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29/11/2009 - 14:00

A crítica à diplomacia brasileira

Por Andre Araujo

Materia de El Pais de hoje sobre a visita do Presidente do Iran ao Brasil. Em um tom mais ironico do que o habitual para o principal jornal espanhol, El Pais mostra que se Lula fosse lider sindical no Irã de hoje já teria sido executado pelo mesmo Presidente que ele recebeu com homenagens.

El Pais reflete a decepção mundial com a ação do Brasil frente a um regime visto com suspeição não só pelos EUA e União Europeia como tambem pela India e pela China.

O crescente capital diplomatico acumulado pelo Governo Lula nos ultimos cinco anos foi diminuido por tres ações sem planejamento estrategico, desligadas de uma logica de interesse nacional, ações de alinhamento ideologico simplista sem que se possa entender o que o pais pretenderia ganhar com tais movimentos.

A primeira operação desligada do interesse nacional foi o asilo politico a Cesare Battisti, beneficiando um cidadão italiano condenado por crimes cometidos na Italia e julgados pela Justiça italiana, com o julgamento referendado pela justiça da União Europeia. Alem disso, e mais contundente ainda, a esquerda italiana, pelos seus lideres endossa a condenação de Battisti, a unica causa que une a Italia da direita à esquerda.

A segunda operação aonde não se enxerga o interesse nacional é a de Honduras, aonde o Brasil bancou um lado de um jogo politico em um Pais aonde nunca existiu nem remotamente interesse brasileiro em jogo.

O terceiro movimento foi a recepção ao Presidente iraniano, que queimou o filme do Brasil exatamente junto ao fechado clube aonde o Brasil pretende ingressar.

A admissão era vista com simpatia, o Brasil atingiu seu ponto maximo na constituição do G20 mas de repente faz xixi no bar do Clube e queima o filme.

Grandes movimentos diplomaticos fazem parte do jogo das relações internacionais para paises que querem elevar seu status mundial. Mas essas ações precisam ter um planejamento, os custos e os riscos devem ser proporcionais aos objetivos que se pretende. É ai que entre o grande chanceler, que vê o mapa do futuro e pretende se inserir nele. Metternich e Talleyrand no Congresso de Viena em 1815, Eden e Marshall em Yalta e Potsdam, redesenhando o mundo do pós-guerra, Acheson na contenção do expansionismo chines e no manejo da Coreia, Kissinger na saida negociada na Guerra do Vietnã, grandes operações estrategicas, cuidadosamente planejadas para garantir resultados e minimizar custos.

Nesses tres episodios, abstraindo julgamento de valor moral, vistos apenas como ações diplomaticas, o Brasil mergulhou de cabeça sem calcular custos e riscos.

No caso Battsti não há um fiapo de interesse nacional em jogo, o Brasil entrou em um processo em beneficio de um unico individuo, com incalculavel desgate junto a pais tradicionalmente amigo e com reverberação por toda a União Europeia. Um custo altissimo contra nenhum resultado, porque nunca houve um objetivo minimamente defensavel em relação ao interesse nacional.

No caso de Honduras foi ainda pior, o Brasil bancou uma aposta sem ter noção da porta de saida, em terreno desconhecido e defendendo principios incompativeis com a Historia da região, aonde a democracia formal e rigida nunca foi um valor sagrado. Honduras tem como vizinhos paises como El Salvador, Nicaragua e Guatemala, aonde nos ultimos vinte anos se travaram cruentas guerras civis, com centenas de milhares de mortos, aonde nunca houve semblante de democracia, uma região de caudilhos e guerrilhas, como defender principios de democracia suiça ai e ainda assim, princpios legalmente discutiveis? Por falar em democracia, o Brasil não é tão puro quando trata com o Irã, com Cuba, com a Venezuela, com a China, com Angola com a Libia, regimes de credenciais democraticas discutiveis, para dizer o minimo.

No terceiro movimento, com relação ao Irã, os primeiros dois atos, as visitas de Peres e Abbas foram plenamente defensaveis e o Brasil tem credenciais para uma ação no Oriente Medio mas o terceiro ato foi desnecessário, o Presidente do Irã não vai ser movido por pedidos de Lula para não ajudar o Hamas na Faixa de Gaza, pedido de Abbas. Os apoios aos Hamas e ao Hezbollah são parte integral da ação iraniana na região e não será Lula quem vai desmontar essa estrategia. Tampouco o Brasil tem como interferir, amenizar, defender ou moderar o programa nuclear iraniano.

