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Arquivo da Categoria Crônica

24/10/2009 - 18:18

Cenas mineiras

Nada mais agradável do que esses mergulhos periódicos em Minas, a Minas profunda do interior, das pessoas de fala mansa e de cuidados em cada gesto.

Em cada visita me revigoro e colho as pequenas cenas mineiras, que me lembram meus tempos de infância, longe das guerra midiáticas e do ritmo maluco das metrópoles e dos aeroportos.

Cena 1

Patos de Minas é típica cidade média agradável. Limpa, bem cuidada e atenciosa.

O motorista da Localiza, que me trouxe de Uberlândia, me pega no hotel para irmos ao evento. Fica na Avenida Tancredo Neves. O motorista não conhece, mas se vale do procedimento padrão: para em um ponto de táxi.

Vem o mineirinho taxista, todo atencioso. O motorista pergunta o itinerário. O mineirinho pede para ele desligar o motor para poder ser atendido com mais vagar e cuidado.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags: , ,
13/10/2009 - 19:00

Histórias da Ditadura

Por Humberto

Leitores (as):

No fora de pauta “vespera de um fim de semana prolongado” deixei um comentario. Abria um parentesis do depoimento q dei ao Governo Canadense no pedido de refugio. Contei um pouco da minha adolescencia antes a Ditadura.

Hoje retomo com os dois fatos que marcaram minha vida definitivamente, em Abril de 1964, na nova capital federal;

a subita morte de meu pai, 45 anos: obito: hemorragia cerebral; causa: acidente automobilista; local: L-2 Sul, Brasilia-Df

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags: , , ,
11/10/2009 - 17:00

Ecos do Interior

Do Portal Luís Nassif

COSTUMES e CHUVAS em VILAREJO MINEIRO

* Publicado por Lena

A encosta sempre esconde um povoado e tem sempre uma história a contar, o porquê do amontoar-se ali…Afundado detrás de colinas.

- Nesse dia que vos conto, quando lampejou o meu olhar nesta terra de mineiros em um povoado qualquer, onde o colonial não andou por lá, em suas casinhas sem eira nem beira, mas ainda faceiras, recolhendo em seus telhados as águas da chuva a gotejar.

- Chuva que trepidava em pingos grossos, espaçados, que caia arregaçando o cheiro da poeira numa tarde que ainda era Verão. Agoniava a quem passava, levando-os a passos desgarrados, esvaindo-se a rumos aquém.

_ Mas eram apenas pingos, pingos aqui e acolá,que mal diziam a calmaria daquele trecho onde nada acontecia.

Continua

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:
05/09/2009 - 18:59

Cercas mineiras

Do Portal Luís Nassif

CERCAS MINEIRAS DE MINHA INFÂNCIA

* Publicado por Lena

De mandacaru à taquara rachada, elas faziam divisas apenas pra constar que estavam ali
_ davam continuidade aos quintais tornando toda a vizinhança numa grande família.

Quintais que uniam Silvas , Souzas, Ferreiras, Teixeiras, Nogueiras e quem mais adviesse ali.

E a gente… meninos, de todas as cores e todas encardidas e pernas marcadas de cicatrizes, esfoliações que se curavam sozinhas ou a base de mertiolate, saltávamos por entre árvores, fumávamos cigarrinho de talo de chuchu, porque chuchu e pé couve não faltavam em quintal nenhum e ainda fazíamos das folhas das bananeiras gangorras que se projetavam gingantemente ribanceira a baixo

_ Lembro-me o dia que nessa brincadeira, minha irmã foi sapecada por uma taturana cachorrinha, gritou horas e horas até ser benzida pelo vizinho curandeiro, que alisou uma pedra em cruz com leite acompanhada de rezas, muita reza.

Continua

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:
20/08/2009 - 17:00

A elegia da amizade

Por antonio francisco

Faz muito tempo não lia nada tão terno sobre um caso concreto de amizade, num relato que ficou em primeiro lugar no concurso para homenagear os 50 anos da revista Humboldt.

