O câmbio e a devastação chinesa
Por AF
Mandaguari é uma cidadezinha de 32 mil habitantes no norte do PR, entre Londrina e Maringá. A cidade ‘vive’ em função da Romagnole, tradicional fabricante brasileiro de materiais elétricos.
Tive notícia ‘quente’ hoje que a empresa prepara um agressivo plano de demissões, em função de não estar tendo sucesso em competir com produtos similares chineses, bem mais baratos.
A empresa foi criada na cidade em 1962 e cresceu junto com Mandaguari. É daquelas empresas profundamente presente na comunidade.
O país tem que conseguir proteger de alguma forma uma indústria e uma cidade como esta de concorrencia predatória de empresas que estáo do outro lado do mundo, senão vamos pagar um preço bem caro em um futuro próximo.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: câmbio, China, Mandaguari, Romagnole

Na década de 80, viajando de madrugada pelo Norte do Paraná, passava por dentro de Mandaguari, era comum a indústria de ferragem virar turnos de 24 horas. Este é o Brasil que está sendo sucateado com a força do real sobrevalorizado.
Não apenas importante como urgente, Nassif.
Trabalho e resido no Rio Grande do Sul e sou cliente da Romagnole há mais de 20 anos podendo afirmar que são exemplo em eficiência, qualidade e, tão importante quanto, atendimento e ética profissional.
Há mais ou menos dois anos li uma reportagem sobre uma campanha na Alemanha para incentivar o consumo de produtos alemães, sob a alegação de que os produtos importados não ajudavam a formação da poupança previdenciária, I.é, a previdencia quebraria por volta de 2.025.
O meu pensamento sempre foi este, o produto importado representa o desemprego de brasileiros, mas ninguem, nem as federções da industria parecem interessados nesse aspecto da coisa, precisamos passar a consumir produtos brasileiros para garantir o emprego do povo brasileiro, o nosso emprego.
Alguem informe o Requiao ANTES do disastre, por favor. Nao eh que acho que ele eh milagroso, mas acho o Parana um milagre. Desastres industriais como esse nao acontecem la e devem existir boas razoes.
No entanto, nao ha competicao contra preco mais barato por produto similar. Se for o caso… ta mal mesmo.
Requião não está nem aí para este tipo de problema…..
O objetivo dele é criar conflito e aparecer. Só isso.
Nassif, vejo diariamente sua preocupação com o câmbio, é fato, o passado nos prova, se continuar assim desvalorizado, sabemos onde vamos parar, ma sparece que Meirelles naõ quer ver!!! Não entendo a diretoria do BC, será que nã há ninguém que percebe isso?
Com esse dolar não há como vender manufaturados ou know-how lá fora.
China faz a politica cambial certa pera o momento. Os otários somos nós.
Olá Nassif!
Causa estranheza os motivos relacionados a China para as demissões na Romagnole.
Conheço essa empresa porque fabrica ferragens e transformadores aplicados nas redes de distribuição de energia das concessionários, e que não tem concorrência chinesa. E espero que nunca.
Abraços
……… que triste os funcionarios saberem por um blog………..
os funcionários já sabem. Vários estao procurando emprego.
Competição é boa mas nem sempre, né?
Nassif, o nosso problema não é o câmbio, são os detentores das materias primas, que através de barreiras técnicas e cartéis,impedem que as industrias de transformação do Brasil, tenham preços competitivos em relação ao resto do mundo.O nosso aço por exemplo é o triplo da média mundial, o que acaba onerando toda a cadeia.O mesmo deve ocorrer com as outras commodities metálicas. Gostaria de Sugerir que o Blog lidera-se um estudo mais aprofundado do tema.
É verdade, o aço inox é três mais caro no Brasil do que na Europa, sem falar em polietileno e etc
Caro Nassif;
Amigas /os,
É apenas uma teoria, sem estudo algum aprofundado ou embasamento científico, e sem prepotência, mas acho que seria muito apropriado e justificável, do ponto de vista da imparcialidade, nosso governo adotar medidas protecionistas à nossa produção que tenha como conceito a isonomia (Aurélio – Estado daqueles que são governados pelas mesmas leis).
Toda a operação de produção e sua cadeia, desde o cuidado com a sustentabilidade, os impostos incidentes, os subsídios, os encargos sociais e trabalhistas, taxas, dentre outros, deveriam ser levados em conta, para que pudéssemos aplicar de modo sério e incontestável imposições alfandegárias.
Creio que ao adotar medidas baseado nesse conceito estaríamos praticando um “comércio justo”, dando a cada um o tratamento que “merecem”.
