O personalismo nas eleições brasileiras
Por Comentador
Este artigo foi publicado no Estadão de hoje. Coloco na íntegra, pois nem sempre eles disponibilizam. Confesso que estranhei este tipo de artigo no jornal.
Do Estadão
Por que Dilma será a nova presidente
Carlos Pio
Daqui a exatos 12 meses os brasileiros vão escolher o seu novo presidente. Poucos analistas parecem ter dúvidas de que teremos segundo turno e de que este será disputado pela candidata do presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff, e por um dos candidatos do principal partido da oposição, provavelmente o governador José Serra. Mas quase ninguém arrisca um prognóstico sobre o pleito, cautela essa provocada pelo que parece ser uma disputa apertada entre dois candidatos “sem graça”, tecnocratas de cabeça e coração. Eu vou arriscar: Dilma ganha de Serra (ou Aécio Neves) no segundo turno, com folgada margem. Vou explicar por quê.
Para começo de conversa, é fundamental enfatizar como o processo de seleção dos candidatos presidenciais afeta o desenlace da campanha. No nosso caso, demonstra o quanto a democracia brasileira ainda é dominada por indivíduos que estão no topo das organizações partidárias (e não por regras institucionalizadas). Em si mesmo, esse fato limita um verdadeiro debate de ideias sobre os problemas nacionais e sobre as diferentes alternativas existentes para resolvê-los. Dilma foi escolhida por uma única pessoa – o presidente Lula -, possivelmente após ouvir a opinião de alguns de seus conselheiros mais próximos. Serra será (ou não!) candidato a partir de uma decisão individual sua, à qual os dois partidos que o apoiam (PSDB e DEM) acederão sem maiores questionamentos. Se ele preferir não se candidatar a presidente, como em 2006, Aécio assumirá o posto também por decisão individual – mesmo que sob forte pressão dos aliados. Nesse processo terão sido ouvidas, talvez, quatro ou cinco outras pessoas. Ciro Gomes e Marina Silva se autodeclararam candidatos e suas legendas aceitaram – esta última tendo, por sinal, saído do PT com esse propósito.
Em suma, em todos os “partidos” a escolha do candidato a presidente se dará de forma não institucionalizada e, por conseguinte, sem debate público sobre as diferenças entre os eventuais postulantes no que diz respeito aos diagnósticos de nossos principais problemas e ao conteúdo das soluções que virão a propor. O eleitor também não saberá de antemão a diferença entre os candidatos no que concerne à governabilidade – isto é, como o eleito articulará sua base de apoio congressual e seu Ministério para viabilizar as ações do governo. Assim, a decisão do eleitor será tomada sob forte névoa de incerteza.
Sem debate público interno aos partidos, sem processo institucionalizado de escolha dos seus respectivos candidatos e sem um mínimo de clareza sobre a montagem futura das alianças políticas necessárias para governar, as eleições tendem a assumir um caráter ainda mais plebiscitário do que normalmente ocorre em regimes presidencialistas. Plebiscitário aqui assume o sentido de julgamento dos méritos do atual governo, desconsiderando a oposição. Destituí-lo, pela rejeição à candidata do presidente, representa incorrer em grau ainda mais acentuado de incerteza e insegurança para todo eleitor que tem algo de substancial a perder com a vitória da oposição – uma Bolsa-Família, uma tarifa de importação elevada, um subsídio tributário, uma vaga em universidade federal ou bolsa do governo federal, um emprego em empresa estatal ou de capital misto.
Um plebiscito sobre a renovação do mandato do grupo político do presidente será decidido em função do apoio do eleitor mediano (aquele que separa a distribuição dos votos de todo o eleitorado entre 50% + 1 e 50% – 1) à seguinte questão: “Você concorda que as coisas estão claramente melhores hoje do que no passado recente?” Esse foi o sentimento que marcou claramente as eleições de 1994, 1998 e 2006, todas vencidas pelos governos da ocasião. E parece-me razoável supor que tal sentimento é característico de períodos em que 1) a inflação está sob controle, 2) o governo tem capacidade de manejar os instrumentos de política necessários para dar um mínimo de segurança e estabilidade diante de um contexto externo instável e ameaçador, 3) há perspectiva de crescimento econômico e de queda do desemprego, 4) o gasto público e as políticas sociais focalizadas nos mais pobres estão em expansão. É isso o que vivemos hoje, não?