Deliciem-se:

http://www.goethe.de/wis/bib/prj/hmb/pt4903949.htm

A Humboldt 99, comemorativa dos 50 anos, mostra os resultados do concurso que promoveu tendo como tema “Amizade: Fisionomias de uma relação complexa” . Sua capa estampa o primeiro lugar em fotografia, ganho pela brasileira Renata Beltrão, mostrando peixes em sacos plásticos, que dizem muito sobre a “liberdade” que gozamos no dia-a-dia.

De guerras e pepinos

Renata Beltrão, Brasil:

Sem título, Bairro da Liberdade, São Paulo, Brasil, 2007Teaser.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags: , , ,
30/07/2009 - 16:23

O sotaque das mineiras

Por ricardo

O SOTAQUE DAS MINEIRAS

Felipe Peixoto Braga Netto (1973) afirma que não é jornalista, não é publicitário, nunca publicou crônicas ou contos – não é, enfim, literariamente falando, muita coisa, segundo suas próprias palavras. Paulistano, mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais. Ele diz que nunca publicou nada, mas a crônica que abaixo foi extraída do livro ‘As coisas simpáticas da vida’, Landy Editora, São Paulo (SP) – 2005, pág. 82.

O SOTAQUE DAS MINEIRAS
(F.P.B. Netto)

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar.

Afinal, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar sensual e lindo das moças de Minas ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ‘ouvi-la faz mal à saúde’. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: ’só isso?’.

Assino, achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma.

Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:
19/06/2009 - 16:24

Os 65 anos de Chico Buarque

Não chore ainda não

De Luís Nassif – 15/11/1998

A primeira vez que ouvi Chico Buarque de Hollanda eu devia ter uns 14 ou 15 anos. Foi em um programa da extinta TV Tupi, não sei se “Almoço com as Estrelas” ou um programa do Fernando Faro. O cantor tocava seu violão e nem olhava para a câmara. Acho que cantava “Pedro Pedreiro”.

No início de 1965, com 15 anos incompletos, passei seis meses estudando eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí. Fui morar na república WC, a mais barra pesada da cidade, liderada pelo itajubano José Saia, que exibia no braço esquerdo marcas que, assegurava, eram de navalhadas que recebera de Mineirinho, o mais célebre bandido da época. Toda manhã acordava com meu companheiro de beliche, Salário Mínimo, de São José dos Campos, tocando no violão a valsa “Subindo aos Céus”, de Aristides Borges.

Música antiga, só na WC. Nas noitadas de Santa Rita, reinava a bossa nova, com o violão do Salário Mínimo, de São José, do Tota, de Poços de Caldas, a voz do Marcão, de Ouro Preto. Em cada serenata se punham literalmente de joelhos quando falavam de Vanda Sá, a Vanda Vagamente, musa absoluta, cujo retrato estava em um altarzinho na república WC.

Quando voltei a Poços, no segundo semestre de 1965, foi que teve início a era Chico Buarque de Holanda. Chico estourou, ao lado de Geraldo Vandré, no famoso Primeiro Festival da Record. Politizada, nossa turma torcia pela “Disparada”, de Vandré. Mas nas serestas, nossa companheira era “A Banda”, de Chico. A televisão, ainda novidade, transformou a disputa no fato nacional mais comentado do período. Pouco depois, “Olé Olá” foi lançada e transformou-se em hino nas nossas serenatas. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:
24/05/2009 - 13:08

O Prêmio Portugal Telecom de literatura

Para mim é motivo de orgulho ter ficado entre os 50 classificados. Confira a qualidade dos participantes, a partir dessa matéria do jornal Expresso, de Portugal.

Do jornal Expresso

Brasil: Seis romances portugueses disputam o Prémio Portugal Telecom de Literatura 2009

Rio de Janeiro, Brasil, 21 Mai (Lusa) — Na lista dos 50 livros finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2009, divulgado na quarta-feira no Rio de Janeiro, seis são romances portugueses e outros quatro são obras de autores africanos de países de língua portuguesa.

