Guilherme Motta e a arte de não juntar as peças
Atenção, pessoal, a comentarista Simonse trouxe o link de uma entrevista do Guilherme Motta ao Valor onde suas idéias, mesmo sendo questionáveis, seguem linhas de raciocínio mais claras. A nota está no pé deste post.
Confesso um certo desânimo em analisar entrevistas do tipo da que o professor Carlos Guilherme Motta concedeu hoje ao Estadão.
Motta fez sucesso nos anos 70 ou 80, quando pretendeu escrever uma obra monumental, uma espécie de enciclopédia do pensamento intelectual brasileiro. Era uma obra arraigadamente uspcentrista, na qual se permitia idiossincrasias pessoais – especialmente contra ninguém mais do que Sérgio Buarque de Hollanda, contra quem mantinha uma certa competição.
No afã de desmerecer Buarque de Hollanda e consagrar a USP, chegou a considerar a “História da Literatura Brasileira”, de Antônio Cândido como uma brasiliana de nível superior. Depois, estimulou uma falsa competição entre Antonio Cândido e Gilberto Freyre, visando desqualificar o pensador nordestino – visto por ele como “de direita”.
Nos dois casos, deixou Antonio Cândido em má situação, por pretender usá-lo como aríete justamente contra duas de suas maiores admirações intelectuais. O professor Antônio Cândido é cioso da sua relevância intelectual e suficientemente crítico para não pretender ombrear-se com suas duas admirações.
Na entrevista ao Estadão, Guilherme Motta mostra uma dificuldade comum a historiadores que, vindos de uma visão tradicional da matéria, não conseguem entender as novas dinâmicas do momento, em cima da bucha. Relaciona uma série enorme de conceitos, definições, fatos descosturados, incapaz de alinhavá-los e organizar o todo.
Não sejamos injustos: talvez não tenha conseguido o espaço necessário porque a entrevista visava obviamente cumprir uma pauta pré-determinada. Recentemente saiu uma entrevista assim com o Renato Lessa – que, desde o primeiro momento, duvidei que tivesse sido fiel ao seu pensamento (e não havia sido, de fato).
A entrevista fica isso, então:
Do Estadão
”Defino cenário como superpresidencialismo”
Para estudioso, descolamento de Lula do PT foi ruim para a consolidação de uma cultura de partidos no País
Gabriel Manzano Filho
Entrevista
Carlos Guilherme Mota: professor de História Contemporânea
O que se vê no Brasil, hoje, é um “superpresidencialismo desbussolado e pitoresco”, em que se produz “a montagem de um novo bloco de poder”. Talvez não seja um subperonismo, como alertou no domingo passado, em artigo no Estado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – mas algo pior. “Porque o populismo de Perón politizava, enquanto o pobrismo do Brasil avilta.”
A comparação é do historiador Carlos Guilherme Mota, professor titular de História Contemporânea da USP (aposentado) e de História da Cultura na Universidade Mackenzie, para quem Lula pratica “uma forma cordial, mas matreira, de evitar a implantação de uma moderna sociedade civil”. Respondendo ao “para onde vamos” de FHC, Mota diz que “há um fenômeno novo, estimulante, de uma nova esquerda liberal, republicana, socializante”, aparecendo nos EUA, na União Europeia, no Chile e até no Brasil, com figuras como Barack Obama, Michelle Bachelet, Segolène Royal.
O ex-presidente FHC acertou ao dizer que o governo Lula conduz o Brasil para um subperonismo?
Não sei se o termo é esse, mas concordo que se trata da crise mais grave desde os anos 80. Prefiro definir o cenário como um superpresidencialismo desbussolado e pitoresco. A nação assiste, bestificada, à montagem de um novo bloco de poder. O tratamento dado ao segmento social que o governo entende por povo tem algo em comum com o dos descamisados de Evita e de Perón, mas é pior.
Essa história de “a nação assiste…” é demais. Quem é a nação, cara pálida?
No que é pior?
Porque o populismo de Perón politizava e o pobrismo daqui avilta. O assistencialismo brasileiro é deprimente, pois trata esses condenados da terra como fracassados. E as condições de melhoria social – tão sonhada e ensinada por figuras como Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro ou Florestan Fernandes – são pífias. Aqui o capitalismo andou para um lado e a política social andou para outro. Basta ver que o governo não consegue encaminhar a questão dos sem-terra, por exemplo. Mas há, de fato, uma semelhança até física de um certo tipo de “neossindicalista” brasileiro de hoje com aqueles pelegos dos tempos de Getúlio Vargas, Perón, Ademar de Barros…
Ele está falando especificamente de um programa, o Bolsa Família, destinado à parcela mais miserável da população. Pretender tratar a parte – a assistência aos miseráveis – com o todo, como se não houvesse outras políticas e outros públicos, demonstra enorme dificuldade em analisar situações complexas.
