Como o BC agravou a crise do centro-oeste
O papel do BB na crise
O Valor prossegue seu levantamento sobre a crise de liquidez de 2008, mostrando o papel do Banco do Brasil. No momento mais dramático da crise, quando havia a necessidade de prover liquidez para grandes empresas, evitando uma explosão, o Banco Central refugou, em parte por falta de visão, em parte por receio de seus dirigentes de sofrerem algum processo se não seguissem estritamente o manual – enquanto isto, o incêndio lavrando.
Coube ao BB esse papel.
Outro ponto – não contado pela matéria – foi a questão do crédito para o agronegócios do centro-oeste. Ao contrário do sudeste, a base do financiamento não era o crédito rural, mas o desconto de cambiais por parte de grandes tradings.
Da noite para o dia, as cambiais secaram. Nas reuniões internas do governo, o BB insistiu na necessidade do BC abrir linhas especiais para suprir a falta temporária de crédito. Não houve jeito de convencer Mário Torós e Mário Mesquita da necessidade da operação. A mediocridade fulminante do BC impedia de ver além da tesouraria do sistema bancário, sequer o primeiro elo da corrente, os clientes de bancos.
Ponto importante da matéria foi a revelação de que Henrique Meirelles e outros diretores do BC ficaram paralisados pelo receio de algum processo judicial nas operações anti-crise. O risco fo transferido para os dirigentes do BB, que cumpriram sua missão e ainda permitiram ao banco um crescimento excepcional na crise.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Sobre essa matéria do Valor, a Miriam Leitão fez um comentário criticando o BB por ter atuado na crise.
Aqui o link
http://oglobo.globo.com/economia/miriam/
E foi por iniciativa do BB que o governo autorizou os bancos públicos a comprarem bancos privados. Assim, o BB adquiriu o Banco Votorantim e o Banco Nossa Caixa, ambos por má gestão e irresponsabilidade, reduzindo uma possível crise sistêmica.
crise sistêmica….crise sistêmica…
Já ouvi falar disso, mas não lembro bem quando foi….
Foi qdo o malan deu U$1 bi pro cacciola comprar hotel em roma, na italia. um banquinho com alguns pentelhonésimos percentuais desencadearia um crise sistema segundo malan-fhc, caso falisse. Em plena mega hyper super desvalorização do real, reduzido a pó diante do dolar.
Folha de S. Paulo – 24/11/2009
O economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, afirmou que algumas economias emergentes correm o risco de movimentos de capitais incontroláveis, bolhas e acumulação de reservas.
“Esses países têm taxas de juros mais altas que as dos países desenvolvidos e mais pressão sobre as suas taxas de câmbio”, afirmou ao jornal francês “Le Monde”. “Só pode ser difícil para o Brasil ver o real se valorizando quando o yuan está se enfraquecendo com o dólar.”
O diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, também alertou para o risco da “pesada entrada” de capital estrangeiro nos países emergentes. Segundo ele, esse movimento pode trazer efeitos colaterais como disparada no câmbio, bolhas nos preços de ativos e instabilidade financeira.
Sobre uma solução, ele disse que os países têm várias “ferramentas” (como controle de capital, baixar juros e acumulação de reservas), mas que elas têm limitações
Além das vulnerabilidades e erros do BC já muito detalhadas, existe uma ainda pouco explorada: a composição das reservas do Brasil, administradas pelo BC, quase toda ela em títulos dos UEA em dolares, que esta se desvalorizando e com sinais de perigoso colapso, e contrário a isto os países desenvolvidos tem mais de 50% de suas reservas em OURO, já o BC do Brasil mantém apenas 0,5% do total no seguro metal.
Se a crise nos EUA se agrava, nossas reservas viram papel pintado, mais uma irresponsabilidade do BC.
O risco ficou para o ministro Mantega e o Presidente Lula. Eles que deram a cara e enfrentaram toda a sorte de críticas da mídia. Era a “reestatização” bancária que ficavam alardeando. Não reconhecem que se não fossem eles, o país teria ido à breca. Talvez fosse isso o que queriam…
Olha Yuri, a sua teoria é bem plausível, hein?
Talvez a postura do BC tenha se baseado no fato de que não existia crise nenhuma. Economistas mais lúcidos desconfiam que o que acontece é um golpe das classes dominantes nas dominadas, com imensa transferência de recursos públicos para as iniciativas privadas. Como disse nosso presidente, no capitalismo atual o lucro é privado e os prejuízos são socializados.
um contraponto interessante para a ideia de parte da esquerda de que o capitalismo tinha falido…
parece mais uma vez que a mão leve e agora cada vez mais invisível expropriou o lucro e socializou os prejuízos…
E não faliu? Já ouviu o termo médico “tratamento paleativo”?
