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23/11/2009 - 08:15

Importação e desenvolvimento tecnológico

Do Último Segundo

Coluna Econômica 23/11/2009

Uma das maiores dificuldades dos “cabeças de planilha” – economistas que analisam a dinâmica da economia exclusivamente através de modelos matemáticos – é não entender o papel da inovação tecnológica no desenvolvimento de um país.

Em defesa do câmbio apreciado (do real caro) sustentam que estimula a importação de equipamentos. E que esses equipamentos importados modernizam o parque fabril e agregam inovação.

Desde os anos 80, os estudos de Michael Porter desmentiram essa lógica da compra de tecnologia como elemento determinante do desenvolvimento de empresas ou países.

***

Um modelo de câmbio apreciado significa abrir mão do mercado externo. É na competição internacional que as empresas conseguem avançar em processos inovadores, investir em tecnologia – como forma de competir com concorrentes de outros países.

São vários os componentes de competitividade de uma economia: os tributos, o grau de modernização do parque produtivo, a capacidade da mão-de-obra, os custos de financiamentos e o câmbio.

Em um ambiente de câmbio apreciado, com custos onerosos de produção, a compra de uma máquina moderna poderá tornar uma empresa nacional mais competitiva que outra empresa nacional. Mas apenas isso. Não a tornará mais competitiva do que concorrentes internacionais, pela razão de que os equipamentos adquiridos não terão diferencial nenhum, já que adquiridos no mercado internacional.

***

É por essa razão que Porter constatou que eram setores vitoriosos, em cada país, aqueles onde havia desenvolvimento tecnológico autônomo, dos fabricantes trabalhando em estreita colaboração com fornecedores e com institutos de pesquisa.

Só que, com o câmbio apreciado, há um desestímulo amplo ao investimento interno em inovação. Empresas que não lograram sair dos limites do mercado interno não têm gás nem interesse em grandes investimentos em desenvolvimento próprio. Seu horizonte é apenas o de superar os concorrentes mais próximos. Para isso, é mais barato adquirir máquinas importadas do que investir em processos próprios.

***

O mesmo ocorre com pequenos produtores de equipamentos com alguma densidade tecnológica. Seu diferencial, em relação a competidores já consagrados, é o preço. Com o câmbio apreciado (o real mais caro), os importados – que já têm tecnologia superior – também oferecem preços mais atrativos.

***

Assim, no campo do investimento o câmbio apreciado produz a mesma loucura que no campo do consumo. Aproveita-se a oportunidade do importado mais barato para adquirir, contentando o curto prazo à custa do comprometimento da competitividade futura.

***

Na última década, todas as empresas brasileiras que lograram competitividade internacional eram do setor primário da economia – minérios ou alimentos. Cresceram, tiveram acesso ao mercado internacional. Na hora de investir na expansão, buscaram se fixar em outros países, devido à baixa competitividade da economia brasileira.

Sem câmbio, em vez de exportar produtos, o Brasil continuará exportando empresas.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia Tags: , , , ,

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37 comentários para “Importação e desenvolvimento tecnológico”

  1. Hilano Carvalho disse:

    Concordo em gênero, número e grau.

    A saída talvez seja aumentar a massa crítica de técnicos e engenheiros, ampliando consideravelmente o número de universidades tecnológicas e escolas técnicas Brasil afora, de maneira planejada, tal como parece que já está ocorrendo, e incentivar financeiramente aqueles projetos de empresas de alta tecnologia, tanto no âmbito das indústrias de bens de consumo como de bens de capital, sejam essas de sistemas de informação, de maquinário avançado, robótico, nanotecnologia, etc.

    Assim, quantitativamente, o Brasil terá condições objetivas de desenvolver vários centros de pesquisa de excelência voltados para a uma industrialização de ponta, conformando microregiões vocacionadas para o desenvolvimento social e econômico generalizado. É necessário desconcentrar a capacidade produtiva nacional e expandir o desenvolvimento. Dessa maneira, conseguiremos ganhar autonomia produtivo-econômica, tal como ocorre e determina a realidade dos países desenvolvidos atualmente. Primordialmente, precisamos de uma revolução quantitativa e qualitativa na formação tecnológica do povo, passando, necessariamente, pela democratização do acesso ao conhecimento.

  2. comentador disse:

    Notícia do Correio Braziliense de hoje sobre o gás, denota o porquê do desespero da oposição com Dilma. No recente episodio do Gás com a Bolívia, a nossa mídia e alguns dos seus leitores e espectadores queriam que invadíssemos aquele país e nos apropriássemos de suas reservas. Lula, Dilma e José Sérgio Gabrielli foram por outro caminho.

    A partir de 2011, o Brasil poderá exportar gás natural. Desde o desentendimento com o governo da Bolívia, que suspendeu temporariamente o fornecimento em 2006, a Petrobras investiu no aumento da produção. O objetivo era conquistar autonomia em relação ao produto boliviano. Hoje, a estatal ainda joga no ar boa quantidade do que retira de seus campos. Por falta de infraestrutura para aproveitar tudo o que extrai, foram queimados 2,4 bilhões de metros cúbicos de gás entre janeiro e agosto, algo como R$ 1,5 bilhão jogados no ralo. Na média diária, houve um crescimento de 75% no volume despejado.

