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07/11/2009 - 14:00

Qualidade e quantidade na Academia

Por Mario Abramo

Caros,

Trechinho da entrevista com o Mário Schemberg(Publicada em julho/agosto de 1984) que se não me engano o Cherubine postou há algum tempo:
“O sistema atual não visa estimular a criatividade do aluno, mas sim a sua produção. Aliás, tive uma experiência interessante quando estive nos Estados Unidos em 1940, trabalhando com o professor George Gamow. Era um russo de formação européia, tinha horror à Universidade norte-americana, e me preveniu; não vá muito à universidade daqui, não é recomendável, pois a pessoa é promovida pelo peso de suas publicações, e não pelo seu peso científico. Achava que isso se devia ao fato de serem, em geral, universidades particulares, e que os boards of trustees, formados por homens de negócio, cultivavam a idéia de produção sem pensar na qualidade. O critério para promoção, para a renovação de contrato, era o número de trabalhos. Esse critério qualitativo foi introduzido no Brasil pela reforma universitária que, como se sabe, é conseqüência do acordo MEC-USAID. Um físico americano famoso fez uma defesa da universidade nos EUA dizendo que o país tinha necessidade de formar 50.000 engenheiros por ano, não necessariamente os melhores do mundo, para manter o desenvolvimento industrial. Quando queriam alguém de grande capacidade, contratavam na Inglaterra, onde a organização universitária permitia formar, por ano, os duzentos melhores engenheiros do mundo. Essa era a filosofia dominante: aplicavam no ensino os métodos industriais. Esse sistema foi transplantado para cá, fazendo tábua rasa de toda uma tradição universitária brasileira que já existia e que talvez fosse mais adaptada ao Brasil do que aquela que foi instituída. Estou convencido de que a Universidade de hoje é uma instituição em vias de desaparecer. Ou então será uma coisa inteiramente diferente. Terá que ser reformulada, repensada, certos objetivos deverão ser redefinidos.”

http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis/txt.php?id=71

Psé, como a Anarquista, o Marcelo W e outros, essas distorções ocorrem por causa do “publish or perish”. Mas essa é uma tendência mundial. Não dá muito pra ser parrudo e encarar de frente.
Mas bem que a CAPES podia começar a enxergar um pouquinho mais longe… e não com essa mentalidade contabilista.
O grande problema do plágio científico é que a evolução acadêmica depende disso, implicando inclusive em acesso a cargos. A fraude não é cometida apenas contra o plagiado, lesado em seu direito autoral, mas também contra toda a sociedade, como ato de falsidade ideológica.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Educação, Universidade Tags: , , ,

28 comentários para “Qualidade e quantidade na Academia”

  1. Daniel Campos disse:

    Eu já venho falando isso à mais de uma década. Nossas universidades são feitas para formar capachos (só copiam e só conseguem citar o trabalho de outros e/ou basear-se no trabalho de outros), e não gente que de fato pense (que consegue fazer trabalhos de fato originais por exemplo). Mas como gente que de fato pensa é “perigosa”, dá de se imaginar a razão.

  2. wiss disse:

    È realmente grotesco este processo.
    Se o pesquisador levar 10 anos para publicar um livro de impacto na área , ele terá menor valor para alguém que publicou 3 artigos sem relevancia e substância.

  3. Chato Feliz disse:

    “Esse sistema foi transplantado para cá, fazendo tábua rasa de toda uma tradição universitária brasileira que já existia e que talvez fosse mais adaptada ao Brasil do que aquela que foi instituída.”

    Bom, não me venham com tretas. Qual a grande tradição universitária brasileira ? A USP, que se considera a única universidade do país, não sendo, em muitíssimas áreas, sequer a melhor de SP ? Quanto de conhecimento relevante para a humanidade o Brasil produziu nos últimos 50 anos para q se fale da grande tradição universitária brasileira que estaria sendo destruída ? É suficiente para que se coloque o Brasil no mesmo saco que EUA e Russia ?

    Está aí mais uma discussão “transplantada”. Faz todo o sentido quando se trata de confrontar o modelo americano com o russo, ou japonês, ou alemão, ou suíço, mas é no mínimo patética quando nela se enxerta o Brasil.