Segundo o anúncio dos finalistas que concorrem à sétima edição do prémio, estão na disputa os romances: “A viagem do elefante” de José Saramago (Companhia das Letras), “A eternidade e o desejo” de Inês Pedrosa (Alfaguara — Objetiva), “Aprender a rezar na era da técnica” de Gonçalo M. Tavares (Companhia das Letras), “Cemitério de pianos” de José Luís Peixoto (Record), “Ontem não te vi em Babilónia” de António Lobo Antunes (Alfaguara — Objetiva), “Rio das flores” de Miguel Sousa Tavares (Companhia das Letras), “Predadores” do moçambicano Pepetela (Língua Geral ) e “Venenos de Deus” de Mia Couto (Companhia das Letras).

De poesia, foram escolhidas as obras do cabo-verdiano José Luiz Tavares “Lisbon Blues” (Escrituras Editora) e do moçambicano Luís Carlos Patraquim “O osso côncavo e outros poemas” (Escrituras Editora). Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica, Cultura Tags: ,
19/04/2009 - 19:30

Trivial de Zé do Norte

Do Portal Luís Nassif

Meu Pião (Zé do Norte) # Com Fotos do filme “O Cangaceiro” de Lima Barreto

* Adicionado por Cafu

clique aqui se não estiver vendo a imagem

Zé do Norte, a pomba arribação

Crônica de 26/09/1999

Tive alguns sonhos na vida. Um, o de ter conhecido Garoto, o multiinstrumentista brasileiro. Mas ele morreu do coração em 1954, quando garoto era eu, com meus quatro anos de idade.

Conheci Luiz Gonzaga pouco depois, fazendo show em praça pública em Poços de Caldas, cidade que abrigou durante certo tempo sua segunda mulher, que padecia de problemas do pulmão, e o filho Gonzaguinha.

Foi um período ainda rico em Poços, que, sem a projeção dada pelo jogo, ainda preservava parte da majestade.

O teatrólogo Oduvaldo Vianna morou por lá um tempo com seu filho Vianinha.

O show de maior sucesso na rádio Cultura era o de Sebastião Leporace, exímio violonista, que compunha uma paródia diária sobre temas do momento. Sebastião era irmão do radialista Vicente Leporace, e pai de Gracinha e Fernando Leporace, que fizeram sucesso na MPB no início dos anos 70.

Os Índios Tabajara também passavam por lá todo ano, tocando violão nas temporadas.

Alguns anos depois, os Índios Tabajara estourariam nos Estados Unidos, com sua fantasia de índio-embora fossem autênticos cearenses- e uma “técnica violonística atlética”.

Poucos músicos brasileiros venderam tanto disco no exterior quanto eles. Soube outro dia que voltaram para o Brasil e estão morando em um sítio no Estado do Rio.

Meu pai tinha uma discoteca de música brasileira de primeiríssima, ainda na época dos discos de 78 rotações. Apreciava “Dora”, de Caymmi -em homenagem ao qual batizei minha filha caçula- , Inezita, Ivon Cury e seu “Amendoim Torradinho”.

Mas um dos autores que ele mais gostava era Zé do Norte. Zé era um Luiz Gonzaga mais rústico e sem carisma.

Estourou no Brasil com a música “Lua Bonita”, da trilha sonora do filme “Lampião, Rei do Cangaço”. Foi uma das músicas que marcaram a nossa infância.

Quase toda noite, minha mãe juntava os filhos no quarto e, enquanto meu pai ia fechar a farmácia, cantava “Lua Bonita” com sua voz límpida: “Lua bonita / se tu não fosse casada / eu ponhava uma escada / e ia no céu te beijar / E se colasse teu frio com meu calor / pedia a Nosso Senhor / pra contigo me casar”.

Essa era a mais conhecida. Mas havia um conjunto de baiões e xaxados rústicos que colocavam o Nordeste inteiro na sala de nossa casa, quando executados na vitrolinha.

Havia o “Ô Zé, quando for para a lagoa / toma cuidado com o balanço da canoa / Ô Zé, faça tudo que quiser / só não me roube o amor dessa mulher”.

