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28/11/2009 - 19:00

A calúnia, segundo Rossini

Por Henrique Marques Porto

Nassif,

Como é sábado vou comentar com música.

Na ária “La Calunnia”, do Barbeiro de Sevilha de Gioachino Rossini, o personagem “Don Basílio” -um esperto e nada ético professor de música- tenta convencer o decrépito “Don Bartolo” da eficácia de se espalhar uma calúnia para destruir a reputação de alguém. Põem em prática o plano, que acaba se voltando contra eles próprios.
Assim é na ópera e assim foi com esse episódio grotesco e lamentável. Benjamin é o “Don Basílio” da vez.
abraço
Henrique Marques Porto

La calunnia – Nicolai Ghiaurov

La calunnia è un venticello,
un’auretta assai gentile
che insensibile, sottile,
leggermente, dolcemente
incomincia a sussurrar.
Piano piano, terra terra,
sottovoce, sibilando,
va scorrendo, va scorrendo
va ronzando, va ronzando;
nelle orecchie della gente
s’introduce, s’introduce destramente
e le teste ed i cervelli
e le teste ed i cervelli
fa stordire, fa stordire e fa gonfiar.
Dalla bocca fuori uscendo
lo schiamazzo va crescendo
prende forza a poco a poco,
vola già di loco in loco;
sembra il tuono la tempesta
che nel sen della foresta
va fischiando, brontolando
e ti fa d’orror gelar.
Alla fin trabocca e scoppia,
si propaga, si raddoppia
e produce un’esplosione.
come un colpo di cannone!
come un colpo di cannone!
un tremuoto, un temporale,
un tumulto generale,
che fa l’aria rimbombar.
E il meschino calunniato,
avvilito, calpestato,
sotto il pubblico flagello
per gran sorte ha crepar

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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17 comentários para “A calúnia, segundo Rossini”

  1. Antonio Cesar disse:

    Aproveitando a deixa, para reforçar a fé no verdadeiro espírito humano, que em alguns momentos uns e outros nos fazem duvidar,um link dedicado ao Otavinho e ao Cezinha. Dois exemplos para um vida longa e feliz. Sem amargor nem fel. Sem atormentações. Apenas a bemquerência.
    http://cosmo.uol.com.br/noticia/42299/2009-11-28/casal-de-102-e-99-anos-comemora-80-de-casados.html

  2. Calvin disse:

    Acho que vcs não deveriam contar com a grande imprensa e a oposição para proteger o PT e Lula de seus próprios fundadores…
    Benjamim, Paulo de Tarso e Chico de Oliveira previram Delúbio e mensalão em 1994, não são loucos.
    Sobre o caso em questão, acho que o Benjamim viu a dramatização que o filme tentou fazer da prisão de Lula, e quis mostrar como ele até piada fazia do período (bem a seu gosto, descrito pelo Caetano).
    Agora, depois de cairem na piada da convocação da Fundação Cobra Coral pelo Virgilio, para ironizar os 88 depoentes que o governo tinha chamado prá explicar o apagão, já deviam estar espertos com piadas….

    • Antonio Cesar disse:

      O problema é que no caso do Cacique a piada foi involuntária, pq eles levavam realmente a sério. O Virgílio/PSDB já tem história anterior de relação com a tal fundação. Ele realmente acredita em duendes.
      Para quem acreditou naquela brincadeira do guaraná Antártica, não é de duvidar.

  3. Helio disse:

    Caro Henrique, te congratulo por nos brindar com esta pérola estraída deste ambiente pantanoso e pestilento. Um elevar da alma.

  4. vagalume disse:

    Nassif, o “causo” contado pelo Benjamim de calúnia não se poderá falar. No máximo, cuidar-se-ia de difamação. É uma pena porque calúnia admite a exceção da verdade.

  5. Ralf Rickli disse:

    Heheheheh… Juro que lembrei hoje dessa ária. Eu era menino, anos 60, meu pai tinha o disco do Barbeiro de Sevilha, e foi com essa ária que eu aprendi o que é calúnia, seu alcance, sua perfídia.