    Mas a Petrobras vem investindo pesado para aproveitar as suas reservas. Em 2003, existiam 5.451 quilômetros de gasodutos. Este ano termina com um total de 7.930 quilômetros de dutos construídos e, no fim de 2010, serão 9.228 quilômetros implantados. A intenção da estatal é se consolidar na liderança do mercado brasileiro de gás natural, com atuação internacional, conforme consta do seu plano estratégico. E como o consumo interno anda meio deprimido, a solução tem sido usar o gás para gerar energia elétrica. Em 2008, dos 58 milhões de metros cúbicos diários produzidos, 24% — ou 14 milhões de metros cúbicos — foram destinados às termelétricas(1). Em 2017, a geração elétrica deverá consumir 45% de todo o gás produzido — serão 166 milhões de metros cúbicos por dia.

  3. Vladimir disse:

    “Não a tornará mais competitiva do que concorrentes internacionais, pela razão de que os equipamentos adquiridos não terão diferencial nenhum, já que adquiridos no mercado internacional.”

    Nosso diferencial,assim como de grande parte dos BRICs,é a mão de obra ainda barata. Temos ainda problemas de logística,tributos e outros mas,a mão de obra é um diferencial enorme.
    Outro diferencial é o tamanho de nosso mercado interno.Podemos produzir em escala muito superior a grande parte de nossos concorrentes externos que ficam dependentes única e exclusivamente da exportação e,portanto,dos riscos das instabilidades externas.
    O câmbio poderia até favorecer as exportações. Poderia,porque neste momento,um quase pós-crise,ainda persiste na maioria dos países um protecionismo ainda que não declarado oficialmente,pelo menos extra-oficial,onde o protecionismo confunde-se com o nacionalismo.
    O Brasil deve manter sua política monetária e evitar a pura e simples especulação,medidas que já vem sendo tomadas pelo governo.
    O Brasil não está no caminho certo porque tem sorte. O Brasil está no caminho certo porque tomou e tomará medidas concretas no momento correto. Foi este equilíbrio que permitiu ao país manter sua economia sólida mesmo durante a crise e será este equilíbrio que permitirá ao país continuar neste rumo com uma economia cada vez mais pujante.

    • Clever Mendes de Oliveira disse:

      Vladimir (23/11/2009 às 9:38),
      O Brasil, desde maio vem crescendo a taxas de cerca de 6% ao ano. E é um crescimento puxado pelo mercado externo.
      As pressões inflacionárias de um crescimento puxado pelo mercado interno são maiores do que a puxada pelo mercado interno. Se o crescimento for induzido pelo mercado externo, havendo necessidade, o governo pode, por exemplo aumentando os tributos nas exportações, reduzir as exportações aumentando a oferta interna.
      Essas taxas atuais de crescimento só se sustentam se houver muita capacidade ociosa fruto da crise do ano passado. É preciso tomar cuidado por que em breve estaremos suplantando o pico do ano passado.
      A opção de Lula pela moeda valorizada foi uma decisão eleitoreira. É benéfica para o pais no curto prazo. A questão é saber se ela é sustentável.
      Os que defendem a desvalorização do Real e eu no meio deles alegam que o país poderia ter feito a opção pelo câmbio desvalorizado mantendo a a relação de 1 dólar para 2,3 reais do final do ano passado. Só que o pais enfrentaria o paradeiro da economia internacional e haveria o risco de se ter uma recuperação fraca que não viabilizasse a eleição da candidata do governo no pleito do ano que vem.
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 24/11/2009

      • Clever Mendes de Oliveira disse:

        Vladimir (23/11/2009 às 9:38),
        À Frase a seguir transcrita já corrigida e retirada do meu comentário de 24/11/2009 às 18:58, eu preciso fazer duas correções e acrescentar uma pequena explicação:
        “O Brasil, desde maio, vem crescendo a taxas de cerca de 6% ao ano. E é um crescimento puxado pelo mercado interno”
        Acrescentei a vírgula após “desde maio” e troquei mercado externo pelo mercado interno. E acrescento a seguinte explicação. O saldo na Balança Comercial é revelador de um crescimento puxado pelo mercado externo. Ao longo do ano de 2009, o governo reduziu a ênfase na restrição de consumo interno que se manifesta no saldo da balança comercial e vem progressivamente aumentando os incentivos para o crescimento do mercado interno. As importações deverão crescer mais rápido do que as exportações. E mais a frente deverá surgir algum contingenciamento no Balanço de Pagamentos.
        No curto prazo e médio prazo, principalmente até as eleições de 2010, o governo fez a melhor opção. No longo prazo, o país deverá ver paulatinamente a redução das reservas formadas nos últimos 8 anos.
        Clever Mendes de Oliveira
        BH, 09/12/2009

