Sem a presenca da Funai e dos misssionarios um novo tempo inicia-se na aldeia. Esperanca, perspectivas de futuro melhor toma conta daquela comunidade. Indescretivel.
As mulheres que vinham praticando silenciosos abortos para nao oferecerem seus fillhos a escravidao, a um mundo totalmente ameacador, incerto, comemoravam agora suas enormes barrigas. A vida voltava.
Este foi, talvez, o sintoma mais visivel da mudanca.
Carta que enviei a meu amigo Patrick (nome de guerra), ex-comuna, grande sujeito, coração enorme, que me escreveu por ocasião de seu 53º aniversário, fazendo uma defesa apaixonada da extradição de Cesare Battisti:
Patrick,
Parabéns, seu comuna de meia tijela. Cinquenta e três? Eu ainda estou curtindo minha “boa idéia” – ou, pelo menos, tive que engolir a dita cuja de um só trago, como se fosse um copo de 51.
Quanto ao Battisti, meu velho, eu não o extraditaria. Seu passado faz parte de um mundo que morreu, e que é impossível julgar com os olhos do presente. Naquele mundo doido, muitas pessoas foram levadas a pensar que qualquer ato (até mesmo um assassinato) estava justificado pelo ideal de uma sociedade igualitária. Uma espécie de loucura coletiva arrastou milhares de jovens às piores barbaridades, mobilizando (aí está o paradoxo) seus melhores sentimentos. Abandonavam a família, os amigos, a carreira em nome de um ideal de justiça. Eram movidos, enfim, por uma lógica que é inatingível pelos raciocínios de hoje. Sempre achei aquilo uma sandice completa, mas reconheço que, naquela época, eu julgava essa sandice com outras lentes. Compreendia quando alguém me falava que havia uma guerra em curso no mundo todo entre o “bem” do socialismo e o “mal” do capitalismo, e que essa guerra às vezes fazia vítimas inocentes. Achava esse raciocínio uma loucura porque não conseguia ver no “socialismo real” (lembra disso?) a mais pálida sombra do ideal que movia pessoas desse tipo, e também porque não acreditava no poder humano de planejar a história, como se fosse um arquiteto. Apesar disso, conseguia me pôr no lugar dessas pessoas, e compreender o ponto de vista ético a partir do qual elas falavam. Hoje, para compreendê-las (e para me compreender, nesse passado) tenho que forçar minha imaginação política a viajar para um tempo que já morreu. Cesare Battisti, a rigor, não pode ser extraditado, pois extraviou-se no tempo. O que existe, hoje, é uma sombra carregando na memória, um pouco incrédulo, a sombra de um mundo extinto. Sem nenhuma comemoração, discretamente, eu o deixaria em paz. Eu estava certo, no final das contas, e ele, errado. E daí? Já não errei tantas vezes, eu também?
O comuniquese traz entrevista de Collor falando da sua relação íntima e infantil com a Globo. O que será que ele fez pra Veja e Globo para acabar como acabou?
A relação que tinha com a TV Globo ajudou e muito o ex-presidente Fernando Collor de Mello a “evitar armadilhas” durante as eleições de 1989. O senador pelo PTB de Alagoas contou, em entrevista ao UOL, que percebeu nos meios de comunicação na época receio de o Brasil ter um governo comunista. Por isso, diz ele, que a imprensa era “simpática” à sua candidatura. No segundo turno, quando concorreu com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele diz que não houve “bem um apoio” da Globo a ele. “A Globo nunca declarou ‘eu apoio esse candidato’”, disse.
A relação com Roberto Marinho e família já vinha de longa data. Collor lembra “momentos de convivência com dr. Roberto”, já que seu pai, Arnon de Mello, foi sócio do empresário em empreendimentos imobiliários no Rio de Janeiro. “Enfim, as famílias se frequentavam”, recorda, destacando que quando sua família montou uma TV em Alagoas, Roberto Marinho ofereceu a programação da Globo, tornando-se afiliada.
Que tal os participantes do Blog comentarem as eleições de 1989 já que fazem 20 anos da primeira eleição direta para presidente depois de quase 30 anos.