Então, a visita do Presidente do Irã só serviu a ele, como legitimação de sua posição, que tambem é internamente ruim, legitimou-se então internacional e nacionalmente mas o Brasil ganhou o que?

Essas são as questões que El Pais coloca na edição de hoje.

Movimentos diplomaticos ou tem um objetivo estrategico definido ou não se fazem. Não há nada pior na politica externa do que move-la por ideologia, nem Stalin fazia isso, como demonstrou ao retirar o apoio aos comunistas gregos do ELAS que já estvam alcançando o Poder em 1947. Eram comunistas sim, mas para Stalin e para o equilibrio de poder na Europa era melhor que a Grecia coninuasse monarquica e no campo ocidental, Stalin puxou o tapete dos seus companheiros ideologicos, que então foram massacrados pelo outro lado.

Realpolitk no mais alto grau, Stalin antes de ser comunista era um estadista e via o interesse nacional da URSS em primeiro lugar. Está faltando essa noção no Itamaraty ou no Planalto, já que não se sabe quem dirige as relações exteriores do Brasil, podem ser um, dois ou três comandantes, depende do assunto e da repercussão na midia, aparentemente o unico objetivo dessas ações.

Por Rubem

Andre, com todo o direito do mundo que tens de ter tua opinião, e do Luis Nassif de acha-la merecedora de ser compartilhada: assim não há jazz que de jeito!
De pronto, fui ao El Pais, já que não linckastes e nem sequer destes o nome do artigo ou do autor. Não achei editorial – que seria a opinião do jornal, nem reportagem, mas um apenas um artigo de opinião, por Moisés Naím. Naím é o editor da ForeignPolicy Magazine, onde um dos principais articulistas, como sabes definiu Celso Amorim como “the best” e “the greatest” chanceler do mundo na atualidade, e a política externa do governo Lula a mais efetiva e transformadora do status de um país “ever”.
A FP, não é uma revista de esquerda, pelo contrário – é uma revista anti-chavista e anti-bolivariana, seja qual for o significado que deres para estes termos, e isto não impediu-a de ver a excelência diplomática que todos vêem – não vê-la seria pagar mico internacional. Isto é coisa que nem a Economist – depois de Zacaria na Newsweek, do FinancialTimes, do El Pais em tantos artigos e editoriais, do New York Times, do Guardian, do Clarín, e ponha etc nisso – pôde fazer, as 14 páginas mais capa que o digam.
Também não dissestes aos nossos amigos do blog que Naím escreveu um artigo de ficção(!), com duas cartas imaginárias – uma de “assessores de Lula”, que justificaria politicamente o encontro com Ahmadinejad, esse Saddam Hussein da hora, outra, “de um velho companheiro sindicalista”, acreditem!, condenando. NUNCA ANTES NA HISTÓRIA! Este artigo, que é apenas a opinião do autor, é a comprovação do acerto da política externa – e interna, e econômica, e social – do governo Lula!! É a política externa do Brasil discutida, comentada, seguida nos e pelos mais importantes veículos de opinião e informação do mundo, diariamente, com seriedade – a ironia as vezes está no olho de quem lê – como nunca antes na história deste planeta.
Naím, como tu, tem todo o direito de ter sua própria opinião sobre como gostaria que o Brasil agisse no “palco mundial” (desculpem), mas aposto que ele, assim como tu e a Economist, acreditaram, a cada passo, desde o início, que tudo estava errado, daria errado – como disse FHC, “as coisas não são assim, Lula não sabe ainda, o Brasil não tem esse peso”. Não Tinha.

Por Sanzio

Esqueci de colocar o link do artigo do Moisés Naím, intitulado “Os textos secretos de Lula”:http://www.elpais.com/articulo/internacional/textos/secretos/Lula/elpepiint/20091129elpepiint_6/Tes

A propósito , o artigo termina assim:

Estos textos ni son secretos, ni son verdaderos. Los he inventado yo. Pero si bien son sólo producto de mi imaginación, su mensaje central refleja una realidad que hoy le es obvia hasta al propio Lula: se equivocó.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Diplomacia Tags: , ,

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324 comentários para “A crítica à diplomacia brasileira”

  1. Clóvis Ribeiro Chaves Júnior disse:

    De novo, fora da pauta musical….

