Os sinais do suicida
Por Lima
Da Folha
Quem quer se matar dá sinais, diz autora do livro “Suicídio”
FLÁVIA MANTOVANI
Editora-assistente do Equilíbrio da Folha de S.Paulo
Depois que seu pai se matou com um tiro, em 2005, a jornalista Paula Fontenelle, 42, escreveu o livro “Suicídio: o Futuro Interrompido” (Geração Editorial), finalista do prêmio Jabuti 2009.
Leia trechos de sua entrevista:
Folha – O que leva uma pessoa a cometer um ato tão drástico?
Paula Fontenelle – Mais de 90% dos casos de suicídio são associados a um transtorno mental não tratado adequadamente, como depressão ou bipolaridade. O uso de drogas também é comum.
Folha – Muitas vezes a pessoa tem uma melhora no humor antes de se matar. Por quê?
Fontenelle – O deprimido não tem energia nem para se matar. Depois que ele começa a tomar remédios, recobra a energia para isso. O outro motivo é que, quando alguém decide se suicidar, fica aliviado. Muitas vezes ele reencontra antigos amigos, quer se despedir. Outros sinais são desfazer-se de coisas materiais ou pagar contas para não deixar dívidas.
Folha – A pessoa “avisa” que vai se matar?
Fontenelle – Ela pode até não dizer “vou me matar”, mas diz coisas como “a vida não tem mais sentido”, “não consigo entender por que estar vivo”. São sinais.
Folha – O que fazer ao perceber que uma pessoa quer se suicidar?
Fontenelle – Perguntar diretamente se ela está pensando em se matar e levá-la imediatamente a um psiquiatra, que é a única pessoa que poderá ajudar.
Folha – Quem se mata mais, o homem ou a mulher?
Fontenelle – O homem comete três vezes mais suicídio, mas mulheres tentam de três a quatro vezes mais. A diferença é que elas tomam mais remédios, menos letais, e eles dão um tiro na cabeça e raramente escapam.
Folha – O luto vivido pela família de quem se mata é diferente?
Fontenelle – Sim. É um luto silencioso, o que dói. Quando alguém morre de infarto, todo mundo fala sobre como ele morreu. No caso do suicídio, as pessoas mudam de assunto, é um tabu.
Folha – É comum os familiares sentirem culpa?
Fontenelle – É quase impossível não sentir. E as pessoas também os culpam, pensam: “Como ele não viu?”
Folha – A mídia é cautelosa em relação ao tema porque é dito que o cobrir pode incentivar outras pessoas a se matarem. Ele deve ser abordado?
Fontenelle – Sim, desde que com responsabilidade. O que dissemina o suicídio é a cobertura personalista, romantizada, em que só se entrevistam os parentes. Devem ser ouvidos analistas que falem de prevenção e nunca se deve entrar em detalhes sobre os métodos, por exemplo. Mas, acima de tudo, a mídia não deve se calar.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u647349.shtml
- Campanha quer informar sobre prevenção a suicídio
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u647347.shtml


Nietzsche e o suicídio.
“O pensamento do suicídio é um forte consolo: com ele atravessamos mais de uma noite ruim”. (Para além do bem e do mal – Cia das Letras – § 157).
“O ancião e a morte – Deixando à parte as exigências da religião, é lícito perguntar: por que seria mais louvável para um homem envelhecido, que sente a diminuição de suas forças, esperar seu lento esgotamento e dissolução, em vez de, em clara consciência, fixar um termo para si? Neste caso o suicídio é uma ação perfeitamente natural e próxima, que, sendo uma vitória da razão, deveria suscitar respeito: e realmente o suscitava, naqueles tempos em que os grandes da filosofia grega e os mais valentes patriotas romanos costumavam recorrer ao suicídio. Já o anseio de prolongar dia a dia a existência, com angustiante assistência médica e as mais penosas condições de vida, sem força para se aproximar do verdadeiro fim, é algo muito menos respeitável. – As religiões são ricas em expedientes contra a necessidade do suicídio: com isto elas se insinuam junto aos que são enamorados da vida”. (Humano, Demasiado Humano – Cia das Letras – § 80).
“Impedimento do suicídio – Há um direito segundo o qual podemos tirar a vida de um homem, mas nenhum direito que nos permita lhe tirar a morte: isso é pura crueldade”. (Humano, Demasiado Humano – Cia. Das Letras, § 88)
“A família do suicida. – Os familiares de um suicida não lhe perdoam não ter ficado vivo em consideração ao nome da família”. (Humano, Demasiado Humano – Cia. das Letras, § 322)
Muito bom !!