Eu dormia sonhando com essa lagoa escura que temia, mas que ao mesmo tempo me atraía por seu perigo e por ser lagoa, que sempre imaginei como um lago calmo.

A música mais pungente de Zé do Norte das que eu conheci era “Pomba Arribação”, um monumento à tristeza nordestina, à seca e aos retirantes, que já sensibilizavam as cabeças infantis da minha geração.
A pomba arribação era o último ser vivo que abandonava o sertão.Quando isso ocorria, nada mais havia a se fazer.

“Pomba arribação quando foge do sertão / deixa tudo em tristeza / deixa tudo em solidão / ai, ai, hum hum hum, ai meu Deus, que maldição”.

A música tinha uns versos lindos na sequência e terminava com: “quando a noite vem chegando / por detrás da serrania / o vaqueiro dá o aboio / se despedindo do dia”. Pareciam puros versos de Patativa do Assaré.
Anos atrás, Zé do Norte apareceu reivindicando a autoria de uma novela de Dias Gomes. Pouca gente levou a sério. Depois, soube que ele estava agasalhando sua velhice no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá.

Outro dia, numa lista de discussão de música popular, me informaram que ele teria falecido em 1979 -tudo isso?

Às vezes acho que esse meu ritmo profissional anda me atrapalhando muito cultivar melhor os meus velhinhos.

Durante anos fiz planos de conhecer Zé do Norte, da mesma maneira que gostaria de ter conhecido os sambistas Antônio Almeida e o coronel Luiz Antônio- de “Lata D’Água na Cabeça” e “Barracão”.
Esses, não deu, mas ainda vou conhecer o Paulo Soledade (de “Vê, estão voltando as flores”) e o violinista Fafá Lemos, antes que me aprontem uma falseta.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica, MPB Tags:
18/04/2009 - 20:00

O Brasil e os sons da infância

Coluna Econômica – 19/04/21

No meio da entrevista para falar do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em Belo Horizonte, a Ministra Dilma Roussef embatucou. Começou a falar de Minas, do sotaque de Minas, dos sons da sua infância e balançou.

A Ministra era leitora das crônicas que eu escrevia aos domingos na Folha, especialmente as que falavam de Minas. Em um encontro recente, presenteei-a com “A Casa da Minha Infância”, lançado no final do ano passado com algumas das crônicas familiares. Antes de começar a entrevista, ela começou a folhear o livro, procurando coisas por lá, uns cinco minutos folheando, até eu perceber o que ela procurava: Minas e trechos que pudessem lembrar a casa da sua infância.

Disse-lhe, então, que, desde que nossa casa foi vendida em Poços e me mudei da cidade, nunca mais substitui a casa da minha infância. Era como se tivesse sido inquilino de todas as outras. Ela ficou em silêncio, balançou a cabeça concordando e admitiu que, com ela ocorreu o mesmo. Até hoje está atrás da casa da sua infância.

***

Lembro-me quando escrevi a crônica “Ritual da passagem”, imaginando a cena da morte, com as diversas gerações reunidas no mesmo ambiente e o ponto nobre da mesa ocupado por meu pai e meu avô, do Delfim me enviar um email emocionado. Me surpreendi com a manifestação de um homem que viu de tudo na vida, um cético militante em relação à natureza humana.

***

Para nós, esses reencontros e afastamentos permanentes com a infância dói. Imagino nas figuras públicas, sabendo que, depois de feita a opção, terão apenas alguns minutos por semana, nos intervalos do dia-a-dia massacrante, para celebrarem, sozinhos, o acervo de afetos da infância. Imagino o Serra lembrando da banca do seu pai no mercado, o Lula lembrando do regaço materno para compensar a miséria e a fome, o Aécio lembrando o avô contando histórias da vida, o Ciro rememorando a saga familiar.

***

Por trás dessas rememorações, há o elo, o vínculo com as gerações anteriores, com os princípios que ajudaram a construir e a passar para frente, com esse acervo de emoções, valores e histórias. É assim que se formam povos e se constroem nações.

