O Brasil e o encontro de Copenhagem
Paulo de Freitas Dias Filho
Ótima análise do Alon Feuerwerker sobre como deveria ser o posicionamento do Brasil durante o encontro sobre o clima, em Copenhagen:
A boa cautela de Lula (08/11)
É bom que o presidente da República esteja cauteloso nas discussões sobre o papel do Brasil na Conferência do Clima. E é curioso que os críticos do “protagonismo a qualquer custo” sejam agora os primeiros a exigir de Luiz Inácio Lula da Silva que coloque o Brasil na linha de frente das medidas contra o aquecimento global. É a dança da política.
O debate está claro desde o começo. Se o aquecimento global é mesmo um problema grave, e se deve ser enfrentado globalmente, é preciso saber para quem irá a conta. O lógico será repassá-la aos que, até o momento, mais se beneficiaram do progresso humano. Se é mesmo verdade que o mundo não suportaria a globalização dos padrões europeu e americano de consumo, que os americanos e europeus se contenham, para começo de conversa.
Qual é o problema? É que países como a China e o Brasil estão pelo meio do caminho. Não podem ser considerados tecnicamente “subdesenvolvidos”, mas ainda têm milhões de pobres para colocar no mercado, alimentar, vestir, educar, divertir. O Brasil não é a Noruega, ou a Suécia, onde tudo está mais ou menos resolvido. Temos um país a construir. Então, ou bem encontra-se um jeito ambientalmente correto de fazê-lo, ou paciência.
Se não nos convidaram para o banquete, soa um pouco excessivo que nos intimem a participar de igual para igual na hora de rachar a dolorosa. Também porque as bolas estão invertidas. Pedem-nos o sacrifício à vista, com a promessa de benefícios a longo prazo. Exigem que renunciemos à expansão da fronteira agrícola, sem a garantia de que o aumento de produtividade será capaz de atender à demanda explosiva por comida numa sociedade em que, finalmente, os pobres começaram a comer direito.
Isso significa que nada temos a ver com o desafio? Ou que não podemos contribuir para resolvê-lo? Negativo. Apenas é preciso cautela. Daí a razoabilidade da posição de Lula e da candidata dele à Presidência, Dilma Rousseff.
Até porque -e infelizmente- as opções a nós propostas são no mínimo nebulosas. A primeira é exatamente congelar a expansão da área plantada, com a premissa de aproveitar melhor a área já desmatada. É um debate bonito de se fazer no carpete e no ar-condicionado, mas enfrenta problemas na vida real. E olhem que Lula deu sorte, ao ver fracassar seu projeto delirante de transformar o etanol em combustível planetário. Tivesse dado certo, a soja e os bois estariam em marcha batida rumo ao norte, e Lula não poderia passar nem na porta do encontro de Copenhague.
Os créditos de carbono, outro ponto da pauta, não parece ser capaz de dar conta do desafio. É uma conta que não fecha. Europeus e americanos pagam para que preservemos as nossas florestas. Ótimo. Mas ninguém come dinheiro, ou se veste com dinheiro, ou mora em casas de dinheiro. O dinheiro serve para comprar coisas. Que precisam ser produzidas. E que portanto implicam custo ambiental. Com dinheiro na mão, o pobre vai querer consumir. E alguém vai ter que produzir.
É um debate simples? Não. Temos as nossas próprias responsabilidades no assunto? Temos. Mas não implica que precisemos estar na linha de frente a qualquer custo. Os compromissos que vamos assumir precisam estar subordinados, em primeiro lugar, ao nosso projeto de desenvolvimento.
Nosso desafio não é crescer menos, é crescer mais. Os que nos pedem atitudes heroicas no combate ao aquecimento global precisam dizer, também, como fazer isso crescendo aceleradamente e combatendo mais aceleradamente ainda a pobreza. Na prática, não na teoria.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Meio Ambiente Tags: alon feuerwerker, Brasil, clima, Copenhagem, Lula

Ótimo texto!
Enquanto isso aquele governador que nunca diz o que pensa ousa dizer ao Presidente o que ele tem que fazer!
Pouco oportunista, não?
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,serra-pede-a-lula-ousadia-na-meta-de-reducao-de-co2,463552,0.htm
Ettore,
Desculpe-me, não tinha visto que você já acusava a notícia da sanção da lei do Serra e postei novamente.
Concordo com você. OPORTUNISMO puro!
Além disto, evidencia uma total incapacidade de trabalho conjunto entre o governo estadual e o federal. Por conta do Serra naturalmente, pois acho que a política de enfrentamento destas questões ambientais é SÉRIA demais para servir de “joguinho de quem sai na frente”
Inoportuna, porém oportunista!
Enquanto se discute o direito das pessoas menos favorecidas entrar no mercado de consumo, o verdadeiro debate está em impor um limite ao consumo em si.
Um cidadão tem direito a um fogão ou uma geladeira, um mínimo que venha a fornecer o conforto básico. Mas, e aqueles que enquanto isso brigam por 20 tvs plasma, 12 automóveis, 50 celulares. Qual o limite?