O que deveria ser dito e’ que o suicida esta’ sempre sob efeitos de remedios. Quando foi dito ele (suicida) ganha forc~as para se matar quando toma remedios deveria ser dito que os remedios foram as causas do suicidio.
É dificil contrapor familiares que foram “vitimas” de suicidio de algum parente (principalmente pai, no caso).
Isto na cultura ocidental.
Mas na oriental a leitura é outra.
Nassif
Mas a vida não tem sentido mesmo, seguimos adiante por um unico motivo: o medo da morte.
O medo da morte nos mantem vivos.
O suicida não quer se matar, mas sim morrer.
Eu sou obrigado a ler cada coisa…..
Inclusive isto:
“‘Quem quer se matar dá sinais.”"
Errado:
Quem dá sinais é quem quer atenção e carinho.Aliás, e isso é empírico,quem quer se matar de verdade MESMO
Ia dizer que pisaste na bola, anarquista. Mas como não terminaste a frase, tua posição fica do ar. Parece que insinuas um deboche da discussão – e isso não está à altura de tua inteligência. Dá para completar a frase, camarada?
Mas Nassif,
o suicídio não pode virar tabu. Não acho que se deva fazer campanhas de prevenção, pela simples razão de que, muitas vezes, a decisão é racional. Afora isso, penso que esteja acima de qualquer discussão ser filosoficamente aceitável a opção de terminar com a própria vida.
Na verdade, o suicídio é um tema que melindra tanto por afrontar dois cânones da nossa cultura: o absoluto individualismo e a dificuldade de lidar com a morte. Como vamos aceitar que alguém que nos é próximo lide tão bem com a morte, e seja tão racional, ainda por cima nos atingindo. O debate de fundo é de segurança, de previsibilidade.
É óbvio que em pessoas notoriamente doentes a coisa muda, mas nem tanto: se a pessoa tem condições de optar, fazer o que?
Abraço!
Leiam o livro SOBRE O SUICIDIO de KARL MARX editora BOITEMPO.
Tem também o “Suicídio” de Durkheim.
Sobre o tema, o Albert Camus escreveu “O Mito de Sísifo”. A primeira frase: “Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio.”
Ubaldo
Esse livro do Durkeim é fantástico. Apesar que ele trata o suicídio de forma social e não psicológica para encontrar seus diversos tipos: egoísta, altruísta , anômico e fatalista – e suas combinações. Tudo baseado apenas em estatísticas.
Mas acredito que ele falhou ao não abordar o transtorno depressivo bipolar – que é genético e não influenciado pela sociedade.
Mas para quem tem filhos jovens, na faixa da adolescência, recomendo que indiquem um livro do Paulo Coelho (ok, tb não curto muito ele, mas para os jovens esse livro é legal)
O livro é “Veronika Decide Morrer” e conta a história de uma jovem linda e bem sucedida que tenta suicídio com barbitúricos. Ela sobrevive e vai parar num hospital psiquiátrico. Lá descobre que por causa dos medicamentos que tomou seu coração fica enfraquecido e terá poucos dias de vida. Surege então um dilema e dicversos questionamentos a respeito.
A linguagem é muito simples (nuns pontos é sim´lória mesmo…rs), mas cumpre o papel de atingir os jovens.
É um livro que os jovens adoram e terá um filme para o próximo verão, com uma queridinha de Hollywood no papel principal.
http://www.youtube.com/watch?v=vgAtDP6jSRY
O problema do suicida é que quando ele quer se matar normalmente ele se mata, independente de seu motivo se matar é fácil basta ter a vontade de ir em frente, a pessoa que escolhe métodos demorados ou incertos está támbem vacilante ou incerta com a sua intenção dessa forma muitas vezes ela é felizarda de sobreviver.
Flávia Mantovani: É preciso alertar a família do Woody Alenn (ou será que é Allen ?) o quanto antes.
O famoso cineasta tem dito aos quatro ventos que “a vida não faz sentido”.
Existem diversos estudos acdêmicos sobre o efeito dos antiepressivos nos casos de suicídio.
Quem quer se matar faz que nem o cara do grupo Polegar, da show e nunca consegue.