Aguardemos a próxima bolha, relacionada às administradoras de cartões de crédito norteamericanas.
Nassif, agora você pode ter salvo o Meireles de uma derrota nas eleições para o governo goiano em 2010.
Se ele insistir em se candidatar, já pensou como seus adversários irão explorar isso? O cara que quer ser governador queria mesmo que os goianos fossem à falência.
Mas como o Meireles é mais vaidoso que o Caetano Veloso, acho que ele vai se candidatar sim. E ser massacrado.
O homem do bc vai sair do bc pra ir direto pro governo e ninguem esta achando nada de mais?
Pois ele vai ser agente do bc dentro do governo. Vide quem saiu das privadas pra entrar no governo nos EUA, e vice versa.
Eh todo mundo sabotador.
Parece que o BB está voltando a gracinha que era antes do proes. Belza, quém vai pagar a conta? não precisa dizer, não é mesmo?
Tem uma musica de Chico buarque que diz mais ou menos:
“Você não gosta de mim, mas sua filha gosta”
Quando vejo o Nassif falando mal do BC me lembro da Musica…
” Vc não gosta do Meirelles, mas o Lula gosta…”
…………….
Me lembro também do Ricupero:
” O ruim a gente esconde, o que é bom a gente mostra”
( ou algo assim… sei lá…).
As “cacas” em politica monetaria são feitas pelo Meirelles. Os gols são dele, “o cara”….
O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal deram demonstrações inequívocas da importância de bancos públicos para a sociedade brasileira.
Se esses dois bancos tivessem sido privatizados, o Brasil teria sentido muito mais os efeitos da crise financeira, pois os bancos privados “empoçaram” seus recursos por medo e garantia.
Como ter certeza que a Mírian Leitão não está certa? Vale simplesmente a palavra de um ex-diretor do BC que todo o mundo neste sítio considera mal intencionado ou o fato de que Lula considerava e queria provar que era “”uma marolinha”?
SDS
cláudio
“O risco fo transferido para os dirigentes do BB, que cumpriram sua missão e ainda permitiram ao banco um crescimento excepcional na crise”: a sabotagem sabotou os sabotadores.
Creio que o BB e o BNDES foram os instrumentos principais do jogo de ousadia do Governo do Presidente Lula, o BNDES chegou a criar uma linha de capital de giro para pequenas e médias empresas que foram operadas basicamente pelo BB.
O BACEN foi o grande obstáculo no caminho da recuperação da economia brasileira, além disso os swap cambial reverso provocaram o aparecimentos dos derivativos que colocaram várias empresas me dificuldades.
O BACEN demorou muito para entender a natureza da crise econômica internacional e para dar uma resposta adequada a quebra do Lehman Brothers.
O que provocou a demora em reduzir os juros da Selic, aumentar a liquidez do sistema e a reveter as medidas de aumento de oferta de dólar após o aporte do G-20 ao FMI.
Nos dois momentos fundamentais da crise econômica internacional, a quebra do Lehman Brothers e o aporte do G-20 ao FMI, as respostas do BACEN foram lentas, levaram meses, uma eternidade, para um momento de exigia respostas imediatas.
A rigor a única medida acertada do BACEN foi a redução do compulsório, mas isto foi muito pouco para evitar a quebra de confiança dos agentes ecconômicos e da instalação da espiral recessiva.
É preciso lembrar que apenas em janeiro de 2009, 4 meses depois da quebra do Lehman Brothers é que o BACEN iniciou lentamente a redução dos juros da Selic, chegando antes disso a ameaçar um aumento dos juros da Selic, um verdadeiro absurdo, para não dizer, uma loucura total.
O fato é o Governo do Presidente Lula venceu o jogo de ousadia contra a maior crise do capitalismo, ao conseguir recuperar a confiança dos agentes econômicos e reverter a espiral recessiva provocada pelas não reação do BACEN a maior crise do capitalismo e a quebra do Lehman Brothers.
O nosso problema é o COPOM.
antes, durante e depois da quebra do Lehman Brothers.
O Banco Central, diferentemente dos demais bancos, atua por atrás deles.
Aliás, há uma grande confusão por conta deste órgão se denominado de banco, o que, definitivamente, não é. – nos EUA o nome é mais apropriado: FED.
Os comentários a respeito da atuação do nosso BC ficam rodeando desgraças que poderiam ter ocorrido, na base do quase, o se, e de outros senões negativos. Mas fato é está tudo muito bem. Querem aqui ressuscitar defuntos que nem existiram. Vá se entender por quê?
