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20/11/2009 - 08:45
Do Último Segundo
Coluna Econômica – 19/11/2009
Um dos maiores disparates, na avaliação da taxa de câmbio, é considerar que dólar mais desvalorizado aumenta os investimentos, por baratear as importações de máquinas.
Em artigo recente, a colunista Mirian Leitão – de O Globo – entrevistou o economista Affonso Celso Pastore, que saiu-se com essa jóia do pensamento de planilha:
— No Brasil, a formação bruta de capital fixo é muito dependente das importações. As importações se elevam com a valorização do câmbio real, e isto significa que esta valorização reduz o preço relativo das máquinas importadas, que são fundamentais para a realização dos investimentos — disse.
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Vamos entender o significado desse “reduzir o preço relativo”. O professor confundiu o conceito do preço absoluto e relativo e a colunista não percebeu.
Quando decide sobre um novo investimento, a questão mais relevante para o empresário não é o valor da máquina em si (o preço absoluto), mas a relação entre o valor da máquina e o que ela gerará de lucro adicional (o preço relativo).
Em um exemplo simples:
1. Uma empresa adquire uma máquina importada por R$$ 1 milhão e com ela gera um lucro anual de R$ 200 mil. A relação entre o lucro e o investimento é de 1/5. Simplificadamente, significa que ele levará 5 anos para amortizar a máquina.
2. Ai o dólar cai de R$ 2,00 para R$ 1,70 e o valor da máquina cai para R$ 700 mil. Mas como a empresa é exportadora, a queda do dólar reduz seu faturamento para R$ 100 mil. A relação lucro/investimento subiu para 7 vezes. Ou seja, em termos relativos a máquina ficou mais cara, porque passou a exigir mais anos de lucros para ser amortizada.
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Vamos para um modelo mais complexo.
1. A empresa adquire uma máquina por US$ 10 milhões, com financiamento de 10 anos de prazo e 12% ao ano. O valor anual da prestação será de US$ 1.770.000. Com o dólar a R$ 2,00, serão R$ 3.540.000 por ano.
2. Com essa máquina a empresa faturará R$ 30 milhões por ano, 60% no mercado interno (R$ 18 milhões), 40% nas exportações (R$ 12 milhões ou US$ 6 milhões, com o dólar a R$ 2,00). A margem de lucro seja de 15% e o custo de produção respectivamente de R$ 15,3 milhões para a produção interna e R$ 10,2 milhões para a externa.
3. Tirando o custo da produção, o lucro final será de R$ 4,5 milhões – R$ 2,7 milhões nas vendas internas e R$ 1,8 milhão nas externas. Como o valor da prestação anual é de R$ 3,54 milhões, a operação renderá ainda um lucro de R$ 960 mil, depois de amortizada a prestação.
Agora, suponha que o dólar caia para R$ 1,70.
1. O valor da prestação (em reais) cairá de R$ 3,5 milhões para R$ 3 milhões – uma economia aparente de R$ 500 mil.
2. No entanto, o faturamento das exportações cairá de R$ 12 milhões para R$ 10,2 milhões. Como o custo de produção das exportações ficou em R$ 10,2 milhões, as exportações não geraram lucro algum.
3. Como consequência, o lucro total gerado pela máquina caiu de R$ 4,5 milhões para R$ 2,7 milhões, ficando inferior ao valor do financiamento. Em termos relativos, ficou inviável a aquisição da máquina, mesmo com a redução do seu preço em reais.
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Por aí fica demonstrada essa falácia do preço absoluto do equipamento. O real apreciado pode baratear máquinas, mas desestimula investimentos.
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Tags: câmbio, importações, investimentos
19/11/2009 - 08:12
Coluna Econômica 19/11/2009
Vamos entender de forma simplificada o efeito câmbio sobre a economia brasileira.
Os personagens do jogo:
* Empresa Interna
* Empresa Externa
* Fornecedor Interno (que vende para a Empresa Interna)
* Fornecedor Externo
* Consumidor Interno (que é o trabalhador da Empresa Interna)
* Consumidor Externo
O que ocorre nesse universo quando a moeda nacional (o real) se valoriza em relação à moeda internacional (o dólar):
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: câmbio, consumidor, Economia, empresas, moeda
18/11/2009 - 09:03
Coluna Econômica 18/11/2009
Quando o mercado fechou ontem, primeiro dia após o anúncio da demissão de Mário Torós do cargo de Diretor de Política Monetária do Banco Central, os juros futuros tinham caído. De ontem para hoje, o DI (Depósito Interbancário) de janeiro de 2011 caiu de 10,27% ao ano para 10,20% ao ano. O DI de julho de 2010, de 9,14% para 9,10% ao ano.