Além da Coca-Cola Brasil, que inaugurou nesta quinta-feira (12) a Fábrica Verde da Leão, em Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba, outras grandes empresas estão investindo na abertura de novas unidades, aumento de produção ou ampliação de unidades no Paraná. São investimentos em todos os setores, da tecnologia à alimentação, que geram emprego e renda e fomentam a economia estadual. Entre os novos investimentos estão os da Klabin, Sadia, Fiat, Agromalte, Frimesa, Nutrimental, Corol, Bitway e Brasil Robótica.
A fábrica nova da Mate Leão, da Coca Cola, vai empregar menos gente que a anterior.
Esqueci da fonte: Agência Estadual de Notícias
O problema dessas avaliações emocionais sobre como a concorrência prejudica as cidadezinhas é que ninguém toca no outro lado da moeda, que são os consumidores que estão pagando mais barato pelos produtos e, caso se imponham barreiras, pagarão mais caro.
Essa análises que só levam em conta os pontos negativos ou só os positivos não merecem respeito. Temos que por tudo na mesa. Neste caso, por exemplo, qual é a proposta afinal? Fazer o resto dos brasileiros pagar mais caro para sustentar o emprego dos habitantes de Mandaguari? Por que eles deveriam aceitar isso?
Alguém sempre tem que pagar o almoço….
Qual o modelo de país que queremos afinal ??
Absurdo. Este pessoal do BC deveria e ser convidado pra abrir uma empresa e ver como e a vida do empreendedor. O Arminio abriu uma cafeteria no Rio de Janeiro e quebrou. Dai em diante, voltou ao mundo do dinheiro facil do mercado financeiro.
E brincadeira a vida do empreendedor no Brasil. Credito caro, burocracia excessiva, altos impostos e agora cambio. Os que resistem merecem uma estatua na praca da cidade.
Vergonhoso o governo Lula não estar atento a isso. Deveriam, em casos assim, taxar mais pesadamente as importações, e controlar melhor o câmbio, valorizando o dólar. Caraca!!! Se leigos enxergam isso, porque o Lula não?
Seria bom se nós estivéssemos em Novembro de 2010. Só um novo governo pra ter ânimo de mudar a rota da política cambial.
O mercado já “precificou” o valor da moeda(por volta de 1,70), com aquele papo de o Brasil ser o país do momento, e portanto é inevitável uma enxurrada de dólares, sem que o governo possa(supostamente) tomar medidas relevantes no sentido contrário.
Votarei na Dilma, mas caso o Serra ganhe, tomara que o Belluzzo esteja certo, e o Serra tenha o câmbio como uma obsessão.
Além de ser uma obrigação do governo cuidar do câmbio, era pra ter uma política de preservação dos interesses das indústrias nacionais. Olha aí a China, que não compra os jatos da Embraer, a Argentina proibindo ou colocando alíquotas de importação em produtos brasileiros, até os EUA, em relação aos aviões Tucanos
Enquanto isto…….
Quando o Chevrolet Captiva foi apresentado no Brasil, em agosto, ele trouxe como grande trunfo o preço: 92 990 reais. Mas, se alguém achou esse preço atraente, é porque ainda não viu quanto ele custa no México, seu país de origem. Lá é vendido pelo equivalente a 48 800 reais – e, com uma renda per capita cerca de 20% maior que a do brasileiro, esse valor pesa ainda menos no bolso dos mexicanos. Fica a pergunta: por que ele custa tanto no Brasil? Como há um acordo entre Brasil e México, nesse caso nem há imposto de importação. As montadoras brasileiras culpam a carga tributária pelo preço do veículo vendido aqui – que está entre os mais altos do mundo. Os impostos chegam a 36,4% do valor do carro (somados IPI, ICMS, PIS e Cofins). A briga entre governo e indústria é histórica. O problema é que o consumidor é quem paga a conta.
Contudo há outros ingredientes que influenciam nesse preço. As fábricas não confirmam, mas uma das razões seria a margem de lucro. As subsidiárias brasileiras têm sido responsáveis por remessas expressivas de dólares para as matrizes nos últimos anos, ainda mais com o mercado tão desacelerado lá fora e tão aquecido aqui dentro – em 2008, a alta na venda de veículos no Brasil deve ser de 24%. Uma lei de mercado, porém, diz que, quanto maior a produção, maior a economia de escala. Não é o que se vê na prática.