Muitos dos leitores do blog por serem jovens não devem ter passado por este momento, mas acho que foi a melhor eleição que tivemos, tanto pela campanha, como pelos candidatos.
Comentário
A campanha de 1989 começou mais cedo para mim. Tinha sido demitido da Folha depois de uma negociação do seu Frias com o Saulo Ramos, consultor geral da República e principal operador de Sarney. A razão foram as denúncias que fiz sobre a manipulação do segundo decreto do Plano Cruzado. A contrapartida oferecida por Sarney era irrecusável.
A demissão foi adiada por alguns meses devido ao Prêmio Esso que ganhei naquele ano, justamente devido às matérias sobre Sarney. Sofri escuta em casa – planejada pelo então diretor geral da Polícia Federal Romeu Tuma. Descobri graças ao então corregedor geral da Polícia Civil de São Paulo, Walter Maierovitch. Mas a Folha se recusou a noticiar.
Pouco antes tinha recusado convite para ser comentarista da Globo. Mantinha a página Dinheiro Vivo no JB.
El Rey baixa medidas mais drásticas contra o contrabando, mandando, inclusive, prender pessoas que forem flagradas usando roupas feitas de tecidos contrabandeados.
Hoje é aniversário de São Carlos, 152 anos. As famílias de minhas avós são são-carlenses “da gema”, desde os tempos pioneiros. Meus avô paterno veio para cá nas primeiras décadas do séc. 20, o materno veio para instalar o Banco do Brasil na cidade, depois se tornou inspetor do Banco na região, na metade do séc. passado. Sou paulistano de nascimento, mas a maior parte de minha vida morei aqui, em períodos intermitentes, e o tempo de formação escolar todo foi por aqui.
Com a expulsao dos funcionarios da Funai da aldeia os missionarios (casal americano, com filha e sogro), tinham perdido a protecao e a legitimidade para suas acoes. A uniao, de anos, de exploracao e evangelizacao estava desfeita. O projeto comum entre o Coronel e a New Tribus of Brazil tinha se desmantelado.
Os missionario sabiam que o processo revolucionario que estava em curso na comunidade indigena era irreversivel e que suas presencas contrastava muito mais do que a simples diferenca fisica.
Hoje faz 20 anos da queda do Muro de Berlim. Foi um dos maiores acontecimentos do século 20. Foi uma guinada na história. E eu fico muito feliz por ter visto o acontecido. Poucas coisas me emocionaram tanto quanto ver aquele muro sendo derrubado. Foi como participar desse momento com os berlinenses.
E as redes de TV estão mostrando gravações e documentários sobre esse momento da história. E é impressionante como ainda hoje é emocionante rever tudo aquilo.
Nassif, Não dá pra deixar em branco. Hoje faz 20 anos da queda do Muro de Berlim. Foi um dos maiores acontecimentos do século 20. Foi uma guinada na história. E eu fico muito feliz por ter visto o acontecido. Poucas coisas me emocionaram tanto quanto ver aquele muro sendo derrubado. Foi como participar desse momento com os berlinenses. E as redes de TV estão mostrando gravações e documentários sobre esse momento da história. E é impressionante como ainda hoje é emocionante rever tudo aquilo.
Atenção, pessoal, a comentarista Simonse trouxe o link de uma entrevista do Guilherme Motta ao Valor onde suas idéias, mesmo sendo questionáveis, seguem linhas de raciocínio mais claras. A nota está no pé deste post.
Confesso um certo desânimo em analisar entrevistas do tipo da que o professor Carlos Guilherme Motta concedeu hoje ao Estadão.
Motta fez sucesso nos anos 70 ou 80, quando pretendeu escrever uma obra monumental, uma espécie de enciclopédia do pensamento intelectual brasileiro. Era uma obra arraigadamente uspcentrista, na qual se permitia idiossincrasias pessoais – especialmente contra ninguém mais do que Sérgio Buarque de Hollanda, contra quem mantinha uma certa competição.
No afã de desmerecer Buarque de Hollanda e consagrar a USP, chegou a considerar a “História da Literatura Brasileira”, de Antônio Cândido como uma brasiliana de nível superior. Depois, estimulou uma falsa competição entre Antonio Cândido e Gilberto Freyre, visando desqualificar o pensador nordestino – visto por ele como “de direita”.