Como Perón nos anos 50 e nos 70, Lula tem uma enorme aprovação para si e para seu governo.
Ele consegue isso porque põe em marcha uma mobilização autoritária em que aplica, magistral e perversamente, a velha metodologia da conciliação. O autoritarismo popular ao qual FHC se referiu, praticado por Lula, é uma forma cordial, mas matreira, de se evitar a implantação democrática de uma moderna sociedade civil. Com valores e regras respeitados, que valorize a formação da cidadania.
É um campeão! Se partisse para o confronto, teria pendores autoritários. Como persegue o pacto político – da mesmíssima maneira que FHC – também á autoritário. Guilherme Motta atribui a Lula o que é responsabilidade de FHC: o de ter inviabilizado a oposição, jamais ter trabalhado um cenário alternativo de país. No fundo, Guilherme Motta diz que se um time é goleado por dez a zero, a culpa é do adversário que não deveria jogar nos erros do derrotado.
O governo não caminha nessa direção?
Os indicadores vão bem, mas a sociedade vai mal. E o poder é algo muito tentador quando os indicadores se tornam favoráveis. O governo Lula vem instaurando o que um de seus ministros, Franklin Martins, denominava “lambança”. O Brasil assiste atônito a uma guerra civil nos grandes centros urbanos e a outra, menos estridente, no campo. O presidente chegou a declarar na semana passada que não sabe como equacionar o problema do narcotráfico. À semelhança da Argentina de Perón, existe aqui o assalto às estatais, que desviou o PT de seu papel histórico de criador de um trabalhismo moderno.
Francamente, o que tem a calça com as meias?
FHC não poupou grupo nenhum, nem o PSDB, ao afirmar que “os partidos estão desmoralizados”. Por que as oposições não conseguem fazer nada?
A sociedade brasileira, que vinha se politizando até o final do primeiro governo Lula, perdeu o pique com o aviltamento dos partidos, sobretudo o PSDB na oposição, depois da opaca atuação do ex-candidato a presidente Geraldo Alckmin e das sucessivas indecisões dos pré-candidatos. O descolamento de Lula do seu partido não foi nada educativo para a consolidação de uma cultura de partidos no País.
A culpa do aviltamento do PSDB na oposição é de quem? O grande desequilíbrio democrático que ocorreu foi quando o PSDB abdicou de um projeto de país e passou a terceirizar a política para a mídia.
Há um esvaziamento dos oposições que não acontece apenas no Brasil.
Esse esvaziamento dos partidos de esquerda é um fenômeno mais amplo. Faltam lideranças firmes, falta transparência nas negociações do interesse público. A quebra de confiança nos políticos é geral. Isso resulta, em grande parte, de uma reorganização da ordem mundial, mas, sobretudo, de uma brutal concentração de poder do Estado, por toda parte. Esse fenômeno dá força a Lula para um percurso despolitizante, em que a cada semana se anuncia uma novidade, desde o biodiesel ao pré-sal, à Olimpíada… O PAC e os discursos grandiosos do presidente lembram um pouco os projetos de impacto de Ernesto Geisel. Mas os projetos militares ainda deixaram o País mais estruturado. Lula está deixando pencas de aspones pendurados em altos salários nas estatais.
Meu Deus! Todo governante anuncia obras. É assim: o presidente ou governador entra, planeja obras; depois, à medida que as obras vão ficando prontas, anuncia. Guilherme Motta conseguiu misturar conceitos como reorganização da ordem mundial (o que é isso mesmo) com inauguração de obras.
Por isso o debate direita-esquerda perdeu importância?
A direita se modernizou, a globalização a beneficia com o avanço das novas tecnologias e formas de dominação turbinadas pela cultura digital. Esta acelerou a vida econômico-financeira num ritmo que pulveriza as iniciativas da velha esquerda.
