Como o BC quase quebrou o país
Do Último Segundo
Coluna Econômica 16/11/2009
Já há algum tempo a diretoria do Banco Central (BC) tem dado mostras de desfaçatez inéditas no mercado financeiro – área em que os melhores se pautam por comportamento discreto e análises técnicas.
No final do ano passado, o Diretor de Política Monetária Mário Torós e o de Política Econômica Mário Mesquita cometeram a imprudência de, em pleno período de tensão do mercado com a crise, darem entrevistas em “off” – isto é, sem revelar o nome, com as declarações sendo atribuídas a “fontes do BC”- ameaçando se demitirem se a Fazenda adotasse determinadas medidas.
Foram desautorizados publicamente pelo presidente do BC, Henrique Meirelles. Mereciam uma denúncia à polícia, por ameaça de perturbação da ordem econômica.
***
Agora, em mais um lance inacreditável, concederam ao jornal “Valor Econômico” entrevistas contando o que ocorreu com o mercado após a crise de outubro do ano passado.
Houve uma corrida bancária perigosa, que obrigou o BC a injetar bilhões de dólares na economia para conter, flexibilizar o compulsório dos bancos (a parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a manter no BC), criar linhas emergenciais para permitir a bancos maiores adquirirem bancos menores.
Por pouco, não se desemboca em uma crise bancária cujo epicentro era a falta de informações sobre as empresas que tinham aplicado no mercado de “derivativos” (altamente especulativos). Sem saber o que ocorria, o crédito estancou. Grandes empresas, mesmo aquelas altamente sólidas – como a Petrobras – da noite para o dia tiveram que recorrer a operações emergenciais para manter a roda girando.
***
Tudo isso ocorreu devido à profunda irresponsabilidade com que o governo Lula – no seu braço Banco Central – tratou da questão cambial.
Desde dezembro de 2007, aqui se alertava para a imprudência de permitir a valorização imprudente do Real; desde meados do primeiro semestre de 2008 alertava-se para a imprudência em dobro do BC estimular operações especulativas com o câmbio.
Tratava-se do “swap reverso”, uma operação em que em uma ponta ficava o BC e na outra grandes empresas exportadoras ou financeiras. Cada vez que o real valorizava, essas empresas perdiam dinheiro com exportações. Para compensá-las, o BC instituiu o tal “swap reverso”, um jogo de cartas marcadas que permitia às empresas lucrar no mercado financeiro com a valorização do real – com o BC pagando a conta.
***
Os prejuízos do BC com essa jogatina chegaram a US$ 10 bilhões apenas em 2008. Em junho, alertei aqui que se houvesse qualquer crise que invertesse a mão do câmbio, explodiria uma crise sistêmica no mercado.
Foi o que ocorreu. De repente, as maiores empresas brasileiras viram-se encalacradas com essas jogadas. Como o BC não tinha controle sobre quem jogara e quanto jogara, o mercado inteiro parou. Levou meses para que houvesse uma estabilização no mercado.
O País foi salvo pela ação decisiva do Ministério da Fazenda e do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Nada ocorreu com os aventureiros do BC.
Já há algum tempo a diretoria do Banco Central (BC) tem dado mostras de desfaçatez inéditas no mercado financeiro – área em que os melhores se pautam por comportamento discreto e análises técnicas.
No final do ano passado, o Diretor de Política Monetária Mário Torós e o de Política Econômica Mário Mesquita cometeram a imprudência de, em pleno período de tensão do mercado com a crise, darem entrevistas em “off” – isto é, sem revelar o nome, com as declarações sendo atribuídas a “fontes do BC”- ameaçando se demitirem se a Fazenda adotasse determinadas medidas.
Foram desautorizados publicamente pelo presidente do BC, Henrique Meirelles. Mereciam uma denúncia à polícia, por ameaça de perturbação da ordem econômica.
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Agora, em mais um lance inacreditável, concederam ao jornal “Valor Econômico” entrevistas contando o que ocorreu com o mercado após a crise de outubro do ano passado.
Houve uma corrida bancária perigosa, que obrigou o BC a injetar bilhões de dólares na economia para conter, flexibilizar o compulsório dos bancos (a parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a manter no BC), criar linhas emergenciais para permitir a bancos maiores adquirirem bancos menores.
