Uma entrevista concedida pelo diretor de Política Monetária, Mário Torós, ao jornal Valor Econômico abriu uma crise no Banco Central (BC). Responsável pela administração de mais US$ 230 bilhões em reservas internacionais, e pelas operações no mercado de câmbio, Torós descreveu bastidores da atuação do BC durante a crise, nomes de bancos que sofreram saques e o ataque especulativo contra o real.
Torós já havia manifestado interesse em deixar o BC. Agora sua saída deverá ser apressada, segundo fontes de mercado. Segundo as fontes, Torós desrespeitou a hierarquia ao tratar de temas que dizem respeito ao presidente do banco, Henrique Meirelles, e revelou informações que não são públicas.
O interesse de Torós, ainda segundo essas fontes, teria sido chamar a atenção para seu papel no enfrentamento da crise, num momento em que define seu futuro profissional. Procurada pela reportagem do Estado, a assessoria de imprensa do BC informou que Torós não iria comentar a reportagem.
A assessoria de imprensa limitou-se a informar que “as declarações atribuídas ao diretor de Política Monetária, Mário Toros, pelo jornal Valor Econômico traduzem uma avaliação de caráter pessoal. O Banco Central não fará comentários a respeito”.
A substituição de Torós não é uma tarefa fácil. Depende da difícil escolha de um nome para sucedê-lo. Além da responsabilidade de gerir as operações de câmbio, há dúvidas sobre a futura linha de atuação do BC.
Henrique Meirelles, Mário Torós e Mário Mesquita, do Banco Central.
Belíssima matéria de Cristiano Romero e Alex Ribeiro, no Valor de hoje, sobre a corrida bancária na crise do ano passado. Some-se a matéria de ontem da Raquel Ballarin sobre o ataque especulativo de que foi alvo o Unibanco, no mesmo período (clique aqui para ler a matéria).
O curioso da matéria é que ela foi feita em cima de Mário Torós, personagem central da crise, com ele relatando como quase salvou o país. Irresponsáveis que quase jogam o país na maior crise da sua história.
Toda essa jogatina desenfreada, patrocinada pelo BC, foi relatada aqui no Blog.
Primeiro, o banco permitiu a apreciação desmedida do real.
Depois, para compensar os grandes exportadores, instituiu o “swap reverso”, uma excrescência que permitia aos exportadores ganhos financeiros sempre que o real se apreciava. Ou seja, perdiam no operacional, mas ganhavam no financeiro. Com isso, o BC colocava todas as forças da economia – mercado financeiro e grandes empresas exportadoras, na mesma linha de apreciação da moeda. Quem bancava o ganho financeiro da especulação? O BC, é claro. Ou, melhor, o Tesouro. Ou melhor, todos os contribuintes.
No dia 3 de junho de 2008 – antes da crise, portanto – na coluna “O escândalo do swap reverso” alertei para essa leviandade:
O Ministério da Saúde está em uma luta insana para obter R$ 20 bilhões adicionais, que garantiriam a universalização do acesso a medicamentos no pais.
Do ano passado a maio deste ano, a mesa de operações do Banco Central, com apenas uma operação – o “swap reverso”, operação no mercado de derivativos — deu um prejuízo de R$ 10 bilhões ao Tesouro, e um lucro correspondente ao sistema bancário.
(…) Suponha-se a situação inversa: uma crise cambial que provocasse uma enorme desvalorização do real. Pelas quantias envolvidas no “swap cambial” haveria o risco concreto de uma crise sistêmica, obrigando o BC a intervir no mercado para salvar as instituições. O BC está agente de criação de futuros riscos sistêmicos.
É bom que os operadores do BC se dêem conta. Estão atuando contra o Estado brasileiro, queimando dinheiro público. Essa operação tem contornos que permitem desde a abertura de uma CPI até de um inquérito por parte do Ministério Público.
O círculo vicioso do câmbio está dado mais uma vez.
Tem-se o seguinte quadro internacional:
1. Excesso de liquidez e propensão a novas bolhas especulativas.
2. Dúvidas de monta sobre o fim da crise internacional.
3. Desalinhamento das taxas de juros nacionais, com alguns países puxando a alta de juros antes de outros.
Todo esse clima induz à volatilidade cambial no mundo.
