O genoma do cavalo
Por André
Sim, agora sabemos qual o genoma do cavalo. São 2,7 bilhões de letras genéticas reunidas em 64 cromossomos, o que faz o genoma dele ser maior que o do cão, mas menor que o nosso e dos bois.
Fora que eles são mais próximos geneticamente de nós do que os cães ou os ratos. Também são mais próximos a nós do que aos bois, e isso porque são ambos animais de casco. 90 doenças equinas são equivalentes a enfermidades humanas e 17 dos 32 pares de cromossomos que compõem um cavalo estão na mesma ordem que estariam em humanos, o que os faz 53% parecidos conosco. Além disso, há mais de um milhão de diferenças genéticas nas várias raças do animal.
O animal usado para o sequenciamento foi uma égua puro-sangue inglesa chamada Twilight. Também analisaram DNA de outras raças, como andaluzes, árabes e islandeses, o que permitiu descobrir o tal milhão de diferenças.
Valeria a pena fazer uma postagem sobre esse amigo que nos acompanha de 4 e 6 mil anos, ainda mais pensando no uão fundamental ele foi para a humanidade durante grande parte da existência da civilização. Os árabes não conquistaram uma extensão que ia até a Península Ibérica só porque deixaram de ser tribos isoladas, mas porque seus cavalos baixinhos e de cauda sempre levantada eram melhores e mais ágeis que os pesados animais europeus. Mongóis também não chegaram à porta da Europa somente porque Gêngis Khan quis fazer um império, mas também porque os cavalos mongóis formavam verdadeiros centauros com quem os montava. Aliás, falando em cavalos mongóis, quem achava que eles eram ancestral do cavalo doméstico descobriu que eles são só uma outra raça, com a particularidade de ter um cromossomo a mais que os 64 normais.
Aqui no Brasil, o cavalo sempre esteve na história, seja montado por portugueses e holandeses, seja por nossos índios. Os guaicurus eram conhecidos por “índios cavaleiros” e se tornaram poderosos por conta dos cavalos que os espanhóis trouxeram para a região do Pantanal, sempre montando-os sem selas. No sul, os gaúchos também são testemunhas de tudo o que esses animais são capazes. Além disso, temos raças das mais interessantes por aqui, como o lavradeiro, que é imune à anemia equina infecciosa (mais ou menos equivalente ao que é a Aids para os humanos).
Os índios dos EUA também muito devem aos cavalos. Ao verem a naturalidade daquele animal trazido pelos espanhóis nas pastagens nativas, disseram que a grama se lembrava deles e inconscientementemente descobriram algo que a ciência só muito depois ia constatar: que já houve uma espécie nativa de cavalo na América do Norte e que o animal do Velho Mundo acabou ocupando o nicho de um animal extinto 10 mil anos antes de os espanhóis trazerem os primeiros cavalos europeus, animais esses que ficaram tão à vontade no Novo Mundo que se considera a introdução deles uma reintrodução. Ainda que constatassem a familiaridade do animal estrangeiro com terras em que ele nunca havia pisado, muitas tribos ficaram sem palavras. Os sioux, tão dependentes do animal, não tinham uma palavra para defini-lo e o chamaram de “tashunka”, que quer dizer “cachorro grande”. Talvez soubessem que aquele animal em que confiavam era mais próximo de nós do que o cão, coisa que os geneticistas confirmaram agora.
Muitos que leem este texto de alguma forma são filhos do cavalo e devem sua presença neste mundo a ele, seja porque sobre seu lombo algum antepassado fazia parte de povos que conquistaram grandes extensões de terra, seja porque algum antepassado dependeu do lombo do bicho para fugir dos opressores. Também precisa agradecer ao cavalo pela comida garantida, seja a carne do próprio ou as hortaliças que cresceram graças ao arado puxado. Nos dias atuais, caso tenha sido picado por uma cobra e tomou soro antiofídico, também precisa agradecer ao cavalo porque o soro é equinoderivado.
