Serra não escolhe o mais votado para a USP
Atualizado
Por Lima
Serra escolhe 2º colocado em votação para reitor da USP
O professor João Grandino Rodas foi escolhido pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), para o cargo de reitor da USP (Universidade de São Paulo). Segundo apurou a Folha Online, a decisão foi tomada nesta noite pelo político tucano e só deve ser anunciada oficialmente amanhã.
Rodas disputava o cargo com Glaucius Oliva e Armando Corbani Ferraz –ambos receberam apoio extraoficial da atual reitora, Suely Vilela, com quem Serra possui divergências. O escolhido pelo governador foi o segundo mais votado.
Serra tem autonomia para escolher qualquer um dos três candidatos. Mas, tradicionalmente, a escolha recai sobre o primeiro da lista –a última vez que a tradição foi quebrada ocorreu em 1981, quando o então governador Paulo Maluf optou por Antônio Hélio Vieira, quarto de uma lista sextupla feita na época.
João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito recebeu apoio de três ex-reitores (Guerra Filho, Fava de Moraes e Adolpho Melfi) e de ex-ministros (três de Estado, um do Supremo Tribunal Federal e um do Superior Tribunal Militar).
Comentário
Grandino teve um comportamento para lá de polêmico no CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) quando se insurgiu ostensivamente contra o voto de colegas que foram contra a compra da Garoto pela Nestlé – como presidente do órgão, Rodas era a favor. Comportou-se como um advogado, não como juiz, enfraquecendo a imagem do CADE em uma área crucial, do direito econômico.
Por Vinícius
Ao mesmo tempo que a universidade torna-se “figura” de seu tempo, justamente a noção de universidade pública passa por uma “desfiguração”. Para onde caminham as universidades públicas?
Entre a necessidade de gerir transformações e sofrer transformações, a universidade pública mais parece ceder às pressões externas do que reinvertar a si própria conscientemente. As mudanças vão se tornando risíveis; quase tudo permanece. Não agrada, não transforma, não se emancipa.
A universidade pública, como está, não foca. Suas estruturas hierárquicas são retrógradas, a sua acessibilidade é injusta, e sua inserção ao restante da comunidade igualmente aquém.
Dado o descontentamento, estaria a solução respaldada nas bandeiras que afirmam a necessidade de mudança, sob a tutela do progresso, modernização e racionalização?
O fato é que a despolitização generalizada, dentro e fora das universidades, impossibilita a convivência democrática. E se isto for verdadeiro, comprovamos que já se incorporou o totalitarismo oriundo do viés tecnoburocrático e a dinâmica da democracia formal. Ou seja: a universidade pública é um reflexo deste processo; muito mais sofreu transformações do que as proporcionou (foi fundada para formar a elite pensante; depois passou pela democratização do acesso pelos idos dos anos 70, reajustando-se a esta demanda; e nos anos 2000 se fala em flexibilização, quando as agências de fomento orquestram as normas. Rodas seria a figura necessária neste momento?).
O último reitor da USP, capaz de visionar o que se passaria na universidade pública foi o Goldemberg, entre 1986 e 1990. Apontava sempre no horizonte a idéia de mérito como aprofundamento das qualidades uspianas. É uma figura que merece ser resgatada, não pelas suas propostas, mas pela capacidade de antever.
Mas o apelo ao mérito é, no mínimo, problemático. Pois nem sempre o caminho acadêmico se coincide com o caminho intelectual. Uma carreira baseada no mérito tende a uma especialização que, por sua vez, leva à estreiteza científica e à burocratização da dinâmica de pesquisa (quantos papers inúteis já não são publicados todos os dias para fazerem número?).
Todo este preâmbulo ajuda a entender quem é João Grandino Rodas. Por que ele surge em 2009?
Rodas é bem menos astuto do que Goldenberg. Não é um pensador, mas sim um administrador de pulso firme, um liberal e jurista convictos. Dele podemos esperar o protótipo da profetização de Goldenberg, e um capítulo a mais desta desfiguração da universidade pública pela liberalismo dos tempos atuais, em tempos em que ela deve figurar como “marco estratégico” e como “capital intelectual”.
Como sabemos, o liberalismo é a liberdade de ser autoritário. É o apoio à competência que desqualifica qualquer diferença; é o autoritarismo da tecnoburocracia neoliberal que pretende suprimir todas as instâncias críticas do pluralismo.