Nos dois casos, deixou Antonio Cândido em má situação, por pretender usá-lo como aríete justamente contra duas de suas maiores admirações intelectuais. O professor Antônio Cândido é cioso da sua relevância intelectual e suficientemente crítico para não pretender ombrear-se com suas duas admirações.
Na entrevista ao Estadão, Guilherme Motta mostra uma dificuldade comum a historiadores que, vindos de uma visão tradicional da matéria, não conseguem entender as novas dinâmicas do momento, em cima da bucha. Relaciona uma série enorme de conceitos, definições, fatos descosturados, incapaz de alinhavá-los e organizar o todo.
Não sejamos injustos: talvez não tenha conseguido o espaço necessário porque a entrevista visava obviamente cumprir uma pauta pré-determinada. Recentemente saiu uma entrevista assim com o Renato Lessa – que, desde o primeiro momento, duvidei que tivesse sido fiel ao seu pensamento (e não havia sido, de fato).
Pesquisando o doutor Sobral Pinto na rede, chego a resultado esplêndido, para começar a página do “Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro – FGV”, neste endereço é possível pesquisar uma boa documentação sobre nossa história :
Sérgio era admirado por indianistas como os irmãos Vilas-Boas e o médico Noel Nutels. Foi amigo de caciques como Raoni, Kremure, Megaron, Krumari e Kretire. Os índios o chamavam “Nambiguá caraíba” (homem branco amigo). Aos 37 anos, Sérgio Macaco (como era conhecido na Aeronáutica) já tinha seis mil horas de vôo e 900 saltos em missões humanitárias, de resgate e socorro em geral. Todavia o tipo de tarefa que lhe seria proposta ali pelos oficiais não era nem um pouco digna ou solidária.
Dia 12 de junho de 1968, o capitão para-quedista Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, convocado a uma reunião, foi recebido no gabinete do ministro da Aeronáutica pelos brigadeiros Hipólito da Costa e João Paulo Burnier, que viria a se tornar conhecido como torturador e assassino.
Nassif, vou postar aqui e na Agenda Cultural. Em homenagem aos leitores do Blog, passei a noite ouvindo o repente nordestino postado aqui, para digitá-lo.
Como contraponto aos novos capitalistas brasileiro, é interessante analisar como se formaram os grandes grupos capitalistas na Rússia – um misto de KGB, jovens capitalistas ambiciosos e crime organizado.
Houve o desmonte irresponsável da Glasnot. Essa primeira rodada criou grupos de 200 a 500 milhões de dólares. Depois veio a consolidação irresponsável de Boris Yeltsin. A figura chave do período foi sua filha Tatiana Diachenko
TUDO INDICA que, se o deputado Ciro Gomes for candidato à Presidência da República, formará com Dilma Rousseff a velha dupla dos filmes policiais. O mau meganha azucrinará o tucano José Serra, enquanto a boa candidata, Dilminha, percorrerá o país com Nosso Guia, falando do Brasil de um novo tempo. É um ardil velho, mas legítimo, desde que Ciro Gomes respeite a inteligência alheia.
Assim como Lula, o tucano precisa de um adversário. Sete anos de pastor serviu Serra a Nosso Guia fazendo tudo, menos oposição, pois não serve a ele, mas à própria candidatura. Se em 2010 alguém exigir contas ao tucanato, todo mundo ganha. Ciro Gomes pretende esse papel, mas deve respeitar os fatos.
(…) Mas há outra pergunta: o que fez Ciro Gomes quando o câmbio estava apreciado?
Passados 15 anos, a informação parece nova: nada. É pior. Entre setembro de 1994 e janeiro de 1995 ele foi ministro da Fazenda.
Assumiu com o cambio apreciado e o dólar a R$ 0,80. Deixou o ministério com a moeda americana a R$ 0,84. Fazendo-se justiça ao deputado, no Ministério da Fazenda ele foi mais um animador do que um titular. Quem mandava no país era o grupo de sábios da ekipekonômica.
