A Internet via rede elétrica poderá favorecer a inclusão digital, reduzir as contas de energia e ampliar competitividade das empresas que prestam serviços de Internet. Mas a regulamentação do Power Line Comunications (PLC), nome dado à transmissão de dados digitais pela malha de distribuição, pode não estar formulada de modo a garantir que todos os resultados previstos sejam alcançados. Dentre as discussões, a principal questão levantada pelos agentes do setor é que justamente às regras de acesso a este mercado podem limitar o interesse das distribuidoras de energia em disponibilizar sua rede para oferecer o serviço.
A Resolução Normativa nº 375/2009 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 25 de agosto deste ano, estabelece as diretrizes para o uso compartilhado da rede elétrica com a transmissão de dados. A regulamentação organiza a forma como as 64 distribuidoras de energia do país podem disponibilizar sua rede para o serviço de Internet. Contribuir para a modicidade tarifária e a democratização do acesso ao mundo digital são as bases motivadoras do novo modelo regulatório, explica o assessor da Superintendência de Regulação dos Serviços de Distribuição da Aneel, Carlos Alberto Mattar.
Matéria interessante do site Contas Abertas, embora o título seja um pouco pessimista. Houve crescimento de 21,9% nos investimentos públicos este ano, em cima de um crescimento de mais de 50% no ano passado.
A matéria mostra que, de fato, não falta recurso orçamentário para investir. A dificuldade maior está em recompor a capacidade de montar projetos no país, além de problemas com estados, municípios e IBAMA.
As ambições do Brasil de ser um jogador mais importante no cenário diplomático mundial estão batendo de frente com os esforços dos Estados Unidos e outras potências ocidentais para conter o programa iraniano de armas nucleares. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, agendou-se para receber o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na segunda-feira, em sua primeira visita oficial ao Brasil. A visita é parte de um esforço maior de Lula para percorrer o mundo aparentemente insolúvel da política do Oriente Médio, e se segue às visitas das últimas duas semanas do presidente de Israel, Shimon Peres, e Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina. Mas a visita está atraindo críticas dos parlamentares e ex-diplomatas no Brasil e Estados Unidos, que dizem que isso pode minar os esforços ocidentais para pressionar o Irã sobre seu programa nuclear e, conseqüentemente, esfriar as relações do Brasil com os Estados Unidos e prejudicar a sua crescente reputação como poder global. Autoridades brasileiras dizem que o objetivo da visita é fortalecer os laços comerciais entre os dois países e ajudar a levar a paz ao Oriente Médio.
Uma das maiores dificuldades dos “cabeças de planilha” – economistas que analisam a dinâmica da economia exclusivamente através de modelos matemáticos – é não entender o papel da inovação tecnológica no desenvolvimento de um país.
Em defesa do câmbio apreciado (do real caro) sustentam que estimula a importação de equipamentos. E que esses equipamentos importados modernizam o parque fabril e agregam inovação.
Desde os anos 80, os estudos de Michael Porter desmentiram essa lógica da compra de tecnologia como elemento determinante do desenvolvimento de empresas ou países.
São meus todos os grifos nos textos abaixo – Stanley:
A CRONOLOGIA DOS ALERTAS
Não foi por falta de aviso. Houve muitos. Foi por imprevidência mesmo – e crença na salvação das chuvas. Abaixo, alguns dos alertas recebidos por dezenas de autoridades do governo:
1 – Setembro de 1995 – A Eletrobrás alerta o ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, para o risco de racionamento de energia em 2001-2003 e estima que, nesse período, o consumo terá de cair 10%.
2 – Maio de 1996 – A Eletrobrás alerta o presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, o secretário Andrea Calabi (Planejamento) e os secretários José Roberto Mendonça de Barros e Pedro Parente (Fazenda) sobre a gravidade da crise. Em documento de 38 páginas, lista medidas emergenciais e prevê racionamento para o período 1998-1999.
3 – Junho de 1997 – Num encontro em Belo Horizonte, técnicos das distribuidoras de energia alertam para o risco iminente de blecautes em Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas.