Pois bem, em tal conjuntura tão favorável ao governo o melhor que a oposição oferece é dar seguimento às políticas correntes e prometer mais eficiência administrativa e menos corrupção! É pouco, muito pouco! A oposição precisa ter propostas novas e capacidade para convencer o eleitorado de que elas são necessárias, viáveis e urgentes. Mas como fazer isso sem debate intrapartidário aberto e institucionalizado, assentado na diferença de diagnósticos e soluções? E como “testar”, antes do pleito, o potencial eleitoral das ideias e os riscos embutidos nas novidades sem realizar prévias?
Afinal, alguém aí sabe o que Serra e Aécio pensam sobre os problemas nacionais? Alguém acha que algum deles ousaria propor mudança de rumos em relação ao que Lula vem fazendo? O que eles farão em relação a Bolsa-Família, câmbio com viés de apreciação, Mercosul paralisado, protecionismo comercial excessivo, política industrial e tecnológica concentradora de renda, educação de mal a pior, malha de transportes precária, regulação arcaica do setor de energia, infraestrutura em frangalhos e política externa terceiro-mundista? Algum deles propõe privatizar o que ainda está nas mãos do governo federal? Algum deles propõe que o Mercosul feche um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos ou a China, como fizeram México e Chile?
Sem que as diferenças sejam explicitadas o eleitor mediano não aceitará correr o risco de votar na oposição.
E o tempo para esse debate já terminou!
Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições Tags: Aécio, Dilma, eleições, Lula, personalismo, Serra

voces ainda param para analizar materias do Estadao? estadao do Serra? o q e isso minha gente querem parecer imparciais tumultuando?Estadao de quem ? Pq nosso ,verdadeiros paulistas ne
Ratificando: Porque nosso verdadeiros paulistas nao e
Pergunto ao Ilustre professor, como anda a economia Mexicana após esse profícuo acordo?
Análise inútil de um autor obscuro, mas aparentemente amante do óbvio ululante…
Trocadilhos à parte, este texto mal serve para piada, mas vá lá uma tentativa: Se é deste jaez de pensador que os tucanos dependem os caras estão na roça, o problema é falta de intimidade com a enxada!!!!
anonimo dos santos:
seu comentário foi na mosca. a tucanada é pura obviedade
com pompa, tapete vermelho e salamaleques.
romério
[...] Por que Dilma será a nova presidente By Rômulo Mafra artigo retirado do blog do Nassif (que pegou do Estadão). para ler na íntegra, clique aqui: [...]
Bem lembrado pelo autor:
“Esse (espírito plebiscitário) foi o sentimento que marcou claramente as eleições de 1994, 1998 e 2006, todas vencidas pelos governos da ocasião”.
Em 1994 tivemos uma reeleição de fato. Em 1998 e 2006, de fato e de direito.
Muitos analistas acreditam que esse espírito plebiscitário funciona mais efetivamente quando se trata de decidir se se deve mandar embora o governante de turno. Não funcionaria tão diretamente (dentro do mesmo raciocínio) no caso da escolha entre um representante do atual governo e de um governo anterior (nesse caso, de oito anos atrás).
Não me atrevo a dar opinião sobre essa diferença.
Gunter, eu estava pensando exatamente a mesma coisa: Lula na Casa Civil. Ex-presidentes tendem a não topar isso, mas que seria interessante, seria.
Só respondendo ao Bruno (12:29) – Entendo a sua preocupação com o aspecto ético em publicações de temas não disponíveis aos leitores da web, mas neste caso, não há impedimento legal que impeça a publicação, desde que citada a fonte. Há casos que podemos disponibilizar o link, e há casos em que a relevância do tema nos faz disponibilizar a íntegra, como foi feito neste post. Eu havia conseguido este artigo por meio de um clipping e para o qual seria necessária uma outra senha, daí a disponibilização completa.
