O capital externo na mídia
Algumas observações sobre essa ofensiva da velha mídia, de se enquadrar a informação de Internet na categoria jornalística e obrigar os novos agentes a respeitar a proporção de capital nacional nas companhias – assim como as empresas jornalísticas.
Suponha-se que esse pleito seja legítimo.
A indagação básica é sobre quem seriam os parceiros brasileiros. A Globo ganhou centenas de milhões de dólares vendendo parte de seu portal à TIM e recomprando a preço de banana quando a bolha da Internet estourou. A UOL conta com capital da Portugal Telecom. A Abril foi porta de entrada para a Naspers. O que a ajudou a sair da crise financeira foi a venda da TVA para a Telefonica – e a TVA lhe foi entregue de graça pelo governo Sarney. A RBS conseguiu superar a crise financeira vendendo o Terra à Telefonica. Do governo Sarney para cá – passando pelo de FHC – outros grupos conseguiram ampliar seus ativos ganhando concessões de graça, entrando exclusivamente com a influência política.
Agora, a VIvendi está vindo por aí, assim como as empresas de telefonia já instaladas. É óbvio que o objetivo da velha mídia é se habilitar a continuar a ser a porta de entrada dos grupos estrangeiros, preservando o cartel no mercado de opinião e de entretenimento.
Para instituir a isonomia, sem aumentar a concentração, basta a regulação enquadrar as estrangeiras aos percentuais mínimos de capital nacional, mas proibir a participação nas novas empresas de grupos que já tenham participação expressiva no mercado de concessões e de mídia.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: capital externo, concentração de mercado, Mídia, regulação

O problema é que a Globo queria que só ela produzisse conteúdo para a telefonia móvel e vai ser muito difícil lutar com as telefônicas estrangeiras que têm muito mais dinheiro que a Globo e poderão ter os seus próprios canais de tv gerando conteúdo para a telefonia móvel. A Globo está desesperada.
Lembram daquele projeto, que não passou, que queria limitar a produção de conteúdo somente a brasileiros?
Esquecamos “producao” por um minuto ai. Quanto dinheiro a Globo ja investiu no Brasil?
TODO o dinheiro da Globo foi pra suas “producoes” e… pra nada mais?!
Pois eh! Eh obvio que as estrangeiras teem muito mais dinheiro. Nao ha como nao ter.
E não é sem motivo, pois ontem durante o Fantástico, o insuspeito IBOPE, aquele que registrou audiência da Globo durante a escuridão do blecaute, foi constatado isso:
Record, com o programa reallyti show A Fazenda: primeiro lugar em audiencia
Rede TV, com Pânico na TV: segundo lugar
Globo, com o Fantástico: terceiro lugar
Por coincidência, Lula esteve dias atrás na Record e na Rede TV.
Qual será a próxima TV a receber Lula? Ai a Globo fica na rabeira
Stanley coloca aqui no nassif sobre o rombo na constituição do FHC que esta lá no Azenha, que vc escreveu muito lúcidamente lembrado.
A velha mídia caducou.
Ontem o Canal Livre representou essa mídia caduca, que envelheceu precocemente. É transparente em alguns setores a resistência velada às novas formas de comunicação. As tecnologias digitais parecem ser o fundo de toda essa questão de repulsa que a grande mídia tem dos novos atores do jornalismo via internet, mas, sobretudo a massa de participação ativa e, muitas vezes, como é o caso desse blog, extremamente qualificada da sociedade brasileira.
O ciúme de muitos jornalistas se faz presente a essa fonte de informações, o que facilita e muito a cooptação dos grandes grupos empresariais de mídia ou de qualquer setor.
O Canal Livre ontem parecia uma conversa tresloucada, transtornada de uma mídia patética e completamente perdida, vivendo em outro planeta.
meu medo, carlos, é que, mesmo com a internet (e gostaria de saber os números, porque isto é um palpite) a maioria ainda acessa portais da globo, do terra, da folha… mas a dissidência ganha momento. a briga vai ser boa!
Leosfera!
Acho que são duas as questões nesse tema que você aborda muito bem. A primeira, você fala sobre Terra, Globo, Folha, o confronto direto entre o jornalista e os leitores. É muito comum o leitor levar um post aqui no Nassif, do Carta Maior, Azenha e etc. para dentro desses ninhos da mídia. A segunda é esse confronto que deixa a arrogante grande mídia profundamente irritada, tanto que os fundamentalistas do submundo “jornalístico” Azevedo e o bonde do terror da Veja não aceitam comentários que não sejam os dos seus torcedores.