Qual a lógica? De acordo com a retórica terrorista do mercado, se sai um diretor ortodoxo e há sinais de afrouxamento da política monetária, os juros podem cair no curto prazo, mas deveriam subir no longo – porque, pela leitura do mercado, o afrouxamento da política monetária produziria mais inflação obrigando, mais à frente, a outro movimento de alta nas taxas.
Nada disso ocorreu. Pelo contrário, o mercado sequer reagiu à declaração do Ministro da Fazenda Guido Mantega, de que a taxa ideal para o dólar é em R$ 2,60. Nesse nível, declarou Mantega, não tem China, Coréia ou Japão que segure o Brasil.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Banco Central, Economia, Mário Torós, Real
17/11/2009 - 08:58
Do Último Segundo
PS – A coluna foi escrita antes da informação de queda do Torós
Vão haver mudanças no Banco Central, mas nada que possa significar uma mudança radical de rumo na política monetária. Provavelmente, apenas mais responsabilidade em sua condução.
Dois fatos devem precipitar as mudanças. Um, as declarações do Diretor Mário Torós ao jornal “Valor Econômico”, dando detalhes da corrida bancária que se seguiu à crise econômica mundial. As inconfidências devem lhe custar um inquérito no Ministério Público – especialmente quando confessou ter passado dados de bancos em dificuldades para candidatos a compradores.
Politicamente, decretou sua saída do BC da pior maneira possível para o mercado financeiro – ao qual ele responde. Demonstrou de forma clara que é um jogador a serviço do mercado. Especialmente quando declara que o BC não tem poder de influenciar o dólar e que o mercado tem que ser livre – algo inconcebível para um diretor incumbido de administrar a volatilidade da moeda.
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Tags: Alexandre Tombini, Banco Central, demissão, diretor, Henrique Meirelles, Mário Torós
16/11/2009 - 08:51
Coluna Econômica 16/11/2009
Já há algum tempo a diretoria do Banco Central (BC) tem dado mostras de desfaçatez inéditas no mercado financeiro – área em que os melhores se pautam por comportamento discreto e análises técnicas.
No final do ano passado, o Diretor de Política Monetária Mário Torós e o de Política Econômica Mário Mesquita cometeram a imprudência de, em pleno período de tensão do mercado com a crise, darem entrevistas em “off” – isto é, sem revelar o nome, com as declarações sendo atribuídas a “fontes do BC”- ameaçando se demitirem se a Fazenda adotasse determinadas medidas.
Foram desautorizados publicamente pelo presidente do BC, Henrique Meirelles. Mereciam uma denúncia à polícia, por ameaça de perturbação da ordem econômica.
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Tags: Banco Central, Economia, mercado financeiro
13/11/2009 - 08:49
Coluna Econômica 13/11/2009
Ainda há enorme confusão sobre o papel da poupança externa no investimento brasileiro. Especialmente sobre o papel do crédito externo para as grandes empresas brasileiras.
Imagine o seguinte:
1. A empresa A é “prime”, isto é, empresa de primeira linha com acesso a financiamentos internos ou externos. Com o dólar a R$ 1,80, ou ela pega US$ 100 milhões e converte em R$ 180 milhões, ou toma emprestado uma linha interna de R$ 180 milhões.
2. O banco com quem ele trabalha pode emprestar R$ 180 milhões de linhas de crédito interno (depósitos à vista ou a prazo) ou tomar um financiamento de US$ 100 milhões no exterior e repassar para o cliente
3. A empresa A opta pelo financiamento externo de US$ 100 milhões, por um ano, a 10% ao ano, com o dólar a R$ 1,80. Pega o financiamento, converte em reais e levanta R$ 180 milhões. Teoricamente, o banco continua com R$ 180 milhões para emprestar para outros clientes.
