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	<title>Luis Nassif &#187; Crônica</title>
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	<description>Sobre economia, política e notícias do Brasil e do Mundo</description>
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		<title>Cenas mineiras</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 20:18:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[minas]]></category>
		<category><![CDATA[mineirice]]></category>
		<category><![CDATA[mineirismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada mais agradável do que esses mergulhos periódicos em Minas, a Minas profunda do interior, das pessoas de fala mansa e de cuidados em cada gesto.

Em cada visita me revigoro e colho as pequenas cenas mineiras, que me lembram meus tempos de infância, longe das guerra midiáticas e do ritmo maluco das metrópoles e dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nada mais agradável do que esses mergulhos periódicos em Minas, a Minas profunda do interior, das pessoas de fala mansa e de cuidados em cada gesto.</p>
<p>Em cada visita me revigoro e colho as pequenas cenas mineiras, que me lembram meus tempos de infância, longe das guerra midiáticas e do ritmo maluco das metrópoles e dos aeroportos.</p>
<h3>Cena 1</h3>
<p>Patos de Minas é típica cidade média agradável. Limpa, bem cuidada e atenciosa.</p>
<p>O motorista da Localiza, que me trouxe de Uberlândia, me pega no hotel para irmos ao evento. Fica na Avenida Tancredo Neves. O motorista não conhece, mas se vale do procedimento padrão: para em um ponto de táxi.</p>
<p>Vem o mineirinho taxista, todo atencioso. O motorista pergunta o itinerário. O mineirinho pede para ele desligar o motor para poder ser atendido com mais vagar e cuidado.</p>
<p><span id="more-36774"></span>Vai até o banco do ponto de táxi, parlamenta com um colega. Conversa e conversa e conversa. Daí os dois vão até à cabine do ponto e trazem um Guia enorme, mas tão grande que deve pegar toda a região. Chamam o motorista de Uberlândia e parlamentam, parlamentam, parlamentam.</p>
<p>Procura daqui e dali e encontram a Avenida Tancredo Neves que é travessa da Avenida Juscelino Kubistecheck, é lógico.</p>
<p>O primeiro taxista abre o mapa, coça a cabeça, coça a orelha, chama o motorista de novo, troca idéias com o colega. No fim, decide:</p>
<p>- Faz assim, ó. Segue na Avenida Juscelino Kubistcheck até um posto de gasolina. Lá você entra e pergunta onde é a Avenida Tancredo Neves, que eu não sei não.</p>
<p>O GPS do meu celular resolveu o problema.</p>
<h3>Cena 2</h3>
<p>Aeroporto de Uberlândia, pronto para voltar para São Paulo. Fila para entrar na sala de embarque. Na minha frente, uma loirinha oxigenada e um rapazinho moreninho, todo centrado. Quando chega na porta da sala de embarque, tumulto. Aparece a mãe, a filha, o irmão, toda a família, o pai, a avó e a tia chorando. Para tudo. E a fila espera na maior paciência, ninguém reclama e alguns exibem olhar de ternura.</p>
<p>Aí uma da turma me explica: “É lua de mel!”. Eu completo: “E é Minas Gerais”. E o marido mineirinho todo serinho e compenetrado, sem entrar no clima. Quase perguntei: “Foi casamento de gosto ou de obrigação?”, mas me contive.</p>
<p>Cinco minutos de choradeira depois, o último da fila foi o irmão de um metro e noventa que abraçava a irmã e chorava, todos entramos.</p>
<p>O avião chega, a moça da companhia aérea diz que pessoas de idade, gestantes etc. têm preferência. Três velhinhas saem na frente. E todas elas fazem questão de se despedir da mocinha da companhia aérea com um beijo no rosto.</p>
<p>Minas é assim.</p>
<h3>Cena 3</h3>
<p>E os sotaques das mineirinhas? Preciso encontrar a crônica que postaram outro dia aqui sobre essa fantasia nacional: o sotaque da mineirinha. Né não?</p>
<h2>Por Stanley Burburinho</h2>
<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/07/30/o-sotaque-das-mineiras/" target="_blank">http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/07/30/o-sotaque-das-mineiras/</a></p>
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		<title>Histórias da Ditadura</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/13/historias-da-ditadura/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 22:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[assessor]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Humberto
Leitores (as):

No fora de pauta “vespera de um fim de semana prolongado” deixei um comentario. Abria um parentesis do depoimento q dei ao Governo Canadense no pedido de refugio. Contei um pouco da minha adolescencia antes a Ditadura.

Hoje retomo com os dois fatos que marcaram minha vida definitivamente, em Abril de 1964, na nova [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Por Humberto</h2>
<p>Leitores (as):</p>
<p>No fora de pauta “vespera de um fim de semana prolongado” deixei um comentario. Abria um parentesis do depoimento q dei ao Governo Canadense no pedido de refugio. Contei um pouco da minha adolescencia antes a Ditadura.</p>
<p>Hoje retomo com os dois fatos que marcaram minha vida definitivamente, em Abril de 1964, na nova capital federal;</p>
<p>a subita morte de meu pai, 45 anos: obito: hemorragia cerebral; causa: acidente automobilista; local: L-2 Sul, Brasilia-Df</p>
<p><span id="more-35753"></span></p>
<p>A Ditadura. Enterro de sonhos no ano que nunca acabou.</p>
<p>Realidade q pode parecer muito distante para muitos brasileiros com menos de 45 anos.</p>
<p>Nao para aqueles que vivenciaram de perto a construcao de um sonho, q nao era somente de Dom Bosco. Parece q foi ontem.</p>
<p>Para mim, adolescente, 15anos, fiho de um funcionario da presidencia do Joao Goulart aquele ano é hoje.</p>
<p>Talvez a morte de meu pai nem tenha tido uma relacao direta (causa-efeito) com o Golpe Militar, mas a instalacao do sentimento de perdas foi comum. Reciproco até.<br />
O rompimento da relacao afetiva famliar somada a descaracterizacao daquela cidade futurista, com suas belas e suaves linhas arquitetonicas de um horizonte enormente otimista, constuida nas alturas do cerrado, a ocupacao dos espacos livres por carros e aviacao de combates,transformaram Brasilia num labirinto com uma unica saida e entrada ao norte e sul da cidade, controlada por bestas vestidas com uniformes verde-oliva.</p>
<p>Sao imagens indeletaveis.</p>
<p>O pesadelo: familia reduzida numa mae (42 anos) com 6 filhos nos bracos (17,16,15,14,13, 12 anos), desalojados do apto. que ocupavamos no Plano Piloto, quebra dos lacos de amizades (muitos amigos da familia abandonaram brasilia). Fomos bater na porta da Igreja Catolica, paroquia do Sagrado Coracao de Jesus.</p>
<p>O abrigo nos concedido pelo padre Edward Van de Walle nao durou muito. Jovem, formado na nova igreja holandeza, foi preso em plena missa dominical ao terminar o sermao dedicado aos trabalhadores no 1 de maio, contra os militares. Foi expulso do pais.</p>
<p>E agora José ? Voltar pro Nordeste, de onde viemos? Impossivel.</p>
<p>A pensao recebida pela mae nao dava pra sustentar toda a familia. Fui trabalhar com 16 anos( escritorio de advogacia de José Carlos Baleeiro) durante o dia, a noite estudava, alimentando o sonho de um dia ser universitario.</p>
<p>Com 20 anos, estudando para o vestibular a Unb foi invadida pelos milicos, reitor e professores presos, amigos presos, torturados no PIC (policia do exercito), indo pro exilio.</p>
<p>Fim da inocencia, perda do gosto pela vida academica.</p>
<p>Casei, me separando 2 anos depois e partindo para o mundo.</p>
<p>Primeira escala:</p>
<p>Aldeia dos Indios Gavioes, Amazonia, margem direita  do RioTocantins, 1973.</p>
<p>(continuo no proximo fora de pauta, se me permitem)</p>
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		<title>Ecos do Interior</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/11/ecos-do-interior/</link>
		<comments>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/11/ecos-do-interior/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 20:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Do Portal Luís Nassif
COSTUMES e CHUVAS em VILAREJO MINEIRO

* Publicado por Lena



A encosta sempre esconde um povoado e tem sempre uma história a contar, o porquê do amontoar-se ali...Afundado detrás de colinas.

- Nesse dia que vos conto, quando lampejou o meu olhar nesta terra de mineiros em um povoado qualquer, onde o colonial não andou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Do Portal Luís Nassif</h2>
<p><a href="http://blogln.ning.com/forum/topics/costumes-e-chuvas-em-vilarejo?page=1&amp;commentId=2189391%3AComment%3A196936&amp;x=1#2189391Comment196936" target="_blank">COSTUMES e CHUVAS em VILAREJO MINEIRO</a></p>
<p>* Publicado por Lena</p>
<p><img class="alignnone" src="http://api.ning.com/files/k4m8rZkQ67WzjgX4vH-w8IKBjQsLiATWvpLWCxnnyrlI6RIFVwXNJH7wLBRhOjFo5Zxj-yRNypAC2sNqgsa1KRQVc59NM0aI/CATASALTAS002.jpg" alt="" width="580" height="435" /></p>
<p>A encosta sempre esconde um povoado e tem sempre uma história a contar, o porquê do amontoar-se ali&#8230;Afundado detrás de colinas.</p>
<p>- Nesse dia que vos conto, quando lampejou o meu olhar nesta terra de mineiros em um povoado qualquer, onde o colonial não andou por lá, em suas casinhas sem eira nem beira, mas ainda faceiras, recolhendo em seus telhados as águas da chuva a gotejar.</p>
<p>- Chuva que trepidava em pingos grossos, espaçados, que caia arregaçando o cheiro da poeira numa tarde que ainda era Verão. Agoniava a quem passava, levando-os a passos desgarrados, esvaindo-se a rumos aquém.</p>
<p>_ Mas eram apenas pingos, pingos aqui e acolá,que mal diziam a calmaria daquele trecho onde nada acontecia.</p>
<p><a href="http://blogln.ning.com/forum/topics/costumes-e-chuvas-em-vilarejo?page=1&amp;commentId=2189391%3AComment%3A196936&amp;x=1#2189391Comment196936" target="_blank">Continua</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Cercas mineiras</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/05/cercas-mineiras/</link>
		<comments>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/05/cercas-mineiras/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 05 Sep 2009 21:59:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cercas mineiras]]></category>

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		<description><![CDATA[Do Portal Luís Nassif
CERCAS MINEIRAS DE MINHA INFÂNCIA
* Publicado por Lena

De mandacaru à taquara rachada, elas faziam divisas apenas pra constar que estavam ali
_ davam continuidade aos quintais tornando toda a vizinhança numa grande família.

