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16/11/2009 - 10:58

Subperonismo ou submalanismo?

Por Jotavê

Mais uma vez, o professor Bresser-Pereira vai ao ponto. Fico imaginando o quanto não seria difícil enfrentar a oposição se, ao invés de ficar repisando argumentos hipócritas e moralistas, o PSDB tivesse a coragem de bater ali onde o calo realmente doi: a manutenção de uma política econômica que faz os aventureiros de fora sorrirem de ás a ás, mas que pode comprometer o crescimento do país no médio prazo. Nosso problema não é Perón. É, ainda, Pedro Malan.

O MATUTO E O “MOMENTO MÁGICO”

O BRASIL “vive um momento mágico”, o Brasil é “um ganhador”, “chegou a hora do Brasil” -são essas as frases que hoje lemos na imprensa estrangeira, é dessa forma que nos veem os investidores estrangeiros. E o presidente Lula é visto como o grande herói dessa saga moderna -como o líder político que, sem se desvincular de seus compromissos com os pobres, dizem amavelmente os estrangeiros, revelou-se plenamente confiável para os ricos dentro e fora do país. Uma entrevista de página inteira de Lula no “Financial Times” e 14 páginas na “Economist” celebram esse clima favorável ao Brasil.

Qual será a atitude do presidente diante de tudo isso? Faço essa pergunta porque Lula, dotado de notável inteligência, tem a argúcia do matuto e por isso deve ficar desconfiado com tanto elogio. Afinal, por que seria o Brasil “o melhor dos Brics”, como não se cansam de afirmar os investidores estrangeiros não obstante nossa taxa de crescimento seja menor, e nossa economia, mais instável do que a dos outros três países? É verdade que ninguém é de ferro diante de elogios. E que um clima de euforia pode ajudá-lo a eleger seu sucessor. Mas Lula deve saber muito bem como é perigoso ouvir os bajuladores.

Mas serão bajuladores os países ricos, suas empresas multinacionais, seus políticos, seus jornalistas? Faz sentido pensar em tal palavra para caracterizar gente tão distinta? Provavelmente não. Talvez seja implicância minha. Entretanto, um fato é concreto: o Brasil trata os investimentos estrangeiros de uma maneira muito diferente da usada pela China, ou pela Índia, ou pela Rússia. Não exigimos reciprocidade, somos, como eles nos dizem, “os mais acolhedores”. Tão mais acolhedores que isso parece compensar para eles o fato de que nossa economia cresce muito menos do que a dos outros Brics.
Essa história dos Brics foi uma invenção engenhosa de um analista da Goldman Sachs, mas serviu para “lançar” o Brasil na arena internacional. Na verdade, são os dois Brics mais frágeis -o Brasil e a Rússia- que estão se aproveitando para se valorizar no plano internacional. Foi, aliás, a Rússia que hospedou a primeira reunião dos quatro países, na cidade de Yekaterinburg, em junho deste ano. Ao se identificar com o novo “título”, a competente diplomacia brasileira logrou transferir para o Brasil uma qualidade que é dos outros três países. Assim, além de sermos um país grande em termos de território e de população e de termos uma renda média, passamos a ser vistos também como um país que cresce extraordinariamente.

Tomara isso fosse verdade. Mas não é. Como os três outros Brics, já saímos da crise, mas nosso crescimento continua menor. O mais grave, porém, é que não é um crescimento com estabilidade. A atual taxa de câmbio ajuda a combater a inflação, mas, além de prejudicar o crescimento, endivida o país e o torna sujeito a novas crises. O ministro Guido Mantega sabe disso e se preocupa; há cerca de um mês chegou a protestar contra tanto elogio. Percebe os riscos do ufanismo. Será que Lula também percebe? E -o que é mais importante- será que os brasileiros também estão se dando conta dos prejuízos que sofrem com acolhida tão boa aos interesses estrangeiros -inclusive por aceitarem essa taxa de câmbio? Será que sabem dos prejuízos e dos perigos que correm em meio a tanto elogio? Não estou seguro, mas penso que estão ficando cada vez mais desconfiados. Afinal, nem sempre os brasileiros se deixam enganar. São também matutos e olham com o rabo dos olhos os “momentos mágicos”.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: , ,

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51 comentários para “Subperonismo ou submalanismo?”

  1. Jotavê disse:

    O texto saiu duplicado, Nassif.

  2. EDSON MEDEIROS disse:

    O texto está repetido. Não sei pq isso as vezes ocorre aqui.