E tudo em nome da ciência e da democracia.
Vinícius
Aliás, escrevi a mensagem acima (ou abaixo) com base neste email de candidatura do Prof. Rodas nos emails da USP. E minhas críticas e posicionamentos (muito breves e apressados) baseados nos textos do Prof. Franklyn Leopoldo e Silva, ilustre professor aposentado do Dpto de Filosofia.
Mensagem de JOÃO GRANDINO RODAS do Compromisso USP
Nesta última mensagem antes da votação que definirá a lista tríplice para a escolha do próximo Reitor da USP, cumpre-me destacar alguns pontos, por mim defendidos nos últimos meses:
Promover o diálogo amplo, permanente, transparente, sistemático e responsável, entre todos os segmentos da USP, como único meio para a superação das divergências existentes e para assegurar o crescimento da Universidade.
Promover, no início da gestão, reforma universitária, a mais abrangente possível, com ampla participação da comunidade.
Promover a desconcentração de poder dentro da Universidade, valorizando as Unidades (inclusive dotando-as de orçamento para investimento) e favorecendo o exato equilíbrio entre os poderes centrais – reitoria, pró-reitorias e coordenadorias – dentro do princípio de “centralização da supervisão e descentralização das ações”.
Promover a racionalização de serviços, mormente dos jurídicos e de pessoal, para que o direito e a administração sejam aliados e não impedimentos para a realização dos fins da Universidade.
Incentivar as unidades para que revejam, modernizem e atualizem seus cursos de graduação e de pós-graduação, levando em conta as transformações sociais e a experiência internacional.
Incentivar a pesquisa científica de ponta na Universidade, inclusive reservando parcela orçamentária, que possibilite pesquisas em áreas ainda não financiadas pelos órgãos de fomento.
Incentivar as atividades de extensão, como meio de transferir o conhecimento da Universidade para a sociedade.
Utilizar toda a potencialidade que os Museus e os Institutos oferecem à Universidade, dotando-os de todas as condições para tal.
Promover os pressupostos para um ensino de excelência, quais sejam: 1) melhoras, inclusive salariais, para os corpos docente e funcional; bem como o aprofundamento de uma política equânime de permanência de estudantes, de graduação e de pós-graduação; 2) forte ação no sentido de dotar a Universidade de estrutura predial, laboratorial, computacional e de biblioteca.
Promover, quer a modernidade no âmbito da Universidade, quer a absoluta transparência (inclusive por disponibilização na internet) do orçamento, de todos os gastos da Universidade; e de documentos relativos aos colegiados centrais.
Incentivar o diálogo permanente, respeitoso e construtivo, bem como toda a colaboração possível, com os representantes da sociedade e dos vários segmentos da Universidade, incluindo representações estudantis e sindicatos e associações de categorias, como a ADUSP e o SINTUSP.
Exercer, com simplicidade, uma reitoria “colegiada”, aberta, transparente, proativa e voltada para as competências próprias da autarquia; nunca esquecendo que os órgãos centrais constituem-se em meio, para a consecução do objetivo-fim da Universidade – ensino, pesquisa e extensão – de competência das Unidades.
Colocar à disposição da USP, toda uma vida acadêmica e profissional, que ao longo de 39 anos, sempre foi pautada pela decência e pela ética, pelo dever cumprido e pelo coleguismo. Na certeza de que o propósito será bem servir a universidade e não servir-se dela ou utilizá-la para alcançar objetivos externos.
Agradeço a todos os que apoiaram o COMPROMISSO USP, de que sou o representante, aos que leram os comunicados (feitos com base no direito de informar e de ser informado). Por fim, peço o seu voto de confiança, na certeza de que estará escolhendo uma proposta e seu principal executor e não um potentado.
João Grandino Rodas
http://www.grandinorodas.com.br
http://grandinorodas.com.br/blog
http://twitter.com/grandinorodas
Por Vander Fagundes
Recomendo a leitura dos dois textos publicados na Folha de SP em 2007, quando houve o protesto de vários movimentos sociais na faculdade de direito, que culminou com a retirada deles pela PM de madrugada. Um texto é do Diretor da São Francisco e agora reitor da USP, Grandino Rodas, e o outro do então presidente do Centro Acadêmico, membro do Fórum da Esquerda.
http://www.conjur.com.br/2007-ago-26/acao_pm_invasao_faculdade_foi_legitima
http://www.conjur.com.br/2007-ago-28/arcadas_usp_ingressam_filhos_elite
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: Cade, Grandino Rodas, reitor, USP

Nassif, um espisódio semelhante ocorreu na UFRJ durante o governo de FHC. Na ocasião, o ministro da educação era o mesmo senhor que hoje ocupa o cargo de secretário de educação: Paulo Renato. Veja a seguir um trecho de uma reportagem extraída do jornal do sindicato dos docentes da UFRJ (ADUFRJ).