Quintais que uniam Silvas , Souzas, Ferreiras, Teixeiras, Nogueiras e quem mais adviesse ali.

E a gente... meninos, de todas as cores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Do Portal Luís Nassif</h2>
<h3><a href="http://blogln.ning.com/forum/topics/cercas-mineiras-de-minha" target="_blank">CERCAS MINEIRAS DE MINHA INFÂNCIA</a></h3>
<h3>* Publicado por Lena</h3>
<h3><img src="http://api.ning.com/files/iZ0MXAJCtAfK9Hi6bVrheiv1JQQfz7x6IcJopTm8dyebzHkd1UoYF2WLvEpDEl8EP5IwtbBmPe9TGvfzWnB7ByITDS1X1aP3/JUNHO3040.jpg" alt="" width="640" height="480" /></h3>
<p>De mandacaru à taquara rachada, elas faziam divisas apenas pra constar que estavam ali<br />
_ davam continuidade aos quintais tornando toda a vizinhança numa grande família.</p>
<p>Quintais que uniam Silvas , Souzas, Ferreiras, Teixeiras, Nogueiras e quem mais adviesse ali.</p>
<p>E a gente&#8230; meninos, de todas as cores e todas encardidas e pernas marcadas de cicatrizes, esfoliações que se curavam sozinhas ou a base de mertiolate, saltávamos por entre árvores, fumávamos cigarrinho de talo de chuchu, porque chuchu e pé couve não faltavam em quintal nenhum e ainda fazíamos das folhas das bananeiras gangorras que se projetavam gingantemente ribanceira a baixo</p>
<p>_ Lembro-me o dia que nessa brincadeira, minha irmã foi sapecada por uma taturana cachorrinha, gritou horas e horas até ser benzida pelo vizinho curandeiro, que alisou uma pedra em cruz com leite acompanhada de rezas, muita reza.</p>
<p><a href="http://blogln.ning.com/forum/topics/cercas-mineiras-de-minha" target="_blank">Continua</a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A elegia da amizade</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/20/a-elegia-da-amizade/</link>
		<comments>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/20/a-elegia-da-amizade/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 20:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Arnold Waitman]]></category>
		<category><![CDATA[Guillermo Rodríguez]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto Goethe]]></category>

		<guid isPermaLink="false"><![CDATA[http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/?p=32399]]></guid>
		<description><![CDATA[Por antonio francisco
Faz muito tempo não lia nada tão terno sobre um caso concreto de amizade, num relato que ficou em primeiro lugar no concurso para homenagear os 50 anos da revista Humboldt.

Deliciem-se:

http://www.goethe.de/wis/bib/prj/hmb/pt4903949.htm

A Humboldt 99, comemorativa dos 50 anos, mostra os resultados do concurso que promoveu tendo como tema “Amizade: Fisionomias de uma relação complexa” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong><span class="row-title">Por antonio francisco</span></strong></h2>
<p>Faz muito tempo não lia nada tão terno sobre um caso concreto de amizade, num relato que ficou em primeiro lugar no concurso para homenagear os 50 anos da revista Humboldt.</p>
<p>Deliciem-se:</p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.goethe.de/wis/bib/prj/hmb/pt4903949.htm">http://www.goethe.de/wis/bib/prj/hmb/pt4903949.htm</a></p>
<p>A Humboldt 99, comemorativa dos 50 anos, mostra os resultados do concurso que promoveu tendo como tema “Amizade: Fisionomias de uma relação complexa” . Sua capa estampa o primeiro lugar em fotografia, ganho pela brasileira Renata Beltrão, mostrando peixes em sacos plásticos, que dizem muito sobre a “liberdade” que gozamos no dia-a-dia.</p>
<h2>De guerras e pepinos</h2>
<h3>Renata Beltrão, Brasil:</h3>
<h3>Sem título, Bairro da Liberdade, São Paulo, Brasil, 2007Teaser.</h3>
<p><span id="more-32399"></span>Meu amigo (o melhor até hoje) chama-se (ou chamava-se?) Arnoldo Waitman. Tínhamos 12 anos e cursávamos o último ano do &#8220;primário&#8221; numa cidadezinha do Pampa Gringo, quando um medíocre escritor argentino, transformado em ministro da Educação do governo militar de 43, teve a idéia de implantar o ensino da religião católica nas escolas. Arnoldo era judeu. Os Waitman eram os únicos judeus na minha cidade e o fato de seus filhos serem &#8220;cortados&#8221; os tornava alvo da chacota de todos.</p>
<p>A Guerra Civil espanhola havia terminado poucos anos antes. Meus pais, meus avós &#8211; todos os meus ancestrais espanhóis até onde pude averiguar &#8211; faziam parte daquele grupo que juntara trigo para mandar para os soldados republicanos famintos que tentavam impedir que Franco tomasse Madri. Em 1939, meus pais e meus avós passaram a ser, à distância, uns derrotados a mais e, em 1943, continuavam a manter a bandeira tricolor na alma e o coração repleto de inimigos: Franco e seus malditos generais e coroneis, e os padres, os malditos padres que os haviam ajudado a subjugar o povo. Assim havia imensas causas e razões para eu ter o meu melhor amigo.</p>
<p>Porque meu pai decidiu que eu não tivesse aula de religião na escola, em razão de que a religião era o ópio do povo, e porque o padre de seu povoado de Zamora tinha mandado fuzilar o professor de seu povoado de Zamora, e porque Arnoldo era judeu, ele e eu, às terças e quintas, das 10 às 11 da manhã, enquanto todos os nossos colegas &#8220;tinham&#8221; religião, Arnoldo e eu, repito, ficávamos no pátio da escola sem saber bem o que fazer, sozinhos, marcados, segregados, humilhados, magoados. E, desde então, amigos.</p>
<p>Amigos porque, além disso, a minha mãe e a de Arnoldo resolveram levar para a escola, nas fatídicas terças e quintas, algo assim como uns sanduíches grandes que nos entregavam por um buraco da cerca: os da mãe de Arnoldo tinham pão, pepino e maionese, e os que a minha levava (dentro de uma latinha que se abria com uma chave quase mágica) eram de pão com queijo e carne moída. O jogo de xadrez veio depois. Arnoldo me ensinou e, no final do ano, eu já conseguia empatar algumas partidas. Só lhe dei o xeque-mate pastor porque ele deixou.</p>
<p>No mais, resta dizer que éramos o motivo do falatório de uma cidade ofendida: como os Waitman e os Rodríguez eram capazes de desacatar Deus e insultar a Igreja! Como podíamos comer, enquanto os outros rezavam? E o xadrez? O que era esse tal xadrez? Arnoldo e eu, nós sabíamos disso, passamos a integrar o grupo dos marginalizados aptos a ser chicanados e agredidos, junto com os dois homossexuais e as três prostitutas da cidade. E nossa amizade atingiu o auge assim: um espirituoso me disse que os judeus tinham um pinto diferente, que o cortavam. Peça-lhe para mostrar, peça e vai ver. E eu pedi a Arnoldo para me mostrar seu pinto, ele me mostrou e eu vi como, naquele momento, uma dor e um medo de cinco mil anos de perseguições assomavam a seus olhos e senti que ele era meu amigo, que o seria para sempre, sem me importar nem um pouco que a glande de seu pinto estivesse à mostra. &#8220;Tanto faz &#8211; disse-lhe &#8211; é igualzinho ao dos outros.&#8221; A dor e o medo de cinco mil anos, percebi imediatamente, ficaram reduzidos à metade.</p>
<p>Alguns anos depois os Waitman deixaram a cidade. Quando completei 20 anos, fui eu embora. Não era tempo de internet, nem de celular, e Arnoldo e eu nos perdemos de vista. Em 57, andei pelos vulcões da Guatemala com o pessoal de Arbenz que resistia nas montanhas. Em 76, li que três guerrilheiros<br />
tinham sido mortos em Buenos Aires num &#8220;combate&#8221; com as tropas regulares. Um deles se chamava Arnoldo Waitman, mas suponho que não tenha sido o &#8220;meu&#8221; Arnoldo Waitman, porque em 76 o meu teria 45 anos, que já não era a idade normal dos guerrilheiros.</p>
<p>Continuo jogando xadrez. Continuo passando maionese no pão e pondo rodelas de pepino ou untando com carne moída e pondo fatias de queijo. &#8220;Que gosto mais esquisito!&#8221;, diz meu filho. Acontece que o pessoal de hoje sabe pouco sobre ritos, sobre religiões de verdade. Às vezes, até deixo que ele me dê um mate pastor. &#8220;Eh, joga direito! Você está distraído&#8221;, ele me diz. &#8220;Estou jogando bem&#8221;, lhe respondo. E inclino o meu rei com a elegância e (espero) a bondade com que o fazia Arnoldo.</p>
<p>Guillermo Rodríguez<br />
nasceu em Villa Cañas (Argentina) em 1931 e reside na cidade argentina de Córdoba. Jornalista ativo, tem uma coluna diária no Hoy día Córdoba e é conhecido por seu ciclo na TV &#8220;3 a las 9&#8243;. Publicou, entre outros, os livros Encerrar la dama, El círculo y el cambio e El livro de las equivocaciones. Recebeu numerosos prêmios na Espanha e na Argentina.</p>
<p>Copyright: Goethe-Institut e. V., Humboldt Redaktion<br />
Maio 2009</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O sotaque das mineiras</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/07/30/o-sotaque-das-mineiras/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 19:23:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[ Por ricardo
O SOTAQUE DAS  MINEIRAS