  3. Maria Dirce disse:

    Esses “Elogios” já foram citados em outros blogs, qdo estavam falando pq os espanhóis elogiam tanto o Brasil?????? Mas o presidente disse ontem que respeita o Brasil, e qdo ele fala de respeito esta incluso que não fará e não faz negociatas com estrangeiros como fez FHC.Tanto é que os aviões caças, ainda esta suspenso de quem comprar e como comprar!!Na escola que Lula estudou, muitos economistas foram expulsos!!!(sic)

  4. Maria Dirce disse:

    Esse olhar desconfiado as manchetes estrangeiras de demasiado elogios ao Brasil, ja foram citados por outros blogs, qdo diziam pq os espanhóis elogiam tanto o Brasil,mas Lula ja disse ontem que respeita o país que é presidente!!Quem foi líder de umaontadora seguidas vezes não cai nessa história por elegios dados e golpes futuros!!!!!
    Na escola que os gringos estudaram Lula foi expulso!!!!

  5. Roberto São Paulo/SP disse:

    Creio que precisamos aproveitar a oportunidade dada pela descobertas das reservas de petróleo localizadas na camada do pré-sal e o desenvolvimento dos biocombustíveis, de poder pagar em reais pelo petróleo consumido.

    Além disso as reservas cambiais no atual patamar irão permitir administrar com tranquilidade as próximas crises de liquidez no mercado internacional.
    E a tão temida fuga de capitais, agora serão bem vindas e uma oportunidade para ajustar os preços da economia e ao mesmo tempo reduzir a dívida pública.

    O que precisamos fazer diante desta nova realidade da economia brasileira, é realizar o ajuste nos juros da Selic, e eliminar o diferencial de juros.

  6. Maria Dirce disse:

    Nassif meus comentários duplicados pq ao envia-los vejo aqui que perdi, escrevo novamente e depois vejo 2 , podria deletar um por favor?

  7. Chico Pedro disse:

    O tempo passa…o tempo voa…mas os ratos continuam pendurados nas tetas…

  8. Fabio Passos disse:

    Não tenham dúvida.

    Os elogios dos gringos são porque o Brasil mantém aberto o cassino.

    A especulação neoliberal continua… os especuladores nos depenam e a mídia-corporativa nos adula.

    É preciso aumentar a taxa sobre o capital especulativo.
    E reduzir urgentemente os juros.

    Mantega precisa enfrentar os picaretas do BC.

    Chega de especulação e deste endividamento estéril.
    Tem que apostar na produção!

    É urgente.
    Bresser está corretíssimo.

    • Gunter disse:

      É… Temos que levar em conta.

      Vamos pensar juntos.

      a) O que realmente deveria ser feito para sair do gargalo e da armadilha cambial demora (infraestrutura, capacitação de mão-de-obra, reforma tributária, etc. )

      b) As coisas estão bem melhores que em 1997/98. A taxa real de juros é menor, as reservas são maiores, a dívida foi transformada em real. Mas não se deve repetir o erro, correto?

      c) desvalorizar é interessante no momento. Como fazer mais rápido mesmo que não o ideal?

      d) o caminho mais simples seria, parece, começar a baixar juros, tirar o IOF das aplicações internas e aumentar o das externas (não sei se é possível). Menor taxa de juros atrai menos capital externo e barateia a formação de reservas. Mas juros baixos e câmbio desvalorizado trazem o risco de maior inflação. Política fiscal pode ser eficiente para reduzir demanda com equilíbrio simultâneo das contas públicas.
      Então o crescimento cai.

      Se eu compreendo o cenário, o governo tem duas possibilidades:

      1) “Fazer cara de paisagem” : deixa tudo como está, inflação baixa, cambio barato, 7% de crescimento do PIB, algum crescimento de dívida pública. Elege a Presidente e passa o ajuste para 2011. (obs.: tirando o crescimento do PIB, é um mundo parecido com 1998)

      2) “Ter vontade política” Aplicar mais um pouco o receituário ortodoxo, mas de forma transparente à nação. Assumir um crescimento um pouco menor para 2010. Assumir uma inflação um pouco maior. Contar com a opinião pública, como em 22/dez./2008, para confiar no governo, entender que isso precisa ser feito o quanto antes, sem se assustar com efeitos nas eleições.

