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09/11/2009 - 13:45

O mercado não pode ditar o câmbio

Por Roberto São Paulo/SP

Entrevista: “Não deixem mercado ditar o câmbio”

09/11 – 12:17 – Agência Estado/Último Segundo do iG

Para Michael Spence, Prêmio Nobel de Economia, o Brasil não deveria deixar os mercados, “como o seu histórico recente de fazer tudo errado”, determinar livremente o valor do real. Ele defende mecanismos de controle de entradas de capital para evitar a sobrevalorização cambial.

Spence, que ganhou seu Nobel em 2001, junto com Joseph Stiglitz e George Akerlof, está à frente da chamada Comissão do Crescimento (Growth Commission), um painel de economistas do mundo todo (incluindo o brasileiro Edmar Bacha) que elaborou um relatório de recomendações para países emergentes sobre como obter o crescimento rápido e sustentado por longos períodos.

O relatório foi divulgado em junho de 2008, logo antes da crise, e foi visto como uma versão flexibilizada do Consenso de Washington, combinando crença nos mercados com maior destaque ao papel do Estado.

Agora, a Comissão acaba de divulgar um novo documento, que atualiza o relatório à luz das lições da crise global.

O novo relatório recomenda que os países emergentes garantam parte do mercado financeiro para as instituições nacionais, e que sejam restritivos em relação aos produtos financeiros complexos que deflagraram a crise no mundo desenvolvido. A seguir, a entrevista:

Como o sr. vê a questão da sobrevalorização cambial em alguns países, como o Brasil, na saída da crise?

Todos os países em desenvolvimento que tiveram alto crescimento, sustentado por um longo período, administraram as suas moedas em alguma medida.

Especialmente num ambiente volátil como o atual, faz todo o sentido fazer algum julgamento sobre quais são os níveis razoáveis.

É claro que se pode exagerar, mas não acho que a coisa mais sensata a se fazer seja apenas ficar sentado e deixar os mercados de capitais, com o seu histórico recente de fazer tudo errado, valorizarem a sua moeda.

Há várias formas de se intervir: pode-se tributar os fluxos de capital, com taxas que caiam se o dinheiro permanecer algum tempo, e pode-se aumentar as reservas e investir no exterior, invertendo o fluxo de capitais, como a China faz…………….

………..E o que há de ruim na valorização?

Basicamente, reduz-se o crescimento. No caso brasileiro, acho que um dos maiores desafios é manter os recentes avanços no mercado de trabalho para pessoas que são pobres. Uma boa parte do crescimento dos países em desenvolvimento deriva de empregar em melhores postos de trabalho pessoas que estão em atividades de produtividade muito baixa.

Num país com a renda do Brasil, boa parte disso se dá em setores que atendem o mercado doméstico, mas o setor exportador ainda é suficientemente importante para que se deva tomar cuidado com oscilações muito fortes da moeda.

Porque, se os investidores tiverem a sensação de que o câmbio é muito volátil, adiciona-se mais um risco e se desincentiva o investimento……………………….

Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags:

11 comentários para “O mercado não pode ditar o câmbio”

  1. Romanelli disse:

    Nem tanto ao mar…
    .
    UM PARALELO
    .
    Ontem vi o pessoal da CNA pedir SUBSÌDIOS pra agricultura ..pois as economias desenvolvidas tb o praticam ..hum, e a conta e distorção disso?
    .
    Acho que não é bem assim, desequilíbrios sempre existiram, os de hoje precisam ser administrados
    .
    ..tal qual o subsídio desleal, não da tb pro cambio ficar só a cargo de uma política de Estado ..veja o que a força da China tem causado ao planeta?
    .
    O MAIOR problema é que a MOEDA paradigma esta em frangalhos ..hoje o dólar é dinheiro fácil que ninguém mais aguenta, ou é caro (em risco inclusive) de carregar
    .
    No nosso caso por exemplo, EVIDENTE que não devemos partir pra ARTIFICIALISMO, correndo o risco de gerarmos outros tantos desequilíbrios ..por outro lado tb não dá pra praticar JUROS GIGANTES frente a outras economias e a conjuntura …e nos fingirmos de morto, fingirmos que não temos nada a ver com isso ..com o que esta nos acontecendo (R$ a 1,70)

