Serviços públicos nas grandes cidades
Por evandro condé
Nassif, já que comentou sobre a urbanização crescente-veja crítica à entrevista do Guilherme Motta-, vejamos ( a referência é BH, onde moro):
A cidade foi planejada para um número de habitantes e obviamente cresceu alem do planejado. Até aí nada de anormal. Mas o problema maior é que as autoridades competentes ( aqui no sentido de a quem compete) ao longo de décadas esqueceram(?) que haveria necessidade de mais escolas e mais hospitais-analisando apenas estes dois itens fundamentais.
Com o inchaço urbano, onde estão as escolas que o estado deveria construir? Não tenho os dados, mas fica a questão: o ensino público teria capacidade de atender a todos? Acredito que não; então por que cargas d’água não no IR não temos direito de abater o gasto integral? E o que pode ser pior, não está havendo espaços para criação de novas. As leis de uso e ocupação de solo permite que se adense absurdamente as cidades, esquecendo-se que há serviços que o estado tem de prover mas não reserva espaço para tal. E tome pai levando menino à escola e tome van circulando muito mais que o necessário.
Quanto a hospitais o problema parece mais sério-pela urgência. Nossa população não só aumenta como com maior sobrevida. Como cresceu a rede hospitalar? Sei que a rede particular encontra-se já no limite, e haja grana e espaço-vejam se novos loteamentos reservam espaço- e quem esteja disposto a investir(se formos considerar escola e hospital como investimentos). Sei que a questão do atendimento público de saúde não anda bem das pernas pelo mundo afora, mas em qual sentido que estamos indo?
O Mendonção comentou sobre problemas de infraestrutura que o governo Lula (os anteriores a reboque) tem relegado, e, embora haja o discurso que oito anos é pouco para décadas de descaso, parece-me que recaímos no discurso que no futuro a vida será melhor. A discussão está centrado no que consegue-se comprar e não como consegue-se viver.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Gestão Pública Tags: Belo Horizonte, metrópole, região metropolitana, serviços públicos

Há um caso muito interessante na história de BH que serve de exemplo para o planejamento de uma cidade ou região.
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O que vou contar é mais do que verdadeiro….mas pode ter uma ou outra imperfeição.
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Pois bem…lá pelos idos de 1970….BH era uma das capitais brasileiras menos industrializadas.
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Estava “atrasada” nesse aspecto em relação a Recife e Salvador…
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Os políticos resolveram agir para contornar a situação.
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Bolaram um plano que recebeu o nome de PLANBEL – Plano de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
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Nesse contexto a Fiat foi atraída para a região e formou-se um cinturão de fornecedores de autopeças em Betim.
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Houve um crescimento acelarado da região e da capital mineira….
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O tal PLANBEL foi parcialmente bem sucedido.
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Parcialmente porque o que ocorreu logo em seguida foi uma das maiores tragédias urbanas que se tem notícia no país.
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Sem mais nem menos…em determinado momento o tal Planbel foi abandonado.
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As milhares de famílias que vieram para a região atraídas pelas possibilidades de emprego e de uma vida melhor..
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Foram completamente abandonadas no decorrer desse processo de desenvolvimento da região.
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Resultado: a formação de verdadeiros bolsões de miséria na região metropolitanta da capital.
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As cidades com os piores índices de desenvolvimento na região nasceram dessa forma. Sao Ibirité e Ribeirão das Neves.
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Enquanto o planejamento administrativo criou uma cidade altamente industrializada e rica (Betim), a ausência dele criou outras extremamente pobres.
O Governo do Município de Belo Horizonte, anunciou um plano estratégico NO QUAL O GOVERNO FEDERAL E ESTADUAL AGEM E O MUNICIPAL LEVA OS LOUROS.
BH, sem mover uma palha, CRIARÁ UM IDH MELHOR.
Assim, qualquer um.
O PLANO ESTRATÉGICO DE BH tem A META SÍNTESE aumentar o IDH PARA 0,900. Em 2000 era 0,839.
http://www.pnud.org.br/publicacoes/atlas_bh/index.php
http://www.pnud.org.br/publicacoes/atlas_bh/release_renda.pdf
http://www.pnud.org.br/atlas/ranking/IDH-M%2091%2000%20Ranking%20decrescente%20(pelos%20dados%20de%202000).htm
No entanto, o IDH é composto pela média ponderada de índices de RENDA (0,828) , EDUCAÇÃO (0,929) e LONGEVIDADE (0,759).
Melhorar a RENDA e a LONGEVIDADE são os fatores MAIS capazes de fazer o índice aumentar.
A RENDA DEPENDE DE FATORES DESVINCULADOS DA GESTÃO MUNICIPAL;
A LONGEVIDADE TEM ALGUMA INFLUÊNCIA DA GESTÃO MUNICIPAL, mas a repulsão da população mais pobre traz imediata melhora no índice de longevidade. Ademais, a redução da criminalidade (COMPETÊNCIA DO GOVERNO ESTADUAL) influi substancialmente na elevação deste índice.
EM MEU ENTENDER, O PLANO ESTRATÉGICO DE BH É UM GRANDE PROCESSO DE MARKETING.
