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16/11/2009 - 10:58

Subperonismo ou submalanismo?

Por Jotavê

Mais uma vez, o professor Bresser-Pereira vai ao ponto. Fico imaginando o quanto não seria difícil enfrentar a oposição se, ao invés de ficar repisando argumentos hipócritas e moralistas, o PSDB tivesse a coragem de bater ali onde o calo realmente doi: a manutenção de uma política econômica que faz os aventureiros de fora sorrirem de ás a ás, mas que pode comprometer o crescimento do país no médio prazo. Nosso problema não é Perón. É, ainda, Pedro Malan.

O MATUTO E O “MOMENTO MÁGICO”

O BRASIL “vive um momento mágico”, o Brasil é “um ganhador”, “chegou a hora do Brasil” -são essas as frases que hoje lemos na imprensa estrangeira, é dessa forma que nos veem os investidores estrangeiros. E o presidente Lula é visto como o grande herói dessa saga moderna -como o líder político que, sem se desvincular de seus compromissos com os pobres, dizem amavelmente os estrangeiros, revelou-se plenamente confiável para os ricos dentro e fora do país. Uma entrevista de página inteira de Lula no “Financial Times” e 14 páginas na “Economist” celebram esse clima favorável ao Brasil.

Qual será a atitude do presidente diante de tudo isso? Faço essa pergunta porque Lula, dotado de notável inteligência, tem a argúcia do matuto e por isso deve ficar desconfiado com tanto elogio. Afinal, por que seria o Brasil “o melhor dos Brics”, como não se cansam de afirmar os investidores estrangeiros não obstante nossa taxa de crescimento seja menor, e nossa economia, mais instável do que a dos outros três países? É verdade que ninguém é de ferro diante de elogios. E que um clima de euforia pode ajudá-lo a eleger seu sucessor. Mas Lula deve saber muito bem como é perigoso ouvir os bajuladores.

Mas serão bajuladores os países ricos, suas empresas multinacionais, seus políticos, seus jornalistas? Faz sentido pensar em tal palavra para caracterizar gente tão distinta? Provavelmente não. Talvez seja implicância minha. Entretanto, um fato é concreto: o Brasil trata os investimentos estrangeiros de uma maneira muito diferente da usada pela China, ou pela Índia, ou pela Rússia. Não exigimos reciprocidade, somos, como eles nos dizem, “os mais acolhedores”. Tão mais acolhedores que isso parece compensar para eles o fato de que nossa economia cresce muito menos do que a dos outros Brics.
Essa história dos Brics foi uma invenção engenhosa de um analista da Goldman Sachs, mas serviu para “lançar” o Brasil na arena internacional. Na verdade, são os dois Brics mais frágeis -o Brasil e a Rússia- que estão se aproveitando para se valorizar no plano internacional. Foi, aliás, a Rússia que hospedou a primeira reunião dos quatro países, na cidade de Yekaterinburg, em junho deste ano. Ao se identificar com o novo “título”, a competente diplomacia brasileira logrou transferir para o Brasil uma qualidade que é dos outros três países. Assim, além de sermos um país grande em termos de território e de população e de termos uma renda média, passamos a ser vistos também como um país que cresce extraordinariamente.

Tomara isso fosse verdade. Mas não é. Como os três outros Brics, já saímos da crise, mas nosso crescimento continua menor. O mais grave, porém, é que não é um crescimento com estabilidade. A atual taxa de câmbio ajuda a combater a inflação, mas, além de prejudicar o crescimento, endivida o país e o torna sujeito a novas crises. O ministro Guido Mantega sabe disso e se preocupa; há cerca de um mês chegou a protestar contra tanto elogio. Percebe os riscos do ufanismo. Será que Lula também percebe? E -o que é mais importante- será que os brasileiros também estão se dando conta dos prejuízos que sofrem com acolhida tão boa aos interesses estrangeiros -inclusive por aceitarem essa taxa de câmbio? Será que sabem dos prejuízos e dos perigos que correm em meio a tanto elogio? Não estou seguro, mas penso que estão ficando cada vez mais desconfiados. Afinal, nem sempre os brasileiros se deixam enganar. São também matutos e olham com o rabo dos olhos os “momentos mágicos”.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: , ,

51 comentários para “Subperonismo ou submalanismo?”

  1. Lúcifer disse:

    Também concordo . “Cartacho”, se escreve com “X”.