    As universidades brasileiras são, ainda, grandes colégios de ensino superior. Nunca passaram disso desde sua criação. E porque ? Porque universidade, como Harvard, Princeton e Oxford, são aquelas instituições que produzem conhecimento relevante além de meramente transmitir o que já se sabe. Não estamos neste estágio ainda. Caminhamos pra lá ? Sim, penso que sim, mas muito graças às políticas de contratação atuais das UFs (que exigem cada vez mais doutores e com produção científica internacional) e dessa “terrível” pressão por publicações.

    Temos nas nossas universidades hoje todos os vícios de quem se acostumou a ser colégio com título de universidade. Muitos professores com pouca ou nenhuma capacidade de pesquisa, alguns até de gerações recentes (minoria é verdade), que morrem de medo que se instale qualquer cultura que vise produção. Tenho vários colegas que são hoje jovens professores em UFs por todo o país e, particularmente nas menores e médias UFs, o que eles dizem é q o “grande” confronto de idéias dentro dos departamentos é entre os que querem pesquizar e produzir, e os que se agarram à mentalidade medieval de que quem pesquisa não é bom formador. Defendem que é impossível andar de bicicleta e assoviar ao mesmo tempo, mas esquecem de dizer que é só pra quem nunca aprendeu a pedalar. E, claro, há principalmente os “gurús”, que não estão gostando nada de ver jovens professores com peso internacional muito maior que o deles. E quem são os gurús ? São aqueles com um enorme peso na política científica do país, ou mesmo dos rumos de sua universidade, mas com pouquíssima ou nenhuma projeção científica internacional. Preciso dizer que essas”figuras” não existem nos EUA, Japão, Alemanh, etc ?

    Se é verdade que aumentando a produtividade das UFs talvez se perca um pouco na atenção que os alunos recebem dos professores (não tem como pesquisar e dar 20 horas de aula por semana, 10 já atrapalha e muito), por outro teremos os professores nas nossas universidades permanentemente ligados ao processo de produção de conhecimento no mundo.

    Enfim, essa é mais uma da bandeiras de quem ama o Brasil província que tem que ser queimada.

    • Urariano Mota disse:

      Chato Feliz:

      Pesquise mais a história. Um bom começo é saber quem foi (quem é, pelas contribuições universais ) o extraordinário Mário Schemberg.
      Depois, associe, em sua pesquisa, grandes nomes da ciência brasileira, formados no antigo sistema de nossas universidades. Sugestão de nomes: Paulo Freire, Josué de Castro….
      Por fim, ponha os seus olhos além da USP.

      • Chato Feliz disse:

        Caro Urariano Mota,

        Eu sei quem foi Mário Schemberg. Eu sou físico. E você, realmente o conhece ?

        Num outro post do Nassif, aonde se falou dos grandes nomes da ciência brasileira, ficou muito claro pra todo mundo que, em física pelo menos, esses grandes nomes não enchem uma mão. Eu lhe falo em mais nomes de físicos americanos de hoje que são tão ou mais influentes do que todos esses dessa lista de All Stars brasileiros jamais foram. Faço isso pra diminuir o que tivemos ? Não. Faço isso pra que ninguém nem sonhe em imaginar que tivemos nalgum momento um peso nem de longe comparável ao que tem os EUA, Russia, Alemanha, França, etc… Esse artigo do Schemberg transmite essa sensação, de que somos uma potência científica sendo mal gerida, a ponto de nos enfiar na comparação entre EUA e Rússia. Meu deus… Há aliás na mentalidade de boa parte dos cientistas brasileiros esse sentimento, de algum tipo de injustiça internacional. A suíça, com 1/3 dos habitantes de Minas Gerais, é muitas vezes mais influente em ciência do que jamais fomos. Haja injustiça pra explicar isso.

        E portanto, pra correr atrás do prejuízo, precisamos ampliar nossas universidades e estimular de todas as formas a produção científica. É sim exigir que se publique. Quem é bom não tem nenhum problema em publicar. Eistein, se fosse cobrado por 5 artigos por ano, faria os 5, ou até mais. E isso em nada mudaria o que ele foi. Pense nisso. Não dá mesmo pra entender portanto o que há de tão maligno neste tipo de cobrança. Entendo que quem não foi preparado para fazer pesquisa realmente tenha muitas dificuldades.