Société Générale explica aos seus clientes medidas de preparação para um potencial “colapso global”
por Ambrose Evans-Pritchard
“O banco francês Société Générale tem aconselhado os clientes a estarem prontos para um possível “colapso económico global” nos próximos dois anos, delineando uma estratégia de investimentos defensivos a fim de evitar destruição de riqueza.
Num relatório intitulado “Worst-case debt scenario”, a equipe de activos do banco disse que os pacotes de resgate estatais do ano passado meramente transferiram passivos privados para novos ombros sobrecarregados, criando um novo conjunto de problemas.
Em quase todas as economias ricas a dívida geral ainda é demasiado alta em relação ao PIB (350% nos EUA), quer seja pública ou privada. Ela deve ser reduzida pelos duros golpes do “desalavancamento”, durante anos”.
O Brasil está prestes a viver um “tsunami” de gás natural, alertam especialistas, diante da perspectiva de aumento da oferta nos próximos anos, antes ainda da produção maciça que deverá vir dos campos do pré-sal. Até setembro, o País já acumula uma média de 33 milhões de metros cúbicos (m³) por dia excedentes de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia.
Com os campos do pré-sal, a sobre oferta pode subir para até 80 milhões de m³ por dia.
Já no ano que vem, o excedente deve ser ampliado em pelo menos 10 milhões de m³ por dia, com a entrada em operação da plataforma de Mexilhão, que deixou ontem o estaleiro Mauá, no Rio de Janeiro, rumo à Bacia de Santos. Maior estrutura de aço já construída no País, a plataforma deve chegar ao destino em duas semanas. A entrada em operação está prevista para meados de 2010.
A unidade tem capacidade para produzir 15 milhões de m³ de gás natural por dia, volume que será atingido gradualmente, de acordo com o desenvolvimento do mercado.
A última grande reserva de gás a entrar em operação no Brasil, Camarupim, no Espírito Santo, está hoje sem produção por falta de consumidores………… ……………Em contrapartida à oferta crescente, e ao contrário de poucos anos atrás, a demanda está deprimida.
Aliado à crise econômica mundial, que reduziu as atividades da indústria, o consumo também foi reduzido porque as usinas térmicas não foram acionadas. O País passa pelo período mais úmido da sua história, com os reservatórios das hidrelétricas quase vertendo água num período em que era para ser seco.
O sistema elétrico nacional tem como base as usinas hídricas, que respondem por mais de 90% da energia gerada……………….
A Folha dá matéria hoje sobre a questão da banda larga, na regulamentação da Casa Civil. Até então, o jornal vinha defendendo posições que – embora legítimas – interessavam diretamente à sua controlada UOL. O projeto em andamento contempla suas preocupações e os interesses da UOL: a rede física será compartilhada por todas as partes – algo similar ao que ocorre no setor de energia.
É a saída mais democrática e economicamente mais equitativa. Compartilha-se a rede, ganhando escala e permitindo uma competição mais justa entre as partes. O desafio estará na governança dessa rede, para não permitir a preponderância de nenhum grupo. Obviamente a Folha defende que provedores participem da direção. É um bom tema para a Conferência Nacional de Comunicação discutir.
Por coincidência, certamente, Lula finalmente mereceu um editorial elogioso da Folha, por sua participação na conferência de Copenhague (clique aqui).
Saiu o World Energy Outlook 2009, em meio a rumores que lançam suspeitas sobre sua credibilidade. Trata-se do anuário da Agência Internacional de Energia, organização criada pela OCDE em resposta à Crise do Petróleo de 1973. Ela visa coordenar as políticas energéticas de seus estados membros. O anuário reúne dados fundamentais, nos quais se baseiam os estados membros da AIE, para efetivarem seus planos estratégicos na área de energia. Informações sobre o WEO podem ser acessadas no endereço a seguir:
Que tal discutirmos, pois eu acho que esta é uma tendência que vai se acelerar na próxima década:
“Imigrantes africanos seguem para América Latina
Plantão | Publicada em 20/11/2009 às 09h25m
Reuters/Brasil Online
Por Luis Andres Henao
BUENOS AIRES (Reuters) – Escondidos em navios de carga e incertos sobre aonde a perigosa viagem os levará, um número cada vez maior de imigrantes africanos chega à América Latina à medida que os países europeus intensificam o controle de suas fronteiras.