      Se o governo fizer 1) não vou condenar. É o que qualquer partido faria em véspera de eleição em qualquer lugar do mundo. Na América Latina, então…

      Se o governo fizer 2) vou achar que lidamos com uma equipe acima da média no que concerne à responsabilidade com a administração pública e futuro do País.

      2010 será um ano longo.

      • Gunter disse:

        Oww. Não vai ficar clara a primeira frase de 2) acima.

        Geralmente há duas opções ortodoxas para obter equilíbrio de contas. Aumentar juros ou aumentar tributos. Tributos (ajuste fiscal) é sempre mais estável e seguro que Juros (política monetária). Os dois juntos podem levar a recessão, mas derrubam qualquer inflação. Não é o caso para combinação tão amarga.

        Estou enferrujado em análise macro, mas o que acho mais viável é um pouco mais da dose ortodoxa ajuste fiscal (por impopular que seja). Isso garante a ponta das contas públicas, segura um pouco a inflação (apesar do aumento de custos das empresas) e dá espaço para reduzir juros e desvalorizar câmbio dando uma folga adiante para retomada de crescimento com segurança.

        • Fabio Passos disse:

          Não entendi.

          De onde tirou a idéia de que a redução dos juros não é o alivio nas contas públicas que o Brasil precisa?

          Os serviços da dívida são exatamente o rombo que precisa ser fechado nas contas públicas.

          O caminho é:
          - Baixar os juros.
          - Aumentar a taxa no capital especulativo.
          - Reduzir tributação.
          - Aumentar valendo os investimentos públicos em energia, transportes, comunicação…

          O Brasil tem todo o potencial prá crescer 10%aa e finalmente assumir uma posição verdadeira de ator global.

          Por que o Brasil se nega a entrar em um círculo virtuoso de crescimento vigoroso?

          Tem é de enfrentar certos interesses que levam uma bolada mesmo se o crescimento for zero.

          A questão são os interesses. A Oligarquia financeira.
          O rentismo que mantém todo o país refém.

        • Gunter - SP disse:

          ?? Eu acho que redução de juros é necessária. Alivia as contas públicas e permite desvalorizar.

          Mas no curto prazo esse caminho requer aceitar uma inflação acima da meta, digamos 6,5%. E um esforço fiscal temporário (para não haver inflação de demanda).

          É um caminho virtuoso para as contas públicas (melhoram de dois modos), mas é o mais difícil politicamente.

          As únicas diferenças em relação ao que você fala são, portanto, aumentar (não reduzir) tributação no curto prazo (reduzindo no longo prazo com reforma tributária) Crescer um pouco menos nos próximos 2 anos para ter um caminho mais confortável na frente.

        • Fabio Passos disse:

          Não acredito nisso de análise decretando inexoravelmente um aumento futuro da inflação.

          O Estado ainda controla e/ou pode intervir em preços fundamentais para aliviar eventuais pressões.

          E algumas reduções tributárias também produzem bom efeito.

  9. valter disse:

    Acabo de assistir ao vídeo com a entrevista do Presidente na RedeTV. Lá ele fala que a perda de tres eleições ensinaram-no a ver melhor o país, suas mazelas. Também a conhecer quem realmente são os seus amigos. Oxalá tenham lhe ensinado também quem são os inimigos. O elogio farto e fácil, o engôdo e a bajulação às vezes deixam-nos cegos para os perigos. OBrasil atravessa a crise num mar relativamente calmo. Queira Deus que não tropecemos e nem deixem de fazer o que tem que ser feit.
    No tocante ao câmbio acho que não foi feito e o BC continua mais independente do que nunca. Isso não é bom.

  10. Antonio Cesar disse:

    O Bresser se superou nesta. É realmente hoje, o melhor que a oposição tem a oferecer.

  11. emanuel cunha lima disse:

    Se o Ricardo Kotscho ler esse Artigo do Vergilio vai, certamente, incluí-lo na “urubuzada”. Pra não ser injusto com o RK, devo lembrar que muitos outros blogueiros e comentaristas dizem, embora com outras palavras, a mesma coisa, e também com identico objetivo de desqualificação das criticas e restrições.
    É assim que são classificados todos que não se deixam levar pelo “momento magico”
    ( E aqui um parentesis: Não por acaso a palavra “mágica” tem como um de seus sinônimos “ilusionismo”, que, por sua vez, é derivação de ilusão, iludir = enganar…).
    Embora nascido e criado em cidade, tenho com o matuto uma semelhança, ao menos: Gosto mesmo é de um bom feijão com arroz bem feitos…
    Não me comovem os lautos banquetes, as pirotecnias gastronômicas, as “especiais especiarias…”
    Não me iludo ( outra vez o ilusionismo aí…) com numeros belissimos, promessas maravilhosas, ufanismos toscos e babões. O Brasil que sonho é o que se faz todos os dias. Não começou em 1989, 1994 ou 2003. Nem vai acabar ( muito menos “ficar pronto” em 2010, 2014 ou 16…). Não é obra de uma pessoa, de um grupo politico ou de um programa de governo com nome pomposo ( seja Cruzado, Real ou PAC…).
    Tenho idade, e um pouquinho de experiencia, pra não me iludir com os “magicos” que no momento estejam no palco a exercer o ilusionismo!
    Mais que isso…
    Temo a volta daquele sentimento de “ninguem segura esse pais”, seguido do “pra frente Brasil!” e complementado com chave não de ouro, mas de ferro, com a ordem: “Brasil, Ame-o ou deixei-o”

  12. Moita disse:

    Mas como a oposição iria bater ali onde o calo realmente doi se foi ela que provocou o calo?

    Quer dizer que a oposição seria difícil de enfrentar ser fizesse oposição a si memsa? É, seria mesmo difícil. E desnecessário.

  13. ricardo silveira disse:

    Mas quem é o PSDB para bater onde o calo dói? Por que o PSDB mudaria agora? Só para fazer o papel de “oposição competente” para ganhar a eleição e, depois, quando governo, fazer exatamente o mesmo? Por que o PSDB faria, depois, o que não fez antes? A crítica parece válida e, é necessário que se critique as políticas para melhorá-las, sempre. Mas, quando a crítica é feita por tucano, é bom ver se é, mesmo, pertinente. Depois de 8 anos de governo federal tucano e 15 de governo paulista tucano, o que foi feito para que mereçam credibilidade? Quando o PSDB se alia ao DEM, será que estão querendo apenas ganhar a eleição? Para depois fazer um governo contrário aos aliados? E, será que a mesma pergunta pode ser feita ao PT em relação à sua aliança com o PMDB? Acho que não, o que se sabe dos governos do PT e do PSDB é que são muito diferentes.

  14. artur cartacho disse:

    Jotavê meu presado ,ou os gringos estão sem informações corretas ou esta havendo um engano ai ,se o Brasil estiver esta maravilha então não precisamos ampliar nossa rede rodoviária /ferroviária que o próprio Finacial Time noticiou esta semana ser um dos nosso problema ,e a violencia? Ô Jotavê as grandes cidades estão em estado de guerra ,no Rio foram 6.000 mortes no ano , e os nossos aposentados ,o Lula nega o aumento em concordancia com o aumento do mínimo .e a saude publíca ? e o IDH (índíce de desenvolvimento humano) ,estamos la em baixo , então meu caro Jotavê com a devida venia ,estamos tendo algun engano.

  15. Zilda disse:

    Quando a esmola é grande demais até o santo desconfia. Como brasileira tenho, sim, me incomodado com essa bajulação toda. Sei que não é de graça. Sei também que não tenho a formação de um Bresser mas sou matuta o suficiente para estar desconfiada dessa gente que só age por interesse. Espero que, quem de direito e obrigação, esteja percebendo a armadilha. Com certeza o perigo não vem só de fora. A direita brasileira, articulada como é, e que defende os seus interesses e os dos países desenvolvidos, está por trás disso também. Não tenho dúvidas quanto a isso.

  16. Cláudia disse:

    “Será que Lula também percebe?”

    Se o Lula percebe? Francamente, problema de percepção deve ter quem a uma altura destas ainda desconfia de que o Lula possa sucumbir a qualquer tipo de deslumbramento.
    Mas provavelmente trata-se do velho caso em que se mede o outro por si próprio.

    • Vera B Pereira disse:

      Concordo, Claudia. Eu perguntaria ao prof. Bresser Pereira: será que o partido dele, o PSDB, percebe que até agora, incluindo este seu artigo, não apresentou nenhuma proposta alternativa ao que considera ser uma possível “falta de percepção” de Lula? Será que o professor Bresser Pereira percebe que o país está mudando e que nem ele nem seu partido convencem mais grandes setores da população com retórica vazia?

      • luisnassif disse:

        O Bresser ºe independente. Se o PSDB o ouvisse, não estaria nessa água.