        E essa conversa do plágio, meu deus… Quer dizer que quem faz plágio é uma pobre vítima da maligna política científica brasileira que pede (de forma muito modesta ainda) que se publique ?

        Enfim, não faltam belos argumentos, sustentados por essa ou aquela entrevista, esse ou aquele acontecimento, para que nada saia do lugar. Bom para quem está feliz com a nossa puljante ciência de base.

        Por fim, eu nunca pisei na USP. Aliás, eu só fui a São Paulo em toda a minha vida em 2003, quando muitos vôos internacionais obrigavam a uma conexão em guarulhos. Fiz toda a minha vida, em todos os aspectos, assim como meus pais e todos os meus avós, sem nunca ter pisado em São Paulo e nunca ter dependido em nada desse estado. Estou portanto completamente à vontade para falar do que está fora de lá.

        • Mario Abramo disse:

          Caro Chato,
          Como o Nassif me ama de paixão (sem nóia, Ruiva, vc sabe que essas coisas acontecem) e adora me ver de, ops, em saia justa, ele pinçou esse comentário do post onde estava (a questão do plágio onde a Suely Vilela estaria implicada).
          Perde um pouco o sentido, deslocado de lá. Porque lá algumas distorções ficavam evidentes, apontadas por uma série de comentaristas: número excessivo de autores em artigos, artigos “autorados” por pessoas que leram superficialmente, o “milagre da multiplicação dos papers” etc..
          Não vejo problema nenhum em se exigir publicação, mesmo sabendo que o mercado editorial científico é o que é. Onde eu vejo problema é em resumir a produção científica a artigos publicados em revistas. Existe uma imensa gama de outras atividades que não é levada em consideração.
          Isso eu acho errado sim, e mesmo que o Rogério Meneghini gaste toda sua saliva eu vou continuar achando errado.
          Abraços,
          Mario Abramo

        • Urariano Mota disse:

          Caro Chato Feliz

          Você é fisico? Viva. Mas ser físico não o deixa mais conhecedor de Mário Schenberg. Até porque esse gênio foi além da física, que exerceu com um brilho acima da arrogância: ele foi comunista, cassado e caçado, preso, e, que coisa, também foi grande crítico de arte. De sorte que eu, no meu cantinho de não-doutor em física, posso dizer que conheço um pouco e respeito o grande Mário Schenberg, porque ele era um homem, no sentido universal dos clássicos.
          A critica de Schenberg continua moderna e “da hora”. No meu antigo posto de revisor de livros, tive a infelicidade de ver e conhecer e corrigir teses aprovadas em níveld e doutorado – algumas até em universidades estrangeiras. Sei e conheço a qualidade do pensamento expresso nessa máquina de moer inteligências. Corrigi, também, na medida da minha ignorância, algumas teses de ciências ditas exatas. E não só em português, creia. Mas chega de minhas desqualidades.
          Deixo-lhe a sugestão de ler http://www.schwartzman.org.br/sitesimon/?p=198&lang=pt-br
          Entre outras coisas a carta de Salmeron e Alberto Santoro (conhece Salmeron? que grande brasileiro) diz: “… os jornais de todo o mundo publicaram a notícia de que a colaboração internacional conhecida como ‘Projeto Auger’ descobriu origens de raios cósmicos de altíssimas energias, um dos grandes desafios da física deste século. A colaboração Auger tem forte participação de grupos brasileiros de várias de nossas universidades… Um grupo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e outro da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” estão colaborando com o CERN em nova filosofia para cálculos de experiências com grandes números de dados e fizeram que centenas de computadores fossem construídos pela indústria nacional, utilizados por várias de nossas universidades;.”
          Ciência só se mistura com arrogância na rima. Rima infeliz, Chato Feliz.

