iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
10/11/2009 - 14:00

19 da morte de Schenberg

Por Flavio Leme

Caro Nassif

Hoje faz 19 anos que o saudoso e genial Prof. Mario Schenberg partiu.

Um dos mais renomados e importantes cientistas brasileiros, uniu uma carreira academica genial com um posicionamento politico forte e critico. Sem duvida, um homem que viveu muito a frente de seu tempo!

Comentário

Não é conta redonda. Mas é uma boa desculpa para levantarmos aspectos da vida extraordinários dos vários Mários Schenbergs.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Ver todas as notas

15 comentários para “19 da morte de Schenberg”

  1. francisco napoli disse:

    Não tenho certeza se o Prof. Mário Schenberg era a pessoa de quem estou me lembrando. Se for, era um Sr. com uma vasta cabeleira branca e em um programa de tv que vi, ele fez uma comparação dos gastos do governo com o tratamento das moléstias derivadas do fumo, com o valor da arrecadação dos tributos sobre os cigarros. Aqueles superavam os gastos com os tratamentos dos hospitais públicos. Esse fato me impressionou. Assisti a outros programas com esse Sr. que era muito claro nas explicações como devem ser os bons professores.

    • Eduardo CPQ disse:

      Francisco,

      se falava com os olhos semi-cerrados, cara quadrada, era ele mesmo!

      nos tempos de estudante, dava para perceber uma grande admiração do meio acadêmico por ele.

      Abraço.

  2. luiz otávio disse:

    existe um belo documentário em curta-metragem que presta uma bela homenagem à obra e à vida de Mario Schenberg
    Schenberguianas, de Sérgio Oliveira e William Capela, lançado em 2006.

  3. Helder-PE disse:

    O Schenberg não morreu em 1990!? Faz 19 anos, portanto.

  4. Jura disse:

    “E como já estou no fim de minha carreira, há um conselho que dou a vocês: não tenham medo. Porque se tiverem medo, nunca poderão criar nada de original. É preciso que não tenham medo de dizer alguma coisa que possa ser considerada como um erro. Porque tudo que é novo aparece aos olhos antigos como coisa errada. É sempre nessa violação do que é considerado certo que nasce o novo e há a criação.”
    http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1007.html

    Schemberg conheceu Gamov nos EUA. Gamov falou para ele tomar cuidado com a universidade americana, que para ele era muito ruim.

    Mesmo assim tá cheio de professor na USP querendo que a universidade se equipare às americanas. Nas ciências exatas talvez pudesse ser bom, mas nas humanas, duvido.

    O pernambucano Schemberg é considerado por muitos o maior físico brasileiro. Teve uma atuação política intensa na universidade, sem nunca se envolver em conflitos com seus alunos. Os grandes não precisam disso.
    ………………………………………………………………………………………………..
    “Schenberg publicou trabalhos nas áreas de termodinâmica, mecânica quântica, mecânica estatística, relatividade, astrofísica e matemática. Trabalhou com José Leite Lopes e César Lattes e foi assistente do físico ucraniano naturalizado italiano Gleb Wataghin. Colaborou com o físico russo naturalizado americano George Gamow e com o astrofísico indiano Subramanyan Chandrasekhar.

    Schenberg teve ativa participação política, tendo sido eleito duas vezes deputado estadual por São Paulo. Em função de suas ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi cassado e preso mais de uma vez pela ditadura militar brasileira.

    Schenberg tinha grande interesse em artes plásticas, tendo convivido com importantes artistas brasileiros como Di Cavalcanti, Lasar Segall, José Pancetti e Cândido Portinari, e também estrangeiros, como Bruno Giorgi, Marc Chagall e Pablo Picasso. Atuou também como crítico de arte, escrevendo diversos artigos sobre artistas contemporâneos brasileiros como Alfredo Volpi, Lygia Clark e Hélio Oiticica.”

    http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Schenberg

  5. Anonimo dos Santos disse:

    Fui aluno dele no seu último curso de “Evolução dos Conceitos da Física”, no IF-USP, em 1984. Gênio incomparável, de um bom humor venerando. A turma tinha 30 alunos, mas cada aula dele enchia um auditório de 300 pessoas… cada um de nós, dos 19 anos 69 anos, não saímos de lá sem aprender algo de novo e supreendente a cada aula que suportávamos seus charutos intragáveis… O velho era um símbolo!

    Que saudade, velho professor, já se vão19 anos…

  6. Gustavo Cherubine disse:

    Ele é o autor da lei que criou a FAPESP.
    Foi deputado constituinte e fixou o 1%.

    Grande ser humano.

    Ótima lembrança e excelentes comentários.

    Abraço geral

  7. Fernando Trindade disse:

    Entre os vários Schenberg havia o companheiro de discussões filosóficas de Jorge Mautner ,o que tem tudo a ver com o artigo do Zé Celso mais acima.

  8. Gerson disse:

    Gilberto Gil à respeito da música “Oração pela Libertação da África do Sul”:

    De encomenda – “Oração pela Libertação da África do Sul foi feita para atender a um pedido explícito do físico Mário Schenberg, que queria uma música para, sobre a África do Sul. Eu ainda disse: ‘Nós temos feito protestos, manifestações, assinado manifestos contra o apartheid e tal’. E ele: ‘Mas não é suficiente; é preciso uma canção’. Fiz a canção e a dediquei a ele.”

