As razões do apagão
Do Último Segundo
Coluna Econômica12/11/2009
Para entender o “apagão” de ontem do sistema elétrico, é necessário um breve retrospecto do significado do sistema elétrico interligado. Um dos grandes feitos da engenharia brasileira foi essa interligação, que permite com que energia que sobre em uma região seja utilizada em outra. Um sistema dessa complexidade não pode parar se algum elo da corrente se rompe. E sempre é possível que um vendaval ou outro acidente geológico derrube uma torre ou alguma linha.
Para prevenir, há todo um conjunto de sistemas de computação que age rapidamente quando ocorre esse tipo de acidente, redirecionando a energia, montando por computador outros fluxos alternativos para que o sistema não pare.
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Luiz Cláudio, comentarista do Blog (www.luisnassif.com.br), relatou sua experiência com um desses Centros de Operação, contratado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema) para ajudar na operação da área Minas Gerais, durante o blecaute de 1999 – resultado de um raio que caiu em uma subestação da CESP no interior de São Paulo.
Após o incidente, foi criado um esquema de proteção chamado ECS (Esquema de Controle do Sistema), que visava instalar pontos de monitoramento em locais (usinas e subestações), que em caso de contingências múltiplas haveria a segregação de cargas, ou separação do sistema em ilhas visando minimizar o efeito cascata.
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Em relação às críticas ao sistema interligado, explica ele:
“Tenho visto muita gente reclamar que devido a uma ocorrência no sul fomos todos atingidos. Acontece que o grande mérito da interligação ocorre todos os dias e já estamos acostumados demais para valorizar, segue alguns exemplos:
-Praticamente todos os dias temos ocorrências com desligamentos de Linhas de Transmissão e demais equipamentos de Geração e Transmissão.
-Outro ponto positivo do sistema interligado é grande estabilidade das grandezas elétricas com tensão e freqüência, garantindo aumento na vida útil dos nossos equipamentos.
Outro ponto importante é que informações iniciais dão conta de contingências múltiplas nesse caso, e que realmente nenhum Sistema Elétrico passa de forma incólume a este tipo de ocorrência.”
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Hoje em dia, o País tem quatro sistemas do setor elétrico – o Centro Nacional de Operação do Sistema (CNOS) e os Centros de Operação Regional do ONS (em Brasília, Recife, Rio de Janeiro e Florianópolis).
Em 10 de outubro passado, o ONS anunciou a contratação um consórcio constituído pela Cepel e pela Siemens para integrar os quatro centros, formando um único, a Rede de Gerenciamento de energia (Reger). Deverá estar pronto em 48 meses.
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Mesmo sem o sistema da Siemens, o modelo atual funciona, é eficiente e não deu conta de uma ocorrência complexa.
O problema maior, apontado pelo deputado José Carlos Aleluia, é que o sistema de computação que gerencia os apagões, na hora dos cortes de energia tem uma visão economicista: privilegia os cortes que menos afetam o caixa das concessionárias.
Foi feito por economistas – diz o deputado – não por engenheiros.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia Tags: apagão, Brasil, cesp, Energia, ONS

Nassif,
Um blogueiro passou a analisar a possibilidade de hacking do sistema elétrico, e o resultado é assustador:
http://blog.hacknroll.com/2009/11/12/a-verdade-sobre-o-apagao/
Embora ele não tenha feito o ataque (apenas mostrado algumas falhas de segurança), e não saibamos o que é possível fazer a partir do acesso a esse sistema, é muito importante analisar isso que ele está denunciando.
Sou desenvolvedor de software, trabalho com essas tecnologias que ele referencia e confirmo, são falhas gravíssimas de segurança.
O título do post dele é equivocado, essa pode não ser “A verdade sobre o apagão”, já que não sabemos o que é possível fazer a partir do site, provavelmente não é por aí, difícil apertar um botão de um portal e desestabilizar o sistema inteiro. Mas vale a pena investigar.
Que tal um PAC da humildade?