Nesse cenário, o Brasil é a bola da vez dos movimentos especulativos. Há fundamentos sólidos para se apostar no Brasil, o reconhecimento de que saiu da crise antes dos demais, o mérito de ter sabido dosar medidas ortodoxas e anticíclicas, a percepção mundial de que será um dos países líderes da economia global nas próximas décadas.
Sobre essa base fundamentalista, ocorre o movimento especulativo que, nos próximos meses, inundará o país de dólares.
Em qualquer país racional, o Banco Central alteraria sua maneira de atuar sobre o câmbio e a política monetária. Por aqui, não só tem reforçado a visão ortodoxa, como tem atuado claramente visando estimular esse jogo especulativo.
Duas manifestações do BC, em países como os Estados Unidos, no mínimo ensejariam a abertura de um processo de responsabilização.
O primeiro, a declaração de um diretor do BC de que a compra de reservas cambiais não reduz a apreciação do real. O segundo, o relatório do BC apontando a possibilidade de elevação dos juros no próximo ano, como reflexo do aumento de despesas públicas – uma afirmação que não tem nenhuma base factual, ainda mais levando-se em conta de que a apreciação do real funciona como elemento anti-inflação.
Nos dois casos, o BC atuou como agente estimulador desse movimento de apreciação cambial.
Agora, se entra em período eleitoral, no qual a apreciação cambial conta votos. Haverá volatilidade no câmbio atrapalhando exportações e investimentos. Mas será contida, no início, pelas reservas cambiais.
No final do ano que vem, os economistas dos candidatos favoritos estarão estudando como sair da armadilha cambial que lhes foi deixada.
Em fins de 1998, o país começava a recuperar o ímpeto reformista, atropelado pelas jogadas cambiais do início do Real. Na ocasião escrevi que a imprudência com o câmbio mataria qualquer veleidade de FHC de fazer um bom governo.
Muito tem sido dito, ultimamente, sobre as possíveis semelhanças de projetos entre as candidaturas tucana e petista em 2010. O período de crise pelo qual o Brasil passou, porém, revelou-se importante para fazermos um balanço sobre as reais diferenças de projetos que estarão em jogo no ano que vem.
O Governo Lula, para enfrentar a crise, reduziu alíquotas de impostos, aumentou o gasto público, baixou os juros e ampliou o crédito público, implantando uma política tributária, fiscal, monetária e creditícia anti-recessiva, promovendo diretamente e financiando a produção e o consumo. Também manteve e aprofundou as políticas sociais de transferência de renda. Esta agenda tirou o país da crise rapidamente.
No Governo Serra, a venda do patrimônio público, o “arrocho salarial”, o congelamento dos recursos para financiamento da produção e o aumento da carga tributária permaneceram como elementos centrais da administração tucana. Uma política tributária, fiscal e creditícia irresponsável, aprofundando a crise econômica. A insistência nesta agenda ultrapassada foi definida pelo Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda do Governo Lula, em reportagem recente (O Estado de São Paulo, 2/10/2009), como “terrorismo fiscal”.
Ministro afirma que restituição “demorará um pouco mais” porque “este é um ano difícil”, mas que o atraso terá correção pela Selic
Receita deve deixar de pagar R$ 3 bi em restituições neste ano; de R$ 15 bi que estavam programados, só R$ 12 bi serão depositados
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que os contribuintes não “perdem nada” com o atraso na devolução das restituições do IR, determinada pelo governo por causa da queda na arrecadação causada pela crise internacional.
No auge da crise, os Bancos Centrais ampararam as instituições financeiras, mas não desarmaram a bomba dos fundos hedge.
Sua característica principal é radicalizar qualquer movimento da economia – para cima ou para baixo.
Nos próximos meses, esses movimentos se tornarão cada vez mais voláteis, a partir de tendências que já se delinearam:
1. Recuperação da economia global, permitindo a recuperação nos preços das commodities.
2. Liquidez internacional empoçada, já que o dinheiro injetado pelos Bancos Centrais (inclusive no Brasil) não se transformou em crédito para o setor real da economia.