4. Um ano depois, ela precisa pagar US$ 110 milhões ao banco. Mas se o dólar cair para R$ 1,70. Para quitar o financiamento, agora, necessitará de R$ 187 milhões. Comparando com o que ela levantou um ano antes, o custo do financiamento foi de apenas 3,9%.
Obviamente, para ela foi um negocião. E para a economia e as demais empresas?
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Banco Central, dívida pública, Economia, financiamento, títulos, último segundo
12/11/2009 - 09:38
Coluna Econômica12/11/2009
Para entender o “apagão” de ontem do sistema elétrico, é necessário um breve retrospecto do significado do sistema elétrico interligado. Um dos grandes feitos da engenharia brasileira foi essa interligação, que permite com que energia que sobre em uma região seja utilizada em outra. Um sistema dessa complexidade não pode parar se algum elo da corrente se rompe. E sempre é possível que um vendaval ou outro acidente geológico derrube uma torre ou alguma linha.
Para prevenir, há todo um conjunto de sistemas de computação que age rapidamente quando ocorre esse tipo de acidente, redirecionando a energia, montando por computador outros fluxos alternativos para que o sistema não pare.
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Tags: apagão, Brasil, cesp, Energia, ONS
11/11/2009 - 08:35
Coluna Econômica 11/11/2009
A recuperação econômica não se dá de forma homogênea. No caso da última crise, a economia brasileira recuperou-se rapidamente no item consumo das famílias. O setor industrial levou um pouco mais de tempo para pegar ritmo. A arrecadação fiscal demorou mais do que o esperado para começar a se recuperar, assim como o setor de máquinas e equipamentos – que acordou vigorosamente nos últimos meses, depois das quedas mais acentuadas em todos os setores.
Ontem saíram dados sobre o emprego industrial, medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em setembro o índice estava 6,5% abaixo de setembro de 2008.
Quando se compara com os meses anteriores, o quadro é de recuperação. Cresceu 0,3% em julho e agosto e 0,4% em setembro em relação ao mês anterior. Ainda é tímida a recuperação, especialmente se comparada aos dados de queda registrados no final do ano passado. De dezembro a fevereiro as quedas mensais foram de 1,9%, 1,4% e 1,3%.
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Tags: Economia, emprego, indústria, último segundo
10/11/2009 - 08:17
Coluna Econômica 10/11/2009
O The Financial Times de ontem traz matéria interessante sobre uma nova especialidade que está se desenvolvendo no direito: os escritórios especializados em recuperar ativos financeiros, frutos de atividade criminosa.
O foco da matéria é o escritório londrino LG, contratado pelo governo brasileiro e pela prefeitura de São Paulo para repatriar os recursos do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, depositados em contas no exterior. No paraíso fiscal de Jersey, estima-se que Maluf tenha depositados US$ 200 milhões.
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Tags: crime, finanças, governo, the financial times
08/11/2009 - 10:22
Do Último Segundo
Coluna Econômica – 08/11/2009
As discussões sobre o câmbio, em geral, vêm eivadas de sofismas que, pela força da repetição, acabam se transformando em falsas verdades.
No comércio mundial, há manufaturados de baixo, médio e alto valor agregado. Para competir em cada área tem que se ter o nível tecnológico adequado e preços competitivos.
Há vários fatores que interferem no preço.
O principal é o câmbio, a relação de preços entre duas moedas. Veja o exemplo:
Um determinado produto custa R$ 200,00 no Brasil. Com o dólar a R$ 2,00, irá custar US$ 100,00 (200 / 2). Se o dólar cai para R$ 1,70, irá custar US$ 117,65 – ou 17% mais caro, apenas com o movimento do câmbio. Portanto, a apreciação do real tem efeito direto sobre o preço final da mercadoria, em dólares.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica
Tags: agregar valores, Alemanha, Brasil, câmbio, Coréia, sofismas
06/11/2009 - 09:23
Do Último Segundo
O último grande desafio do governo Lula será romper com a lógica da política monetária e cambial. Há uma série de sinais no ar, mostrando que em breve haverá um ataque mais consistente contra o encarecimento do real.
Para Lula, a lógica política sempre teve prevalência sobre a lógica econômica. Não é prerrogativa sua: com FHC também foi assim. Essa lógica fez com que, no seu governo, Lula sempre procurasse minimizar as zonas mais sensíveis de atrito, dentre as quais a principal era o mercado financeiro. Esse poder desestabilizador ficou nítido nas eleições de 2002.