Felipe Peixoto Braga Netto (1973) afirma que não é jornalista, não é publicitário, nunca publicou crônicas ou contos - não é, enfim, literariamente falando, muita coisa, segundo suas próprias palavras. Paulistano, mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais. Ele diz que nunca publicou nada, mas a crônica que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong><span class="row-title"> Por ricardo</span></strong></h2>
<p>O SOTAQUE DAS  MINEIRAS</p>
<p>Felipe Peixoto Braga Netto (1973) afirma que não é jornalista, não é publicitário, nunca publicou crônicas ou contos &#8211; não é, enfim, literariamente falando, muita coisa, segundo suas próprias palavras. Paulistano, mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais. Ele diz que nunca publicou nada, mas a crônica que abaixo foi extraída do livro ‘As coisas simpáticas da vida’, Landy Editora, São Paulo (SP) &#8211; 2005, pág. 82.</p>
<p>O SOTAQUE DAS MINEIRAS<br />
(F.P.B. Netto)</p>
<p>O sotaque das mineiras  deveria ser ilegal, imoral ou engordar.</p>
<p>Afinal, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar sensual e lindo das moças de Minas ficou de fora?</p>
<p>Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ‘ouvi-la faz mal à saúde’. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: ’só isso?’.</p>
<p>Assino, achando que ela me faz um  favor.</p>
<p>Eu sou  suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma.</p>
<p>Certa vez quase  propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só  pelo sotaque.</p>
<p><span id="more-31962"></span>Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho. Não dizem: pode parar, dizem: ‘pó parar’ Não dizem: onde eu estou?, dizem: ‘onde queu tô.’<br />
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem &#8211; lingüisticamente falando &#8211; apenas de uais, trens e sôs.</p>
<p>Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô.<br />
Se der no  couro &#8211; metaforicamente falando, claro &#8211; ele é bom de  serviço. Faz sentido…</p>
<p>Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: ‘cê tá boa?’ Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário…</p>
<p>Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: &#8211; Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc)<br />
O verbo ‘mexer’, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.</p>
<p>Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: ‘- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.’</p>
<p>Esse ‘aqui’ é outra delícia que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer ‘olá, me escutem, por favor’. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.</p>
<p>Mineiras não dizem  ‘apaixonado por’. Dizem, sabe-se lá por que,’apaixonado  com’.<br />
Soa engraçado  aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: ‘Ah, eu  apaixonei com ele…’<br />
Ou: ’sou doida com ele’ (ele, no  caso, pode ser você, um carro, um cachorro).</p>
<p>Eu preciso avisar à  língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro,  com<br />
todo respeito,  a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São  barradas pelas montanhas.</p>
<p>Por exemplo: em Minas, se você  quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: &#8211; ‘Eu  preciso de ir..’<br />
Onde os mineiros arrumaram esse  ‘de’, aí no meio, é uma boa pergunta… Só não me perguntem!<br />
Mas que ele existe,  existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em  cartório.</p>
<p>No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente.<br />
Entendeu? Agarrar é agarrar,  ora!</p>
<p>Se, saindo  do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com  pena,suspirará:<br />
‘-  Ai, gente, que dó.’</p>
<p>É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras… Não vem caçar confusão pro meu lado! Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro ‘caça confusão’.<br />
Se você quiser dizer que tal sujeito  é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que  ele ‘vive caçando confusão’.</p>
<p>Ah, e tem o ‘Capaz…’<br />
Se você propõe algo a uma  mineira, ela diz: ‘capaz’ !!! Vocês já ouviram esse  ‘capaz’?<br />
É lindo.  Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer ‘ce acha que eu faço  isso’!? com algumas toneladas de<br />
ironia.. Se você ameaçar casar com a  Gisele Bundchen, ela dirá: ‘ô dó dôcê’. Entendeu? Não? Deixa  para lá.</p>
<p>É  parecido com o ‘nem…’ . Já ouviu o ‘nem…’?<br />
Completo ele fica: ‘- Ah,  nem…’ O que significa? Significa, amigo leitor, que a  mineira que o pronunciou<br />
não fará o que você propôs de jeito  nenhum. Mas de jeito nenhum.<br />
Você diz: ‘Meu amor, cê anima de  comer um tropeiro no Mineirão?’.<br />
Resposta: ‘nem…’<br />
Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.  Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?</p>
<p>Preciso confessar algo: minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.</p>
<p>Se você, em conversa, falar: ‘Ah,  fui lá comprar umas coisas…’…<br />
- Que’ s coisa? &#8211; ela  retrucará.<br />
O plural  dá um pulo. Sai das coisas e vai para o ‘que’!</p>
<p>Ouvi de uma menina  culta um ‘pelas metade’, no lugar de ‘pela metade’.<br />
E se você acusar  injustamente uma mineira, ela, chorosa,  confidenciará:<br />
-  Ele pôs a culpa ‘ni mim’.</p>
<p>A conjugação dos verbos tem lá seus  mistérios, em Minas…<br />
Ontem, uma senhora docemente me  consolou: ‘preocupa não, bobo!’.<br />
E meus ouvidos, já acostumados às  ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam.<br />
Talvez se  espantassem se ouvissem um: ‘não se preocupe’, ou algo  assim.<br />
Fórmula  mineira é sintética. e diz tudo.</p>
<p>Até o tchau, em Minas, é  personalizado. Ninguém diz tchau, pura e simplesmente.<br />
Aqui se diz: ‘tchau  pro cê’, ‘tchau pro cês’.<br />
É útil deixar claro o destinatário  do tchau…</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Os 65 anos de Chico Buarque</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 19:24:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>

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		<description><![CDATA[Não chore ainda não 

De Luís Nassif - 15/11/1998

A primeira vez que ouvi Chico  Buarque de Hollanda eu devia  ter uns 14 ou 15 anos. Foi em um  programa da extinta TV Tupi,  não sei se "Almoço com as Estrelas" ou um programa do Fernando Faro. O cantor tocava seu  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: large"><strong>Não chore ainda não </strong></span></p>
<p>De Luís Nassif &#8211; 15/11/1998</p>
<p>A primeira vez que ouvi Chico  Buarque de Hollanda eu devia  ter uns 14 ou 15 anos. Foi em um  programa da extinta TV Tupi,  não sei se &#8220;Almoço com as Estrelas&#8221; ou um programa do Fernando Faro. O cantor tocava seu  violão e nem olhava para a câmara. Acho que cantava &#8220;Pedro  Pedreiro&#8221;.</p>
<p>No início de 1965, com 15 anos  incompletos, passei seis meses  estudando eletrônica, em Santa  Rita do Sapucaí. Fui morar na  república WC, a mais barra pesada da cidade, liderada pelo  itajubano José Saia, que exibia  no braço esquerdo marcas que,  assegurava, eram de navalhadas que recebera de Mineirinho,  o mais célebre bandido da época. Toda manhã acordava com  meu companheiro de beliche, Salário Mínimo, de São José dos  Campos, tocando no violão a  valsa &#8220;Subindo aos Céus&#8221;, de  Aristides Borges.</p>
<p>Música antiga, só na WC. Nas  noitadas de Santa Rita, reinava  a bossa nova, com o violão do Salário Mínimo, de São José, do Tota, de Poços de Caldas, a voz do  Marcão, de Ouro Preto. Em cada  serenata se punham literalmente  de joelhos quando falavam de  Vanda Sá, a Vanda Vagamente,  musa absoluta, cujo retrato estava em um altarzinho na república WC.</p>
<p>Quando voltei a Poços, no segundo semestre de 1965, foi que  teve início a era Chico Buarque  de Holanda. Chico estourou, ao  lado de Geraldo Vandré, no famoso Primeiro Festival da Record. Politizada, nossa turma  torcia pela &#8220;Disparada&#8221;, de Vandré. Mas nas serestas, nossa companheira era &#8220;A Banda&#8221;, de Chico. A televisão, ainda novidade,  transformou a disputa no fato  nacional mais comentado do período. Pouco depois, &#8220;Olé Olá&#8221; foi  lançada e transformou-se em hino nas nossas serenatas.<span id="more-31174"></span></p>
<p><strong>Questionamento</strong></p>
<p>No final dos anos 60 teve início  um processo de questionamento  do seu talento. Os pós- bossa-novistas, imersos em acordes cada  vez mais complexos e inócuos,  criticando o que consideravam  excesso de simplicidade de suas  harmonias. Os transgressores políticos criticando sua suposta  alienação. Os transgressores formais abraçando a Tropicália e  criticando seu conservadorismo  formal. Mas nas serenatas, a música de Chico continuava soberana. E cada lançamento era  aguardado com a ansiedade com  que se espera a terceira profecia  de Fátima.</p>
<p>O auge do sentimento anti-Chico foi no Festival Internacional  da Canção, quando grupos politizados vaiaram (pasmem!) ele e  Tom Jobim, em repúdio à vitória  de &#8220;Sabiá&#8221; sobre &#8220;Caminhando&#8221;,  de Vandré.</p>
<p>Aos poucos, no entanto, o caráter de Chico Buarque foi se impondo e marcando nossa geração, não apenas como o compositor lírico e inspirado, mas como referência de caráter. Chico não se envolvia em quizilas musicais, não fazia fofocas, não se deslumbrou com o sucesso inicial -e talvez não tenha havido outro caso de sucesso tão retumbante na música brasileira. Sequer reclamou das vaias. Continuava na sua.</p>
<p>Quando a ditadura recrudesceu, Chico seguiu para o exílio,  passou um tempo na Itália. Retornou em seguida, transformando-se na mais influente voz  contra a ditadura.</p>
<p>Recém-admitido como estagiário da revista &#8220;Veja&#8221;, fui incumbido de cobrir seu primeiro show  na volta do exílio, na boate Dobrão, de São Paulo. Tinha dois  meses de jornalismo e me pediam  uma crítica contra o maior nome  da MPB da época. Nervoso com a  responsabilidade do primeiro  trabalho, tomei umas cubas libres a mais, antes de entrar no  camarim de Chico, para entrevistá-lo e ao MPB-4. Estava com  medo, pânico de me comportar  como tiete.</p>
<p>No show, Chico havia tentado  se soltar, gritando além do que  recomendava sua timidez, porque, no padrão estético pós-Vandré, música que não provocasse  &#8220;arrepio&#8221; não era boa. Arrisquei a  primeira pergunta: &#8220;Será que essa sua nova maneira de cantar  meio gritado se coaduna com seu  estilo?&#8221;. Não sei se o Magro ou o  Aquiles, virou para Chico e provocou: &#8220;Quer dizer que você está  saindo com a Duna?&#8221;. E a Duna  se transformou em tema para  meia hora de, devo admitir, gozação de primeiríssima contra o  foca aqui. Com umas cubas libres  a mais, procurei manter a dignidade na medida do possível, sem  muito sucesso.</p>
<p>Saímos de lá e fomos a um bar  na esquina, a esta altura o grupo  inteiro bêbado. No bar, por acaso, estava Nelson Cavaquinho.  Chico foi direto ao seu ídolo.  &#8220;Nelson Cavaquinho, você é meu  ídolo, vou beijá-lo&#8221;. E Nelson,  mais embriagado ainda: &#8221; Não  beijo homem. E você não conhece  nada de música&#8221;. Estavam os  dois, um de cada lado de uma  mesa de ferro fundido. Chico  avançou por sobre a mesa para  beijar o ídolo e desabaram, mesa  e Chico sobre Nelson Cavaquinho, por pouco não produzindo a  tragédia mais estranha de toda  história da MPB. Ambos sobreviveram ao tombo, e eu à ressaca.</p>
<p><strong>Raízes do Brasil</strong></p>
<p>Nos anos seguintes, o país  avançou mais ainda na grande  noite da ditadura, passou pelo  caso Herzog, pelo caso Ednardo,  pelo início da abertura, passou  pelo milagre e pela moratória,  por Figueiredo e pelas diretas,  por Sarney e por Collor.</p>
<p>Ainda nos anos 70, as músicas  de Sidnei Miller permitiam aos  resistentes a celebração da solidariedade e da esperança em  dias melhores em pequenos saraus, onde abrigávamos nosso  medo. Mas foi o lírico Chico, que  fazia músicas &#8220;alienadas&#8221;, quem  passou a encarnar cada vez  mais a resistência ao arbítrio.  Não se tratava de nada politizado, ideologizado, de grupo. Era  a indignação de um homem de  caráter, explodindo em sátiras e  declarações contra os ditadores.</p>
<p>Foi ele quem rasgou o medo  quando explodiu &#8220;Apesar de Você&#8221;, que se transformou na premonição da campanha pelas  eleições diretas.</p>
<p>Recuperadas as liberdades democráticas, ser contra a ditadura voltou a ser bom negócio. O  país foi subjugado por interesses  corporativistas. Oportunistas de  toda espécie se apresentavam  como adversários da ditadura e  exigiam sua parte no butim, em  favores ou cargos.</p>
<p>Chico percebeu os novos ventos, e se recolheu. Voltou às suas  músicas líricas, a celebrar a dor-  de-cotovelo, a refletir a nostalgia da idade, a celebração das filhas se tornando mulheres, os  dissabores amorosos, os valores  eternos do sentimento humano.</p>
<p>À medida que minha geração vai chegando aos 50, fica cada vez mais claro que, para os que passaram pelos dissabores da ditadura, que acompanharam os primeiros passos do Brasil rumo à maioridade, Chico Buarque foi e continuará sendo a expressão maior das raízes do Brasil, a celebração maior do caráter nacional, o homem ao mesmo tempo internacional e profundamente Brasil.</p>
<p>Que Deus dê longa vida ao  mestre, e que seu exemplo ajude  a iluminar, cada dia, um país  que luta desesperadamente para encontrar seu rumo.</p>
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		<title>O Prêmio Portugal Telecom de literatura</title>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2009 16:08:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal Telecom]]></category>