“A Universidade Federal do Rio de Janeiro vive hoje a maior crise político-administrativa de sua história. O processo iniciou-se em meados de 1998, quando o MEC indicou o nome do atual interventor Vilhena para reitor da maior instituição federal do país, desrespeitando uma decisão política da comunidade acadêmica (Vilhena foi o último colocado no processo eleitoral, tendo obtido apenas 11% dos votos, contra 64% do reitor eleito, Aluísio Teixeira) que já o considerava incompetente para administrar a UFRJ. A incompetência de Vilhena vem sendo comprovada diariamente, desde sua posse, quando precisou recorrer à polícia federal para retirar da reitoria professores, funcionários e estudantes, que reivindicavam o respeito à
democracia na UFRJ. Desde que tomou posse, as atitudes do interventor Vilhena têm sido arbitrárias e antidemocráticas, típicas dos dirigentes ditatoriais.”
Fonte: http://www.apg.ufrj.br/BoletinsJornais/JornalJunho2001.PDF
Em outubro de 2001, o interventor lançou mão novamente da força policial para resolver outro problema. Veja o trecho da reportagem a seguir:
“A violência policial contra estudantes, dentro da UFRJ, não se encerrou com a ditadura. Em 28 de outubro de 2001, marcado para ser o primeiro dia de provas do vestibular, a avenida entre os Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) e o Centro de Tecnologia (CT) se transformou em uma praça de guerra. Com direito a bombas de gás e de ‘efeito moral’, chutes e golpes de cassetetes, usados pela Polícia Militar, devidamente reforçada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e pela Polícia Federal, contra um pacífico ato estudantil. Tudo como resultado da arrogância do então reitor-interventor, José Henrique Vilhena de Paiva, que convocou o aparato policial.
O ato, além de ter como objetivo a manifestação contra os prejuízos que foram impostos aos alunos da rede pública então em greve, por conta da manutenção das provas naquele mês, foi, também, uma forma que as entidades encontraram para alertar a sociedade sobre possíveis incidentes que poderiam ocorrer nos vários locais de prova, espalhados pela cidade. Depois da confusão, o reitor teve que voltar atrás: o concurso foi anulado e as provas foram adiadas para o início de 2002.”
Este episódio da USP nos mostra mais uma vez que a democracia não é valorizada por Serra e seus comparsas. Lamento pela comunidade acadêmica da USP e torço para que não ocorram episódios semelhantes aos da UFRJ.
Entrei no curso de Comunicação no final da época de Vilhena e era impressionante a diferença entre o tratamento que ele dava aos aliados e aos oposicionistas. A ECO (contra) e o Instituto de Economia (a favor), por exemplo, ficavam em alas diferentes do mesmo palácio; era só atravessar um corredor para passar de uma espelunca decadente para uma relíquia arquitetônica completamente conservada. Faltava até papel higiênico nos WCs e os PCs do laboratório de informática eram patéticos, quase inutilizáveis. O pessoal da ECO sempre corria pro laboratório da Economia , onde os computadores eram mais decentes…
A ECO só voltou a ficar decente com Carlos Lessa e Aloísio Teixeira, quando foi reformada, ganhou laboratório de teatro, etc.