A reação do presidente Lula foi de quem levou um choque. “O que fizemos nestes últimos sete anos”, afirmou, “equivale a 30% de tudo o que foi feito nos últimos 123 anos” na área de energia. Exagero. Thomaz Edison alumiou a lâmpada em 1879. Qualquer um hoje investe em energia elétrica mais que há um século. No Brasil, só se e quando houver outra Itaipu e Tucuruí, haverá investimento no setor energético maior que no período Médici e Geisel. De fato, hoje a segurança energética é melhor que em 2001. Mas graças à rede das termelétricas, pois grandes hidrelétricas só há as em construção. E se volta ao problema do blecaute: não foi sucateamento, como diz a oposição, mas também não foi pelo acaso. Foi falta de humildade.
Antonio Machado – CB de hoje
Linhas de transmissão, meu caro.
Os 30 % estão nas linhas…….
Usina de Belo Monte, em licitação em dezembro…. 95 % da geração de Itaipu !
Quando tiver agua, metade do ano não tem fluxo no Rio Xingu.
“….isso ocorre em razão da impossibilidade hoje de construir usinas como Itaipu, com grandes “estoques” de água. Foi isso que reduziu de 1.225 para 516 quilômetros quadrados a área alagada pelo projeto. “O país perde potencial energético, é inevitável. Ou fazemos isso, ou não temos mais hidrelétricas.”
“….a energia firme extraída da usina será de 4.428,1 MW, 39,4% da capacidade total, algo próximo às usinas do Madeira (Jirau e Santo Antônio)…..
As termeletricas tem a função de suprir quando falta energia hídrica (reservatórios baixos, como aconteceu em 2001, e preventivamente foi ligada em janeiro de 2008, para os reservatorios não baixarem a níveis críticos até passar a estiagem).
Mas linhas de transmissão também também traz segurança energética por 2 motivos:
1) Permite transferir parte da energia de regiões com abundância nos reservatórios para regiões onde há estiagem (as chuvas no nordeste são no inverno, e do sul no verão).
2) Cria a redundância. Uma região pode ser abastecida por mais de uma linha de transmissão. Se uma cai, a outra continua funcionando.
Nassif, a respeito do apagão, vc viu o quiprocó entre Globo e Record, ao vivo, envolvendo um secretário do governo? Nunca vi coisa parecida. A inabilidade da assessoria do ministério foi impressionante. A repórter da Record, de uma ingenuidade… E a Globo reinando, ainda. Tudo ao vivo, para o telespectador da Record. Está no youtube.
http://www.youtube.com/watch?v=wo2-3IBQ7vo&feature=player_embedded#
E o apresentador da Record incentivando a repórter a bater boca também foi uma coisa lastimável. Por que a Recordo não esperou a repórter ter o Secretário à sua disposição para depois pôr a matéria ao vivo?
No q pude entender, a repórter da Globo estava segurando o secretário pra entrevista. A Record estava no ar, mas a assessoria de imprensa preferiu dar vez à Globo q demorou pra entrar ao vivo. Depois reclamam de Dança do Siri ao fundo da matéria e intervenções de “Ronaldos”. Nem com repórter esportivo, q são “finíssimos” (vide Ceará e Datena) acontece essas barbaridades; o pessoal se respeita. Essa guerra vai longe…
A resposta é óbvia: porque a Record estava ao vivo! E o secretário esperando, esperando, esperando… para entrar na Globo. Para o telespectador e para o cidadão, não interessa se a informação sai na Globo ou na Record. Quanto antes melhor. Mas o acordo Globo-assessoria foi que a Globo daria primeiro. Então Record, secretário e público ficaram esperando, esperando, esperando… Até a Globo abrir o sinal. E o assessor, grosseiro com a repórter ingênua: primeiro a Globo, primeiro a Globo! A repórter é ingênua, mas a Record, não: queria mostrar como funciona a influência da Globo no dia-a-dia da cobertura, como a rede manda e desmanda e os entrevistados obedecem, porque é a Globo.
Muito bem relatado.
Esta é a nossa Grande Imprensa: “informativa, elucidativa investigativa e que detesta monopólios” – os dos outros somente.
Presidente da Eletrobrás diz que problema deveria ter sido isolado em São Paulo
O presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, disse à Agência Brasil que deveria ter ocorrido o “ilhamento” do problema que originou a falta de luz em 18 estados do país. Segundo ele, houve falha e é preciso investigar o motivo que levou o sistema de segurança a não ser ativado.