  2. Eugênia disse:

    Pelo que li, nosso complexo de vira-lata está mais vivo do que nunca. Não podemos receber elogios, ter um papel importante no mundo, que já desanda o baixo astral. Como já se disse várias vezes por aqui: a inveja mata. E os artigos ruins também. Bresser Pereira deve estar com saudades das crises do governo FHC e outros, do rombo nas reservas, do índice da população abaixo da linha de pobreza e por aí vai. Nunca é demais repisar o que disse o The Economist (que também apontou fragilidades) que em certa medida o Brasil é mais importante do que a China porque é uma democracia ( e a FAO hoje diz que além disso o Brasil também foi mais eficaz que a China no combate á fome); é mais importante que a Índia porque não temos disputas étnicas nem dentro nem com vizinhos; mais importante do que a Russia porque nossa economia não está baseada quase exclusivamente em petróleo e armas. Quanto aos problemas, eles também existem e penso temos que lidar com eles e fazer propostas. Mas isso o tucanato, seus amigos e admiradores não são capazes de fazer: contribuir. A não ser fazendo artigos ruins e nos obrigando a responder.

    • brazz disse:

      Eugênia,
      Se você ler o artigo completo da The Economist, verá que o sucesso do Governo Lula deveu-se, em grande parte, à conjuntura favorável e aos fundamentos criados no Governo FHC (não me critique, leia o artigo).
      São pessoas como você as que não sabem reconhecer e contribuir.

  3. emerson L. disse:

    Desculpe, aos outros comentaristas mas não vi nada de mais, alias este texto só diz o mesmo do mesmo.
    Jotave se Bresser é o melhor da oposição, qual calo? o fato dos meios de comunicação do mundo não serem controlados iguais ao nossos e que diferentes dos nossos que só apresentam o que esta errado?, basta ver a cobertura do blecaute e o caso das vigas(sei que é um problema no estado de SP e bem menor), mas aposto que vc não viu nenhum especialista falar na TV sobre as causas como no caso do blecaute, eu não vi, no caso do blecaute tinha pessoas falando tanta bobagem.
    O que eu acho é que as conquistas não podem mais ser negadas, então pega-se algo negativo, como disse é o mesmo do mesmo. Onde estava o sr. Bresser quando no final do ano passado Lula foi a TV falar da crise(marolinha lembram) e mais ele aponta que somos os mais atrasados(mais do mesmo) e não aponta a direção, por onde começar, projetos, o que falta implementar.
    O que necessitamos é de uma oposição que não negue ao pais o sonho, mas que se entregue ao Brasil e não entregue o Brasil, assim como falei no post sobre SP(nossa locomotiva) se em 15 anos os tucanos não tem projeto de desenvolvimento para SP imagine para o pais, parafraseando o nosso vice-presidente, “SP é o que é não por causa dos tucanos e sim apesar deles”.
    Também tenho alguma idade(não tanto quanto ao maioria do comentarista deste blog), mas acho este momento sim maravilhoso em que podemos olhar para fente e temos sim que aproveitarmos enquanto o mundo nos olha, sejam quais são os motivos o importante é olhar e fazermos o que é melhor para nosso povo.

  4. Cláudia disse:

    Aqui também?

  5. Antonio Pinto de Oliveira Neto disse:

    Caros,

    este artigo do Bresser Pereira é bom o bastante para até mesmo entusiasmar os seguidores do partido da social democracia brasileira no blog. Deve entusiasmar também os partidários dos democratas. O problema é o calo como aponta com clareza o colega leitor Ricardo Silveira em seu comentário.

    Apesar do que as letras psdbdem poderiam representar, quem hoje no país, com seriedade, dá a estas montagens de letras que nomeiam estes partidos alguma credibilidade?

    O psdbdem ,em versão nacional, virou sopa de letrinhas. Sem discurso porque não dá mais para acreditar em quaquer discurso que parta deles. São letras embaralhadas de um consenso que implodiu e para o qual contribuiram com o sangue dos brasileiros. Não com o deles, é sempre bom lembrar. Estão por demais comprometidos, por demais atados neste consenso falido.

    São letras usadas sem cuidado algum e que mal escondem os interesses comerciais/midiáticos que um dia recobriram. É simplesmente tragicômico aquilo que as lideranças do psdb fizeram com um partido que nasceu cisne.

    O artigo do professor Bresser-Pereira de fato é bom, mas não creio que o presidente Lula desconheça os pontos nevrálgicos no texto em questão.

  6. Felipe Maddu disse:

    Concordo em partes. Acho que os brazucas tem que acolher bem os gringos, mas aqui não é a casa da Mãe Joana, pronto tá falado ;)

  7. Anonimo dos Santos disse:

    O Bresser, como outros, está só mostrando a cara. Aposta na chamada preferência inercial do Serra.