Não entendi nada. Quem perdeu o rumo: a esquerda ou a direita? Até o Armínio Fraga se diz de centro-esquerda, e o Guilherme Motta vem com discurso dos anos 90. A direita morreu com a crise, se mantém no Brasil exclusivamente graças ao discurso de FHC. As novas tecnologias permitiram a disseminação das redes sociais no trabalho e no mercado de opinião. E ele solta uma afirmação dessas, sem uma explicação adicional, sem nenhuma interpretação, como se estivesse defendendo a esquerda contra a direita. No trânsito, Guilherme Motta deve ser um caos.
Repetindo FHC, para onde o País vai?
O Brasil duplicou sua população em 40 anos, mas a elite dirigente não se planejou nem criou mecanismos para um crescimento tão desafiador. Não tivemos uma revolução burguesa criativa, como a de outros momentos da História, mas sim uma burguesia em geral predadora, associada a interesses do capital internacional. Mas a crise de agora é mais profunda. Ela vem fazendo com que algumas lideranças se deem conta de que, em uma sociedade de massas, e com a pesada herança de uma mentalidade escravista-bragantina, só pode esperar um desastre. Que virá mais cedo ou mais tarde, e em algumas cidades já começou. Falta um estadista de pulso para, nesse contexto de guerra civil disfarçada, mobilizar a Nação.
Guilherme Motta pegou seus estudos sobre o Brasil pré-industrial, nao acompanhou a urbanização das cidades, não acompanhou o avanço dos indicadores sociais nas últimas décadas, não acompanhou o fato da questão social ter se tornado política permanente de Estado. Misturou alhos com bugalhos, apontou Lula como centralizador, depois lamentou a falta de estadista de pulso. Um samba do acadêmico doido.
Perdeu-se, ao que parece, o caminho para uma social-democracia. Como recuperá-lo?
O que falta a partidos social-democratas, como PSDB e PPS imaginam ser, um conteúdo programático e uma liderança – coisa que FHC cobrou com ênfase. Mas há lideranças surgindo, novas gerações de professores, juízes, promotores, pesquisadores, militares, profissionais liberais com boa formação e visão moderna do País.
Diz que FHC cobrou conteúdo programático do PSDB. O que é FHC, se não a principal liderança do PSDB. Aí sai do campo partidário e vê novas lideranças modernas em outros setores. Percebe que o quadro partidário não consegue mais abrigar esses novos elementos. Mas apenas apresenta de leve a questão, sem desenvolver nenhuma idéia original sobre como se dará essa modernização ao largo dos partidos. O grande dilema de FHC e do PSDB é o de ter perdido as bandeiras sociais-democratas para Lula. Não foi a social-democracia que perdeu o caminho; mas o PSDB de FHC que perdeu o caminho da social-democracia.
Como a política detesta o vácuo, vai aparecer alguma coisa no lugar?
Acredito que sim. Há um fenômeno novo, muito estimulante, de uma nova esquerda liberal, republicana, bem formada e socializante. Ela vem aparecendo nos EUA, na União Europeia, no Chile, aqui mesmo no Brasil – onde é menos visível porque, neste momento, Lula ofusca tudo. Obama, Michelle Bachelet no Chile, Segolène Royal na França, são algumas pontas desse iceberg.
A cabeça fundiu. Tem várias pontas do iceberg, a mais reluzente das quais é Lula. Mas Guilherme Motta sempre precisa deixar o raciocínio pela metade, senão a pauta do Estadão não pode ser atendida.
Por comentador
Nassif, eu havia citado em outro post, hoje pela manhã. É bom saber que você está tratando dessa entrevista, e das suas ambiguidades.
A nossa grande imprensa anda meio desesperada. Acredito que se a eleição do ano que vem cair no colo de Dilma, o desespero será total.
O Estadão publica neste domingo uma entrevista de Carlos Guilherme Mota, historiador que, pelo visto, não deve entender nada de História, ou se entende, deixou seus conhecimentos de lado.
Nessa entrevista recheada de contradições, o historiador, além de ofender os cidadãos brasileiros com afirmações sobre um pobrismo que é negado pela realidade política, cai em patentes negações ao afirmar que o presidencialismo brasileiro é desbussolado. Se fosse assim mesmo, porque será que FHC e a imprensa estão preocupados com algo sem rumo? Dizer que o peronismo politizava não tem nada a ver com a cultura argentina, que foi assim mesmo antes de Peron, que unificou toda a política argentina sob um um único manto personalista. Dizer que o assistencialismo brasileiro é deprimente, é confundir programas assistenciais com assistencialismo. Em sua ânsia de dizer o que esperam que seja dito, desconhece mesmo as condicionalidades do programa. No mais, diz que havia uma politização durante os períodos FHC e 1º Lula. Melhor seria dizer que havia uma oposição restrita durante o governo Lula, sem nenhum apoio de mídia.No segundo caso, melhor seria dizer que a oposição perdeu o seu discurso e a mídia foi atropelada por algum movimento por ela inesperado. Antes disso, será que não sabem estabelecer uma relação crítica onde o brilhantismo político de Lula ofuscou seus opositores?