Qualquer consideração sobre suicídio sem citação do trabalho do CVV (Centro de Valorização da Vida) carece de fundamento.
interessante a nossa leitura sobre o suicídio: sempre contrário senso. como se a vida terrena fosse o supra sumo de tudo e de todos. a desistência, sim, faz parte. afinal, se somos obrigados a nascer, por que não temos a faculdade de nos abstermos, por que teríamos de com isso conviver? sei não, nossa cultura cristã-ocidental prima por certos (certos?) procedimentos que nos levam ao engano: e se viver fosse apenas a exceção?
Muito boa a entrevista.
Tema difícil de se tratar em tão poucas linhas.
Acrescento meu depoimento:
EU passei por uma depressão muito forte, dessas de não abrir a porta de casa por dias, eventualemnte sair, pegar comida e voltar à reclusão por outros dias. Colocar lençóis nas janelas pra não ver o Sol e poder dormir, dormir. Sentindo-me inútil. Achando que tudo que já havia feito tinha dado errado e racionalizando que não adiantava fazer mais nada, porque ia dar errado de novo.
Um belo dia, meu pai (com quem tenho um relacionamento distante) simplesmente disse que ia me levar a um psiquiatra, eu não recussei.
Já estou no segundo psiquiatra, agora acho que acertamos nos remédios, isso não quer dizer que esteja vibrando de alegria, mas que voltei a FUNCIONAR como pessoa, trabalho, estudo e reencontrei meus amigos, e alguns novos.
Já se passaram 6 anos de tratamento. Só depois de um ano veio o diagnóstico como transtorno depresivo bipolar. Gosto de pensar que um dia não precisarei mais dos remédios mas reconheço que foi a intervenção do psiquiatra que me trouxe de volta ao jogo da vida e por isso continuo no esquema dele.
Esta introdução é para fundamentar o que quero dizer a seguir:
Ao longo dos últimos dez anos o pensamento do suicídio foi recorrrente. Na verdade consegui alcançá-lo em areas abstradas: cometi suicídio social ( me isolando, matando minha personalidade junto as pessoas) cometi suicídio profissional (abandonando trabalhos pelo meio, coisas bonitas até…) academico (quase fui jubilado, hoje estou as vesperas de terminar meu curso de engenharia)
Pra mim o suicídio não é uma opção e nunca foi. É sim a falta de opção, a fuga extrema! A maioria ve um filme romantico e esquecem por duas horas dos seus problemas…e depois retomam suas vidas aliviados. Aquele que está imerso na angústia não consegue esse efeito. Sim porque depressao é angustia a enesima potencia
Parece que nada apaga essa dor no peito, e de repente meio que sorrateiramente vem a pergunta, E SE… ai não vai mais doer…
Entendo hoje que a questão é que aquele que está imerso nesta angustia perde o contato com as pessoas e por isso perde o parametro de que todos convivem com isso e que há muitas maneias de lidar com isso, e ainda que errar faz parte do processo, devemos nos permitir cometer erros.
Neste sentido a família de um suicida talvez tenha perdido uma oportunidade de mostrar-lhe alternativas. Nao que seja culpada das escolhas de outra pessoa, em absoluto! Aqui talvez a dor seja de querermos tanto sermos compreendidos e nem tanto querermos compreender. E ai talvez a familia tenha um pouco de suicida dentro de si. Ninguem gosta de se perceber egoista
Desculpem se meu comentario se estendeu muito mas não podia deixar passar esta oportunidade e tenho a pretensão de colaborar com o tema, sobretudo por saber que ha muitos deprimidos que não recebem o mesmo apoio tecnico que eu. E talvez oferecer uma leitura util as familias de modo geral.
Sinceramente
Filipe
Olá Filipe. Saudações.
Muito bom para o diálogo você ter colocado sua experiência real e suas percepções sobre tão complexo tema. Realmente nós, seres humanos andamos meio perdidos entre as opções:
- Qual o sentido da vida; e
- Que sentido dou a minha vida.
Concordo contigo que hoje em dia se viva uma certa “síndrome” do suicídio lento. A única diferença do matar-se aos poucos é que esta forma não entra nas estatísticas oficiais de suicídio. Não sei se por coragem ou covardia tiramos a própria vida. Acredito que é o imediatismo imposto pelo sofrimento excessivo (que você sinalizou bem, como uma angústia potencializada), que seja o “gatilho”.
Creio que a depressividade tão presente nos dias de hoje, seja um sinalizador a se ficar atento mesmo. Grato pela generosidade em compartilhar. Segue abaixo mais um texto recolhido da FSP de hoje:
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45% da Grande São Paulo já manifestou transtorno mental
Depressão é a doença mais prevalente, revela pesquisa com 5.037 moradores dos 39 municípios da região metropolitana
Números são superiores aos de outras partes do país e do mundo; fatores como violência e competitividade explicam as altas taxas
JULLIANE SILVEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Na região metropolitana de São Paulo, 45% dos residentes já tiveram algum transtorno mental ao longo da vida. Nos últimos 12 meses, 30% manifestaram algum problema.