3. Volatilidade cambial extrema, ainda mais agora que os países recomeçam o movimento de alta dos juros, de maneira não sincronizada, abrindo espaço para arbitragens.
4. A euforia desenfreada com algumas economias, especialmente a brasileira.
Tudo conspira para uma nova bolha, seguida de uma nova crise, na qual velhos governos, já desgastados pelo insucesso em aproveitar a primeira onda para medidas eficazes, terão que enfrentar a segunda.
Conselho aos investidores: pé no freio. Esse movimento irracional poderá permitir algum ganho com esses novos IPOs, mas a possibilidade de micar com a ação é grande.
Sera se agora saiu alguma coisa sobre as agencias de risco Nassif. Parecem que elas tem um bom lobby mas um influente congressita americano quer novas regras.
Entre outras revisoes ele quer que as agencias de risco (Moody’s, Standard & Poor’s and Fitch Ratings tem por volta de 95% do mercado) sejam coletivamente responsaveis por falta de cuiddo como nos casos dos titulos de subprime. Paul Kanjorski que eh Democrata Pennsylvania quer tambem atuar no problema na qual as companias que emitem titulos pagam para estas agencias fazerem os ratings, ao contrario dos investidores. Ai tem-se conflito de interesse. clique aqui.
Acompanhe aqui as entrevistas exclusivas com alguns dos principais economistas que participaram do 6º Fórum de Economia da FGV, nos dias 21 e 22 de setembro.
O país foi salvo pela crise internacional de um nó nas contas externas. A apreciação irresponsável do real levou a uma rápida deterioração. Já em fins de 2007 era possível se prever uma crise cambial até o final do ano.
A crise externa salvou as contas brasileiras, ao promover uma brusca redução das importações. Lula foi salvo pela sorte, não pela política econômica do BC.
Com a crise, a atuação do BC foi pífia – embora Henrique Meirelles queira, agora, colher os louros da melhora. O dinheiro injetado nos bancos voltou ao Banco Central na forma de operação compromissada – não melhorando em nada a escassez de crédito na economia.
Agora, volta o jogo. O descuido com as contas externas gera a vulnerabilidade externa. O BC emite sinais de aviso, mas na direção contrária. Em vez de reconhecer que esse quadro é agravado pela apreciação cambial, apenas prepara o terreno para um aumento futuro de juros que reduza os déficits comerciais no próximo ano, ao mesmo tempo que continue a remunerar o capital especulativo.
È uma intrevista com o ministro da Fazenda da Alemanha. Deculpa é em françês, e não tenho tempo de traduzi-lo, mas acho que deve ter alguma coisa em português sobre isto no Der Spiegel internet.
Pelo que estou entendendo a França segue a Alemanha, mas são eles (Alemanha) que tem a proposta mais trabalhada (para variar!) (defendendo a introdução da taxa Tobin, de penalizar capitais voláteis).
El País diz, em linhas gerais, que o Brasil reivindica maior participação nas decisões políticas e econômicas do mundo já que tem liderança entre os países da América do Sul e superou a crise econômica com autoridade.
A crise econômica permitiu o aparecimento de uma grande vocação pública: o economista Nelson Barbosa, Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Do governo, é o economista com melhor visão, com foco nos pontos relevantes e nos pontos vulneráveis do modelo econômico, além da capacidade operacional demonstrada nas medidas anticíclinas do ano passado e na capacidade analítica de perceber os desdobramentos da crise.
Aqui, uma entrevista ao Estadão onde vai no centro da vulnerabilidade da atual política econômica: a questão exportadora.
Nelson Barbosa: secretário de Política Econômica; secretário afirma que a palavra que entra na agenda do País agora, após a freada global, é competitividade
Lula teve ‘visão correta’ ao falar que crise era ‘marolinha’, diz ‘Le Monde’
17/09 – 06:12 – BBC Brasil/Último Segundo so iG
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão “bastante correta” ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma “marolinha”, diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira.
O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo e do real…………..
…….”A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno.