Na faculdade de direito boa parte apoia o Rodas, argumentando que ele é discreto em suas atitudes, tem bom trânsito político no governo do estado e na cidade de SP, é um acadêmico respeitado, enfim, um intelectual que conhece as leis. O modo como ele lidou com eventos estudantis parece ter agradado o governador. Há alguns meses houve uma greve na USP. Vários estudantes da USP, Unicamp e Unesp fizeram uma passeata da Av. Paulista até o Largo de São Francisco. A faculdade ficou preventivamente fechada ao longo de todo o dia, o que foi considerado um modo de evitar o confronto, diferentemente da postura de enfrentamento por parte da reitora quando dos confrontos entre a PM e os estudantes na Cidade Universitária. O contraponto ao Rodas é personificado pelo Fórum da Esquerda, um grupo político-estudantil de oposição à atual gestão do Centro Acadêmico XI de Agosto. Para enriquecer o debate, mostrando o contraponto, segue um dos emails enviados pelo Fórum da Esquerda para os alunos:
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Universidade, democracia e imobilismo político
Os recentes acontecimentos políticos em nossa universidade exigem de nós, franciscanos, uma séria reflexão. Nesta quinta-feira, 18 de junho, os portões de nossa faculdade, para surpresa geral, amanheceram fechados. À medida que iam chegando, alunos e professores se acumulavam no Largo sem saber o que fazer. A única explicação a que tinham acesso era uma cópia do bilhete do diretor João Grandino Rodas, afixada em uma das portas fechadas da faculdade.
A essa altura, poucos sabiam que haveria um ato marcado para aquele dia à tarde, ato esse que reuniria professores, estudantes e funcionários das três Universidades públicas paulistas (USP, UNESP e UNICAMP), que, partindo do MASP e terminando no Largo de São Francisco, procurava mostrar a toda sociedade a importância de se discutir os graves problemas que a Universidade Pública enfrenta hoje. A Polícia Militar no campus, a falta de democracia e representatividade nos cargos de poder e a implementação de um novo modelo de controvertido ensino à distância (UNIVESP) são entraves que afetam diretamente o ensino jurídico da São Francisco. O ato foi pacífico e atraiu um enorme quantidade de pessoas, cumprindo seu papel político. Mas, pensando no que foi esse tão movimentado dia, alguns questionamentos devem ser feitos.
Por que fechar os portões?
De quem é a Universidade Pública? Do povo? De seus estudantes, funcionários e professores? Seja qual for a resposta a essa pergunta, devemos julgar absolutamente inadequada a medida tomada pelo Diretor Rodas na quinta-feira. Só podemos concordar com o diretor, que concedeu entrevista à Folha de São Paulo, em dois pontos: que “é um absurdo fechar a faculdade” e que ele não tem bola de cristal. Esses dois pontos se completam, pois, não havia motivo, como se verificou pelo modo pacífico como se deu todo o ato, para fechar a todos do lado de fora.
O Diretor, assim como qualquer pessoa, é livre para formar suas opiniões acerca do Movimento Estudantil e dos Sindicatos. O que ele não pode fazer é, de forma absolutamente antidemocrática e autoritária, tolher a liberdade das pessoas de entrar num espaço que é público por uma presunção de culpabilidade, isto é, prevendo que os manifestantes não só entrariam na Faculdade (o que não estava previsto no ato) como destruiriam o patrimônio e colocariam em perigo as pessoas que lá estivessem.
O fechamento dos portões demonstra a pouca habilidade do Diretor para conviver com a democracia, a diversidade de opiniões e a livre manifestação. Este é mais um episódio em uma administração cada vez mais autoritária: tropa de choque e uma reforma da grade imposta em 2007, catracas e câmeras de segurança em 2008.
Nós, que tanto nos orgulhamos do Largo de São Francisco, um dos mais importantes e históricos palcos políticos do país, fechamos suas portas para estudantes, funcionários e professores das Universidades Estaduais Paulistas.
E o Centro Acadêmico?
Na quarta-feira, 17 de Junho, antepenúltimo dia de aula do semestre, a gestão Resgate achou oportuno finalmente realizar uma reunião para debater as “pautas da greve”. Os alunos se reuniram no pátio para discutir o atual momento limite em que se encontra o movimento estudantil da USP, momento este que, como a própria gestão apontou em seu encartezinho explicativo, já vem se delineando desde o início do ano. Inevitavelmente surge um questionamento: por que boa parte dos franciscanos se encontra à margem do que acontece na Cidade Universitária?
Não só a atuação da Gestão antes do Ato foi bastante deficiente e irresponsável, como, mais grave do que isso, foi a participação deles durante toda a quinta-feira, dia do Ato. Chegando muito mais tarde do que a maioria dos estudantes, a gestão titubeou na representação dos alunos, e não soube se posicionar sobre o fechamento da Faculdade. O Resgate não conseguiu ir além da atuação protocolar, “informando” horas depois, via informe eletrônico, aos alunos que a faculdade estaria fechada. Debater o que estava em jogo (a legitimidade do fechamento dos portões), cobrar explicações da diretoria da Faculdade, era o que se poderia esperar de um Centro Acadêmico com a história do XI de Agosto.