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Não se trata de uma conspirações, mas de circunstâncias que tornam o mercado mais sensível. Esse quadro surge sempre que aumenta a vulnerabilidade externa – isto é, quando o país passa a necessitar do mercado financeiro para fechar suas contas.
Em 2002 houve refluxo da crise internacional, o Brasil não disponha de superávits comerciais robustos, manifestou-se mais forte a crise das montadoras norte-americanas afetando o mercado internacional de crédito. Foram esses fatos, mais alguns erros de política monetária por parte do Banco Central, que criaram o clima para a explosão do dólar e a ansiedade que dominou os mercados. Mais que a eleição de Lula.
Em 2005, com as contas externas em ordem, o país atravessou a mais prolongada crise política da história – em função do mensalão -, e os mercados ficaram absolutamente tranquilos.
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Tags: câmbio, Luciano Coutinho, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Lula
05/11/2009 - 09:45
Coluna Econômica 05/11/2009
Uma grande discussão, no cenário político atual, é saber de que maneira irá se articular uma oposição ao que se poderia chamar de lulismo. Grosso modo, são três grupos de temas em torno dos quais podem ser articulados os discursos políticos:
O primeiro engloba as políticas irreversíveis que considera, entre outros, as políticas sociais includentes, o pacto do desenvolvimento, a manutenção da estabilidade inflacionária e fiscal, o biocombustível, a nova política industrial, ancorada no pré-sal, e o fortalecimento da agricultura.
O segundo são as sementes que vêm sendo lançadas, mas sem muita ênfase, como a prioridade na saúde (focalizado no recurso), o avanço na tecnologia e inovação, o aprimoramento da gestão pública, a desoneração dos investimentos e a racionalização tributária e o apoio às pequenas e microempresas.
O terceiro, onde se dará o embate ideológico, refere-se ao controle do fluxo de capitais.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: BNDES, Brasil, câmbio, Lula, oposição, Política, tributos
04/11/2009 - 07:53
Coluna Econômica – 04/11/2009
Nos últimos quinze anos, ocorreu uma guerra surda na política econômica, que está por trás de todas as grandes discussões de ordem econômica: quem lidera a economia.
Em uma ponta, existem os empresários industriais, do setor de serviços, da agricultura. São pessoas que montaram ou herdaram empresas, em geral conhecem seu ofício, enfrentam o custo Brasil, têm dificuldades de acesso a crédito, penam com tributação excessiva – ou transitam na zona cinzenta do caixa dois.
Na outra ponta, os financistas, o detentor do grande capital que, em geral, foi exportado para algum paraíso fiscal e retorna para o país na forma de fundos off-shore ou mesmo em nome dos titulares. São pessoas que acumularam capital financeiro na grande esbórnia dos anos 80, com o modelo implantado pelo Real, com a venda de empresas. etc
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Tags: crédito, Economia, setores, tributos
02/11/2009 - 07:00
Do Último Segundo
Coluna Econômica – 02/11/2009
Dia 2 o Brasil se debruça sobre seus mortos. Será um Finados especial. Pela primeira vez, desde os anos 70, há um clima de que o país pode dar certo. É um momento mágico, porque sem o chumbo da ditadura dos anos 70, sem o caos do início da redemocratização, sem a pesada insensibilidade social dos anos 90.
Por várias razões e vários caminhos o país está a ponto de encontrar o rumo. De repente, começa a tomar corpo a idéia de que o país é um todo complexo, composto por infinitas partes interagindo entre si. É o agronegócios e a agricultura familiar, a multinacional e a rede de pequenas empresas, a Universidade.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica
Tags: Brasil, construção, finados, gerações
30/10/2009 - 08:44
Coluna Econômica – 30/10/2009
Nos próximos anos, haverá alterações profundas no quadro partidário nacional, dos estados e municípios. Haverá um realinhamento dos partidos, redefinição de alianças, definição de novos princípios, novas bandeiras.
Recentemente, no meu Blog, houve uma discussão rica sobre o novo desenho da esquerda. Cada vez mais, a esquerda petista se aproxima do centro. Com isso, o PSDB é deslocado para posições que poderiam ser classificadas como de centro-direita ou direita.
