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08/11/2009 - 13:16

A fábrica de alunos da Uniban

Por Andre Araujo

Esse tipo de universidade existe por todo o Brasil. Tres sujeitos ricos mas de escassa educação se reunem em uma praia e discutem: pessoal, temos que investir esse dinheiro, vamos abrir uma igreja, uma universidade ou uma concessionária Volks?

É desse tipo de gente que saem essas universidades.

A Uniban fazia uns anuncios na radio Bandeirantes aonde falava o vice-reitor. Como dizia sabiamente George Bernard Shaw, a linguagem é o melhor documento de identidade. O portugues do sujeito era de quiosque de praia, E era vice-reitor.

São universidades caça-niqueis, não tem qualquer espirito universitario, qualquer compromisso real com a educação, tendo capital se compram predios em leilões mal cheirosos, moveis de 3ª, professor acha com facilidade, pagou e dão aula, depois é só investir em marketing. Não tem e nunca terão espirito de universidade porque não são lideradas por educadores de verdade e sim por comerciantes para quem tanto faz escola como posto de gasolina.

Esse foi o maior erro do MEC e do CFE au autorizar esse tipo de falsa universidade. O requisito principal deveria ser o dos organizadores do empreendimento, que curriculo tem, isso é mais importante do que o dos professores e hoje não é filtro para autorizar a instituição. Não é só essa do ABC, no Rio tambem há universidades criadas por comerciantes de qualquer coisa e uma delas é das maiores do Rio.

Então esperar espirito universitario dentro de um negocio de bicheiros, sucateiros ou donos de empresas de transporte de carga, seria demais.

E não se culpe a globalização. Universidade na Europa e nos EUA é coisa séria, a esmagadora maioria não tem fins lucrativos, são fundacionais e são rigorosamente avaliadas pelo publico discente, ninguem investe em coisa ruim quando escolhe universidade para os filhos, nos EUA é rara a universidade que tenha menos de 70 anos de fundação, as grandes tem dois seculos, na Europa idem.

Por causa dessa liberalidade excessiva, confundida com democratização do ensino, temos hoje no Brasil mais de 1.200 faculdades de direito, contra 182 nos EUA e temos no Brasil mais faculdades de medicina do que toda a Europa. Estamos enganando jovens e seus pais, formando falsos preparados para nada, uma legião de desempregados diplomados, na recente inscrição para emprego de garis no Rio se inscreveram 2.000 com curso superior.

Quando aqui se discute a decisão sobre essa jovem expulsa da Uniban esta se discutindo coisa errada.

Não foi uma universidade que a expulsou indevidamente, foi um local onde era uma fabrica que faz de conta que é universidade e acha que com isso mantem a aparencia de ambiente familiar, como nos antigos “”reservados”” de bares de subuirbio, devem achar que é bom para o marketing, o ABC é de fato uma região bem conservadora.

Comentário

No começo dos anos 90, através do meu programa “Dinheiro Vivo”, na TV Gazeta, investi contra o presidente de uma associação de escolas particulares de São Paulo. Ele deu uma entrevista condenando uma decisão que obrigava a escola a aceitar alunos com deficiência física – ou coisa parecida. O sujeito era de uma truculência incontida. Quebramos o pau durante alguns dias.

Vendo as fotos do presidente da Uniban, me pareceu o mesmo típico físico. Não deve ser o mesmo. Mas alguém poderia lembrar quem foi o presidente dessa associação no início dos 90?

Por Francisco Bicudo

Caro Nassif, acho que você se refere ao famigerado José Aurelio de Camargo, que era presidente do Sindicato das Escolas Particulares de São Paulo (Sieeesp) na época, e que ao “justificar” a recusa de matrícula de uma aluna portadora do HIV (o nome da pequena era Sheila), afirmou que “crianças com Aids não precisam estudar, pois já nascem com atestado de óbito assinado”. Nojento, abjeto, deplorável e fascista.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Educação Tags: ,

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211 comentários para “A fábrica de alunos da Uniban”

  1. Zé da Silva Brasileiro disse:

    Caro Luiz Nassif, antes de mais nada, procure informar-se sobre o que fala, principalmente quando cita: ” Então esperar espírito universitário dentro de um negócio de bicheiros, sucateiros ou donos de empresas de transporte de carga, seria demais.” Verifique o crescimento das empresas de sucata e transporte neste país, e qual a importância destas para a economia brasileira, o Senhor conhece estas empresas? Quanto a seus comentários sobre a Uniban, afirmo que ninguém é dono da verdade, casos mais graves ocorreram em outras faculdades e universidades, como mortes, estupros, entre outros, e estamos falando de USP, UFF, dentre muitas, frequentadas, tidas como público de primeiro nível, ou primeira classe, filhos de quem? Por que a importância deste episódio da Uniban? Sou empregado no ramo de transportes, levo a sério meu trabalho, sou reconhecido profissionalmente, nem tão pouco faço parte de sua inquisição, me formei em universidade tida como “C”, entre aspas, como se refere atualmente a Uniban e outras, mas qual é o valor do conhecimento, está alinhado ao valor da parcela, ou as condições que nos dão para frequentarmos universidades públicas? Se o MEC, órgão máximo da educação neste país aprova estas universidades no país inteiro, quais critérios foram levados em conta para tais aprovações, quem estava por trás destas aprovações, quem assinou estas aprovações?