Por pouco, não se desemboca em uma crise bancária cujo epicentro era a falta de informações sobre as empresas que tinham aplicado no mercado de “derivativos” (altamente especulativos). Sem saber o que ocorria, o crédito estancou. Grandes empresas, mesmo aquelas altamente sólidas – como a Petrobras – da noite para o dia tiveram que recorrer a operações emergenciais para manter a roda girando.
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Tudo isso ocorreu devido à profunda irresponsabilidade com que o governo Lula – no seu braço Banco Central – tratou da questão cambial.
Desde dezembro de 2007, aqui se alertava para a imprudência de permitir a valorização imprudente do Real; desde meados do primeiro semestre de 2008 alertava-se para a imprudência em dobro do BC estimular operações especulativas com o câmbio.
Tratava-se do “swap reverso”, uma operação em que em uma ponta ficava o BC e na outra grandes empresas exportadoras ou financeiras. Cada vez que o real valorizava, essas empresas perdiam dinheiro com exportações. Para compensá-las, o BC instituiu o tal “swap reverso”, um jogo de cartas marcadas que permitia às empresas lucrar no mercado financeiro com a valorização do real – com o BC pagando a conta.
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Os prejuízos do BC com essa jogatina chegaram a US$ 10 bilhões apenas em 2008. Em junho, alertei aqui que se houvesse qualquer crise que invertesse a mão do câmbio, explodiria uma crise sistêmica no mercado.
Foi o que ocorreu. De repente, as maiores empresas brasileiras viram-se encalacradas com essas jogadas. Como o BC não tinha controle sobre quem jogara e quanto jogara, o mercado inteiro parou. Levou meses para que houvesse uma estabilização no mercado.
O País foi salvo pela ação decisiva do Ministério da Fazenda e do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Nada ocorreu com os aventureiros do BC.


Nassif e Demais,
Pois é, deixando aqui meio rápido para um compromisso, mas é o seguinte:
Não seria o caso de se levar essa dupla perante uma Delegacia de Crimes contra a Ordem Econômica?
Confesso que se eu tivesse um pouquinho de condições, indivíduos como esses não teriam sossego no Brasil.
Aliás, por que ainda não temos um forum-cidadão devidamente formalizado, para discussão e encaminhamento de questões de relevante interesse nacional como essa?
“Não seria o caso de se levar essa dupla perante uma Delegacia de Crimes contra a Ordem Econômica?”
O Brasil nao tem judiciario.
Será que a oposição ao governo Lula não vai aproveitar a dica?
A cada governo que passa, uma ameaça
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ANTES, o saco de maldade
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Depois, a chantagem por se ter um camarada, competente sim, mas comprometido com interesses particulares
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e HOJE, esta orgia cambial escancarada
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O ERRO não esta nos eleitos, mas no MODELO ..na democracia mesmo
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BC não pode ser autônomo, MUITO MENOS desassociado duma política AMPLA de governo .dum ESTADO amparado e suportado pelos 3 (3 e não 4) poderes
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..esta TESE de autonomia , sem transparência nem cobrança, não é democrática ..muito menos conseqüente e responsável
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e pra que todos se lembrem ..AINDA HOJE a maior de todas as despesas do governo brasileiro, ainda é com a rubrica JUROS
Despesas do governo com a rubrica juros, de quanto foram mesmo nesses últimos 15 anos? Resposta : um quarto da arrecadação pública bruta (maiores que os investimentos em saúde, educação e saneamento, somados). Verdade ou mentira? Os dados são públicos, assim como o $.
Saiu no Estadão de hoje que a Fazenda pressiona o Torós:
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http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/11/16/fazenda-pressiona-por-saida-de-toros
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Tenho aqui nos meus arquivos uma matéria interessante do Frederico Vasconcelos sobre o Conselhinho, órgão que foi citado na matéria do Estadão.