As informações inéditas constam do projeto São Paulo Megacity, um estudo realizado pelo IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas de São Paulo com 5.037 residentes dos 39 municípios da região. Foram excluídos moradores de rua, pessoas que vivem em instituições e presos. Os dados foram apresentados ontem no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em São Paulo.
O grupo de doenças que compõem os transtornos de ansiedade, como estresse pós-traumático, fobias específicas e transtornos de pânico, é o mais frequente nessa população ao longo da vida, respondendo por 28% dos casos.
Isoladamente, a depressão foi a doença mais prevalente -18% dos avaliados manifestaram o problema. Em seguida estão as fobias específicas (12,4%) e abuso e dependência de álcool e drogas (9,8%).
“A Grande São Paulo tem características que a diferem de outros contextos, no que diz respeito à violência, por exemplo. Isso pode ajudar a explicar a alta prevalência dessas doenças”, diz a psiquiatra Maria Carmen Viana, pesquisadora do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do IPq e uma das investigadoras.
Os pesquisadores entrevistaram pessoalmente, entre maio de 2005 e abril de 2007, voluntários com mais de 18 anos. Foram usados métodos específicos para detectar transtornos mentais em estudos epidemiológicos. Segundo a psiquiatra do IPq Laura Helena Andrade, coordenadora do trabalho, os resultados de pesquisas com essa forma de avaliação realizadas em outros países foram confirmados em exames clínicos detalhados posteriores.
Segundo o Ministério da Saúde, as prevalências dessas doenças no Brasil seguem as taxas mundiais, mais baixas do que as apresentadas na Grande São Paulo. No caso dos transtornos de ansiedade, a proporção é de 15% da população.
Dados do ministério mostram ainda que, no país, a depressão grave atinge 6% das mulheres maiores de 15 anos e 2% dos homens. A moderada ou leve é manifestada por cerca de 15% da população em algum momento da vida.
Dados de estudos internacionais apontam ainda que cerca de 30% das pessoas manifestam algum transtorno psiquiátrico ao longo da vida, de acordo com o psiquiatra Acioly Lacerda, professor de psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Uma das hipóteses para explicar a alta prevalência na Grande São Paulo são dados de trabalhos científicos que apontam relação proporcional entre o tamanho da cidade e o maior risco para transtornos graves. “Existem vários fatores que influenciam, como o estresse social. O estresse mais poderoso nesse sentido é o da competitividade, da expectativa social, que é muito maior em megalópoles do que em locais menores”, explica Lacerda.
Para os pesquisadores, São Paulo não está preparada para lidar com os problemas. O estudo mostrou que, entre os que sofrem de depressão, por exemplo, somente 37% dos pacientes recebem tratamento – desses, 15% seguem tratamento que consideram adequado (com visitas ao médico ou ao psicólogo e uso de antidepressivos ou psicoterapia).
“Esses dados precisam ser analisados para apontarmos a que se deve o problema. Mas é preciso ter políticas públicas de saúde direcionadas para prevenção em crianças e adolescentes com risco, detecção e intervenção precoce”, diz Viana.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd0711200901.htm
Também da FSP: 1 em cada 4 mulheres teve depressão
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd0711200902.htm
Ola Lima,
Obrigado pelo comentário
Fico feliz pelo reconhecimento que da ao meu depoimento e portanto em perceber que posso contribuir de alguma forma, dentro da minha percepção, na humildade de quem não quer estar certo mas se colocar.
Isso é o que chamo de voltar a funcionar, é participar, oferecer algo de útil. No caso um depoimento numa visão do lado de cá.
Sua resposta é importante para mim por que baliza a minha capacidade de funcionar.
Um bom domingo!
Filipe
Caro Filipe. E quem está certo, neste mundo que é feito também por nossos erros e enganos? Creio e não tenho dúvidas acerca da natureza básica do ser humano vir de uma semente benevolente. Estamos sempre em busca de melhorias e até mesmo o maior dos egoistas, está buscando o melhor: o seu engano é que deseja isto apenas para si ou apesar dos outros. A depressividade, que segundo a reportagem da FSP (acima) está alta e também é vista nos nosso ambientes ou conosco, também, a meu ver é sinal disto: fundamentalmente ficamos tristes por não concordar/acitar o resultado atual do mundo. Mas como lembrastes, mais importante que se resignar ou se indignar, ambos lados da mesma moeda, é funcionar, indo ao encontro de soluções.