Agora que conhecemos seu DNA, que tenhamos ainda mais sabedoria de com ele lidar, sabedoria essa que nossos antepassados tiveram empiricamente por milênios ao trazê-lo para nosso convívio mais próximo.
http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2009/11/05/pesquisadores-fazem-sequenciamento-do-genoma-do-cavalo-914622388.asp http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,cientistas-decodificam-genoma-do-cavalo-domestico,461859,0.htm http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/8345578.stm http://www.sciencedaily.com/releases/2009/11/091105143708.htm http://www.lifescientist.com.au/article/325307/horse_genome_reveals_evolutionary_surprises?fp=4194304&fpid=1 Sim, agora sabemos qual o genoma do cavalo. São 2,7 bilhões de letras genéticas reunidas em 64 cromossomos, o que faz o genoma dele ser maior que o do cão, mas menor que o nosso e dos bois. Fora que eles são mais próximos geneticamente de nós do que os cães ou os ratos. Também são mais próximos a nós do que aos bois, e isso porque são ambos animais de casco. 90 doenças equinas são equivalentes a enfermidades humanas e 17 dos 32 pares de cromossomos que compõem um cavalo estão na mesma ordem que estariam em humanos, o que os faz 53% parecidos conosco. Além disso, há mais de um milhão de diferenças genéticas nas várias raças do animal. O animal usado para o sequenciamento foi uma égua puro-sangue inglesa chamada Twilight. Também analisaram DNA de outras raças, como andaluzes, árabes e islandeses, o que permitiu descobrir o tal milhão de diferenças. Valeria a pena fazer uma postagem sobre esse amigo que nos acompanha de 4 e 6 mil anos, ainda mais pensando no uão fundamental ele foi para a humanidade durante grande parte da existência da civilização. Os árabes não conquistaram uma extensão que ia até a Península Ibérica só porque deixaram de ser tribos isoladas, mas porque seus cavalos baixinhos e de cauda sempre levantada eram melhores e mais ágeis que os pesados animais europeus. Mongóis também não chegaram à porta da Europa somente porque Gêngis Khan quis fazer um império, mas também porque os cavalos mongóis formavam verdadeiros centauros com quem os montava. Aliás, falando em cavalos mongóis, quem achava que eles eram ancestral do cavalo doméstico descobriu que eles são só uma outra raça, com a particularidade de ter um cromossomo a mais que os 64 normais. Aqui no Brasil, o cavalo sempre esteve na história, seja montado por portugueses e holandeses, seja por nossos índios. Os guaicurus eram conhecidos por “índios cavaleiros” e se tornaram poderosos por conta dos cavalos que os espanhóis trouxeram para a região do Pantanal, sempre montando-os sem selas. No sul, os gaúchos também são testemunhas de tudo o que esses animais são capazes. Além disso, temos raças das mais interessantes por aqui, como o lavradeiro, que é imune à anemia equina infecciosa (mais ou menos equivalente ao que é a Aids para os humanos). Os índios dos EUA também muito devem aos cavalos. Ao verem a naturalidade daquele animal trazido pelos espanhóis nas pastagens nativas, disseram que a grama se lembrava deles e inconscientementemente descobriram algo que a ciência só muito depois ia constatar: que já houve uma espécie nativa de cavalo na América do Norte e que o animal do Velho Mundo acabou ocupando o nicho de um animal extinto 10 mil anos antes de os espanhóis trazerem os primeiros cavalos europeus, animais esses que ficaram tão à vontade no Novo Mundo que se considera a introdução deles uma reintrodução. Ainda que constatassem a familiaridade do animal estrangeiro com terras em que ele nunca havia pisado, muitas tribos ficaram sem palavras. Os sioux, tão dependentes do animal, não tinham uma palavra para defini-lo e o chamaram de “tashunka”, que quer dizer “cachorro grande”. Talvez soubessem que aquele animal em que confiavam era mais próximo de nós do que o cão, coisa que os geneticistas confirmaram agora. Muitos que leem este texto de alguma forma são filhos do cavalo e devem sua presença neste mundo a ele, seja porque sobre seu lombo algum antepassado fazia parte de povos que conquistaram grandes extensões de terra, seja porque algum antepassado dependeu do lombo do bicho para fugir dos opressores. Também precisa agradecer ao cavalo pela comida garantida, seja a carne do próprio ou as hortaliças que cresceram graças ao arado puxado. Nos dias atuais, caso tenha sido picado por uma cobra e tomou soro antiofídico, também precisa agradecer ao cavalo porque o soro é equinoderivado. Agora que conhecemos seu DNA, que tenhamos ainda mais sabedoria de com ele lidar, sabedoria essa que nossos antepassados tiveram empiricamente por milênios ao trazê-lo para nosso convívio mais próximo.