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São Paulo, Domingo, 21 de Novembro de 1999
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SISTEMA FINANCEIRO
Junta de conciliação arquiva ou reduz mais da metade das penalidades aplicadas contra bancos
Conselho derruba as punições do BC
FREDERICO VASCONCELOS
da Reportagem Local
Mais da metade das punições aplicadas pelo Banco Central contra bancos e dirigentes financeiros é reduzida ou arquivada.
Essas decisões são tomadas por um tribunal desconhecido do grande público, com quatro representantes do governo e quatro de entidades do mercado.
Trata-se do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, espécie de junta de conciliação que se reúne periodicamente na sede do BC, em Brasília.
De um total de 1.015 recursos julgados no ano passado contra penalidades do BC, o “conselhinho” -como é conhecido no mercado- alterou 555 decisões e manteve íntegras apenas 460.
Esse órgão paritário arquivou 340 das 561 multas pecuniárias infligidas, a penalidade mais aplicada pela fiscalização do BC.
Foram praticamente absolvidos pelo “conselhinho” dirigentes do Banco Rural, instituição envolvida na criação de “contas fantasmas” no escândalo PC Farias.
Saíram também ilesos os dirigentes do BMD -Banco Mercantil de Descontos- Abrahão Zarzur e Roberto Fakhoury, cujos julgamentos antecederam a liquidação extrajudicial do banco e já indicavam balanços maquiados, operações ilegais, ativos de má qualidade e alta inadimplência.
No ano passado, o “conselhinho” transformou em multa simbólica de R$ 3.490 a pena de inabilitação que o BC aplicara, por dois anos, ao empresário Mario Garnero, do grupo Brasilinvest.
Se a punição fosse mantida, Garnero não estaria articulando o controvertido projeto de construção do megaedifício em São Paulo, o Maharishi São Paulo Tower, atraindo capitais internacionais.
O balanço da atuação do conselho no ano passado confirma a avaliação publicada pela Folha, em maio de 1997, quando o jornal rastreou 719 processos: as fraudes financeiras sofrem punições irrisórias e esse tribunal continua marcado pela benevolência.
Na próxima quarta-feira, o “conselhinho” julgará a primeira leva de fraudes cambiais envolvendo dezenas de bancos e corretoras, operações feitas no final dos anos 80 (leia texto na pág 1-11).
Em 1998, o “conselhinho” julgou 66 recursos contra o afastamento temporário do dirigente ou administrador: apenas 20 pessoas foram inabilitadas.
O conselho arquivou quatro casos, reduziu o período de inabilitação de 17 e transformou em multa 24 penas de inabilitação.
Em 1998, o “conselhinho” arquivou decisão que pretendia afastar do mercado, por três anos, o presidente do banco Cidade, Edmundo Safdié, e os diretores Isaac Harari e Henry de Clisson.
O banco foi acusado de simulação de prejuízos e de operações irregulares na Bolsa de Valores (venda de ouro e de ações inexistentes na data das operações).
O colegiado entendeu que não ficou caracterizada a participação desses dirigentes e que não houve gestão temerária da instituição. Sobrou apenas uma multa de R$ 3.490 para o diretor Abramo Douek. O representante da Febraban (federação dos bancos), advogado Hélio Ramos Domingues, votou pelo arquivamento.
Ele também pediu o arquivamento no caso das “contas fantasmas” do Banco Rural, no governo Collor, quando houve a “movimentação de vultosas quantias, inclusive em espécie e fora do horário normal de funcionamento dos bancos”. Para o “conselhinho”, não houve dolo. A inabilitação de quatro administradores virou multas de R$ 3.444.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2111199910.htm
Cadê o MPF? É hora de se dar um basta a essa algazarra financeira a que todos nós pagamos. O dinheiro é público, é nosso e não do BC.
Nassif, eu não li a entrevista de Mário Torós. Por isto lhe pergunto: quais os bancos que estavam em apuro durante a crise e foram socorridos pelo BC?
Abraços
Do grandes o Unibanco. Foi absorvido pelo Itaú.
A maioria dos bancos médios. Votorantin, Safra.
Votorantin foi comprado pelo Banco do Brasil (49%).
Nassif, faltou uma frase para complementar seu comentário:
Nada ocorreu com os aventureiros do BC, “que hoje ainda posam de heróis salvadores da Pátria”.
Vocês são levianos e irresponsáveis, só pode.