Por Simone-rj
Entrevista de Motta e Adriana Lopez ao Valor:
http://www2.pv.org.br/noticia.kmf?noticia=7838100&canal=253
Comentário
Nesta entrevista que a Simone indicou, as idéias do professor aparecem de forma mais elaborada. Podem ser questionadas, mas são melhor compreendidas.
No Estadão, ele foi vítima da maldição da banalização.


Motttta, não consegui passar da 1ª linha.
Usaram Mastercard?
Para mim as palavras do presidente Lula ganharam mais efeito. Diploma universitário, ou no caso, ser prof da USP, não torna ninguém inteligente.
Concordo plenamente e acho que temos que mudar o conceito do que é um analfabeto. Torna-lo bem mais abrangente.
Na wikipedia, um paragrafo definindo analfabetismo diz: Esse processo não se resume apenas na aquisição dessas habilidades mecânicas (codificação e decodificação) do acto de ler, mas na capacidade de interpretar, compreender, criticar, resignificar e produzir conhecimento.
Este individuo se resume a habilidades mecânicas. Na verdade é um analfabeto funcional.
Essa entrevista é o rascunho do inferno de ponta-cabeça! E como é preconceituoso esse PSDB, vide a frase “Mas há lideranças surgindo, novas gerações de professores, juízes, promotores, pesquisadores, militares, profissionais liberais com boa formação e visão moderna do País.”
Sugiro a oposição, ao Pig, e aos politiqueiros da USP, que almeijam fazer política que façam um curso do SENAI, pois assim aprenderão na prática, o que o povo soberano deseja.
Quando aparece alguem mostrando que o rei esta nú ,a polemica é grande ,mas é do debate que surge a esperança , já foi focalisado o fato do personalismo totalitário de Lula que faz qualquer negócio para cooptar apoio,e vai conseguindo ( Sarney ,Collor e outros) e o seu projeto de poder ilimitado em que antigos aliados fieis já percebendo a mudança sairam do barco,(Marina ,Cristovão e outros) ,que por Lula são tratados paternalmente como filhos desviados ,entãoquando alguns intelectuais se pronunciam contra Lula ,são logo esqualificados ,como Caetano ,mas em boa hora começam a surgir mais formadores de opinião com independencia para mostrar que algo sério esta acontecendo na sociedade brasileira .
Cartacho, o “totalitário” sairá do cargo em 31/12/2010. A “cooptação” de uma maioria congressual é tradição numa “democracia” de um tipo que eu sei que voce gosta, a dos EUA,. “Poder ilimitado” não combina com a liberdade que a mídia e voce possuem para desfilar essas idiotices mentirosas. De “paternalismo” e “filhos desviados” não falo, é retórica vazia de sentido, como é do seu jeito escrever. Agora confundir o gênio musical que é Caetano, com um “intelectual” é risível, há tempos ele se coloca como “guru de cansados”, pois a única coisas que lhe interessa é agradar uma certa elite, principalmente paulistana e carioca, que tem grana para ir a seus shows.
Me perdoe, mas escrevendo essas baboseiras, é o seu primarismo que está nú. Um abraço, Sérgio.
Ô Sérgio, pare de implicar com o amigo Cartacho. Ele e o Ariosto são coisa nossa, a juventude ulra-híper-hurra-radical do Blog.
Nassif, embora mantenha as críticas que fiz no fundamental, me desculpo pela agressividade maior do que o normal. É que ultimamente tenho encontrado muito machão de computador por aí (que óbviamente sempre vem misturado com primarismo intelectual), e acho que ando “eriçado”. Não se contaminar é uma luta constante pela sua própria lucidez.
Cartacho, o Lula é criticável sim, se voce visse o que acabei de escrever num tópico sobre Vargas lá no portal voce entenderia. Mas de qualquer forma o “tom” que usei não é o usual. O Carfacho é nosso, rsrsrs.
Um abraço, Sérgio.