    Bem, vamos lembrar alguns fatos sobre geopolítica.

    1 – o dólar já balança como divisa internacional, já que a contínua e desenfreada emissão demonstra claramente a ausência de lastro, no caso, cristalizado em trabalho da nação norte americana;
    2 – diversos países já começam a se livrar do dólar acumulado, tanto é que a Índia recentemente adquiriu a quase totalidade de uma partida de ouro disponibilizada pelo FMI e a China pretende montar infra-estrutura e adquirir ativos reais enquanto o papel higiênico dólar ainda é aceito;
    3 – o mesmo FMI divulgou um recente estudo em que afirma que metade dos títulos podres ainda está escondida nos balanços dos grandes bancos;
    4 – imagine só o que vai acontecer quando essa realidade aparecer: a) nova emissão e b) inflação em dólar;
    5 – nesse panorama, já é claro para os estrategistas norte-americanos a debacle;
    6 – nessa hipótese, na qualidade de potência média no concerto mundial, a alternativa óbvia é manter a “América para os (norte) americanos.”
    7 – como isso é feito ? Simples: através da manipulação de governos, como a história o demonstra (a história das Américas do Sul e Central é bastante sangrenta para demonstrá-la, não?).
    8 – O Brasil, como potência regional emergente (ou em vias de, se permanecermos firmes nas políticas corretas) , tem todo interesse em normalidade na América do Sul, pois a normalidade permite a continuidade dos esforços produtivos e afasta a degradação da infra-estrutura em caso de guerra.
    9 – Se tiver que firmar pé em prol de seus interesses, o Brasil depende da coesão na América Latina.

    Qual é o parceiro confiável ? Aquele que defende nos fóruns mundias a normalidade democrática ou aquele que finacia golpes e morticínios ?

    O colega André não consegue perceber que o mundo não mais vai financiar as aventuras na Ásia Central adquirindo títulos de dívida norte-americana, de resto impagável ?

    Qual a alternativa para eles, então, tão petro-dependentes ?

    Simples, se a “América é para os (norte) americanos”, então o petróleo do caribe também é para eles.

    Então, nada melhor do que fomentar uma guerra entre Venezuela e Colômbia, que já têm litígio sobre área rica em petróleo !

    E, para controlar a situação, nada melhor do que possuir um número razoável de bases militares num dos contendores…. no caso, a Colômbia !

    Bingo !

    Um país endividado e “agradecido”: Colômbia !
    Um país prostrado e derrotado (nos projetos deles, claro): a Venezuela;
    Um país rico em energia encurralado: o Brasil.

    Enquanto isso, a China e a Índia olham carinhosamente para o Irã, que irá lhes garantir o petróleo para as próximas duas décadas.

    Não há desconfiança. Apenas realpolitik.

    E os árabes olham com desconfiança para os persas do Irã, principalmente agora em que ele se aproxima das potências emergentes e tem um velado apoio russo, por um lado, e, por outro, o tradicional aliado deles, os árabes, se vê diante da bancarrota.

    Recentemente, num periódico sobre geopolítica da Ásia, foi afirmado, em vista do recente episódio Karzai, que os EUA descartam aliados como se fossem “camisinhas”.

    Na verdade, trata-se de uma percepção tardia, que o diga Saddan Hussein….

    Enquanto isso, um bom mascate aqui do Brasil trata de fomentar o comércio com o maior parceiro comercial de nosso país no Oriente Médio e é obrigado a redobrar a paciência para ouvir comentários tresloucados….

    Há muito mais a ser considerado, mas o meu tempo é curto.

    Quanto a Battisti, lembro que a “normalidade democrática” não pode ser admitida como fato num estado em que a um poder paralelo que deflagra auto-atentados para manipular o ambiente político.

    Digo: operação gládio.

    Se tiverem curiosidade, procurem pelo nome junto com o de Miterrand e um certo premier italiano que andou dando com a língua nos dentes….

    Não conheceço o processo e nada tenho contra a delação premiada. Mas entre duas versões, uma dada por um acusado e outra por um beneficiário do instituto legal, NÃO PODE HAVER CONVICÇÃO, mas APENAS OPÇÃO.

    E isso não é base para uma sentença.

    A afirmação é válida, claro, se não houverem outras provas.

    Abraços cordiais.