No dia em que 5 mil pessoas foram às ruas para exigir a saída da PM do USP e uma maior democratização das estruturas de poder da Universidade, o CA perdeu a oportunidade de dar conseqüência política à “nota de repúdio” que soltou dias atrás. A gestão na teoria repudiou a polícia, mas na prática, com sua habitual inércia e medo do engajamento, foi omissa e deu mais uma demonstração do vazio da sua atuação política.
E o Fórum da Esquerda?
Nós, enquanto grupo político da Faculdade de Direito, muito surpresos com o modo com o qual o dia começara, não fizemos mais do que nossa obrigação: debatemos com as pessoas, mostramos nossa posição frente àquela situação e, sentindo a desinformação que reinava naquele espaço (havia confusão sobre se seria o SINTUSP ou a Diretoria quem havia fechado a Faculdade), fizemos e panfletamos um texto explicando o porquê do fechamento dos portões. Organizamos ainda, com os alunos presentes, uma oficina de cartazes em preparação para a manifestação que ocorreria mais tarde. Como não poderia deixar de acontecer, dada à importância das pautas e a presença da manifestação no Largo São Francisco, participamos ativamente de todo processo da sua construção, nas reuniões que a antecederam, durante a passeata, falando no caminhão de som e deixando claro nosso posicionamento.
Nesse fim de semestre, lançamos esse texto e uma proposta de reflexão: qual é o modelo de Centro Acadêmico mais adequado à São Francisco? Um modelo de politização, que realmente agrega os alunos para a discussão, ou um modelo de imobilismo, que se fecha em sua própria inércia? Um modelo novo, que faça as Arcadas vibrarem política, que construa uma Democracia ativa, ou um modelo que é mais do mesmo, que não vai além do “falar de política”? Esperamos construir juntos, no segundo semestre, algo diferente para o XI de Agosto.
Mais uma vez, o Sr. “O ESTADO – POR ENQUANTO DE SP – SOU EU” Serra tem uma atitude ditatorial, autoritária, contra a USP. Uma Universidade Pública não deve ser território de política partidária, e sim em anseios populares, como os expressos numa eleição democrática (embora interna).
Segue também o email enviado pelo Grupo de Representação Discente da faculdade:
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Na terça-feira, dia 20/10, ocorreu o primeiro turno das eleições quadrienais para reitor, da qual o diretor da faculdade, João Grandino Rodas, é candidato. O colégio eleitoral é composto de aproximadamente 1677 pessoas, dos quais apenas 8% são votos dos estudantes. Destes, a Faculdade de Direito tem apenas 4 (quatro) votantes – o Grupo RD Interface possui, neste ano, 2 (dois), seus membros na Congregação (órgão de deliberação máximo da unidade). Do resultado das urnas, obtêm-se os oito candidatos que vão a segundo turno. Ocorre que há tão-somente oito candidatos oficiais, e todos, inevitável e impreterivelmente, concorreriam em segundo turno.
O grupo RD Interface decidiu, nesse contexto, fazer um voto de protesto. Trata-se de, ao contrário das expectativas e da pressão dos professores, abster-se de apoiar expressamente uma candidatura, votando em branco. Abstenção que não se confunde, de todo, com omissão; tampouco é desrespeitar o direito dos discentes, uma vez que estivemos presentes e ativos nas reuniões da Congregação. Abster-se é posicionar-se, nas eleições para a reitoria, contrariamente ao modelo de votação existente na USP. É entender que não é uma estrutura democrática, e ver a possibilidade de desenvolver o debate. Dessa forma, não manifestamos, em momento algum, apoio à candidatura do professor Rodas.
Não cabe à representação discente avaliar, sob um viés político, a necessidade de paridade docentes-discentes- funcionários na votação, ou, nesse momento, a implantação de eleições diretas para o cargo de reitor. Nosso papel é lutar por um processo que esteja de acordo com a lei de diretrizes e bases da educação (9.394/96), que, dentre outras coisas, limita a 70% a participação de docentes nos colegiados – o que, estranhamente, a USP não segue. Além disso, uma vez que se excluem todas as Congregações das unidades na votação do segundo turno, não temos nenhuma representatividade nessa importante etapa do processo eleitoral, na qual, dentre os oito candidatos provenientes do primeiro turno, votam-se os nomes da lista tríplice que será enviada ao governador para que este escolha o futuro reitor de nossa universidade.
