A calúnia, segundo Rossini
Por Henrique Marques Porto
Nassif,
Como é sábado vou comentar com música.
Na ária “La Calunnia”, do Barbeiro de Sevilha de Gioachino Rossini, o personagem “Don Basílio” -um esperto e nada ético professor de música- tenta convencer o decrépito “Don Bartolo” da eficácia de se espalhar uma calúnia para destruir a reputação de alguém. Põem em prática o plano, que acaba se voltando contra eles próprios.
Assim é na ópera e assim foi com esse episódio grotesco e lamentável. Benjamin é o “Don Basílio” da vez.
abraço
Henrique Marques Porto
La calunnia – Nicolai Ghiaurov
La calunnia è un venticello,
un’auretta assai gentile
che insensibile, sottile,
leggermente, dolcemente
incomincia a sussurrar.
Piano piano, terra terra,
sottovoce, sibilando,
va scorrendo, va scorrendo
va ronzando, va ronzando;
nelle orecchie della gente
s’introduce, s’introduce destramente
e le teste ed i cervelli
e le teste ed i cervelli
fa stordire, fa stordire e fa gonfiar.
Dalla bocca fuori uscendo
lo schiamazzo va crescendo
prende forza a poco a poco,
vola già di loco in loco;
sembra il tuono la tempesta
che nel sen della foresta
va fischiando, brontolando
e ti fa d’orror gelar.
Alla fin trabocca e scoppia,
si propaga, si raddoppia
e produce un’esplosione.
come un colpo di cannone!
come un colpo di cannone!
un tremuoto, un temporale,
un tumulto generale,
che fa l’aria rimbombar.
E il meschino calunniato,
avvilito, calpestato,
sotto il pubblico flagello
per gran sorte ha crepar


Aproveitando a deixa, para reforçar a fé no verdadeiro espírito humano, que em alguns momentos uns e outros nos fazem duvidar,um link dedicado ao Otavinho e ao Cezinha. Dois exemplos para um vida longa e feliz. Sem amargor nem fel. Sem atormentações. Apenas a bemquerência.
http://cosmo.uol.com.br/noticia/42299/2009-11-28/casal-de-102-e-99-anos-comemora-80-de-casados.html
Acho que vcs não deveriam contar com a grande imprensa e a oposição para proteger o PT e Lula de seus próprios fundadores…
Benjamim, Paulo de Tarso e Chico de Oliveira previram Delúbio e mensalão em 1994, não são loucos.
Sobre o caso em questão, acho que o Benjamim viu a dramatização que o filme tentou fazer da prisão de Lula, e quis mostrar como ele até piada fazia do período (bem a seu gosto, descrito pelo Caetano).
Agora, depois de cairem na piada da convocação da Fundação Cobra Coral pelo Virgilio, para ironizar os 88 depoentes que o governo tinha chamado prá explicar o apagão, já deviam estar espertos com piadas….
O problema é que no caso do Cacique a piada foi involuntária, pq eles levavam realmente a sério. O Virgílio/PSDB já tem história anterior de relação com a tal fundação. Ele realmente acredita em duendes.
Para quem acreditou naquela brincadeira do guaraná Antártica, não é de duvidar.
Caro Henrique, te congratulo por nos brindar com esta pérola estraída deste ambiente pantanoso e pestilento. Um elevar da alma.
Nassif, o “causo” contado pelo Benjamim de calúnia não se poderá falar. No máximo, cuidar-se-ia de difamação. É uma pena porque calúnia admite a exceção da verdade.
Heheheheh… Juro que lembrei hoje dessa ária. Eu era menino, anos 60, meu pai tinha o disco do Barbeiro de Sevilha, e foi com essa ária que eu aprendi o que é calúnia, seu alcance, sua perfídia.
Desde então, não posso ver uma caso como o atual sem lembrar – e vejo que não sou o único
Ralf,
E pensar que Beaumarchais escreveu a comédia “Le Barbier de Seville” no século 18…
Em menos de 24 horas os autores da falsa denúncia acabaram como vilões de ópera bufa.
A ópera é um universo tão vasto que podemos usá-la para recolher exemplos ou fazer blague com praticamente todas as situações.
abraço
Henrique Marques porto
Li e reli o texto. Li e reli também as manifestações dos demais envolvidos no caso.
Benjamin me pareceu mais sincero e coerente. A aparência é de manifesto corajoso e humanista e não de denúncia louca, hipócrita ou venal.
Na verdade, o jornalista, em um grande jornal, classificou o nosso Presidente como alguém pior que bandidos de alta periculosidade.
Ou isso é atentado terrorista midiático cujos autores têm que ir para cadeia ou nosso comandante nacional têm que ser expulso da festa da Democracia.
Entre duas verdades contrárias, uma é ilusão ou, pior, mentira mesmo.
Nota: Nas duas últimas eleições votei em Lula.
Jpox, para você ver como cada cabeça é uma sentença: do texto eu senti brotar inveja e rancor em doses cavalares. Senti, detrás daquelas asquerosas, uma mente tornada imunda e malsã por um sentimento de frustração com a própria incapacidade.
Os comentaristas todos do caso, que conhecem os dois, no Presidente e o CB, são unânimes em falar que ele devota um ódio profundo ao Lula.
Aonde você viu serenidade, eu não sei. Mas recomendo uma releitura.
Tu tá enlouquecido! Lula teve nos dias de prisão a cela mais vigiada do País…sem falar que a índole do presidente não coaduna com esse comportamento, nem que estivesse 30 anos na prisão, quanto mais 30 dias…Acorda rapaz!
durepox, o pior preconceituoso sempre usa o mesmo alibi, sem destaque como o teu “not”. ” tenho amigos judeus, tenho amigos pretos, japas, comunistas, viados, pobres…” que mais?Ah, ” votei no lula”…e tome ataque, desses bem singelos tal tua alma…
O Lula estava numa cela com vários sindicalistas. A sua conclusão acusa também estes militantes de conivência com o suposto ato insinuado pelo articulista caluniador e o meio pútrido que utilizou para tentar desmoralizar o Presidente da República. Acusa também o senador Tuma, na época responsável pela prisão em que estava o Lula e os sindicalistas, e seus colegas delegados de serem também coniventes.
Onde está a sinceridade se o sujeito afirma que ouviu e não estava presente no momento?
Nem acho que a responsabilidade é do Benjamim.
Acho mesmo que, infelizmente, a Folha não a deveria ter publicado.
Um fato que teria ocorrido há quase trinta anos.
Uma conversa que aconteceu há mais de quinze anos.
Se começarmos a publicar tudo que ouviram dizer…
Henrique, a propósito, o teatro São Pedro, aqui em Sampa, iniciou temporada do Barbeiro, com uma turma ótima de Guarulhos. Boa lembrança.
Elizabeth,
Pois o baixo que canta o “Don Basílio” nessa montagem de Guarulhos ganhou uma fonte adicional de inspiração.
Vale a pena conferir. O “Barbeiro” é sempre muito divertido.
abraço
Henrique Marques Porto
calunia:imputar fato criminoso a outrem.Até provaem contrario estrupo é crime, a pesar de que se não estu esquecida este seria atentado violento ao pudor, (crime igual\) portanto calúnia.
Marta, são duas condutas distintas: a do Lula frente ao pobre rapaz encurralado, figura criminosa já prescrita, e a do cientista político ao narrar “a cuja”. Aqui, neste caso, nesta conduta específica, tratar-se-ia quando muito de difamação, que na linguagem popular é “espalhar” fato sobre alguém.