Collor e a Rede Globo
Por Jura
O comuniquese traz entrevista de Collor falando da sua relação íntima e infantil com a Globo. O que será que ele fez pra Veja e Globo para acabar como acabou?
Da Redação do Comunique-se
Collor sobre eleição de 89: “Globo nunca declarou ‘eu apoio esse candidato’”
A relação que tinha com a TV Globo ajudou e muito o ex-presidente Fernando Collor de Mello a “evitar armadilhas” durante as eleições de 1989. O senador pelo PTB de Alagoas contou, em entrevista ao UOL, que percebeu nos meios de comunicação na época receio de o Brasil ter um governo comunista. Por isso, diz ele, que a imprensa era “simpática” à sua candidatura. No segundo turno, quando concorreu com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele diz que não houve “bem um apoio” da Globo a ele. “A Globo nunca declarou ‘eu apoio esse candidato’”, disse.
A relação com Roberto Marinho e família já vinha de longa data. Collor lembra “momentos de convivência com dr. Roberto”, já que seu pai, Arnon de Mello, foi sócio do empresário em empreendimentos imobiliários no Rio de Janeiro. “Enfim, as famílias se frequentavam”, recorda, destacando que quando sua família montou uma TV em Alagoas, Roberto Marinho ofereceu a programação da Globo, tornando-se afiliada.
Essa relação, diz, “sem dúvida nenhuma, ajudou bastante a evitar armadilhas”.
Pelo que conta, as conversas com Roberto Marinho sobre seu comportamento durante a campanha eleitoral eram frequentes. O empresário e jornalista dava conselhos a Collor sobre como se portar. “Ele disse uma vez: ‘meu filho, você está muito irritado. Você não deve usar certos termos, não precisa fazer isso. Vai contra você’”. Ele se recusou a dizer que termos foram esses.
Mídia à procura de um candidato
A imprensa estava “à procura de um candidato” quando Mário Covas apareceu, podendo representar o sistema capitalista. Alguns dos veículos, segundo Collor, o viam ligado aos comunistas. Para que então ele pudesse ser lançado candidato há 20 anos foi ao plenário do Senado Federal para declarar seu apoio ao capitalismo, transmitido ao vivo, na época, durante o horário em que os principais telejornais iam ao ar. Mas o tucano Covas “não conseguiu passar a mensagem ao eleitorado e não decolou”.
“A minha candidatura foi de alguma maneira tida como simpática porque não havia outra alternativa”.
Ele diz não ter percebido qualquer problema em relação à “questão pessoal” de Roberto Marinho com Lula e Silvio Santos, pelo PMB. Collor conta que havia “notória a indisposição” entre Brizola e Roberto Marinho.
Edição da Globo no debate?
O desempenho de Collor no debate no segundo turno foi melhor do que o de Lula, na opinião do atual senador. Ele não vê qualquer favoritismo da Globo em relação a sua candidatura.
“Quando a lenda é mais interessante do que a verdade dos fatos, publica-se a lenda”.
E comparou a edição do debate à edição de um jogo de futebol. “No primeiro, eu não fui bem, e isso ficou explicito na edição que fizeram (…). Mas no segundo debate eu fui muito bem. Mas como tem que ser editado é a mesma coisa que editar jogos de futebol. Vai pegar os melhores momentos do time que ganhou (…). Pareceu que houve algo editado mas não foi. Houve trabalho jornalístico claro e nítido.”.
A edição que foi ao ar provocou tanta polêmica que obrigou a emissora a não editar mais debates políticos.
Comentário
O candidato inicial da Globo era Mário Covas, que até aceitou assinar o manifesto “Choque de Capitalismo” – redigido por Jorge Serpa, o ghost writer de Roberto Marinho.
Esse capítulo merece ser contado um dia. Os redatores de Covas prepararam um documento que foi submetido a Serpa. Este achou que faltava um lide forte, e escolheu o tal “Choque de Capitalismo”, que deixou chocados muitos eleitores de Covas.
A Globo só aderiu a Collor quando ele atingiu 25% das intenções de voto.
Autor: luisnassif - Categoria(s): História Tags: Collor, Globo, Roberto Marinho

“Esse capítulo merece ser contado um dia. Os redatores de Covas prepararam um documento que foi submetido a Serpa. Este achou que faltava um lide forte, e escolheu o tal ‘Choque de Capitalismo’, que deixou chocados muitos eleitores de Covas.”
E daí derivou a expressão “choque de gestão”?
Bem lembrado, Silvana! Deve ter sido isso mesmo.
Algum dia seremos todos eletrocutados, se não ocorrer um apagão antes!
Sil: bem lembrado.
Pra quem nao sabe o cricrime do valor da moeda chinesa estar baixo eh que ele permite circulacao de mercadorias em areas –paises– aonde elas nao sao permitidas… ja pensou se a todo mundo fosse permitido comprar e nao sobrasse mercadoria barata, digamos, pra Zeuropa? O famoso “choque de gestao” eh retirar dinheiro de circulacao para que nao exista consumo. E Minas Gerais nao tem ferro algum em evidencia. Nada.
