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08/11/2009 - 07:00

O financiamento do dendê

Por Roberto São Paulo/SP

Ministério da Fazenda Reunião CMN – Outubro/2009

MINISTÉRIO DA FAZENDA, Secretaria de Política Econômica

RESUMO DOS VOTOS DA ÁREA AGRÍCOLA

REUNIÃO DO CMN – OUTUBRO 2009

1- PRONAF – INVESTIMENTO NA CULTURA DO DENDÊ.

Síntese:

O CMN aprovou a inclusão do dendê entre as culturas abrangidas pela linha de Crédito para Investimento em Energia Renovável e Sustentabilidade Ambiental – Pronaf Eco.

O óleo de dendê é o segundo mais comercializado do mundo, com preços crescentes em função da elevação da demanda. É utilizado na indústria alimentícia e em diversas outras finalidades (sabão e velas, proteção de chapas de aço, lubrificantes e artigosvulcanizados).

O Brasil é hoje importador desse produto, considerado estratégico no Plano Nacional de Agroenergia como possível substituto do óleo diesel.

Há grande potencial de expansão da sua produção, capaz de proporcionar renda elevada em pequenas áreas e demandar muita mão-de-obra, sendo adequada, assim, para a produção pela agricultura familiar.

São beneficiários dessa linha agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), exceto do Grupo “B”.

O limite de crédito é até R$65.000,00 por beneficiário e de R$6.500,00 por hectare, com taxa efetiva de juros de 2% a.a. e prazo de reembolso de até 14 anos, incluídos até 6 anos de carência. Esses valores são computados no limite da linha Pronaf “Mais Alimentos” (e vice-versa).

O acesso à linha de crédito está condicionado: às indicações do zoneamento da cultura; a existência de contrato de fornecimento para a indústria, incluindo compromisso de compra da produção, fornecimento de mudas e assistência técnica; e à regularidade de outras operações do mutuário no Pronaf,

incluindo o pagamento de pelo menos uma parcela de operação de investimento (ou duas, no caso do GRUPO “A”)………………….

http://www.fazenda.gov.br/portugues/documentos/2009/Votos-Agricolas-CMN-28-10-09.pdf

Comentário

Conheço investidores que estão aplicando pesadamente em dendê, com muito sucesso.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Bioenergia Tags: ,

18 comentários para “O financiamento do dendê”

  1. Leosfera disse:

    Alguém sabe dizer a quantas anda o extrativismo de carnaúba e babaçu? São também matérias primas nobres, que são exploradas de forma arcaica, degradante até, sem gerar renda significativa ao produtor.

    Há muito mais riqueza biológica a ser explorada, desde que de modo sustentável. Fibras, resinas, óleos… medicinais, energéticos, matérias primas… Eu vi uma vez uma pesquisa de bioplástico a partir de uma planta da Amazônia, fracassou ou foi sabotado? Há que se enfrentar interesses estabelecidos. E os biopiratas, é claro.

  2. Roberto São Paulo/SP disse:

    Creio que ao contrário do que vem divulgado a oposição, o Governo do Presidente Lula tem uma grande participação do desenvolvimento e na consolidação dos Biocombustíveis no Brasil.

    O Governo do Presidente Lula vem administrando a adição do álcool a gasolina para ajustar a demanda a oferta de álcool.
    No final de 2008 e início de 2009 acionou o BNDES para socorrer as usinas de álcool em função da grave crise de liquidez provocada pela quebra do Lehman Brothers e pelos graves erros do COPOM.

    Além disso criou a Embrapa Agroenergia para garantir as pesquisas e desenvolvimento dos biocombustíveis, vem aumentando adição de biodiesel ao diesel de petróleo gradualmente de acordo com o desenvolvimento da cadeia produtiva do Biodiesel.
    A próxima etapa sem dúvida é o desenvolvimento de novas oleaginosas, onde o dendê pode desempenhar um papel importante.

    A cultura de dendê é uma grande oportunidade para recuperar as áreas degradas da região amazônica e ao mesmo impedir o avanço da pecuária na região ao proporcionar renda a população da região.

    O uso do óleo de dendê para fabricação do Biodiesel e da torta de dendê para a fabricação de ração para animais pode ajudar a consolidar a cultura do dendê na região, na medida que poderão ser feitos contratos de garantia de compra e assistência técnica com as usinas de Biodiesel.

  3. Roberto São Paulo/SP disse:

    Embrapa discute incremento da cultura do dendê com bases tecnológicas
    (24/08/2009, Embrapa Agroenergia

    Demandada pela Casa Civil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária Abastecimento, recebeu, como missão estratégica a tarefa de dar suporte tecnológico ao Programa de Incentivo à Produção de Dendê em áreas selecionadas do Brasil.

    O Programa a ser lançado pelo Governo Federal tem como meta a implantação de um milhão de hectares de dendê para atender o mercado de óleos.