É isso aí. O conselho do professor para a oposição é se apropriarem da agenda do governo, que está andando muito bem.
O diferencial é criar um debate que demonstre superar o que o Lula fez até agora, salientando que os tucanos, por serem ungidos por Deus (e pelo Diabo também), farão muito melhor. No entanto, por mais que caprichem no discurso será difícil apagar da memória de muitos brasileiros a falência dos 8 anos do tucanato no poder. O artigo-conselho na verdade, é a confirmação cabal de que os tucanos, ao debocharem tanto da teoria, ficaram sem teóricos.
Alguém mencionou que o digníssimo é professor no IRB…gostaria que ele respondesse o que é uma diplomacia primeiro-mundista ? Seria, “baixar as calças” para EUR & EUA sempre ? ou chanceler brasileiro tirar os sapatos 3 vezes nas alfândegas estadunidenses ? ou ainda dar as costas para a América Latina e África pensando que somos melhor que eles ?
Eu sempre trabalhei com gringos e transnacionais e todos sem exceção diziam o mesmo: “vcs brasileiros são muito bons, mas não tem auto-estima e não se respeitam, e o que acontece com gente assim ? nunca é respeitada pelos outros……eu percebo que um dos grandes méritos do metalúrgico foi quebrar essa sina.
É óbvio que a eleição é plebiscitária, e que mal há nisso ?
Não vejo relação disso com a falta do debate de idéias e proposições de mudança, a resposta dessa ausência do debate para mim, é o mal resolvido conflito entre público e privado que norteia boa parte dos políticos e do eleitorado despolitizado.
O que eu sei é que o Lula pendurou os 8 anos de FHC e o próprio, no pescoço da oposição, e aí eu quero ver quem vai ser o astuto e machão para tirar esse guizo dourado do pescoço do gato, o risco de se inviabilizar politica e eleitoralmente é muito grande, frente aos 85% de aprovaçao do metalúrgico.
“O que eles farão em relação a Bolsa-Família, câmbio com viés de apreciação, Mercosul paralisado, protecionismo comercial excessivo, política industrial e tecnológica concentradora de renda, educação de mal a pior, malha de transportes precária, regulação arcaica do setor de energia, infraestrutura em frangalhos e política externa terceiro-mundista?”
Uai! Se a situação do pais está da forma que o articulista diz, A opisição ganha com um pé nas costas.
Para o povo brasileiro votar contra a candidata de um presidente que apostou tudo nas políticas sociais, com crédito consignado a taxas baixas em relação a do mercado, com a bolsa família para 12 milhões de família, com aumento reais consecutivos, ano a ano, do salário mínimo, de políticas includentes para ingresso nas Universidades, com o luz pra todos, com o crédito fácil para os mais pobres, permitindo o acesso dos consumidores antes excluidos do consumo, do programa minha casa minha vida,etc .. é não querer o continuismo dessas políticas, é mais, é fazer retornar a política favorável apenas ao mercado. Em resumo, eleger o Psdb é reprovar o governo Lula, eleger a Dilma é querer mais do mesmo. Vamos ver o que o povo escolhe
A.Abreu
Ele foi até bem até o sétimo parágrafo (?). Neste, desandou, certamente em virtudo de seu subconsciente demotucano, mas relatou uma verdade factual: Lula vai eleger sua sucessora.
“Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.
Infelizmente, nossa incipiente e frágil democracia ainda funciona com essa mentalidade. Apesa do sistema republicano já estar em seu 2º século de existência, ás vezes parece mais uma monarquia absolutista…
“Ouvir as bases” é apenas retórica – não só na escolha dos candidatos à disputa presidencial, mas em grande parte dos assuntos de interesse nacional, as decisões são personalistas ou ‘de cima para baixo’ ou tomadas por um círculo muito restrito. ( Lembram o que disse o Gabriel Chalita, ao deixar o PSDB? )
“Não estou nem aí para a opinião pública” – ou para as ‘bases’. Poucos dizem, mas muitos agem com essa filosofia.