“Nós tivemos um problema meteorológico em Itaberá, estado de S.Paulo, que levou à queda das três linhas de 750 Kilovolt (kV), o que significa dizer que perdemos a capacidade de transmitir metade da energia gerada por Itaipu. Deveria ter acontecido o ilhamento do problema para possibilitar o religamento do sistema. Mas como isto não aconteceu, aí o problema se estendeu para as duas linhas de corrente contínua que liga Itaipu a São Paulo. O que é preciso levantar é porque não entrou em operação o sistema chamado ERAT que existe exatamente para levar ao ilhamento”.
O presidente da holding que controla as empresas de energia do governo disse que não houve problema de falta de energia, mas sim uma interrupção temporária nas linhas de transmissão. Para ele, o sistema elétrico está bem dimensionado e os investimentos foram feitos.
Muniz lembrou o fato de que, dentro do planejamento energético elaborado para o país, várias novas usinas, principalmente hidroelétricas de grande capacidade de geração, estão em fase de construção ou de licitação – citando as usinas do Rio Madeira e de Belo Monte, no Pará, que entrá prevista para entrar em operação em 2014 interligando as regiões Norte e Sul e, consequentemente, fortalecendo o sistema elétrico brasileiro. “Com as obras que estão planejadas e sendo executas, nós não temos dúvidas de que vamos atender ao aumento da demanda. O sistema não só está apto a atender ao crescimento, como a população pode ficar tranquila, porque acidentes como este dificilmente voltarão a se repetir”.
“Eu não tenho dúvidas de que o sistema elétrico brasileiro está preparado para atender à demanda de energia por parte da população, como também está preparado para atender ao crescimento econômico do país esperado para os próximos anos. O que houve foi um problema no sistema de transmissão, tanto que restabelecida a operação, o país está funcionando dentro da normalidade do ponto de vista energético desde às 4h da manhã desta terça-feira”.Queriam tanto pôr a culpa no Governo Federal,e esqueceram que a culpa poderia ser do governador paulista.Confirmando, a notícia irá sumir do Jornal Nacional, não teremos mais o biquinho do Willian Bonner, o revoltado.
http://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com/
A ONS e o MME já informaram as causas do black-out. Mas os cavaleiros do apocalipse da grande mídia agora levantam dúvidas sobre a veracidade dos motivos alegados. Apareceu até um técnico do Inpe, a quem tem sido dado grande destaque, dizendo que não houve raios em Itaberá (quando há relatos de moradores da localidade confirmando as chuvas e raios e falando de um estrondo na sub-estação).
Se ficar demonstrado que o tal “apagão” foi obra dos paulistas (serristas?), sabe-se bem com que finalidade, a imprensa vai desacreditar qualquer prova que venha a ser apresentada e dizer que o governo é que está politizando a questão por motivos eleitoreiros. Mais ou menos como fizeram no caso do tal “dossiê dos aloprados”, que para o JN foi coisa mais relevante que a queda do avião da Gol.
Nassif, eu que não sou jornalista achei isso facilmente no site do ONS:
http://www.ons.org.br/conheca_sistema/resumo_operacao.aspx
Ou seja. Intempéries interomperam de maneira semelhante a linha de Itaipu em janeiro e outubro de 2008 (duas vezes), o Sistema integrado segurou as pontas sem sofrer nenhum efeito dominó.
Em 2008 o sistema suportou cerca de 500 ocorrências, e o bom desempenho dos sistemas de controle, incluindo os PSSs (???) e sinais adicionais estabilizantes, garantiram a segurança operativa do sistema nessas circunstâncias.
Ou seja, fazendo uma analogia, o sistema integrado tem seu “goleiro”, que defendeu uns 500 penaltis no ano passado, sabe-se lá quantos este ano, e dessa vez uma cobrança muito bem batida entrou.
Esse texto foi mais esclarecedor do que a opinião de dezenas de especialistas. Parece realmente que o sistema brasileiro é bom e robusto, e adequado tecnologicamente. Tem suas vulnerabilidades inerentes ao estagio atual da tecnologia mundial, mas nada tem a ver com as críticas de falta de gestão, nem falta de investimentos, nem com a economicidade do Aleluia.