Silvana (17/11/2009 às 14:12),
Não tenho certeza, mas creio que já fiz uma crítica ao “Choque de capitalismo” aqui no blog do Luis Nassif. A esquerda até o PSDB não sabia mentir. O PSDB é que veio com uma série de slogans falsos para esconder a ideologia de esquerda que eles possuiam. Dai surgiu o slogan em defesa do parlamentarismo: “governo bom o povo põe (ou deixa), governo ruim o povo tira”. Eu digo falso pelo fato de eles não acreditarem nesse slogan, mas em si o slogan não pode ser provado falso ou verdadeiro.
Outra forma também de não dizer nada parecendo dizer muito era o slogan do Roberto Freire em 89: “É preciso desprivatizar o Estado”. E Covas veio com esse de “Choque do capitalismo”.
O problema da esquerda em 89 foi a queda do muro de Berlim. E ai tudo servia para esconder de que lado ela estava. De todo modo aquela disputa era ainda mais difícil se se levasse em conta a importância da Rede Globo. Por sorte da esquerda, o grande inimigo da Rede Globo era o Brizola. Por falta de sorte, não apareceu ninguém para substituir Brizola na esquerda. Por sorte da esquerda, o Estado de São Paulo foi esfrangalhado para a disputa e Lula pode ir ao segundo turno com meros 15% de votos e ficou segurando a peteca até ganhar em 2002.
Nessa discussão sobre o papel da rede Globo o que não se diz é sobre o acordo Paulo Maluf, Roberto Marinho e FHC. Pelo acordo, Paulo Maluf não se descompatibilizaria para não pulverizar os votos de São Paulo, Roberto Marinho apoiaria FHC mas faria de Paulo Maluf o maior prefeito do Brasil facilitando o lançamento da candidatura dele a Presidente da República.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/11/2009
Cabe lembrar que antes da campanha começar, Veja fez capa alusiva ao “Caçador de Marajás” e também o Globo Repórter fez um “especial”, sobre o homem que estava “limpando” as Alagoas. Nos anos 80, após a saída do publicitário/empresário Mauro Salles da direção regional da TV Globo/SP, assume o irmão do governador, Leopoldo Collor, vindo da TV Globo de Recife. Além da ligação através da afiliada Globo nas Alagoas e da proximidade com o falecido pai de Collor (Arnon de Mello), haviam muitas conexões e simpatias com Roberto Marinho.
Não houve coincidência nenhuma nessas reportagens, com certeza, tratou-se de um plano urdido com grande premeditação, a fim de manter a direita no poder, como sempre.
Claro. Durante meses o Fantástico apresentava a cada domingo uma nova “façanha” do Caçador de Marajás.
Eu tinha 7 anos na época das eleições e nem me preocupava com isso. Mas escutei de pessoas que participaram desse momento do Brasil que a relação Collor-grande mídia começou a se desgastar quando o presidente resolver confiscar o dinheiro da poupança. Mexeu no bolso meu amigo …
Puxa, Nassif, que coincidência! Eu também já fui ghost-writer do Covas uma única vez. Daí em diante nunca mais parei de receber porrada dos “amigos” dele… Duvido até que ele soubesse que o texto era meu! Mas ele assinou embaixo e mandou publicar no alto da primeira página do DO!
O texto falava de gestão da qualidade, de respeito ao cidadão e de valorização dos servidores. As porradas foram mais por causa desse último item. O governo Covas criou uma cisão entre servidores e cidadãos que foi uma asneira serrana.
Como é que pode um sujeito ser servidor e não ser cidadão? Servidor no horário comercial e cidadão nas horas vagas? E quem mais era cidadão? Quem paga impostos? Bandido é cidadão?
Ou cidadão era só o simpatizante do PSDB ou do “senhor governador”, como ele gostava de ser chamado?
Seria muito mais inteligente criar uma identidade entre servidores e cidadãos. Para que ambos entendessem que são a mesma coisa, que sofrem e padecem dos mesmos males. Aí um ajudaria melhor ao outro. Sem choques.
PARA MIM O CANDIDATO DA GLOBO ERA AURELIANO CHAVES. DEPOIS QUE A GLOBO EMBARCOU NO COLLOR.
Não sei se foi influência da mídia, e especialmente da Globo, mas lembro-me muito bem da quase-histeria, da febre que acometeu os partidários do Collor. Quase que perdi amigos, me posicionando pelo Covas, primeiro e depois pelo Lula.
Agora, tempo passou, e eles viram que compraram gato por lebre. Sem duplo sentido, longe disto.
Covas teria nos economizado 20 anos se tivesse entrado no lugar de Sarney
A Globo jamais precisou “declarar seu apoio” ao candidato Collor, como jamais precisou “declarar seu apoio” aos militares e atualmente não há nenhuma necessidade da Globo, FSP, Estadão, VEJA, etc. declararem seu “apoio” a qualquer candidatura “de oposição” a Lula, porque está tão explícita essa opção da grande imprensa…Na verdade, esses apoios NÃO DEVEM ser declarados, pois isso significa o total desmascaramento do que ainda possa ser mistério quanto a atuação dos grandes empresários de midia como verdadeiros partidos políticos, com suas preferências pela manutenção de seus privilégios e contra tudo que signifique a redenção do povo brasileiro. Essa entrevista de Collor não esclareceu nada (até porque não é necessário) e é irrelevante sua fala de que o último debate teve uma edição “jornalística” e não uma ação dos Marinhos para beneficiar sua candidatura, pois é a versão que ficou para a posteridade…não como lenda, Sr. Collor, mas como realidade histórica nua e crua, tanto que a Venus Platinada jamais quis repetir tal ação, pelo menos não tão sem disfarce como foi a “edição jornalística” do debate de 1989. De resto, a entrevista do atual senador do PTB não contribui em nada para a História, e a rigor, ele não precisava se esquivar de dizer os fatos que realmente aconteceram até porque hoje, Collor exerce um trabalho político até interessante, pois não se enfiou no grupo oposicionista medíocre que está aí, e não poucas vezes apoiou diversas ações do governo Lula ( e não há nenhuma hipocrisia nisso).