Sucesso
Filipe
Que depoimento lindo, verdadeiro, da alma…
Parabéns pela sinceridade.
O transtorno depressivo bipolar é de diagnóstico difícil (apesar de muitos psiquiatras errarem). Tenho casos como seu na família e sei como é difícil para todos lidarem com essa doença.
E esse é um preço que vc paga por ter uma inteligência muito acima da média. Bipolares são geniais!
Há um documentário lindo e profundo sobre o suicídio em depressivo bipolar e se chama: “Boy Interruped”, que trata do suicído do jovem Evan Scott Perry, de apenas 15 anos. Esse documentário mostra também a carga genética que acompanha os bipolares.
Muitos não entendem que não há culpados para isso que ocorre com vc. É apenas uma questão genética…
Que esses 6 anos sem recaídas se multipliquem por muito outros.
Mas não abandone o lítio, ele é a tua salvação!
Um gde abraço e minha solidariedade.
Abelha,
Já apreciava seus comentários aqui no Blog, agora tenho como amigo, mesmo que virtual. Espero que seus familiares que lidam com circunstancias semelhantes a minha se sintam acolhidos e recuperem suas capacidades de contribuir, que encontrem sua maneira de ser feliz e fazer feliz.
De fato já li diversos textos e as referencias aos bipolares geniais são muitas. Mas o paciente comum não deve se balizar por estes, por são uma parcela pequena de uma população estimada de dezenas de milhões de bipolares incluindo não diagnosticados.
Obrigado pela dica do filme, vou procurar.
O melhor que vi até agora é o do Stephen Fry “The Secret Life of the Manic Depressive” pela BBC, ganhou um premio mas não lembro agora. O Stephen Fry sofre deste transtorno e fez esse filme em forma de depoimento/documentário e entrevistou pessoas importantes da área e pacientes famosos e não famosos. Agora dicionei ele no meu Facebook.
Que seus votos de estabilidade se confirmem a cada dia!
e Finalmente, quanto ao Litio, se esivesse neste tratamento saberia que não poderia abandonálo jamais, talvez reduzir muito com as decadas… Meus remedios são outros. Sifrol e Seroquel.
Bom Domingo
O poeta/músico Zeca Baleiro tem um álbum chamado: Por ande andará Stephen Fry. Há a música
Stephen Fry
Por onde andará Stephen Fry?
Por onde andará Stephen?
Ninguém sabe
Do seu paradeiro
Ninguém sabe
Prá onde ele foi
Prá onde ele vai…(2x)
Stephen may be felling
All alone
Stephen never do this again
Come back home
Se correr
O bicho pega Stephen
Se ficar o bicho come
Se correr
O bicho pega Stephen
Se ficar o bicho come…
Por onde andará Stephen Fry?
Por onde andará Stephen?
Ninguém sabe
Do seu paradeiro
Ninguém sabe
Prá onde ele foi
Prá onde ele vai…(2x)
Stephen may be felling
All alone
Stephen never do this again
Come back home
Se correr
O bicho pega Stephen
Se ficar o bicho come
Se correr
O bicho pega Stephen
Se ficar Stephen
O bicho come
Se correr
O bicho pega Stephen
Se ficar o bicho come…
Por onde andará Stephen Fry?
Por onde andará Stephen?
No vídeo, Zeca Baleiro na Inauguração do Cultural Bar – Juiz de Fora / MG – 06/03/2009 canta sua composição
http://www.youtube.com/watch?v=sPMJVch4F5o&feature=related
“Gosto de pensar que um dia não precisarei mais dos remédios”: porque?
Nao eh o caso de voce estar defeituoso, credo! Pode tomar seu remedio aa vontade. Hoje conversei com um pai de familia, amicissimo nosso, que tem dois casos de doenca mental serios na familia e esta perfeitamente satisfeito de saber que eles vao ter que tomar remedio a vida inteira. Eu tambem, adoro todos eles.
(Nem vou falar em suicidio. O unico caso que conheci de perto foi de um menino de 11 anos. Ate hoje ninguem sabe o que aconteceu pra ele se suicidar.)