No fundo, o trabalho diário para melhorar o país, é como uma homenagem, uma prestação de contas, um compromisso com os que vieram antes. É como se disséssemos a eles: pegamos o bastão e não vamos deixar a peteca cair. Fiquem sossegados que trataremos de entregar um país melhor aos seus netos e bisnetos.

***

Nessas últimas décadas, os valores nacionais foram jogados de lado. Uma falsa noção de internacionalismo julgava a última moda a crítica impiedosa ao Brasil, ao modo de ser brasileiro.

Com o fim do ciclo financeiro, ocorre uma redescoberta dos valores nacionais, volta o “orgulho de ser brasileiro”. É esse sentimento, são os sons da infância, são as recordações das cantigas infantis, a lembrança dos pitos paternos, dos conselhos maternos que vão construindo a escala de valores que permitirá ao país, a cada geração, tocar o bonde e sonhar com avanços, com progresso, com redução das desigualdades sociais.

Que o dia de Tiradentes ajude nessas reflexões.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Crônica Tags:
13/04/2009 - 08:16

A história de Maria dos Impossíveis

Confira que bela história levantada pelo repórter Eduardo Geraque, da Folha, “enviado especial a Lassance”, MG,  sobre a filha que Carlos Chagas.

Não fosse a praga do manual engessando a criatividade e impondo matérias curtas, daria fácil uma página bem ilustrada. Pergunta-se porque o jornalismo atual não tem novos Ricardo Kotscho ou José Roberto Alencar ou José Hamilton RIbeiro. Simples: porque não deixam. Uma cidade mineira chamada Lassance, uma personagem de nome Maria dos Impossíveis, um pai cientista famoso e um repórter com sensibilidade, só faltou espaço para uma grande matéria.

Chagas foi pai de farmacêutica, diz população local

Lalo de Almeida/Folha Imagem

Antiga estação ferroviária de Lassance, onde Carlos Chagas improvisou um posto de saúde dentro de um vagão de trem, em 1909
DO ENVIADO ESPECIAL A LASSANCE (MG)

Uma história ainda pouco conhecida sobre a Lassance antiga é o nascimento de Maria dos Impossíveis Franco, farmacêutica cuja paternidade é atribuída a Carlos Chagas. Um historiador da região, Moisés Vieira Neto, resgatou sua biografia com relatos de pessoas que conviviam com ela. No livro “Lassance, o berço histórico de Dr. Carlos Chagas”, ele conta que o médico reconheceu a filha, mas não publicamente.

A mãe da menina era Tercília Ribeiro, funcionária do médico quando ele viveu em Lassance. Descendente de escravos, a mulher “morreu no parto”, contou Letícia Prado Ferreira, 84 anos, à Folha. Moradora de Lassance, dona Letícia, que foi professora autodidata, lembra bem de Maria dos Impossíveis.

“Ela nunca se gabava [de ser filha do Carlos Chagas]. Na cidade, todo mundo sabia. Mas a própria Maria, quando questionada, falava “dizem que sou”.”

Maria dos Impossíveis se mudou para o Rio de Janeiro criança, enviada pela avó. Recebeu toda a atenção de Chagas e foi criada por um amigo dele, que lhe permitiu estudar.

Formada farmacêutica, trabalhou no Instituto Manguinhos. “Jamais esqueceu Lassance”, diz dona Letícia.

“Mandava sempre roupa e remédios. Aqui, quando vinha, dava sopa aos pobres”. Maria dos Impossíveis não teve filhos com nenhum dos dois maridos. Está enterrada em Lassance num túmulo mal cuidado. (EG)

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica, Saúde Tags: ,
01/04/2009 - 10:33

Causos de 1o de abril

Por foo

O Boimate completa 23 anos

Em 1º de abril de 1986, a revista New Scientist publicou a famosa brincadeira do boimate. Semanas depois, a VEJA publicou:

“Num ousado avanço da biologia molecular, dois biólogos de Hamburgo, na Alemanha, fundiram pela primeira vez células animais com células vegetais – as de um tomateiro com as de um boi. Deu certo.”