  2. foo disse:

    “Há várias formas de se intervir: pode-se tributar os fluxos de capital, com taxas que caiam se o dinheiro permanecer algum tempo, e pode-se aumentar as reservas e investir no exterior, invertendo o fluxo de capitais, como a China faz…………….”

    O aumento de tributacao dos fluxos de capitais e’ uma medida acertada.

    Em primeiro lugar porque cria um atrito contra o capital puramente especulativo: 2% e’ um custo alto para investimentos de curto prazo.

    Mas, principalmente, porque cria um ciclo virtuoso: quanto mais capital entrar no pais, maiores as nossas reservas — o que permite aumentar os investimentos publicos.

    Com o mercado “comprando o Brasil”, a alta do real passa a se tornar um fator positivo: investidores precisam pagar mais caro por uma fatia do bolo; e o Governo, com mais dolares, pode investir mais para acelerar a economia.

  3. foo disse:

    Uma outra medida que pode ajudar a controlar o cambio e’ a emissao de titulos de longo prazo.

    O real e’ um bem escasso e valorizado. As perspectivas para o futuro sao boas, e o mercado e’ comprador. (De fato, o mercado esta’ num momento de fuga do dolar — o real parece um bom investimento.)

    O dinheiro captado com a emissao de titulos pode ser mais uma alavanca para o crescimento.

  4. Miguel A.E.Corgosinho disse:

    Câmbio, antes de mais nada, é o preço que pagamos para a nossa produção virar dinheiro novo, sob a presunção de que os fundamentos da produção (divisão de fatores internos A =A) são princípios de câmbio externo.

    Porquê não a conversão somatória dos fatores da produção nacional (PIB) com a adição equitativa de moeda nacional?

    Portanto, enquanto o câmbio for considerado um investimento externo e não um pressuposto consciente da cadeia produtiva, o seu valor será justamente algum rompimento dos fatores internos.

    Eu sei valorizar os fatores de produção (entre eles a moeda) em um meio externo de custo zero. Por isso, quero desafiar os economistas a fazer o câmbio deles virar feijão, arroz, carne etc.

  5. Fabio Passos disse:

    Este câmbio hipervalorizado é terra arrasada.
    O governo não pode assistir passivamente este processo que nos condena ao atraso.
    A taxação do capital foi claramente insuficiente. Tem de elevar a taxa e reduzir os juros urgentemente.

    O alerta é claro:

    Conceição: “O Brasil não pode continuar engolindo dólares”
    http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/conceicao-o-brasil-nao-pode-continuar-engolindo-dolares/


    É um mau sinal. Aqui, no Brasil, por exemplo, na Bovespa, o grosso do dinheiro que está vindo de fora pra cá é pra bolsa. Não é para investimento direto no sentido autêntico da palavra. Direto, vieram US$ 11 bilhões e para a bolsa vieram US$ 17 bilhões, este ano.

  6. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Roberto São Paulo,
    Valeu de novo pela boa pescaria.
    Do jeito que está todo mundo combatendo o câmbio flutante, um dia o Lula (O Lula está aqui mais por brincadeira e em virtude de ele dizer que o Brasil ia recomendar a China a adotar o câmbio flutuante. Ele não disse bem isso, mas serve como complemento de uma brincadeira) vai acordar e perceber que só ele e o Armínio Fraga defendem o câmbio flutuante e o livre fluxo de capitais.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 09/11/2009

  7. Roberto São Paulo/SP disse:

    Em agosto de 2009 a carteira de investimento estrangeiro no Brasil apresentava saldo de US$ 212 bilhões de dólares, sendo 68% em ações e 29% em renda fixa.
    Ou seja quase US$ 64 bilhões de dólares de investimento estrangeiro em renda fixa.