Assim sendo, os estudantes, que compõem a maioria esmagadora da comunidade USP, e que são os maiores afetados pelas políticas de ensino, pesquisa e extensão, não exercem, de fato, influência alguma na escolha do reitor. Considerando que a Representação Discente tem por escopo defender os interesses dos alunos, não parece adequado legitimar tal processo.
Arcadas, 12 de novembro de 2009
Grupo RD Interface
O Rodas é o grande responsável pelo malabarismo jurídico que permitiu o uso da força policial desmedida dentro do campus da Cidade Universitária. A a escolha do Serra obviamente não é a da distensão e a do diálogo.
A grande pergunta aqui é: por que o Serra não escolheu o Prof. Oliva? Qual a justificativa? Serra tem que deixar claro pra comunidade acadêmica assim como para toda sociedade porque ele não concorda com quase 50% do colégio eleitoral da USP (Oliva teve mais de 160 votos, contra apenas 105 do Rodas, de um total de 325, se não me engano).
Ainda que eu ainda continue a me surpreender, Serra já não esconde mais o caminho dele.
Eu sabia que ele não merecia muita credibilidade, mas jamais pensei que ele fosse chegar tão longe. Rejeitar o primeiro da lista. Na ditadura era assim…
Recomendo a leitura dos dois textos publicados na Folha de SP em 2007, quando houve o protesto de vários movimentos sociais na faculdade de direito, que culminou com a retirada deles pela PM de madrugada. Um texto é do Diretor da São Francisco e agora reitor da USP, Grandino Rodas, e o outro do então presidente do Centro Acadêmico, membro do Fórum da Esquerda.
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http://www.conjur.com.br/2007-ago-26/acao_pm_invasao_faculdade_foi_legitima
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http://www.conjur.com.br/2007-ago-28/arcadas_usp_ingressam_filhos_elite
Esqueçam programas, propostas, e tudo mais. A escolha do governador José Serra levou em conta um único dado: o enfrentamento da greve de estudantes, professores e funcionários da USP no ano que vem. Ela é tão certa quanto o Natal e a Páscoa. E esqueçam também as motivações para essa greve. Na hora H, elas surgirão, sem nem sequer deixar transparecer um mínimo de cuidado na escolha da pauta de reivindicações. Uma universidade que já fez greve contra o ensino à distância pode fazê-la contra literalmente qualquer coisa. De mais a mais, não há por que se esmerar na elaboração da pauta, se a motivação real é outra. Tratar-se-á pura e simplesmente de desgastar o governador José Serra em ano eleitoral. A desculpa é o que menos importa.
As associações de funcionários e professores, dominadas por minorias ultra-radicais, unem-se ao DCE para encenar, todos os anos, um enredo bem conhecido. A greve é extraída a fórceps, em assembléias manipuladas pela força de apitaços, cadeiraços e barreiras humanas que inviabilizam as aulas por uma semana. Depois de vir à universidade à toa no primeiro e no segundo dia, os estudantes concluem que o melhor é ficar em casa e esperar que as coisas se acalmem.
Para que o efeito seja maximizado, a reitoria é invadida, sob a alegação de que a Universidade “está se recusando a negociar”. Claramente, o objetivo não é negociar coisa nenhuma. O que se tem em vista é a chegada da polícia e a produção de manchetes denunciando o caos. O reitor fica diante do dilema: se não chama a polícia, os manifestantes ganham; se chama, eles ganham mais ainda. A Universidade de São Paulo fica, desse modo, reduzida à triste dimensão de massa de manobra de partidecos abiloidados, sob os olhares compassivos e até esperançosos de alguns professores, que vêm nesse tipo de palhaçada uma espécie de “revival” dos gloriosos tempos da Maria Antônia.
O cálculo do governador José Serra foi feito também em termos eleitorais. Ele sabe que a FFLCH está isolada dentro e fora da Universidade. Sabe que é cada vez menor a paciência da população com greves quilométricas motivadas por reivindicações estapafúrdias. Diante disso, ele aposta no confronto. A polícia será chamada, haverá confronto, e ele firmará a imagem do defensor da lei e da ordem contra uma esquerda comprometida com a bagunça. É para isso que o professor João Grandino Rodas está sendo chamado. Independentemente de suas qualidades e de seu programa de gestão, ele foi escolhido pela atuação que teve no episódio da invasão da Faculdade de Direito em 2007. O resto, do ponto de vista do governador, são apenas inessencialidades.