    • luisnassif disse:

      Zé da Silva, peço muito menos a você: apenas que se informe sobre o autor do artigo contestado. É só olhar no começo do post.

  2. Paulo disse:

    Essa faculdade é a grande vergonha nacional!

    COVARDES!!!!!!!!!!!

  3. Batman disse:

    Loira dança funk para prestar homenagem a loira da Uniban.
    Esses alunos da Uniban precisam aprender que fizeram besteira. Eles tem que assumir o erro e tocarem a vida pra frente, caso contrário é melhor rasgar o diploma.
    Fico impressionado como ninguém de dentro da UNIBAN esteja apoiando ela publicamente.
    http://robertokuelho.blogspot.com/2009/11/loira-danca-funk-em-frente-uniban-pra.html

  4. Mestre disse:

    Caro André,

    Suas análises – SIM, é disso que se trata – são pertinentes.
    Sabe onde tudo começou: incentivo descarado dos militares para esses “empresários” abrirem esses estabelecimentos – no começo eles usavam escolas ociosas e seus respectivos cursinhos. Depois, foram comprando e hoje … bem … prédios inteligentes com vidro fumê. Bom, não vou entrar nem nos detalhes desses contratos, porque aí é caso de Polícia.
    Sabe por que tudo isso? Isenção fiscal meu filho, já viu algum segmento, em qualquer lugar do planeta, que não pagou imposto e não paga – o Prouni veio para novamente não pagar – hein?
    Bom, além das igrejas, temos essas fábricas.
    Ah, quando muita gente começar a saber como é que foram construídos esses impérios ….
    A sociedade brasileira tem de agir rápido. Eles estão agora entrando na bolsa de valores e com o mesmo discurso velho de democratização de ensino.
    Democratiza ensino é gente – independente da classe social -, com mérito, em universidade de verdade – no Brasil, com todos os problemas, algumas públicas estaduais e federais, algumas confessionais e comunitárias.
    O resto, nem vem que não tem.

  5. Mestre disse:

    Prezado Zé da Silva,

    Os critérios para o MEC aprovar são os seguintes:

    1) O setor privado possui uma Frente Parlamentar em Defesa do Ensino Superior composta, sem atualização minha, por 176 deputados e 36 senadores. Esqueceram de acrescentar um adjetivo Privado na frente. Bem, vejam, eles estão muito preocupados com a sua formação e a dos demais brasileiros.
    2) Decorrência da segunda: qualquer projeto de lei a ser votado passa pelo crivo dessa Frente que está interessada no valor da educação de nosso país. Então, veja você, a batalha é muito simples para qualquer governo que queira desenvolver o ensino público para todos.
    3) Sabe quem “pressiona” essa frente, fornecendo apoio e $$$ para as suas campanhas a deputados e senadores. Se vc. acertar ganha um doce.
    3) Os representantes dessas fábricas possuem cadeira cativa no Conselho de Educação e possuíam no antigo Conselho Federal de Educação. Sabe qual o papel desse Conselho, dominado por essa gente, abertura de cursos, elaborar pareceres.
    4) Ah, paro por aqui. Tem tb. o papel dos intelectuais privatistas, da mídia, enfim, teria uma lista imensa para te dar.

    Abra o olho meu caro. Vc. tem suas razões, mas ainda precisa saber de muita coisa para ter uma visão completa disso. O terreno é muito minado, o setor movimenta R$ 10 bilhões… o jogo é pesado
    Abs.

  6. zékarlos disse:

    Infelizmente essa é a realidade da educação no Brasil. Estamos vivenciando a proliferação de faculdades e universidades de baixo nível, dando diploma por atacado (porque formar profissionais não é o que se pode dizer dessas instituições).

  7. PROFESSORA disse:

    Acho que devemos ter cuidado com as generalizações e rotulações.A maneira como você falou a respeito da Universidade foi tão agressiva quanto o ato daqueles estudantes com a garota.Vivemos em uma sociedade Capistalista é inevitável a busca pelo lucro em diversas esferas, a educação não está livre.Entretanto, existe muitos alunos sérios dentro destas instituições e merecem respeito!!!!

  8. Ex aluna disse:

    Fábrica de DINHEIRO, onde as máquinas que o produzem são os ALUNOS.
    Universidade egoísta que nem sequer se preocupa com a real situação do seu aluno, muito menos com a qualidade de educação que fornece. Seu principal objetivo são apenas os cifrões.
    No quesito administrativo, nem se fala! É pior do que órgão público, você não consegue falar com ninguém, fica sem respostas concretas, negociação de qualquer assunto então… NEM PENSAR!! Balela, fachada… cada colaborador te informa uma coisa, e quando informa não registra, muito menos assina embaixo, porque na verdade nem sabe o que está falando. É uma zona!! Existem apenas regras para pagamentos, de resto é uma BAGUNÇA!! Sinceramente…NÃO RECOMENDO A NINGUÉM!!
    Infelizmente vivenciei dois anos do meu curso de graduação nessa universidade e digo com todas as letras que foi a pior experiência que vivi na vida, e posso afirmar isso, pois tive outras experiências que podem servir como referência para comparação.

  9. Essa faculdades não são “fábricas de alunos”, mas sim “fábricas de professores”.

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