Como meu post levantou alguns novos posts interessantes volto a escrever.
Primeiro, esta questão não tem que ser politizada, o apagão o blackout, o raio que partiu , não é um problema de meia dúzia de políticos procupados com índices de popularidade e eleições, e sim um problema que atingiu 18 estados, milhões de pessoas, cidades, comércios, hospitais, etc……
Não temos que comparar esse acontecimento com o de FHC que foi a 7 anos atrás!!!! quem vive de passado é museu, porque o governo Lula tem essa síndrome com oFHC…..???
Vamos pensar no presente e o cidadão tem o direito se saber o que será de nosso futuro!!! Nós pagamos impostos altíssimos para sermos tratados como ignorantes!!!!
O porque de cobrar um nota , um esclarecimento da nossa Dilma é porque, sim ela foi a Ministra das Minas e Energia nos últimos anos, sim é ela quem manda no setor, esse ministro Lobão não passa de um fantoche do Sarney, e dúvido que tenha força de peitar a Dilma, portanto, sim é ela quem das as cartas no setor!!!
Se ela é Ministra da Casa Civil, o que estava fazendo vistoriando obras no São Francisco?? Por que ela que vai divulgar os índices de desmatamento e não o Ministro do Meio Ambiente???
Por que ela despareceu???
Semana passada ela deu uma declaração que não teríamos apagão!!!!
Que ela venha a público, como Ministra e candidata e nos diga qual é a solução do problema, e seu plano para o futuro da energia do Brasil!
Como eleitor, cidadão que paga impostos em dia para ela viajar em campanha, eu tenho o direito de cobrar e saber!!!!
Volto a frisar, esse debate não pode ser político, é de interesse nacional e de todos!!!!
Engraçado, senhor ou senhora “chd”, diz que não se pode politizar o assunto … Por que então destila tanto ódio e tenta desqualificar a Ministra Dilma??? POr que tbm não questiona o que ocorreu em São Paulo?? Mas, um tucano se achyando inteligente ….
Passadas quase 48 hs do apagão ,ainda não se tem uma causa clara para a ocorrência. Isto é extremamente anormal para um evento destas proporções, onde equipes bem treinadas estão acostumadas a lidar com fenômenos bem piores do que as condições apresentadas neste ultimo blackout.
Com a passagem do tempo e a dificuldade de se apontar uma causa, a hipótese da SABOTAGEM ganha corpo.
Um raio em Mogi pode ter agravado a instabilidade do sistema. Isso se não foi o responsável.
http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=20&id=237264
http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2009/11/12/apagao+raio+em+mogi+tambem+sera+investigado+9079002.html
Antes q algum conhecido delate, não fui eu! Estava em Bauru em 1999, Mogi é minha cidade natal, mas estava num curso em São Paulo quando aconteceu. Ainda vou conversar com amigos de lá q trabalharam em Furnas pra saber o q houve. A subestação de Tijuco Preto é a última desse trajeto de Furnas e fica próxima a alguns familiares. interessante q liguei pra minha mãe pouco antes da meia-noite e naquele momento a luz havia retornado. Não sei se foi temporário, mas se restabelecer a energia em Mogi, São Paulo viria na sequência, certo?
Raios e ventania? Huuuuum! Ninguém me convence de que aquilo não foi SABOTAGEM. Depois de tantas tentativas de golpe contra o governo LULA, qualquer coisa será encarada com armação da cambada neoliberal. Temos também o direito de suspeitar deles, os “neos”, ou não temos?
Que coisa heim, pode ser tambem a KGB e o Serviço Secreto da Romenia.
As Organizações Globo, acompanhada pela grande mídia, vêm insistindo em fixar na mente da população que o blecaute ocorrido na última segunda-feira se iguala ao ocorrido no governo Fernando Henrique Cardoso quando, de fato, houve um problema sério conhecido como apagão obrigando os brasileiros a um racionamento por oito meses em razão da escassez de energia e deficiência na transmissão. Além do que os brasileiros foram obrigados a um desembolso para pagar pela ineficiência.