    • Andre Araujo disse:

      E ai apareceu o Rei Artur e salvou os Cavaleiros da Tavola Redonda, ah, ah, ah quando alguem em relações internacionais usa a expressão “” simples”" sai de abixo. Nada é simples em politica internacional. Tudo é caótico e imprevisivel. Nada é linear. São as questões complexas de que fala Delfim Neto. O complexo não é o simples mais complicado, o complexo é o complicado por natureza, inextricavel, insoluvael, irresolvivel e imprevisivel.
      Nem o dolar vai acabar amanhã e nem existe outra moeda-reserva pronta para ocupar o seu lugar. Alguem vende um trilhão de titulos do Tesouro? Quem vai comprar? E ainde vai recolocar o dinheiro?
      Vc ja ouviu falar da Rand Corporation? É um think tank que trabalha para o Pentagono bàsicamente. Um amigo me mandou uns relatorios da Rand sobre relações internacionais em um unico trimestre de 2008. Uma caixa. Peso: 29 quilos. E era uma pequena parte do que eles produzem de analise em um trimestre. Questões internacionais não se resolvem em um bate papo. Dá apenas para dar uns pitacos aqui e ali. É bem complicado, companheiro.

      • Clóvis Ribeiro Chaves Júnior disse:

        Ah….
        Então somos todos pitaqueiros, não ?

        Pinçar a palavra “simples” e desqualificá-la pelo óbvio, isto é, pelo fato de o termo não retratar ou qualificar adequadamente o objeto da discussão (as relações internacionais), não muda a qualidade do seu pitaco. De pitaco para boa análise.

        Por óbvio, o termo “simples” foi empregado como um recurso estilístico que coloca o seu “pitaco” em perspectiva diferente.

        Parece evidente, pelo meu texto, que qualifiquei o Presidente da República como bom mascate, apenas.

        Falar em távola redonda como indicativo de fantasia na verdade parece mais adequado ao seu texto, que “endeusa” a produção “científica” da Rand Corporation… Será que é porque ela é anglo-saxã ? Porque em termos e resultados práticos a política externa norte americana, anglo-saxã e tudo o mais, é um verdadeiro desastre….

        Ou você realmente acredita que foi boa política invadir o Iraque, o Afeganistão e, agora, extender as operações para o Paquistão ? Tudo ao mesmo tempo em que fazem provocações ao Urso Russo e em meio a uma monumental crise financeira….

        Sei não, isso não te lembra o Reich de mil anos ? Aquele que poderia sustentar uma guerra em duas frentes ?

        Poderíamos chamá-la de Democracia de Mil Anos…. Aquela que ignora a teoria do caos e o bom senso de milênios: sabe-se como começar uma guerra, mas não como ela termina….

        Sei não. De tudo, fico mesmo com a minha análise, matutada aqui nos fundos do Brasil, “próximo” ao Alto Xingu.

        Parece-me ter mais contato com a realidade.

        Abraços cordiais,
        dileto pitaqueiro.

      • Clóvis Ribeiro Chaves Júnior disse:

        Estender com s.

  2. Clóvis Ribeiro Chaves Júnior disse:

    Nassif,
    No final do texto, há de haver.

  3. Nassif,
    Até que isso da uma boa discussão. O pano de fundo da tese do André é que a política externa deve ser baseada em interesses pragmáticos, chama-se na teoria política e na teoria das relações internacionais de realismo. Fica fácil entender quando se aponta que o precursor dessa linha é Maquiavel.
    Minha resposta se dá no sentido que a política externa brasileira não segue esse pano de fundo teórico, e que dessa forma não pode ser analisada nesses termos. A política externa brasileira busca ser fiel a princípios maiores, visando gerar credibilidade como um instrumento do poder brasileiro. É uma política ousada e que com certeza está sujeita a riscos, mas é uma política que também traz muitos dividendos ao país.

    A discussão de fundo aí é se a política (externa) deve ser feitas com considerações de ganhos e perdas ou se princípios devem guiar as decisões tomadas. Deixando considerações de ganhos e perdas como secundárias no processo decisório.

    • luisnassif disse:

      Com o Irã estão em jogo interesses comerciais claros.