Mas quais são as posições clássicas de esquerda ou direita?
Na verdade, as mudanças que vêm ocorrendo nas comunicações mudará completamente a forma de montagem das plataformas políticas dos partidos.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: blog, campanha, eleição, internet, partidos, Política
29/10/2009 - 13:48
Do Valor
Luiz Sérgio Guimarães
O Banco Central alterou sua forma de intervenção no mercado de câmbio. A política de retirada de moeda superior ao excedente diário do fluxo foi substituída por aquisição de volume inferior ao superávit. Essa alteração desestimula a formação de posições “vendidas” à vista por parte dos bancos.
A essas posições eram atribuídas as pressões destinadas a derrubar a cotação do dólar, pois o movimento contínuo de desvalorização da moeda americana era essencial para a geração de ganho. Essas pressões foram estancadas. Os bancos estão agora “comprados” à vista. Até o dia 9 deste mês, estavam “vendidos” à vista em US$ 4,934 bilhões. Pelo dado oficial relativo ao dia 23, estão agora “comprados” em US$ 3,05 bilhões. Essa inversão de posições, favorecida pelo espetacular ingresso de capitais estrangeiros às vésperas do início da cobrança do IOF, e o cenário externo ruim provocaram uma reviravolta na tendência do dólar. A moeda fechou ontem em alta de 0,92%, cotada a R$ 1,7550. Nesta semana, o dólar já subiu 2,45%.
O IOF não pode ser responsabilizado integralmente pela arrancada recente do dólar. Embora a média diária de ingresso de dólares para operações financeiras tenha caído 73% após o início da taxação, na semana passada o fluxo cambial foi positivo em US$ 2,353 bilhões.
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Tags: Banco Central, câmbio, dólar, IOF, mercado
29/10/2009 - 09:30
Coluna Econômica – 29/10/2009
Um dos principais objetivos da cobrança do IOF de 2% sobre o investidor estrangeiro é conter o ritmo de valorização do real. Contudo, os fundamentos da economia devem fazer com que a medida não tenha o efeito esperado, reduzindo seu escopo de influência ao longo do tempo, segundo levantou Tatiane Correa, da Agência Dinheiro Vivo.
Isso pode ser visto na bolsa de valores. Embora os estrangeiros tenham retirado do mercado R$ 1,3 bilhão no dia seguinte ao anúncio da medida, já começaram a voltar e a afetar o desempenho da bolsa e do câmbio.
Segundo analistas de mercado, a cobrança pode ter impacto no curtíssimo prazo, não no médio e longo prazo.
Uma apreciação cambial de 4 centavos já compensa os 2% de IOF impostos pelo governo. Além disso, há um conjunto de expedientes a ser adotado por quem pretender contornar o imposto.
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Tags: Banco Central, câmbio, Economia, IOF, moeda
28/10/2009 - 09:06
Coluna Econômica – 28/10/2009
O modelo político partidário brasileiro está em meio a mudanças radicais, as mais radicais desde meados dos anos 90, quando o PSDB ganhou corpo e elegeu seu primeiro presidente, Fernando Henrique Cardoso.
Depois da redemocratização, a rigor foram dois os partidos com vocação de poder, o PSDB e o PT. E dois agregados, partidos-ônibus sem discurso para assumir a presidência, mas com importância: o PMDB e o DEM.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Economia, governos, partidos, Política
27/10/2009 - 07:54
Do Último Segundo
No final do ano passado, em pleno burburinho da crise, um diretor do Banco Central deu uma entrevista em “off” alertando que, se a Fazenda decidisse tomar qualquer medida para conter fluxos de capital, a diretoria do banco se demitiria em bloco.
Na ocasião, sugeri que a Polícia Federal abrisse um inquérito e processasse o irresponsável que se escondia atrás do sigilo de fonte para cometer essas irresponsabilidades.
O BC atua em área de alta sensibilidade a notícias e a boatos. Exige de seus diretores maturidade, responsabilidade, espírito público. Mas não ocorre. A extrema auto-suficiência do banco acabou consolidando em sucessivos diretores a idéia de que só devem prestar contas ao mercado.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Banco Central, câmbio, IOF
26/10/2009 - 08:12
Coluna Econômica – 26/10/2009
Novas tecnologias, novas formas de organização social podem mudar a cara do saneamento, especialmente nas regiões metropolitanas.