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		<description><![CDATA[Para mim é motivo de orgulho ter ficado entre os 50 classificados. Confira a qualidade dos participantes, a partir dessa matéria do jornal Expresso, de Portugal.
Do jornal Expresso
Brasil: Seis romances portugueses disputam o Prémio Portugal Telecom de Literatura 2009
Rio de Janeiro, Brasil, 21 Mai (Lusa) -- Na lista dos 50 livros finalistas do Prémio Portugal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para mim é motivo de orgulho ter ficado entre os 50 classificados. Confira a qualidade dos participantes, a partir dessa matéria do jornal Expresso, de Portugal.</p>
<h2>Do jornal Expresso</h2>
<h3><a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=ex.stories/515878" target="_blank">Brasil: Seis romances portugueses disputam o Prémio Portugal Telecom de Literatura 2009</a></h3>
<p>Rio de Janeiro, Brasil, 21 Mai (Lusa) &#8212; Na lista dos 50 livros finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2009, divulgado na quarta-feira no Rio de Janeiro, seis são romances portugueses e outros quatro são obras de autores africanos de países de língua portuguesa.</p>
<p>Segundo o anúncio dos finalistas que concorrem à sétima edição do prémio, estão na disputa os romances: &#8220;A viagem do elefante&#8221; de José Saramago (Companhia das Letras), &#8220;A eternidade e o desejo&#8221; de Inês Pedrosa (Alfaguara &#8212; Objetiva), &#8220;Aprender a rezar na era da técnica&#8221; de Gonçalo M. Tavares (Companhia das Letras), &#8220;Cemitério de pianos&#8221; de José Luís Peixoto (Record), &#8220;Ontem não te vi em Babilónia&#8221; de António Lobo Antunes (Alfaguara &#8212; Objetiva), &#8220;Rio das flores&#8221; de Miguel Sousa Tavares (Companhia das Letras), &#8220;Predadores&#8221; do moçambicano Pepetela (Língua Geral ) e &#8220;Venenos de Deus&#8221; de Mia Couto (Companhia das Letras).</p>
<p>De poesia, foram escolhidas as obras do cabo-verdiano José Luiz Tavares &#8220;Lisbon Blues&#8221; (Escrituras Editora) e do moçambicano Luís Carlos Patraquim &#8220;O osso côncavo e outros poemas&#8221; (Escrituras Editora).<span id="more-30761"></span></p>
<p>Do total de 501 obras inscritas, 192 eram romances e, destes, 28 foram escolhidos para compor os 50 finalistas. De 178 livros de poesias inscritos, 12 foram os escolhidos nesta primeira etapa, entre eles as obras de Patraquim e José Luiz Tavares.</p>
<p>Do total de 23 contos, quatro foram os escolhidos, de crónicas três foram seleccionadas de um total de 23, e apenas uma obra de memórias autobiográficas foi escolhida entre 15.</p>
<p>Entre os autores brasileiros, estão na concorrência o ensaísta, poeta, contista e romancista Silviano Santiago; Moacyr Scliar, um dos mais conhecidos escritores brasileiros da actualidade e eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2003; além do jornalista e escritor mineiro Luiz Ruffato e do escritor Godofredo de Oliveira Neto, presidente do Conselho Director do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).</p>
<p>Segundo um dos curadores do prémio, o jornalista e escritor José Castello, este é &#8220;muito equilibrado e o conjunto muito rico&#8221;, considerando que o universo de livros inscritos é &#8220;enorme&#8221;.</p>
<p>Ele observou que neste ano houve um número crescente de concorrentes, 501 em comparação a 396 que foi o total de obras inscritas em 2008, e também de editoras, foram mais de 100, sendo que 13 editoras apresentam os 50 livros finalistas e metade das obras estão concentradas nas mãos de apenas duas editoras.</p>
<p>Mesmo assim, Castello afirma ser &#8220;um universo muito diversificado com concepções diversas sobre o que é literatura. Há uma aposta na singularidade e na potência da língua portuguesa&#8221;.</p>
<p>O curador do prémio observou que neste ano houve uma &#8220;diluição cada vez maior de géneros, e que a curadoria teve dificuldade de classificar seja em romance ou contos&#8221;.</p>
<p>Segundo Castello, &#8220;os grandes livros que estão no conjunto de finalistas são livros não de pessoas que pretendem reproduzir a realidade, mas que tentam inventar essa realidade&#8221;.</p>
<p>Por seu turno, o cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro, o embaixador António Almeida Lima, disse à Lusa que a iniciativa de um prémio de literatura em língua portuguesa é um &#8220;passo importante no sentido de integrar o mundo literário de espaços de convívio e de apreciação comum&#8221;.</p>
<p>Para Almeida Lima, é &#8220;natural e saudável&#8221; que exista uma predominância de autores brasileiros. &#8220;Significa que o Brasil, como grande produtor literário na língua portuguesa, vai tomando o seu caminho,sua posição dominante. Temos de ter cautela em falar dominância, o que interessa é o bom escritor em língua portuguesa, seja ele de Timor Leste ou do Brasil.&#8221;</p>
<p>O cônsul acredita ser um desafio integrar os escritores lusófonos e defende a necessidade de pensar a língua portuguesa como &#8220;uma língua de expressão universal&#8221;.</p>
<p>&#8220;E com esses prémios começa a ter uma expressão global, vamos trabalhar na linha da divulgação e a literatura portuguesa dos países da África vão poder aproximar-se cada vez mais com esses tipos de prémios&#8221;, assegurou.</p>
<p>Na segunda fase do concurso, a 16 de Setembro, serão divulgados em São Paulo os 10 finalistas e no final de Outubro serão anunciados os vencedores.</p>
<p>Os prémios para os três primeiros colocados é de 100 mil reais (36 mil euros), 35 mil (cerca de 12 mil euros) e 15 mil reais (5,4 mil euros), respectivamente.</p>
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		<title>Trivial de Zé do Norte</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Apr 2009 22:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Zé do Norte]]></category>

