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12/11/2009 - 22:53

Serra não escolhe o mais votado para a USP

Atualizado

Por Lima

Serra escolhe 2º colocado em votação para reitor da USP

O professor João Grandino Rodas foi escolhido pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), para o cargo de reitor da USP (Universidade de São Paulo). Segundo apurou a Folha Online, a decisão foi tomada nesta noite pelo político tucano e só deve ser anunciada oficialmente amanhã.

Rodas disputava o cargo com Glaucius Oliva e Armando Corbani Ferraz –ambos receberam apoio extraoficial da atual reitora, Suely Vilela, com quem Serra possui divergências. O escolhido pelo governador foi o segundo mais votado.

Serra tem autonomia para escolher qualquer um dos três candidatos. Mas, tradicionalmente, a escolha recai sobre o primeiro da lista –a última vez que a tradição foi quebrada ocorreu em 1981, quando o então governador Paulo Maluf optou por Antônio Hélio Vieira, quarto de uma lista sextupla feita na época.

João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito recebeu apoio de três ex-reitores (Guerra Filho, Fava de Moraes e Adolpho Melfi) e de ex-ministros (três de Estado, um do Supremo Tribunal Federal e um do Superior Tribunal Militar).

Comentário

Grandino teve um comportamento para lá de polêmico no CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) quando se insurgiu ostensivamente contra o voto de colegas que foram contra a compra da Garoto pela Nestlé – como presidente do órgão, Rodas era a favor. Comportou-se como um advogado, não como juiz, enfraquecendo a imagem do CADE em uma área crucial, do direito econômico.

Por Vinícius

Ao mesmo tempo que a universidade torna-se “figura” de seu tempo, justamente a noção de universidade pública passa por uma “desfiguração”. Para onde caminham as universidades públicas?

Entre a necessidade de gerir transformações e sofrer transformações, a universidade pública mais parece ceder às pressões externas do que reinvertar a si própria conscientemente. As mudanças vão se tornando risíveis; quase tudo permanece. Não agrada, não transforma, não se emancipa.

A universidade pública, como está, não foca. Suas estruturas hierárquicas são retrógradas, a sua acessibilidade é injusta, e sua inserção ao restante da comunidade igualmente aquém.

Dado o descontentamento, estaria a solução respaldada nas bandeiras que afirmam a necessidade de mudança, sob a tutela do progresso, modernização e racionalização?

O fato é que a despolitização generalizada, dentro e fora das universidades, impossibilita a convivência democrática. E se isto for verdadeiro, comprovamos que já se incorporou o totalitarismo oriundo do viés tecnoburocrático e a dinâmica da democracia formal. Ou seja: a universidade pública é um reflexo deste processo; muito mais sofreu transformações do que as proporcionou (foi fundada para formar a elite pensante; depois passou pela democratização do acesso pelos idos dos anos 70, reajustando-se a esta demanda; e nos anos 2000 se fala em flexibilização, quando as agências de fomento orquestram as normas. Rodas seria a figura necessária neste momento?).

O último reitor da USP, capaz de visionar o que se passaria na universidade pública foi o Goldemberg, entre 1986 e 1990. Apontava sempre no horizonte a idéia de mérito como aprofundamento das qualidades uspianas. É uma figura que merece ser resgatada, não pelas suas propostas, mas pela capacidade de antever.

Mas o apelo ao mérito é, no mínimo, problemático. Pois nem sempre o caminho acadêmico se coincide com o caminho intelectual. Uma carreira baseada no mérito tende a uma especialização que, por sua vez, leva à estreiteza científica e à burocratização da dinâmica de pesquisa (quantos papers inúteis já não são publicados todos os dias para fazerem número?).

Todo este preâmbulo ajuda a entender quem é João Grandino Rodas. Por que ele surge em 2009?

Rodas é bem menos astuto do que Goldenberg. Não é um pensador, mas sim um administrador de pulso firme, um liberal e jurista convictos. Dele podemos esperar o protótipo da profetização de Goldenberg, e um capítulo a mais desta desfiguração da universidade pública pela liberalismo dos tempos atuais, em tempos em que ela deve figurar como “marco estratégico” e como “capital intelectual”.

Como sabemos, o liberalismo é a liberdade de ser autoritário. É o apoio à competência que desqualifica qualquer diferença; é o autoritarismo da tecnoburocracia neoliberal que pretende suprimir todas as instâncias críticas do pluralismo.

E tudo em nome da ciência e da democracia.

Vinícius

Aliás, escrevi a mensagem acima (ou abaixo) com base neste email de candidatura do Prof. Rodas nos emails da USP. E minhas críticas e posicionamentos (muito breves e apressados) baseados nos textos do Prof. Franklyn Leopoldo e Silva, ilustre professor aposentado do Dpto de Filosofia.

