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06/11/2009 - 07:00

Identidades regionais

Por Chico Pedro

Aí sim você tocou no ponto fundamental da coisa.
.
Passou da hora dos demais Estados repercutirem suas próprias peculiaridades..
.
Não tem como dois centros estaduais ditarem comportamentos, conceitos e idéias a todo o país.
.
Faço uma crítica tanto ao governo federal…que não descentraliza o poder NEM A PORRETE…
.
(uma das grandes críticas que faço ao governo, diga-se de passagem – a centralização do poder)
.
E não dá um pio contra o oligopólio das teles…
.
E ao estadual…que deveria investir mais na Rede Educativa..
.
Falta coragem e oportuidade para debater esse assunto…

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,

29 comentários para “Identidades regionais”

  1. artur cartacho disse:

    Existem redes que até o sotaque dos noticiaristas são pasdronisado ,o gauchês ,o minerês eo bahianês principalmente desaparecem ,a coisa mais linda é uma bahiana falando com aquela manemolencia tão peculiar ,ea mineira? As grandes redes parecem que levam o pessoal para a matriz e acabam com seus sotaque tão variado deste lindo Brasil .

    • Bahianês não é sotaque – é dialeto.

      • E Bahiano não fala com malemolência.

        até isso é um mito Globistico!

        Bahiano de Salvador fala muito, muito rapido. E corta fora pedaços de palavras. Pegue qualquer buzu em Brotas ou na ribeira e voce vai ouvir frases como:

        “oh motô, na moral, peça po cobra pr’eu passá de baixo”

        não entendeu? Claro que não!

        vale lembrar tambem o tom anazalado constante – herança fon.

        • Victor Rodrigues disse:

          Digo o mesmo pro pernambuquês.

          Sou recifense, mas estou morando em São Paulo há pouco mais de um ano. Toda vez que vou conversar com alguém – considerando que eu ainda dou uma aliviada – deve aparecer pelo menos umas 10 palavras novas na história, ehehe..

          Acho que o caminho da descentralização passa necessariamente pela divulgação da diversidade cultural dessas regiões. A gente precisa ir fundo nas identidades dos diversos Brasis, para encontrar as diferenças e pontos em comum que nos fazem brasileiros tão distintos, mas unidos.

        • Juliano Santos disse:

          Eu.entendi.tudo.
          tradução:
          motorista,fala.para.o.cobrador.deixar.eu.passar.por.baixo.da.roleta
          baianês.e.carioquês.são.parecidos,pelo.visto

      • AF disse:

        e o sotaque cuiabano legítimo… ??? Não tem nada parecido em todo brasil….

    • Victor

      fora que quem nao é da Bahia pra cima (nao digo nordeste porque a Bahia nao é nordeste, embora tenha nordeste) nao diferencia o sotaque do interior de Pernambuco (isto é: do Ceará a Alagoas) do sotaque de Recife, capital.

      Recife tem um sotaque polido e sofisticado. Com adoraveis Ss chiados (”Ixporti Club Ricif”), e com uma coisa inimitavel: o som se adensa na boca, entra as bochechas, antes de sair – como se fosse suavemente abafado por uma surdina.

      Ja tentei mil vezes imitar, e nada.

      Fora que é o sotaque mais masculo, sexy e refinado do pais!

      Mas, no Brasil da Globo, nao existe isso…

      Outra coisa que ninguem fala é da impressionante semelhança entre o sotaque da Bahia (Reconcavoi, bacia do Paraguaçu, Grapiuna), Maranhao e Pará. Que diferem totalmente do sotaque “do nordeste” (isto é: do Grão-Pernambuco).

      Em tempo: a unica cidade em que no meu primeiro “oi” todo mundo me reconhece como bahiano de Salvador é… RECIFE!

      Ah, a Mauriceia Desvairada…!

    • Não sei se em Pernambuco chega a haver um dialeto. Na Bahia, sim.

      Por que digo isso? Nao é bairrismo.

      Em Pernambuco, Recife especialmente, a prosodia é muito peculiar (e proeminente), bem como a fonetica. Mas o lexico é apenas arcaista, e a sintaxe nao muda.

      no Bahianês (isto é: de Salvador e Reconcavo), metade do léxico é yoruba. Nao ha uma distincao apenas de proso-fonetica, e sim o fato de que o portugues bahiano é uma lingua tonal.

      Tomemos o “oxe” (e nao apenas o “oxente”). Seu significado muda, nao apenas semanticamente como sintaticamente, de acordo com a intonacao. O mesmo para o vocativo “pai” (pronunciado “pae”) – que nao é usado apenas para vinculos de parentesco, nem de amizade.

      Mais do que isso, a estrutura sintatica aqui é de outra ordem. As inversoes barrocas sao comuns mesmo em frases longas. A supressão de termos, e nos termos de consoantes ou de partes vocalicas inteiras.

      Realmente, eu nao conheço outro lugar do pais em que a lingua falada na capital tenha esta independencia estrutural da lingua do pais.