  4. Marcio Flizikowski disse:

    É necessário observar como determinado argumento que sustenta uma tese também serve para destruí-la.
    A lógica apresentada é que, com o real valorizados, mesmo que o produtor local invista na modernização de seus equipamentos, continuará perdendo para o produtor externo, devido ao câmbio apreciado.
    Porém, com o real desvalorizado, então o produtor local não conseguirá competir com o produtor externo pois não terá equipamentos modernos capazes de resultar em uma performance que garantam a competitividade de seus produtos.
    Parece o dilema dos biscoitos Tostines: são mais fresquinhos porque vendem mais ou vendem mais porque são mais fresquinhos?
    Como argumentado anteriormente, a lógica do real valorizado ou desvalorizado implica em benefícios para um setor e malefícios para outro setor. A escolha recai sobre qual a maior necessidade do momento.
    Acredito que no momento, o Brasil necessita de investimentos, o que implica em aquisição de equipamentos no exterior. E para isso, o melhor é o real valorizado, barateando os custos das importações.
    Porém, uma visão pelo víés das regições sudeste e sul (mais desenvolvidas), com parque industrial já instalado, o real valorizado é prejudicial, pois limita a participação no mercado externo.
    Na mesma linha, cito o argumento: “São vários os componentes de competitividade de uma economia: os tributos, o grau de modernização do parque produtivo, a capacidade da mão-de-obra, os custos de financiamentos e o câmbio.”
    Bem, como expostos logo a seguir, não existira diferença entre o produto local e o produto externo em relação ao custo de maquinário, pois este é adquirido no mercado externo. Porém, deve-se destacar outra situação no mercado externo: a maior carteira de demanda e o custo de logística, aliado ao custo tributário.
    Ou seja, a empresa internacional, ao fornecer seu produto, buscará os mercados mais atrativos e se qualquer lugar do mundo ofertar preços melhores pelo produto em relação ao mercado brasileiro, a empresa internacional buscará esse mercado naturalmente. Aliás, um erro crasso nessa análise remete a questão de acreditar o preço do produto é dado pelo seu custo de produção, quando na verdade é dado pela sua demanda no mercado.
    Em paralelo a isso temos a questão da tributação aos produtos importados. No caso de interesse de desenvolvimento de um setor local, o produto externo sofrerá a tributação referente ao Imposto de Importação, que tenderá a aumentar o custo do produto externo, aumento a competividade do produto local no mercado interno. No caso desse setor, após solidificada a indústria e modernizado seu parque industrial, a desvalorização do real levaria as empresas locais a buscar o mercado internacional, e com grande competividade.
    Fazendo uma analogia dessa questão, a defesa do real desvalorizado é similar a acreditar que um time de futebol, antes de se solidificar no seu Estado parta para disputar o campeonato nacional. É pedir para uma empresa que sequer domina seus comércio local, seja competitiva no mercado internacional.

    • Clever Mendes de Oliveira disse:

      Marcio Flizikowski (23/11/2009 às 9:48),
      Sou a favor da desvalorização da nossa moeda, por isso não concordo com você. Sua crítica é, entretanto, bem correta.
      Agora, parte de sua crítica deveria ser destinada a Luis Nassif. A meu ver ele acabou distorcendo os argumentos de Michael Porter. O argumento dele que é válido é o de que são “setores vitoriosos, em cada país, aqueles onde havia desenvolvimento tecnológico autônomo, dos fabricantes trabalhando em estreita colaboração com fornecedores e com institutos de pesquisa”.
      Essa afirmação, entretanto, não guarda relação com o câmbio, até porque como eu disse no meu comentário de 24/11/2009 às 18:06, como a maioria dos americanos Michael Porter é defensor de uma moeda nacional forte (Até para poder comprar mais dos Estados Unidos).
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 24/11/2009

  5. Lewis disse:

    Estes modelos são o ó do forrobodó.
    Primeiro porque esquecem que o investimento é feito em função de retorno do capital e o preço da máquina – ainda que a tese deles estivesse certa, desmentida que é pela história econômica – o câmbio é uma variável que influencia ao mesmo tempo o mercado consumidor e o preço da máquina a ser adquirida. Quando propicia o investimento em máquina importada, pode estar matando o mercado interno e externo, numa tendência a inviabilizar o investimento. E é estranho que eles não se lamentem pelo fato de se importar máquinas que podiam estar sendo fabricadas aqui.
    Segundo porque cada mercado tem sua dinâmica, que varia de região para região e do perfil da clientela a ser atingida. Em produtos sob encomenda o que se vê muitas vezes é que o fabricante com máquinas de última geração, por questões de escala e custo fixo sofre para competir em nichos de pequenas quantidades ou com produtos fora da especificação padrão. O pequeno, com máquina nacional envelhecida tem um diferencial para se garantir.
    Terceiro porque existe o fator comercial que não entra nestas planilhas, a relação pessoa a pessoa, a relação de confiança que permite se chegue a um bom termo em negociações. Nesta relação é que se abrem janelas para driblar a concorrência ajustando a produção com inovações tipo caseiras.
    E mesmo no caso de produtos de prateleira, onde os chineses quebraram muita gente, tem saídas as vezes. A marca também pode contar. É o caso de um grande fabricante de utensílios de Caxias do Sul que consegue se manter com qualidade frente aos chineses. Tem loja “chique” da zona sul de São Paulo vendendo o chinês em 10 vezes, exemplo, lixeiras de inox. Mas a parte interna é plástica e quebra em 10 meses. O nacional é mais caro um pouco, pode-se comprar direto do site do fabricante e dura 10 anos. Mas este é grande o suficiente para bancar este jogo. Hoje garrafas térmicas tem chinês no miolo, porque a partir do momento que um fabricante embarcou nesta e ganhou um diferencial de mercado, outros tiveram que fazer o mesmo.
    Mas o ruim do câmbio baixo, que ninguém cita, é que na importação massiva também existe concorrência braba pelo mercado. Chega um momento que se dá melhor quem importa sem impostos ou num mercado cinza, viciando setores inteiros de compra, desembaraço e venda. Este processo reverte-se e diminui sempre que o câmbio vira. Só isto, seria um motivo e tanto para fazer uma inversão no câmbio.

  6. Fotossíntese disse:

    Esta discussão é primária, da vergonha de ter que repassar este tipo de argumento, por óbvio da questão o cambio como fator de produtividade.
    É de amargar ver o governo sucumbindo para o loby do cambio apreciado, é coisa de lesa pátria, de gente pequena, dar uns trocados a mais para meia duzia de especuladores financeiros, e importadores, e comprometer o desenvolvimento de um país inteiro.
    De jornalistas e economistas de botequim é que não dá para esperar grandeza de raciocínio, este pessoal é barato para contratar um discurso merreca que só favorece o capital internacionalizado.
    É deprimente ainda ver o Lula e seu governo, com a grandeza que ele conquistou com méritos próprios não avançar sobre este loby da mediocridade safada.