Em momentos de volatilidade, não há nada mais difícil do que a visão correta sobre o cenário econômico. Em fases de estabilidade, até o professor de Deus acerta, porque basta rodar o modelito e repetir mecanicamente os resultados.
Em momentos de corte, não basta o conhecimento das estatísticas. Há a necessidade de conhecer os mecanismos microeconômicos, de desenvolver uma intuição apurada, de juntar na cabeça uma miscelânea de dados, não necessariamente quantificáveis, mas fruto de uma combinação raríssima de conhecimento com intuição.
Em dois momentos da história recente do país, duas visões de cenário me impressionaram.
A ONU defendeu a criação de uma nova moeda global para proteger os mercados emergentes do “jogo de confiança” da especulação financeira, em mais um dos golpes recentes contra o papel do dólar como divisa de reserva internacional.
Para a Unctad (o braço das Nações Unidas para o comércio e o desenvolvimento), uma das hipóteses é a criação de uma espécie de banco central global (que também poderia ser o FMI, reformado), que emitiria uma moeda de reserva “artificial” –como o bancor, proposto por John Keynes, em Bretton Woods, em 1944.
O bancor seria uma moeda internacional destinada a ajustar os desequilíbrios nos balanços de pagamento dos países (que, no entanto, continuariam com suas próprias divisas).
“Uma possibilidade é que os países concordem em trocar suas próprias moedas por uma nova, de modo que a moeda global seria lastreada por uma cesta de divisas de todos os membros”, diz relatório da entidade, que considera o atual sistema de moeda de reserva (em que predomina o dólar) como um dos culpados da atual crise.
Comentário
Tenta-se voltar ao acerto de Bretton Woods, de articulação entre os bancos centrais, evitando flutuações no câmbio.
Em 1944 houve o acordo e a definição da paridade entre as moedas. Em 1948, o início da implantação, mantida a mesma paridade de quatro anos antes. Nesse ínterim, economias que padeciam de inflação – como o Brasil – entraram no jogo com suas moedas apreciadas. Foi o principal obstáculo ao crescimento brasileiro, nas duas décadas seguintes.
Segundo o IBGE, o emprego na indústria registrou alta de 0,4% ante junho; no ano, queda é de 5,4%
Jacqueline Farid, da Agência Estado
RIO – O emprego industrial subiu 0,4% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, segundo divulgou nesta terça-feira, 8, o IBGE. O resultado positivo interrompe uma sequência de nove quedas consecutivas na ocupação no setor nessa base de comparação, segundo destacaram os técnicos do instituto no documento de divulgação.
Na comparação com julho do ano passado, porém, o emprego na indústria caiu 7,0%, o pior resultado na comparação com igual mês de ano anterior apurado pelo IBGE desde o início da série histórica da pesquisa, em 2001. No ano, o emprego na indústria acumula queda de 5,4% e em 12 meses, recuo de 2,7%.
Conclusões principais da reunião dos Bancos Centrais do mundo, ontem na Basileia:
1. Sinais de que o fim da recessão está próximo e dúvidas sobre o que ocorreria com a economia mundial se os incentivos terminassem.
2. Em documento separado, a ONU sustenta que a crise não acabou e que a economia mundial continuará em marcha por alguns anos. Haverá necessidade de mais recursos.
3. Alan Greenspan, o ex-mago da economia mundial, defende maior capitalização dos bancos e alerta para risco de pressões inflacionárias, inclusive inflação de dois dígitos, devido à liquidez injetada no sistema.
O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros criticou ontem o governo pela ausência de alternativas para os problemas que podem acontecer devido ao real valorizado, especialmente sobre a indústria nacional. Na sua avaliação, o dólar continuará em desvalorização no mundo com o aumento do déficit fiscal americano depois dos gastos nos pacotes anti-crise.
“A crise traz mudança estrutural muito forte no mundo e o Brasil vai ser arrastado. Minha grande preocupação para os próximos anos é o Brasil se transformar em um país exportador de commodities e perder toda a base industrial que foi criada depois das dificuldades que sabemos”, disse Mendonça de Barros, durante seminário promovido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégia e Desenvolvimento, na UFRJ.