Eles deixaram o governo e foram felizes para sempre aninhando-se na banca.
No dia 1º de outubro de 1949 (há 60 anos, portanto), o velho timoneiro pronunciou as famosas palavras: “O povo chinês se levantou. Ninguém nos insultará novamente”. Estava nascendo a República Popular da China.
E aí, o que é a China hoje? Uma “República” (res pública, coisa pública)? Sim – e como poucas. “Popular”? Sim (aliás, isso está implícito no conceito de res pública). Agora, um regime comunista pura e simplesmente não é mais. Capitalismo de Estado também não; pois há uma (forte) iniciativa privada.
Ou, por ironia do destino, é o capitalismo que deu certo? Estado forte, mercado forte, mas o segundo [fortemente] regulado pelo primeiro? Acho que até as igrejas deveriam repensar seus conceitos, pois sem padres nem pastores (nem Dalai Lama) por lá a coisa está dando certo que é uma beleza.
”A Mão Sem Vida”, do jornalista David Hoffman, mostra a decadência da URSS à luz da corrida armamentista
Dwight Garner, THE NEW YORK TIMES
Desde os infelizes últimos anos do governo de Leonid Brejnev, encerrados com sua morte em 1982, até a chegada de Mikhail Gorbachev em 1985, a União Soviética pareceu ser conduzida, como descreveu David Remnick, por uma série de “homens moribundos em hospitais de iluminação precária”. (continua).
Comentário
Manuel Castels, o notável sociólogo espanhol, admirado por dez em cada dez pensadores sérios, incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – cujas ideias Ali Kamel taxou de comunistas, por confundir trabalho em rede com trabalho igualitário – escreveu uma obra notável sobre a decadência da ex-URSS.
A imagem que tenho do Carlos Lacerda ( estava cursando o ginásio à época) não é esta. Alguns simpatizantes falam de um político inteligente, culto e polêmico. O Roberto Freire não tem estas virtudes.
Que tal vc lançar como tema alguns políticos do passado, a começar pelo Lacerda ? Seria uma releitura para os que não conviveram com a mídia da época, e o tempo é a melhor maneira de ver o resultado de suas atuações ou pensamentos e contribuições
Nassif, eu era repórter, em Salvador, durante a campanha eleitoral de Fernando Collor de Mello, e talvez falte à sua análise conjuntural um elemento regional relevante. O argumento dos pontos positivos, aliás, aplicável a qualquer situação por onde se prospecte ações humanas as mais distintas, tem valor demasiado relativo quando se fala de Fernando Collor, ou melhor, das circuntâncias criminosas montadas, em mutirão nacional, para que ele fosse eleito.
“Mas, se ganha, não governa”, continuou Lula. “Outro dia, eu viajei com o Collor pra Alagoas. E eu perguntei pra ele: “Mas, Collor, como você foi nomear um cara como o João “Bafo de Onça” para o seu ministério [referindo-se a João Santana, nomeado por Collor secretário de Administração], um cara, sabe, que não ganhava nem eleição para diretório do PT?” E o Collor me disse: “Eu não tinha quadros”. É isso. Sem quadros, você não governa.”
Comentário
Ainda está por merecer uma análise sóbria o governo Collor. O despreparo da equipe era evidente. O João “Bafo-de-onça”, mencionado por Lula, era o João Santana, primeiro indicado Secretário de Administração, depois Ministro da Infra-estrutura – um superministério que juntava quatro ou cinco ministérios de peso.
Na época, João era um meninão. Freqüentávamos o Bar Brasil, dos irmãos Caruso. Cada vez que arrumava uma namorada bonita, o João se comportava como um ser superior, que nem olhava para o lado, para gargalhada de uma turma de sacanas empedernidos, como o Percival Maricatto e outros.