    Afinal de contas, se o Serra ganha ele vai ter que desmontar tudo o que Lula fez, vai precisar de “braços” para preparar tudo para ser fatiado e vendido.

    O Bresser então deve estar só dando uma polida no C.V. Distímico como o Serra, quer garantir pelo menos alguma afinidade com ele…

    O problema é que a curva de crescimento da preferência do eleitor pelo Serra não obedece às vontades do Montenegro. A coisa está desandando e, continuando no ritmo que vai, é bem capaz da oposição chegar à março/2010 sem candidato à Presidência. Afinal o Serra já correu da raia antes. Por que se arriscaria a uma surra quando se pode ter a reeleição garantida?

  8. Marcos Gomes disse:

    artur cartacho disse: 16/11/2009 às 12:53…
    Talvez vc tenha uma varinha mágica, que conserte qse 500 anos de atraso de uma vez só. É claro que precisaremos de mais uns 25 anos de governo razoáveis para bom (o resto o povo toca), para então termos indicadores mais favoráveis.

  9. artur cartacho disse:

    Lúcifer ,meu tacho,é o de metal,com asas ,aquêle negociado pêlos ciganos ,e o seu lúcifer ,é o anjo mau com ou sem asas? E o Bresser ,seria o viaduto ai no Brás ,ou o cientista econômico? Brincadeiras para descontrair meu caro amigo.

  10. Eduardo CPQ disse:

    Luna, amigos,

    como caipira matuto e como já disse, não me iludo:

    – Eles nos ufanam para nos afanar.

    Ou não?

    • altamiro souza disse:

      é preciso ter cuidado mesmo com os gringos, mas também com os nossos entreguistas.
      Ex:
      um bom título para um livro sobre a era fhc seria:
      “Por que afano o meu país” (riso verde-amarelo!)

  11. Leosfera disse:

    Também fomos elogiados lá fora no “milagre” dos milicos: uma modernização subordinada em que o fosso social só aumentou.
    Fico com Milton Santos (em paráfrase): o papel do Estado moderno é garantir condições ideais ao capital, enquanto finge que governa para os pobres. Lula tem feito uma encenação melhor que a média. E só.

  12. José Ayres Lopes disse:

    Enche o saco, ler e ouvir, gente que já teve a sua vez de fazer e não fez e agora quer dar a receita do bolo. A teoria na prática é outra. O Brasil que sempre foi o país do futuro, está vivendo agora, depois de muitos e muitos anos, um presente auspicioso. Então vamos comemorar e aproveitar. O Bresser Pereira não tem relevância nenhuma. Se morrer amanhã só será lembrado pelo famigerado Plano Bresser. Não ficará nehuma teoria, nenhum pensamento original, nenhuma contibuição efetiva para a Teoria Econômica. Ele é um intelectual livresco.

  13. rafael lima disse:

    É engraçado que os super-intelectuais do psdb/dem, nunca comparam o governo deles(1994/2002) com o atual. So querem mostrar indices economicos de outros paises. Por que sera?

  14. ADNAN EL KADRI disse:

    Jotavê,
    É esta a questão: o capital estrangeiro vem para o Brasil e não tem contrapartida, ao contrário dos outros BRIcs.
    E mais ainda, a nossa Vale do Rio Doce – ainda compra navios coreanos, chineses, importa trilhos e vende comodities!
    Como mudar esta política e mais ainda, a questão do câmbio/juros colocada com a maestria do Bresser Pereira, que me fez lembra do Clinton que tanto elogiava a Argentina dos tempos de Menem; era um exemplo a ser seguido e em seguida quebrou. Aliás, FHC tbém quebrou o Brasil por três vezes!
    A herança do financismo e mercadismo triunfante dos tempos fhc deixou MUITAS sequelas.
    Não acho que isto mudará de um dia para outro.
    Primeiro porque o Governo precisa ser mais ágil.
    A Fazenda e o BNDES o são, mas o B.Central ainda faz uma política que ajuda depreciar, mais ainda o real.
    O B.Central já trabalhou mais contra o País, mas ainda trabalha. Sem eufemismo faz o jogo dos bancos – capital financeiro e não das necessidades da maioria da sociedade brasileira.
    Então é preciso mudar e colocar estas questões como políticas de Estado. Ou seja, a apreciação do real (câmbio/juros) tem que ter um tratamento e decisão de Governo.
    A China tem o yuan depreciado – desvalorizado – para melhorar a competitividade dos produtos chineses. O Obama vai lá e reclama. A China rebate e diz que é uma injustiça!
    Aqui nós ficamos recebendo salamaleques dos europeus, dos americanos, dos japoneses …..dá mesmo para desconfiar.
    E , sinceramente, a única alternativa, para mudar esta situação, é a solução POLÍTICA.
    Por isso é preciso aprofundar as políticas de investimento nos setores chaves, infraestrutura, petróleo e gás, tecnologia e educação, etc e, pensar uma política industrial para os próximos 20 anos e melhorar, mais ainda a competitividade do Brasil. E ao mesmo tempo discutir melhor esta questão do investimento estrangeiro, buscando atraí-lo para estes setores chave.
    Então é preciso avançar mais ainda do que já fez o governo Lula .
    Assim, o País tem que avançar neste modelo de desenvolvimento que se esboça com Lula e deverá se aprofundar com Dilma Rousseff terá que pensar estas políticas que enfrentem de vez a questão do câmbio (apreciação do real).
    A esperança é termos um(a) Presidente (a) mais compromissada ainda para dar mais este passo.
    Muito bom o post.
    Abração.