O Torós saíu naturalmente e disse coisas bobas, já sabidas por todos: não fez chover – nem queria,.
Estamos no BLOG LUIS NASSIF ONLINE desde 2006 discutindo as ações do BACEN, e tudo mais que aparece, de musica a futebol, até o caráter da humanidade.
No olho do furação, o BLOG LUIS NASSIF ONLINE foi um dos poucos, senão o único a apontar os erros do BACEN e as alternativas, uma delas era justamente a ampliação da atuação dos Bancos Públicos e juros da Selic abaixo de 9% ao ano, e a eliminação do diferencial de juros, direta ou indiretamente por meio do IOF, já que os investidores residentes no Brasil pagam I.R. e na fonte.
Centenas de milhares de trabalhadores perderam seus empregos, centenas de milhares de carros deixaram de fabricados e vendidos, bilhões de reais de impostos deixaram de ser arrecadados, e muito mais desgraças ocorreram em função dos erros monumentais do BACEN, que não foram maiores em função da rápida e precisa ação do Governo do Presidente Lula.
Apesar de um deles já ter ido embora, a maioria dos membros do COPOM são mesmos que realizaram os monumentais erros do final de 2008, tudo ducumentado nos relatórios de inflação e nas atas do COPOM.
………………………É preciso lembrar que apenas em janeiro de 2009, 4 meses depois da quebra do Lehman Brothers é que o BACEN iniciou lentamente a redução dos juros da Selic, chegando antes disso a ameaçar um aumento dos juros da Selic, um verdadeiro absurdo, para não dizer, uma loucura total……………………………..
O COPOM demorou até julho de 2009, para reduzir os juros da Selic para 8,75% . ou seja mais de 10 longos meses depois da quebra do Lehman Brothers.
Roberto, o cara tá acostumado com um mercado cuja “agilidade” remonta aos tempos em que se usava ph.
Dá um desconto!
O WSJ e o FT chegavam ao Rio de navio, uns 3 meses depois, mais outro tanto pro pessoal do BC traduzi-lo pro economês tupiniquim… o lag tá adequado pro Philosopho.
“Centenas de milhares de trabalhadores perderam seus empregos, centenas de milhares de carros deixaram de fabricados e vendidos, bilhões de reais de impostos deixaram de ser arrecadados…”
Prezado Roberto: por suposto, você não considerou a crise.
Continuando:
“… e muito mais desgraças ocorreram em função dos erros monumentais do BACEN, que não foram maiores em função da rápida e precisa ação do Governo do Presidente Lula.”
Erros monumentais do BC com consequências de pequena monta? (Ou não foram erros e nem monumentais.)
A rápida e precisa ação do Governo do Presidente Lula, como você disse, até onde sei, se deu através do Banco Central – que é um órgão do governo – com a liberação do compulsório.
Ou, de repente, estaremos nós dois equivocados: eu, porque vejo tudo pelo aspecto philosóphico, você não.
………….A rigor a única medida acertada do BACEN foi a redução do compulsório, mas isto foi muito pouco para evitar a quebra de confiança dos agentes ecconômicos e da instalação da espiral recessiva.
É preciso lembrar que apenas em janeiro de 2009, 4 meses depois da quebra do Lehman Brothers é que o BACEN iniciou lentamente a redução dos juros da Selic, chegando antes disso a ameaçar um aumento dos juros da Selic, um verdadeiro absurdo, para não dizer, uma loucura total……………….
Por hoje estou encerrando, mas espero a volta do contrtaditório nos dias que virão.
Certamente não faltarão oportunidades.
OPS…
Quem foi mesmo que resolveu “blindar ” e dar “status de ministro” à raposa?
Ora, os banqueiros nunca riram tanto da ingenuidade do governo sobre este ponto específico (”nunca antes na história desse país, ganharam tanto dinheiro”).
É óbvio que a visão de nosso “brilhante e seguro orador (ele já foi deputado estadual ou vai se candidatar a deputado federal…. sei lá), é limitada a operações bancárias.
Ser presidente do antigo Banco de Boston, no Brasil (ou mesmo nos EUA), sempre foi visto como um cargo que devia, sempre, ser exercido por quem era hiper seguro para se expressar no idioma inglês e convincente em apresentações (no gênero Consultor) ao Conselho de Administração/Acionistas/Dirigentes na Matriz.
Delfin Neto e Gustavo Franco devem “coçar a cabeça” todas as vezes que a raposa abre o cadeado.