    • Clever Mendes de Oliveira disse:

      Fotossíntese (23/11/2009 às 10:30),
      Não creio que o governo esteja “sucumbindo para o loby do cambio apreciado”.
      A questão é que o câmbio apreciado é de interesse eleitoral do governo.
      Esse é o preço que o país paga pela redução do mandato presidencial para 4 anos e a posterior emenda da reeleição.
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 24/11/2009

  7. evandro condé disse:

    Nassif, já perguntei várias vezes, já que sou ignorante do assunto: Como o câmbio valorizado permitiu a Alemanha ser grande exportador? Quais fatores alem dos citados -que provavelmente não possuimos- o permitiram?

    • Clever Mendes de Oliveira disse:

      Evandro Condé (23/11/2009 às 10:43),
      Originalmente o marco alemão era fraco. Ele se valorizou em um período mais curto porque em pouco tempo a Alemanha, com toda a tecnologia desenvolvida durante a Guerra e já antes da Guerra alcançou o nível de desenvolvimento dos países mais desenvolvidos do mundo.
      No Japão o processo foi semelhante. A diferença era que o Japão estava mais atrasado do que a Alemanha e o Japão tinha menor inserção no mercado mundial do que a Alemanha e assim a desvalorização da moeda do Japão foi maior.
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 24/11/2009

      • evandro condé disse:

        Ou seja, não é a moeda valorizada que impede um país de vender seus produtos.

        • Clever Mendes de Oliveira disse:

          Evandro Condé (24/11/2009 às 19:45),
          Exato. A moeda nacional valorizada não impede a exportação. A moeda valorizada não permite é que o crescimento econômico seja impulsionado pelas exportações. Com a moeda valorizada o país não apresenta a capacidade que tem um país de moeda desvalorizada de ter as exportações como acicate, como estímulo ao desenvolvimento econômico por um período que se alonga na proporção inversa do grau de desenvolvimento econômico em que o país se encontra. (Não há evidentemente a precisão que a regra deixa transparecer alem do que se trata de opinião de leigo)
          A finalidade da moeda nacional desvalorizada é permitir que o câmbio incentive o crescimento pelo crescimento do comércio exterior e o paísnão fique submetido aos ditames do capital internacional. Dependência ao capital internacional que geralmente se verifica quando o país executa uma política de moeda nacional valorizada. Com a moeda valorizada, a força das exportações de um país decresce, mas haverá exportações. E o crescimento econômico vai depender de outros fatores: crédito farto para consumo ou investimento, juro baixo, etc. O problema com a moeda valorizada é que o crescimento econômico fica dependendo de não se ter restrições no Balanço de Pagamentos, o que pode ocorrer a qualquer momento dado que as importações começam a crescer em ritmo mais rápido do que as exportações e o déficit nas transações correntes aumenta.
          Clever Mendes de Oliveira
          BH, 09/12/2009

  8. OM disse:

    Nem muito o mar, nem muito a terra…acho que os modelos podem ser complementares. Importar equipamentos pode ser uma forma também de se implementar estratégias de “reengenharia reversa” para complementar a capacitação tecnológica interna (estratégia adotada fartamente pelos países desenvolvidos, os novos e os “antigos”, ressalta-se…). Mas, nada prescinde a autonomia tecnológica local que, além do mais, tem um poder de “transbordamento tecnológico” local muito maior, se comparadao apenas com a importação de máquinas…

  9. evandro condé disse:

    Quanto à afirmativa:”Ou seja, a empresa internacional, ao fornecer seu produto, buscará os mercados mais atrativos e se qualquer lugar do mundo ofertar preços melhores pelo produto em relação ao mercado brasileiro, a empresa internacional buscará esse mercado naturalmente. Aliás, um erro crasso nessa análise remete a questão de acreditar o preço do produto é dado pelo seu custo de produção, quando na verdade é dado pela sua demanda no mercado”
    A pergunta é: mesmo para bens de capital? Vou fazer outra pergunta mas por favor não a entenda como ironia: qual o preço de um gerador de hidrelétrica?

  10. evandro condé disse:

    O último comentário foi dirigido ao Marcio Flizikowski. Saiu fora de lugar.

  11. Luiz l botelho disse:

    Prezado Nassif
    Tomo a liberdade de colocar a minha opinião emitida no Economist sobre o problema da valorização do real :
    ———————————————————————————
    Math Physics
    There is the wide spread feeling that economic advanced countries, like USA, France, Germany, UK,etc.. are trying to turns at a soft landing at all costs the “Wall Street Sub-prime” worldwide present financial crisis “crash landing” by just applying the same “Structured Investment Vehicle” protocols on those countries with sound external reserves in Dollars like Brazil, China,etc…- That may be the underlying fact that some pre crisis weak currencies like the Brazilian real has steadily absorbing a gain against the USA Dollar of 50% in the last year!.Some Societies (inspired by the USA) has sadly forgotten that simple credit concession always appears in a short time as a economic dinamization protocol, since it leads to a grow into the goods consumption .But irresponsible governments and intensively corrupted Political Parties hide the economic fact that debt must be paid with interest rates and is nothing more than advancement of future consumers consumption with all meltdown catastrophic hideous consequence specially focused at the last ring of the “Structural Investment Vehicle” (junk) financial international market target : The families huge debt grown and the Countries External and internal deficits coming from fake industrialization politics of “making the salted water drinkable”!.