Pelos jornais, eu acompanhava a política, e numa matéria curta, li a noticia que no Rio, os estudantes haviam feito uma greve , contra a falta de verbas para a educação.Eu era menssageiro da FIESP,e numa tarde, alguns dias depois desta noticia , estava indo entregar uns documentos, no centro novo, Rua Barão de Itapetininga, e reparei que havia muitos policiais nas imediações do largo São Francisco,onde fica, Universidade de Direito.Passei a andar mais de vagar e quando me aproximei da faculdade,ouvi gritos de protesto,que clamavam por melhores verbas nas escolas públicas,lembrei da matéria e pude concluir que aquela era a mesma manifestação,ocorrida no Rio,resolvi tirar a gravata e num misto de medo e curiosidade,fui me aproximando dos estudantes e comecei a caminhar, como parte integrante do movimento.
A invasão da PUC SP ocorreu em setembro de 1977, há 32 anos atrás. Em São Paulo, já haviam ocorrido diversas outras passeatas, inclusive em anos anteriores, tanto por melhores condições de ensino, mais verbas e, principalmente pela luta contra a ditatura.
O dia 20 de setembro é especial para os gaúchos. Festejamos a REVOLUÇÃO FARROUPILHA, uma guerra que não foi ganha.
Os farrapos não derrotaram o Império. A Confederação formada pelas República Rio-grandense e Republica Juliana (Santa Catarina) ruiu. Fato. O tratado de Poncho Verde foi mais uma rendição do que um armistício. Verdade. Mas aqueles acontecimentos acabaram por galvanizar uma identidade cultural aos sul-rio-grandenses.
Um dos símbolos do Rio Grande do Sul e da epopéia farroupilha, cantado em todos os rincões de solo gaúcho, é o …
Hoje, 11 de setembro, quero homenagear Salvador Allende.
Um link com o último discurso.
Eu, com 19 anos, ouvi esse discurso e, ainda hoje, não deixa de me emocionar.
É espantoso que um homem, que sabe que vai morrer, tenha a calma e a coragem de improvisar um discurso desta grandeza.
Se clicarem em mais informações do video, poderam acompanhar o transcrição do discurso ( no fim também aparece, mas é legal acompanhar o texto )
A veemência com que, na entrevista ao Canal Livre da Rede Bandeirantes, o notório cabo Anselmo (José Anselmo dos Santos), de olho numa indenização como perseguido político, tentou negar que já era agente infiltrado (e provocador) da direita ANTES do golpe de 1964, não consegue contestar o depoimento enfático do delegado Cecil Borer em 2001 – conforme o excelente texto (talvez definitivo) assinado por Mário Magalhães na “Folha de S.Paulo”, a 31 de agosto de 2009.
Estou me metendo nessa discussão por ser um assunto que me apaixona desde que participei, há pouco mais de três décadas, de uma reportagem de investigação da revista “Playboy”, conduzida pelo jornalista Marco Aurélio Borba, meu amigo (e editor nacional de “Opinião” no período em que dirigi a redação), que morreria poucos anos depois, num acidente em Brasília. Levantei para a revista no Rio, enquanto mais jornalistas faziam o mesmo em outros estados (não tenho aquele número da revista, mas seria bom se alguém pudesse informar ao menos o mês e o ano, entre 1977 e 1979, pois ainda acho que existem dados importantes ali).
lá pelos inícios dos anos 80, trabalhávamos na Istoé e quem descvobriu de fato o Cabo Anselmo0 foi a Suzana Veríssimo – você certamente lembra dela, que trabalhou com a gente na Veja. A Suzana descobriu que o Cabo Anselmo frequentava o DOPS de São Paulo, onde tinha um sócio, o delegado Josecyr Cuoco, com quem mantinha uma agência privada de informações que, com agentes infiltrados no movimento sindical e acesso aos relatórios dos alcaguertes do DOPS, vendia informações para as multinacionais, especialmente do setor automobilístico, na época muito assustadas com o novo sindcalismo que nascia no ABC.
A Suzana começou a levantar a matéria, quando o Cuoco descobriu e, com ajuda do Cenimar, montou uma operação de contra-inteligência: chamou o Octávio Ribeiro – nada contra ele, era meu amigo e um grande repórter de polícia – e combinaram a entrevista com o Cabo Anselmo.
A única condição, cumprida, foi que a matéria deveria ser publicada na Istoé, exatamente para desmontar o trabalho da Suzana.