Nassif,
A Míriam Leitão critica o uso do BB no seu blog:
http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2009/11/24/governo-mascara-crise-usando-bb-em-vez-de-bc-243954.asp
E aí? Qual seria a versão mais compatível com os fatos?
Abraços,
Carlos Lessa
Mascara a crise…. Usou o BB porque o BC, blindado pela mídia, travou. Reupere os comentários dela falando sobre a eficiência do BC. Agora, quando se descobre que o BC foi ineficiente, vem com essa lengalenga de mascarar a crise usando o BB. Usou o que tinha à mão.
A grande crítica de Miriam é que mantiveram uma ficção?!
O mercado todo é uma ficção. Às vezes o fato confirma a ficção, às vezes não… Até os ativos reais são voláteis. Há 40 anos um imóvel na Tijuca valia mais que um na Barra, hoje vale menos da metade.
E nem falemos das bolhas.
Deixei uma comentário no blog suino:
Sra. Leitão,
A sra., com seu argumento esta contradizendo o que esta escrito na matéria do Valor.
O Valor escreve explicitamente, que o BC não agiu por “medo” de seus dirigentes sobre possiveis contestações judiciais a suas ações.
Foi o BC portanto INEFICIENTE. Não é o governo o culpado, o governo utilizou as armas que tinha , tendo em vista até a independência do BC para ser INCOMPETENTE.
Acredito que , não querendo contradizer a si mesmo, sra Leitão, a sra. ataca o governo. Ou a sra nega que rasgou o BC de elogios a respeito da conduta na crise ??
Agora que se vê que o verdadeiro responsável pela solidez financeira brasileira durante a crise foi o BB e não o BC, como seria de se esperar, a sra. inventa desculpas.
Vergonhosa e incompetente a gestão “semi-tucana” do BC !
BACEN, BB, BNDS, CEF etc. não são órgãos públicos que integram a administração pública federal? Então, parece que houve um “concertamento bastante harmonioso” no enfrentamento da crise. Parabéns ao “maestro”!
O concerto era entre Fazenda-BB-BNDES-CEF. O Bacen sempre foi um corpo à parte,
Olha aí o PSDB querendo esconder o FHC!
http://br.noticias.yahoo.com/s/24112009/25/politica-cupula-psdb-planeja-esconder-fhc.html
E logo ele que, ao sair, não pediu pra ser esquecido!
Patético.
A matéria do Valor :
“NA CRISE, BB COLOCOU R$ 6,7 BI PARA SOCORRER BANCOS E SADIA
BB FOI USADO COMO BOMBEIRO DA CRISE
Autor(es): Alex Ribeiro
Valor Econômico – 24/11/2009
O Banco do Brasil assumiu o papel de emprestador de última instância para evitar uma crise bancária de grandes proporções entre setembro de 2008 e janeiro de 2009, enquanto o Banco Central relutava em desempenhar essa função, temendo riscos judiciais em operações de empréstimos aos bancos. O BB injetou R$ 5,8 bilhões nos bancos Votorantim, Safra e Alfa durante a crise, para ajudá-los a reforçar o caixa em meio a uma corrida bancária no mundo. O banco federal também socorreu a Sadia, que havia sofrido perdas em operações com derivativos, liberando um empréstimo de R$ 900 milhões.
Executivos do Banco do Brasil e outras fontes do governo revelaram ao Valor o papel do banco estatal nesse período, que no caso dos bancos foi cumprido por meio de compras de carteira de crédito e de depósitos interfinanceiros garantidos por empréstimos.
Ao mesmo tempo em que ajudou a estancar a crise, o BB colocou em prática uma bem-sucedida estratégia que permitiu recuperar a liderança em ativos no mercado bancário, temporariamente perdida com a compra do Unibanco pelo Itaú, anunciada em 3 de novembro de 2008. O acesso a informações sobre a carteira de crédito de bancos concorrentes pavimentou o caminho para a aquisição de metade do controle acionário do Banco Votorantim.
O Banco do Brasil também teve influência direta em algumas decisões tomadas pelo governo para combater a crise. A medida provisória (MP) nº 443, que deu poderes aos bancos públicos para comprar instituições financeiras, foi sugerida ao governo pelo BB especialmente para viabilizar a aquisição da Nossa Caixa. O primeiro esboço da MP foi escrito pelo departamento jurídico do Banco do Brasil.
O Valor apurou bastidores das negociações entre o Banco do Brasil e o governador de São Paulo, José Serra, para a compra da Nossa Caixa. Uma das exigências de Serra foi que o governo federal contivesse a oposição de sindicalistas e do PT paulista ao negócio. Os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Casa Civil, Dilma Roussef, ficaram contra a operação porque ela ampliaria o caixa de São Paulo, fortalecendo Serra na disputa das eleições presidenciais de 2010. O presidente Lula arbitrou a questão em favor da aquisição do banco paulista, mas determinou que o pagamento fosse feito em 18 parcelas.