        • Reinaldo disse:

          Os colegas das nossas predominantes “ciências duras” atiram com a arma correta, mas, para variar, acertam o alvo errado. A crítica de Schemberg não é tão pontual e específica assim. Ele estava pensando na “universidade”. Será que nos institutos de física (e engenharias, e agroveterinárias, etc, etc) alguém sabe o que é isso? Não parece. O que eu mais vejo são certos “colegas” assumindo posições e produzindo de uma maneira que transformou as “universidades” em “escolas técnicas de nível superior”. Estas, substituíram os antigos “colégios”, como corretamente foram identificados no comentários. Mas, o que tem resultado disso? Grandes somas de recursos e muita “prosa” investidos em “inovação” que não inova nada, apenas com o objetivo de produzir 10 artigos de 3 páginas (relatórios de pesquisa: introdução, procedimentos, conclusões), que servem exclusivamente para garantir mais recursos no próximo edital do CNPq, e só. Convenhamos: “universidade” é mais que isso. Nem precisamos ir à etimologia da palavra. Sem contar que predomina uma cultura “anti-universitária” que reproduz a maquiagem de Lattes e uma uniformização absurda na avaliação de pesquisadores que trabalham com formas e objetos extremamente distintos. Há, entre os pesquisadores atuais, aqueles que querem construir a universidade e o que querem escolas técnicas. Esta é a discussão relevante.

        • Chato Feliz disse:

          Caro Urariano Mota,

          Conhecedor de línguas como “humildemente” você “sugere” que é, e dotado de toda essa erudição que, novamente, “sugere” que tem, é “engraçado” que tenha lido meus comentários e, pelas respostas que deu, tenham parecido ser escritos nalguma língua que você não conhece. Você não os entendeu, arrogantemente me critica e, magoado pela minha resposta, mostra que sabe rimar. Fico feliz por você. Espero sinceramente que as teses em ciências exatas que passaram por você não tenho tido mais do que revisões ortográficas.

        • Chato Feliz disse:

          Caro Reinaldo,

          Errei nos meus comentários ao não ter restringido seu alcance para física, química e matemática, que é aonde eu conheço como funciona a produção científica. Deveria ter deixado isso claro, pois não é bonito assumir posições, em discussões sérias sobre o que não se conhece bem (espero que tenha apendido alguma coisa agora caro Urariano Mota). E por isso imagino que você tenha razão. Mas veja que não há forma melhor de se medir a produção científica nestes campos (ok, há também as patentes em química e física experimental, mas não retiram a importãncia das publicações). Nos países sérios, com ciência avançada, o pesquisador (principalmente em física e quimica) é hoje avaliado pela razão entre suas publicações e o impacto delas, o chamado fator H. Quem publica artigos que não serão citados (medida do impacto), tem baixo fator H. Quem é muito citado em poucos trabalhos também tem esse fator baixo. O ideal é ter um bom número de trabalhos homogeneamente bem citados, com um bom impacto (o que não depende apenas da sua estrutura para produzir mas também da sua competência e preparo). Esse é o pesquisador que tem bom fator H. Uma boa medida do quanto ainda estamos atrás é a comparação do fator H dos cientistas brasileiros com os americanos, ou alemães pro exemplo. Quem tem acesso ao Web Of Science consegue isso facilmente. No brasil, que eu saiba, o fator H não é ainda considerado oficialmente para nada. Olham apenas para o número de publicações, o que é obviamente errado e induz a redução da qualidade.

          Enfim, concluo que esse pensamento medieval, malicioso, que tenta convercer de que, na regra, é ruim publicar, tem que morrer ao menos nas ciências duras, como você se refere. Não sei o que é bom para as outras, mas não tenho dúvida de que isso é péssimo para as exatas.

    • Roberto disse:

      Até onde eu lembre este acordo MEC-USAID é de 1967, temos talvez aí 42 anos dos 50 anos do tal de conhecimento relevante que vc diz que o Brasil não produziu para a humanidade.
      Quanto ao fato de um professor universitário brasileiro dar dez horas de aula por semana eu até acho pertinente, difícil vai ser conseguir que estas dez horas de aula ocorram numa sexta-feira, ainda mais a noite, fazendo com que o interessado em cursar uma universidade pública que tenha que cumprir jornada de trabalho para se sustentar se torne vítima desse sistema, que a grosso modo existe para isso.
      O círculo vicioso aumenta a medida que os professores mais antigos se recusam a dar aula para a graduação, preferindo as disciplinas da pós, enviando para dentro da sala de aula da graduação seus bolsistas e assinando a ementa como se tivessem dado a disciplina.
      Este distanciamento acaba criando nos cursos de pós uma cultura de que não é interessante dar aula para graduandos, tornando então os futuros professores buscadores deste status, fazendo que com que a desculpa para tão poucas horas de aulas dadas seja justamente a de que não é possível dar vinte horas de aula e pesquisar, no final das contas tudo isso se transformou em uma grande vitrine de números, mas que na prática não nos trás nada de relevante para humanidade e antes disso nada de relevante talvez para nós brasileiros que tanto esperamos das tais pesquisas.