A última informação que eu tive da Suzana é que ela estava morando no Recife mas, se for necessário, não será difícil encontrá-la.
Por Suzana Verissimo
Salve, Nassif! Salve, Fon! Estou viva, feliz e morando em Brasília, onde chefio a assessoria de comunicação social do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o FNDE. Nassif, o comentário do Fon é corretíssimo. No dia em que saiu a matéria do Pena Branca, por sinal, eu estava com um encontro marcado com uma fonte que ia me passar o endereço do apartamento onde morava o cabo Anselmo. Beijo nos dois.
A morte do senador Edward (Ted) Kennedy na noite de ontem, aos 77 anos, merece um post, não? O texto do Caio Blinder no Último Segundo (clique aqui) está bem interessante.
Comentário
Que tal nossos especialistas analisarem a era Kennedy e o que aconteceu com aquele que, segundo os irmãos, era o mais habilidoso político da família?
Por Neves
O mandato conquistado em 1962 é o terceiro mais longo da história americana. Foi senador desde os trinta anos de idade e reconhecido pela causa dos Direitos Humanos. Foi ele quem levou para o congresso americano a denúncia do assassinato do filho de Zuzu Angel aqui no Brasil.
Os jornais portugueses dão destaque hoje para seu papel na mudança política do governo americano em relação ao Timor Leste.
Tinha 14 anos quando Getúlio se suicidou. Em 1950, eu acompanhava meu pai, médico, que fazia campanha pró-Getúlio, nos comícios e, principalmente, numa loja alugada em Copacabana onde funcionava uma sede do partido.
De vez em quando me chamavam pra falar no microfone (“Votem em Getúlio”), distribuía panfleto na porta da loja, arrumava em fileiras uma espécie de santinho de campanha. Tinha uns almoços ótimos lá, e eu sempre ia. Meu pai era médico do Instituto dos estivadores, acho que se chamava Iapetec.
Fui com uma vez ou duas na festa do Dia do Trabalho, ou no Sete de Setembro, sei lá, no estádio do Vasco da Gama, onde Getúlio desfilava, de pé, num carro preto aberto, fazendo aquele gesto típico com a mão direita. E posso ouvir ainda nitidamente a voz dele: “Trabalhadores do Brasil”. Certa vez, houve uma grande comemoração, acho que no centro da cidade, talvez na Candelária, à qual muitos colégios foram convidados para cantar num coro regido pelo maestro Villa Lobos. Esqueci o nome da canção, mas lembro de alguns acordes e que eu fazia a segunda voz. Getúlio estava lá: “Trabalhadores do Brasil”.
Postei na comunidade, nos blogs ( http://blogln.ning.com/profiles/blogs/hiroshima-sons-e-cenas-da ), uma atualização da cobertura que o repórter Alexandre Sammogini está fazendo dos eventos que estão ocorrendo em Hiroshima e Nagasaki, reportados pela agência de notícias Pressenza ( http://www.pressenza.com ), em que ele é também editor-chefe pelo Brasil. A agência tem editores em vários outros países.
Neste texto ele faz referência a uma outra reflexão de sua autoria publicada no mesmo site e também no CounterCurrents ( http://www.countercurrents.org/mitchell070809.htm ) sobre como foram tratadas as publicações de imagens das explosões nestas duas cidades japonesas, ao longo do tempo. Ou seja, como a humanidade não teve acesso a muitas destas imagens e os possíveis motivos para isto ocorrer.
Por Argemiro Ferreira
É ótima a lembrança da Cida Medeiros. Muito bom também ter citado o Gregg Mitchell – um dos autores que, mesmo dedicado a muitos assuntos, não deixa de voltar a cada ano à destruição de Hiroshima e Nagasaki. A tentativa dos EUA, durante anos, de acobertar a extensão daquela tragédia, recolhendo e ocultando imagens em toda parte, até os filmes feitos pelos próprios americanos, para mim é comparável ao que se fazia na Rússia de Stalin (e Orwell alfinetou em “1984”) com os esforços para mudar o passado e fraudar a História, a ponto de apagar personagens em fotografias. Também acho importante voltar sempre ao debate sobre a decisão do governo Truman de usar a bomba-A, tema que procurei revisitar em três posts, dias 6 e 7, em meu blog (argemiroferreira.wordpress.com), no qual reproduzi ainda as fotos das maquetes de Hiroshima antes e depois da explosão, expostas no museu da paz naquela cidade japonesa.