      • Nassif apontou uma grave lacuna em minha análise. Mantenho minha análise quanto a política externa brasileira, mas tenho que reconhecer que no governo Lula foi adicionado um caráter de promoção comercial do Brasil aos objetivos primários desta. Dessa forma o convite ao presidente do Irã estaria cercado ainda mais desse caráter, de redução das dependências e vulnerabilidades brasileiras no campo econômico-comercial.
        Entretanto, ainda considero importante salientar que a política externa brasileira não segue padrões de cálculos de ganhos e perdas para agir no cenário internacional. Essa análise é feita no momento de concepção dos princípios que devem reger a política externa, mas não na hora de aplicá-los.
        Para deixar claro: pensemos o princípio da não intervenção. O Itamaraty não vai analisar se uma intervenção de um país em outro é ou não vantajosa ao Brasil antes de condená-la, condenará por princípio. Tampouco o Brasil analisará, como fazem os EUA, se o grupo político que se beneficiará de um golpe de estado em um país é favorável ou desfavorável ao país. Veja que o Brasil não é um país que está em plenas condições de se defender em um ambiente de anarquia plena do meio internacional, defender as instituições e normas que mantém o país em condições de defender sua segurança é visto pelo Itamaraty como um interesse superior a qualquer outra ponderação a ser feita.
        De qualquer forma a lacuna apontada pelo Nassif fica presente porque não deixei claro que dentro dos princípios estabelecidos o Itamaraty e o presidente fazem cálculos de ganhos e perdas em questões que não entrem em conflito com os princípios. O timing da visita do presidente do Irã, por exemplo, provavelmente foi escolhido como uma forma de puxar a orelha do Obama por trocar a democracia hondurenha por um funcionário de segundo escalão em um acordo feito com os republicanos. Decisões de renegociar o tratado de Itaipu com Paraguai, de comprar armamentos da França ou de aumentar ou diminuir a participação brasileira em missões de paz da ONU são feitas de acordo com cálculos de ganhos. Mas a política externa brasileira não é caracterizada por esses cálculos, eles não se sobrepõem às analises dos princípios envolvidos.
        Penso, assim como o Itamaraty, que essa é a melhor forma de defender os interesses brasileiros. Pois o Brasil não tem condições de se defender em um ambiente internacional de anarquia completa. O fortalecimento das instituições, princípios e normas que regem o sistema internacional é uma questão de importância máxima para o Brasil.
        Ainda acho que essa é uma questão que merece maior atenção do blog. Após alguns dias e vários comentários meus creio que deixarei minha participação nesse por aqui, mas reitero que um post exclusivo sobre o debate interesses imediatos vs. princípios de política externa seria enriquecedor para o debate.

  4. Gregório Macedo disse:

    Maior parceiro comercial do Brasil: China, desbancando Tio Sam após décadas (ainda que o grosso da coisa seja minério…). Maior bloco parceiro do Brasil: América do Sul e Caribe (incluindo, pois, Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba). Outros parceiros: Arábia Saudita e teocracias ao redor; regimes democráticos e ditatoriais africanos…
    E, claro, Irã.
    Foi exatamente a diversificação das parcerias comerciais uma das responsáveis pela superação da crise mundial por parte do Brasil.
    Mais do que nunca o pragmatismo é necessário. Eis o porquê maior da Venezuela (ao que tudo indica) no Mercosul e do Irã e Israel em bases semelhantes.
    Guardadas as devidas proporções e resguardada a soberania de cada país, é como se o Brasil agisse movido por um consagrado princípio do Direito Tributário: o da NON OLET PECUNIA: o dinheiro não tem cheiro.
    Os empresários brasileiros não têm reparos a fazer a tal política. Muito pelo contrário.
    Tio Sam, por seu turno, continua a importar o petróleo de Chavez (e o volume deve aumentar, visto que a fonte mexicana está secando…), enquanto o famoso complexo industrial-militar pinta o sete contra o Irã. Ambos, Tio Sam e o complexo, ao fim e ao cabo, também eméritos pragmáticos.

    • Andre Araujo disse:

      A China compra minerio de ferro do Brasil, transforma em aço que vende para os EUA. A China é terceirizadora dos EUSA, ao fim o que eles compraram vair em boa parte para o mercado americano devidamente reciclado.

  5. Zelaya fez campanha pela abstenção.

    Ao final do pleito, observou-se uma abstenção de 70% (recorde histórico em Honduras).

    Explica esses números aí prá nós, mestre André.

    • Andre Araujo disse:

      Zelaya já passou. Abstenção em pleitos com voto facultativo são historicamente altas, nos EUA costuma ser mais de 60%, na Suiça tambem, em Honduras há divergencias, cada lado falo dá um numero bem diferente, na atual crise não muda nada.

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