Que outras brincadeiras de 1º de abril vocês se lembram?

Por DeSola

Essa do boimate deixou um velho médico veterinário furioso.

Domingos Archangelo escreveu ao Jornal da Tarde uma carta colérica contra a ” a violação das leis naturais”. Segundo ele, ” do alto dos meus 76 anos, não posso ficar calado ante tal afronta às leis divinas. Boi nasceu para pastar, para puxar os saudosos carros do interior e para nos oferecer sua saborosa carne. E tomate, além das notórias qualidades que se lhe imputam na cozinha, serve também para ser arremessado à cabeça de quem perpetra tal montruosidade e, também, dos que dão guarida e incentivam tais descobertas”.

…..hehehe, mas o teor da carta revela que o velhinho devia ser uma pessoa muito singela.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags: , ,
31/03/2009 - 18:00

A tragédia de Barbosa

Do Portal Luís Nassif

Do Blog de Elizabeth Lorenzotti

Um conto: Muito mais de onze fraturas

A desgraça do goleiro Barbosa, que tomou o gol que tirou no Brasil a conquista do titulo, no mundial de 1950, contra o Uruguai, realizado no Maracanã, me inspirou, faz tempo, este conto.

Não entendo nada de futebol, mas me fascina o lado humano de seus personagens.

Pra ele doía muito mais que fratura. Meu amigão, colega do grupo escolar. Saudade das peladas, eu era lateral direito, ele goleiro.Parecia um gato, o camarada! Mudou pra São Paulo, trabalhava numa firma lavando vidro e lá mesmo, jogando na fábrica, foi contratado pelo Ypiranga, por volta de 1940. Ele era do 1921, o senhor faz as contas, tinha 19 anos.

No 1943, o Barbosa já era dos melhores goleiros paulistas, daí o Domingos da Guia indicou ele pro Vasco em 44, em 45 já estava no escrete brasileiro. Mas naquele 16 de julho de 50, contra o Uruguai… (continua) Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags: ,
22/03/2009 - 21:53

Jean Charles de Menezes ou Morrer por Engano

Do Portal Luís Nassif

Do Blog de Urariano Mota

Há várias maneiras de morrer por engano. Todas contra a própria vontade. Pensei há pouco que poderíamos morrer por engano também como fruto da nossa vontade. Por exemplo, procurar o suicídio quando nem tudo ainda está perdido. Algo como matar-nos em um processo de uma doença incurável, assim diagnosticada por erro médico. Matar-nos por ausência absoluta de esperança, quando nem todas as possibilidades foram ainda perdidas. Depois, considerei que isto seria mais propriamente um matar-se por engano. Por isso reafirmo que todas as maneiras de morrer por engano se dão contra a vontade própria.

Pode-se até dizer, se nos permitem um rápido aprofundamento, que há modos de morrer por engano mais e menos cruéis. E entre os menos, incluiria os equívocos de pátria. Por exemplo, um indivíduo latino, ou europeu, lutar sob a bandeira norte-americana no Iraque. E quando menos espera, o seu veículo explode. Ou então, de outra maneira, posar ao lado de Bush em sua última foto, um segundo antes. Isto é morrer por engano, mas de uma forma menos cruel, porque repentina e com um calculado risco. Ou então, de um modo mais inocente, errar-se a avenida, o restaurante, o hotel, o país, e ser jogado, de repente, em uma zona de balas, de tiros, ou de extraordinária onda gigante. Isto também é morrer por engano, de uma forma dura, como todas as mortes, mas ainda assim, se permitem uma gradação, de uma forma menos crua e cruel. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags: ,
07/03/2009 - 16:30

Causos impagáveis

O Stanley Burburinho colocou no Fora de Pauta uma coleção de “causos” impagáveis.