A identidade de todas as fontes consultadas é mantida sob reserva, mas todas as informações publicadas foram confirmadas com pelo menos três pessoas diferentes que tiveram participação direta nos fatos descritos a seguir:
Resgate ao mercado
O presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco Lima Neto, deixou tarde da noite o Theatro Municipal do Rio de Janeiro naquele 12 de outubro de 2008, depois de assistir um show de Caetano Veloso e Bebel Gilberto que marcou os 200 anos do banco. Na recepção do hotel em que estava hospedado, encontrou outros executivos do BB, a quem relatou a conversa por telefone celular que tivera horas antes com um diretor do Banco Central.
O Votorantim, disse, sofrera uma corrida bancária na sexta-feira anterior, dia 10 de outubro de 2008, parte de um pânico global que levou a ondas de saques em diferentes países. Outras duas instituições financeiras também de médio porte tinham perdido depósitos: o Banco Safra e o Banco Alfa. O Banco Central fizera um pedido explícito para o Banco do Brasil analisar e comprar com urgência parte das carteiras de crédito desses bancos. A solução teria que ser ágil porque, se saques da mesma intensidade se repetissem na reabertura do mercado no dia seguinte, uma segunda-feira, era grande o risco de algum desses bancos não conseguir fechar o caixa e ficar insolvente.
Os executivos embarcaram do Rio para Brasília nos primeiros voos pela manhã e, no edifício Sede III do Banco do Brasil, formaram um grupo para encontrar soluções para o problema. O diagnóstico foi que, com a regulamentação em vigor, seria impossível socorrer tempestivamente os bancos.
O instrumento mais rápido para um banco emprestar para outro são os depósitos interfinanceiros. O inconveniente é que esse tipo de operação não tem garantia nenhuma. O BB não queria ficar exposto aos riscos de instituições financeiras que estavam sofrendo uma corrida de saques.
Outra solução, em tese, seria a compra de carteiras de crédito. Nas três semanas anteriores, o Banco do Brasil havia, a pedido do BC, adquirido empréstimos de instituições financeiras pequenas que perderam depósitos. Mas essa era uma operação que demandava tempo. O BB exigia que os bancos enviassem informações de suas carteiras e só liberava o dinheiro depois de submetê-las a um pente fino. Todo esse processo, no caso dos bancos médios, com carteiras bem maiores, poderia levar algo como quatro ou cinco dias – uma eternidade para quem estava sofrendo uma sangria no caixa.
A solução encontrada foi um misto entre os depósitos interfinanceiros e compra de carteira de crédito. O Banco do Brasil se dispunha a conceder empréstimos por meio de depósitos interfinanceiros, porém com a garantia de carteiras de créditos, as quais mais adiante seriam adquiridas pelo banco federal. O Banco do Brasil procurou, então, o Banco Central e propôs uma nova regra que liberasse os depósitos compulsórios de quem socorresse bancos menores utilizando esse mecanismo. Dois dias depois, na quarta, 15 de outubro, saiu uma circular sobre o assunto.
O arranjo permitiu que o BB liberasse R$ 3 bilhões ao Banco Votorantim e R$ 1,7 bilhão ao Banco Safra. A Nossa Caixa, em virtude das gestões do governo federal, liberou mais R$ 400 milhões para o Safra. No caso do Alfa, constatou-se que o caso não era tão urgente e havia tempo para avaliar as carteiras. Quatro dias depois, o BB injetou R$ 700 milhões no Alfa por meio da compra de operações de crédito consignado.”
Nassif.
Por que então insistir com o Henrique Meireles e toda a sua equipe de “funcionários” por antecipação de bancos privados? Pro bem do Brasil mande essa gente embora!
[...] Na sua coluna, Eles quase quebraram o país, Luís Nassif revelou como na verdade a ação do Banco Central, ao estimular o swap reverso (um derivativo que permitia aos exportadores ganhar com a queda do dólar frente ao real, mas com elevados riscos em caso de subida do dólar), gerou um prejuízo de R$ 10 bilhões para o Tesouro Nacional, jogou na lona empresas financeiramente saudáveis como Sadia e Aracruz, e quase resultou numa crise bancária. Mário Torós deixou o Banco Central na semana passada e agora veio à tona o papel do Banco do Brasil no resgate do sistema bancário brasileiro, quando o Banco Central decidiu lavar as mãos. [...]