http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/8345578.stm
http://www.sciencedaily.com/releases/2009/11/091105143708.htm
Autor: luisnassif - Categoria(s): Ciência Tags: cavalo, cavalos, ciência, genética, genoma, imporância, papel

Tudo quanto bicho vivo é parecido, dizem que somos praticamente iguais a uma mosca,
E agora o parentesco com o cavalo por causa do casco.
hahahahaha………………
E mesmo. Outros se parecem com ratos e ate agem como tal !
Enfim uma explicação genética para certos tipos de cavalgaduras. Como se dizia antigamente, eles têm a quem puxar.
O cavalo é o animal que traz a história nas patas, fez e desfez impérios, empossou e destronou reis. Meu reino por um cavalo. Ele se afastou discretamente da história do homem em época recente. Esteve na Primeira e na Segunda Guerra Mundial. Efrentou tanques durante a ocupação da Polônia. Foi de grande valor nos campos encharcados da Rússia, onde foi decedido o destino da humanidade. Alistou-se com os Partizans. Participou das revoluções chinesa e cubana. Lutou na independência de Angola. Nos anos cinquenta do século passado, ainda era visível o emprego de cavalos no trabalhos rurais da Europa, em países como a França, por exemplo. Hoje participa ainda na vida econômica de alguns rincões do planeta.
Substituiu o cavalo um líquido escuro, viscoso, que tornou os americanos aditos nele. Quem falou isso foi um presidente deles, que conheceu bem a adição para afirmar isto sobre seus conterrâneos e, vendo que os mesmos iam ter síndrome de abstinência, partiu para ignorância para garantir abastecimento na marra, invadiu o Iraque. A humanidade usa adoidado o tal líquido que sabem finito e que um dia acaba. Mas antes de acabar, o que não vai acontecer de morte súbita, ele vai desmelinguir, murxar, voltar aos níveis de produção do século passado, dos anos 70, 60, 50, … assim por diante. Não há nada que substitua essa substância finita na natureza com a mesma eficácia, os substitutos imediatos além de efêmeros não têm a mesma versatilidade, a mesma facilidade de distribuição. Não há um horizonte firme alternativo. No futuro voltaremos a cruzar com o cavalo na História.
Tenho dois cavalos e acho um animal muito diferente do que as pessoas comumente pensam. Os sentimentos desses animais são maravilhosos. O nascimento de potros gerados por éguas já no fim da vida é uma das coisas mais belas que se pode ver. Praticamente se sente o amor que ela já transmite ao filhote, antes mesmo da vinda ao mundo, que coincidirá com a partida dela.
Mas não concordo em dizer que eles ou os cães são parecidos conosco. Ambos são muito superiores. Porque são capazes do amor verdadeiramente incondicional e acima da própria vida. Algo que quase todos eles têm, e que poucos seres humanos possuem.
Dei ao meu Mastim Napolitano o nome de César. Um dia, um amigo homônimo, em uma festa, me disse que aquilo era uma ofensa. Pensei um pouco e falei: ” tem razão. Mas não se preocupe. Ele é nobre demais para reclamar”.
Pois é! E ainda faziam gozação com o general-presidente João Figueiredo…!
Sequenciaram o genoma. E daí?
Lembram do genoma humano? Depois de prometer que que o sequenciamento seria solução para todos nossos problemas de saúde, os geneticistas “produziram” algo daquilo que haviam prometido em seus projetos?
Marcelo Leite, da Folha, tem excelentes escritos sobre o tema. Trata bastante bem da relação poder-genética-mídia. Merece um post uma entrevista com ele.
Pois é, e gastam fortunas para encontrar um só gota d’água fora da Terra. Imaginem se encontrassem uma formiga?… penso nisso todas as vezes que vejo um desmatamento…