    Segue a canção:
    http://www.youtube.com/watch?v=Vf_Kna-ehZs

  9. Gerson disse:

    Nassif são 19 anos e não 29 como no título

    Segue resumo da biografia.

    http://www.eca.usp.br/nucleos/cms/index.php/Biografia/cronologia.html

  10. Gustavo Cherubine disse:

    Ele sabia do papel da política.

    http://www.cbpf.br/~martin/CAMS/Mario/politico.htm

    O político Mário Schenberg
    Mário Schenberg foi deputado estadual por duas vezes pelo Estado de São Paulo. Em 1945 foi eleito deputado para a Constituinte do ano seguinte pelo Partido Comunista. Na Assembléia Constituinte, Schenberg foi autor da lei que instituiu o curso noturno nas universidades e também daquela que criou a Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, além de começar a campanha “o petróleo é nosso” em São Paulo. Em 1947, devido as suas posições políticas, foi preso e teve seu mandato cassado. Eleito novamente deputado estadual em 1962, pelo Partido Trabalhista Brasileiro, foi impedido pelo Tribunal Eleitoral de ter seu diploma registrado.
    Em 1964, uma semana após o golpe militar, Mário Schenberg foi preso e colocado em liberdade apenas dois meses depois. Após sua libertação, vários processos foram movidos contra ele, até que conseguiram decretar sua prisão preventiva. Manteve-se escondido por cinco meses, ao fim dos quais se entregou. Mais tarde foi absolvido. O fato, porém, teve repercussão internacional, principalmente por ter coincidido com um convite para participar de um congresso científico no Japão (Congresso Internacional de Partículas Elementares). Em 1969, com a decretação do Ato Institucional Número 5, foi afastado por aposentadoria compulsória e proibido, inclusive, de freqüentar o campus universitário.
    “E certas coisas não devem ser perdoadas”
    por Mário Schenberg
    “Não está muito fácil para mim falar, porque eu estou muito comovido com as palavras que já ouvi aqui e que muitas delas me surpreenderam realmente. Porque eu sinto que muitas idéias eram reparações a injustiças que tinham sido cometidas. Não digo pelos próprios professores em questão, mas pelo sistema todo. De modo que esta data aqui é uma data que eu reputo muito interessante, porque é uma espécie de mea culpa das pessoas que tanto prejudicaram o desenvolvimento científico do Brasil. Não quero dizer com isso que entre estes não tenha havido muitos que fizeram muito pela ciência no Brasil. Mas eu acho que o lapso negativo ainda não foi de todo dissipado.
    (…)

  11. MFPN disse:

    Mário Schenberg também escreveu o prefácio da edição brasileira de “O Tao da Física”, de Fritjof Capra.

  12. Urariano Mota disse:

    Da bela entrevista do gênio, aos 70 anos, em http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis/txt.php?id=71

    “A vida não se separa em ciência, atividade política, atividade filosófica: a vida é uma coisa só, naturalmente marcada pela personalidade da pessoa, que se manifesta em tudo o que faz. Eu tenho tendência a ter uma personalidade intuitiva. Quando a gente se prepara muito, deixa de ser verdadeiro consigo mesmo, fica meio fingido, e dificulta o contato com as outras pessoas. Uma aula muito bem preparada, escrita, completa, é uma aula ruim, porque é uma coisa morta, não tem a vivacidade do que está sendo criado no momento em que se diz. O principal não é transmitir aos alunos um grande cabedal de conhecimentos, mas comunicar certos pontos de vista. Sempre me guiei por isso, pela sinceridade em tudo o que se fizer, não ser pedante, não ter excessivas preocupações lógicas e com a coerência. Para muitos parece desorganizado, mas acho que essa maneira de agir penetra mais no espírito do aluno que as aulas muito bem preparadas. Muitas vezes uma aula difícil faz o aluno pensar e pode lhe sugerir algo até anos depois.
    Este amor à informalidade não é tão original. O famoso matemático e físico alemão Herman Weil dizia ter aprendido mais matemática conversando com David Hilbert, o maior matemático de seu tempo, durante os passeios que faziam pelos bosques, do que nas salas de aula, em Gottingen. Aliás, a primeira pessoa que teve forte influência sobre mim, o professor Luís Freire, da Escola de Engenharia do Recife, pai do senador Marcos Freire, também me ensinou muito desse modo, nas conversas informais em sua casa…

    Fui para Washington onde estava Gamow, que eu já conhecia do Brasil. Gamow estava interessado em elucidar a possibilidade de colapso das supernovas. Poucos dias depois de ter chegado a Washington, comecei a estudar os cálculos de mecânica estatística e vi que não levavam em conta a existência do neutrino. A idéia da existência do neutrino era recente, tinha sido sugerida por Pauli e por Fermi. A energia era consumida no centro das estrelas com a emissão de neutrinos, e se dava com uma rapidez tão grande quanto a do desaparecimento do dinheiro na mesa de roleta do cassino da Urca. Daí Gamow ter chamado o fenômeno de processo Urca…

    Eu não me guio muito pelo raciocínio. O raciocínio é importante para provar as coisas, mas é a intuição que mostra a solução dos problemas.
    Acredito que nem sempre se pode ver as coisas com clareza. Há coisas que, por sua própria natureza, não podem ser vistas com muita clareza. São coisas crepusculares, e se quiser vê-las com clareza elas somem. E têm que ser vistas mesmo assim.
    Não me imponho barreiras desnecessárias. As pessoas se autocensuram. Eu não. Mas é claro que não digo tudo que penso, não sou besta. Não me censuro, mas nem sempre falo dos resultados a que cheguei. A maior parte das pessoas tem medo, medo das coisas invisíveis. Eu tenho medo dos perigos visíveis. Talvez por isso eu não seja muito crédulo.”

  13. Hermeneuta disse:

    Uma pessoa com enorme sensibilidade científica, social, política e artística, integrando tudo isso, um construtor de grandes narrativas humanas. Exatamente o oposto de um pós-moderno.

Voltar ao topo