inteligência: chamou o Octávio Ribeiro – nada contra ele, era meu amigo e um grande repórter de polícia – e combinaram a entrevista com o Cabo Anselmo.
A única condição, cumprida, foi que a matéria deveria ser publicada na Istoé, exatamente para desmontar o trabalho da Suzana.
A última informação que eu tive da Suzana é que ela estava morando no Recife mas, se for necessário, não será difícil encontrá-la.
Por Suzana Verissimo
Salve, Nassif! Salve, Fon! Estou viva, feliz e morando em Brasília, onde chefio a assessoria de comunicação social do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o FNDE. Nassif, o comentário do Fon é corretíssimo. No dia em que saiu a matéria do Pena Branca, por sinal, eu estava com um encontro marcado com uma fonte que ia me passar o endereço do apartamento onde morava o cabo Anselmo. Beijo nos dois.
Tinha 14 anos quando Getúlio se suicidou. Em 1950, eu acompanhava meu pai, médico, que fazia campanha pró-Getúlio, nos comícios e, principalmente, numa loja alugada em Copacabana onde funcionava uma sede do partido.
De vez em quando me chamavam pra falar no microfone (“Votem em Getúlio”), distribuía panfleto na porta da loja, arrumava em fileiras uma espécie de santinho de campanha. Tinha uns almoços ótimos lá, e eu sempre ia. Meu pai era médico do Instituto dos estivadores, acho que se chamava Iapetec.
Fui com uma vez ou duas na festa do Dia do Trabalho, ou no Sete de Setembro, sei lá, no estádio do Vasco da Gama, onde Getúlio desfilava, de pé, num carro preto aberto, fazendo aquele gesto típico com a mão direita. E posso ouvir ainda nitidamente a voz dele: “Trabalhadores do Brasil”. Certa vez, houve uma grande comemoração, acho que no centro da cidade, talvez na Candelária, à qual muitos colégios foram convidados para cantar num coro regido pelo maestro Villa Lobos. Esqueci o nome da canção, mas lembro de alguns acordes e que eu fazia a segunda voz. Getúlio estava lá: “Trabalhadores do Brasil”.
O discurso, mesmo que em síntese apertada, sobre aspectos econômicos e políticos de um determinado governo ou período histórico exige um olhar que recaia na base material. E a totalidade da estrutura econômica somente pode ser percebida se as relações sociais e políticas forem examinadas. Esse é o sentido – e limitação – deste post.
O intessante na historiografia sobre Jango é a abordagem da personalidade (Jorge Ferreira e Angela Castro Gomes, autores de “Jango: as múltiplas faces”), do valor político do indivíduo.
Regina Behar recolhe desse ponto de vista, a do “bom sujeito”: ” é contraditório e humano, forte e frágil como nenhum outro presidente brasileiro ousou ser…”
“Um momento singular em nossa história no qual a política se fez na rua e em palácios que se abriam a todos, e no qual efetivamente houve a possibilidade de que as transformações políticas se fizessem com a participação e a favor dos “de baixo”.
RIO DE JANEIRO – Com algum atraso, vou lembrar o 45º aniversário da cassação de Juscelino Kubitschek, em junho de 1964. Logo após o golpe daquele ano, os militares cassaram o presidente em exercício, João Goulart, e um ex-presidente, Jânio Quadros. Inicialmente, JK foi poupado.
Desde fevereiro do mesmo ano ele fora lançado e homologado pelo PSD como candidato na próxima sucessão presidencial, marcada para o ano seguinte. Seria o “JK-65″, tido como uma barbada eleitoral.
As forças no poder, tanto no setor militar como no empresarial, queriam fazer de Carlos Lacerda, o mais ostensivo propagador do golpe, não apenas um candidato, mas o presidente da República. Era necessário limpar o terreno para isso, tirando JK da jogada.
Em São Paulo, que na época gozava a fama (merecida) de ser a locomotiva do Brasil, teve início um movimento para cobrar a cassação do candidato pessedista. Castello Branco, que havia prometido manter o calendário eleitoral e o jogo democrático, foi pressionado pelo então ministro da Guerra, Costa e Silva, para ir conversar com a cúpula da conspiração. Castello reclamou que os empresários paulistas ameaçavam boicotar o plano econômico elaborado por Octavio Gouveia Bulhões e Roberto Campos, que daria régua e compasso para a economia nacional. Foi feita a exigência: que Castello cassasse JK. Todos os ministros assinariam o ato, menos Roberto Campos.