  4. Manja disse:

    Ha uma solucao possivel: Multiplica-se o numero de trabalhos pelo numero de citacoes de cada um.

    E faca-se um ranking por area dos pesquisadores e das universidades, neste caso com rankings gerais e por faculdade. Ficariamos sabendo quem e quem.

    O que vale mais; 100 trabalhos que foram, cada um, citado umas 5 ou 6 vezes ou 2 ou 3 trabalhos citados mais de 1000 vezes cada?

  5. Marcio Gaspar disse:

    “Esse critério qualitativo..” Nao seria critério quantitativo.

  6. foo disse:

    “Era um russo de formação européia, tinha horror à Universidade norte-americana, e me preveniu; não vá muito à universidade daqui, não é recomendável, pois a pessoa é promovida pelo peso de suas publicações, e não pelo seu peso científico…”

    Em outras palavras, na Russia a pessoa é promovida por se tornar “otoridade”, enquanto que nos EUA há um critério muito mais claro, baseado em publicações.

    Não é a toa que a pesquisa científica dos EUA está entre as melhores do mundo, enquanto que a Russia… bem, vocês conhecem a história.

    • Leosfera disse:

      o que é que você sabe de fato sobre a rússia? eu mesmo, sei pouco, mas se bem me recordo, em 1917 a rússia era um país feudal, os eua se preparavam para ser a maior potência, findo o horror de duas guerras mundiais. mas nos anos 50/60 os russos estavam lançando foguetes e fazendo um homem orbitar a terra antes dos eua, daí o kennedy prometer o homem na lua até o fim da década. cumpriram a promessa, mas há quem diga que foi fraude. claro que não foi, mas agora que resolveram voltar, estranhamente precisam de 20 anos de pesquisa.

      • ubaldo, o paranóico disse:

        E a cadela Laika sabia mais sobre voos orbitais (e quiçá de astronomia) que muito cientista americano.

    • Neves disse:

      foo,

      A pesquisa científica na Rússia não é desprezível, tanto que deu ao país a condição de liderar a corrida espacial e forncer suporte no campo da tecnologia para acompanhar americanos na corrida de armas. Além de Gamow, nomes como Landau, Sakharov, Kurchatov são considerados respeitáveis físicos do século XX. Mas não é só na área do conhecimento científico e técnico que os russos brilham, um sistema educacional criativo forma diferentes talentos. No campo das artes, da música por exemplo, não é exagero situar os nomes de Skriabin, Stravinski, Rachmáninov, Prokófiev e Shostakóvich entre os dez grandes da música no século XX, você conhece algum maestro americano para entrar no rol?
      A comparação citada por Schemberg não foi entre o sistema ‘russo’ e o americano, mas entre a formação européia e a americana. Se você levar em conta que muito da ciência e da cultura feita no EUA foi com importação de talentos, conforme apontado na entrevista, faça então uma comparação entre o que foi produzido na ciência, arte e cultura no último século na Europa e na América.

      • ubaldo, o paranóico disse:

        A propósito de importação de talentos, basta lembrar do Von Braun (Wernher Magnus Maximilian von Braun) inventor dos foguetes V-2 (Alemães, 2a. Guerra) que iriam ser os avós do Projeto Apolo e de todo o programa espacial americano e Von Braun o grande herói “americano” desse Projeto.

        Quando os americanos ainda estavam dizimando seus índios, Tchakovisky encantava o mundo com seus concertos e, bem antes disso, Pedro o Grande construíra São Petersburgo.

    • André Oliveira disse:

      Ledo engano. A ciência na Russia é de alto nível. É apenas relativamente desconhecida no Ocidente por falta de divulgação se comparada com as instituições americanas.

    • Angelo Frizzo disse:

      Você leu muito “gibi” que mostrava os foguetes russos com esparadrapo por todos os lados. Viu muito filme que mostrava uma Moscou (e a União Soviética em geral) sempre envolvida na escuridão e pessoas feias.
      Acorda, hoje tem internet e se pode saber a verdade. É só se interessar…

  7. Carlos França disse:

    A cereja no bolo do produtivismo universitário: Reitora da USP acusada de plágio.