Fica essa choradeira com o pagamento de juros da dívida, mas ninguém lembra dos verdadeiros culpados. Aqueles que a geraram, em primeiro lugar.
Juscelino, com sua política irresponsável de construir uma capital inteira do zero, sem a menor necessidade (todo mundo que estudou um pouquinho sabe que o desenvolvimento do centro-oeste se deu graças à expansão da fronteira agrícola e não a construção de Brasília).
E os militares com o “milagre do crescimento”, que deveria se chamar “milagre do endividamento”.
O BC, com sua atuação responsável, salvou o Brasil na crise. Trabalho no governo, minha opinião vem de dentro, de acompanhar reuniões (da equipe técnica) entre fazenda, planejamento, BC e BNDES.
Dizer que a atuação do BNDES foi decisiva… Tenha santa paciência. O BNDES é um sorvedouro de recursos mal administrados. Financia quem tem capacidade de se financiar no mercado e fecha as portas às pequenas e médias empresas. A falta de controle interno beira o ridículo. É dinheiro emprestado a “fundo perdido”.
Nassif, você devia ter um pouco mais de cuidado, pesquisar e estudar antes de falar bobagem aqui.
Luna,
1 – Ao contrário do que acontece faz tempo, tive agora de escrever meu nome e EE;
2 – O comentário acima, do Henrique, reclama uma resposta. Acho que está sendo preparada.
Abraço.
Reclama uma resposta, sim, mas não no sentido de simples refutação as suas afirmativas por parecerem meio agressivas, porém de pontuá-las para esclarecer as entranhas desse quadrilátero “…fazenda, planejamento, BC e BNDES” que sempre os vi como essenciais, mas com minhas orelhas e todos os cabelos em pé, devido à absoluta falta de transparência dos seus atos e de diálogo com a sociedade, principalmente, de retorno aos seus muitos questionadores.
O domínio da banca privada sobre o BC brasileiro ofende a inteligência do(a) brasileiro(a) mais instruído(a).
Recomento meu artigo artigo com o deputado Eduardo Gomes: ‘Estado versus mercado?’
“Até mesmo nas suas duras críticas ao mercantilismo, Smith se mostrou moderado em relação às leis contra a usura. Ele compreendia haver relação entre poupança e investimento produtivo e por isso foi defensor de baixas taxas de juros. Taxas elevadas deixariam pouca margem para remunerar os riscos legítimos e socialmente recomendáveis. Sabe-se muito bem atualmente que em termos de câmbio uma moeda apreciada afeta de forma dramática as contas externas de um país em desenvolvimento. ”
Link: http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=70518
É Nassif a camôrra do B. Central continua LESANDO o País.
Mas o que é mais trágico é que estes dois senhores são diretores do Banco Central. A autoridade monetária do País.
Quando que vai cair a ficha!
Quando que o Congresso Brasileiro vai tomar uma posição!
Os deputados tem assessoria , os Senadores idem.
Cadê esse pesoal Nassif?
Enquanto o lobby da usura – Febraban, bancos, consultorias – Figueiredo, Mailson da Nobrega e caterva. Todos unidos para licenciar a USURA.
Já dizia o poeta “Com usura não se constrói uma boa casa”.
A usura bancária é uma praga ela DESTRÓI os empregos de milhões de brasileiros, coloca na miséria milhões de famílias.
Destrói gdes. empresas, veja a Sadia , a Aracruz, vítimas da usura (os derivativos que em 2008, na farra dos diretores do B.C.
Quando iremos nos unir conta a usura.?
Voltarei ao tema.
Nassif, O editorial do estadão de hoje é uma pérola de incapacidades. Assume a posicionamento de que o Banco Central foi o grande responsável pela salvação do país. Ora, acabamos de ver análises aqui no blog que apontam justamente para o contrário. Com uma mídia dessa, que teima em negar a obviedade dos fatos, o melhor que se pode fazer é recordar uma história de Getúlio Vargas, que ao receber um político gaúcho que não sabia como administrar o seu município, recomendou que ouvisse o seu adversário local e fizesse o contrário.