Ola Ivan,
Acho que me coloquei mal neste aspecto vou tentar reconstruir o pensamento. O que quis dizer é que reconheço que foram os remédios que me trouxeram de volta ao convívio com as pessoas. Foi graças aos remédios que hoje posso me expressar desta forma e posso sorrir e fazer sorrir. Devo tudo que tenho hoje aos remédios, e por isso escrevi que “continuo no esquema” do meu psiquiatra. Como aspirante a engenheiro já aprendi que não se abre mão de um processo consolidado por outro duvidoso, muito menos quando as margens de risco não são aceitáveis.
Ainda, não falho com meus remédios por nem um único dia a mais de um ano, e antes disso as falhas foram eventuais não superiores a u dia no mes, para uma das duas doses. Ou seja fl]alhas inexpressivas neste tempo de 6 anos, sem beber uma gota de alcool também, para não comprometer os efeitos espeados pelo médico.
Quando digo “gosto de pensar…” acredito estar passando uma mensagem otimista de quem está olhando para frente para um futuro que esteve em risco de abandono. Reforçando até os resultados obtidos até agora com a ajuda dos remédios.
Imagino que sou como um diabético que está feliz de ter insulina a disposição e leva a vida com alegria mas que igualmente gostaria de um dia não precisar mais de injeções, Ele sabe que isso dificilmente vai acontecer mas ainda assim guarda uma esperança. Afinal quem sabe o que a medicina ainda poderá trazer para nós, diabéticos e bipolares?
De qualquer forma sua advertência é importante para manter a clareza de se lidar com os transtornos psiquiatricos e me deu a oportunidade de me colocar melhor. Até porque aqui quem escreve é um humilde paciente.
Sinceramente
Filipe
Filipe,
Obrigado!
Estou tentando escrever ainda engasgado. Tá difícil. … Eu a minha esposa chegamos a um estágio da vida que é desejado por muitos, como estabilidade financeira e um casamento de 33 anos muito bom!
Não se pode ser feliz completamente. Um dos meus filhos apresenta os mesmos problemas que colocastes, com sinceridade comovente no post. O meu desespero , que considero o meu maior fracasso como pai, é que nunca tive sucesso nas tentativas para que ele faça um tratamento com um especialista, como fizestes.
Cara,
Deus te ajude a ser feliz, junto com a tua família.
Um abraço
Ao Pai,
o que dizer a um Pai? Eu que sou apenas um filho e ainda não tive a oportunidade de enriquecer o mundo com mais um indivíduo. Ainda não ofereci esta chance a um novo espirito…
Mas acredite que toda depressão tem seu aspecto quimico, inerferindo no funcionamento do cerebro. Algumas são desencadeadas por traumas e o desquilivrio é consequencia. No caso do Bipolar há consenso que se dá o oposto. Há um desequilíbrio químico que pode se expressar em depressão.
Por isso não é justo que se considere um fracasso pelas circunsatancias do seu filho. Ame-o e ofereça a ele sinais para que ele possa perceber. E quem ama liberta e nesse pensamento digo que não pressione pela sua melhora.
Mas de fato não sei o que pode ser feito.
Há diversos links na internet, não saberia recomendar um específico mas entender as circunsatancias é importante. Todos temos medo daquilo que não compreendemos.
há um site que ajuda a acompanhar a estabilidade de um bipolar, recebo e-mails diários para preencher e no final do mes posso imprimir o historico mensal e anual, isso tem sido util para passar ao meu medico e pode ser util para ti acompanhar o seu filho e mesmo compreender o que desencadeia os picos de depressão ou de mania.
Estimo melhoras ao teu filho
Filipe,
V já pensou numa dimensão além do tecnico, mas que a ajuda que V recebeu foi um conjunto de forças que impulsionaram de volta o seu amor pela vida? o vazio que V sentia, a depressão é o desamor, cujp grau máximo é a renuncia a vida. Não consigo deixar de sentir que um poder superior te ajudou a descobrir o amor por si só, mesmo sabendo que um balanço químico garantiu sua percepção
dessa sensação, desse sentimento.
co carinho Thereza
Thereza,
Concordo contigo. Um sentimento maior justamente nos oferece a oportunidade de nos sentirmos parte de algo, parte do grupo.
Eu simplesmente queria apresentar minhas impressoes a respeito do Suicidio, dos pensamentos que permearam minha mente no passado. Não tinha a pretensão de cobrir todo o assunto até orque me falta conhecimento para poder comparar casos diferentes.
Não penso mais nisso no sentido objetivo. Penso sim como releitura do meu processo, percebendo que a depressão confundia meus pensamentos e permitia esse tipo de racionalização que hoje entendo equivocada.