  12. docontra disse:

    “A saída talvez seja aumentar a massa crítica de técnicos e engenheiros”

    Não é só isso. Se voce formar mais engenheiros e não tiver lugar para empregá-los? Vão continuar indo trabalhar em bancos, dar aulas, dirigir taxis ou tocar negócios da família.

    O Nassif acertou. Precisamos criar condições para que o empresário exporte, compita com empresas inovadoras e invista em processos próprios e inovadores.

    • Hilano Carvalho disse:

      Parece que você só leu a primeira frase do que escrevi. Se você ler um pouco mais, verá que, além de eu concordar com o Nassif, você foi meramente tautológico.

      • docontra disse:

        voce inverteu a causa e o efeito…só isso…nao se começa pela mao de obra…mas pela demanda..

        • Lewis disse:

          A questão é o mercado estável, com câmbio estável para uma economia competitiva, é portanto questão mais de demanda. O que existe de casos de engenheiros e técnicos diversos que trabalharam 5, 10, 20 anos em algo, faziam parte de uma massa crítica, da memória da empresa e da parte técnica do negócio e simplesmente mudaram até de profissão, porque a empresa perdeu mercado, porque o mercado micou no Brasil, ao menos como indústria. Área têxtil aconteceu muito por exemplo.
          Tecnologia se compra e o resto acontece dentro da empresa e do setor. Isto é o bom da história, não chega a ser um bonde perdido dependendo da escala e integração de tecnologias. Exemplo, se eu desenvolver uma máquina com shaf-less (sem cardan) tenho opções de compra no mercado. Porém não é mesma coisa se eu quiser copiar um avião Embraer, é necessário a pré-existir a inteligência de construção.

        • Hilano Carvalho disse:

          Como as empresas podem ser inovadoras sem uma quantidade de engenheiros e técnicos em massa e de elevada qualificação?

          Vai me dizer que a causa do desenvolvimento social e econômico dos países do Norte deve-se à demanda tão- somente, ao mercado? Pelo seu raciocínio, a China então deveria ser o país mais desenvolvido, enquanto a Dinamarca deveria ser o país menor desenvolvido do mundo. Você é quem toma o efeito como causa.

          Além do mais, você simplificou em demasia a tese desenvolvida por Nassif. Tese essa, aliás, muito propalada pelos desenvolvimentistas, tal como eu, em certa medida, apresento-me muitas vezes.

          Ele se refere a um processo social de desenvolvimento tecnológico generalizado, não se tratando apenas de uma causação mercadológica, como você se refere em:

          “Precisamos criar condições para que o empresário exporte, compita com empresas inovadoras e invista em processos próprios e inovadores”.

          Uma total obviedade. Eu lhe pergunto, quais condições são essas? A condição financeiro-econômica é apontada por Nassif, mas vai além disso, ao meu ver, pois visa a um aprofundamento das relações sociais de produção Brasil afora. É isso o que distingue os países socialmente desenvolvidos dos não-desenvolvidos.

        • Hilano Carvalho disse:

          Ademais, quando você diz que é a demanda que é a causa do desenvolvimento, você comete um erro lógico grave, uma vez que entifica algo que não tem referência na realidade objetiva. É um erro recorrente para aquelas que usam a linguagem de uma maneira descuidada; comum entre os economistas e cientistas sociais acríticos.

        • docontra disse:

          O Brasil forma engenheiros e técnicos de bom nível e em boa quantidade. A maioria deles não trabalha com engenharia.

          Não é esse o gargalo para o desenvolvimento de tecnologia por empresas e pelo Estado.

          É simplesmente questão de prioridade. As corporações brasileiras não inovam pois não tem razão forte. Competição no exterior é coisa rara. Já o mercado interno, como explicou o Nassif, não demanda tanta inovação, basta uma máquina ou processo importado.

        • docontra disse:

          Logicamente, a longo prazo a formação de engenheiros pode ser um dos gargalos. Mas ainda não é. Se for, a empresa pode investir no treinamento do pessoal ou até formar uma universidade corporativa.

          O negócio é atrair a mão-de-obra treinada pelas melhores universidades para trabalhar com pesquisa e desenvolvimento dentro das empresas.

        • Hilano Carvalho disse:

          Essa é a tese central:

          “Porter constatou que eram setores vitoriosos, em cada país, aqueles onde havia desenvolvimento tecnológico autônomo, dos fabricantes trabalhando em estreita colaboração com fornecedores e com institutos de pesquisa.”

          Discordo que o Brasil forma engenheiros e técnicos em quantidade suficiente e de qualidade razoável. Há excelentes escolas de engenharia, como é o caso da USP, ITA, IME, mas são poucas para atender a demanda nacional. A defasagem quantitativa de engenheiros e técnicos é enorme quando comparada com os países desenvolvidos. Além disso, a concentração de formação tecnológica no Sudeste é um reflexo de um modelo de crescimento econômico não-planejado, que se desdobra justamente pela sua lógica do mercado, da demanda. Não é à toa que, no Brasil, o agronegócio exportador continua a ser fundamental. O problema está na oferta de produtos de alto valor agregado. Como isso é possível sem que as condições técnicas subjetivas e objetivas estejam satisfeitas? Ou seja, como atingir o tal estágio de desenvolvimento tecnológico autônomo sem uma massa crítica capaz de levar o país a uma tal consciência e realidade superior?