O economista, ex-ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso, não poupa o atual governo na condução da política econômica. Vê a ausência de uma política industrial voltada para absorver os impactos negativos do câmbio valorizado. “Há uma certa euforia, diria até incontida, no governo de que nós estamos a salvo. A ignorância econômica que grassa no governo não nos faz ver os problemas que vamos enfrentar no futuro”, disse.
No final do ano passado, a economia estava desabando. Os indicadores de atividade na indústria mostravam queda generalizada.
Os economistas de mercado repetiam análises de que a economia continuava sólida. Com isso, o Copom (Comitê de Política Monetária) não baixou os juros.
Nas últimas semanas, uma inédita lufada de otimismo varreu o mercado. Os últimos dados do IBGE mostram uma recuperação disseminada da indústria, por todos os setores. Mas ainda em níveis inferiores aos de 2008. Ou seja, há uma espaço a ser ocupado na capacidade instalada da indústria.
Mesmo assim, o Banco Central optou por manter as taxas Selic. Com isso, mantém-se o diferencial em relação às taxas internacionais e prosseguirá o ciclo de apreciação do real.
Para festa do capital especulativo de curto prazo.
Vou dar um exemplo de como a valorização do cambio prejudica o setor primario de produção de leite.
O preço internacional de leite em pó está hoje em 2300 dolares por tonelada, o que corresponde a um preço do leite em 0,23 centavos de dolar. O custo de produção de leite no Brasil está hoje em torno de 0,30 centavos de dolar.
Nestes valores é muito mais barato para as grandes processadoras de leite importar leite do que comprar no mercado interno, prejudicando centenas de milhares de produtores. Em 2008, com o cambio mais favorárel o Brasil exportou 500 milões de dolares em produtos lácteos e em 2009 somos deficitários na balança externa de lácteos.
Para o Brasil ser novamente competitivo no mercado internacional o cambio teria que ser entre 2,30 a 2,40 reais por dolar.
Caso não se altere o cambio, há duas alternativas para voltar a ser competitivo:
1) Subsidiar a produção, solução esta adotada pela União Europeia e pelo EUA, mas muito improvável de ser implementada no Brasil.
2) Redução do Custo de Produção. Há três componentes principais na composição dos custo.
- Mào de Obra. Obrigaria o produtor a reduzir substancialmente os salários dos funcionarios, com reflexos negativos na economia.
- Ração para alimentaçào. Ã raçào é formada principalmente por farelo de Soja e Milho, comodities internacionais com grande demanda e sem perpectivas de redução de custo.
-Energia Eletrica, sem a minima possibilidade de redução de custo.
Ou seja, a única variável que possibilitaria aumentar a competitividade do setor lácteo no mercado internacional é pelo cambio. Corremos o risco de nos tornamos novamente o maior importador de lácteos do mundo, a exemplo do que ocorreu na década de 90, quando o cambio foi fortemente apreciado.
Por raul
Nassif,
sou médico veterinário e produtor de leite no interior de SP.
Acho que vc poderia enriquecer muito este debate se incluir mais uma variante, que não foi colocada e que a meu ver foi e será a mais importante. O que é e quem é o leite consumido pela população hoje?
É o leite longa vida, com prazos de validades de até 6 meses, possibilitando estas grandes compras de leite importado em pó.
A qualidade deste leite alem de ser duvidosa, perde em muito para o leite tradicional pasteurizado, pois este é esterilizado, matando todas as bactérias, inclusive os lactobacilos indispensáveis para as crianças e as pessoas idosas se manterem saudáveis.
Na minha opinião, esta mistura em que se torna não deveria nem ter o nome de leite.
Proponho uma campanha educativa, inclusive para os médicos pediatras e geriatras e um debate nacional, sendo é claro que vamos bater de frente de interesses mlhionários, como a industria de embalagem Tetra Pack (Klabin) e os super mercados.
Resumindo, aumentaríamos o consumo de leite pasteurisado, aumentando a margem de manobra do produtor (valorizando o nacional), pois este LEITE é perecível e precisa ser consumido em um prazo muito curto.
O caderno Dinheiro, da Folha, traz matéria sobre as causas da apreciação cambial (clique aqui).