    Desde então, não posso ver uma caso como o atual sem lembrar – e vejo que não sou o único :-D

    • Henrique Marques Porto disse:

      Ralf,
      E pensar que Beaumarchais escreveu a comédia “Le Barbier de Seville” no século 18…
      Em menos de 24 horas os autores da falsa denúncia acabaram como vilões de ópera bufa.
      A ópera é um universo tão vasto que podemos usá-la para recolher exemplos ou fazer blague com praticamente todas as situações.
      abraço
      Henrique Marques porto

  6. Jpox disse:

    Li e reli o texto. Li e reli também as manifestações dos demais envolvidos no caso.

    Benjamin me pareceu mais sincero e coerente. A aparência é de manifesto corajoso e humanista e não de denúncia louca, hipócrita ou venal.

    Na verdade, o jornalista, em um grande jornal, classificou o nosso Presidente como alguém pior que bandidos de alta periculosidade.

    Ou isso é atentado terrorista midiático cujos autores têm que ir para cadeia ou nosso comandante nacional têm que ser expulso da festa da Democracia.

    Entre duas verdades contrárias, uma é ilusão ou, pior, mentira mesmo.

    Nota: Nas duas últimas eleições votei em Lula.

    • Jpox, para você ver como cada cabeça é uma sentença: do texto eu senti brotar inveja e rancor em doses cavalares. Senti, detrás daquelas asquerosas, uma mente tornada imunda e malsã por um sentimento de frustração com a própria incapacidade.
      Os comentaristas todos do caso, que conhecem os dois, no Presidente e o CB, são unânimes em falar que ele devota um ódio profundo ao Lula.
      Aonde você viu serenidade, eu não sei. Mas recomendo uma releitura.

    • Pedro Miranda,Economista,Brasilia,DF disse:

      Tu tá enlouquecido! Lula teve nos dias de prisão a cela mais vigiada do País…sem falar que a índole do presidente não coaduna com esse comportamento, nem que estivesse 30 anos na prisão, quanto mais 30 dias…Acorda rapaz!

    • wilson yoshio disse:

      durepox, o pior preconceituoso sempre usa o mesmo alibi, sem destaque como o teu “not”. ” tenho amigos judeus, tenho amigos pretos, japas, comunistas, viados, pobres…” que mais?Ah, ” votei no lula”…e tome ataque, desses bem singelos tal tua alma…

    • O Lula estava numa cela com vários sindicalistas. A sua conclusão acusa também estes militantes de conivência com o suposto ato insinuado pelo articulista caluniador e o meio pútrido que utilizou para tentar desmoralizar o Presidente da República. Acusa também o senador Tuma, na época responsável pela prisão em que estava o Lula e os sindicalistas, e seus colegas delegados de serem também coniventes.

      Onde está a sinceridade se o sujeito afirma que ouviu e não estava presente no momento?

  7. MANO VÉIO disse:

    Nem acho que a responsabilidade é do Benjamim.

    Acho mesmo que, infelizmente, a Folha não a deveria ter publicado.

    Um fato que teria ocorrido há quase trinta anos.

    Uma conversa que aconteceu há mais de quinze anos.

    Se começarmos a publicar tudo que ouviram dizer…

  8. Elizabeth disse:

    Henrique, a propósito, o teatro São Pedro, aqui em Sampa, iniciou temporada do Barbeiro, com uma turma ótima de Guarulhos. Boa lembrança.

    • Henrique Marques Porto disse:

      Elizabeth,
      Pois o baixo que canta o “Don Basílio” nessa montagem de Guarulhos ganhou uma fonte adicional de inspiração.
      Vale a pena conferir. O “Barbeiro” é sempre muito divertido.
      abraço
      Henrique Marques Porto

  9. marta disse:

    calunia:imputar fato criminoso a outrem.Até provaem contrario estrupo é crime, a pesar de que se não estu esquecida este seria atentado violento ao pudor, (crime igual\) portanto calúnia.

    • vagalume disse:

      Marta, são duas condutas distintas: a do Lula frente ao pobre rapaz encurralado, figura criminosa já prescrita, e a do cientista político ao narrar “a cuja”. Aqui, neste caso, nesta conduta específica, tratar-se-ia quando muito de difamação, que na linguagem popular é “espalhar” fato sobre alguém.

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