Votei em Lula em 1989 no 2. turno. Mas, no segundo debate, aquele editado pela Globo, Lula foi muito mal. Lembro que morava ao lado do meu pai. Terminado o debate fui a casa dele e concluimos que Lula não teve pegada e deixou Collor falar o que quisesse. As vezes leio sobre esse assunto e parece que querem reescrever a história. Se a Globo deu uma mão, Lula deu a outra porque estava cansado e deixou isso claro.
Com certeza Covas seria a liderançca mais indicada para arrumar a bagunça da época. Perdemos tempo com Collor e o esforçado e ético, porém indeciso e sem programa Itamar…
A campanha collor mudou as campanhas eleitorais brasileira, e vim dizer que nao teve o apoio direto da familia marinho e um absurdo, a Globo é uma potencia em “santificar” ou ” acabar ” com a imagem de alguem, o exemplo e o proprio presidente Collor. A briga de Collor e os Marinhos começaram por que o ex-presidente liberou muito dinheiro pro estado do Rio de Janeiro ( contrução da Linha vermelha) no governo Brizola… O Covas é um exemplo de admistração pública, junto com grandes lideres do PSDB, como Almir Gabriel, Geraldo Alkimin, José Serra, Andre Franco Montoro e outros lideres.
Geraldo Alkimin, José Serra?? Mas esses caras no governo de SP só fizeram o estado andar pra trás…
Resumindo : voto era só um detalhe na ação entre amigos.
Nassif, há algum estudo sobre o poder de barganha das retransmissoras televisivas junto a “platinada”? Seria interessante saber do peso politico deste emaranhado de interesses dos “legisladores/ proprietarios”na quase totalidade destas concessões que via de regra derivam para jornais e radios. Este é um assunto que ninguem gosta de falar.
Vez ou outra alguem chacoalha esta inconstitucionalidade na cara dos dittos legisladores,mas, é uma encenação rápida e liquida-se o assunto.
Quem quer meter a mão em cumbuca ?
Caros,
o que o Collor não coloca na entrevista é que a Globo, em função de sua campanha contra a esquerda, passou a ser duramente atacada nos comícios do segundo turno, principalmente os realizados nas capitais.
Lembro-me de um, na Praça da Sé, em que algumas lideranças petistas, entre as quais Suplicy, Erundina e Plínio de Arruda Sampaio, foram fundamentais para impedir agressões ao Tramontina e um cinegrafista da emissora.
Qto à reedição de debate, é claro que ela existiu. Tanto que o Armando Nogueira foi afastado da direção de jornalismo, cedendo o lugar para o Alberico de Souza Cruz, na época um tremendo puxa-saco do Collor.
O que é que a Veja tem a ver com a história?
Roberto Marinho,jamais teve vocação para náufrago Na probabilidade de afundar,ou não embarcava ou abandonava muito antes ,barco e tripulação. Quando percebeu que só a Globo não falava das “Diretas”,que o “stalinismo” televisivo
iria se voltar contra a emissora,passou a fazer jornalismo.
A ligação com Collor,é a síntese do patronato brasileiro:a elite,o compadrio, a permuta de favores,os interesses de classe.A ligação permanece: as emissoras de Collor retransmitem a Globo, assim como a de Sarney. Na cúpula não existem inimigos.O que há, são prejuízos,indenizáveis,ao longo do tempo.
A Globo nunca declarou também “Eu sou contra o Presidente Lula”.
Aliás, torço muito para que seus dirigentes tenham coragem, caráter, honestidade e vergonha nas fuças para fazer uma declaração desse tipo.
Jose Justino de Souza Neto (17/11/2009 às 17:01),
A Globo é contra Lula internamente. Lula e o PT não representam o interesse da Globo. Lá fora, entretanto, a Globo apoia Lula pois ela sabe que Lula é mascote e mascate dos produtos brasileiros no exterior. E a Globo tem interesse no exterior. A Globo importa tanto em colocar Lula bem na fita que após a vaia à Lula no Panamericano que era transmitido para o mundo todo, e após correr a notícia de que a vaia fora preparada por Cesar Maia, a Globo passou a criticar Cesar Maia e a popularidade dele só foi descendo ladeira abaixo. Alias os índices de popularidade de governadores e prefeitos tem muito a ver com os acordos políticos da Rede Globo. É claro que essa última frase é só conjecturas e as afirmações envolvendo Paulo Maluf e Cesar Maia tem um pouco de teoria conspiratória da história (Mas na falta de outra é a melhor que está tendo).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/11/2009
A Globo não apoia e nunca apoiou o Presidente Lula. A Globo, como outras representantes da mídia corporativa, depende dos recursos públicos para sobreviver como grandes empresas. Neste governo, elas não conseguiram o que conseguiam com os anteriores e tentam de todas as formas sabotá-lo. Não é porque cada uma delas tem um ou mais lobistas dentro ou às margens da máquina governamental que elas podem fazer o que faziam antes. É só prestar atenção no processo lento mas constante da democratização da informação no país. Esse processo está incomodando demais as grandes irmãs. Elas já não tem mais tanto poder para insuflar a massa com seus acessos hipócritas e falso-moralistas.