A USP tem que sair desse jogo. Se queremos mesmo que a polícia não volte ao campus, temos que nos unir contra o tipo de ativismo radical e violento que tomou conta da universidade nos últimos anos. Estão cada vez mais claros os sinais do surgimento de movimentos de direita, entre os estudantes, dispostos a enfrentar a violência da esquerda com mais violência. O que acontecerá quando uma assembléia estudantil chamada pelo DCE for interrompida com apitaços e barreiras humanas de outros estudantes? O que acontecerá quando houver a tentativa de arrancar no braço as barricadas erguidas pelos estudantes da FFLCH na avenida Luciano Gualberto? O que acontecerá quando estudantes da Poli, incomodados com os carros de som enviados para inviabilizar suas aulas, saírem às ruas para tirar satisfações com os manifestantes? Ou nós, professores, assumimos uma postura firme e decidida contra os métodos violentos que atualmente têm livre curso dentro da universidade, ou teremos que assistir mais cedo ou mais tarde a uma pancadaria de consequências imprevisíveis. Ou oferecemos saídas institucionais contra quem usa métodos violentos – e isso quer dizer, sim, punição severa a quem recorre a tais métodos – ou não teremos nenhum direito de nos surpreendermos com reações baseadas no uso da força bruta. Vamos nos unir contra a barbárie? Ou vamos continuar calculando o que podemos eventualmente ganhar com ela?
O prof. Cuter, para ser efetivamente um filósofo coerente com sua linha de pensamento, deveria devolver todo e qualquer aumento ou vantagem salarial ou trabalhista derivados de greves.
O interessante é que ontem, na FSP – portanto muito antes desta notícia que foi antecipada no site à noite -, um articulista já previa a não-escolha do primeiro colocado e, o que é mais interessante, justificava-a (ou a exortava?), dizendo que se Serra o fizesse não seria uma atitude anti-democrática e tal. Pareceu que a heteróclita decisão contou com apoio prévio da FSP. Também acho que aí tem dedo do P. Renato. Agora, que esta decisão vai pegar muito mal na comunidade universitária, não tenha dúvida (nas federais, sobretudo).
Parece que num hipotético governo Serra, só vai dar “CADE”.
Até a USP foi aparelhada. É essa a oposição no Brasil, não faça o que eu digo…
Serra não é muito afeito a essa coisa de voto. Isso porque as pessoas às vezes votam nos candidatos errados.
Ferrou…vai ser um inferno.
Os tucanos são realmente engraçados, cômicos, é fato. Nem a farsa eleitoral que eles mesmos montaram eles respeitam. Lembra o trio de patetas que substituiu Costa e Silva e fez uma ‘eleição’ entre os generais, que escolheu Albuquerque Lima como presidente. Nomearam Médici, o segundo da lista.
Acho que a discussão se encaminha para o ponto errado. Dada a teórica autonomia das Universidades, por que ninguém se preocupou em mudar a legislaçõa vigente em todos estes anos?????
Se cabe a alguém legalmente o direito de escolher de uma lista, não se deve questionar a escolha, muito menos ficar condenando por isso. A pessoa está se pautando dentro da legalidade, e também assumindo uma parte da responsabilidade sobre a escolha, o que implica que sucessos e insucessos da administração poderão ser imputados à pessoa que escolheu.
Se está errado, mudem a lei…………….
Existem instâncias próprias para isso, e devem ser acionadas.
Quanto ao fato de a esquerda dominar a Universidade, isso ocorre em todas elas. O problema é que a grande maioria vai lá para apenas estudar, não se envolvendo na política.
Fiz engenharia civil na UFPR, e salvo uma excessão, sempre fui representado no grêmio por figuras relapsas que preferiam a política ao estudo. Eram eternos reprovados que se agarravam no diretório para justificar sua permanência na Universidade. Seriedade, nenhuma. Interesse próprio, um monte. Se formaram na marra, com sete a oito anos de curso, e seguiram carreira política.
Infelizmente, este é o modelo que eu conheci, e não acho que tenha mudado. Uma grande maioria alheia, e uma minoria que usa de todos os recursos para aparecer.