    Atualmente, o Brasil é o 16º produtor da cultura com aproximadamente 70 mil ha. Com este incremento, o Governo vislumbra a ampliação da atividade agroindustrial e comercial, com ênfase para produção de óleos e produtos da bionergia………………

    ……..Histórico da iniciativa do Programa
    As atividades do Grupo de Trabalho (GT Dendê) foram iniciadas em 2008, sob coordenação da PR/Casa Civil, visando à organização de proposta de programa de incentivo à produção de dendê no Brasil. Recomendado pela Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o Programa tem como foco incentivar a produção da cultura do dendê junto à agricultura familiar em áreas degradas do estado do Pará.

    Além do enfoque que o Presidente solicitou para as ações do Programa, foram agregados, pelo Grupo, temas relacionados a nichos territoriais em Rondônia, Roraima, Bahia contemplando modelos e arranjos produtivos para a execução.

    O Programa terá cinco eixos temáticos para alavancar a produção de dendê no País.
    Para isso, serão definidos os locais de implantação e os mecanismos de financiamento. Nos outros três, a articulação junto à agricultura familiar, a infra-estrutura e logística, a Embrapa terá atuação efetiva………………

    http://www.cnpae.embrapa.br/pasta-NoticiasUd/pastanoticiasud.2009-08-10.1012952513/noticiasud.2009-08-24.8201304920

  4. Eraldo Fernandes disse:

    Iniciativas como essa colocam o país no caminho para um melhor aproveitamento dos recursos naturais que vêm sendo mal aproveitados ao longo de nossa história. Pensar em sustentabilidade ambiental é urgente.
    Lendo essa notícia alvissareira, lembro quando conheci o babaçu em meus tempos de Projeto Rondon em Governador Eugênio Barros, belo munípio maranhense e gostaria de saber se existe também algo parecido em relação a essa riqueza nordestina e brasileira, já que do coco se produz desde o óleo comestível até a palha para cobrir casas ou até carvão, entre outros produtos, dentre eles, os artesanais que movimentam o turismo.
    Oh, que saudades do Maranhão dos idos de 1975…

    Eraldo Fernandes, Rio de Janeiro

  5. André Oliveira disse:

    Brasil ter de importar dendê é o fim, não é.

    • Gonçalves disse:

      com certeza, só no pará a 5 milhões de hectres aptas ao cultivo e áreas sob pastos degradados. até 2016 brasil terá pelo menos 150 mil hectares plantados, devido a novos projetos em andamento.

  6. Adriano Alves Pinto disse:

    É importante lembrar que a cultura do Dende é a grande responsável pela a pressão sobre as florestas tropicais nativas na Malásia e Indonésia.
    Seria importante que qualquer incentivo dado a essa cultura no Brasil ficasse circunscrita a agricultura familiar e pequenos produtores..

  7. Marcelo de Matos disse:

    Seria bom que o país conseguisse uma alternativa para a gasolina que não fosse o álcool de cana. Esse é uma roubada. As usinas de açúcar são quase todas informatizadas e quando o açúcar sobe no mercado internacional, em duas horas elas mudam a produção de álcool para açúcar. E o consumidor é mais uma vez prejudicado. Sem contar o monopólio da produção de álcool combustível e os cartéis, que o MP tenta combater sem “lograr êxito”. Diziam que precisávamos acabar com o monopólio da Petrobrás na distribuição de combustíveis. Isso, segundo os experts, estimularia a concorrência e baratearia os preços. O que tivemos, no entanto, foi um extraordinário aumento na adulteração de combustíveis e um monopólio privado da distribuição. A Cosan, de Piracicaba, talvez seja o maior distribuidor de álcool combustível do país. Inclusive, comprou a Esso brasileira e agora também distribui gasolina. Então continuamos com monopólio, cartéis e adulterações por atacado e no varejo. Há um mês fui a Campos do Jordão e abasteci com gasolina na volta. O carro não saiu do posto. Lá mesmo chamei um auto-elétrico e o carro só funcionou quando tiraram a gasolina adulterada do reservatório de partida. O preço do álcool nas estâncias turísticas, como Poços de Caldas e Campos do Jordão, está pela hora da morte. São os cartéis em pleno funcionamento. A coisa está feia.

  8. Theo disse:

    O dende vai ser um dos responsaveis pela destruicao da Amazonia.

  9. Jose de Almeida Bispo disse:

    “ff. 11 – Carta sobre caroá e carrapicho.
    Datada de Lisboa a 18 de abril do mesmo anno de 1702, e
    Com. = Senr. D. Rodrigo de Costa. S. Mag.e q’ Deos guarde, me manda remetter a V. S. o papel incluso, q’ lhe offereceo nesta Corte o Dez.or Pedro de Unhão de Castello Branco sobre o novo genero de linho, que se decobrirão (sic) no Reconcavo da Bahia =
    Ac. = esta noticia facilitará muito a sua cultura, e adiantá a fábrica delle. Deos gurade…..- Jose de Faria.”
    Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, volume 05, p.314, Rio, 1878/1879.
    Comentário:
    A cultura do caroá ainda hoje é uma cultura de gente sem mais nada o que fazer. Sem absolutamente opção alguma. Exceto a introdução de algum maquinário moderno em substituição à força muscular, as técnicas de produções são as mesmas herdadas aos indios em 1702. Como o dendê, necessitará que outro país a desenvolva para que nós fiquemos a reboque.