Se a Globo alguma vez ficou ao lado do governo Lula, porque de acordo com você o Presidente virou mascate do empresariado brasileiro, então ela o fez porque este de certa maneira a forçou. Mais do que o empresariado industrial, a banca é que deve ter dado algum recado para os moleques da platinada. Na atual correlação de forças dentro do sistema capitalista propriamente dito, quem dá as cartas é a banca. O resto do empresariado só abana a cabeça como vaca de presépio.
O que fazer, então? Votar no PSOL e decretar o socialismo numa canetada? Fazer a reforma agrária na porrada? A HH apoia a Marina. E a Marina está acompanhada de quem mesmo?
Quem irá para as ruas defender o Presidente da República e seu governo este resolver radicalizar? Quantos suportarão o bloqueio (veja a Venezuela, Irã, Cuba e Coréia do Norte)? A grande maioria do povo brasileiro tem consciência do que significa fazer um enfrentamento contra o império?
A Globo só apoia ela mesma e quem atender seus intere$$e$. E não admite qualquer tipo de concorrência. A ida do Presidente Lula na inauguração dos estudios da Record foi um dos recados. Os hipócritas globais sabem disso.
Jose Justino de Souza Neto (18/11/2009 às 9:50),
Tratar sobre a Globo não é fácil. Eu sempre critico as pessoas que dizem que a Globo é que elegeu Fernando Collor. Inicio a crítica dizendo que a Globo não tem esse poder. E depois acrescento: embora eu ache que a Globo tenha muito mais poder do que a pessoa que diz que foi a Globo que elegeu Fernando Collor pensa que a Globo tem. E acrescento que falo isso porque considero que quem pensa que a Globo elegeu Fernando Collor acha que é fácil eleger um presidente da República. E ao mesmo tempo, quando eu digo que a Globo tem mais poder que a maioria das pessoas falam porque acompanho a Globo há muito tempo e sei o quanto a Globo já conhece da alma do brasileiro.
Não sei sua idade para saber se você acompanhava a série da Globo você decide. Não sei se acompanhando você reparava que a cada intervalo o placar dos votos mudava. Não sei o que você, se acompanhou a série e se notou a alteração, concluiu sobre a mudança do placar. No meu entendimento em cada bloco a rede Globo testava uma forma de convencimento. E os votos vinham por classe social.
Ainda sobre o programa “Você decide”, eu dizia que a Globo não era tão ruim como ela era retratada pela esquerda. E dava como prova da modernidade da Globo, o fato de ela ter feito um programa para se decidir entre se um arrimo de família devia fazer a opção pelo estudo ou pela educação. Na minha opinião, a Globo revelaria modernidade se fizesse os telespectadores optar pelo estudo. E de fato foi isso que ocorreu. É claro que a Globo poderia ser ainda mais moderna e mostrar que em uma ordem mais justa esse dilema não deveria existir. Ai também é pedir demais.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/11/2009
Jose Justino de Souza Neto (18/11/2009 às 9:50),
Há um outro comentário que eu fiz para você que foi parar no final dos comentários deste post, ficando assim na segunda página.
Embora Lula e a Globo tenham ideologias diferentes, há que se atentar para os interesses de um e de outro. Quando do início do primeiro governo Lula, era desleal a forma favorável como Lula tratava a Globo e como a Globo tratava Lula. Lula porque se sabia frágil diante da força da Globo. E a Globo porque tinha interesse em limpar a barra que ela sujara com a esquerda no Brasil, ficando do lado da ditadura, escondendo as diretas e distorcendo o último debate de Lula contra Collor. Se bem que ela contou com o apoio de Lula que fora fraco no debate.
A Globo tem interesse em financiamento com juros barato e, portanto, ela não tem muito interesse de bater de frente com o presidente Lula. A Globo tem uma relação ambígua com o presidencialismo. Ela prefere o presidencialismo, pois fica mais fácil tratar os interesses dela, mas ao mesmo tempo sabe que um presidente forte fica menos subserviente aos favores dela e ela mais subserviente aos favores dele. De todo modo, a postura pró presidente da República ficou visível quando ela trouxe Alexandre Garcia para apresentar as pegadinhas contra os deputados. Era uma forma de enfraquecer o Poder Legislativo. Houve uma época, entretanto, que ela queria fortalecer a figura de Ibsen Pinheiro, e me parece que houve um recolhimento (ou encolhimento) dessas pegadinhas. Isso ai eu não sei direito, mas me parece que uma vez um ex-jornalista da Globo passou essa notícia.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/11/2009
Jose Justino de Souza Neto (18/11/2009 às 9:50),
Para ficar mais completo essa análise da Rede Globo, vou trazer um (Virá na íntegra) comentário (77) que enviei em 12/08/2009 às 13h55 para o post “Império e República no Brasil de Sarney” de 07/08/2009 às 11h16. Já o coloquei aqui no blog do Luis Nassif, mas no blog do Pedro Doria tem sido mais fácil encontrá-lo. Segue então o comentário:
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“Simone (74),
Concordo em parte com você. Eu também penso que o PV não pode ser levado a sério. Só que eu li esta semana no jornal “O Tempo” do Vittorio Medioli que ele também não leva o PV a sério. Ele é PV e é também PSDB. Portanto, ele dizer que não leva o PV a sério não tem o mesmo significado de eu dizer coisa igual. E assim não sei o significado de você dizer que o PV brasileiro não pode ser levado a sério.