Mauro Zilbovicius, professor de custos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, é categórico: “A carga tributária é uma parte do custo. No caso do Brasil, o mercado está em crescimento e os preços não recuaram, apesar do ganho de escala. Ao contrário, subiram bastante”. Na avaliação de Letícia Costa, vice-presidente da consultoria Booz Allen, os preços de commodities, como aço e resina, tiveram alta acentuada, fenômeno observado no mundo todo. “Esses aumentos refletiram no preço dos carros”, diz.
Ainda que a matéria-prima tenha subido, o que ela representa no custo não justifica aumentos expressivos. O aço, que nos últimos cinco anos subiu 60%, representa em torno de 10% do valor de venda de um VW Gol e só 6,49% do de um Chevrolet Astra. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em setembro de 2003 o C3 Exclusive 1.6 novo custava 31 300 reais. Em 2008, foi para 49 600 reais. A alta foi de 58,7%, mas a inflação no período foi bem menor, segundo a Fipe: só 28,31%. De acordo com Zilbovicius, se os impostos são responsáveis pelo valor do carro, as montadoras também são. “Muitas delas, como Ford, Fiat e GM, enfrentaram dificuldades no mundo e se seguraram em parte graças aos resultados obtidos no Brasil.” Um exemplo: a GM teve prejuízo global de 38,7 bilhões de dólares em 2007. Enquanto isso, o Brasil respondeu por um terço do crescimento mundial das vendas da marca.
Escala monstruosa
Há casos em que, mesmo com o imposto de importação integral, alguns modelos estrangeiros conseguem chegar ao país com mais acessórios e preço mais atraente que os nacionais equivalentes. É o caso do Kia Picanto, que paga 35% ao desembarcar no Brasil – mais os impostos pagos pela indústria. Mesmo assim, ele custa 35 900 reais e traz de série ar-condicionado, direção elétrica, trio elétrico, rodas de liga leve e CD player com MP3, itens que são opcionais na maioria dos nacionais. David Wong, vice-presidente da Kaiser Associates, explica por que esse preço é tão competitivo, apesar de importado da Coréia: “A fábrica que faz o Picanto produz de 1 milhão a 1,5 milhão de veículos desse modelo por ano. A escala é monstruosa. Por aqui, a produção anual de um Gol é de cerca de 400 000 unidades”.
Para o presidente da Abeiva (associação das importadoras), Jörg Henning Dornbusch, a indústria automobilística brasileira tem como vender seus carros por preços mais baixos: “Com o aumento da escala por conta das vendas em alta, deveria haver uma redução no custo de produção, e não é o que se vê”.
Quando há acordos entre o Brasil e parceiros como México, Argentina e Chile, o imposto de importação é zero e, em muitos casos, as subsidiárias até reduzem ainda mais suas margens na venda de uma unidade para a outra. É o que ocorre, por exemplo, entre as filiais brasileira e argentina da Renault. Aqui o Logan 1.6 8V custa 37 550 reais. Na Argentina, que importa esse mesmo carro do Brasil, ele é vendido pelo equivalente a 25 500 reais. Sem a carga tributária, o Logan vendido aqui custa 26 585, mas na Argentina ele vale 20 017 reais, mesmo incluindo o custo de frete até o país vizinho. E o que explica essa diferença de 6 500 reais, depois de descontados os impostos?
Para o presidente de uma importadora, que prefere não se identificar, os veículos nacionais não baixaram de preço quando comparados a outros países porque as montadoras, que trabalham com margens entre 9% e 11%, estão praticando o percentual máximo. O presidente da Anfavea (associação das montadoras), Jackson Schneider, prefere não entrar em detalhes sobre a rentabilidade do setor. “Quando se fala de preço e margem, cada montadora cuida da sua casa.” Mas Schneider concorda que o Brasil se tornou atraente para as matrizes, daí o volume tão grande de recursos esperados para os próximos anos.
Entre 2008 e 2011, estão previstos 23 bilhões de dólares em projetos de expansão ou construção de fábricas. O motivo, para alguns, não seria a alta rentabilidade, mas sim o espaço que ainda há para crescer por aqui. “Esses investimentos foram programados segundo a perspectiva de crescimento do mercado interno, ou seja, baseiam-se no futuro”, diz Dario Gaspar, vice-presidente da consultoria A.T. Kearney.
Paulo Cardamone, vice-presidente da consultoria CSM, afirma que uma boa fonte de lucro das montadoras brasileiras são os chamados “conteúdos”, ou opcionais, como ar-condicionado, freio ABS e airbag. “É aí que a indústria cobra caro. Como o volume é baixo para produzir esses itens, o conteúdo, que no mundo é standard, por aqui é opcional e custa muito”, afirma. Cardamone defende a redução gradual de impostos para que se chegue à metade do atual valor dentro de seis anos. “Assim, as empresas vão poder diminuir os preços e aumentar a produção.”