Dines, por exemplo, ficou perdido no meio do caminho. Um programa que começou bem, quando a grande mídia podia fazer uma espécie de auto-crítica, com ele à frente. Ele só não aguentou o repuxo dos internautas. Primeiro Dines os classificou como petistas, depois jogou a culpa na qualidade dos textos dos blogueiros, porque não podia culpar a sociedade. Ele está claramente num deserto pregando a exata fotografia da desconexão da velha mídia com as novas realidades da comunicação.
A impressão que se tem é de que a ficha ainda não caiu. O ambiente da redação unilateral ainda estão impregnado na memória de muitos jornalistas. Mas na cultura o mesmo acontece. Com a quebra da grande indústria do entretenimento, muitos artistas estão partindo para a agressividade para manter a pose de astro. E aí, em alguns momentos, fundem-se as viúvas marocas da mídia e da indústria “cultural” e resolvem jogar pedras na sociedade por não mais respeitarem as suas ex-canônicas condições.
Mas como você disse, isso aqui tá muito bom, tá bom demais.
Idade da Pedra Lascada.
tre(i)sloucados!
principalmente o teles, que parece que vendeu a alma e a voz ao patrão – que esqueceu de devolvê-la(s).
não demora muito o teles voltará a ser troglodita e perderá enfim toda a voz!
Correção: não é Napster, é Naspers.
Essa idéia toda é tosca pelo simples fato de estarmos falando da Internet – e a rede não pode nem deve ser regulada -, se abrem a brecha legal numa tentativa de ceifar o aporte financeiro dos ‘blogs jornalísticos/informativos’, a lei acaba por se estender a todos os outros blogs e sites; é muito subjetiva a discriminação de blogs entre “jornalístico” ou não.
Tosco.
É preciso corrigir uma palavra no texto: Napster foi o portal pioneiro no B2B e jamais pensou em entrar com capital na mídia. Naspers é aquele grupo de mídia sul-africano que apoiou o apartheid, esse sim aportando capital na Abril.
André, só uma pequena correção. Napster nunca foi portal e sim o primeiro programa P2P.
Não entendi muito a preocupação da mídia com direitos autorais sobre materiais jornalisticas.
A impressão que tive foi a de que a velha média está incomodada com os questinomentos de suas matérias mais do que manipuladas.
Pelo andar da carruagem não poderemos questionar reporcagens tipo a da ditabranda, ficha falsa da Dilma, Lina Vieira….
O monopólio não pode ser questionado, pois prá isso recorrerão sobre o direito autora sobre a mentira
Isso?
“Não entendi muito a preocupação da mídia com direitos autorais sobre materiais jornalisticas”:
Toda a “producao” jornalistica do mundo se assenta em “produtos” altamente controlados, isso eh, em manipulacao, controle, e fabricacao de informacao, seja ela video ou palavra. So que a industria de livros esta capengando, de revistas esta mendingando, de tv esta aa beira do suicidio, de musica esta arruinada, e de filmes esta incalculamente mais pobre.
Os “direitos autorais” sao golpe. Pergunte a qualquer musico em quantos paises do mundo os “direitos autorais” trouxeram dinheiro pros autores pra ver. Era uma tremenda arapuca aonde informacao produzida por um grupo pequininiiiiiiiiiiiiiissimo de “eleitos” era martelada na cabeca das pessoas por produtores analfabetos. Essa industria acabou.
Dificil eh fazer a industria acreditar, especialmente as industrias que tinham, de fato, poder de destruir o futuro de paises inteiros com fabricacao, mentira, manipulacao, propaganda, e panico, como a industria televisiva. Essa tentativa de volta ao poder dos escribas nao vai acontecer nas periferias nao. Vai acontecer nos EUA. Fique de olho que voce vai ser testemunha.
O mais curioso é só lembrarem do direito autoral (dos seus jornalistas) na hora de coibir a análise das notícias publicadas. Na hora de pagar o justo aos jornalistas pela cessão desses direitos, duvido que sejam tão ciosos.
por que a oi tem uma rádio, enquanto a anatel manda a PF arrebentar a rádio muda? o sarney fez uma festa de concessões políticas e ainda fala do chávez quando não renova a concessão da tv golpista. palhaço.
eles vão querer regime de concessões pra internet também?
quanto ao capital estrangeiro, pode de fato ser perigoso. mas na internet os custos são menores, portanto é possível que surjam portais “dissidentes”, quando seria impensável isso na TV.