  17. Maria Dirce disse:

    continuando-O Bresser cientista político cheio das graduações fora do país governo FHC, governo sarney,lula é tão esperto que não cai no “momento mágico” quem foi líder de sindicato de montadoras sabe muito bem onde começam as verdadeiras negociações e onde termina a greve!E o Bresser fã do governo neo liberal de FHC me parece um viés de querer jogar água no gato!!!! se liga Bresser lula não estudou em sorbone, as ruas e a fome lhe deram o diploma da astúcia!!!!!!!!!!!

  18. Enquanto isso, no Estadão, Affonso Celso Pastore, dá mais do mesmo: aumento de juros, PIB potencial, aumento de superávit, etc.

  19. Marcelo de Matos disse:

    Já que fomos citados em tão nobre matéria, nós, os matutos, não podemos nos furtar a algumas considerações. Diz Vossa Senhoria que nossa taxa de crescimento é menor e nossa economia mais instável do que a dos outros três brics. Será? Ab initio, afastemos a China dessa comparação. É um gigante da economia e ninguém se lhe ombreia na atualidade. A Rússia é economicamente estável? Não parece. Sustenta sua economia na exportação de petróleo e o produto não vive seus melhores dias. E a Índia continua a ser uma Belíndia – em parte é Bélgica, em parte Índia propriamente dita. Estamos crescendo pouco? Essa é uma velha ladainha. Os açodados, como diria o ex-presidente Geisel, querem ver um espocar chinês em nossos índices de crescimento. Devagar com o andor que o santo é de barro. O crescimento está bom – é a proximidade das eleições presidenciais que desencadeia essa ânsia por maior crescimento. Culpar o governo pela situação do câmbio, também, é uma estratégia eleitoral. O governo não cria as taxas de juros e sua provável consequência – a apreciação do real. Isso tudo é obra dessa fantástica entidade a que chamamos mercado. O governo não é senhor de todos os mecanismos econômicos. Há outros agentes envolvidos, dando as cartas do jogo, como a Fiesp, a Febraban. Ou alguém pensa, ingenuamente, que é só chegar lá e mudar tudo?

  20. emerson disse:

    A oposição esta perdida porque nunca foi oposição e não aprendeu a sê-la em 6 anos. Os tucanos perderam a direção porque acharam que seria simples retomar o poder apenas por causa do fracasso de Lula. Erraram. E não se prepararam para 2010 porque não achavam que chegariam a 2010 como oposição. Não há proposta para o país.. não há nem mesmo um projeto de poder.. acharam que em 2006 ganhariam pelo fracasso de Lula, e não fizeram nada nesse seis anos que pudesse ser apresentado com proposta ao modelo lulista. Lula implementou um novo modelo que superou o modelo fernandista em muitas coisas e sua aprovação reflete o sucesso de seu modelo, mas contém falhas e imperfeições, que começam com a política do BC, passa pela falta de um programa para o empreendedorismo, e termina pela manutenção de um sistema juridico-penal inviável. Mas o que fez a oposição, que não aprendeu a ser oposição? Esperou o fracasso de Lula. Ao invés de propor um novo modelo financeiro, uma prioridade pela pequena e média empresa, ou uma revisão da instituição penal, tentou rebater as iniciativas de Lula tentando preservar FHC. Tivesse esquecido FHC e investido em um novo modelo que avançasse além do que fez Lula, teriam ao menos chance de participar nessa eleição. Serra é o arquétipo da oposição tucana. Sem-sal, sem-palavras, vazia, reativa e acovardada.

    • evandro condé disse:

      Permita-me sintetizar: a oposição apequenou-se.

      • emerson disse:

        FHC se apequenou…
        e a oposição embarcou na dele.

        Espero uma nova geração de pensadores de direita que possam propor um novo modelo a partir do cenário montado por Lula. MAs é preciso saber que ninguém aceitará voltar a FHC nem desmontar Lula. Precisamos de novos ajustes, novos programas que venham complementar o que Lula consolidou. Não desmotar.

  21. Lúcifer disse:

    Também concordo . “Cartacho”, se escreve com “X”.