É uma discussão velhíssima. Os exportadores atribuem ao diferencial de juros, que atrai dólares de fora. Os mercadistas rasos atribuem ao preço das commodities, que influenciaria o câmbio. Os exportadores rebatem, dizendo que é o preço do dólar que baliza as cotações de commodities.
No fundo, uma discussão inútil, ótima para o professor-de-Deus fazer firulas no meio do campo, embaixadas sem chutar a gol.
A questão central é: o real apreciado tira a competitividade da economia brasileira, beneficia apenas especuladores que fazem arbitragem de moedas, impede a consolidação de novos setores, com maior valor agregado. Logo, pouco importa a razão. A discussão relevante é sobre como impedir a valorização do real.
Se você tivesse escrito no ano 2000 que, no mundo atual, o único setor organizado e previsível é o mercado, se passse anos e anos deflaterando contra qualquer outro modelo, tecendo loas ao mercado, propondo cada vez mais liberalização do mercado e, de repente, o mercado ruísse e só quem não seguiu a receita escapasse, como você se explciaria?
Arnaldo Jabor foi confrontado com esse dilema em Seminário em Campos do Jordão. Sua explicação é uma pérola:
CAMPOS DO JORDÃO – O comentarista político do Jornal da Globo e cineasta Arnaldo Jabor escreveu um artigo no ano 2000 em que dizia que ‘neste milênio, mergulhados na incompreensão total dos signos, nenhuma regra nos restará, a não ser a dos mercados, esses sim organizados e previsíveis’. Nove anos depois, e após a maior crise financeira desde o crash da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, Jabor ri do que escreveu e usa uma frase do pensador francês, Paul Valéry, para explicar por que sua previsão falhou.
- Não temos mais passado e presente. O futuro não será o que era – escreveu Valery.
Em palestra durante o 4º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, em Campos do Jordão, em São Paulo, Jabor diz que hoje o mundo está a reboque das mutações econômicas. Para ele, há um processo mutante das finanças internacionais, que é difícil de segurar e de entender. O comentarista diz que, de certa forma, o Brasil se organizou e conseguiu se proteger da crise, mas também foi o atraso do país que funcionou como uma blindagem.
- O atraso nos protegeu. A dependência do Estado que ainda temos hoje, o controle e a centralização que há no governo e na cabeça das pessoas acabaram nos protegendo da crise – afirmou.
Material amplo do Estadão sobre a maneira como o Brasil escapou da crise. Ouviu apenas os luminares do mercado. Mas o sempre competente Fernando Dantas fez uma boa síntese das avaliações de mercado sobre o país.
Seria curioso comparar as avaliações com o segundo time do mercado – Alexandre Schartzman, Raul Velloso, Fábio Gimabiagi – na época em que as medidas foram adotadas.
Apenas não comentaram que, se não fosse a crise, o modelo proposto por eles – de livre flutuação do câmbio, diferencial de juros e apreciação do real – teria levado o país a uma crise externa. E nada falam sobre as consequências de uma nova rodada dd apreciação.
Aliás, acabei de ler o caderno de Economia do Estadão, sobre a crise no mundo e aqui. Trabalho de fôlego.
Para o BIS, a “prioridade-chave” é reformar o sistema financeiro internacional até porque, enquanto isso não ocorrer, julga que qualquer melhora na economia real será temporária.
29/06/2009 – 10:10 – Valor Online, divulgado pelo Último Segundo do iG
Assis Moreira | Valor Econômico
BASILEIA – Quem poderia imaginar que o sistema financeiro desmoronaria? É com esta indagação atônita que o Banco de Compensações Internacionais (BIS) inicia seu relatório anual de 260 páginas, divulgado hoje. Num evidente sinal de impotência, o banco dos bancos centrais, que acolhe autoridades monetárias e reguladores, constata que o sistema é tão “complexo ao ponto de ninguém talvez ser capaz de compreendê-lo na sua totalidade”.