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		<description><![CDATA[Do Portal Luís Nassif
Meu Pião (Zé do Norte) # Com Fotos do filme "O Cangaceiro" de Lima Barreto
* Adicionado por Cafu

clique aqui se não estiver vendo a imagem


Zé do Norte, a pomba arribação
Crônica de 26/09/1999

Tive alguns sonhos na vida. Um, o de ter conhecido Garoto, o multiinstrumentista brasileiro. Mas ele morreu do coração em 1954, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Do Portal Luís Nassif</h2>
<h3>Meu Pião (Zé do Norte) # Com Fotos do filme &#8220;O Cangaceiro&#8221; de Lima Barreto</h3>
<p>* Adicionado por Cafu</p>
<p><a href="http://blogln.ning.com/video/meu-piao-ze-do-norte-com" target="_blank">clique aqui</a> se não estiver vendo a imagem</p>
<p><object classid="d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="never" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/SBDw5KiOQ5o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/SBDw5KiOQ5o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" allowscriptaccess="never"></embed></object></p>
<h2>Zé do Norte, a pomba arribação</h2>
<p>Crônica de 26/09/1999</p>
<p>Tive alguns sonhos na vida. Um, o de ter conhecido Garoto, o multiinstrumentista brasileiro. Mas ele morreu do coração em 1954, quando garoto era eu, com meus quatro anos de idade.</p>
<p>Conheci Luiz Gonzaga pouco depois, fazendo show em praça pública em Poços de Caldas, cidade que abrigou durante certo tempo sua segunda mulher, que padecia de problemas do pulmão, e o filho Gonzaguinha.</p>
<p>Foi um período ainda rico em Poços, que, sem a projeção dada pelo jogo, ainda preservava parte da majestade.</p>
<p>O teatrólogo Oduvaldo Vianna morou por lá um tempo com seu filho Vianinha.</p>
<p>O show de maior sucesso na rádio Cultura era o de Sebastião Leporace, exímio violonista, que compunha uma paródia diária sobre temas do momento. Sebastião era irmão do radialista Vicente Leporace, e pai de Gracinha e Fernando Leporace, que fizeram sucesso na MPB no início dos anos 70.</p>
<p>Os Índios Tabajara também passavam por lá todo ano, tocando violão nas temporadas.</p>
<p>Alguns anos depois, os Índios Tabajara estourariam nos Estados Unidos, com sua fantasia de índio-embora fossem autênticos cearenses- e uma &#8220;técnica violonística atlética&#8221;.</p>
<p>Poucos músicos brasileiros venderam tanto disco no exterior quanto eles. Soube outro dia que voltaram para o Brasil e estão morando em um sítio no Estado do Rio.</p>
<p>Meu pai tinha uma discoteca de música brasileira de primeiríssima, ainda na época dos discos de 78 rotações. Apreciava &#8220;Dora&#8221;, de Caymmi -em homenagem ao qual batizei minha filha caçula- , Inezita, Ivon Cury e seu &#8220;Amendoim Torradinho&#8221;.</p>
<p>Mas um dos autores que ele mais gostava era Zé do Norte. Zé era um Luiz Gonzaga mais rústico e sem carisma.</p>
<p>Estourou no Brasil com a música &#8220;Lua Bonita&#8221;, da trilha sonora do filme &#8220;Lampião, Rei do Cangaço&#8221;. Foi uma das músicas que marcaram a nossa infância.</p>
<p>Quase toda noite, minha mãe juntava os filhos no quarto e, enquanto meu pai ia fechar a farmácia, cantava &#8220;Lua Bonita&#8221; com sua voz límpida: &#8220;Lua bonita / se tu não fosse casada / eu ponhava uma escada / e ia no céu te beijar / E se colasse teu frio com meu calor / pedia a Nosso Senhor / pra contigo me casar&#8221;.</p>
<p>Essa era a mais conhecida. Mas havia um conjunto de baiões e xaxados rústicos que colocavam o Nordeste inteiro na sala de nossa casa, quando executados na vitrolinha.</p>
<p>Havia o &#8220;Ô Zé, quando for para a lagoa / toma cuidado com o balanço da canoa / Ô Zé, faça tudo que quiser / só não me roube o amor dessa mulher&#8221;.</p>
<p>Eu dormia sonhando com essa lagoa escura que temia, mas que ao mesmo tempo me atraía por seu perigo e por ser lagoa, que sempre imaginei como um lago calmo.</p>
<p>A música mais pungente de Zé do Norte das que eu conheci era &#8220;Pomba Arribação&#8221;, um monumento à tristeza nordestina, à seca e aos retirantes, que já sensibilizavam as cabeças infantis da minha geração.<br />
A pomba arribação era o último ser vivo que abandonava o sertão.Quando isso ocorria, nada mais havia a se fazer.</p>
<blockquote><p>&#8220;Pomba arribação quando foge do sertão / deixa tudo em tristeza / deixa tudo em solidão / ai, ai, hum hum hum, ai meu Deus, que maldição&#8221;.</p></blockquote>
<p>A música tinha uns versos lindos na sequência e terminava com: &#8220;quando a noite vem chegando / por detrás da serrania / o vaqueiro dá o aboio / se despedindo do dia&#8221;. Pareciam puros versos de Patativa do Assaré.<br />
Anos atrás, Zé do Norte apareceu reivindicando a autoria de uma novela de Dias Gomes. Pouca gente levou a sério. Depois, soube que ele estava agasalhando sua velhice no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá.</p>
<p>Outro dia, numa lista de discussão de música popular, me informaram que ele teria falecido em 1979 -tudo isso?</p>
<p>Às vezes acho que esse meu ritmo profissional anda me atrapalhando muito cultivar melhor os meus velhinhos.</p>
<p>Durante anos fiz planos de conhecer Zé do Norte, da mesma maneira que gostaria de ter conhecido os sambistas Antônio Almeida e o coronel Luiz Antônio- de &#8220;Lata D&#8217;Água na Cabeça&#8221; e &#8220;Barracão&#8221;.<br />
Esses, não deu, mas ainda vou conhecer o Paulo Soledade (de &#8220;Vê, estão voltando as flores&#8221;) e o violinista Fafá Lemos, antes que me aprontem uma falseta.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Brasil e os sons da infância</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 23:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Coluna Econômica - 19/04/21
No meio da entrevista para falar do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em Belo Horizonte, a Ministra Dilma Roussef embatucou. Começou a falar de Minas, do sotaque de Minas, dos sons da sua infância e balançou.


A Ministra era leitora das crônicas que eu escrevia aos domingos na Folha, especialmente as que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Coluna Econômica &#8211; 19/04/21</h2>
<p class="western">No meio da entrevista para falar do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em Belo Horizonte, a Ministra Dilma Roussef embatucou. Começou a falar de Minas, do sotaque de Minas, dos sons da sua infância e balançou.</p>
<p><object classid="d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="392" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="quality" value="high" /><param name="FlashVars" value="midiaId=1006061&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392" /><param name="src" value="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="392" src="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" flashvars="midiaId=1006061&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392" quality="high"></embed></object></p>
<p>A Ministra era leitora das crônicas que eu escrevia aos domingos na Folha, especialmente as que falavam de Minas. Em um encontro recente, presenteei-a com &#8220;A Casa da Minha Infância&#8221;, lançado no final do ano passado com algumas das crônicas familiares. Antes de começar a entrevista, ela começou a folhear o livro, procurando coisas por lá, uns cinco minutos folheando, até eu perceber o que ela procurava: Minas e trechos que pudessem lembrar a casa da sua infância.</p>
<p class="western">Disse-lhe, então, que, desde que nossa casa foi vendida em Poços e me mudei da cidade, nunca mais substitui a casa da minha infância. Era como se tivesse sido inquilino de todas as outras. Ela ficou em silêncio, balançou a cabeça concordando e admitiu que, com ela ocorreu o mesmo. Até hoje está atrás da casa da sua infância.</p>
<p class="western">***</p>
<p class="western">Lembro-me quando escrevi a crônica &#8220;Ritual da passagem&#8221;, imaginando a cena da morte, com as diversas gerações reunidas no mesmo ambiente e o ponto nobre da mesa ocupado por meu pai e meu avô, do Delfim me enviar um email emocionado. Me surpreendi com a manifestação de um homem que viu de tudo na vida, um cético militante em relação à natureza humana.</p>
<p class="western">***</p>
<p class="western">Para nós, esses reencontros e afastamentos permanentes com a infância dói. Imagino nas figuras públicas, sabendo que, depois de feita a opção, terão apenas alguns minutos por semana, nos intervalos do dia-a-dia massacrante, para celebrarem, sozinhos, o acervo de afetos da infância. Imagino o Serra lembrando da banca do seu pai no mercado, o Lula lembrando do regaço materno para compensar a miséria e a fome, o Aécio lembrando o avô contando histórias da vida, o Ciro rememorando a saga familiar.</p>
<p class="western">***</p>
<p class="western">Por trás dessas rememorações, há o elo, o vínculo com as gerações anteriores, com os princípios que ajudaram a construir e a passar para frente, com esse acervo de emoções, valores e histórias. É assim que se formam povos e se constroem nações.</p>
<p class="western">No fundo, o trabalho diário para melhorar o país, é como uma homenagem, uma prestação de contas, um compromisso com os que vieram antes. É como se disséssemos a eles: pegamos o bastão e não vamos deixar a peteca cair. Fiquem sossegados que trataremos de entregar um país melhor aos seus netos e bisnetos.</p>
<p class="western">***</p>
<p class="western">Nessas últimas décadas, os valores nacionais foram jogados de lado. Uma falsa noção de internacionalismo julgava a última moda a crítica impiedosa ao Brasil, ao modo de ser brasileiro.</p>
<p class="western">Com o fim do ciclo financeiro, ocorre uma redescoberta dos valores nacionais, volta o “orgulho de ser brasileiro”. É esse sentimento, são os sons da infância, são as recordações das cantigas infantis, a lembrança dos pitos paternos, dos conselhos maternos que vão construindo a escala de valores que permitirá ao país, a cada geração, tocar o bonde e sonhar com avanços, com progresso, com redução das desigualdades sociais.</p>
<p class="western">Que o dia de Tiradentes ajude nessas reflexões.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A história de Maria dos Impossíveis</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2009 11:16:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Chagas]]></category>
		<category><![CDATA[Maria dos Impossíveis]]></category>

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		<description><![CDATA[Confira que bela história levantada pelo repórter Eduardo Geraque, da Folha, "enviado especial a Lassance", MG,  sobre a filha que Carlos Chagas.