Um dos maiores disparates, na avaliação da taxa de câmbio, é considerar que dólar mais desvalorizado aumenta os investimentos, por baratear as importações de máquinas.
Em artigo recente, a colunista Mirian Leitão – de O Globo – entrevistou o economista Affonso Celso Pastore, que saiu-se com essa jóia do pensamento de planilha:
— No Brasil, a formação bruta de capital fixo é muito dependente das importações. As importações se elevam com a valorização do câmbio real, e isto significa que esta valorização reduz o preço relativo das máquinas importadas, que são fundamentais para a realização dos investimentos — disse.
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Vamos entender o significado desse “reduzir o preço relativo”. O professor confundiu o conceito do preço absoluto e relativo e a colunista não percebeu.
Quando decide sobre um novo investimento, a questão mais relevante para o empresário não é o valor da máquina em si (o preço absoluto), mas a relação entre o valor da máquina e o que ela gerará de lucro adicional (o preço relativo).
Em um exemplo simples:
1. Uma empresa adquire uma máquina importada por R$$ 1 milhão e com ela gera um lucro anual de R$ 200 mil. A relação entre o lucro e o investimento é de 1/5. Simplificadamente, significa que ele levará 5 anos para amortizar a máquina.
2. Ai o dólar cai de R$ 2,00 para R$ 1,70 e o valor da máquina cai para R$ 700 mil. Mas como a empresa é exportadora, a queda do dólar reduz seu faturamento para R$ 100 mil. A relação lucro/investimento subiu para 7 vezes. Ou seja, em termos relativos a máquina ficou mais cara, porque passou a exigir mais anos de lucros para ser amortizada.
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Vamos para um modelo mais complexo.
1. A empresa adquire uma máquina por US$ 10 milhões, com financiamento de 10 anos de prazo e 12% ao ano. O valor anual da prestação será de US$ 1.770.000. Com o dólar a R$ 2,00, serão R$ 3.540.000 por ano.
2. Com essa máquina a empresa faturará R$ 30 milhões por ano, 60% no mercado interno (R$ 18 milhões), 40% nas exportações (R$ 12 milhões ou US$ 6 milhões, com o dólar a R$ 2,00). A margem de lucro seja de 15% e o custo de produção respectivamente de R$ 15,3 milhões para a produção interna e R$ 10,2 milhões para a externa.
3. Tirando o custo da produção, o lucro final será de R$ 4,5 milhões – R$ 2,7 milhões nas vendas internas e R$ 1,8 milhão nas externas. Como o valor da prestação anual é de R$ 3,54 milhões, a operação renderá ainda um lucro de R$ 960 mil, depois de amortizada a prestação.
Agora, suponha que o dólar caia para R$ 1,70.
1. O valor da prestação (em reais) cairá de R$ 3,5 milhões para R$ 3 milhões – uma economia aparente de R$ 500 mil.
2. No entanto, o faturamento das exportações cairá de R$ 12 milhões para R$ 10,2 milhões. Como o custo de produção das exportações ficou em R$ 10,2 milhões, as exportações não geraram lucro algum.
3. Como consequência, o lucro total gerado pela máquina caiu de R$ 4,5 milhões para R$ 2,7 milhões, ficando inferior ao valor do financiamento. Em termos relativos, ficou inviável a aquisição da máquina, mesmo com a redução do seu preço em reais.
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Por aí fica demonstrada essa falácia do preço absoluto do equipamento. O real apreciado pode baratear máquinas, mas desestimula investimentos.
Mato Grosso, mesmo sob o efeito da crise do agronegócio, manteve ritmo chinês e registrando a maior expansão do PIB no Brasil
MARIANNA PERES
Da Editoria
Mato Grosso vivenciou um ritmo de crescimento chinês em 2007, tornando-se naquele ano o Estado cuja economia mais cresceu. Dados divulgados ontem pelo IBGE mostram que toda a riqueza de Mato Grosso ficou 11,3% maior em 2007 comparando-se com o ano anterior. No mesmo ano, a China, o país de economia mais pujante no planeta, avançou 11,9%.