Ora, Artur Cartacho, dá um tempo! A questão não é que o Lula seja incriticável. Não é isso. A questão é a crítica desprovida de base paradigmática. Em outras palavras, se você mesmo diz que a política de busca de cooptação é igual em Sarney, em Collor e em FHC, porque o autor do artigo critica Lula e elogia (indiretamente) o FHC, inclusive isentando-o de responsabilidade pelas diretrizes partidárias do PSDB, logo ele, seu pricipal líder? Quer dizer ue o que era elogiável em FHC passou a ser um vício em Lula? Lula é criticável, eu mesmo estou decepcionado com algumas atitudes dele. Só não se pode é partir para a falácia, para o sofisma. Lula tem defeitos mas seus defeitos, até onde os conheço, são os mesmos dos demais políticos. Lula, para mim, não pecou pela diferença, pecou pela igualdade.
Cartacho, não sacaneia o Nassif. Ele matou a cobra e mostrou o pau. O Motta veio com um trololó sem sentido, e foi desvendado parágrafo a parágrafo. A manifestação do FHC tb, pra bom entendedor, é de fato furada, sem noção, e o Caetano só sabe caetanear mesmo. Contra todos os trololós, meu caro, dá uma lida nos relatórios do Ipea, da Fazenda e do Planejamento. O país tá bombando, Lula é o timoneiro – goste ou não – e o resto é masturbação teórica. Esses caras criam fantasamas e gastam laudas e laudas (e nossos sais) pra combatê-los, compreendeu?
Glauber Rocha também criticou Ideologia da Cultura Brasileira, de Mota, por ignorar solenemente o Cinema Novo (e adjacências), quando quer dar conta da matéria nos anos 60.
Acho que descobri o problema! Não tem outra explicação pra tamanha confusão:
Assistir muita TV emburrece.
Para o Estadão e outros, o negócio é desconstruir Lula de qualquer jeito, pois morrem de medo de que seu indicado(a) chegue a presidência. Qual o problema? É que no desespero de causa a maioria das argumentações, matérias, teorizações, e análises carregam preconceitos, inveja, e muitas mentiras deslavadas. Um abraço, Sérgio.
Mas esse desespero todo tem uma razão de ser. Perder o executivo federal, a maior parte dos estaduais e ver minguar a bancada no congresso, justo em um momento (2011-2022) em que os orçamentos vão ser crescentes e os conflitos sociais minguantes (isto é, conjunto fácil de governar) deve dar uma tristeza de doer.
Se perder agora, que tem nomes conhecidos em estados grandes, 2014 e 2018 serão difíceis também.
Para que isso não ocorra, e como se verificou o desastre anunciado muito em cima da hora, é que se parte para o vale-tudo. Essa estratégia não parece muito boa não…
Prezado Nassif, acho que o sr. Carlos Guilherme Mota poderia trabalhar como diretor geral de trânsito na empresa CET de São Paulo. Será que ele saberia o caminho do centro até o aeroporto internacional em Guarulhos?
Artur cartacho!!! Sabe o que está acontecendo? 18 milhões de pessoas passaram a fazer parte da classe média e o que é pior para a grande mídia, não se contenta com a opinião PUBLICADA o que infelizmente é o seu caso. Ao baratear o acesso aos computadores o governo está DEMOCRATIZANDO a informação e vem aí o Plano Nacional de Banda Larga. Isso sim irá potencializar as mudanças na sociedade brasileira. A fala de Guilherme Motta vem saciar a elite preocupada com o seu fututo no país, mais não muda em nada a visão do povo brasileiro sobre a importância de Lula para o país.
esse “a nação assiste bestializada”, para quem não sabe, é uma analogia com a época da proclamação. Aristides lobo disse que “o povo assistiu bestializado”.
Nos dois casos, o povo não estava nem aí.
Luis Nassif (09/11/2009 às 13:14),
É preciso que se deixe claro que, “nos dois casos, o povo não estava nem aí” tanto para a declaração de Carlos Guilherme Mota quanto para a declaração de Aristides Lobo.
O povo está ai sim para o que está acontecendo. Ele pode também não assistir. Assistir bestializado é também não assistir (Salvo no caso do “Olhar Bestial” de Jorge Mautner), mas nesse caso não seria o povo. A nação também é o povo, a menos que ela está sendo considerada pelas vacas de presépio e concomitâncias.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/11/2009
A entrevista foi pautada para se articular com o artigo do Fernando Henrique, não tem dúvidas. Eles nem tentaram disfarçar, citam o artigo tenebroso todo o tempo.