Penso também que o inferno astral do José Sarney é articulação do executivo. É, entretanto, articulação do chefe do executivo contra o parlamento. Pode até ter outros objetivos, mas o principal é de enfraquecer o parlamento.
Veja o trecho a seguir que eu tirei do “Painel do Leitor” da Folha de S. Paulo por volta de 1997. A carta é do Deputado Federal pelo PTB-SP Vicente Carcione. Uma carta que os cursos de jornalismos deveriam ter no currículo por tratar e demonstrar a manipulação da mídia. (Já transcrevi esta carta em comentário que enviei em 24/07/2009 às 01:24 para o blog do Luis Nassif junto ao post “Globo e Abril: parceiras de empresa “fantasma”” de 23/07/2009 às 19:33 e também aqui no blog do Pedro Doria em comentário (111) enviado em 24/07/2009 às 01h40 para o post “O adeus a Walter Cronkite (1916-2009)” de 19/07/2009 às 11h29):
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“ Quem não recebe a informação correta acaba por construir seu pensamento sobre areia movediça.
O Brasil inteiro viu, na TV e nos jornais, a imagem do deputado Luis Eduardo Magalhães discursando no plenário da Câmara absolutamente vazio. No “Jornal Nacional”, após a noticia, Arnaldo Jabor, como sempre – e só isso -, atacou o Congresso.
O leitor pergunta: a informação não é correta? Aparentemente, sim. O plenário estava, de fato, absolutamente vazio. Luís Eduardo falou para ninguém. Ora, se os fatos são verdadeiros – dirá o leitor -, nesse caso não há areia movediça. Há, sim. A informação está incorreta.
1) Na sexta-feira, como em todos os Parlamentos do mundo, não há sessão.
2) Nas sextas-feiras, no plenário, não se encontra nem um jornalista sequer, uma única câmara de TV, um fotógrafo, um repórter de rádio. Simplesmente porque nada ocorre na Câmara e no Senado. Os parlamentares, na maioria, viajam para seus Estados e retornam na segunda à noite ou na manhã de Terça.
3) Luis Eduardo Magalhães escolheu – por inexplicável razão – o plenário vazio de sexta-feira para falar.
4) Mas não ficou nisso. Montou-se um esquema – por inexplicável razão – para levar à Câmara, numa sexta–feira morta, em que jamais houve sessão, equipes de jornalistas, repórteres, câmaras, radialistas e fotógrafos.
5) Mas ainda não ficou só nisso. Montou-se um esquema – por inexplicável razão – um esquema para todos os telejornais, naquela noite darem destaque à palavra de Luis Eduardo falando para o plenário vazio. No dia seguinte, os principais jornais também ressaltavam a notícia, como se fosse um fato incomum.
6) Mas não foi apenas isso. Por explicáveis razões, o cínico Arnaldo Jabor, cansado de saber que na sexta-feira os Parlamentos não funcionam, já tinha a crítica, na ponta da língua, para o seu comentário no “Jornal Nacional” naquela mesma noite.
O Congresso tem pecados suficientes. Mas é preciso inventar fatos, montar cenários e criar farsas para que o processo de desmoralização que o Palácio do Planalto vem lhe impondo seja ainda mais arrasador”.
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Naquela época, como sempre, era de interesse do planalto que o parlamento ficasse desacreditado.
Quanto a evolução da mídia eu também acredito nela, e talvez a redução do espaço da mídia empresarial seja uma manifestação da evolução, pois não creio ser possível o jornalismo ser feito como um negócio capitalista.”
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Como eu disse no início do meu comentário destinado a Simone, a carta, que é do Deputado Federal pelo PTB-SP Vicente Carcione e que transcrevi acima, deveria constar do currículo dos cursos de jornalismo na parte destinada a tratar e demonstrar a capacidade e formas de manipulação da mídia.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/08/2009
tanto assunto bacana pra vc comentar, e vc preocupar logo com collor, tenha paciencia em óóóóó´acorda meu
A preocupação não foi o Collor, foi a relação dos meios de comunicação – os media – com o poder.
Só estou achando estranho esta história do Collor voltar agora. Por que será? Acho que este angu tem caroço. Vamos ficar atentos!
Alguém disse que a Globonews soltou uma série sobre ele.
E eu soltei uma serie em homenagem a ele tambem.
O debate Collor-Lula foi editado sim.
Há ex-funcionários da TV Globo que fizeram a edição e se envergonham até hoje…
Teria importância histórica se alguns daqueles presentes na ilha de edição daquele dia e que geraram o “produto” dessem o seu testemunho para este blog.
Quem participou da história deve contá-la como realmente foi. O Brasil está precisando dessas verdades. Todas.
O Lula é um cara de sorte, até quando ele perde uma eleição torna-se uma figura importante da historia recente do Brasil.
Acaso ele fosse eleito naquele ano, deixaríamos de conhecer fatos importantes da nossa historia.
gAS.