Para o BIS, a “prioridade-chave” é reformar o sistema financeiro internacional até porque, enquanto isso não ocorrer, julga que qualquer melhora na economia real será temporária. O BIS adverte também que, enquanto os grandes bancos internacionais se mostrarem reticentes a financiar a atividade no mundo emergente – principal motor da expansão econômica mundial na última década -, as perspectivas de crescimento e desenvolvimento estarão comprometidas…
Na mesma linha do que escrevi sobre cumulativdade, segue um post do blog do servidor sobre a passagem de bastão de servidores públicos no BNDES: clique aqui.
Se para a iniciativa privada não é fácil substituir gente boa que se aposenta ou esvazia as gavetas porque conseguiu um emprego melhor, no funcionalismo isso é um drama. Refém do concurso público, a máquina tem dificuldades crônicas de repor peças em postos estratégicos. E apesar do visível salto de qualidade dos quadros recém-contratados, empresas e órgãos de governo têm grande dificuldade em desatar o nó da transferência de conhecimento.
Para ele, recuperação dos EUA ainda é muito frágil e vai levar muito tempo para o mercado de trabalho se recuperar
Economista diz que quase nada foi feito para “impedir que continuemos reféns no futuro” da interdependência das instituições financeiras
NATÁLIA PAIVA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Mesmo que a recessão técnica esteja perto do fim, ainda há um longo caminho rumo à recuperação econômica -é o atraso entre os instrumentos de medição econômica que temos (como o PIB) e o bem-estar da população, que precisa de emprego e renda para sentir que, de fato, a recessão acabou.
Após a melhora do setor financeiro e do ajuste de estoques, a economia encara seu problema fundamental: a destruição do motor global, o modelo de consumo dos EUA, disse o economista Joseph Stiglitz, da Universidade Columbia, em entrevista por telefone de sua casa em Nova York.
FOLHA – Economistas e analistas dizem que a recessão americana deve ter terminado em julho, e o BC dos EUA afirmou que a atividade econômica do país já se normaliza. Houve exagero, no ano passado, sobre a extensão que a crise teria ou agora há otimismo excessivo?
JOSEPH STIGLITZ – (…) Mas, para a maioria das pessoas e mesmo para muitos economistas, a definição de recessão tem a ver com a restauração da economia, o que significa você conseguir trabalho. O desemprego, na verdade, ainda deve crescer e talvez significativamente. Há vários riscos rondando o setor financeiro.
Então, mesmo que temporariamente a economia se normalize ou até mesmo cresça, a recuperação ainda é muito frágil e vai levar muito tempo para o mercado de trabalho se recuperar. Os EUA tiveram uma bolha no mercado imobiliário que apoiou um boom de consumo.
No estouro da bolha, o consumo que apoiava a economia americana -e a do resto do mundo- teve de diminuir, com os índices de poupança indo de zero para 5%, 6%. As pessoas poupavam muito pouco porque esperavam o aumento da renda por meio da valorização do preço das casas. Isso não mais existe. Parte considerável dos americanos agora perde dinheiro com suas casas. Mesmo que os bancos estivessem totalmente recuperados -e não estão-, eles estariam poupando mais. O modelo de consumo americano foi destruído.
Isso tudo significa que em médio prazo a economia americana tem problemas fundamentais. Além disso, temos o total derretimento do setor financeiro pós-15 de setembro [quebra do Lehman Brothers], e nós tivemos um ajuste de estoques como resultado da consequente desaceleração da economia. O pior aspecto do congelamento do setor financeiro e do ajuste de estoques talvez tenha se encerrado. Mas isso significa que estamos de volta ao problema fundamental de fundo: o que sustentou a economia americana antes da crise era o consumo, por meio de uma bolha no mercado imobiliário que agora foi destruída.
Diante do reconhecimeno do México de que a sua estrondosa queda do PIB se deveu ao nível de dependência com a economia norte-americana, fico esperando a reação de Lampreias, Barbosas, Ricuperos, Márcios Camargos, etc., que tanto criticaram a diversificação de parceiros das políticas externa e comercial brasileiras.
Comentários
Em toda decisão de política pública há acertos, erros leves, erros graves e erros fundamentais – aquele que compromete o futuro do país. A adesão à ALCA teria sido a pá de cal em qualquer pretensão do Brasil de um dia aspirar a ser um país desenvolvido.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.