A dor nos encobre a visão o que leva a uma percepção isolada, individualista com parametros proprios e conduzindo a um raciocínio com um viés muito restritivo. Na saida da depressão, inicialmente com ajuda quimica, tive a oportunidade de expandir minha percepção da dor, agora já não mais restrita aos meus parametros mas podendo comparar minhas dificuldades com as de outras pessoas, nessa fase a dor que parecia absoluta se dilui numa dor relativa e portanto comparável com as das outras pessoas.
Mas tudo isso seria muito confuso se não tivesse um eixo, uma linha para me guiar, me ajudando a compreender cada caso da melhor forma. Esse eixo é pra mim a espiritualidade.
Minha caminhada agora me aponta para as propostas espíritas, com base nos textos de Alan Kardec. Isso não significa que ache o espiritsmo melhor do que outras religiões, muito menos melhor do que o catolicismo. Porque o espiritsmo chegou depois para mim.
Tenho plena consciencia que foi a base filosofica do catolicismo que me manteve minimante estruturado para que fosse capaz de reconstruir meu caminho. E simplesmente por isso tenho imensa gratidão pelos seus ensinamentos, particularmente dos Jesuitas.
Hoje estou espirita por que me sinto mais a vontade entre os seus argumentos, amanha talvez mude, quem pode saber?
O melhor de tudo que aprendi no catolicismo acredito que foi o desapego e por isso nao me prendo a regras especificas relativisadas. Ja me prendi por demais nos meus auto-julgamentos e não cheguei a nenhum lugar exceto no aprendizado de sua incoerencia. Hoje me apego ao que pode ser útil. Assim escrevi este depoimento inicial, por achei que poderia ser util, mesmo que limitado e sujeito a erros.
Estou muito feliz por isso tudo
Filipe
A folha ta dando sinal que vai se matar.
A Globo tb,o fantástico ta perdendo audiência a cada domingo, mal sinal, poderiam fazer um suicídio coletivo
hahaha…ou será que ela só quer um pouco de carinho?
Nao foi a Clarice Lispector que disse que: “nascer fez mal pra minha saude”?.
um Kamikaze é um suicida ou um patriota?
Wiss. Saudações
Se formos nos ater à realidade, nem uma das duas.
É alguém que foi “enganado” pelo seu país, pois só lhe deram combustível para ir até a metade do caminho (sorrateiramente chamado de alvo). Como seu combustível não lhe permite voltar… Além do quê, para este sistema dos kamikazes, aquele que por acaso retornar de uma missão, é sem dúvida um covarde e fracassado. Em veradade, foi treinado para não ter opção, pois nem o para-quedas lhe dão.
A quem não assistiu recomendo o documentário A Ponte (The Bridge), sobre os suicídios que ocorrem na ponte Golden Gate em São Francisco, um dos lugares, ou o lugar, não me recordo bem, onde mais ocorrem suicídios no mundo (média de 2 por mês).
Cláudia
Eu assiti a esse documentário e fiquei chocada! Um monte de gente se mata naquela ponte! Por que as autoridades não fecham as lateriais?
Mas não deixe de ver na HBO “Boy Interrupted”, que é mais impressionante ainda…
Aqui tbém a ponte Jean Cartier é um ponto preferido para os Montrealeises(?) darem fim a vida, nao sei o indice mas é impressionante, principalmente no inverno, quando o rio St. Laurent torna-se uma pedra de gelo.
Conheco pessoas cujo parentes se jogaram ai. Jovens.
Ano passado o governo colocou grades de protecao para dificultar o pulo suicida.
A ponte que corta a baia de São francisco, ponte golde gate,Eric Steel faz um documentário sobre os suicídios nesse mesmo lugar, filme chato eu achei.
A mídia, que já não reflete mais a realidade, no caso do suicídio, hipocritamente diz que não divulga estatísticas sobre o suicídio, porque isso seria estimular o ato. Uma omissão que serve para evitar a discussão dos motivos que levam o suicida a por fim em sua vida. Escondem da população um número que gostaria profundamente que algum especialista desmentisse: só no metrô de São Paulo, há 15 suicídios por mês!
O depoimento do Felipe é tocante. No meio de seu texto está grifada uma palavra: FUNCIONAR. É o âmago da questão, a idéia-chave. Ter função, fazer parte de algo, de ser peça numa engrenagem. Ser útil. Um atributo para coisas. A pessoa tem que ser útil, por acaso? Útil para quem, ou para quê? Isso é que é estarrecedor.