  22. Eugênia disse:

    Pelo que li, nosso complexo de vira-lata está mais vivo do que nunca. Não podemos receber elogios, ter um papel importante no mundo, que já desanda o baixo astral. Como já se disse várias vezes por aqui: a inveja mata. E os artigos ruins também. Bresser Pereira deve estar com saudades das crises do governo FHC e outros, do rombo nas reservas, do índice da população abaixo da linha de pobreza e por aí vai. Nunca é demais repisar o que disse o The Economist (que também apontou fragilidades) que em certa medida o Brasil é mais importante do que a China porque é uma democracia ( e a FAO hoje diz que além disso o Brasil também foi mais eficaz que a China no combate á fome); é mais importante que a Índia porque não temos disputas étnicas nem dentro nem com vizinhos; mais importante do que a Russia porque nossa economia não está baseada quase exclusivamente em petróleo e armas. Quanto aos problemas, eles também existem e penso temos que lidar com eles e fazer propostas. Mas isso o tucanato, seus amigos e admiradores não são capazes de fazer: contribuir. A não ser fazendo artigos ruins e nos obrigando a responder.

    • brazz disse:

      Eugênia,
      Se você ler o artigo completo da The Economist, verá que o sucesso do Governo Lula deveu-se, em grande parte, à conjuntura favorável e aos fundamentos criados no Governo FHC (não me critique, leia o artigo).
      São pessoas como você as que não sabem reconhecer e contribuir.

  23. emerson L. disse:

    Desculpe, aos outros comentaristas mas não vi nada de mais, alias este texto só diz o mesmo do mesmo.
    Jotave se Bresser é o melhor da oposição, qual calo? o fato dos meios de comunicação do mundo não serem controlados iguais ao nossos e que diferentes dos nossos que só apresentam o que esta errado?, basta ver a cobertura do blecaute e o caso das vigas(sei que é um problema no estado de SP e bem menor), mas aposto que vc não viu nenhum especialista falar na TV sobre as causas como no caso do blecaute, eu não vi, no caso do blecaute tinha pessoas falando tanta bobagem.
    O que eu acho é que as conquistas não podem mais ser negadas, então pega-se algo negativo, como disse é o mesmo do mesmo. Onde estava o sr. Bresser quando no final do ano passado Lula foi a TV falar da crise(marolinha lembram) e mais ele aponta que somos os mais atrasados(mais do mesmo) e não aponta a direção, por onde começar, projetos, o que falta implementar.
    O que necessitamos é de uma oposição que não negue ao pais o sonho, mas que se entregue ao Brasil e não entregue o Brasil, assim como falei no post sobre SP(nossa locomotiva) se em 15 anos os tucanos não tem projeto de desenvolvimento para SP imagine para o pais, parafraseando o nosso vice-presidente, “SP é o que é não por causa dos tucanos e sim apesar deles”.
    Também tenho alguma idade(não tanto quanto ao maioria do comentarista deste blog), mas acho este momento sim maravilhoso em que podemos olhar para fente e temos sim que aproveitarmos enquanto o mundo nos olha, sejam quais são os motivos o importante é olhar e fazermos o que é melhor para nosso povo.

  24. Cláudia disse:

    Aqui também?

  25. Antonio Pinto de Oliveira Neto disse:

    Caros,

    este artigo do Bresser Pereira é bom o bastante para até mesmo entusiasmar os seguidores do partido da social democracia brasileira no blog. Deve entusiasmar também os partidários dos democratas. O problema é o calo como aponta com clareza o colega leitor Ricardo Silveira em seu comentário.

    Apesar do que as letras psdbdem poderiam representar, quem hoje no país, com seriedade, dá a estas montagens de letras que nomeiam estes partidos alguma credibilidade?

    O psdbdem ,em versão nacional, virou sopa de letrinhas. Sem discurso porque não dá mais para acreditar em quaquer discurso que parta deles. São letras embaralhadas de um consenso que implodiu e para o qual contribuiram com o sangue dos brasileiros. Não com o deles, é sempre bom lembrar. Estão por demais comprometidos, por demais atados neste consenso falido.

    São letras usadas sem cuidado algum e que mal escondem os interesses comerciais/midiáticos que um dia recobriram. É simplesmente tragicômico aquilo que as lideranças do psdb fizeram com um partido que nasceu cisne.

    O artigo do professor Bresser-Pereira de fato é bom, mas não creio que o presidente Lula desconheça os pontos nevrálgicos no texto em questão.

  26. Felipe Maddu disse:

    Concordo em partes. Acho que os brazucas tem que acolher bem os gringos, mas aqui não é a casa da Mãe Joana, pronto tá falado ;)

  27. Anonimo dos Santos disse:

    O Bresser, como outros, está só mostrando a cara. Aposta na chamada preferência inercial do Serra.