Quere dizer que o Lula está atrapalhando o aparecimento de uma nova esquerda liberal republicana como a de Obama no Brasil?? Tá bom. Então toda a admiração do Obama pelo Lula deve ser porque ele está querendo deixar de ser esquerda liberal republicana e ficar igual ao nosso presidente, que sabe-se lá o que é, talvez um déspota esclarecido da pós-modernidade. Ainda vão acusar o Lula de tentar estragar o Obama.
“Meu Deus! Todo governante anuncia obras. É assim: o presidente ou governador entra, planeja obras; depois, à medida que as obras vão ficando prontas, anuncia.”
Nassif, o Serra está anunciando obra inacabada desde o primeiro dia de governo. Até no Parque da Águ Branca tinha um cinema ambulante projetando um filme do rodo anel.
O metrô instalou uma TV interna em todas as plataformas onde você assiste, o tempo todo… as obras do metrô!!!!!!!!! E fica imaginando quanto a superlotação vai aumentar quando elas estiverem prontas…
Luis Nassif,
Na entrevista (31/11/2008 quando ainda não se tinha uma dimensão da crise) que você diz melhor, marido (Carlos guilherme Mota) e mulher (Adriana López), historiadores e escritores do livro “História do Brasil – Uma Interpretação” respondem, ora um ora outro, às questões do Valor Econômico. Há lá esta passagem:
“Valor: Neste mundo globalizado, a política virou apenas uma questão de gerenciamento?
Adriana: Não podemos tomar como regra geral alguns episódios, como aqueles que envolveram Duda Mendonça e o governo Lula. Claro que o marketing político existe: FHC foi seu próprio grande marqueteiro. Veja o buraco em que está entrando a Itália do primeiro-ministro Silvio Berlusconi em contraste com a Espanha do presidente José Luiz Zapatero, mais bem administrada. Os EUA de hoje demonstram que não se trata apenas de “gerenciamento”, como querem alguns executivos. A boa formação intelectual e política de Barack Obama, como a de Franklyn Roosevelt, de John Kennedy e de Bill Clinton, em contraste com a dos dois Bush, vai pesar muito na construção de um mundo menos bárbaro, mais civilizado, viável.”
Sem esquecer que na pergunta há o pleonasmo “mundo globalizado” vou ao que interessa: a resposta. No caso a resposta foi da Adriana, mas parece que ela bebe na mesma fonte que você, pois possui algum mecanismo para estabelecer se um governante é bom ou ruim e sapeca lá:
“Veja o buraco em que está entrando a Itália do primeiro-ministro Silvio Berlusconi em contraste com a Espanha do presidente José Luiz Zapatero, mais bem administrada”.
É o caso de se verificar agora depois da crise qual país (Espanha ou Itália) está saindo mais rápido da crise.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 09/11/2009
Não há problema em convocar intelectuais para analisar fenômenos políticos, desde que não se associe a opinião de um especialista como expressão de suma autoridade no seu campo de saber. Creio que a afoita entrevista do Estadão ajuda a confundir as coisas. O Professor Motta não é um Villa, longe disso, mas também não é historiador do primeiro time, nem representa a USP. Digo isso sem pretender desqualificá-lo, apenas para indicar melhor a sua posição como historiador na atualidade. Um critério necessário mas não suficiente para avaliar seu prestígio acadêmico é a participação nas bancas de pós-graduação nos centros de excelência, geralmente as universidades públicas, ou na agenda das grandes pesquisas realizadas no campo da História.
Fora do contexto acadêmico, historiadores, sociólogos, filósofos não se distinguem dos jornalistas quando o assunto é política contemporânea.
Simone-rj (09/11/2009 às 13:45),
Excetuando sua afirmação que o professor Motta não é um Villa, pois essa até um leigo como eu pode facilmente constatar, não tenho como opinar sobre o seu primeiro parágrafo.
Em relação ao segundo, eu penso que essa é a justificativo que eu encontro para emitir os meus pitacos sobre política contemporânea. A minha opinião vale tanto quanto a de jornalista e o restante da plêiade que você relacionou.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 09/11/2009
Caros amigos ,tenho o maior respeito por vossas opiniões,o Nassif é fora de série ,por isso mesmo sou frenquentador assidúo do seu blog ,agora posso estar errado ,mas sou muito cabreiro com qualquer unanimidade ,até por isso meu time é o Flu ,que é dos grandes o que tem menos torcida ,não que eu queira ser do contra ,mas um governo com mais de 80 por cento de aprovação já me deixa cabreiro ,a oposição tem que ter força ,e aqui no Brasil ate pela índole dos políticos Brasileiros que se vendem por pouco ,não esta havendo equilibrio .e isso é muito perigoso ,é dai que surge o autoritarismo ,que graças a deus nãoé o caso de Lula que é um grande democrata ,mas ao seu redor existem pessoas com esta tendencia .