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Corte nos custos
Para Schneider há ainda outras formas de reduzir custos. As montadoras têm, segundo ele, apostado no aumento de produtividade dentro das fábricas, com a aquisição de equipamentos mais modernos e melhor gerenciamento de estoques. Segundo Francisco Satkunas, membro do conselho da fornecedora Plascar e há 40 anos no mercado, as montadoras no Brasil não deveriam ficar esperando por reduções nos impostos. Antes, poderiam começar a estudar formas de diminuir custos no desenvolvimento de materiais de autopeças mais eficientes e baratos, na logística e na mão-de-obra, com profissionais mais bem treinados para aumentar ainda mais a produtividade. “Sem cortar despesas, fica difícil vender carros mais baratos no Brasil”, diz Satkunas. A própria Plascar pesquisa no momento uma roda feita de plástico, material mais barato e leve.
Outro caminho para diminuir custos, conta Evandro Maciel, diretor do Comitê de Veículos de Passeio da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE), é por meio da padronização de peças entre as montadoras. Isso possibilitaria uma escala global bem maior e uma economia no fim da conta. Ou seja, quem ganharia com isso seria o consumidor.(http://quatrorodas.abril.com.br/reportagens/carro-tao-caro-brasil-394648.shtml)
Você disse:
“Uma lei de mercado, porém, diz que, quanto maior a produção, maior a economia de escala. Não é o que se vê na prática.”
A resposta está em “Power Pricing” de Robert Dohlan.
Consultei o site da Romagnole e constatei que, além de transformadores, ela fabrica artefatos de concreto para construção civil: “Com fábricas em Mandaguari-PR, em Pindamonhangaba-SP, em Cuiabá-MT e Itaboraí-RJ, sua grande variedade de produtos é comercializada em todo o território brasileiro, com maior ênfase nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.” Não acredito que os eventuais dissabores comerciais da Romagnole tenham muito a ver com os chineses. Nem sei nem se o forte de sua produção é os equipamentos elétricos ou os artefatos de concreto. Desse último ramo já tive algum conhecimento. Se o fabricante pagar todos os impostos fica difícil comercializar o produto porque há muitos que sonegam. Soube de um fabricante que vendia seus artefatos a preço de custo para igualar o preço com os concorrentes. Só lucrava alguma coisa no transporte que ele fazia questão de que fosse contratado por sua empresa. O problema, então, pode ser com a carga tributária brasileira, já que artefato de concreto não é mesmo produto de exportação. A solução do problema seria forçar todos os empresários a pagarem seus impostos para que todos pagassem menos. Eu disse seria porque a CPFM, por exemplo, era um tributo que induzia a isso, mas, foi demonizada e banida pelos consultores financeiros e pelo próprio empresariado. Aí, não há solução para os Romagnole, mesmo matando todos os chineses, o que nem seria o caso. Há, de fato, fabricantes de materiais elétricos que concorrem com os chineses. Comprei e mandei instalar em casa dois ventiladores de teto fabricados em Catanduva-SP. O preço na loja era menor que o dos ventiladores chineses. Acontece que o eletricista cobrou R$ 60, 00 para instalar cada um. Fez um teste do funcionamento na minha frente e estavam funcionando muito bem. Acontece que ele colocou os ventiladores na velocidade máxima, a única das três em que funcionam sem ruído. Da próxima vez, comprarei ventiladores chineses. Moral da estória: não é só o preço que firma a reputação de um produto.
AF,
Concordo que temos de conseguir um meio para proteger nossa industria.
Mas acontece que parece estar na moda falar mal do protecionismo…
Eu, que não sou chegado à modismos, sempre fui a favor das medidas de proteção tomadas pelas diversas nações.
( sempre defendi uma forte intervenção estatal no reino da economia…)
Alias, quase todas nações fazem medidas de proteção, né? ( ao menos as mais espertas…)
Mas o que a plateia agora está gostando de ouvir é o discurso liberal do “abaixo o protecionismo”.
Gostemos ou não, hoje não existe mais tal coisa como “outro lado do mundo”. Até mesmo os grandes. Porque a Tigre faz tanta propaganda para que fujamos do mico (da Amanco – a fabricante chinesa promete roubar a liderança da Tigre no setor de tubos e conexões em três anos). É fato, inclusive os preços mais baratos. Mas quantos de nós questionamos ao “muambeiro” de quinquilharias eletrônicas, se o precinho bom que ele nos oferece é às custas de um sistema feudal e escravizante dos cidadãos chineses. É, caro AF, ser correto também tem um preço.