No avião de volta para Brasília, Costa e Silva convenceu Castello de que era necessária a cassação, caso contrário, a chamada revolução não se consolidaria. Em carta a JK, o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Carlos Carmelo Vasconcelos Mota, seu amigo desde os tempos de Diamantina, entregou o que sabia: “Presidente, aqui está a cabeça da hidra”.
Comentário
A versão que eu tinha era diferente. A campanha “JK 65″ ganhava corpo. Juscelino veio a São Paulo para uma missa na Catedral da Sé, oficiada por dom Motta. Depois, tinha reunião na Associação Comercial. Da Sé à ACSP são vários quarteirões. Testemunhas da época me disseram que ele foi de um lugar ao outro sem colocar os pés no chão, carregado pelo povo. O sucesso foi tão retumbante que o próprio Estadão – principal articulador do golpe anti-JK – se curvou.
COm exceção do Estadão, não me parece que o meio empresarial paulista fosse contra JK. Costa e Slva, sim.
Minha colega e amiga Regina Echevereria está terminando a biografia de Sarney. Pontos que não poderão faltar:
1. O segundo decreto do Cruzado, através do qual o consultor geral Saulo Ramos pretendeu ressuscitar a indústria da concordata e das liquidações extrajudiciais.
2. O fim do BNH, uma queima clara de arquivos que resolveu o problema de sociedades de crédito imobiliário em liquidação.
3. O levantamento de liquidações extrajudiciais, como a da Delfim.
4. O golpe da importação de feijão que se tentou dar no Instituto de Resseguros do Brasil.
5. As concessões de TV, distribuídas a amigos e à mídia.
6. O dia em que Sarney entrou na Sala de Imprensa do Palácio para anunciar descoberta de petróleo na ilha de Marajó – justo no vencimento de uma das mais encarniçadas batalhas no mercado de opções.
7. A decisão de Mailson da Nóbrega de permitir a conversão de dívida externa brasileira em cruzados.
Este ano marca 500 anos da chegada de Caramuru ao Brasil. Muitas homenagens se realizam no Brasil e Portugal para celebrar a passagem. Em Viana do Castelo, cidade portuguesa de origem do Caramuru, foi inaugurado um monumento em sua homenagem, retratado acima.
Há quem estime em até 50 milhões os descendentes brasileiros desse navegador português, um em cada quatro brasileiros. Com ele se tem o início a miscigenação do índio com o europeu no país, o primeiro casamento conhecido nas américas. Ele e a índia Paraguassu formaram a primeira família com registro no Brasil. Leia mais »
Os abusos ocorridos no regime militar debilitaram em muito a imagem das Forças Armadas. Com isso, perdeu-se uma perspectiva histórica relevante. Desde o Império, as Forças Armadas eram o único lugar, em todo Estado brasileiro, em que prevalecia a meritocracia, a possibilidade de ascensão dos mais humildes e a solidariedade com os companheiros de farda – que levou à resistência do Exército em “caças” escravos foragidos.
Aqui, uma matéria do Estadão relembrando esse papel.
Comemoração marca os 199 anos do nascimento do Brigadeiro Sampaio
O Exército relembra hoje em todo o País a figura do patrono da arma de Infantaria, Antonio de Sampaio, o Brigadeiro Sampaio, nascido no dia 24 de maio de 1810. Em sua cidade natal, Tamboril, interior do Ceará, a 300 quilômetros de Fortaleza, a comemoração contará com a presença de sua bisneta, a professora aposentada Maria Ruth Amaral de Sampaio, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Leia mais »
Abro a discussão sobre o “ser paulista” recomendando não se ceder às visões preconcebidas. São Paulo não é um, são muitos, é um mundo extremamente diversificado que não pode ser interpretado apenas a partir dos olhos da mídia paulista.