Veja bem, se considerarmos:
1 – O Brasil tende a ser a 5ª economia mundial até 2020 (em dólar) e que para isto acontecer só há uma perspectiva doravante: crescer, crescer e crescer;
2 – O GOVERNO FEDERAL é que detém as políticas econômica, fiscal ou monetária suficientemente abrangentes e fortes para alavancar a RENDA PER CAPITA em cidades de grande porte como BH;
3 – A receita própria do governo municipal é muito pequena para exercer uma influência de modo a alavancar a RENDA PER CAPITA;
4 – O território de BH é pequeno e consequentemente cria FATORES DESVINCULADOS DA GESTÃO MUNICIPAL que AUMENTAM A RENDA PER CAPITA: manutenção de uma população eminentemente mais rica (AUMENTANDO A RENDA PER CAPITA) mediante a repulsão da população pobre (mais numerosa) para cidades circunvizinhas, seja por meio da valorização imobiliária que encarece os imóveis, seja pelo incentivo com transporte subsidiado, ou ainda pela eliminação de aglomerados;
Um exemplo:
a proporção de pobres variava de:
14,2% em Belo Horizonte
50,3% em …. em Betim.
3. POBREZA
A pobreza na RMBH, quando medida pela proporção de pobres, não é das mais elevadas no Brasil ou no estado. Em 2000, essa proporção era de 20% na RMBH, 33% no Brasil e 30% em Minas Gerais. Entre os municípios brasileiros, variava de 2,9% em São Caetano do Sul (SP) a 93% em Beláqua (MA) e, entre os municípios mineiros, de 9% em Poços de Caldas a 85% em Monte Formoso (GRÁFICO 7).
As disparidades entre os municípios e as UDHS da RMBH são menores, embora grandes. Assim, a proporção de pobres variava de 14,2% em Belo Horizonte a 46,4% em Nova União e de 0,2% no Belvedere/Mangabeiras/Comiteco (BH) a 50,3% em São Salvador/SãoJorge/JardimPaulista e Vianópolis/Marimbá/Santo Afonso/Citrolândia (ambas em Betim)
Fonte: http://www.pnud.org.br/publicacoes/atlas_bh/release_renda.pdf
Nota: Territorialmente, BH é um dos menores municípios da RMBH.
Ahh menino bão…andou estudando né…?
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Resolveu aparecer com números e tudo o mais…
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Então tá…cê me dá só um tempinho resolver isso aí…
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Esse tópico vai embora mas eu vou voltar…
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Até amanhã eu lhe dou a resposta..
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Grande abraço!
Infelizmente não terei o tempo que gostaria para lhe responder.
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O principal defeito de sua avaliação é desconsiderar o que o prefeito de uma grande cidade pode fazer pelo município.
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Vc dispõe seus argumentos de uma forma que as responsabilidades dos entes federativos são muito estanques…muito autônomos.
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O crescimento do país é resultado da competência do governo federal…?
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Então o município não tem nada a ver com isso.
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A segurança é uma responsabilidade do estado…?
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Então o município não tem nada a ver com isso…
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Discordo dessa visão.
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BH não é um cluster de biotecnologia (o maior do país) porque o governo federal quis.
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Mas porque lá atrás pesquisadores e prefeitura (Patrus) viabilizaram o início do mercado.
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Já lhe disse sobre o BH Tec….que está em construção.
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Hoje e amanhã ele agregará muito pouco no aumento da renda per capita..
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Mas em longo prazo tem potencial para reverter a decadência econômica da cidade..
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Isso vc desconsidera totalmente.
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Só mais um detalhe:
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Da maneira que vc diz….o governo federal faz a economia brasileira crescer…
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Mas nesse mesmo sentido o crescimento brasileiro decorre do crescimento da economia mundial.
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Logo….e segundo o seu raciocínio…os gringos seriam os responsáveis pelos avanços..
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E não o governo do Lula…
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Até a próxima.
Caro Chico Pedro,
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você realmente pensa que eu sou um “menino bão” ?
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Talvez eu seja até um pouco mais idoso que você.
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Diversamente de bão, penso um pouco além do maniqueísmo, de bom e de mal, haja vista que não viso o bom ou mal.
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Quanto ao estudar, estou por completar meu segundo curso superior. Mas os números, os inseri no comentário em razão de muitas pessoas somente crerem mais em números que em argumentos.
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Por fim, lembra da história de Saulo e de Paulo ?
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Pois é… Você é um excelente candidato a Paulo.
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Meus Sinceros Votos de felicidades !
Nassif, só para completar, e quem sabe ajudar um pouco, Acessando o portal da prefeitura de BH fui ver quantas escolas municipais existem no perímetro da Av. do Contorno (áea mais densamente povoada): apenas tres.
Atenção, naõ fiz nenhum estudo como a população está distribuída, quem sabe no censo 2010.
Não que resolva o problema, mas na mesma área que você citou há várias escolas estaduais.
Fiquei com preguiça de procurar qual estava onde, mas não se esequeça que enquanto uma atua no ensino fundamental outra no ensino médio.
E escolas particulares deve haver umas duzentas…
chamar bh de cidade planejada não é piada de mau gosto? se suas ruas tivessem sido determinadas por vacas no pasto (e em mg há muitas) a cidade não teria tanta ladeira. quem chega em bh de avião se assusta, qdo em terra, pelo infindável tobogã. isto sem falar nos incríveis cruzamentos com mais de duas ruas. aliás, seria necessário um novo nome para este fenômeno. sem dúvida, este é o país onde o niemeyer é arquiteto.