A fontes dos causos, que ele indica, é esta: clique aqui.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:
17/02/2009 - 20:40

Trivial distraído

Por Renata Nassif

LN sempre foi meio avoado. Ele conta que uma das primeiras comunicações da escola para seus pais elogiava seu comportamento e suas notas, com um adendo “continua distraído como um sábio”.

Esses dias, me disse que seu telefone celular estaria grampeado, porque a secretária não conseguia fazer ligações e, quando conseguia, outra pessoa atendia. Pensei cá com meus botões: que grampeador distraído, atendendo o telefonema do grampeado! Hoje estava um tumulto no escritório, todos atrás de LN e um tal de Francisco teimava em atender o telefone dele, LN. Me pediram para tentar, LN atendeu normalmente. Já falaram em clone, em boicote, aquelas coisas. Calejada com esse distraído, fui verificar e é lógico que ele havia passado o número errado para a secretária, que passou para o motorista e diversos outros contatos de LN. Coitado do Francisco! Vai ficar atendendo telefonema para um tal de Nassif por um bom tempo! Pensei em ligar para ele e pedir que fizesse a gentileza de dar às pessoas o número certo, haha, mas achei que podia ser um pouco de abuso

E, com vocês, um pouco de Clarice Lispector contando como, às vezes, a distração é essencial na vida.

POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Comentário

No aeroporto, ontem, terminei o café, levantei da mesa e fui em direção ao portão de embarque. Uma mocinha muito simpática bateu no meu ombro: o senhor esqueceu uma coisa na mesa. Era minha mala, aquele objeto grande, maior do que carteira, pasta de computador.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica, Cultura Tags: ,
11/02/2009 - 11:36

A origem da fibra de Amaral Gurgel

Recebo um telefonema inesquecível de dona Carolina Amaral Gurgel, viúva do João do Amaral Gurgel.

Ela já tinha deixado um recado na nota sobre o marido – que vocês rechearam com declarações de amor pelo carrinho e de admiração pelo Gurgel. Ficou especialmente tocada com o comentarista que disse que, quando morresse, gostaria de ser enterrado no seu Gurgel

Na conversa com dona Carolina, dá para perceber de onde vinha parte da garra impressionante de Gurgel. Nada de olhar para trás, de lamber feridas e chorar incompreensões. “Quem está na chuva é para se molhar”, diz ela.

Dona Carolina passou 52 anos casada, os últimos sete cuidando do marido vencido pelo mal de Alzheimer. “Tenho lembranças maravilhosas daquele maluco de carteirinha”, conta ela. Dia desses, se pilhou rindo sozinha, lembrando-se do único dia em que ele a ameaçou. Ela foi beijá-la de noite e ele, entorpecido pela doença, julgou estar sendo atacado por alguma ninfa.

Foram sete anos cuidando da doença do marido, praticamente sozinha. Dona Carolina achava que se juntasse muita gente em volta haveria muita fofoca.

Como o inferno astral dura sete anos, agora o jogo será outro. Ela voltou a praticar sua ginástica no Paulistano e está cheia de planos de arrumar a casa, que ficou meio abandonada pela dedicação ao marido.

Agora, se define como uma “velhinha computadorizada”. Já armazenou os comentários carinhosos de vocês e está trabalhando com um photoshop para colocar seu retrato na rede.

Ela manda um beijo carinhoso para todos os admiradores de João do Amaral Gurgel.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:
08/02/2009 - 07:00

Irlanda, o ex-tigre europeu

Coluna Econômica – 08/02/2009

Até meados do ano passado, a Irlanda era apontada como o grande exemplo a ser seguido pelo Brasil. Nos anos 80, procedeu a um forte ajuste fiscal. Depois, a um estudo sobre os novos setores da economia. Identificou os mais promissores e montou uma plataforma de exportação para toda a Europa.

Durante anos seu PIB teve crescimento asiático.