Não fosse a praga do manual engessando a criatividade e impondo matérias curtas, daria fácil uma página bem ilustrada. Pergunta-se porque o jornalismo atual não tem novos Ricardo Kotscho ou José Roberto Alencar ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Confira que bela história levantada pelo repórter Eduardo Geraque, da Folha, &#8220;enviado especial a Lassance&#8221;, MG,  sobre a filha que Carlos Chagas.</p>
<p>Não fosse a praga do manual engessando a criatividade e impondo matérias curtas, daria fácil uma página bem ilustrada. Pergunta-se porque o jornalismo atual não tem novos Ricardo Kotscho ou José Roberto Alencar ou José Hamilton RIbeiro. Simples: porque não deixam. Uma cidade mineira chamada Lassance, uma personagem de nome Maria dos Impossíveis, um pai cientista famoso e um repórter com sensibilidade, só faltou espaço para uma grande matéria.</p>
<p><span style="font-size: large"><strong>Chagas foi pai de farmacêutica, diz população local </strong></span> <!--Fotografia/Auto/Inicio--> <!--FOTO--></p>
<table border="0" width="320">
<tbody>
<tr>
<td><span>Lalo de Almeida/Folha Imagem</span><br />
<img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/d1304200901.jpg" border="0" alt="" /></td>
<td valign="bottom"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span><em>Antiga estação ferroviária de Lassance, onde Carlos Chagas improvisou um posto de saúde dentro de um vagão de trem, em 1909</em></span><br />
<!--/FOTO--> <!--Fotografia/Auto/Final--><span><strong>DO ENVIADO ESPECIAL A LASSANCE (MG) </strong><br />
</span><br />
Uma história ainda pouco conhecida sobre a Lassance antiga é o nascimento de Maria dos  Impossíveis Franco, farmacêutica cuja paternidade é atribuída a Carlos Chagas. Um historiador da região, Moisés Vieira  Neto, resgatou sua biografia  com relatos de pessoas que  conviviam com ela. No livro  &#8220;Lassance, o berço histórico de  Dr. Carlos Chagas&#8221;, ele conta  que o médico reconheceu a filha, mas não publicamente.</p>
<p>A mãe da menina era Tercília  Ribeiro, funcionária do médico  quando ele viveu em Lassance.  Descendente de escravos, a  mulher &#8220;morreu no parto&#8221;,  contou Letícia Prado Ferreira,  84 anos, à Folha. Moradora de  Lassance, dona Letícia, que foi  professora autodidata, lembra  bem de Maria dos Impossíveis.</p>
<p>&#8220;Ela nunca se gabava [de ser  filha do Carlos Chagas]. Na cidade, todo mundo sabia. Mas a  própria Maria, quando questionada, falava &#8220;dizem que sou&#8221;.&#8221;</p>
<p>Maria dos Impossíveis se  mudou para o Rio de Janeiro  criança, enviada pela avó. Recebeu toda a atenção de Chagas  e foi criada por um amigo dele,  que lhe permitiu estudar.</p>
<p>Formada farmacêutica, trabalhou no Instituto Manguinhos. &#8220;Jamais esqueceu Lassance&#8221;, diz dona Letícia.</p>
<p>&#8220;Mandava sempre roupa e remédios. Aqui, quando vinha, dava sopa aos pobres&#8221;. Maria dos Impossíveis não teve filhos com nenhum dos dois maridos. Está enterrada em Lassance num túmulo mal cuidado. <span><strong> (EG)</strong></span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Causos de 1o de abril</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 13:33:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[1o de abril]]></category>
		<category><![CDATA[barriga]]></category>
		<category><![CDATA[mentira]]></category>

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		<description><![CDATA[Por foo
O Boimate completa 23 anos

Em 1º de abril de 1986, a revista New Scientist publicou a famosa brincadeira do boimate. Semanas depois, a VEJA publicou:

"Num ousado avanço da biologia molecular, dois biólogos de Hamburgo, na Alemanha, fundiram pela primeira vez células animais com células vegetais - as de um tomateiro com as de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Por foo</h2>
<p>O Boimate completa 23 anos</p>
<p>Em 1º de abril de 1986, a revista New Scientist publicou a famosa brincadeira do boimate. Semanas depois, a VEJA publicou:</p>
<p>&#8220;Num ousado avanço da biologia molecular, dois biólogos de Hamburgo, na Alemanha, fundiram pela primeira vez células animais com células vegetais &#8211; as de um tomateiro com as de um boi. Deu certo.&#8221;</p>
<p>Que outras brincadeiras de 1º de abril vocês se lembram?</p>
<h2><strong><span class="row-title">Por DeSola</span></strong></h2>
<p>Essa do boimate deixou um  velho médico veterinário furioso.</p>
<p>Domingos Archangelo escreveu ao Jornal da Tarde uma carta colérica contra a ” a violação das leis naturais”. Segundo ele, ” do alto dos meus 76 anos, não posso ficar calado ante tal afronta às leis divinas. Boi nasceu para pastar, para puxar os saudosos carros do interior e para nos oferecer sua saborosa carne. E tomate, além das notórias qualidades que se lhe imputam na cozinha, serve também para ser arremessado à cabeça de quem perpetra tal montruosidade e, também, dos que dão guarida e incentivam tais descobertas”.</p>
<p>…..hehehe, mas  o teor da carta revela que o  velhinho devia ser uma pessoa muito singela.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A tragédia de Barbosa</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/03/31/a-tragedia-de-barbosa/</link>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2009 21:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[Maracanã]]></category>

		<guid isPermaLink="false"><![CDATA[http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/?p=29716]]></guid>
		<description><![CDATA[Do Portal Luís Nassif
Do Blog de Elizabeth Lorenzotti
Um conto: Muito mais de onze fraturas
A desgraça do goleiro Barbosa, que tomou o gol que tirou no Brasil a conquista do titulo, no mundial de 1950, contra o Uruguai, realizado no Maracanã, me inspirou, faz tempo, este conto.

Não entendo nada de futebol, mas me fascina o lado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Do Portal Luís Nassif</h2>
<p>Do Blog de Elizabeth Lorenzotti</p>
<h3><a href="http://blogln.ning.com/profiles/blogs/um-conto-muito-mais-de-onze" target="_blank">Um conto: Muito mais de onze fraturas</a></h3>
<p><img class="alignleft" style="float: left" src="http://api.ning.com/files/rG3c4uY1fhVPuBOIDv4eyCIUJrzgkkRoeIDOMf3c8Fc7TUh83GHOyUcto33Vbz7yeQ8JpJmYZFMAS7y2EIhVo8OiNqKqFSW-/barbosa.jpg" alt="" width="295" height="349" />A desgraça do goleiro Barbosa, que tomou o gol que tirou no Brasil a conquista do titulo, no mundial de 1950, contra o Uruguai, realizado no Maracanã, me inspirou, faz tempo, este conto.</p>
<p>Não entendo nada de futebol, mas me fascina o lado humano de seus personagens.</p>
<p>Pra ele doía muito mais que fratura. Meu amigão, colega do grupo escolar. Saudade das peladas, eu era lateral direito, ele goleiro.Parecia um gato, o camarada! Mudou pra São Paulo, trabalhava numa firma lavando vidro e lá mesmo, jogando na fábrica, foi contratado pelo Ypiranga, por volta de 1940. Ele era do 1921, o senhor faz as contas, tinha 19 anos.</p>
<p>No 1943, o Barbosa já era dos melhores goleiros paulistas, daí o Domingos da Guia indicou ele pro Vasco em 44, em 45 já estava no escrete brasileiro. Mas naquele 16 de julho de 50, contra o Uruguai&#8230; (<a href="http://blogln.ning.com/profiles/blogs/um-conto-muito-mais-de-onze" target="_blank">continua</a>)<span id="more-29716"></span></p>
<h2><strong><span class="row-title">Por Sergio de Moraes Paulo</span></strong></h2>
<p>A quem interessar possa,</p>
<p>vi uma palestra do Barbosa na década de 1990, quando o Depto de Geografia da USP fez uma semana de debates sobre a Geografia e o Futebol.</p>
<p>Na ocasião, vi um pedaço da história brasileira, com pele negra, velho e ignorado por muitos que acham que gostam do país.</p>
<p>Barbosa surpreendeu a todos quando disse o que havia comido no dia da final contra o Uruguai. Disse que almoçou uma folha de alface.</p>
<p>Estava concentrado num hotel no RJ, e durante o almoço, deputados, senadores, governadores e prefeitos tiravam fotos com os “campeões”.</p>
<p>Disse também que a seleção, esfomeada e convencida pela imprensa e políticos de que seria campeã, foi para o Maracanã em carro aberto do corpo de Bombeiros.</p>
<p>A seleção Brasileira, a CBD, a imprensa e uma boa parte da população brasileira contou vitória antes do tempo. Na opinião de Barbosa, um velho sábio, a seleção brasileira perdeu por uma única razão: o Uruguai<br />
jogou melhor.</p>
<p>Chorando, Barbosa terminou sua fala dizendo que no Brasil o pior dos criminosos fica na cadeia no máximo 30 anos. E que ele, mais de 40 depois, ainda não havia sido absolvido de um crime que não havia<br />
cometido.</p>
<p>Ele pediu a todos que dessem essa versão. Sou professor e como educador, sempre conto essa história aos meus alunos quando vejo euforia desmedida, como a que tivemos em relação a Deigo Hipólito e<br />
Daiana dos Santos.</p>
<p>Mas de 50 anos se passaram e não aprendemos a lidar com ansiedade coletiva e falsas expectativas. Assim como não aprendemos a conter uma certa vaidade insana diante de casos como esses.</p>
<p>Barbosa tinha muito a ensinar. Lamentavelmente, pouco o ouviram ao longo de sua vida.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Jean Charles de Menezes ou Morrer por Engano</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/03/22/jean-charles-de-menezes-ou-morrer-por-engano/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Mar 2009 00:53:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Jean Charles]]></category>
		<category><![CDATA[Urariano Mota]]></category>