O modelo habitual de saneamento é o da grande empresa – em geral, estadual – monopolizando todos os serviços e levando a todos os cantos da região metropolitana o mesmo modelo – baseado em redes subterrâneas de esgoto e água, captação e às vezes tratamento de esgoto.
Esse modelo não logrou a universalização dos serviços sequer nas maiores cidades brasileiras atendidas por empresas financeiramente autossuficientes, como é o caso de São Paulo.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: inovação, saneamento, Tecnologia, universalização
23/10/2009 - 09:15
Coluna Econômica 23/10/2009
O País de hoje é totalmente diferente daquele de um ano atrás. O Lula de agora nada tem a ver com o ultracauteloso e ortodoxo presidente do ano passado.
Esses cortes históricos são curiosos. Na música popular, por exemplo, o Brasil de 1930 era totalmente diferente do de 1929, mesmo sendo o mesmo. É como se um conjunto de ideias novas, conceitos novos que estavam encobertos viessem à tona.
No campo econômico, a crise acabou com inúmeros dogmas responsáveis pela anorexia econômica brasileira, por essa maluquice da opinião pública midiática entrar em pânico a cada respiro de crescimento do País.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Brasil, Economia, Mídia, opinião pública
22/10/2009 - 09:05
Coluna Econômica – 22/10/2009
A cobertura da mídia sobre a taxação de capital externo com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) permite um bom exercício sobre a arte de defender interesses específicos.
Quase toda medida econômica tem fatores pró e fatores contra. Por exemplo, aumentar juros para combater a inflação tem o pró – de combater a inflação – tem o contra – de encarecer a dívida pública e reduzir o crescimento. O que define se a medida é boa ou não é avaliar se, de fato, é imprescindível para conter a inflação ou, mesmo, se a inflação é uma ameaça real ou fictícia.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Economia, investimento, IOF, mercado
21/10/2009 - 08:41
Coluna Econômica – 21/10/2009
Na cerimônia de premiação das empresas mais respeitadas do Brasil – pela revista Carta Capital – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avançou mais alguns pontos na definição do novo modelo de desenvolvimento brasileiro.
É curioso como se processam essas mudanças. O Lula que discursou no evento nada tem a ver com o Lula do início do governo, a não ser no pragmatismo e na capacidade de análise da realidade. Não é um intelectual, um formulador – nem é seu papel. Mas consegue sintetizar o novo modelo de desenvolvimento com uma linguagem tal que pode ser entendido pelo especialista e pelo mais humilde brasileiro.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Carta Capital, Coluna Econômica, desenvolvimento, Eletrobrás, Lula
20/10/2009 - 08:14
Coluna Econômica 20/10/2009
A caminhada do país rumo a um papel mais relevante no cenário mundial esbarra em alguns problemas culturais entranhados. Um deles é a visão provinciana, de quem não consegue entender as relações entre governos e grandes empresas.
Grandes multinacionais são extensão dos governos nacionais.
Lembro-me de um episódio, anos atrás, em que um presidente da Volkswagem do Brasil – austríaco – teceu algumas considerações sobre o “apagão” energético. A reação transbordou as críticas contra a Volks e quase se tornou um caso diplomático.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Economia, empresas, governo, multinacionais
15/10/2009 - 08:03
Coluna Econômica 15/10/2009
Economista-chefe do Banco Goldman Sachs, Jim O’Neil tornou-se conhecido por ter cunhado a sigla BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) para se referir às novas potências emergentes. Na época, demorou para incluir o Brasil. Agora, pensa-se em tirar a Rússia.
Em palestra em São Paulo, ontem, O’Neil refletiu o entusiasmo atual pela economia brasileira que se alastra pelo mercado mundial. Alguns anos atrás, disse O’Neil, o desafio maior era explicar porque o Brasil havia sido incluído nos BRICs. Após a maneira como o país enfrentou e superou a crise global, as dúvidas dissiparam-se.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
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14/10/2009 - 08:34
Coluna Econômica 14/10/2009
Qual será a política diplomática dos Estados Unidos, na era Obama, em relação à América Latina? O Observatório Político Sul-Americano, do Instituto de Pesquisas do Rio de Janeiro, analisou quatro think tanks (grupos de análise) influentes dos Estados Unidos: do Brookings Institution, do Council on Foreign Relations, da Americas Society e do Council of the Americas e da FLACSO (Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociais).