A Oi nao tem radio. Ela compra “espaco publicitario” em varias radios e com isso acaba “de fato” assumindo o controle sem que haja qualquer contestacao “legal” porque nao ha lei contra a compra de espaco publicitario. Alias, ateh vender a concessao eh permitido, como houve com a Record e a Igreja Universal. Agora o Helio Costa estah querendo passar uma lei que ele apresentou quando era “soh” senador (acho que 2002) para que a venda de concessoes nao precisem nem ao menos serem apreciadas no Congresso.
Se a Muda “comprasse” espaco numa radio comercial, nao teria sido fechada. Ou seja, para os amigos (principalmente os ricos) tudo, para os inimigos (e os pobres) a LEI!!!
Eh por isso que precisamos fazer parte da ConfeCom. Precisamos regulamentar corretamente as concessoes e redistribuir os espectros para mais setores da sociedade, precisamos controlar e desmontar os oligopolis, precisamos proibir a propriedade cruzada de meios de comunicacao (como fez a Argentina), precisamos apoiar a producao independente e popular garantido sua realizacao e veiculacao, precisamos redistribuir as verbas publicitarias dos governos para que nao financiem somente os grandes que, alias, lhe fazem oposicao cega e impendem o surgimento e crescimento de veiculos alternativos, precisamos criar e ter participacao ativa num Conselho Nacional de Comunicacao Social com reais poderes sobre o setor, precisamos regular (se nao, proibir) a propaganda enganosa, a propaganda dirigida a criancas, a propaganda de remedios e bebidas alcoolicas , precisamos, ah, vcs jah entenderam…
Deixa eu ver se entendi. Querem restringir o capital de “portais” de conteúdo na internet.
Não tem como ser feito e se o fizerem a regulação será inefetiva.
Voltamos sempre a velha história de que poderia ser um portal “brasileiro” de Taiwan. Assim, iria respeitar a legislação do Brasil ou de Taiwan?
Ou nenhuma?
Nassif, toda esta questão de concentração de mídia, pode explicar, em parte, o super engajamento da velha mídia pela candidatura de Serra, pois não pode ser apenas uma questão de natureza ideológica, porque o Lula faz um governo de centro, com algum viés de esquerda, social e moderadamente nacionalista. O Serra deve ter feito algum acerto com os controladores desses grupos de mídia, que são a única grande força do conservadorismo realmente engajada na oposição a Lula.
No início do primeiro mandato de Lula a rede globo foi extremamente dócil com seu governo, e demorou muito a se engajar no esquema de ataque de mídia, movido pelo escândalo do “mensalão”. A virada da globo veio com a exploração do episódio do dossiê, feito para provocar o segundo turno, e de lá para cá o engajamento da globo é total, inclusive com a demissão de jornalistas que não se enquadraram no esquema Kamel. É bom lembrar que mudança da postura da globo foi apenas após ter recebido um grande empréstimo do BNDES.
O esquema do “mensalão” não veio a tona por acidente, e não foi só jogo político, mas também resultado de grande luta comercial, que tem como pivô, o Daniel Dantas, o que explica esse outro super engajamento da velha mídia para proteger o mesmo.
E o IG ? Qual grupo estrangeiro que tem participacao no IG?
Com a desregulamentação e a terceirização de que fomos vítimas especialmente durante as décadas de 1980 e 1990, muitas redações de jornais e revistas demitiram todos os seus funcionários e obrigaram os profissionais a abrirem empresas de prestação de serviços para continuar atuando, muitas vezes na mesma mesa e com o mesmo horário.
Outros se tornaram realmente independentes e trabalham para vários veículos ou abriram assessorias de imprensa nas quais trabalham para diversos clientes.
Agora é hora de usar bem esse fato histórico e participarmos da ConfeCom, a Conferência Nacional de Comunicação. Se os pequenos empresários e “empresários” da comunicação não levarem suas ideias e bandeiras para a Conferência, estaremos fadados a seguir prestando serviços aos oligopólios da mídia, a preços cada vez mais baixos, com menos direitos trabalhistas e sem nenhum controle sobre o uso do conteúdo que produzimos.
Segundo o jornalista Renato Rovai, da Revista Forum, na etapa baiana da ConfeCom, os grandes empresários atropelaram os pequenos e dominaram totalmente a eleição. Não podemos deixar isso acontecer em São Paulo!!