O discurso, mesmo que em síntese apertada, sobre aspectos econômicos e políticos de um determinado governo ou período histórico exige um olhar que recaia na base material. E a totalidade da estrutura econômica somente pode ser percebida se as relações sociais e políticas forem examinadas. Esse é o sentido – e limitação – deste post.
O intessante na historiografia sobre Jango é a abordagem da personalidade (Jorge Ferreira e Angela Castro Gomes, autores de “Jango: as múltiplas faces”), do valor político do indivíduo.
Regina Behar recolhe desse ponto de vista, a do “bom sujeito”: ” é contraditório e humano, forte e frágil como nenhum outro presidente brasileiro ousou ser…”
“Um momento singular em nossa história no qual a política se fez na rua e em palácios que se abriam a todos, e no qual efetivamente houve a possibilidade de que as transformações políticas se fizessem com a participação e a favor dos “de baixo”.
Por Charles Aldinger WASHINGTON (Reuters) – O ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos Robert McNamara morreu nesta segunda-feira aos 93 anos. Ele será lembrado acima de tudo por ter sido o arquiteto principal do envolvimento dos EUA na Guerra do Vietnã.
“Ele foi acometido pela idade”, disse sua mulher à Reuters. “Não estava doente. Morreu tranquilamente enquanto dormia.”
McNamara também seguiu carreira brilhante na indústria e nas finanças internacionais, mas seu legado doloroso é o Vietnã.
RIO DE JANEIRO – Com algum atraso, vou lembrar o 45º aniversário da cassação de Juscelino Kubitschek, em junho de 1964. Logo após o golpe daquele ano, os militares cassaram o presidente em exercício, João Goulart, e um ex-presidente, Jânio Quadros. Inicialmente, JK foi poupado.
Desde fevereiro do mesmo ano ele fora lançado e homologado pelo PSD como candidato na próxima sucessão presidencial, marcada para o ano seguinte. Seria o “JK-65″, tido como uma barbada eleitoral.
As forças no poder, tanto no setor militar como no empresarial, queriam fazer de Carlos Lacerda, o mais ostensivo propagador do golpe, não apenas um candidato, mas o presidente da República. Era necessário limpar o terreno para isso, tirando JK da jogada.
Em São Paulo, que na época gozava a fama (merecida) de ser a locomotiva do Brasil, teve início um movimento para cobrar a cassação do candidato pessedista. Castello Branco, que havia prometido manter o calendário eleitoral e o jogo democrático, foi pressionado pelo então ministro da Guerra, Costa e Silva, para ir conversar com a cúpula da conspiração. Castello reclamou que os empresários paulistas ameaçavam boicotar o plano econômico elaborado por Octavio Gouveia Bulhões e Roberto Campos, que daria régua e compasso para a economia nacional. Foi feita a exigência: que Castello cassasse JK. Todos os ministros assinariam o ato, menos Roberto Campos.
No avião de volta para Brasília, Costa e Silva convenceu Castello de que era necessária a cassação, caso contrário, a chamada revolução não se consolidaria. Em carta a JK, o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Carlos Carmelo Vasconcelos Mota, seu amigo desde os tempos de Diamantina, entregou o que sabia: “Presidente, aqui está a cabeça da hidra”.
Comentário
A versão que eu tinha era diferente. A campanha “JK 65″ ganhava corpo. Juscelino veio a São Paulo para uma missa na Catedral da Sé, oficiada por dom Motta. Depois, tinha reunião na Associação Comercial. Da Sé à ACSP são vários quarteirões. Testemunhas da época me disseram que ele foi de um lugar ao outro sem colocar os pés no chão, carregado pelo povo. O sucesso foi tão retumbante que o próprio Estadão – principal articulador do golpe anti-JK – se curvou.
COm exceção do Estadão, não me parece que o meio empresarial paulista fosse contra JK. Costa e Slva, sim.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.