E mais, porque essa correria desenfreada atrás da tecnologia de última geração, sem sequer aproveitar o máximo da anterior?
O mundo, e a China em especial, já perceberam que um dispositivo legal / social era necessário para regular o controle da natalidade.
E quanto ao consumismo? Alguém está a pensar em propor limites? Precisamos de uma terapia grupal que nos leve à mudança comportamental?
PS: Desculpem o texto. Gostaria de desenvolver mais este tema, mas estou sem tempo…
A taxa de natalidade no Brasil está caindo, estamos quase no ponto de equilíbrio – natalidade/ mortalidade.
Nossa população está envelhecendo pobre esta é o grande problema.
Nosso consumo de energia (per capita) é menor que a média mundial.
A nossa matriz energética é de longe a mais renovável de todos os países.
Precisamos continuar na atual política e torná-la ainda mais dinâmica – fazer o bolo crescer e distribuí-lo melhor.
Consumir é bom – pobre também gosta de consumir – principalmente comida, remédios, assistência médica, qualidade no transporte, educação, telefone, geladeira, ar condicionado, televisão etc.etc. – se nos produzirmos estes bens teremos mais empregos e renda e mais consumo.
É o que fazem os países ricos. Queremos ser e seremos um país e um povo rico.
É o nosso destino manifesto – nossas imensas riquezas naturais, nosso povo educado com qualidade merecem ser consumidores e cidadãos plenos.
Eu era a favor de o Brasil colocar na mesa o percentual de energia renovável que cada país usa. Neste ponto nós somos campeões…
Realmente, ótimo texto, que nos convence da posição acertada do governo frente ao tema. Enquanto isso a oposição (leia-se Serra), no desespero de marcar posição, me sai com essa:
Confiram notíca de hoje no uol. (alguns trechos apenas, para não ficar cansativo…)
Serra sanciona lei sobre clima e nega caráter eleitoreiro
Talita Boros
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), negou nesta segunda-feira (9), após sancionar a Política Estadual de Mudanças Climáticas, que a medida tenha caráter eleitoreiro. A lei prevê a redução em 20% das emissões de gás carbônico (CO2) do Estado até 2020, com base nos níveis de 2005.
Durante o evento, Serra disse que a redução de 20%, prevista em São Paulo, é feita sob metas precisas e valores absolutos, enquanto a do governo federal reduz em 40% com base em uma tendência de projeção para 2020. “A nossa é bem maior que a federal”, comentou.
O secretário do Meio Ambiente do Estado, Xico Graziano, também criticou as metas propostas pelo governo Lula. “Falta coragem ao governo federal de assumir esse compromisso com o meio ambiente. Hoje o debate não é mais sobre quem é de direita ou esquerda. Hoje a discussão é sobre quem topa a agenda ambiental e quem tem medo dela, os progressistas e os conservadores”, enfatizou.
Em São Paulo, a lei prevê a redução em todos os setores da economia, de 20% da emissão de gases de efeito estufa até 2020, tendo por base o ano de 2005. A cada cinco anos, até 2020, o governo poderá fixar metas intermediárias para atingir o objetivo. Conforme o governo, a sanção permite que o Estado vá a Copenhague “com posições mais fortes e uma iniciativa replicável a outras regiões ou esferas de governo”.
Apesar das divergências, Serra destacou que espera que Lula leve para Copenhague uma proposta ousada. “Não vou torcer para o governo federal fixar uma meta pouco ambiciosa para depois criticar. Quero o melhor para o Brasil”, afirmou. “Agora a questão é saber como o país vai ficar. Se é atrás ou na frente, perante às questões ambientais”. completou.
E o Tietê? o Aquifero Guarani? Sim, acabo com a taxa do lixo e fixo metas de carbono para que a população cumpra o meu projeto até 2020. Atitudes e ações racionais são para os mais bobos.
Nassif, a solução precisa ser tecnológica.
Dias desses você mostrou uma cerâmica que retem CO2 que pode ser reaproveitado. Duvido que já não existam outros métodos similhares no resto do mundo!
Precisamos disponibilizar esse tipo de tecnologia em escala global. E fugir do mercado de creditos de carbono!
Esse mercado vai ser criado pra atacar expeculativamente países pobres que tentem se industrializar.
É uma garantia de dominação global.
Ótimo texto. Ótimo post.
Espero que os nossos políticos pensem da mesma forma e não se deixem levar pela mídia entreguista que quer nos manter no atraso, na pobreza e na dependência.
Esta discussão deveria ter sido entabulada pelos participantes da rodada de Doha, pois está diretamente ligada ao desenvolvimento das nações , suas industriais , seu comércio e sua economia, não dá para submeter tudo isto ao controle de um órgão internacional, sem cara, sem representatividade, é um imposto ilegal, vai dar encrenca. Criação improvisada e meia boca, feita as pressas, pois o Dollar do jeito que está não vai muito longe.
Muitos falam que o que se está criando é um novo órgão de governança mundial, que controlará o novo dinheiro mundial sob a égide de um Governo Mundial.
Não vai dar certo, não é assim que funciona.
Lula, acorda.