Amanco não é chinesa, é de capital mexicano , tem fábrica em Joinville-SC, assim como a Tigre.
As duas produzem no Brasil.
sempre falei isso,a china e´isso e nós ainda compramos em barraquinhas?Por que o PT partido defensor dos trabalhadores mais o sr Lula que se diz tão popular,não fazem uma campanha nacional de boicote a produtos chineses,comprar matéria prima eles tem de comprar mesmo não?
Não é o mercado que pregam? O mercado não é a Bíblia? Então que mudem de ramo…
Quem disse que é a Biblia deles?
Prezado Nassif, a referência não é específica à Romagnole; e sim a este modelo de capitalismo em qual a Romagnole esta inserida e, provavelmente, não faz nada para mudar, agindo, como todos neste caso, demitindo. Faz a opção pela via mais fácil. É isso.
Via fácil? Suicídio, hara kiri. Não existe nada mais traumático na vida da empresa do que demissões. Afetam o conjunto dos trabalhadores, quebra a vontade interna, é mostra de decadência. E só se demite quando não tem nenhuma expectativa de melhora no quadro.
Só se demite quando não tem nenhuma perspectiva de melhora no quadro? Que é isso, Nassif, mão-de-obra é o primeiro insumo cortado em qualquer dificuldade e a crise que mal chegou aqui no Brasil mostrou isso perfeitamente. As expectativas adotadas pelas empresas são cada vez de menor prazo, ou seja, está ruim hoje, demite-se hoje e pronto.
E uma empresa como a Romagnole, em uma cidade como Mandaguari isto é muito mais crítico. A empresa indo mal a cidade toda vai mal…..
a industria de equipamentos pesados seguira o mesmo caminho em breve, o interessante dos empresarios brasileiros e que eles reclamam dos chineses quando esses competem com eles, mas quando precisam comprar algum equipamento, eles compram dos mesmos chineses!
Tenho comentado a questão do câmbio em meus escritos. Penso que defender a desvalorização do real se tornou uma panacéia universal. Explico.
Qualquer turista brasileiro sabe o quão desvalorizado é o real nas viagens internacionais. Tudo na Europa é caro. Não podemos dizer que a nossa moeda está sobrevalorizada.
No entanto é muito fácil esconder a nossa incompetência com uma simples mudança de câmbio. Por exemplo. Vamos supor que produzir um sabonete no Brasil custe 2 reais, em razão de nossas deficiências. Deveria custar 1 se fossemos eficientes. Outro país fabrica, com eficiência, sabonetes a 1 republicano cada. O valor real das duas moedas é idêntico. Logo o câmbio seria 1 real para cada republicano, e a indústria nacional de sabonetes fecharia as portas. Se fixarmos o câmbio a 2 reais para cada republicano, as duas indústrias ficariam em pé de igualdade. Se fixarmos o câmbio a 3 reais para cada republicano, a nossa indústria, mesmo ineficiente, liquidará com a eficiente indústria estrangeira.
Agora falta explicar o que entendo por eficiência da indústria.
Considero tudo, o custo do transporte, que o nosso querido JK entendeu melhor por via rodoviária; o custo da insegurança, com roubos de carga, que aumentam prêmios dos seguros; o custo dos tributos, necessários para alimentar a máquina estatal; o custo de arrecadação dos tributos, com um sem número de exigências burocráticas, que Hélio Beltrão infelizmente não conseguiu eliminar; etc; etc; etc.
Enquanto discutirmos câmbio, como a fonte da perda de competitividade, estaremos deixando de discutir as mudanças necessárias para o Brasil, algumas que só precisam de tinta e diário oficial (desburocratização).
Fantástico! Finalmente alguém que pensa aparece para falar o óbvio!!!
Eu iria mais além: o calcanhar de Aquiles do Brasil, o calcanhar mesmo (a competitividade fica, digamos, perto da nuca) chama-se C-O-R-R-U-P-Ç-Ã-O.
O termo posto de uma forma mais ampla, não simplesmente o político que ganha uma concessão de rádio para votar contra ou a favor, ou o policial que ganha 10 reais pra liberar a multa, mas a falta de ética de uma forma geral que é a característica mais predominante do povo brasileiro.
Sensacional!