Mais do que crescer a taxa chinesa, a performance de Mato Grosso se destaca duplamente, pois no ano anterior o PIB havia recuado 4,6%, em razão da crise no agronegócio estadual, desencadeada pelo desequilíbrio entre receita e despesas do custo de produção. “Além de recuperar o que perdemos em 2006, ficamos no mesmo patamar de crescimento da China. Crescimento fora do comum e ainda manteve percentual praticamente duas vezes a mais que o PIB nacional”, aponta o secretário de Estado de Fazenda, Éder Moraes.
Nassif, por que não apresenta os prós e contra do projeto do Pain recentemente aprovado por comissão na Câmara. São tanas mentiras que ficamos sem saber qual é a mais convincente. Afinal vai ou não vai quebrar a previdência ? Ou se quiser, o FHC deu uma dentro?
Nascido na Itália, em 1941, o pesquisador da Coppe, Giuseppe Bacoccoli, se mudou para o Brasil com sua família, em 1957, acompanhando seu pai que era engenheiro e veio trabalhar no Rio de Janeiro. Naturalizou-se brasileiro, em 1969, e atuou por 34 anos na Petrobras. Na Coppe, ingressou no ano 2000, no Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Coppe. O pesquisador, um dos maiores especialistas do país em exploração e produção de petróleo e gás, se revelou um dedicado mestre. Adorava discutir com seus alunos projetos e estudos que resultariam em teses de doutorado e dissertações de mestrado. Afinal, tudo envolvia o seu tema favorito: o petróleo.
1 – A Miriam Leitão publicou um gráfico mostrando a relação dos investimentos X importações:
2 – Não discuto os efeitos de um real sobrevalorizado, mas questiono os custos para se tentar desvalorizá-lo sem nenhuma garantia que a tarefa seria bem sucedida.
Controlar capitais numa economia tão diversificada como a nossa é no mínimo enxugar gelo. Pode dar certo no Chile, no Peru, na Venezuela, mas no Brasil … só traria problemas sem solução.
Comentário
A Mirian reproduziu um dos sofismas do campeão dos sofismas do mercado: o professor Affonso Celso Pastore. Na Coluna Econômica de amanhã mostrarei os furos no raciocínio do Pastore.
A compra da operadora de saúde Medial pela Amil, ocorrida hoje, é mais um passo na consolidação do mercado de planos de saúde. A Amil Assistência vai pagar R$ 612,511 milhões pelas ações dos controladores da Medial Saúde. A compra de ações ordinárias da Medial se refera a 51,9% do capital social total e votante da operadora.
Em fato relevante, a Amil disse que a aquisição “visa consolidar a posição de liderança da Amilpar no mercado de saúde suplementar brasileiro, em especial no estado de São Paulo”. O preço a ser pago pela Amil Assistência aos controladores da Medial Saúde foi fixado em R$ 17,2066 por ação da Medial Saúde e cerca de R$ 8,4223 por ação da Medial Participações.
Bastante pulverizado, o mercado de planos de saúde tende a se consolidar para enfrentar as margens reduzidas e a regulação cada vez mais rígida. A estratégia a ser adotada pelas operadoras tende a ser a de fusões e aquisições ao invés de crescimento orgânico, diz o diretor executivo da Allianz Saúde, Maurício da Silva Lopes.
A RN (resolução normativa) 195, em vigor desde o início do mês, enrijeceu os critérios para a contratação de planos de saúde coletivos empresariais e por adesão, e estabeleceu o prazo dos reajustes, que vinham ocorrendo entre três a seis meses, para doze meses. Isso limitou a margem de manobras das operadoras, que buscavam ganhar mercado oferecendo prêmios menores. Siga a entrevista de Lopes, concedida durante o workshop “Impacto das Novas Resoluções Normativas nos Planos de Saúde”, promovida pela administradora de benefícios Raetto Consultoria.
Como as operadoras de planos de saúde pretendem crescer?
Lopes: Nos mercados em consolidação, todo jogador quer ganhar participação rapidamente porque querem fazer parte dos consolidadores e não dos consolidados, e nesse caso os movimentos de curto prazo acabam tendo muito mais influencia do que os de longo. Mas com a RN 195, o apetite para risco vai ficar um pouquinho menor, então esses grandes crescimentos orgânicos de mercado tendem a diminuir. O apetite pelo ganho orgânico de mercados, com a oferta de prêmios mais baixos e por meio de captação de riscos calculado de maneira descuidada, deve diminuir com a entrada da resolução.