Para participar do processo da Conferência e ajudar a impulsionar as mudanças que consideremos importantes, é FUNDAMENTAL que os “empresários” paulistas se inscrevam, e a seus “funcionários” na etapa estadual de São Paulo até a meia noite dessa segunda-feira 16/11/2009 em http://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dDZGNVNxT2dhLWVYT2owSlJyRllUU0E6MA
A proposta é ótima.
Duvido, entretanto, que o governo e sua maioria no congresso lutem por ela.
Gozado é que a grande mídia defende a aplicação da lei para enfrentar APENAS para uma das distorções que o mercado apresenta. E as demais destorções, como a prática da propriedade cruzada, a concentração de várias emissoras na mã de um único grupo etc etc. Cadê coragem pra assumir uma reforma geral no sistema de comunicação nacional? É o que já disse aqui ontem: Estão todos convidados a discutir os interesses na Confecom, em dezembro.
Sobre a Vivendi, que aqui do grotão eu nunca tinha ouvido falar:
Commenting on the announcement, Jean-Bernard Lévy, CEO of Vivendi stated: « Our offer of BRL56 per share to acquire the control of GVT reflects the exceptional quality of this operator and its teams, as we have been able to confirm after a thorough analysis of its business model and performance record.
GVT, the leading alternative telecommunications operator in Brazil, is totally focused on excellence, profitability and expansion, enjoying annual growth of around 30%. With innovative solutions and products in telephony and the internet, GVT is the best performing Brazilian broadband operator and, most importantly, is closest to consumer needs in quality and service.
Vivendi plans to be present for the long term in Brazil. It is a country with more than 190 million inhabitants that offers outstanding growth opportunities. Our aim is to further reinforce GVT’s dynamism, give it a definitive shareholder and rapidly expand the company in those regions of Brazil where it currently has only a small presence or none at all. The very high quality of GVT’s teams, in whom we have complete confidence, will be another success factor.
The acquisition of GVT is totally aligned with our strategy of secular expansion in rapid growth economies. As it did some years ago in Morocco, Vivendi is committing itself to a large and lasting investment in Brazil, which both in the short and longer term will create value for our shareholders.”
About Vivendi
A world leader in communications and entertainment, Vivendi controls Activision Blizzard (#1 in video games worldwide),
Universal Music Group (#1 in music worldwide), SFR (#2 in mobile and fixed telecom in France), Maroc Telecom Group (#1 in
mobile and fixed telecom in Morocco), Canal+ Group (#1 in pay-TV in France) and owns 20% of NBCU (leading U.S. media and entertainment group). In 2008, Vivendi achieved revenues of €25.4 billion and adjusted net income of €2.7 billion. With operations in 77 countries, the Group has about 43,000 employees. http://www.vivendi.com
Acredito que a questão seja maior do que essa. O ponto X é que a Internet esta trazendo cada vez mais democracia a informação e ao entretenimento. E é algo que não se pode ser dono. Por isso vemos tanta discussão sobre o tema. Os donos do mundo morrem de medo de perder o monopólio.
Estão perdendo tempo. A “anarquia” democratica da grande rede não permite este controle. Os “pequenos” hackers sempre irão levar vantagem. Estamos chegando perto do fim de questões como Concessão de Rádio e TV, direitos autorais, jornais impressos, etc… O capital não é será mais o responsável pela informação.
Viva a Internet, a maior revolução democrática já ocorrida na história.
o essencial é que a democratização das mídias seja radical, isto é, que se permita o acesso a todos, movimentos populares, sindicatos, etc.
e essa conversa de cobrar pela informação é ridícula em termos de internet, já que quem produz a informação é a sociedade, a mídia apenas veicula.
então a questão é também educacional: mostrar o caminho das pedras, das fontes, para buscarmos a informação…
se todos seguissem o exemplo da petrobrás, já seria meio caminho andado…
a democratizaçao do país cada vez mais preocupa os setores conservadores simplesmente pelo fato de que não dependemos mais dessa grande mídia para obtermos as informações. Exemplo: o portal transparência da AGU traz os dados governamentais: há o ibge; e por aí vai…
A ConfeCom certamente será histórica para o país, mas é preciso maior participação popular para pressionar o governo e, por tabela, esses interesses da grande mídia.
Perfeita a sua análise. O mercado de comunicação não pode, de forma alguma, ficar restrito à pequenos grupos aristocráticos e nem ser entregue a oligopólios extrangeiros. Esse segmento deveria ter um código regulatório redigido da mesma maneira que foi o código de águas de 1934.