Com Hélio Beltrão desburocratizando e com o Lacerda acabando com os corruptos nós vamos chegar ao desenvolvimento!
Menosprezar a importância do câmbio é uma tolice monumental.
Como pode ignorar nosso passado recente?
O Brasil quebrou por manter um câmbio hipervalorizado… e você vem com esta conversa prá boi dormir falando até em Hélio Beltrão?
Melhor se especializar na “desburocratização” do minério de ferro e soja… é o nosso futuro brilhante com este câmbio.
Voce esqueceu o principal, os carteis que dominam as materias primas e os semi-acabados que inviabilizam as industrias nacionais dependentes desses insumos.
Esse é o calcanhar de aquiles da economia brasileira. O governo deseja ardentemente que exportemos produtos manufaturados e a realidade mostra justamente o contrário:
a industria brasileira concorrre com mão-de-obra barata e produtos baratos. Não existe solução que não passe por investimento em educação, infra-estrutura, etc, etc, e etc. Mas quem sabe se o BC não desse uma ajudinha no câmbio???
A China é um pesadelo: capítalismo de estado de partido único! chego a perder o sono ao imaginar aquela bolha que alimenta 1,5 bilhão de bocas se desmanchando no ar por conta de uma crise qualquer…
Proteger-se como? Fechando-se à China e sua economia?
Eles estão convencidos que qualquer grande economia do mundo não sobreviverá sem comerciar com eles… Estão errados?
Não sei como o mundo vai se equilibara nos próximos 50 anos, mas achi que o povo de Mandaguari vai ter que procurar outro meio de vida!
Estou com tres casos de famílias tendo que mudar para Maringa e Londrina em função das demissões da Romagnole em Mandaguari.
Se Lula fosse um Estadista completo, trocaria o Meirelles e colocaria como diretor de política monetária o Emílio Garófalo; com certeza haveria uma queda na taxa de juros de maneira expressiva, algo em torno de 6% a.a. Desta maneira, o dólar subiria para $ 2,00 ou mais. Se a China tá mostrando pro mundo que o câmbio desvalorizado aumenta suas exportações, por que o Brasil não segue o exemplo?
Caro AF,você deve ter influencia suficiente,para marcar um encontro com os administradores da Romagnole,e neste encontro,propor a eles que façam uma reengenharia(não confundir com dispensas em massa)na empresa;Que redesenhem seus projetos; Que aceitem que “os tempos mudaram”e que seus métodos de administração estão superados; Que repensem a maneira com que lidam com os funcionários;Que aceitem dar participação nos lucros aos colaboradores,se eles aceitarem aumentar a produtividade,e a qualidade no acabamento dos produtos da empresa;Que aceitem a palavra-chave,que é utilizada na China(daí o sucesso dos chineses)que é produzir muito,e ganhar em escala. É difícil isto,ou os nossos empresários não querem correr riscos e nem diminuir os ganhos ?
Cara, você deve ser do Partido dos Trabalhadores… da China.
Tenho mais o que fazer….. rs
Agora sério: qq empresa deste porte está cansada de saber de tudo isto. O problema é outro – o cambio.
O que jaá pedi para me esclarecerem sobre o câmbio não é fácil. A começar que não acredito que só dólar baixo seja causa de alguma coisa -vide alemanha a maior exportadora com o marco(ou euro) à toda. Se alguém colocar em miúdos como os chineses conseguem colocar os produtos a preço tão baixo, e por que os governos o permitem quando a prática é criminosa, terá minha eterna gratidão.
A passividade do governo assistindo o real hipervalorizado é exasperante.
Este câmbio hipervalorizado é terra arrasada.
Tem de aumentar a taxa no capital especulativo.
E reduzir os juros.
Mantega tem que enfrentar o Meirelles pô!
Chega de arriar as calças prá especulador.
Este tempo já passou…
Pois é, lá na China o governo cria empresas e dá emprego.
Aqui nós damos dinheiro sem nenhuma contrapartida.
Milhares de pequenas empresas como essas estão fechando e desempregando.
Enquanto isso nos importamos da China um monte de mercadorias simples e baratas que poderiam ser produzidas aqui.
Parodiando FHC, para onde vamos ?
Olá Spassos. Saudações.
Já estamos copiando o modelo de baratear. Muitas das roupas, inclusive as que sacoleiras levam baratinho, para outros locais tem esta “mancha”:
Bolivianos são presos acusados de tráfico internacional de pessoas
Quinze trabalhadores submetidos à condição de escravidão foram retirados dos galpões e levados para a delegacia. Entre eles uma mulher grávida.