De vez em quando temos que desenterrar esses assunto velhos mas que estão na ordem do dia. Serve também para mostrar aos nossos o funcionamento do conluio mídia-políticos. Não devemos ter memória curta daqui por diante, pois a internet e os blogs são uma grande ajuda.
Não votei e nunca votarei no Sr.Collor. Em 1989 optei por Brizola no primeiro turno e Lula no segundo.
Na minha avaliação o candidato mais preparado e mais útil para o Brasil era o ex-governador gaúcho e fluminense.
Foi uma supresa a ida do Lula para o segundo turno.
Qualquer análise que se queira fazer sobre aquela eleição tem de levar em conta o contexto local e internacional.
Mesmo que nos seus extertores, ainda pairava a dicotomia geopolítica comunismo x capitalismo.
O Brasil ainda era um típico país terceiro mundista, dependente ao extremo de capitais externos para fechar suas contas. Nesse sentido, éramos servos do FMI que periodicamente ditava regras por aqui.
Honestamente falando, Lula estava totalmente despreparado para assumir o pepino e, caso isto tivesse ocorrido, fica até difícil imaginar as consequências. Forças políticas conservadoras destabilizariam o governo logo no primeiro dia. Um recall de 1964.
É…às vezes Deus escreve certo por linhas tortas. Poupou-nos sabe-se lá de quê para, após 13 anos, o mesmo Lula vem e nos resgata dos desgovernos de Collor e de FHC, descontando-se para o primeiro a tentativa de de modernizar nossa economia e do último o inicio do processo de estabilização.
Para a análise do presente e as projeções para o futuro podemos até aceitar alguns desvaneios. Agora para o passado existe o fato estabelecido, não passsível, portanto, de manipulações ou descontextualizações.
FHC fez o início da estabilização da moeda?????
8 anos e você chama isto de início??
Não votei e nunca votarei no Sr.Collor. Em 1989 optei por Brizola no primeiro turno e Lula no segundo.
Na minha avaliação o candidato mais preparado e mais útil para o Brasil era o ex-governador gaúcho e fluminense.
Foi uma supresa a ida do Lula para o segundo turno.
Qualquer análise que se queira fazer sobre aquela eleição tem de levar em conta o contexto local e internacional.
Mesmo que nos seus extertores, ainda pairava a dicotomia geopolítica comunismo x capitalismo.
O Brasil ainda era um típico país terceiro mundista, dependente ao extremo de capitais externos para fechar suas contas. Nesse sentido, éramos servos do FMI que periodicamente ditava regras por aqui.
Honestamente falando, Lula estava totalmente despreparado para assumir o pepino e, caso isto tivesse ocorrido, fica até difícil imaginar as consequências. Forças políticas conservadoras destabilizariam o governo logo no primeiro dia. Um recall de 1964.
É…às vezes Deus escreve certo por linhas tortas. Poupou-nos sabe-se lá de quê para, após 13 anos, o mesmo Lula vem e nos resgata dos desgovernos de Collor e de FHC, descontando-se para o primeiro a tentativa de de modernizar nossa economia e do último o inicio do processo de estabilização.
Para a análise do presente e as projeções para o futuro podemos até aceitar alguns desvaneios. Agora para o passado existe o fato estabelecido, não passsível, portanto, de manipulações ou descontextualizações.
JB Costa (17/11/2009 às 19:49),
É quase tudo que eu tinha a dizer.
Acrescento o seguinte. O Estado Democrático de Direito atual é a carga tributária. Sem ela, não há o Estado. Com a carga, o Estado pode tudo.
Em Minas Gerais, terra da Inconfidência, Leonel Brizola deu uma entrevista em que mencionava a questão tributária fazendo uma digressão histórica, mostrando que a carga tributária havia chegado a 27% com Geisel e que caíra para 24% com Figueiredo (Prevalecia em Figueiredo as raízes atávicas que o mantinha com o espírito anti-estatal do levante paulista de 32 e o combate sistêmico que o auxiliar mor dele, Delfim Netto, fazia contra os tributos). E mais ainda ela decrescera para 22% do PIB com a administração de José Sarney principalmente quando o desgoverno dele passou a contar com a ajuda de Maílson da Nobrega.
Então, Leonel Brizola retomava o fio da meada e dizia que era preciso elevar a carga tributária para 29% do PIB. Dizer isso em campanha ara presidente e em terras de Minas Gerais é não querer ser eleito.
Quando da campanha da Globo contra o Sambodromo em 1985 (Para sorte de Brizola ganho pela Mocidade Independente com um samba-enredo futurista Ziriguidum 2001, Carnaval nas estrelas) Brizola veio com a célebre tirada “A Globo como o galo um dia vai descobrir que o sol não precisa do canto dela para se levantar). Foi uma luta perdida, mas a altura de toda a história dele.
E você tem razão, no meu entendimento é claro, de mostrar como seria ruim para Lula assumir em 1990. Foi preciso as maluquices do Collor para elevar a carga tributária para 25% dio PIB. As intempestividades de Itamar Franco para elevar a carga tributária para 28% do PIB e pressão do FMI e a competência de E. Almeida Marciel para a carga tributária ainda no governo de FHC chegar a cerca de 33% do PIB.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/11/2009
Collor ganhou as eleições quando ao final do último debate, a
Globo, iniciou seu Jornal Noturno, que durou cerca de 3 horas, sempre afirmando que Collor ganhara o debate. Todas as informações,entrevistas, consultas, etc… eram sempre no sentido afirmativo da vitoria do Collor naquele debate. Repetiu-se esta afirmação a exaustão até a saida das pesquisas de boca de urna confirmando a vitória de fato. .(o PT , Lula e seus aliados não podia contrapor pois a legislação, vigente, não permitia). A Globo na época era 100% de audiencia. “Valeu a máxima – repita-se a mentira que teremos uma verdade” .