    Mesmo com toda entra na bolsa de valores, bastava reduzir adequadamente os juros da Selic para reduzir a carteira de investimento estrangeiro .

    Seriam cerca de US$ 32 bilhões de saída de dolares, fazendo pressão no mercado de câmbio.
    Com muito menos ques isso no final de 2008 a taxa de câmbio, bateu em R$ 2,60.

    O problema no Brasil é que não é só deixar o mercado ditar o câmbio, mas o Bacen faz questão de ajudar o mercado ditar o câmbio, para cima ou para baixo,

    No momento ao estabelecer o maior diferencial de juros do planeta, em uma economia que se tornou uma mais atrativas para os investidores internacionais, O BACEN está ajudando o mercado a derrubar a taxa de câmbio.

    Em outros governos, ao atrelar a dívida pública interna ao dólar e ao vender vender swaps cambias*sem possuir reservas cambiais), o BACEN ajudava o mercado a ditar o câmbio para baixo.

    O que precisamos fazer antes de qualquer medida, é ajustar os juros da selic a média dos juros internacionais, e depois disso de acordo com a reação do mercado tomar outras medidas se for necessário.

    O maior fator no momento para queda da câmbio no Brasil, é o enorme diferencial do juros estabelecido pelo COPOM.

    O nosso problema é o COPOM.

  8. nassif:
    a leitão concorda com ele?
    romério

  9. igma disse:

    Me parece inevitável que este castelo de cartas da economia internacional vá desmoronar. Como é possível que no mesmo dia em que as potências econômicas afirma que a crise se foi e as bolsas explodem no mundo inteiro o ouro bata récordes de cotação? Há hoje uma tremenda fuga do dólar, para tudo, ações comodities, etc. O controle do dóalr só vai fazer sobrar mais dólares no mercado, o que derrubará mais a cotação. As medidas do Brasil de taxar a entrada de dólares derrubam o dólar no mercado global, ou seja o processo está ganhando velocidade e ninguém sabe para onde vai. D´lar fraco significa baixo consumo americano, o que significa queda da dinâmica da economia munidal, que significa queda de consumo, que significa queda de lucros, que significa queda das ações, portanto o movimento que hoje eleva o preço das ações é o que vai derubá-las, alguém tem alguma idéia de ativo sólido?

  10. Câmbio é matéria vencida.

    ONU quer Moeda Global -UN wants new global currency to replace dollar

    No meu blog, aqui
    http://blogln.ning.com/profiles/blogs/onu-quer-moeda-global-un-wants

    Let’s see, they want an artificial currency that requires central bank intervention to keep up with inflation, maintain exchange rates, and prevent one country from printing too much. Gold would maintain exchange rates and equalize trade imbalances by itself, with no central bank and no inflation.
    Tom
    on September 08, 2009
    at 02:43 PM
    Report this comment
    #

    Not again! The Bretton Woods Conference resulted in a conniving plan authored by Maynard Keynes (fabian soclialist) and Henry White (Communist) and we see the result of this today. Managed international exchange rates, fractional reserve banking, and central banks only mean more of the same. Much of this has been in effect already and at what result? Do the “managers” actually know what they are managing? Since the 14th Century, this planned, central bank system has been responsible for perpetual boom/bust cycles, wars, and wrecked economies. The only system so far that has offered stability is to tie currency directly to precious metals such as gold and silver. They won’t do that, though, because metals place limitations on government/banking power and we can’t have that, now. Whatever they put together will fall apart in another 50 years or so and humanity will have endure another adjustment. Maybe, maybe someday, reasoned, intelliegent, visionary people will look at the history of this central planning concept and come to the conclusion that it’s been a massive Ponzi scheme all along.

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