O tema central – no apanhado desses quatro institutos – é a questão energética. Os estudos apontam, algo assustador, para o fato do consumo norte-americano depender em 30% da América Latina, mais do que os 20% importados do Oriente Médio.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: América Latina, Brasil, coluna, Diplomacia, EUA, Obama, Política
13/10/2009 - 07:58
Coluna Econômica 13/10/2009
No final de semana passado, desembarcou no Brasil o diretor de uma companhia austríaca de iluminação, uma das maiores do mundo. Veio atraído pelas Olimpíadas e pela possível Copa do Mundo no Brasil. Mas o mote deflagrador de seu interesse é a nova tecnologia LED que, em breve, será dominante no mundo. Além disso, a implantação da TV de alta definição obrigará maiores cuidados com a iluminação.
O ponto relevante dessa história é que, com o LED, encerram-se cem anos de predomínio das lâmpadas incandescentes. Até agora esse mercado era dominado por gigantes como Osram (controlada pela Siemens), GE, Sylvania (que se associou a um grupo indiano) e a Phillips.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Copa, Economia, lâmpadas, tecnologia LED
09/10/2009 - 08:10
Coluna Econômica – 09/10/2009
Mesmo com todo sua intuição e pragmatismo, no ano passado Lula só não jogou o Brasil em uma nova crise das contas externas graças à crise mundial. O Brasil foi salvo pela crise, que provocou uma redução nas importações e permitiu, pela primeira vez, que a Fazenda tirasse o comando da política econômica das mãos do Banco Central.
No primeiro semestre a deterioração das contas externas era óbvia, nítida. Qualquer projeção mostraria o País indo para a sinuca de bico. Mesmo assim, o Banco Central prosseguiu impassível em sua política de juros acima dos internacionais, permitindo a apreciação do real.
Passada a crise, o jogo volta com força total. E o sucesso internacional de Lula poderá torná-lo mais autista ainda em relação ao câmbio.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Banco Central, Brasil, câmbio, crise mundial, Lula
08/10/2009 - 08:27
Coluna Econômica – 08/10/2009
Ao longo de seu processo histórico, as idéias sempre tiveram uma influência defasada sobre a vida do País. Não que o País não tivesse acesso às melhoras teorias do exterior, às experiências mais bem sucedidas, e a uma visão crítica sobre elas. Qual a razão dessa demora em reciclar idéias e conceitos?
Em meados do século 19, o Barão de Mauá mostrava o extraordinário poder mobilizador da poupança empoçada. E já acumulava dinheiro com jogadas cambiais.
Nos anos 1880, a Bolsa do Rio já fervilhava, embora apenas para jogadas especulativas e muito pouco para a capitalização das empresas.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: Brasil, Economia, eleições, governo, presidente
07/10/2009 - 12:00
Coluna Econômica 07/10/2009
Em meu livro “Os Cabeças de Planilha”, a partir da observação do dia a dia da economia, procurei desenvolver a tese de como se daria o estalo, o processo que deflagraria a percepção de desenvolvimento nacional e que pudesse vitaminar todo o organismo econômico, tal como ocorreu no governo JK.
Pensava em algo assim:
1. O país vai desenvolvendo, ano a ano, um conjunto cada vez mais amplo de setores modernos.
2. Quando esses avanços são percebidos no seu todo – e por todos os setores -, deflagra-se o movimento modernizador, desperta-se o chamado “espírito animal” na economia.
3. Em algum momento, algum evento político ou econômico daria o tiro de partida, despertando o país para essa nova realidade.
4. Ganharia o galardão de Estadista o político que conseguisse mostrar que o país é composto pela soma de todas as partes, o mercado, o sistema financeiro, as políticas sociais, os movimentos sociais, o agronegócio, a indústria, os cientistas, os gestores, as multinacionais, as pequenas e micro empresas e se transformasse na síntese, conduzindo. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: cabeças de planilha, desenvolvimento nacional, Economia, governo
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