Além de não explicar as diferenças, as empresas dos Marinho se esmeram em confundir o leitor.
A palavra “apagão” vem sendo usada abundantemente de modo a forçar a ligação com o verdadeiro apagão ocorrido no governo FHC.
Essa estratégia pode ser constatada em quase todas as matérias sobre o assunto, como exemplo, na capa do Globo online desta quinta, 12/09:
“Dilma: Não estamos livres de apagão, mas racionamento é barbeiragem”
O Globo online não coloca a citação da ministra entre aspas insistindo em colocar a palavra “apagão” na boca da ministra, quando na verdade ela usou o termo “blecaute”.
Quando se clica para ir à matéria, um novo texto surge:
“Apagão: Dilma admite que ninguém está livre de blecaute, mas diz que racionamento é barbeiragem”
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/11/12/apagao-dilma-admite-que-ninguem-esta-livre-de-blecaute-mas-diz-que-racionamento-barbeiragem-914725105.asp
Ou seja, nos dois casos a palavra apagão aparece. Na primeira uma distorção flagrante da fala da ministra e na segunda uma tentativa de colocar a ministra como ré confessa: “…Dilma admite…”, sem no entanto, esquecer de colocar a palavra mágica “apagão” antes da referencia (ruim) à fala da ministra.
Para as pessoas que estão acostumadas com as manipulação e as distorções com que as Organizações Globo corriqueiramente tratam os fatos e por conseguinte os leitores, por vezes, nem se dão ao trabalho de expor sua indignação. Também, porque teriam que a todo instante fazê-lo.
Convém, no entanto, não permitir que esse massacre arrefeça os ânimos de quem não concorda com esse jogo rasteiro.
Obs: acabo de constatar que o Globo online alterou a manchete para:
“Dilma admite que país não está livre de blecautes”
Na Globonews não vi confusão alguma. Estão cobrindo o blecaute com todos as informações disponiveis. Hoje no programa Entre Aspas, apresentado por Monica Waldbogel, o debate foi com Luis Pinguelli Rosa e Ildo Sauer, técnicos de primeira linha e insuspeitos de serem neoliberais, muito ao contrario. Os dois se manifestaram sobre o blecaute como tendo a indicação de ser um problema de gestão, que pode vir da operação ou da manutenção, de raio ou intemperie nem se cogita, não há essa hipotese.
Não vejo qual a necessidade de se atacar a Globo como se ela fosse culpada pelo blecaute. Parece uma fixação, é uma rede de TV, não é parte do problema.
Lembro de um bate-papo de botequim com um amigo que era engenheiro eletricista na Açominas (Ouro Branco-MG). Bem no início dos anos noventa, o amigo se encontrava impressionado com uma palestra que assistira do Paulino Cícero, que foi à siderúrgica especialmente para falar sobre energia elétrica.
Pois Paulino Cícero falou sobre o futuro sombrio do setor energético brasileiro – haja vista os pífios investimentos que se fazia na época. Na ocasião, Paulino Cícero teria dito que, num cenário pessimista, se o Brasil crescesse pouco, ao final dos anos noventa o país iria enfrentar um sério problema energético; e se o Brasil crescesse bastante, haveria um colapso energético já em meados dos anos noventa. Portanto, urgia no início dos anos noventa um investimento pesado no setor energético.
Obviamente, na época da palestra Paulino Cícero nem sonhava que viria a se tornar Ministro das Minas e Energia no governo de Itamar Franco. E já na condição de minstro, Paulino Cícero convenceu o então presidente Itamar sobre a importância de dar curso ao acordo (iniciado por Collor) do gasoduto Bolívia-Brasil; e também teria convencido o presidente sobre a importância de se assumir o polêmico e caro em Angra 2, travando aí uma dura batalha com o TCU.
Enfim, dá para perceber que os chamados “apagões” de 1999 e 2002 não se deram por um “fator surpresa”, ou, por falta de alertas dos especialistas no setor energético.
Um dia conto minha história com o Paulino e o José Luiz Alqueres, o golpe que deram com ações da Eletrobras, entregando quase de graça para o Bozzano Simonsen.