  13. docontra disse:

    “Nosso diferencial,assim como de grande parte dos BRICs,é a mão de obra ainda barata”

    Nossa mão de obra técnica não é tão baixa quanto os outros BRICS. Não tenhamos essa ilusão. O técnico, operário, engenheiro e gerentes chineses, indianos e russos ganham muito menos que os similares nacionais.

    Em algumas empresas, nossos custos (salario, impostos e trabalhistas) são equivalentes aos Europeus, Canadenses ou dos EUA.

    • Clever Mendes de Oliveira disse:

      Docontra (23/11/2009 às 12:52),
      Como era mesmo a propaganda do candidato Clinton em 1992?
      É isto que quem defende o câmbio com a moeda nacional valorizada deveria entender: se se desvaloriza para reduzir o custo da mão-de-obra.
      Eu, que defendo a moeda nacional desvalorizada, não tenho contra argumento aos que se opõem a que se reduzam os salários dos trabalhadores de um país, a não ser prometer um paraíso no futuro, se um aventureiro não chegar antes e tomar tudo para ele. E essa defesa é ainda mais difícil quando se lembra do discurso que se atribui a Delfim Netto de que primeiro é preciso deixar o bolo crescer para depois dividir.
      É a grande dificuldade da proposta de se ter para países em desenvolvimento a moeda nacional desvalorizada.
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 24/11/2009

  14. Jurgen disse:

    Não sei se por medo, desconhecimento ou outros motivos nada nobres, não se investe em pesquisa. Daí a inovação tecnológica vai sair da onde?

    Concordo com o ajuste cambial como base ao modelo exportador. Eu só não sei qual a melhor maneira de conseguir este objetivo. Utilizar câmbio fixo? Algum artifício dentro do câmbio flutuante?

  15. Interessante elencação esta produzida pelo Sr. Nassif ….

    “São vários os componentes de competitividade de uma economia: os tributos, o grau de modernização do parque produtivo, a capacidade da mão-de-obra, os custos de financiamentos e o câmbio.”

    No meu gosto ainda faltam mas três.

    Porém o que realmente não existe e faz toda a diferença entre o Brasil e a Alemanha e a capacidade de compor um todo orgânico com estas variáveis e direcioná-lo para um futuro melhor para este explorado, dilapidado, surrupiado povo brasileiro, que com certeza, merece melhor sorte.

    No meu modo de ver falta conhecimento e competência para os que são encarregados de gerir esta nação. Fugiram da escola.

  16. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Está difícil de analisar esse texto seu. Você distorce as idéias de Michael Porter para defender a a desvalorização da moeda, utilizando em uma seqüência lógica não muito verossímil constatações verdadeiras. Deixo então o que eu consegui contrapor aos seus argumentos.
    A constatação de Michael Porter em “Vantagem competitiva das Nações”, autor pelo qual eu não tinha, quando ele surgiu ali no início da década de 90 (Final de 80), a mesma simpatia que você, é, no caso de afirmar a superioridade do desenvolvimento tecnológico autônomo para criar setores vitoriosos, até que simplória. Não me parece, entretanto, que ela tenha sido utilizada por Michael Porter para defender a desvalorização do da moeda de uma nação. Por uma porque Michael Porter, como a maioria dos autores americanos, não é a favor da desvalorização da moeda nacional. E por duas porque o uso da valorização da moeda para importar não traz vantagem competitiva dentro do próprio país como você alega, pois a concorrente poderá fazer a importação também. E se pode dizer que traz vantagem em relação ao país de moeda mais fraca que não conseguisse importar o equipamento.
    A percepção de que a proposição do câmbio com a moeda nacional desvalorizada para países em desenvolvimento pouco avançado tecnologicamente é mais moderna não decorre de se constatar que
    “Um modelo de câmbio apreciado significa abrir mão do mercado externo”.
    Pois essa é uma constatação simplória que é sabida desde que o mundo é mundo.
    Trata-se de concepção mais moderna porque se constata empiricamente que essa é a forma que melhor resultados traz aos países em desenvolvimento. No ano passado saiu no Valor Econômico de 29/02/2008 o artigo “Não aprenderam nada, não esqueceram nada” de Fábio Scatolin, Gabriel Meirelles e Marcelo Curado com muitas indicações de estudos acadêmicos mostrando a superioridade do câmbio desvalorizado.
    O problema do câmbio com a moeda nacional valorizada são as crises no Balança de Pagamentos. Crises que deixam a economia, por mais que ela esteja voltada para o mercado interno, dependente das finanças internacionais.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 24/11/2009

    • luisnassif disse:

      Aiaiaiaiaiai Clever, o que estou dizendo: 1. Segundo o próprio Porter, tem que ter desenvolvimento tecnológico autônomo. 2. Enquanto o câmbio for desfavorável, as indústrias preferirão importar máquinas a desenvolver tecnologia internamente. Da série o Blogueiro sofre mais com o Clever.