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		<description><![CDATA[Do Portal Luís Nassif
Do Blog de Urariano Mota
Há várias maneiras de morrer por engano. Todas contra a própria vontade. Pensei há pouco que poderíamos morrer por engano também como fruto da nossa vontade. Por exemplo, procurar o suicídio quando nem tudo ainda está perdido. Algo como matar-nos em um processo de uma doença incurável, assim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Do Portal Luís Nassif</h2>
<h3><a href="http://blogln.ning.com/profiles/blogs/jean-charles-de-menezes-ou" target="_blank">Do Blog de Urariano Mota</a></h3>
<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/files/2009/03/snn0209c280_382566a.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-29565 alignleft" style="float: left" src="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/files/2009/03/snn0209c280_382566a-215x300.jpg" alt="" width="215" height="300" /></a>Há várias maneiras de morrer por engano. Todas contra a própria vontade. Pensei há pouco que poderíamos morrer por engano também como fruto da nossa vontade. Por exemplo, procurar o suicídio quando nem tudo ainda está perdido. Algo como matar-nos em um processo de uma doença incurável, assim diagnosticada por erro médico. Matar-nos por ausência absoluta de esperança, quando nem todas as possibilidades foram ainda perdidas. Depois, considerei que isto seria mais propriamente um matar-se por engano. Por isso reafirmo que todas as maneiras de morrer por engano se dão contra a vontade própria.</p>
<p>Pode-se até dizer, se nos permitem um rápido aprofundamento, que há modos de morrer por engano mais e menos cruéis. E entre os menos, incluiria os equívocos de pátria. Por exemplo, um indivíduo latino, ou europeu, lutar sob a bandeira norte-americana no Iraque. E quando menos espera, o seu veículo explode. Ou então, de outra maneira, posar ao lado de Bush em sua última foto, um segundo antes. Isto é morrer por engano, mas de uma forma menos cruel, porque repentina e com um calculado risco. Ou então, de um modo mais inocente, errar-se a avenida, o restaurante, o hotel, o país, e ser jogado, de repente, em uma zona de balas, de tiros, ou de extraordinária onda gigante. Isto também é morrer por engano, de uma forma dura, como todas as mortes, mas ainda assim, se permitem uma gradação, de uma forma menos crua e cruel.<span id="more-29564"></span></p>
<p>Dos modos mais duros e terríveis, pensamos nos sentenciados, nos condenados inocentes, nos miseráveis que fazem parte do gênero humano dos criminosos de sempre, e por isso aguardam a morte em um corredor. Mas ainda estes, até a última hora, esperam um esclarecimento último, um indulto, uma salvação de misericórdia, antes que o padre ou o pastor venha cumprir o papel de encomendá-los para o céu da execução. Por isto concluímos que poucas mortes de morrer por engano são tão cruéis e desprezíveis quanto o ser caçado como um cão. Como um cão, que digo?, caçado como uma raposa. Cercado, derrubado, imobilizado, e de olhos vítreos ver o brilho e a luz do tiro uma fração de segundo antes, antes que se lhe arrombe e arranque o cérebro.</p>
<p>O brasileiro, o cão, a raposa, esse animal híbrido, sem espécie e sem definida raça, de nome Jean Charles de Menezes morreu por engano assim, abatido com oito tiros. Morte dura e vil, que até a um cão, que até a uma raposa, que até a um coelho, seria prova de manifesta perversão e crueldade. Que dirá a um humano, perdão, Blair, perdão, Bush, perdão, súditos ingleses apavorados, que dirá a um ser assemelhado a humano? Ainda que seja natural de um país de samba e mulatas exóticas, boas para a cama e para o turismo, ainda assim, e apesar disso, será que esse inferior mereceria um fim de animal raivoso em Londres?</p>
<p>Nada de nacional, nada de nacionalismo, compreendam. Longe de nós a intenção de exigir, que digo, de reclamar, sorry, queremos dizer, de suplicar em voz baixa, humilde, um tratamento diferente para brasileiros. Até porque as primeiras notícias divulgaram que havia sido morto um asiático. Ah, bom, se é um asiático, o mundo não treme, suspiravam todos os nacionalismos de olhos bons, os do ocidente. Assim diziam porque o terrorista morto tinha uns olhinhos meio apertados, meio amendoados, que são um primeiro sinal de um mundo exótico, secundário, sem importância, para lá do Oriente. Depois, surprise, viram que do caldeirão de misturas do Brasil também se exportam bombas de olhinhos puxados, à chinesa, a povos indígenas da américa. Depois, shit, viram que no solo do metrô aquela massa inerte, antes alegre, que batia samba e sorria para as fotos da família, mamãe, venci na europa, depois viram que aquela mula sem cabeça nem mesmo era um terrorista. Sorry, what a pity, ladies, dogs and gentlemen.</p>
<p>Nada de nacionalismo, portanto. Sabemos todos que os ingleses não tratam assim a seus cachorros. Não existe no mundo povo que mais ame a esses pops, pups, todos, até prova em contrário, cachorrinhos animais de estimação. Que graça possuem a passear com os seus melhores amigos puxados por correntes nas ruas de Londres! Quanto amor, dizem até, os maldosos, quanto afeto dedicado a um semelhante. Não, a humanidade inglesa não trata assim a cachorros. Se existe uma voz de comando para matar, para atirar na cabeça de seres que se movem, essa ordem não será contra cães. É para algo muito baixo e nocivo, menos, muito menos que dogs, embora ande (simule andar), fale (simule a fala), pense (simule o pensar) e sorri (simule o sorrir). Um algo que o terror chama de terrorista. Ah, bom, sendo assim está certo. O terrorismo contra o terror. Ou o terror contra o terrorismo. Não se sabe. A ordem dos conceitos ainda não é certa.</p>
<p>Mas uma coisa se sabe, uma coisa é clara, límpida, objetiva, e sem qualquer zona ou sombra de dúvida. O terrorista tem cara. O terrorista tem raça. O terrorista tem nacionalidade. O terrorista tem credo, língua, classe e região. A cabeça mais que digna de ser explodida a tiros já está determinada. O terrorista somos nós, povos do terceiro mundo. O terrorista somos nós, muçulmanos. O terrorista somos nós, asiáticos. O terrorista somos nós, negros, mestiços, latinos e assemelhados. O terrorista somos todos não nascidos com os caracteres identificáveis na massa de cães e de hooligans. A nossa cabeça é o alvo, e quanto mais escura mais será o alvo, a mira, o fim. A nossa cabeça é Jean Charles de Menezes.</p>
<p>Quando li o relato de uma testemunha do assassinato de Jean Charles, que compreendeu os olhos do homem imobilizado no chão, depois, pelas fotos&#8230;</p>
<p>&#8220;Se você olhar as fotos, os olhos dele pareciam ser pequenos, mas, quando vi o rosto dele por apenas um segundo, porque foi tudo muito rápido, os olhos dele estavam bem, bem abertos. Ele parecia muito, muito assustado&#8221; que,</p>
<p>quando viu esse relato, meu estômago sentiu um soco. Os olhinhos pequenos que se abriam espantados, com uma pistola apontada contra a sua cabeça, eram os meus, os nossos, dos nossos filhos, irmãos, de todos os povos não britânicos. Os olhinhos asiáticos de todos nós, terroristas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Causos impagáveis</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Mar 2009 19:30:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[causos]]></category>

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		<description><![CDATA[O Stanley Burburinho colocou no Fora de Pauta uma coleção de "causos" impagáveis.

A fontes dos causos, que ele indica, é esta: clique aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Stanley Burburinho colocou no Fora de Pauta uma coleção de &#8220;causos&#8221; impagáveis.</p>
<p>A fontes dos causos, que ele indica, é esta: <a href="http://kauzusdibamba.blogspot.com/2007_02_01_archive.html" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Trivial distraído</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 23:40:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Clarice Lispector]]></category>
		<category><![CDATA[Trivial]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Renata Nassif

LN sempre foi meio avoado. Ele conta que uma das primeiras comunicações da escola para seus pais elogiava seu comportamento e suas notas, com um adendo "continua distraído como um sábio".

Esses dias, me disse que seu telefone celular estaria grampeado, porque a secretária não conseguia fazer ligações e, quando conseguia, outra pessoa atendia. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Renata Nassif</strong></p>
<p>LN sempre foi meio avoado. Ele conta que uma das primeiras comunicações da escola para seus pais elogiava seu comportamento e suas notas, com um adendo &#8220;continua distraído como um sábio&#8221;.</p>
<p>Esses dias, me disse que seu telefone celular estaria grampeado, porque a secretária não conseguia fazer ligações e, quando conseguia, outra pessoa atendia. Pensei cá com meus botões: que grampeador distraído, atendendo o telefonema do grampeado! Hoje estava um tumulto no escritório, todos atrás de LN e um tal de Francisco teimava em atender o telefone dele, LN. Me pediram para tentar, LN atendeu normalmente. Já falaram em clone, em boicote, aquelas coisas. Calejada com esse distraído, fui verificar e é lógico que ele havia passado o número errado para a secretária, que passou para o motorista e diversos outros contatos de LN. Coitado do Francisco! Vai ficar atendendo telefonema para um tal de Nassif por um bom tempo! Pensei em ligar para ele e pedir que fizesse a gentileza de dar às pessoas o número certo, haha, mas achei que podia ser um pouco de abuso</p>
<p>E, com vocês, um pouco de <strong>Clarice Lispector</strong> contando como, às vezes, a distração é essencial na vida.</p>
<p><strong>POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS</strong></p>
<blockquote><p>Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque &#8211; a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras &#8211; e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.</p>
<h2>Comentário</h2>
<p>No aeroporto, ontem, terminei o café, levantei da mesa e fui em direção ao portão de embarque. Uma mocinha muito simpática bateu no meu ombro: o senhor esqueceu uma coisa na mesa. Era minha mala, aquele objeto grande, maior do que carteira, pasta de computador.</p></blockquote>
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		<title>A origem  da fibra de Amaral Gurgel</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 13:36:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Carolina Amaral Gurgel]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebo um telefonema inesquecível de dona Carolina Amaral Gurgel, viúva do João do Amaral Gurgel.

Ela já tinha deixado um recado na nota sobre o marido - que vocês rechearam com declarações de amor pelo carrinho e de admiração pelo Gurgel. Ficou especialmente tocada com o comentarista que disse que, quando morresse, gostaria de ser enterrado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebo um telefonema inesquecível de dona Carolina Amaral Gurgel, viúva do João do Amaral Gurgel.</p>
<p>Ela já tinha deixado um recado na nota sobre o marido &#8211; que vocês rechearam com declarações de amor pelo carrinho e de admiração pelo Gurgel. Ficou especialmente tocada com o comentarista que disse que, quando morresse, gostaria de ser enterrado no seu Gurgel</p>
<p>Na conversa com dona Carolina, dá para perceber de onde vinha parte da garra impressionante de Gurgel. Nada de olhar para trás, de lamber feridas e chorar incompreensões. &#8220;Quem está na chuva é para se molhar&#8221;, diz ela.</p>
<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/files/2009/02/gurgel.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-28817 alignleft" style="float: left" src="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/files/2009/02/gurgel-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a>Dona Carolina passou 52 anos casada, os últimos sete cuidando do marido vencido pelo mal de Alzheimer. &#8220;Tenho lembranças maravilhosas daquele maluco de carteirinha&#8221;, conta ela. Dia desses, se pilhou rindo sozinha, lembrando-se do único dia em que ele a ameaçou. Ela foi beijá-la de noite e ele, entorpecido pela doença, julgou estar sendo atacado por alguma ninfa.</p>
<p>Foram sete anos cuidando da doença do marido, praticamente sozinha. Dona Carolina achava que se juntasse muita gente em volta haveria muita fofoca.</p>
<p>Como o inferno astral dura sete anos, agora o jogo será outro. Ela voltou a praticar sua ginástica no Paulistano e está cheia de planos de arrumar a casa, que ficou meio abandonada pela dedicação ao marido.</p>
<p>Agora, se define como uma &#8220;velhinha computadorizada&#8221;. Já armazenou os comentários  carinhosos de vocês e está trabalhando com um photoshop para colocar seu retrato na rede.</p>
<p>Ela manda um beijo carinhoso para todos os admiradores de João do Amaral Gurgel.</p>
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		<title>Irlanda, o ex-tigre europeu</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 09:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Irlanda]]></category>
		<category><![CDATA[modelos tecnológicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Coluna Econômica - 08/02/2009
Até meados do ano passado, a Irlanda era apontada como o grande exemplo a ser seguido pelo Brasil. Nos anos 80, procedeu a um forte ajuste fiscal. Depois, a um estudo sobre os novos setores da economia. Identificou os mais promissores e montou uma plataforma de exportação para toda a Europa.