Acho um absurdo essa história de eleição plebiscitária. Num país tão grande e complexo, com tamanha diversidade interna, cerca de TRINTA !! partidos políticos?
PMDB e DEM parecem ter horror a lançar candidato presidencial ; os partidos pequenos, em sua maioria, parecem não representar nada nem ninguém ; PT e PSDB, sozinhos, não contemplam toda a diversidade do país, e às vezes parecem divergir mais na teoria do que nas ações ….
Isso é mais uma prova de que o sistema está MUITO errado, PRECISA mudar!
E mudará , ainda que lentamente, ainda que os políticos relutem, ainda que nesse momento não possamos vislumbrar em qual direção. Resta torcer que mude para melhor. Ou melhor, REZAR !!!
Olha…Deve ser materia paga no Estadão.
Se,a eleição pender pelo “lado plebiscitário”, Dilma será a primeira MULHER eleita presidente do Brasil.
Amém
Primeiro, registro a estranheza com a excessiva preocupação sobre quem seja o autor do artigo. Afinal, nós, os cultos e informados democratas membros da comunidade do Nassif, estamos discutindo pessoas ou idéias?
Segundo, concordo com o assunto principal do artigo: a democracia brasileira começa numa escolha aristocrática ou monárquica de candidatos, restando para os demais, 99,99999999999% da população, o direito de escolha entre os pré-escolhidos.
Terceiro, concordo com a primeira conclusão: com essa forma de escolha a eleição tende a ser fortemente plebiscitária.
Quarto, espero que a segunda conclusão do artigo este correta: Dilma 2010.
Finalmente, se os tucanos e demos aprenderem a fazer política democrática, com debate interno, escolha das melhores propostas e melhores candidatos, o Brasil só tem a ganhar. Nessa linha o PT tem mais experiência, mas teria que recuperar práticas já abandonadas.
PS: Quem desejar fazer a exegese do último parágrafo que o faça, mas não é o cerne do artigo.
Acho que Dilma ganhará porque, na hora H, do debate, ela é a melhor. Dará um banho do opositor direto em 2o turno. Por isso.
Dilma vai ganhar porque à nós cabe votar em quem o presidente Lula mandar, ok, para manter a obra que o mesmo iniciou, vamos fazer de tudo para eleger a presidenta Dilma ok!!!!!!!!!!!!!!!
Nassif:
Quando o governo federal pede a Henrique Meirelles pela saída de Mários Torós da diretoria de Política Monetária do Banco Central, em função desta entrevista ao jornal Valor, assina embaixo a sua displicência quanto às operações reconhecidamente danosas ao país, sob o argumento de que algumas das informações publicadas eram consideradas “sigilosas” pelo Planalto.
Nassif,
A qualidade da análise de alguns comentaristas supera o texto do “professor”.
Obrigado por nos proporcionar este blog, onde tantos talentos podem externar suas opiniões e assim ficarmos livres da “grande imprensa” tendenciosa.
Discussões em alto nível e de quebra boas músicas.
Patrocinada pelo BC e com o aval do presidente do Brasil, o sr. Lula da Silva.
Ou o sr. Lula é só figura decorativa ?
Curioso ler no blog do Noblat os comentários feitos à reprodução deste mesmo artigo. Os comentadores demonstram ser provenientes de um outro planeta. Certamente, fora do Sistema Solar.
Nassif,
Será que essa competição por menos CO2 será benéfica para o Brasil???
Brasil assume compromisso voluntário de redução de emissão de gases estufa em até 38,9%
Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – O governo federal anunciou a meta de reduzir as emissões de gases do efeito estufa no intervalo de 36,1% a 38,9%, até 2020. O anúncio foi feito pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que voltaram a afirmar que o compromisso assumido pelo Brasil é voluntário.
A meta será levada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em dezembro, em Copenhague.
A amplitude da redução, segundo o governo, deve ficar de 975 a 1062 milhões de toneladas de gás carbônico.
Esta semana, o governador de São Paulo, José Serra, sancionou uma lei para reduzir em 20% as emissões de gases de efeito estufa no estado até 2020.