Quem será o alvo de consolidação?
Lopes: Serão as operadoras que possuirão alguma fraqueza. Entre eles, está a falta de capacidade de colocar produto no mercado por falta de escala, reserva técnica, sistema tecnológico, ou desacordo com a legislação. As carteiras dessas operadoras devem migrar para a das consolidadoras.
Quais os desafios do setor de planos de saúde?
Lopes: No final de 2008, houve um enxugamento do mercado de planos de saúde por causa das demissões. Para cada funcionário demitido, se perde uma média de 3 segurados, agregados no plano familiar. Mas estamos enxergando agora uma melhora, com os empresários voltando a contratar. A economia gerou mais de 1 milhão de empregos, gerando incremento de massa salarial. O mercado vai voltar a crescer de maneira disciplinada, mas o grande crescimento da década de 1980 não deve voltar nos próximos anos.
Como a regulação afeta o mercado?
Lopes: Não deve ocorrer grandes alterações na regulação. As exigências de cobertura estão aumentando cada vez mais, e vai se ter cada vez menos gente com poder aquisitivo para adquirir planos de saúde. Se não se baratear os planos, o aumento de carteiras só vai ocorrer por meio do incremento de renda da população.
Como a Allianz se prepara para este cenário?
Lopes: Vemos perspectiva de crescimento. Continuamos apostando no mercado de planos de saúde, que consideramos promissor e acreditamos que a penetração de seguros vai aumentar com o crescimento do PIB. Queremos fazer parte dessa historia.
(Nota: por meio da sua assessoria de imprensa, a Allianz disse que pretende aumentar a sua carteira, e que não está prevista nenhuma aquisição de empresas).
Bancos de investimento, a CVM, o Bacen e os Ministérios da Justiça e Fazenda, imprensa e uma pergunta de R$8 bilhões: quem sabia com antecedência das mudanças nas regras do mercado de cartões ocorridas logo após o IPO do Visanet?
Parece muito conveniente o momento escolhido para a abertura de capital da Visanet e o anúncio recente de mudanças nas regras do mercado de cartões de crédito. O IPO ocorreu em julho/09 e movimentou algo em torno de R$8 bilhões, beneficiando cerca de 20 bancos nacionais e estrangeiros de médio e grande porte, que colheram os frutos do IPO como vendedores de ações e/ou como coordenadores da operação.
Em 30/09/09, menos de 90 dias após o IPO, foi anunciado o conjunto de medidas para aumentar a competição no setor. Dentre as diversas mudanças, que já vinham sendo estudadas há anos (há estudos no site do Bacen em parceira com os Ministérios da Fazenda e da Justiça datados de 2006), destaca-se o fim da exclusividade no credenciamento de estabelecimentos.
O impacto sobre os investidores é enorme. A Visanet mudou até de nome para se enquadrar à nova realidade, passando a se chamar Cielo. Vultosos investimentos em marketing estão sendo e ainda serão desembolsados para concretizar essa mudança. Além disso, matéria no Valor de 18/11 informa que a previsão de queda com receitas de aluguel de máquinas POS é de 20%, de queda da receita com comissão sobre vendas é de 15%, e que a participação de mercado da companhia deve cair de 47% para 36%.
O presidente dos EUA, Barack Obama, em sua primeira visita à China nesta semana, incitou o governo chinês a permitir que sua moeda se valorize. O presidente Hu Jintao educadamente preferiu ignorá-lo. Nas últimas semanas, Jean-Claude Trichet, o presidente do Banco Central Europeu, e Dominique Strauss-Kahn, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, também clamaram por um yuan mais forte. Mas a China irá ajustar sua moeda apenas quando bem entender, e não em resposta à pressão externa. A China permitiu que o yuan subisse 21% em relação ao dólar nos últimos três anos até julho de 2008, mas desde então a taxa tem se mantido mais ou menos fixa. Como resultado, o valor comercial do yuan foi arrastado para baixo este ano pelo dólar enfraquecido, enquanto muitas outras moedas subiram. Desde março, o real brasileiro eo won sul-coreano ganharam 42% e 36% respectivamente, contra o yuan, corroendo seriamente a competitividade desses países.