Mensagem de JOÃO GRANDINO RODAS do Compromisso USP

Nesta última mensagem antes da votação que definirá a lista tríplice para a escolha do próximo Reitor da USP, cumpre-me destacar alguns pontos, por mim defendidos nos últimos meses:

Promover o diálogo amplo, permanente, transparente, sistemático e responsável, entre todos os segmentos da USP, como único meio para a superação das divergências existentes e para assegurar o crescimento da Universidade.

Promover, no início da gestão, reforma universitária, a mais abrangente possível, com ampla participação da comunidade.

Promover a desconcentração de poder dentro da Universidade, valorizando as Unidades (inclusive dotando-as de orçamento para investimento) e favorecendo o exato equilíbrio entre os poderes centrais – reitoria, pró-reitorias e coordenadorias – dentro do princípio de “centralização da supervisão e descentralização das ações”.

Promover a racionalização de serviços, mormente dos jurídicos e de pessoal, para que o direito e a administração sejam aliados e não impedimentos para a realização dos fins da Universidade.

Incentivar as unidades para que revejam, modernizem e atualizem seus cursos de graduação e de pós-graduação, levando em conta as transformações sociais e a experiência internacional.

Incentivar a pesquisa científica de ponta na Universidade, inclusive reservando parcela orçamentária, que possibilite pesquisas em áreas ainda não financiadas pelos órgãos de fomento.

Incentivar as atividades de extensão, como meio de transferir o conhecimento da Universidade para a sociedade.

Utilizar toda a potencialidade que os Museus e os Institutos oferecem à Universidade, dotando-os de todas as condições para tal.

Promover os pressupostos para um ensino de excelência, quais sejam: 1) melhoras, inclusive salariais, para os corpos docente e funcional; bem como o aprofundamento de uma política equânime de permanência de estudantes, de graduação e de pós-graduação; 2) forte ação no sentido de dotar a Universidade de estrutura predial, laboratorial, computacional e de biblioteca.

Promover, quer a modernidade no âmbito da Universidade, quer a absoluta transparência (inclusive por disponibilização na internet) do orçamento, de todos os gastos da Universidade; e de documentos relativos aos colegiados centrais.

Incentivar o diálogo permanente, respeitoso e construtivo, bem como toda a colaboração possível, com os representantes da sociedade e dos vários segmentos da Universidade, incluindo representações estudantis e sindicatos e associações de categorias, como a ADUSP e o SINTUSP.

Exercer, com simplicidade, uma reitoria “colegiada”, aberta, transparente, proativa e voltada para as competências próprias da autarquia; nunca esquecendo que os órgãos centrais constituem-se em meio, para a consecução do objetivo-fim da Universidade – ensino, pesquisa e extensão – de competência das Unidades.

Colocar à disposição da USP, toda uma vida acadêmica e profissional, que ao longo de 39 anos, sempre foi pautada pela decência e pela ética, pelo dever cumprido e pelo coleguismo. Na certeza de que o propósito será bem servir a universidade e não servir-se dela ou utilizá-la para alcançar objetivos externos.

Agradeço a todos os que apoiaram o COMPROMISSO USP, de que sou o representante, aos que leram os comunicados (feitos com base no direito de informar e de ser informado). Por fim, peço o seu voto de confiança, na certeza de que estará escolhendo uma proposta e seu principal executor e não um potentado.

João Grandino Rodas

http://www.grandinorodas.com.br

http://grandinorodas.com.br/blog

http://twitter.com/grandinorodas

Por Vander Fagundes

Recomendo a leitura dos dois textos publicados na Folha de SP em 2007, quando houve o protesto de vários movimentos sociais na faculdade de direito, que culminou com a retirada deles pela PM de madrugada. Um texto é do Diretor da São Francisco e agora reitor da USP, Grandino Rodas, e o outro do então presidente do Centro Acadêmico, membro do Fórum da Esquerda.

http://www.conjur.com.br/2007-ago-26/acao_pm_invasao_faculdade_foi_legitima

http://www.conjur.com.br/2007-ago-28/arcadas_usp_ingressam_filhos_elite

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,

81 comentários para “Serra não escolhe o mais votado para a USP”

  1. Lucas disse:

    Serra é burro. Escolheu o + fascistóide dos candidatos.

    Agora vocês verão o que é guerra na USP

  2. Vivi disse:

    Esse é o Serra!!!

  3. Marujo disse:

    O cara já fez uma declaração de ser a favor da cobrança de mensalidades na Universidade Pública Brasileira. Se serra mantiver o poder ou até mesmo (cruz credo) ampliá-lo via presidência da república, já era… será o fim dos tempos no nosso pobre país…

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