O resto é história. O povo brasileiro, normalmente, não gosta de votar em não tem chance de ganhar.
No primeiro debate Collor foi fraco, no segundo houve equilibrio. Existem gravações que confirmam.
Não vou entrar nesse mérito de quem ganhou, ou mereceu ganhar, o debate, Isso já é história. Lula foi muito,mas muito além, do que se poderia exigir de um homem que há apenas dez anos era um simples dirigente sindical.
Agora, pelo menos para mim, ficou patente que o Lula foi mal assessorado. Finalizar um entrevero daquele com um singelo: ” O famoso caçador de marajá não passa de um caçador de maracujá” foi anti-climax demais.
Até muito recentemente tinha o governador Mário Covas como uma pessoa integra. Achava que era a parte sadia do PSDB. Mas parece que não era bem assim. Aliás, não consigo mais reconhecer nenhuma parte sadia no PSDB. Parece que tudo vai sendo explicado e fazendo sentido: “choque de capitalismo”, Rede Globo, Mário Covas. Poderia-se concluir que era apenas parte do jogo para chegar ao poder. Mas, aí aparece a Alston, Covas, Gilberto Alkimin, Alston, Serra, “choque de gestão”, Rede Globo, empreiteiras, etc. Paralelamente, detiveram o governo da União por oito anos, de forma antidemocrática, nos últimos 4 anos, pois com compra de votos e, o “choque de capitalismo” e/ou “choque de gestão” não trouxe absolutamente nada além do que já existia quanto à produção e a distribuição da riqueza socialmente produzida – concentração de renda e exclusão social. Tudo o que o PSDB fez não passa de engodo, como é engodo o tal do “choque de gestão”. Agora, querem vender o Serra, para presidente da República, como economista competente. Outro engodo, como bem atesta o medíocre governo que o moço esta fazendo.
Lembro de uma entrevista de Leonel Brizola com Jô Soares quando este perguntou: “O senhor declarou que quinze dias de jornal nacional derrubam qualquer governo; se o senhor for eleito, em quinze dias o seu governo cai?” Todos na platéia riram. Brizola, presto, respondeu: “O Jô é… Ele faz a pergunta realmente pedindo a resposta… Falei sim, Jô: quinze dias de jornal nacional derrubam qualquer governo; mas se eu for eleito, em dez dias eu acabo com o Jornal Nacional”. Todos riram. Até o Jô Soares.
Ja era nítida a atuação de veículos de imprensa como organizações politicamente orientadas.
O que já se via – desde finais da década de 70 – era uma adesão ao neoliberalismo; a raiva do estado – quando este não satisfazia “interésses”, é claro; e o alto nível de neurose-de-guerra-fria. Os mesmos elementos que estão presentes, ainda hoje, diariamente, em muitos veículos de imprensa e na cabeça de muitos jornalistas que ganharam promoção nessa época na razão direta em que mostraram levar fé nessa cartilha.
O pior é ver que as mesmas múmias políticas continuam em ação: Collor propagando a dinastia da família; Sarney, o dono da Sarneylândia, digo Maranhão; José Dirceu nos bastidores como lobista de empresas; Nilton Cardoso prestes a voltar; etc. Vai gostar de sofrer, eleitor!
Jose Justino de Souza Neto (18/11/2009 às 9:50),
Você diz no seu comentário que “A Globo, como outras representantes da mídia corporativa, depende dos recursos públicos para sobreviver como grandes empresas”. Eu concordo e vou trazer aqui para o blog do Luis Nassif um comentário (286) que eu enviei em 10/06/2009 às 08h35 para o blog do Pedro Doria junto ao post “A Petrobras e a imprensa golpista” de 08/06/2009 às 06h22.
Antes de trazer o comentário, menciono outra frase sua no comentário em que eu posso até concordar, mas não achei muito relevante. Você dique que se a Globo ficou ao lado do governo Lula como mascate do empresariado brasileiro, ela foi forçada pelo empresariado. Não descarto essa possibilidade, mas o que falou mais alto foi o próprio interesse da Globo em encontrar uma demanda maior pelas novelas dela.
E em seguida o comentário que eu enviei em 10/06/2009 às 08h35 para o post “A Petrobras e a imprensa golpista” de 08/06/2009 às 06h22 no blog do Pedro Doria:
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“Pedro Dória,
Seria uma discussão boa essa sobre a mídia. Tenho a minha opinião formada e a externo aqui e ali aos pedaços. Nesse ritmo eu reconheço que até formei uma grande colcha de retalho que um ponto como esse seria um bom cais para arpoar minhas melhores convicções.