Vivemos uma sociedade tão nefasta, que exacerba tanto a disputa em todos os níveis da vida, que acaba transformando os mais frágilizados em trapos humanos.
O lixo, a imoralidade, o inferno, não está no suicida. Está na ordem econômica, no sistema que atende pelo nome de capitalismo. E é tanto cruel quanto mais se aproxima do modelito neoliberal.
Patricio. Saudações.
Capitalismo e modelito liberal estão em forte crise. Não vão se suicidar, mas se não passarem por transformação algo profundo (como uma morte) vão lhe ocorrer. Não tenho dúvidas.
Concordo plenamente. Nos paises industrializados é uma realidade a grande quantidade de excluidos.
Aqui no Canada os indios sao (desta sociedade excludente) os que mais procuram a morte como meio de vida.
Caro Humberto. Acho que deu pau no seu comentário (os que mais procuram a morte como meio de vida???)
Não acredito em exclusão social. É um termo inútil, contraditório em si, desgastado. Os chamados excluídos são parte do sistema, que conta com eles para seus lucros. Quero dizer: uma pessoa, por mais miserável que possa ser sua vida, está devidamente INCLUÍDA no sistema de exploração. Ela faz parte duma chantagem social permanente.
Nos tempos em que FHC tinha um pé na cozinha, o termo que os iluminados utilizavam nas salas de Higienópolis era: “Exército Nacional de Reserva”. Leia-se: “Bando de Desempregados Usados como Barganha na Disputa Salarial”. Um primor da inteligência capitalista.
Num resumo bem básico, a meu ver, os suicidas são resultado dessa pérola do pensamento econômico.
Ola Patrício,
Quando coloquei a palavra funcionar estava tentando me reportar à abordagem técnica que se usa para determinar uma depressão. Todos tem seus momentos de melancolia, ou seus momentos de euforia, mas na maioria das pessoas isso passa e mais na maioria das pessoas estes sentimentos não as impedem de estar participando da sociedade, de estar entre amigos, de trabalharem pelo seu alimento enfm de funcionarem como individuos, cidadãos.
Entendi que é necessário ajuda psiquiatrica quando esses sentimentos estão afastando as pessoas dos seus afazeres. Quando se esta tão triste como estive a ponto de não abrir a porta de casa para recolher o jornal.
Me parece que funcionar pra mim está num nível muito mais simples que pra voce. Estou falando de dormir de noite e passear de dia, de almoçar e jantar. de se relacionar afetivamente…
Oi, Felipe
Não estou fazendo pouco do seu depoimento, que fique claro. Ao contrário, sei como é o processo todo, conheço a terminologia e sou solidário com sua alegria de voltar à tona, voltar a viver. Considere o que expus como um acréscimo ao seu depoimento. O que me preocupa, é como as pessoas podem chegar a esses estados, as causas. Os casos pessoais, quando chegam a um bom termo, ainda que as pessoas tenham que tomar remédios o resto da vida, são casos de sucesso, como o seu. Parabéns. Entretanto, infelizmente há muitos casos de insucesso, você sabe. A solidariedade, representada no seu caso pelo seu pai, é uma qualidade de humanos. É uma sorte grande ter quem lhe acuda. Imagine porém a quantidade de pessoas sem nenhum amparo, os que não são alcançados pelo sistema de saúde cada vez mais privatizado e precário.
Pior ainda: imagine quantos casos surgem a todo instante. Eles não surgem espontaneamente. Sustento apenas que se trata de um fenômeno social, e sua origem está numa sociedade dividida em classes, desumanizada, coisificada, onde o foco, há muito deixou de ser o ser humano para ser o lucro. Numa organização social assim, é absolutamente previsível que a angústia, a depressão, o suicídio deixem de ser casos isolados e passem a ser uma endemia.
Ola Patricio,
Entendo perfeitamente que nao esta fazendo pouco caso. Muito pelo contrario, quando comenta o que escrevi entndo sim que esta elogiando a relevancia! E que bom que discordaste de mim assim o debate se abre!
Sobre o assunto há um filme belíssimo chamado Mar Adentro com o impecável Javier Bardém. Imperdível!
Nassif, o contra ponto a ideia do suicidio está no meu livro O SUICIDA, que trata mais da conciência do que da depressão, tudo de forma bem-humorada, como tudo deve ser tratado na vida. Esta, por si só já é um fardo a ser carregado.
Com sua permissão, aqui está o link do meu livro na Cultura:http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=7020467&sid=0132171901194374517883160&k5=1428DAC3&uid=