Pergunto: Qual é o efetivo total da Usp (alunos, professores e funcionários) e quantos aparecem em uma assembleia de greve? Uma assembleia destas é representativa desde quando??????
Desde quando se aceita viver o regime democrático.
Se, define-se a assembléia como fôro de discussão e aparecem 100%, 50% ou 1% para discutir. Será o resultado dessa discussão que norteará as ações.
Democracia é isso (ou pelo menos é essa aí que temos).
Assim o Bush ganhou duas eleições. Graças ao não comparecimento dos eleitores (mesmo que em alguns casos, pela força), ele obteve “maioria”.
Enqto reitores forem manipulados e manipuladores de movimentos políticos e indicações políticas, as universidades ficam a revelia da sorte, por que a USP ja saiu da lista das mais mais.
Meus caros,
Serra na verdade quer é controlar, com sua ingerencia, os bilhões de reais que vão para as universidades Paulistas todo ano. Vcs não se lembram da secretaria do ensino superior?? Ela está ai… e a todo momento interferindo na ensino superior e em suas atividades.
Ele não aceita, em hipotese alguma, que as Universidades tenham sua autonomia em fazer o que quizerem com o dinheiro arrecadado.
Essa é a questão! A USP , sua comunidade, não pode aceitar mais essa atitude autoritária de Serra. Não esqueçam, ele é candidatíssimo à Presidente da República e quem não lê na cartilha dele…….
A discussão está posta!
Por uma universidade crítica já!
Sem autonomia financeira e didática não há educação de qualidade.
abços
É bom o Serra ir mesmo se acostumando com o segundo lugar…
Nassif, veja a analise “mediúnica” da Folha, um dia antes da indicacao de Rodas.
Merece destaque.
ANÁLISE
Lista tríplice não lesa democracia
HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS
SE O GOVERNADOR JOSÉ SERRA, CONTRARIANDO A TRADIÇÃO, DEIXAR DE ESCOLHER O NOME QUE ENCABEÇA A LISTA TRÍPLICE DE CANDIDATOS À REITORIA DA USP, NÃO ESTARÁ COMETENDO NENHUM CRIME DE LESA-DEMOCRACIA.
Existem diversas maneiras de entronizar um “rector universitatis”. A eleição direta por professores, funcionários e alunos, que vigora em várias universidades federais, é muito provavelmente a pior delas.
Além de favorecer enormemente o populismo -o candidato que prometesse acabar com as provas, por exemplo, ganharia preciosos pontos entre estudantes-, o voto direto é essencialmente antidemocrático. No caso da USP, excluiria completamente do processo o conjunto de habitantes do Estado de São Paulo, que, vale lembrar, é quem paga as contas através dos 9,57% do ICMS constitucionalmente repassados às três universidades paulistas.
Não é preciso PhD em ciência política para perceber que um bom modelo precisa não apenas dar algum tipo de voz ao eleitorado-contribuinte paulista como também conferir pesos diferenciados a cada categoria envolvida no processo.
Professores, que em tese têm compromisso acadêmico de longo prazo, precisam influenciar mais na escolha do que alunos, cuja maioria está na universidade por apenas quatro anos e com o objetivo muito pragmático de obter o diploma.
O sistema de eleição utilizado pela USP, no qual a comunidade acadêmica elabora uma lista com três nomes e o governador faz a escolha final, está longe do ideal, mas ao menos tem o mérito de reservar algum papel para a população de fora da academia. O governador, goste-se ou não dele, foi eleito e é titular de um mandato.
O problema com o modelo uspiano está menos na existência da lista tríplice do que na forma como se chega a ela. O segundo turno da eleição -o que de fato importa- é decidido por um colégio restritíssimo de 256 professores, todos eles muito próximos à reitoria.
Esse sistema acabou contribuindo para a criação de uma espécie de burocracia universitária que desenvolveu dinâmica e interesses próprios não necessariamente concordantes com os da academia.
Serra é burro. Escolheu o + fascistóide dos candidatos.
Agora vocês verão o que é guerra na USP
Esse é o Serra!!!
O cara já fez uma declaração de ser a favor da cobrança de mensalidades na Universidade Pública Brasileira. Se serra mantiver o poder ou até mesmo (cruz credo) ampliá-lo via presidência da república, já era… será o fim dos tempos no nosso pobre país…