A polícia libertou hoje quinze bolivianos que trabalhavam numa confecção clandestina da zona norte em condições semelhantes à escravidão. Quatro mulheres e dez crianças também viviam no local.
A fachada simples esconde o que para a polícia é uma prova da existência de trabalho escravo em São Paulo.
O prédio tem quatro andares. Em cada um, uma confecção ilegal. Máquinas amontoadas. Quartos e cozinhas onde os trabalhadores dormiam e se alimentavam. Calor e mau cheiro.
Às sete da manhã, na hora da operação policial, 15 bolivianos já estavam trabalhando. À força, segundo essas duas mulheres. “Tentava sair, mas não tinha como porque as duas portas estavam trancadas”, conta uma mulher.
Maria Nossa está grávida. Ela conta que era obrigada a costurar do início do dia até a uma da madrugada e que não podia sair. “Trabalhávamos das 7h as 1h”.
Quando saiu da Bolívia, em setembro, veio com a promessa de ganhar o equivalente a R$ 900 por mês. Mas não recebia nem R$ 250. Nos fins-de-semana, não tinha o que comer.
Quinze trabalhadores submetidos à condição de escravidão foram retirados dos galpões e levados para a delegacia.
Quatro pessoas foram presas em flagrante. Eles também são bolivianos e, segundo a polícia, fazem parte de um esquema de tráfico internacional de pessoas que começaria em São Paulo, no bairro do Bom Retiro.
A delegada responsável pela operação diz que a compra das máquinas de costura é financiada por coreanos, que depois compram as peças de roupa por preços muito abaixo do mercado.
“Eles ganham duplamente não só por empregar uma mão-de-obra muito barata por ser escrava, mas por se eximirem de qualquer responsabilidade de obterem um produto de baixo custo”, afirma Maria Helena Tomita, delegada.
Segundo as investigações, as roupas produzidas pelas confecções clandestinas iam parar em lojas do bom retiro e até em grandes redes. Todos os bolivianos localizados pela polícia hoje querem continuar vivendo no Brasil.
Fonte e vídeo: http://sptv.globo.com/Jornalismo/SPTV/0,,MUL1366840-16576,00-BOLIVIANOS+SAO+PRESOS+ACUSADOS+DE+TRAFICO+INTERNACIONAL+DE+PESSOAS.html
Pequena empresa não. Um importante fabricante nacional de material elétrico.
A Romagnole não é pequena não….
O Paulo diz que na Europa as coisas são mais caras, tolice, é só fazer a conta do 1 pra 1…
Mais, o último exemplo que eu vi foi um amigo inglês (que é projetista de máquinas para construção de automóveis) que morou aqui. Fizemos uma conta rápida e chegamos a conclusão de que o custo de vida no Brasil é mais caro do que na Inglaterra!!! O cara não entendeu o pq de ser tão caro morar em sp, nem eu, ainda mais pq pessoas morrem na fila do pronto socorro, então temos um custo de vida de 1. mundo e vivemos numa quase África?
A gente só fala dos chineses e câmbio, mas pq os preços das matérias primas no Brasil são muito mais caras do que na Europa, EUA e etc?
Os materiais de construção são isentos de impostos, então pq o custo da construção do m2 do chão de fábrica aqui no Brasil é 1,8 vezes mais caro do que na Europa?
Insumos como aços, químicos e etc são mais caros aqui do que no exterior, pq???
Pq temos um custo do transporte mais caro aqui (em SP)? 55% pedágios e 40% óleo diesel?
Pq os fretes marítimos são mais caros aqui do que nos outros países?
E por aí vai….
Enfim, é ridículo achar que o real forte é bom para o país neste momento, é que nem o Vinicius falou, há uma guerra fria em relação ao mercado cambial. E o Brasil têm que se posicionar.
É ridículo o setor industrial sofrer em detrimento do mercado financeiro, só eles ganham???? O que que eles geram???
Nada contra eles ganharem, mas o que eles geram fora a dita “liquidez” no mercado???
De todo o jeito, seja Serra ou Dilma, qualquer um deles vai fazer alguma coisa em relação ao câmbio, afinal, após esta crise, o “mercado” já não é o que era antes.
A questão cambial é fundamental para exportações de máquinas e outros e é fundamental para o bom desenvolvimento tecnológico, porém, sou da opinião que deveria haver uma maior abertura da economica brasileira para não hver inflação setorial, isenção total dos impostos(Estaduais prinicpalmente/ federais que já existem) em cascata para as exportações, melhora da infra estrutura nos (principalmente nos terminais portuários) e prinicpalmente um dólar que faça valer a pena exportar, sinceramente, um dólar menor que R$1,70 é o mesmo que um dólar à R$1,00, pois todas as ineficiências que temos valem os R$ 0,60 em questão.