Quando o mercado fechou ontem, primeiro dia após o anúncio da demissão de Mário Torós do cargo de Diretor de Política Monetária do Banco Central, os juros futuros tinham caído. De ontem para hoje, o DI (Depósito Interbancário) de janeiro de 2011 caiu de 10,27% ao ano para 10,20% ao ano. O DI de julho de 2010, de 9,14% para 9,10% ao ano.
Qual a lógica? De acordo com a retórica terrorista do mercado, se sai um diretor ortodoxo e há sinais de afrouxamento da política monetária, os juros podem cair no curto prazo, mas deveriam subir no longo – porque, pela leitura do mercado, o afrouxamento da política monetária produziria mais inflação obrigando, mais à frente, a outro movimento de alta nas taxas.
Nada disso ocorreu. Pelo contrário, o mercado sequer reagiu à declaração do Ministro da Fazenda Guido Mantega, de que a taxa ideal para o dólar é em R$ 2,60. Nesse nível, declarou Mantega, não tem China, Coréia ou Japão que segure o Brasil.
Obama e Hu mostram cooperação, mas diferenças persistem
O presidente dos EUA, Barack Obama, e o presidente chinês, Hu Jintao, emergiram de horas de intensas negociações nesta terça-feira determinados a alinhar suas influências combinadas sobre questões cruciais, mas ainda mostrando divisões sobre a segurança econômica, e as questões de direitos humanos que há muito tempo atormentaram as duas potências. “O relacionamento entre nossos dois países vai muito além de uma questão simples”, disse Obama, em uma aparição conjunta com Hu, seguida de cerca de duas horas e meia de conversas formais a portas fechadas.Ambos os líderes falaram em condições audaciosas na crescente relação entre os países. Eles enfatizaram a cooperação na economia, mudanças climáticas, energia e nos diferentes graus de ameaças nucleares do Irã e Coreia do Norte. Em um acordo menor, os dois fixaram uma data para retomar o diálogo do longo impasse sobre direitos humanos no próximo ano. Mas as diferenças permaneceram, ressaltando que as tensões dificilmente seriam apagadas na primeira visita de alto nível de Obama à China.
PS – A coluna foi escrita antes da informação de queda do Torós
Vão haver mudanças no Banco Central, mas nada que possa significar uma mudança radical de rumo na política monetária. Provavelmente, apenas mais responsabilidade em sua condução.
Dois fatos devem precipitar as mudanças. Um, as declarações do Diretor Mário Torós ao jornal “Valor Econômico”, dando detalhes da corrida bancária que se seguiu à crise econômica mundial. As inconfidências devem lhe custar um inquérito no Ministério Público – especialmente quando confessou ter passado dados de bancos em dificuldades para candidatos a compradores.
Politicamente, decretou sua saída do BC da pior maneira possível para o mercado financeiro – ao qual ele responde. Demonstrou de forma clara que é um jogador a serviço do mercado. Especialmente quando declara que o BC não tem poder de influenciar o dólar e que o mercado tem que ser livre – algo inconcebível para um diretor incumbido de administrar a volatilidade da moeda.
A Agência Estado anunciou ontem que o Brasil vai ganhar operadora virtual de celular em 2010, para aumentar a concorrência e baixar os preços, e que a ANATEL abriria uma consulta Pública a respeito, ainda esse ano.
Será que, do ponto-de-vista do consumidor, isso será realmente vantajoso? Na minha visão leiga, parece que os preços caem mais “com o tempo”, e não tanto com a concorrência – num mesmo momento e região, os preços, promoções, serviços, problemas e queixas dos usuários são sempre muito parecidos, apesar da “concorrência” – dá até pra desconfiar ….
Meus caros amigos, na última quarta-feira, dia 11 de Novembro, no programa Em cima da hora, das vinte e uma horas, na GloboNews, eu dei a entrevista abaixo.