Governos que seguem bem um programa estruturado naturalmente alcançam popularidade. Michele Bachellet no Chile também tem 80% de aprovação (e não é garantido que fará o sucessor no mês que vem.)
Se deseja que a oposição brasileira tenha força, o que até seria saudável, tem que pedir para ela pensar. Não é trabalho da situação isso, muito menos da imprensa. Mais a mais, até há oposição : PSOL e PV são oposição e de vez em quando têm algo para falar.
E, antes continuísmo em um governo com projeto andando e 80% de aprovação do que em um que já leva 15 anos, não deve ter muito mais que 40% de aprovação, parece bem aparelhado e troca obras por propaganda paga.
Não tenho medo da continuidade do poder. No pós-guerra a Europa Ocidental era bem mais pobre que os EUA. A renda per capita dos países mais ricos da Europa era um terço da norte-americana. Houve vários partidos que desenvolveram bons programas social-democratas e por isso mesmo ficaram muito tempo no poder:
Alemanha : Democratas-cristãos de 1949 até 1965 (4 mandatos) / Sociais-democratas de 1965 a 1982 (4 mandatos)
França : Gaullistas de 1959 até 1981 (4 mandatos) / Socialistas de 1981-1995 (2 mandatos de 7 anos)
Espanha : PSOE de 1982 a 1996 (4 mandatos)
Após todos esses governos de centro-direita ou centro-esquerda, de 16 anos em média, foram finalmente eleitos partidos com projetos de direita. Ou seja, faz mais sentido desenvolver primeiro os programas de estado. Liberalismo econômico é para um estágio mais avançado.
Posso estar sendo otimista, mas a postura da centro-esquerda brasileira atual me parece mostrar um perfil mais próximo ao seus pares na Europa dos anos 60 a 90. É a direita brasileira que quer fazê-la parecer com a esquerda latino-americana dos anos 60 a 70, mas esse discurso acho que não “cola”.
Gunter – SP (09/11/2009 às 19:26),
Sei não. Vejamos só a primeira frase do seu comentário:
“Governos que seguem bem um programa estruturado naturalmente alcançam popularidade”.
Eu ia lançar a dúvida, será que alcançam. Ai lembrei dos padres professores de religião no ´Colégio Santo Agostinho em BH onde estudei. Diziam eles como a prova final e irrefutável da existência de Deus: “Os verdadeiramente sábios acreditam na existência de Deus”. Eu ficava me questionando: será? Até que eu entendi a pegadinha: os que não acreditam na existência de Deus não são verdadeiramente sábios.
Assim está você na sua sentença: “governos que seguem bem”. Bem, o que é seguir bem? E o que é um programa? E o que é um programa estruturado? E o que é um programa estruturado naturalmente?
Excetuando o último parágrafo com o qual concordo com você, nos demais há um apanhado de situações que são explicados pela sua primeira frase, mas que ao meu ver pode ter outra razão.
Por curiosisdade, pois não tem muito a ver com seu comentário, mas os nomes Alemanha e Charles De Gaule me trouxe a memória, hoje li na Folha de São Paulo um relatório em que se mostrava um certo temor entre os aliados ocidentais de a Alemanha se reunificar. Bem, no final da década de 70 ouvi alguém dizer que De Gaulle amava tanto a Alemanha que ele prefiria que fossem duas.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 09/11/2009
Apenas agora artur cartacho, tu percebeu que algo sério está acontecendo na sociedade? Vejo vosmecê acreditando em muitas tolices.
O Caetano, um cantador autodidata, sem lenço, sem documento nem diploma, nele próprio não acredita, tanto que já se desmentiu, e, tentou negar as tolices que vomitou contra o presidente Lula.
O cantor santamarense, quando jovem, proferia frases de efeito agradavel aos ouvidos rebeldes. Agora, com o prazo de validade prestes a vencer, o cantante se enreda em discurso preconceituoso grosseiro.
Ao perceber a merda que disse, tentou retroceder. Era tarde. Havia se esborrachado. Passou a receber apoio de uns tantos ingênuos, e, outros quantos de má-fé.