Agora, o país naufraga. Grandes multinacionais estão transferindo suas unidades para países do Leste Europeu. Seu sistema bancário está em pandarecos; o desemprego pode chegar a 12% até o final do ano. Primeiro país da Europa a ser considerado AAA (a melhor classificação) pelas agências de risco, agora começa a ser rebaixado. O déficit público poderá chegar a 9,5% em 2009. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Crise, Crônica, Economia, Internacional Tags: ,
03/02/2009 - 20:00

Trivial de Dolores Duran

Creio que falta uma reavaliação mais aprofundada da importância da Dolores Duran na formação da moderna música popular brasileira.

Em geral, ela é conhecida pelos sambas canções de fossa e pelas parcerias com Tom Jobim. É muito mais do que isso.

A parte essencial da bossa nova é a síntese com as demais formas de manifestação da música brasileira, especialmente o samba sincopado, o samba canção (bolero) e o samba choro. Além do jazz, presente nas harmonias e nas formas de interpretação de três grandes cantores negros: Johnny Alf, Agostinho dos Santos e Alaide Costa.

Havia no movimento um grupo dotado de enorme preconceito com essas formas populares de música. É o pessoal que julga que a bossa-nova representou uma ruptura – e não uma continuidade.

Recentemente, o próprio Rui Castro admitiu que João Gilberto fez a síntese entre vários elementos do que havia de mais embalado e sofisticado na música brasileira de então, tese que não admitiu em seu livro.

Pois Dolores foi o lado feminino dessa história. Antes da bossa nova, transitou pelo baião. Nessa relação de músicas abaixo, você a ouvirá interpretando o sincopado de Geraldo Pereira, os sambas pulados, a música de fosse, o samba canção. Uma senhora intérprete, sem preconceito musical.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica, Cultura, Erudita Brasileira, Fora de Pauta, MPB, Mídia, Música Tags: , ,
13/01/2009 - 17:30

Sobre crônicas poéticas

Do Blog Fênix em Verso e Prosa

Por Renata

e sobre a insônia, o dia inteiro

13, Janeiro, 2009 por Fênix

insônia. eu deveria trabalhar. eu deveria escrever, eu deveria fazer uma mágica, um feitiço, macumba – “simpatia do amor, pague só depois do resultado” – para ver se você volta. mas nem sobre a rejeição eu sei escrever e minhas tentativas desajeitadas são patéticas porque se esbarram na mediocridade que, agora em rasgo de sinceridade insone, eu ouso admitir. admito agora, enquanto o silêncio é perturbado por rugido de carro, alguém que foge de si mesmo em sua própria angústia noturna. minha é esta insônia de excessos, é assim como naquele dia em que eu resolvi pintar um quadro com tinta a óleo e exagerei tanto, misturei tanto, errei tanto – no meu afã de querer tudo, de pintar como quem engole o mundo, de querer impressionar você a qualquer custo, de querer disfarçar meus dedos medíocres, estes que nem escrevem nem desenham, só se contorcem – errei tanto que ficou aquele borrão pardo, indefinido, indecifrável. um auto-retrato involuntário. e é assim minha insônia. nem durmo nem faço nada. eu penso em você. eu penso em você o tempo todo, noite-e-dia, dia-e-noite, este velho hábito que custa a morrer; este mau hábito que eu não deixo morrer para não ficar sozinha demais. para que meu silêncio seja povoado pela falta, pelo eterno ansiar; para preencher de angústia as lacunas estéreis da minha vida medíocre. ontem, fui à manicure e escolhi pintar de vermelho as unhas dos pés. só porque você não gosta – só porque você não gostava – então, pintei de vermelho vivo, que é um grito de rebeldia, assim como se eu gritasse ao mundo que eu não me importo mais com você. um grito furioso e púrpura que é para ver se me convenço. deitada, na minha insônia, liguei o televisor e vi meus pés me encarando como olhos rubros na escuridão azulada da programação de madrugada. coloquei meia: vendei os olhos da escuridão. ah se eu pudesse também vendar os meus!, estes que me assombram dia-e-noite-noite-e-dia… sei que não faço sentido: pouco se me dá. vou endereçar ao seu email este lamento sobre o nada, mesmo sabendo que você não vai entender que ele é todo perturbação e saudade. e abandono.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:
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