Por Hilano Carvalho
Rodrigo Medeiros,
“O problema é que os paulistas, não todos, se consideram desenvolvidos e por isso consideraram natural a adesão ao neoliberalismo, ou seja, ao fim da história”
É exatamente isso: trata-se de um auto-engano social. Os paulistas, talvez encarnando as figuras sanguinárias dos Bandeirantes do passado, sendo que, a rigor, boa parte deles nem sequer poderia reivindicar tal ascendência, pois a grande massa colonizadora de SP, não se esqueçam, tem origem italiana e espanhola, que remonta aos séculos XIX e XX, tem uma visão colonialista do resto do Brasil. Muitos vêem de fato o Brasil como um resto no sentido mais pejorativo da palavra. Dito isso, parte dos paulistas-nativos, não todos, mas a grande maioria, até mesmo sem querer, influenciados por uma cultura autoritária e servil, nem se reconhecem no “ser brasileiro” para si, se os outros assim se vêem desta maneira, ou para os outros, na medida em que se consideram superiores por apresentarem indicadores financeiro-econômicos mais favoráveis, construídos, tal como muito bem exposto aqui, pela exploração do meio ambiente e de mão de obra barata. Leia mais »
Passou despercebida da maioria da opinião pública a sinuca de bico em que o Delegado Protógenes deixou a CPI do Grampo.
A questão central foi a informação que Protógenes jogou no seu depoimento e da qual só haverá uma maneira de ignorar: encerrando melancolicamente a CPI.
Veja bem, a CPI se dispõe a investigar escuta clandestina. Um álibi capenga, já que até agora só centrou fogo em escuta legal, do Estado brasileiro.
Para demonstrar neutralidade, no entanto, tanto Itagiba quanto Raul Jungman – outro que se expôs bestamente como leão de chácara – anunciaram de público seu propósito de estender as investigações Daniel Dantas. Era o mínimo.
Acontece que no seu depoimento, Protógenes lembrou das 250 caixas do processo da Kroll.
A história dessas caixas começou quando a Brasil Telecom, logo que Dantas foi deposto, descobriu que ele pagara US$ 40 milhões a Kroll e não tinha um comprovante sequer na contabilidade. A BrT acionou a Kroll.
Na Justiça de Nova York, seus advogados pediram um “discovery” ao Juiz. Equivale a uma busca e apreensão com um agravante: se não entregar tudo o que foi solicitado, e se descobrir mais tarde, vai todo mundo em cana.
A Kroll acabou entregando 250 caixas, coalhadas de comprovações das atividades ilegais de Dantas, com grampos e outras jogadas. Grampos ilegais – justamente o mote da CPI dos Grampos. Há de tudo, troca de emails entre ele e a Kroll, entre executivos do Opportunity, com informações variadas sobre privatização, sobre inimigos, sobre políticos.
Esse material – no qual a Kroll confessa ter feito trabalho ilegal para Dantas – está com muita gente, inclusive com a ABIN (Agência Brasileira da Inteligência). A maior parte do trabalho dos agentes da ABIN tem sido o de filtrar as escutas ilegais de Dantas.
Quando Protógenes menciona as caixas na CPI, como é que se faz? Não dá para esconder debaixo do tapete. A Veja desta semana diz que os erros de Protógenes impedirão de desmascarar um “bandido” – olha só, chamando o próprio aliado de “bandido”. O próprio Itagiba, através de um telefonema de um conhecido comum, mandou me avisar que jamais permitiria qualquer coisa que pudesse ajudar Dantas.
Então é simples. Como essas caixas não estão cobertas por sigilo, basta a CPI solicitar. Em vez de rascunhos de trabalho, anotações não oficiais no computador do Protógenes, terá o mais rico material jamais juntado no país sobre espionagem e grampo ilegal: o próprio mapa da República do Grampo.
Fazendo isso, satisfará certamente Gilmar Mendes – o principal adversário da República do Grampo -, a Veja – que, na última edição, mostra-se preocupada com a possibilidade de Dantas se safar -, e todos os jornalistas que diziam que a ação de Protógenes poderia beneficiar Dantas.
Que tal, bravos escoteiros? Mãos à obra. É a hora de provar à opinião pública que o nobre objetivo de todos é combater o grampo clandestino. A bola está quicando na área com o gol vazio. É só chutar.
Bom material da repórter Fernanda Odila, da Folha, sobre a guerrilha, a VAR-Palmares, o papel de Dilma Rousseff, a questão da tortura e os supostos planos para sequestrar o então czar da economia Delfim Netto.