  8. Neves disse:

    Mario Abramo,

    Lembro bem desta entrevista, não sabia mais em que número de revista encontrá-la, gosto especialmente deste trecho:

    “Há inúmeros trabalhos publicados que ficaram inteiramente desconhecidos. Um exemplo curioso é o de Bunsen, químico alemão que publicou mais de quinhentos trabalhos: embora tenha ajudado muito Kirchhoff a fundar a espectroscopia, é hoje conhecido apenas pelo bico de Bunsen, o bico de gás rotineiro nos laboratórios. Por outro lado, há pessoas que ficaram famosas com uma única publicação, como por exemplo o físico indiano Bose. A história é curiosa, pois Bose escreveu um trabalhinho de meia página e mandou para o Philosophical Magazine. Como o trabalho foi recusado, Bose mandou-o a Einstein, que o publicou, sem consultá-lo, no Annalender Physik. Nesse pequeno trabalho de meia página, descreve-se pela primeira vez uma família de partículas, chamadas bósons em sua homenagem, além de outras coisas importantes. Essa preocupação de ter um grande número de trabalhos publicados às vezes pode prejudicar as pessoas, se é que não prejudica sempre, pois a pessoa fica naquela tensão de ter que estar sempre publicando coisas novas sem tempo para se concentrar bastante em uma determinada coisa”.

    Obrigado pela postagem e um abraço.

  9. Leosfera disse:

    já li no Le Monde Diplomatique sobre essa lógica, que acaba com a pluralidade e a democracia, e com a qualidade, enfim, da pesquisa. Só se pesquisa (e financia) o que as maiores revistas publicariam, ou seja, elas decidem a verdade científica. É o que ocorre com o Aquecimento Global. Alguém consegue verba para provar que é tudo um trololó? Eles vendem o consenso, mas nem dentro do IPCC há unanimidade! Meritocracia = subserviência, Revisão de pares = clube de cavalheiros (e senhoritas), ainda têm coragem de falar em “pensar pra fora da caixa”, mas isso só vale pros negócios!

  10. mário abramo:
    não me parece que a turma da capes queira enxergar muito longe. os que estão lá pertencem a esta meritocracia da mediocridade. as limitações que colocam para a uab mostram isso. o einstein estaria ferrado com essa gente.
    romério

  11. Marcorélio disse:

    Das coisas que o Chato se referiu, o problema dos gurús é bem real, e não apenas no que toca aos novatos com projeção internacional. Outra é a cultura da produção assustar a muitos. Diria que isso é estimulado pelos cargos burocráticos; que se tornam o caminho mais curto para ascensão na carreira. Aliás, mesmo para aprovar “pesquisas” (às vezes elas merecem mesmo as aspas), os cargos, quando aparecem Lattes, facilitam muito, o que significa que há mesmo algo errado nos critérios (nesse caso perece que estamos também diante do problema das quantidades). E as citações? Bem, às vezes elas são feitas por pura conveniência (”como já se referiu fulano de tal” e fica nisso… É só porque o “fulano de tal” vai participar de uma banca, pode convidar para um seminário na sua universidade, etc… pura média).

  12. André Oliveira disse:

    A academia no Brasil é a mediocridade titulada. Um monte de igrejinhas disputando as verbas públicas de pesquisa.

    • ubaldo, o paranóico disse:

      E as Faculdades de Filosofia “assim” de padres, freiras e simpatizantes ensinando “Filosofia Cristã”, que, aliás, nem é Filosofia (é teologia) nem Cristã (é pagã, grega).

  13. Aharon disse:

    Interessante é que a academia, na estrutura vigente, tende a afastar-se da produção de trabalhos que tenham como perspectiva a solução-explicação-conhecimento do mundo real. Lendo alguns trabalhos acadêmicos chegamos inevitavelmente a este veredicto.
    Num episódio discutia com uma amiga que tenta concluir o mestrado o seu tema para tese, questionei a importância daquele tema para o conhecimento geral. Prontamente, ela alegou que na academia o interesse geral é desprezível, a prática é produzir para os “pares”. Ou seja, o sexo dos anjos é tema recorrente em nossas universidades. Pior: com financiamento público.

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