Os sobrenomes estranhos
Recém-chegado a São Paulo, costumava sair pela noite com meu amigo e parceiro de música João Cleber Juriti que, logo que chegou a São Paulo, arrumou um emprego na agência do Banco Irmãos Guimarães, perto da Galeria Metrópole.
Uma de nossas diversões era fazer levantamento de sobrenomes estranhos, que constavam ou das listas telefônicas, ou da relação de clientes do BIG. Um desses sobrenomes era o senhor Costacurta.
Um dia, o imperdível O Pasquim publicou um artigo do Paulo Francis espinafrando a música popular, depreciando-a frente a música erudita.
Passei na agência, peguei o João e fomos para a Biblioteca Municipal, vizinha dali.
Lá, consultamos uma montanha de enciclopédias e levantamos autores esquecidos da música erudita alemã, inglesa, oriental, mostrando sua dívida com a música popular. Escrevemos um artigo que era um monumento à erudição vazia, com citações em alemão, inglês, uma maravilha para certo tipo de jornalismo cultural. E enviamos para o Pasquim, com o pseudônimo roubado do senhor Costacurta. Não colocamos os nossos nomes com receio de ele descobrir que estava tratando com dois fedelhos.
Uma ou duas edições depois, naquela seção de notas curtas saiu a resposta do Paulo Francis, espinafrando o sobrenome Costacurta mas evitando discutir com aquele monumento de erudição desenfreada que constava da carta. Para sorte nossa, aliás.
Mandamos a tréplica, ainda mais pernóstica do que a primeira carta, animadíssimos com o fato do mestre ter caído na provocação.
Mas não houve resposta. Na semana seguinte, a turma do Pasquim foi presa pela ditadura.
Estava lembrando disso para um exercício alegre de fim de semana: juntarmos os sobrenomes mais estranhos que cada qual já viu ao longo de sua vida e de sua cidade.
Alô, alô, nordeste e interior de Minas: nesse quesito, somos imbatíveis.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Costumes Tags: sobrenomes estranhos

Todavia, contudo… não é neste blog que tem um Porém?
post anterior está errado: o nome dele é:
Que tal “Vampiro Lupércio Jaquinta” – nome de um contribuinte de IPTU lá de Arapongas-PR (eu trabalhava na Prefeitura), eu nunca esqueci !
No cadastro de uma grande empresa vi:
Sr. Adeplânito…
Sra. Ledroneta…
Se alguém aí mencionar meu nome vai ter problema!!!!!!!! Eu prendo e arrebento, pois não tenho culpa da caduqice do meu pai que havia tomado seis litros de vinho lá de Caldas, pertinho da casa do Nassif e ir ao cartório lá na Campanha depois de uma estropiada dessas… A família Boanova é das mais tradicionais na terra do Vital Brazil Mineiro da Campanha e tem origem no Minho onde viveu Simão da Veiga Boanova e Dona Emengarda Boanova nobres de carta real. Já Eleutério, só mesmo na cabeça do velho Arthurzinho…
Ah, mas Boanova é legal, é alvissareiro…
Da tua terra o engraçado são os apelidos. Onde já se viu o “AR PARADO” ter um filho com o apelido de “VENTINHO”.
Tivemos uma empregada doméstica chamada Maria das Graças Silva. O estranho era o nome de suas três irmãs: Maria da Graças Silva.
Acho que conheci as irmãs, D. Cláudia. Eram as famosas Irmãs Graça, às quais os homens da cidades se referiam, respectivamente, como:
Sem Graça
Des Graça
Nem de Graça
Está na Internet…
Na cidade de Mogi das Cruzes, uma das maiores colônias japonesas do Brasil, um casamento entre duas famílias tradicionais acabou se tornando motivo de piada. A moça se chamava Mitiko Watanabe Kudo e seu noivo, Jorge Endo. Na euforia do casamento, esqueceram que o nome que seria adotado pela futura Sra. Endo traria sérios dissabores para a mesma. Mas como disse, esqueceram e o nome da nubente acabou ficando assim: Mitiko Kudo Endo.
Quando trabalhei na Philips em 1986, tinha um gerente holandes de sobrenome Kull. O chamávamos de Sr. … Em Minas tinha um Fulano Na Ida Na Vinda Na Volta. Em Pernambuco o pai de 3 meninas registrou os nomes Xerox, Fotocópia e Autenticada.
O folclorista Mário Souto Maior supracitado tem um site com vários nomes :
http://www.soutomaior.eti.br/mario/paginas/cur_nom.htm
Me chamaram atenção :
ÍNGLEDESD ALÉM MEK MAIA DUARTE
JESUS DE NAZARENO FEIO
JOSÉ RICARDO PINTO AMÉM
NOSTRADAMUS BRASILEIRO DO ACRE
SALAMANDRA SAVANA SOUZA SILVESTRE
este outro site fala mais um pouco :
http://versoeprosa.wordpress.com/2008/06/16/nomes-proprios-pouco-comuns/
Sempre achei estranho os nomes ingleses tais como Brown, White, Green. Imagino alguém dizendo em português – Olá Sr. Verde, como vai ? Vou bem Sr. Marrom …
Bom eu esqueci do :
Antônio Manso Pacifico de Oliveira Sossegado
Nem é estranho, mas por que no Nordeste, especialmente no Ceará tem tanto Raimundo Nonato?
Diário de classe pode também ser uma boa fonte de sobrenomes estranhos. O mais recente, que vim a conhecer na escola em que trabalho, é José Jotinha.
E o sobrenome italiano Frescura ?
O irmão do Ziraldo é o Zélio . Recomendação do pai quando o Zélio saía: Zélio Pinto!
Nassif, o meu sobrenome é GUINHO. Parece apelido ou diminutivo carinhoso, mas é nome. Inclusive, parentes nos dizem ser um nome inventado (ou adaptado) por um antepassado libanês ao chegar ao Brasil. O senhor que é brimo, sabe algo a respeito desses GUINHOs?
Millor fez bem pior. Espinafrou com a Música como arte, disse que é puramente sensorial e inferior a qualquer outra forma de manifestação artística, principalmente a Literatura, comparada à qual seria uma subcultura. A implicância de Francis, certamente, era devido a dois problemas. Sua enorme vontade de ser um lorde inglês e a consciência política dos músicos populares no Brasil, que era um baluarte contra a alienação que ele nunca combateu, nem mesmo no Pasquim. De que servia intelectualizar-se e silenciar diante da negação omissa do mesmo direito para seus compatriotas?
No artigo em questão, ele espinafrou Pixinguinha.
Bom, então empatou com Millôr, pois espinafrar Pixinguinha é a mesma coisa que espinafrar a Música.
Não era um nome de todo estranho: Otília Pupia Melanski. Mas se tratava de dona do mais famoso lupanar de Curitiba, dos anos 1960. Lembro-me bem de um colega de trabalho, na Prefeitura da Cidade, ao manipular fichas de alvarás de licença, pronunciava em alto e bom som, o nome da dita cuja, com todas as letras. Além da ‘matriz’, na rua Fernando Amaro – bairro do Cristo Rei, havia uma autêntica rede de ‘franquias’ – um pilha de fichas. Conhecimento, que dava prestígio ! Todas, com a indefectível lâmpada colorida externa, no mesmo lay out de entrada: vários sofás, em dois ou três cômodos iniciais, ‘lotados’ com as ‘profissionais’ da casa.