Vários economistas pensam assim.
A queda do dólar – Paulo Nogueira Batista Jr.
Paulo Nogueira Batista Jr.
O governo brasileiro está preocupado com a acentuada valorização do real. A moeda brasileira está entre as que mais subiram em relação ao dólar no passado recente. E a moeda forte pode trazer problemas sérios para a economia do país.
O problema transcende as fronteiras brasileiras, como se sabe. Uma das suas principais causas – talvez a principal – é a situação econômico-financeira do país que emite a moeda hegemônica: os Estados Unidos. O dólar dos EUA está caindo em relação à grande maioria das principais moedas, segundo levantamento publicado pela revista “The Economist”. Num grupo de 34 moedas de países desenvolvidos e em desenvolvimento, apenas quatro ficaram estáveis em relação ao dólar nos últimos doze meses em termos nominais (as moedas de China, Hong-Kong, Arábia Saudita e México) e apenas quatro sofreram desvalorização nominal (as de Rússia, Argentina, Venezuela e Paquistão).
Por trás da fraqueza do dólar, está a crise da economia americana. O déficit e a dívida pública cresceram de forma astronômica nos EUA. O sistema financeiro do país atravessou, e ainda atravessa, dificuldades extraordinárias. O Federal Reserve vem mantendo a taxa básica de juro próxima de zero e injetando liquidez de forma maciça. Em outras palavras: há uma superabundância de dólares, oferecidos a baixo custo, o que tende a enfraquecer a moeda. Surgiu, assim, um imensa carry-trade em dólares, isto é, operações financeiras que consistem basicamente em assumir obrigações em dólares (uma moeda em processo de desvalorização e com taxas de juro próximas de zero) para aplicar sobretudo nas moedas de países que oferecem juros mais altos e perspectivas atraentes de rendimento.
Os EUA não o dizem abertamente, mas têm interesse nessa depreciação do dólar – desde que ela seja relativamente ordenada. A queda do dólar, além de ajudar a diminuir o desequilíbrio externo da economia em conta corrente, reduz o valor real das dívidas externas dos EUA (que são denominadas majoritariamente em dólares) e estimula a atividade econômica. Ora, os EUA estão desesperados para consolidar a recuperação da atividade econômica e impedir que o desemprego, que já está em nível muito alto, continue aumentando. O dólar fraco aumenta a competitividade das exportações dos EUA e encarece as importações, ou seja, tende a ampliar o componente externo da demanda agregada (as exportações de bens e serviços) e a redirecionar a demanda interna das importações para a produção nacional.
O cerne do problema está, portanto, nos EUA. Mas há dificuldades adicionais. Alguns países de grande porte, notadamente a China, relutam muito em aceitar a apreciação das suas moedas. O yuan mantém uma taxa fixa em relação ao dólar desde meados de 2008. Só nesta semana, o Banco Central chinês finalmente deu um sinal de que poderá permitir alguma apreciação da sua moeda. Se um país grande como a China se recusa a absorver uma parte expressiva da depreciação do dólar, o ônus recai sobre os países com moeda flutuante – especialmente aqueles que mantêm juros altos e oferecem boas perspectivas para investimentos estrangeiros.
O Brasil é um desses países. Não por acaso, o real foi das moedas que mais subiram em relação ao dólar nos últimos doze meses. De 11 de novembro de 2008 até 11 de novembro de 2009, o dólar caiu quase 25% em relação ao real em termos nominais. No acima referido conjunto de 34 moedas, a moeda americana só registrou queda mais pronunciada em relação ao dólar australiano (30,3%) e ao rand sul-africano (29,7%).
O Brasil precisa se cuidar, portanto. O IOF sobre certas entradas de capital foi um passo na direção correta. Outras medidas, de menor impacto, também foram tomadas. Mas será provavelmente necessário considerar providências adicionais, incluindo a diminuição dos juros, a acumulação de mais reservas internacionais e novos instrumentos prudenciais e de controle sobre os movimentos especulativos de capital.
Não podemos nos dar ao luxo de aguardar que o problema seja resolvido no plano internacional, no âmbito do G20 ou do FMI.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. é economista e diretor-executivo pelo Brasil e mais oito países no Fundo Monetário Internacional. E-mail: pnbjr@attglobal.net.