A repórter, na entrevista, dá um tratamento digno à questão da tortura:
FOLHA – A sra. faz algum mea-culpa pela opção pela guerrilha?
DILMA - Não. Por quê? Isso não é ato de confissão, não é religioso. Eu mudei. Não tenho a mesma cabeça que tinha. Seria estranho que tivesse a mesma cabeça. Seria até caso patológico. As pessoas mudam na vida, todos nós. Não mudei de lado não, isso é um orgulho. Mudei de métodos, de visão. Inclusive, por causa daquilo, eu entendi muito mais coisas.
FOLHA – Como o quê?
DILMA - O valor da democracia, por exemplo. Por causa daquilo, eu entendi os processos absolutamente perversos. A tortura é um ato perverso. Tem um componente da tortura que é o que fizeram com aqueles meninos, os arrependidos, que iam para a televisão. Além da tortura, você tira a honra da pessoa. Acho que fizeram muito isso no Brasil. Por isso, minha filha, esse seu jornal não pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode, não. Você não sabe o que é a quantidade de secreção que sai de um ser humano quando ele apanha e é torturado. Porque essa quantidade de líquidos que nós temos, o sangue, a urina e as fezes aparecem na sua forma mais humana. Não dá para chamar isso de ditabranda, não.
A “ditabranda” do Otavinho teve pelo menos um mérito: rompeu com o peso das idiossincrasias dele sobre a linha do jornal. A imprevisibilidade de suas ações, a falta de clareza sobre o que pretendia – ao contrário do pai -, o autoritarismo sem critérios, criou um constrangimento terrível sobre jornalistas e colunistas.
Os mais fracos cederam miseravelmente, tornaram-se repetitivos, óbvios, vergaram demais a coluna vertebral e se transformaram em sombra dos jornalistas que foram – especialmente depois que jornalistas mais críticos foram afastados, como foi o caso dos dois últimos ombudsmen. Os de personalidade não se vergaram, mas se retraíram. E é neles que a Folha irá buscar, agora, sua tentativa de redimir – ainda que parcialmente – o jornalismo e a pluralidade.
Abaixo, artigo do Jânio de Freitas sobre a recuperação da história e o papel de Fernando Henrique Cardoso em aumentar o prazo de sigilo dos documentos oficiais. Leia mais »
Um dos enigmas históricos do continente é a relação da Argentina com o sionismo. Desde antes da Segunda Guerra, a Argentina tinha uma atuação bastante preconceituosa, que se acirrou com a aproximação de Peron com o Eixo. Tempos atrás, houve aquele horror do atentado à sinagoga. Agora, essa manifestação esdrúxula do bispo, negando o holocausto.
O Brasil, apesar de algum boicote do Itamarati na concessão de vistos, sempre recebeu bem toda sorte de imigrantes. Os judeus, então, foram bem recebidos e deram uma contribuição expressiva para o comércio, indústria, finanças e cultura. Teriam dado para o desenvolvimento das pesquisas atômicas, não fosse o veto que a Orquima sofreu.
No entanto, consultando-se os arquivos de Vargas (no CPDOC), há cartas pessoais de informantes dele, em viagem pela Argentina, sobre a preferência do grande capital judeu pelo vizinho. Mesmo com todos os riscos, havia muito mais dinheiro judeu na Argentina que no Brasil.
Quem assiste, hoje em dia, ao massacre de Gaza, não pode imaginar o que foi a odisséia dos judeus até conseguirem sua pátria, Israel. É um dos episódios nobres do século 20 – assim como a militarização de Israel e os massacres praticados, um dos pontos vergonhosos da história.
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A base da criação de Israel foi a chamada “Declaração de Balfour”, carta do Ministro das Relações Exteriores da Inglaterra, Arthur James Balfour, a Lord Rotschild, em 1919, estimulando a criação de uma pátria para os judeus. A carta evoluiu para o “Acordo de Balfour”, pelo qual a Liga das Nações lançava as bases do estado judeu, até seu reconhecimento pela ONU em 1948.
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Esse acordo – que selou o apoio inglês à criação do Estado de Israel – foi possível, em grande parte a um químico judeu, Jospeh Blumfeld, que morou no Brasil nos anos 40 e ajudou a desenvolver a tecnologia para exploração das areias monazíticas. Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.