    Afinal de contas, se o Serra ganha ele vai ter que desmontar tudo o que Lula fez, vai precisar de “braços” para preparar tudo para ser fatiado e vendido.

    O Bresser então deve estar só dando uma polida no C.V. Distímico como o Serra, quer garantir pelo menos alguma afinidade com ele…

    O problema é que a curva de crescimento da preferência do eleitor pelo Serra não obedece às vontades do Montenegro. A coisa está desandando e, continuando no ritmo que vai, é bem capaz da oposição chegar à março/2010 sem candidato à Presidência. Afinal o Serra já correu da raia antes. Por que se arriscaria a uma surra quando se pode ter a reeleição garantida?

  28. Marcos Gomes disse:

    artur cartacho disse: 16/11/2009 às 12:53…
    Talvez vc tenha uma varinha mágica, que conserte qse 500 anos de atraso de uma vez só. É claro que precisaremos de mais uns 25 anos de governo razoáveis para bom (o resto o povo toca), para então termos indicadores mais favoráveis.

  29. artur cartacho disse:

    Lúcifer ,meu tacho,é o de metal,com asas ,aquêle negociado pêlos ciganos ,e o seu lúcifer ,é o anjo mau com ou sem asas? E o Bresser ,seria o viaduto ai no Brás ,ou o cientista econômico? Brincadeiras para descontrair meu caro amigo.

  30. Eduardo CPQ disse:

    Luna, amigos,

    como caipira matuto e como já disse, não me iludo:

    – Eles nos ufanam para nos afanar.

    Ou não?

    • altamiro souza disse:

      é preciso ter cuidado mesmo com os gringos, mas também com os nossos entreguistas.
      Ex:
      um bom título para um livro sobre a era fhc seria:
      “Por que afano o meu país” (riso verde-amarelo!)

  31. Leosfera disse:

    Também fomos elogiados lá fora no “milagre” dos milicos: uma modernização subordinada em que o fosso social só aumentou.
    Fico com Milton Santos (em paráfrase): o papel do Estado moderno é garantir condições ideais ao capital, enquanto finge que governa para os pobres. Lula tem feito uma encenação melhor que a média. E só.

  32. José Ayres Lopes disse:

    Enche o saco, ler e ouvir, gente que já teve a sua vez de fazer e não fez e agora quer dar a receita do bolo. A teoria na prática é outra. O Brasil que sempre foi o país do futuro, está vivendo agora, depois de muitos e muitos anos, um presente auspicioso. Então vamos comemorar e aproveitar. O Bresser Pereira não tem relevância nenhuma. Se morrer amanhã só será lembrado pelo famigerado Plano Bresser. Não ficará nehuma teoria, nenhum pensamento original, nenhuma contibuição efetiva para a Teoria Econômica. Ele é um intelectual livresco.

  33. rafael lima disse:

    É engraçado que os super-intelectuais do psdb/dem, nunca comparam o governo deles(1994/2002) com o atual. So querem mostrar indices economicos de outros paises. Por que sera?

  34. ADNAN EL KADRI disse:

    Jotavê,
    É esta a questão: o capital estrangeiro vem para o Brasil e não tem contrapartida, ao contrário dos outros BRIcs.
    E mais ainda, a nossa Vale do Rio Doce – ainda compra navios coreanos, chineses, importa trilhos e vende comodities!
    Como mudar esta política e mais ainda, a questão do câmbio/juros colocada com a maestria do Bresser Pereira, que me fez lembra do Clinton que tanto elogiava a Argentina dos tempos de Menem; era um exemplo a ser seguido e em seguida quebrou. Aliás, FHC tbém quebrou o Brasil por três vezes!
    A herança do financismo e mercadismo triunfante dos tempos fhc deixou MUITAS sequelas.
    Não acho que isto mudará de um dia para outro.
    Primeiro porque o Governo precisa ser mais ágil.
    A Fazenda e o BNDES o são, mas o B.Central ainda faz uma política que ajuda depreciar, mais ainda o real.
    O B.Central já trabalhou mais contra o País, mas ainda trabalha. Sem eufemismo faz o jogo dos bancos – capital financeiro e não das necessidades da maioria da sociedade brasileira.
    Então é preciso mudar e colocar estas questões como políticas de Estado. Ou seja, a apreciação do real (câmbio/juros) tem que ter um tratamento e decisão de Governo.
    A China tem o yuan depreciado – desvalorizado – para melhorar a competitividade dos produtos chineses. O Obama vai lá e reclama. A China rebate e diz que é uma injustiça!
    Aqui nós ficamos recebendo salamaleques dos europeus, dos americanos, dos japoneses …..dá mesmo para desconfiar.
    E , sinceramente, a única alternativa, para mudar esta situação, é a solução POLÍTICA.
    Por isso é preciso aprofundar as políticas de investimento nos setores chaves, infraestrutura, petróleo e gás, tecnologia e educação, etc e, pensar uma política industrial para os próximos 20 anos e melhorar, mais ainda a competitividade do Brasil. E ao mesmo tempo discutir melhor esta questão do investimento estrangeiro, buscando atraí-lo para estes setores chave.
    Então é preciso avançar mais ainda do que já fez o governo Lula .
    Assim, o País tem que avançar neste modelo de desenvolvimento que se esboça com Lula e deverá se aprofundar com Dilma Rousseff terá que pensar estas políticas que enfrentem de vez a questão do câmbio (apreciação do real).
    A esperança é termos um(a) Presidente (a) mais compromissada ainda para dar mais este passo.
    Muito bom o post.
    Abração.