Mais uma vez, o professor Bresser-Pereira vai ao ponto. Fico imaginando o quanto não seria difícil enfrentar a oposição se, ao invés de ficar repisando argumentos hipócritas e moralistas, o PSDB tivesse a coragem de bater ali onde o calo realmente doi: a manutenção de uma política econômica que faz os aventureiros de fora sorrirem de ás a ás, mas que pode comprometer o crescimento do país no médio prazo. Nosso problema não é Perón. É, ainda, Pedro Malan.
O MATUTO E O “MOMENTO MÁGICO”
O BRASIL “vive um momento mágico”, o Brasil é “um ganhador”, “chegou a hora do Brasil” -são essas as frases que hoje lemos na imprensa estrangeira, é dessa forma que nos veem os investidores estrangeiros. E o presidente Lula é visto como o grande herói dessa saga moderna -como o líder político que, sem se desvincular de seus compromissos com os pobres, dizem amavelmente os estrangeiros, revelou-se plenamente confiável para os ricos dentro e fora do país. Uma entrevista de página inteira de Lula no “Financial Times” e 14 páginas na “Economist” celebram esse clima favorável ao Brasil.
Acha que o pior já passou? Errado. As condições no mercado de trabalho dos EUA estão terríveis e piorando. Enquanto a taxa oficial de desemprego já é de 10,2% e outros 200.000 postos foram perdidos em outubro, quando se incluem trabalhadores desencorajados e parcialmente empregados, o número é um gritante 17,5%. Enquanto perder 200.000 empregos por mês é melhor do que os 700.000 empregos perdidos em janeiro, as perdas atuais de emprego ainda são em média maiores do que a taxa mensal de 150.000 durante a última recessão. Além disso, lembre-se: a última recessão terminou em novembro de 2001, mas as perdas de emprego continuaram por mais de um ano e meio, até junho de 2003; idem para a recessão de 1990-91. Assim, podemos esperar que as perdas de empregos vão continuar até o final de 2010, no mínimo. Em outras palavras, se você está desempregado, procurando trabalho e apenas esperando a economia dobrar a esquina, é melhor se sentar. Todos os números econômicos sugerem que isto vai demorar um pouco. Os empregos simplesmente não estão voltando.
Já há algum tempo a diretoria do Banco Central (BC) tem dado mostras de desfaçatez inéditas no mercado financeiro – área em que os melhores se pautam por comportamento discreto e análises técnicas.
No final do ano passado, o Diretor de Política Monetária Mário Torós e o de Política Econômica Mário Mesquita cometeram a imprudência de, em pleno período de tensão do mercado com a crise, darem entrevistas em “off” – isto é, sem revelar o nome, com as declarações sendo atribuídas a “fontes do BC”- ameaçando se demitirem se a Fazenda adotasse determinadas medidas.
Foram desautorizados publicamente pelo presidente do BC, Henrique Meirelles. Mereciam uma denúncia à polícia, por ameaça de perturbação da ordem econômica.
O título acima é da mesma natureza da matéria abaixo da Folha:
Sabe o que é o tal “sistema elétrico” mencionado? O site do ONS (Operador Nacional do Sistema). O site, sim, não o sistema de gerenciamento de energia. O repórter descobriu a falha invadindo a agência com uma pessoa que, na portaria, se identificou como “agente secreto da ABIN”.
Falhas visíveis corrigidas na sexta-feira possibilitavam que piratas cibernéticos causassem danos na rede elétrica do país
Operador Nacional do Sistema Elétrico coordena e controla a operação e a transmissão de energia do Sistema Interligado Nacional
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Operador Nacional do Sistema Elétrico apresentava até a última quinta-feira vulnerabilidades em seu endereço público na internet. As falhas visíveis foram corrigidas apenas sexta, três dias depois do apagão que atingiu 18 Estados. Antes do conserto, o ONS facilitava a invasão de hackers.
O ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel virou alvo de uma investigação criminal determinada pela Procuradoria-Geral da República. Paira sobre Everardo a suspeita de ter agido ilegalmente para beneficiar a fabricante de bebidas AmBev.
No centro da discussão está um contrato com a cervejaria assinado pelo ex-secretário cinco meses após ter deixado a Receita, no final de 2002. Ele se tornou consultor da AmBev em maio de 2003, tendo recebido R$ 1,314 milhão somente naquele ano.
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