Durante anos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Coluna Econômica &#8211; 08/02/2009</h2>
<p>Até meados do ano passado, a Irlanda era apontada como o grande exemplo a ser seguido pelo Brasil. Nos anos 80, procedeu a um forte ajuste fiscal. Depois, a um estudo sobre os novos setores da economia. Identificou os mais promissores e montou uma plataforma de exportação para toda a Europa.</p>
<p>Durante anos seu PIB teve crescimento asiático.</p>
<p>Agora, o país naufraga. Grandes multinacionais estão transferindo suas unidades para países do Leste Europeu. Seu sistema bancário está em pandarecos; o desemprego pode chegar a 12% até o final do ano. Primeiro país da Europa a ser considerado AAA (a melhor classificação) pelas agências de risco, agora começa a ser rebaixado. O déficit público poderá chegar a 9,5% em 2009.<span id="more-28652"></span></p>
<p>***</p>
<p>O modelo irlandês de exportações começou a ser moldado nos anos 60. Em 1986, a relação dívida/PIB era de 116% e o déficit público nominal de 7% do PIB. Eleito primeiro-ministro, Charles Laughey deu início a um forte ajuste fiscal, com a eliminação de 10 mil empregos públicos e corte de 16% nos gastos da conta capital. Em 1987 o país já tinha superávit primário (sem contar os juros) e dez anos depois superávit nominal.</p>
<p>A partir de 2.000, houve redução significativa na tributação de pessoas físicas e jurídicas. A Irlanda passou a ostentar uma das menores cargas tributárias da Europa. Parecia que se tinha chegado ao desenvolvimento.</p>
<p>***</p>
<p>Em outubro do ano passado, o economista Glauco Arbix (ex-presidente do IPEA) terminou um trabalho analisando o modelo tecnológico de sete países &#8211; para servir de subsídio a futuras políticas tecnológicas brasileiras.</p>
<p>***</p>
<p>Além do ajuste fiscal, Irlanda fechou um pacto de desenvolvimento de todas as forças políticas do país, em torno do National Economic and Social Forum, o National Competitiveness Council e o National Economic and Social Council.</p>
<p>O modelo foi muito bem sucedido, até que os custos de produção interno se tornassem excessivamente elevados, quando comparados aos da China e do Leste Europeu.</p>
<p>Aí começaram a aparecer as fragilidades do período anterior, conforme mapeado pelos estudos conduzidos por Arbix:</p>
<p>1. As multinacionais transformaram a Irlanda numa plataforma exportadora. Mas as empresas irlandesas continuam pequenas, têm produtividade baixa e são pouco internacionalizadas.</p>
<p>2. A mão-de-obra irlandesa é educada. Mas a tradição de pesquisa básica em ciência e tecnologia é muito pequena e recente. As universidades irlandesas, mesmo contando com a ajuda de Institutos de Tecnologia enfrentam sérias dificuldades para orientar suas atividades para cursos de pós-graduação modernos, capazes de enfatizar o empreendedorismo e a interação com as empresas.</p>
<p>3. As multinacionais fazem P&amp;D, ainda que timidamente. Os programas governamentais de atração de centros de pesquisa dessas grandes empresas ainda não deram os frutos esperados.</p>
<p>***</p>
<p>O que mostra que ajuste fiscal pode ser condição necessária, mas não suficiente para levar ao desenvolvimento sustentado.</p>
<p>Aqui, três trabalhos para entender essa discussão.</p>
<p>http://www.slideshare.net/LuisNassif/o-modelo-irlandes<br />
http://www.slideshare.net/LuisNassif/irlanda-ajuste-e-crescimento<br />
http://www.slideshare.net/LuisNassif/xirepict-glauco-arbix-manha-20-10-2008</p>
<div id="__ss_996838" style="width: 425px;text-align: left"><a title="Estratégia"></a></p>
</div>
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		<item>
		<title>Trivial de Dolores Duran</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 22:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Erudita Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Fora de Pauta]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[bossa nova]]></category>
		<category><![CDATA[Dolores Duran]]></category>
		<category><![CDATA[ue u]]></category>

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		<description><![CDATA[Creio que falta uma reavaliação mais aprofundada da importância da Dolores Duran na formação da moderna música popular brasileira.

Em geral, ela é conhecida pelos sambas canções de fossa e pelas parcerias com Tom Jobim. É muito mais do que isso.

A parte essencial da bossa nova é a síntese com as demais formas de manifestação da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Creio que falta uma reavaliação mais aprofundada da importância da Dolores Duran na formação da moderna música popular brasileira.</p>
<p>Em geral, ela é conhecida pelos sambas canções de fossa e pelas parcerias com Tom Jobim. É muito mais do que isso.</p>
<p>A parte essencial da bossa nova é a síntese com as demais formas de manifestação da música brasileira, especialmente o samba sincopado, o samba canção (bolero) e o samba choro. Além do jazz, presente nas harmonias e nas formas de interpretação de três grandes cantores negros: Johnny Alf, Agostinho dos Santos e Alaide Costa.</p>
<p>Havia no movimento um grupo dotado de enorme preconceito com essas formas populares de música. É o pessoal que julga que a bossa-nova representou uma ruptura &#8211; e não uma continuidade.</p>
<p>Recentemente, o próprio Rui Castro admitiu que João Gilberto fez a síntese entre vários elementos do que havia de mais embalado e sofisticado na música brasileira de então, tese que não admitiu em seu livro.</p>
<p>Pois Dolores foi o lado feminino dessa história. Antes da bossa nova, transitou pelo baião. Nessa relação de músicas abaixo, você a ouvirá interpretando o sincopado de Geraldo Pereira, os sambas pulados, a música de fosse, o samba canção. Uma senhora intérprete, sem preconceito musical.<br />
<object classid="d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="335" height="85" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.divshare.com/flash/playlist?myId=6448227-c29" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="335" height="85" src="http://www.divshare.com/flash/playlist?myId=6448227-c29"></embed></object></p>
<p><a href="http://www.divshare.com/playlist/479426-bb6" target="_blank">Clique aqui</a> se não estiver acessando.</p>
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		<item>
		<title>Sobre crônicas poéticas</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/01/13/sobre-cronicas-poeticas/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Jan 2009 19:30:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Do Blog Fênix em Verso e Prosa
Por Renata
e sobre a insônia, o dia inteiro
13, Janeiro, 2009 por Fênix

insônia. eu deveria trabalhar. eu deveria escrever, eu deveria fazer uma mágica, um feitiço, macumba - "simpatia do amor, pague só depois do resultado" - para ver se você volta. mas nem sobre a rejeição eu sei escrever [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Do Blog Fênix em Verso e Prosa</h2>
<h3>Por Renata</h3>
<h3><a href="http://versoeprosa.wordpress.com/2009/01/13/e-sobre-a-insonia-o-dia-inteiro/" target="_blank">e sobre a insônia, o dia inteiro</a></h3>
<p>13, Janeiro, 2009 por Fênix</p>
<p>insônia. eu deveria trabalhar. eu deveria escrever, eu deveria fazer uma mágica, um feitiço, macumba &#8211; &#8220;simpatia do amor, pague só depois do resultado&#8221; &#8211; para ver se você volta. mas nem sobre a rejeição eu sei escrever e minhas tentativas desajeitadas são patéticas porque se esbarram na mediocridade que, agora em rasgo de sinceridade insone, eu ouso admitir. admito agora, enquanto  o silêncio é perturbado por rugido de carro, alguém que foge de si mesmo em sua própria angústia noturna. minha é esta insônia de excessos, é assim como naquele dia em que eu resolvi pintar um quadro com tinta a óleo e exagerei tanto, misturei tanto, errei tanto &#8211; no meu afã de querer tudo, de pintar como quem engole o mundo, de querer impressionar você a qualquer custo, de querer disfarçar meus dedos medíocres, estes que nem escrevem nem desenham, só se contorcem &#8211; errei tanto que ficou aquele borrão pardo, indefinido, indecifrável. um auto-retrato involuntário. e é assim minha insônia. nem durmo nem faço nada. eu penso em você. eu penso em você o tempo todo, noite-e-dia, dia-e-noite, este velho hábito que custa a morrer; este mau hábito que eu não deixo morrer para não ficar sozinha demais. para que meu silêncio seja povoado pela falta, pelo eterno ansiar; para preencher de angústia as lacunas estéreis da minha vida medíocre. ontem, fui à manicure e escolhi pintar de vermelho as unhas dos pés. só porque você não gosta &#8211; só porque você não gostava &#8211; então, pintei de vermelho vivo, que é um grito de rebeldia, assim como se eu gritasse ao mundo que eu não me importo mais com você. um grito furioso e púrpura que é para ver se me convenço. deitada, na minha insônia, liguei o televisor e vi meus pés me encarando como olhos rubros na escuridão azulada da programação de madrugada. coloquei meia: vendei os olhos da escuridão. ah se eu pudesse também vendar os meus!, estes que me assombram dia-e-noite-noite-e-dia&#8230; sei que não faço sentido: pouco se me dá. vou endereçar ao  seu email este lamento sobre o nada, mesmo sabendo que você não vai entender que ele é todo perturbação e saudade. e abandono.</p>
]]></content:encoded>
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