Caetano nunca foi nenhum intelectual. O Mario Quintana sim, poderia ter sido. Este poeta, que, medido pela régua do caetano, analfabeto seria. Mario Quintana, como se sabe, alizou os bancos da escola por quatro anos que nem o Lula.
Contam, que o Poeta se dizia autodidata, e, portanto, ignorante por conta própria. É uma pena o santamarense não poder dizer o mesmo. Imagina o que dizer do ociólogo de higienópolis?
Abraços. Orlando
Mania dessa gente uspiana de análisar um país sem povo, uma sociedade sem povo, uma cultura sem povo. E depois, cinicamente, criticar um dos poucos representantes desse mesmo povo que fez um governo voltado, quem diria, um pouco mais ao povo… Essa de “a nação assiste bestializada” é pra lá de manjada!
Essi Blog é tão bão, que mesmo quandu a gente fáia um dia, dá uma vuntade danada di ler os posti di diatráis. E di cumentá.
O professor Carlos Guilherme Motta, assim como FHC e quase a totalidade de intelectuais tem um distanciamento muito grande da vida real. Eles não tem noção da realidade diária do cidadão comum. Por isso estas frases:
1) “A nação assiste, bestificada, à montagem de um novo bloco de poder”.
2) “O tratamento dado ao segmento social que o governo entende por povo”
3) “Os indicadores vão bem, mas a sociedade vai mal”
Enfim…Sei que sou uma pessoa de cultura limitada, sem formação superior. No entanto consigo ler o que o distinto erudito escreve e pasmem! – entendo. Talvez seja o bom hábito de leitura desde a juventude. Mas essencialmente sou alguém muito mais próximo do povo que ele. No dia-a-dia convivo com engenheiros, projetistas, faxineiras, motoristas, balconistas de padaria, caixas de supermercado, professoras da rede municipal e estadual de uma pequena cidade do interior do RJ, donas de casa, etc.
O que as pessoas do povo pensam, a reação aos fatos políticos, os comentários às notícias veiculadas na TV, a percepção das ações do governo, passam LONGE do supõe essa turma de intelectuais.
Percebo que Lula é infinitamente mais qualificado que ele, por sua própria origem a entender o que é povo.
Luís Fraga (10/11/2009 às 0:20),
Boas as suas observações. E sem nenhum demérito à USP a quem a nação deve muito e a despeito da minha teoria conspiratória de que a USP é que tem o projeto político de dominar o Brasil durante 20 anos, as frases que você aproveitou para refletir a entrevista e o entrevistado tem a peculiar característica de representar a mania do pessoal tucano de sair copiando tudo.
Assim, “A nação assiste, bestificada, à montagem de um novo bloco de poder” é parte de frase de Aristides Lobo referindo-se a Proclamação de República como bem mencionou Thiago em comentário enviado em 09/11/2009 às 10:46. No Comentário Thiago diz:
“Esse “a nação assiste bestializada”, para quem não sabe, é uma analogia com a época da proclamação. Aristides Lobo disse que “o povo assistiu bestializado”".
Quanto a frase “O tratamento dado ao segmento social que o governo entende por povo” eu tenho que reconhecer que ai há o trademark tucano. Parafraseando Chico Buarque, o PSDB tem um jeito que é só dele, de só fazer rodeios de nunca ir ao ponto. Como o espírito do partido é de imitação bem que valeria uma pesquisa para saber aonde o PSDB foi buscar essa grife.
E quanto a terceira frase: “Os indicadores vão bem, mas a sociedade vai mal”, parece que ele está copiando Emílio Garrastazu Médici. Como Lula tem falado sobre algumas qualidades do governo de Geisel, o Carlos Guilherme Mota deve ter imaginado que ele apareceria bem na foto se trouxesse uma frase daquele período.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/11/2009
O tempo passa e nenhuma palavra de como se deter as fraudes trialiardárias que atingem todas as nações do planeta.
Neste caso, tanto a situação como a oposição não têm projeto ou estratégia, infelizmente.
Não teria problema se não nos atingisse, mas na verdade controlam todo o nosso cotidiano, suponha um cenário onde o barril do petróleo passasse a custar US$ 130,00, não tem economia no planeta que aguenta, e este preço esta na manga dos operadores.
Vamos precisar discutir política prá valer nos próximos meses, isto se quisermos continuar a existir como um pais independente.
Por enquanto, só retórica, nada que vá a eidética do poder, mas vamos ter de chegar lá, doa a quem doer, custe o que custar.