  10. Paulo disse:

    O Pará é o maior produtor de dendê do Brasil. A AGROPALMA, maior produtora individual, possui diversas usinas de extração e uma refinaria (a maior do mundo, no gênero, localizada em Belém).
    Essa empresa utiliza uma bem sucedida fórmula, em que planta basicamente em áreas degradadas do nordeste paraense, além de atuar com dezenas de comunidades locais no regime de agricultura familiar.
    Com a entrada da VALE no setor, em associação com a BIOPALMA, para produzir biodiesel para sua locomotivas, o Pará se tornará o maior produtor mundial em 5 anos, gerando milhares de empregos nas comunidades do entorno do projeto, utilizando basicamente o mesmo sitema hoje adotado pela AGROPALMA.
    E essa história de que o dendê é responsável pela destruição da floresta é balela. Pelo contrário, a plantação do dendê ocorre em áreas degradas de florestas, de solos pobres e de baixo rendimento para a agricultura tradicional.

    • Gonçalves disse:

      O dendê pode e será plantado também em sistema de agricultura familiar, projetos como o arauai mostra que é possivel. terá um incremento de 20 mil hectares em agricultura familiar, com areas de 10 hectares cada.

  11. Nival Júnior disse:

    É isso aí, vamos fazer como aquelas potências asiáticas, a Malásia e a Indonésia e nos tornar um gigante no dendê, quem sabe assim a Amazônia vai embora mais rápido, porque pelo visto só com boi, soja e cana vai demorar ainda uns 50 anos pra destruir tudo.

    • Prof. Osvaldo Ribeiro disse:

      Certamente quem não conhece a Amazônia e não conhe a cultura do Dendê pode afirmar, sem responsabilidade nenhuma, essa balela de destruição da floresta. O dendê cultivado na Amazônia é nativo, o caiauê, com aperfeiçoamentos genéticos feitos pela EMBRAPA, portanto pertencente ao bioma amazônico. diga-se, de passagem, que os dendezais da Asia usam sementes extraídas daqui.
      Existem milhares de hectares de terras que podem ser recuperadas com o plantio do dendê, em um processo de intercalação com a floresta nativa. Pela legislação atual, somente podem ser utilizados 20% da propriedade para plantar, o resto é floresta preservada. Portanto, se o dendê fosse plantado em todas as propriedades, 80% da amazônia seria preservada, sem considerar as reservas indígenas, parques nacionais, áreas extrativistas, etc, que representam mais da metade do território. Por enquanto só existe um trabalho sério de plantio de dendê no Pará (AGROPALMA, por exemplo). Em Manaus, a EMBRAPA implantou projetos, mas por incompetência administrativa e má fé não tiveram sucesso, permanecendo apenas o alto nível das pesquisas da EMBRAPA.
      NIVAL JUNIOR, VENHA CONHECER A AMAZÔNIA, ELA É BEM MAIOR DO QUE VOCÊ PENSA.

  12. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Roberto São Paulo,
    Valeu a dica. Eu tenho insistido com os meus amigos lá do nordeste de Minas Gerais que plantem uma palmeira e a que eu aconselho é o Dendezeiro pela qualidade do óleo e pela possibilidade de aproveitamento da massa do coco prensado para alimento de gado (Em relação a isso é preciso ver o que as pesquisas informam, pois a carnaúba, por exemplo, parece ser tóxica para o gado). A pecuária extensiva é a vocação natural da região. A idéia era fazer o plantio para a formação de cerca viva. Talvez com o financiamento a idéia tenha mais perspectivas. Espero que o seu post possa dar bons frutos lá na região.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/11/2009

    • Gonçalves disse:

      o que falta ao dendê no norte de minas é a chuva, H2O, e sistemas irrigados exigem maior controle de custos. mas tem luz e adubos, pois é uma cultura altamente responsiva,

      • Clever Mendes de Oliveira disse:

        Gonçalves (08/11/2009 às 18:03),
        No nordeste de Minas Gerais o índice pluviométrico é um pouco mais alto do que a região norte mas não passa de 800 mm de média.
        Mandei o email para dois amigos meus, mas um que é um extrema desmancha prazeres como você foi logo dizendo:
        “Clever,
        O problema é que Dendê, necessita de duas coisas, uma industria perto e de 1200 a 1500 mm de chuva por ano, não temos ambas as coisas.”
        Bem de todo modo obrigado pela informação.
        Clever Mendes de Oliveira
        BH, 09/11/2009

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