Junto aos seu post “Recado ao deputado” de 07/05/2009 fiz nos meus comentários (74) e (93) referência ao modelo que defendo de jornalismo que talvez até venha imperar com a internet. Lá dei como exemplo o jornalismo feito por I. F. Stone que editou o pasquim dele de 53 até 71 (Quando teve que parar e creio que voltou para a Universidade ou por conta própria escreveu o ótimo livro “O Julgamento de Sócrates” e que serve de contraponto para aqueles que como eu admiram “A defesa de Sócrates” de Platão). A minha idéia é de milhões de I F Stone, que, ao contrário de I F Stone que era de esquerda, possam ser também da direita. No mundo atual, o modelo de I F Stone são os blogs. E creio que ele pode ser individual como coletivo no caso do “O Mínimo”, “Pandorma” e outros, mas sem a pretenção de se tornar a maior empresa de comunicação do mundo.
Não creio que possa existir uma empresa de informação. Quanto a isso sei que há espaço para muito mais discussão que a que pretendo fazer neste comentário. A informação é um bem precioso demais para ficar no domínio de uma empresa, pelo menos enquanto vigorar o sistema capitalista. No sistema capitalista a empresa tem por obrigação ganhar mais, auferir mais lucros, crescer. A menos que seja uma empresa de um só dono em que de certa forma ele é um mero assalariado. Como empresa individual ele pode ir longe, mas dificilmente será dominado pelo espírito animal que faz a pujança do sistema capitalista. A empresa se torna o susteno da sobrevivência. Talvez até deixe de fazer o bom jornalismo que seria desejável, mas o mal que fizer será pequeno e imperceptível.
É admissível no sistema capitalista uma empresa de dados, como o Datafolha, ou como uma empresa para venda de dados meteorológicos (É bem verdade que considero um absurdo ter que pagar cerca de R$1000,00 para receber dados meteorológicos diários por uma década de uma cidade de Minas Gerais. Se for de todo o Séc. XX vai ficar em cerca de R$10.000,00. Assim, só os ricos podem ter dados sobre o país). Os dados podem ser checados, comprovados. A informação não. A informação tem caráter subjetivo e o questionamento dela nada vale. Uma empresa de informação competindo com outra é uma contrafação. A informação vendida não é necessáriamente a correta, mas a que dá melhor retorno (vende mais a preço mais alto a menor custo). As regras da oferta e da demanda atuando sobre a informação é um despautério. Pasteurizam e esterilizam informações que deveriam ser entregues com as jaças naturais que as acompanham. Ou deixam em estado bruto informações que devim ser lapidadas. E no sistema capitalista onde o dinheiro só existe na mão de banqueiros ou do Estado como a empresa de informação que pretenda crescer, precisando para isso aumentar o investimento, pode-se manter livre?
E a própria anomalia do gigantismo torna-se uma anomalia que impede qualquer tipo de controle. Se um dos milhões de I F Stone cometesse qualquer engano ele poderia ser penalizado com a pena que houvesse para o engano – da sanção pecuniária à admoestação verbal até a suspensão ou à cassação definitiva do direito de se publicar que ninguém iria dizer que houve coercimento da manifestação de pensamento. Já empresas do tamanho do Estadão e do Globo podem fazer o que quiser que nada se pode fazer contra elas.
E com a dívida que essas empresas possuem quem pode dizer que elas não estão todas na mão do governo.
Afinal, quem entregou para a Veja os contratos do PT com o Banco? Se os contratos fossem verdadeiros poderia ser alguém de fora, mas como a CPI disse que os contratos eram uma fraude só pode ter sido o próprio PT, a menos que a Veja esteja publicando qualquer documento falsificado que lhe apareça, a menos que seja documento do falsificador entregue pelo próprio falsificador.
Quando Lula foi à televisão dizer que deveriam ter muito cuidado com as denúncias contra Palocci, pois isso poderia enfraquecer a economia brasileira que ainda estava muito frágil, quem foi desmentir o presidente mostrando que a economia brasileira estava muito robusta? A Veja. Propaganda assim e de graça? Eu não acredito. Prefiro as minhas teorias conspiratórias da história.
Há um contra argumento forte. Se não for essas grandes empresas de jornalismos como pessoas como Nelson Rodrigues como teatrólogo, Delfim Netto como cometarista econômnico (Nunca na história de um povo tantos deveram tantas informações econômicas como o tanto que se deveu a Delfim Netto nos últimos 20 anos) e outros poderiam continuar a oferecer a todos o tanto que eles ofereceram? Não tenho a resposta pronta, mas é só ela que resta. Vou ler com mais atençao o post para saber se há outras questões para as quais eu não tenha resposta nos comentários.”
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No comentário acima faço referência a outro post no blog do Pedro Dória. Trata-se do post “Recado ao deputado” de 07/05/2009 com menção aos meus comentários (74) e (93) em que faço referência ao modelo que defendo de jornalismo que talvez até venha imperar com a internet. A referência ao post serve também para acessar alguns post da mesma data que saíram no blog do Luis Nassif tratando da declaração do deputado gaúcho Sérgio Moraes que disse estar pouco se lixando para a opinião pública. Neles eu creio que apresentei argumentos semelhantes sobre a nossa grande imprensa.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/11/2009
FHC acabou com a inflaçao mais longa (desde Juscelino) da história da humanidade.Nao foi a maior (Hungria e Alemanha), mas foi a mais longa.Estabilizou a moeda por 8 anos.Isto nao foi o início de uma estabilizaçao.Foi uma estabilizaçao.
M.E.
A mais longa por conta do mesmo grupo que fez o Real e criou a mística dos “pacotes” – cuja única eficácia era no plano eleitoral.