  35. altamiro souza disse:

    o bresser está acima da mediocridade demotucana…
    pelo menos ele não agride, alerta para um problema real…

    a questão é a tal da hegemomia, ainda na mão do sistema-financeiro, pelo jeito…(com alguns escravocratas odiosos piorando ainda mais as coisas)
    enquanto não quebrarmos essa hegemonia, essa hegemonia conservadora que vem dominando o país há séculos, as transformações dependerão dessa luta dialética entre esses arcaísmos e os que lutam verdadeiramente por um país melhor para todos…

    há que preservar as conquistas sociais,
    sem esquecer desse alerta importante que o bresser levantou…
    mas acho que a questão dos juros é muito mais ampla do que baixar a taxa selic.
    como leigo, acho que o tal do spread é, no sistema financeiro, mais ou menos como a tal da mais-valia para os trabalhadores…
    uma espoliação!
    ou não?

  36. Werner Piana disse:

    na tv senado agora à noite rola debate na Comissao de Infraestrutura sobre politicas publicas, com dois expositores do IPEA, pré-sal, lei para garantir os avanços do gov Lula na área social, etc. Bem didático – à exceção dos momentos prolixos do slow-senator Suplicy.

    Outra coisa. Bem diferente da comedia pastelão de 5ª repetidamente encenada por mão-nada-santa, heraclitos, mozarildos… a turma da depressão e do deboche. “os pais da pátria”- arre!

    A tv Senado mostrando este debate sobre infraestrutura é melhor que qualquer tre-le-le na tv aberta.

    Com Collor presidindo a mesa, hehehe…

  37. artur cartacho disse:

    Meu caro Marcos G./15.54 ,leia o Brazz/17.28 .Respeito sua opinião ,e repito ,Lula merece a sorte que tem ,a conjuntura mundial foi muito espetacular , e não so o Brasil mas a maioria dos paises aqui da América do Sul evoluiram e alguns com resultados melhores que o nosso,porque tivemos problema com gasts públicos ,por motivos evidentes.

  38. Mais um tucano invejoso, que diz que o Brasil ser considerado um país forte é muito ruim.

    Bresser quer nos convencer que o Brasil é o pior dos BRICs. Talvez ele ache que nem deveríamos constar da sigla criada por Jim O’Neill.

    Somos, sim, o mais forte dos BRICs. A Rússia é uma promessa que não se cumpriu. A China é uma ditadura onde a maioria ganha menos de U$ 2,00 por dia. A Índia é um caldeirão fervilhante de etnias (no mínimo 18 etnias!!) com pobreza absoluta e tempero de carros-bomba.

    O Brasil é uma democracia. É muito mais confiável do que os outros três BRICs. E está se tornando uma liderança inconteste no Continene. Isso Bresser não diz.

    O que Bresser não diz é que, via de regra, os elogios ao Brasil não são absolutos. São seguidos de “mas”. A “Economist”, por exemplo, diz que o Brasil decola. Mas a publicação está preocupada com a “excessiva intromissão do Estado na economia”. Ah, claro, eles querem é farra…

    É impressionante como demo-tucanos dão voltas e voltas argumentativas, mas sempre acabam dando um jeitinho de criticar o Brasil e tentar colocá-lo para baixo.

    Como diz PHA, a inveja é justa, pois corrói o invejoso por dentro.

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