Oposição sem rumo (Editorial)
O governo federal queima dinheiro com gastos improdutivos, investe pouco, incha a máquina pública, loteia o setor elétrico e atrapalha-se todo na hora de explicar um apagão em 18 Estados, mas a oposição silencia diante da maior parte dos erros, é tímida na hora do confronto e seu provável candidato em 2010, o governador José Serra, parece gostar mesmo é de criticar a política de juros do Banco Central (BC).
Tudo isso é visível para quem acompanha o dia a dia da economia e das principais decisões do governo, mas o economista Rogério Furquim Werneck, da PUC-Rio, vai um passo além e faz uma advertência: para não serem vistos como anti-Lula, os oposicionistas ficam sem discurso e arriscam-se a entrar sem bandeira, ou com uma bandeira muito descorada, na disputa eleitoral.
Eleição à parte, o comportamento desses políticos chama a atenção também por outra peculiaridade. Ao concentrar as críticas na política monetária, o governador José Serra e alguns de seus companheiros escolhem o alvo errado. Em primeiro lugar, cometem uma injustiça.
O BC é o único setor da administração federal com uma boa folha de serviços prestados nos últimos sete anos. Se a inflação se manteve controlada nesse período, foi por causa da manutenção de dois pilares da política econômica, o sistema de metas de inflação e o regime de câmbio flutuante.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem diploma de economista, mas entendeu perfeitamente esse fato. Sua reeleição foi muito facilitada pelo êxito da política anti-inflacionária. Sem isso, a redução da pobreza e da desigualdade teria sido muito mais difícil. O salário real teria subido menos – ou não teria subido – e os programas de transferência de renda teriam sido minados pela alta de preços.
Alvo preferencial também de uma parte dos petistas, dos aliados de Lula e de alguns membros do governo, o presidente do BC, Henrique Meirelles, foi no entanto preservado. Nenhum de seus antecessores durou tanto no cargo. O presidente Lula não escolheu esse caminho só para agradar ao mercado financeiro.
O terceiro pilar da política econômica foi razoavelmente preservado no primeiro mandato do presidente Lula, mas vem sendo submetido a uma erosão cada vez mais perigosa. As tentativas cada vez mais evidentes de maquiar as contas, por meio de ajustes na meta fiscal, não permitem nenhuma dúvida. Se o governo tivesse agido com alguma parcimônia, contendo o desperdício, teria terminado o ano em condições financeiras muito melhores, apesar da crise e dos incentivos concedidos para o combate à recessão.
O desperdício continuará no próximo ano, porque o empreguismo, o aparelhamento e as bondades concedidas com dinheiro público vão continuar e servirão a propósitos eleitorais, mas nada disso parece impressionar a oposição.
O governo conseguirá, sem a mínima dificuldade, a aprovação de um orçamento segundo as suas conveniências. Continuará queimando dinheiro, deixará de investir por incompetência, não por falta de verbas, e porá a culpa no Tribunal de Contas da União.
Em segundo lugar, a oposição erra na escolha do alvo porque a bem-sucedida atuação do BC é uma continuação de políticas adotadas a partir de 1999. Essas políticas deram certo logo depois de adotadas, continuaram garantindo uma razoável estabilidade de preços e têm contribuído para facilitar o planejamento das empresas.
Além do mais, o BC foi muito mais ágil que o Ministério da Fazenda, nas primeiras ações de combate à crise, no ano passado. Sem essa intervenção, as condições de financiamento teriam sido muito piores, bancos pequenos e médios teriam corrido riscos muito maiores e a situação cambial poderia ter-se deteriorado muito mais perigosamente.
Em resumo, a oposição combateu algumas das melhores ações econômicas dos últimos sete anos e silenciou diante das mais desastrosas. Foi incapaz de defender algumas das mudanças mais importantes do governo anterior, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a bem-sucedida privatização de empresas com atividades típicas de mercado, como a mineração, a produção de aço e a fabricação de aviões.
Os oposicionistas ficaram quietos quando o presidente Lula tentou intervir na gestão de algumas dessas companhias, assim como têm ficado passivos diante das perigosas mudanças embutidas nos projetos de lei do pré-sal. Se essa é a sua orientação, que mensagem terão para o eleitorado?