      • Clever Mendes de Oliveira disse:

        Luis Nassif (24/11/2009 às 18:10),
        Ok, você venceu . . . mas com um argumento que não estava no texto e certamente (talvez devesse dizer provavelmente) não estava no livro de Michael Porter.
        No texto você disse:
        1a) “Em um ambiente de câmbio apreciado, com custos onerosos de produção, a compra de uma máquina moderna poderá tornar uma empresa nacional mais competitiva que outra empresa nacional. Mas apenas isso. Não a tornará mais competitiva do que concorrentes internacionais, pela razão de que os equipamentos adquiridos não terão diferencial nenhum, já que adquiridos no mercado internacional.”
        De 1a) se conclui que a moeda mais apreciada torna o pais todo mais eficiente e as empresas que adquirirem equipamentos importados mais competitivas no mercado interno, mas não mais competitivas no mercado externo.
        E nem vou fazer críticas a 1a), como lembrar que se está esquecendo o preço e produtividade da terra, o preço e a produtividade da mão-de-obra, a logística porque você colocou (embora aqui eu devesse dizer descolocou, tão mal colocado estava) no meio a seguinte frase:
        “São vários os componentes de competitividade de uma economia: os tributos, o grau de modernização do parque produtivo, a capacidade da mão-de-obra, os custos de financiamentos e o câmbio”.
        E em seguida você diz:
        2) “É por essa razão que Porter constatou que eram setores vitoriosos, em cada país, aqueles onde havia desenvolvimento tecnológico autônomo, dos fabricantes trabalhando em estreita colaboração com fornecedores e com institutos de pesquisa”
        Não foi por essa razão, ou seja, a razão apresentada anteriormente, que ele constatou o que ele constatou.
        Bem, você pode dizer que eu reduzi seu argumento porque em 1) há também a seguinte passagem
        1b) “Um modelo de câmbio apreciado significa abrir mão do mercado externo. É na competição internacional que as empresas conseguem avançar em processos inovadores, investir em tecnologia – como forma de competir com concorrentes de outros países.
        Reduzi porque achei essa parte muito fraca. Primeiro porque um modelo de câmbio apreciado não significa abrir mão do mercado externo. Com o câmbio apreciado o Brasil tem hoje as exportações 5 vezes maiores do que as exportações na década de 80, para um PIB que em moedas nacional nem sequer duplicou.
        O modelo de câmbio apreciado significa não usar o mercado externo como acicate ao desenvolvimento.
        E segundo porque a competição internacional é mais indutora do avanço tecnológico, mas não é apenas lá que ocorrem as inovações.
        Clever Mendes de Oliveira
        BH, 24/11/2009

    • Clever Mendes de Oliveira disse:

      Luis Nassif,
      Faço um pequeno acréscimo na frase do meu comentário de 24/11/2009 às 18:06 mostrada a seguir:
      “Trata-se de concepção mais moderna porque se constata empiricamente que essa é a forma que melhor resultados traz aos países em desenvolvimento”
      Queria dizer que:
      “O câmbio com a moeda nacional desvalorizada para países em desenvolvimento pouco avançado tecnologicamente é concepção mais moderna” “porque se constata empiricamente que essa é a forma que melhor resultados traz aos países em desenvolvimento”.
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 24/11/2009

    • Clever Mendes de Oliveira disse:

      Luis Nassif,
      Fiquei resistente a esse seu post “Importação e desenvolvimento tecnológico” de 23/11/2009 às 08:15 desde o início, pois não creio que o Michael E. Porter possa ser utilizado para fazer a defesa da desvalorização da moeda nacional. É da natureza dos economistas americanos não atribuírem importância à moeda desvalorizada como fator de impulso ao crescimento econômico. Além da tendência americana de desdém ao câmbio, é de se considerar também que, pela própria formação de Michael E. Porter, licenciado em Engenharia Mecânica e Aeroespacial com MBA e doutoramento em Economia, seria muito difícil que ele fosse atribuir somente a uma mera desvalorização da moeda a razão para o crescimento econômico. Nem sujeitaria ele a escrever um livro de cerca de 900 páginas para propor uma solução que um aluno do jardim da infância reproduzindo alguma propaganda eleitoral poderia propor dizendo “É o câmbio, idiota”.
      O reflexo dessa tendência americana no Brasil é deplorável e esse reflexo foi bastante acentuado a partir do forte vínculo educacional que se estabeleceu entre o Brasil e os Estados Unidos. Como a maioria dos nossos economistas possui mestrado ou doutorado naquele país, traz-se para cá também essa concepção de que com outros artifícios é possível fazer o país crescer em ritmo bom.
      Qualquer um que acompanhou o surgimento do Japão no após guerra sabe que o pais era reconhecido na década de 60 por inundar os Estados Unidos com mercadorias de péssima qualidade e a preços baratos. Qualquer um que fosse contar a história econômica do Japão teria que mencionar a moeda fraca do Japão na década de 50 e 60 como fator importante para a difusão dos produtos japoneses pelo mundo.
      No livro “A Vantagem Competitiva das Nações” tradução de Waldemar Dutra, 5ª Edição, Rio de Janeiro: Campus, 1989, há uma parte dedicada ao Japão. Vale à pena transcrever alguma coisa do que disse o Michael E Porter sobre o Japão no livro. O livro é dividido em partes. Assim, na Parte I, ele trata sobre “As Bases”, na Parte II ele trata sobre “As Indústrias”, na Parte III ele trata sobre “As Nações” e na Parte IV ele trata sobre “As Implicações”. Na Parte III sobre “As Nações”, ele faz um introdução com o título “As Nações” e em seguida divide essa parte em quatro capítulos, o 7º, o 8º o 9º e o 10º. Interessa aqui o Capítulo 8º com o título de “Países em Surgimento nas Décadas de 1970 e 1980”. Há três seções nesse Capítulo 8º, a primeira é “A ascensão do Japão”, a segunda é “A Itália em crescimento” e a terceira é “A Coréia em ascensão”. A seção “A ascensão do Japão” vai da página 440 até a página 479. Essa seção “A ascensão do Japão” possui além de uma breve introdução oito subseções, a saber: 1) Padrões da vantagem nacional japonesa, 2) Condições de fatores japonesas, 3) Condições de demanda (Aqui Michael E Porter vai mostrar como o crescimento rápido do mercado interno japonês cria vantagens competitivas significativas), 4) Indústrias correlatas e de apoio, 5) Estratégia, estrutura e rivalidade de empresas, 6) O papel do governo (Aqui há uma breve menção ao câmbio quando, ao relacionar entre uma série de medidas que o governo adotou e que favoreceu a competitividade do Japão, ele diz: “conteve as taxas de câmbio”. É pouco, mas era isso que se pedia e se pede que o governo brasileiro fizesse quando a taxa de câmbio chegou a 2,3. Era para o governo impedir que ela subisse e também que ela caísse), 7) O papel do acaso e 8) O Japão em perspectiva.
      Na introdução à seção “A Ascensão do Japão” há a seguinte passagem que revela um pouco sobre o Japão e um pouco sobre o Michael E. Porter ao revelar a crença dele de que ele apresenta novas razões para o crescimento econômico. Transcrevo então a passagem de interesse:
      “A história do sucesso econômico do Japão já foi contada, muitas vezes, nos últimos anos. É uma história que geralmente atribui o papel de estrela ao governo e da ênfase às práticas administrativas japonesas. Minha visão pessoal do sucesso do Japão é um pouco diferente”.
      É de se pensar que ele fosse falar do câmbio já que a visão dele é diferente daqueles que fazem menção ao papel do governo e das práticas administrativas japonesas. Na subseção “Padrões da Vantagem nacional japonesa” há apenas a relação dos setores industriais japoneses presente nas exportações japonesas. Resta-se então ver como ele trata da vantagem competitiva do Japão na subseção “Condições de fatores japonesas”. Para entender a análise de Michael E. Porter, sobre as condições de fatores é importante uma rápida leitura na página 90 do livro. Na concepção dele, o estoque de fatores tem menor importância do que o ritmo como eles são criados e, assim, muitas vezes, a abundância de fatores pode enfraquecer a vantagem competitiva enquanto, desvantagens seletivas contribuem para um êxito competitivo continuado.
      Assim, a subseção “Condições de fatores japonesas” depois de uma introdução vai tratar em suas subsubseções dos “Mecanismos de criação de fatores” e de “Desvantagens seletivas de fatores”. A subsubseção que nos interessa é a “Desvantagens seletivas de fatores”, pois na primeira subsubseção “Mecanismos de criação de fatores” o autor mais se delonga em comentar sobre a boa qualidade do sistema educacional japonês, importante instrumento de criação de fatores.
      Na subsubseção “Desvantagens seletivas de fatores” há duas passagens em que se pode perceber o quão longe o Michael E. Porter fica da questão cambial. Na página 455 ele inicia a subsubseção com a seguinte passagem:
      “A vantagem competitiva nacional japonesa raramente se deve a vantagens em fatores básicos. Ela vem, com freqüência, dos mecanismos existentes para criar fatores especializados, relevantes, dos mecanismos existentes para criar fatores especializados, relevantes a determinadas indústrias. Tão importante quanto a criação de fatores, porém, é o estímulo proporcionado pelas desvantagens seletivas de fatores que as firmas japonesas enfrentam”.
      E para concluir, na página 457 há a seguinte passagem:
      “Uma última e forte desvantagem seletiva foi a elevação do iene iniciada em 1973 e, particularmente, a revalorização ascendente, que começou em meados da década de 1980, e levou a uma atividade febril das empresas japonesas para compensá-la. Aumento da produtividade pela automação, passagem para segmentos de produtos mais sofisticados e produção globalizada foram três reações típicas, todas extremamente benéficas à manutenção, a longo prazo, da vantagem japonesa. Sob intensa pressão competitiva interna, a reação à revalorização foi rápida e levou ao pronto aprimoramento da indústria japonesa”.
      Para um alienígena que chegou à Terra em 1970 e foi embora no final da década de 80, o texto de Michael E. Porter é bastante esclarecedor, pois ele bem ilustra como foi o Japão naquele período. Não há nada a respeito do iene desvalorizado na década de 50 e 60, nem a respeito da crise que acometeu ao Japão na década de 90.
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 09/12/2009

      • Clever Mendes de Oliveira disse:

        Luis Nassif,
        No meu comentário enviado em 24/11/2009 às 18:06, eu disse que “eu não tinha [por Michael Porter], quando ele surgiu ali no início da década de 90 (Final de 80), a mesma simpatia que você”. Não tinha e não tenho, mas reconheço que hoje ele me parece melhor do que na época em que eu vivia tentando ler os textos dele que de tanto enfadonhos só me permitiam uma leitura espaçada.
        No meu comentário de 09/12/2009 às 20:03, eu faço uma análise do Michael E. Porter a partir dos dados que eu retirei da página sobre ele na Wikipedia. O interessante é que havia na página da Wikipedia uma referência a um texto critico ao Michael E. Porte. Fiz a busca na internet e baixei o arquivo da Revista de Administração de Empresas Jul./Set. de 2002 (RAE • v. 42 • n. 3 • Jul./Set. 2002). O título do artigo é “Governança e pensamento estratégico: uma crítica a Michael Porter” de autoria de Omar Aktouf, professor titular da HEC, Montreal (École des Hautes Études Commerciales de Montréal).
        Só agora a noite tive oportunidade de ler parte da crítica. É claro que com melhores bases metodológicas e mais profundidade na análise Omar Aktouf faz crítica semelhante a minha. Não vi na crítica de Omar Aktouf referência à ausência na abordagem de Michael E. Porter da relação do câmbio com vantagens competitivas das nações.
        Clever Mendes de Oliveira
        BH, 09/12/2009

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