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08/11/2009 - 10:22

Os sofismas em torno do câmbio

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 08/11/2009

As discussões sobre o câmbio, em geral, vêm eivadas de sofismas que, pela força da repetição, acabam se transformando em falsas verdades.

No comércio mundial, há manufaturados de baixo, médio e alto valor agregado. Para competir em cada área tem que se ter o nível tecnológico adequado e preços competitivos.

Há vários fatores que interferem no preço.

O principal é o câmbio, a relação de preços entre duas moedas. Veja o exemplo:

Um determinado produto custa R$ 200,00 no Brasil. Com o dólar a R$ 2,00, irá custar US$ 100,00 (200 / 2). Se o dólar cai para R$ 1,70, irá custar US$ 117,65 – ou 17% mais caro, apenas com o movimento do câmbio. Portanto, a apreciação do real tem efeito direto sobre o preço final da mercadoria, em dólares.

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O que os cabeças de planilha alegam é que, em vez de desvalorizar o real – para tornar os preços mais competitivos – as empresas deveriam melhor sua produtividade e o governo melhorar a infra-estrutura e as condições econômicas.

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De fato, há diversas maneiras de melhorar o preço do produto.

Do lado da empresa, investir em novos processos, novas tecnologias. O Japão e a Coréia, por exemplo começaram fabricando produtos de baixa qualidade. Depois, com investimentos em tecnologia, gradativamente foram melhorando a qualidade e os preços de seus produtos.

Fala-se muito na Alemanha, que consegue ser um grande exportador mesmo com o marco valorizado.

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Outro caminho são os investimentos em infra-estrutura, melhorando o custo da logística, por exemplo. Há também caminhos fiscais, na desoneração de tributos sobre exportação ou caminhos creditícios – melhorando a oferta e o custo do crédito para exportação.

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Tudo isto é possível. Onde está, então, o sofisma? Em um ponto essencial, mas que nunca é abordado pelos cabeções porque estragaria o raciocínio. Aprimoramento tecnológico, investimento em infra-estrutura, concessões fiscais, oferta de crédito, tudo isto exige uma economia pujante e empresas capitalizadas. É aí que entra o fator câmbio.

Na primeira etapa do processo de consolidação das exportações de manufaturados, tem-se empresas pequenas ou médias, sem dimensão para competir internacionalmente. Não tem fôlego financeiro – posto que pequenas – para investir em tecnologia, inovação. Nem o Estado tem recursos fiscais para grandes investimentos em infra-estrutura.

A única maneira de entrar no mercado internacional é com produtos de baixo valor agregado, mas que tenham preços suficientemente baixos para desalojar os concorrentes dessa faixa. Depois, à medida que as vendas vão ampliando, a empresa crescendo, entra-se na etapa seguinte, de investimento em tecnologia e no aprimoramento dos produtos.

E a única maneira de um choque de preços é através do câmbio desvalorizado. Não apenas para estimular quem já exporta mas, principalmente, abrir espaço para o enorme universo de empresas médias, que só se habilitarão a buscar o mercado externo se tiver no preço o fator competitivo.

É por isso que Japão, Alemanha e Itália – no pós-guerra -, Coréia, nos anos 50 e 60, iniciaram sua grande arrancada partindo de um patamar de câmbio desvalorizado.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica Tags: , , , , ,

27 comentários para “Os sofismas em torno do câmbio”

  1. Guilherme disse:

    Nassif,

    Com todo respeito, esse papo de desvalorização do real (pode não ser essa a sua intenção) – sempre me traz à lembrança o lamentável “Exportar é o que Importa” do governo militar.

    Final da história: Os salários valendo uma m…hiperinflação, e a plutocracia com sorriso de orelha a orelha.

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