  15. altamiro souza disse:

    o bresser está acima da mediocridade demotucana…
    pelo menos ele não agride, alerta para um problema real…

    a questão é a tal da hegemomia, ainda na mão do sistema-financeiro, pelo jeito…(com alguns escravocratas odiosos piorando ainda mais as coisas)
    enquanto não quebrarmos essa hegemonia, essa hegemonia conservadora que vem dominando o país há séculos, as transformações dependerão dessa luta dialética entre esses arcaísmos e os que lutam verdadeiramente por um país melhor para todos…

    há que preservar as conquistas sociais,
    sem esquecer desse alerta importante que o bresser levantou…
    mas acho que a questão dos juros é muito mais ampla do que baixar a taxa selic.
    como leigo, acho que o tal do spread é, no sistema financeiro, mais ou menos como a tal da mais-valia para os trabalhadores…
    uma espoliação!
    ou não?

  16. Werner Piana disse:

    na tv senado agora à noite rola debate na Comissao de Infraestrutura sobre politicas publicas, com dois expositores do IPEA, pré-sal, lei para garantir os avanços do gov Lula na área social, etc. Bem didático – à exceção dos momentos prolixos do slow-senator Suplicy.

    Outra coisa. Bem diferente da comedia pastelão de 5ª repetidamente encenada por mão-nada-santa, heraclitos, mozarildos… a turma da depressão e do deboche. “os pais da pátria”- arre!

    A tv Senado mostrando este debate sobre infraestrutura é melhor que qualquer tre-le-le na tv aberta.

    Com Collor presidindo a mesa, hehehe…

  17. artur cartacho disse:

    Meu caro Marcos G./15.54 ,leia o Brazz/17.28 .Respeito sua opinião ,e repito ,Lula merece a sorte que tem ,a conjuntura mundial foi muito espetacular , e não so o Brasil mas a maioria dos paises aqui da América do Sul evoluiram e alguns com resultados melhores que o nosso,porque tivemos problema com gasts públicos ,por motivos evidentes.

  18. Mais um tucano invejoso, que diz que o Brasil ser considerado um país forte é muito ruim.

    Bresser quer nos convencer que o Brasil é o pior dos BRICs. Talvez ele ache que nem deveríamos constar da sigla criada por Jim O’Neill.

    Somos, sim, o mais forte dos BRICs. A Rússia é uma promessa que não se cumpriu. A China é uma ditadura onde a maioria ganha menos de U$ 2,00 por dia. A Índia é um caldeirão fervilhante de etnias (no mínimo 18 etnias!!) com pobreza absoluta e tempero de carros-bomba.

    O Brasil é uma democracia. É muito mais confiável do que os outros três BRICs. E está se tornando uma liderança inconteste no Continene. Isso Bresser não diz.

    O que Bresser não diz é que, via de regra, os elogios ao Brasil não são absolutos. São seguidos de “mas”. A “Economist”, por exemplo, diz que o Brasil decola. Mas a publicação está preocupada com a “excessiva intromissão do Estado na economia”. Ah, claro, eles querem é farra…

    É impressionante como demo-tucanos dão voltas e voltas argumentativas, mas sempre acabam dando um jeitinho de criticar o Brasil e tentar colocá-lo para baixo.

    Como diz PHA, a inveja é justa, pois corrói o invejoso por dentro.

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