      Em tempo: a nasalidade bem como o carater tonal do portugues bahiano sao heranças yorubás. Que nao ocorre no resto do pais. Chega-se ao ponto de onomatopeias virarem significantes. Isso ocorre tambem em New Orleans, mas em ingles. Ou de significantes serem reduzidos a onomatopeias: “oxe” que um dia foi “oh, gente”, “bora” ou “bó”, que um dia foi “vamos embora”; “vixe”, que um dia foi “Virgem (Maria)”; etc.

  2. Helio Constantino disse:

    Essa centralização das comunicações por um triunvirato midiático, leva ao sufocamento inclusive das manifestações culturais regionais.

  3. Marco Aurélio disse:

    No entendi muito bem o objetivo do post, mas os comentários até agora são sobre a midia televisiva e como era de se esperar, pau na Globo.

    E os jornais da Record? e do SBT?

    A questão é o sotaque? me parece que transmitir as notícias em português, e numa linguagem que seja compreensivel a qualquer brasileiro deveria ser a preocupação.

    E não é o sotaque, coisa que é criada pela região e costume de uma determinada área que faz a cultura ou o valor de uma população.

    O carnaval que é um produto da cultura brasileira independente do sotaque, tem uma leitura diferente em cada região. Na Bahia são os trios elétricos, no RJ e SP os desfiles, no Nordeste uma variadede de festas. Qual delas tem maior valor? Uma sobre as outras nenhuma, mas a varidade permite que a nação ofereça opções a turistas internos e estrangeiros e isso é o que vale.

    • Chico Pedro disse:

      A questão é que as riquezas culturas regionais ou são pouco conhecidas….ou desconhecidas completamente.
      .
      O sotaque é a menor parte dessa história toda….
      .
      Quem está no epicentro da coisa não percebe…mas quem é da “periferia” nota facilmente.

      • Marco Aurélio disse:

        Mas se a riqueza ou cultura é regional…ela só pode ser conhecida da região.

        Em qualquer lugar do mundo é assim.

        Globalizar, digamos assim, uma cultura local a torna propriedade de todos e a descaracteriza.

        Se algo deve ser feito é o estado na acepção maior tomar medidas para que regionalmente essa cultura seja preservada.

    • Ivan Moraes disse:

      “A questão é o sotaque?”: que eu saiba a televisao mineira nao tem sequer um sotaque mineiro.

      • AF disse:

        Sotaque quem tem são sempre os ‘outros’, não é mesmo ? rs

        • Marco Aurélio disse:

          Eu ia rsponder justamente isso, mas jáque vc o fez…

      • Rafael Tâmega disse:

        Tem sim o q fazem é saudavelmente retirar o ‘excesso de murrinha’ pq senão ninguém aguenta, sotaque é uma coisa murrinha em excesso é outra e é 100% dispensável. Alguns exemplos de sotaque ’saudável’: Samuel Rosa, Fenanda Takai, Piment da Veiga (péssimo político mas ótimo sotaque) são tão poucos q faltou exemplo para prosseguir aqui! Não posso citar os ‘murrinhas’ por motivos óbvios! Mas para se ter uma idéia de como a coisa é triste basta lembrar q Aécio neves q é meio híbrido BH/rio é, no momento a ÚNICA pessoa pública q costuma aparecer em tv e rádio q conjuga bem os verbo e, pasmem, usa pronomes! E coloca tudo no lugar certinho! Estudou em boas escolas, óbvio! E olha q eu detesto o cara, hein?! Opinião portanto 100% isenta! O ‘resto da turma’ é de dar nó e calo nos ouvidos salvo raríssima exceções, nem falar q tb adotaram aquela ‘maravilhosa’ invenção paulista, ‘o gerundismo’! Aí ‘mano’ é o pior dos mundos: juntaram a murrinha local com o gerundismo alienígena…

    • Prezado Marco Aurélio:

      O carnaval, aliás, é produto de uma cultura globalizada (antes mesmo da globalização da economia).

      Paraticamento toso os paises do mundo festejam o carnaval (a seu modo).

      Um abraço, Charles

      • Marco Aurélio disse:

        Assim como o natal, dia dos mortos e o dia da independência. Cada um a seu modo e maneira. Da mesma forma, meu querido que aqui como no japão se come arroz e no entanto a forma do preparo e sua apresentação a mesa identificam a origem.

    • Marco Aurelio, sinto informar: carnaval, mesmo, ocorre no Brasil em tres e somente tres lugares:

      - Salvador, com o frevo eletrico, o samba-reggae, o afoxé e o ijexá;
      - Pernambuco (Recife, Olinda, Paulista, Bezerros): frevo de rua, de palco, de bloco, canção, de pau e corda, caboclinhos, maracatus de nação e de ponta de lança;
      - Rio de Janeiro: tanto bloco de rua quanto sambodromo.

      o resto é palido arremedo.

  4. Chico Pedro disse:

    Meu conhecimento a respeito dessa situação é meio incompleto.
    .
    O que sei é da prática do dia dia…de meras observações…
    .
    Não obstante, alguns pontos me parecem evidentes e inquestionáveis..
    .
    O primeiro deles é que a tevê exerce demasiada influência sobre a população..
    .
    Uma fatia substancial do que se absorve no tocante a informação, notícia e entretenimento vem da mídia televisiva..
    .
    Não é exagero dizer que há um modelão feito para que nos encaixemos dentro dele…
    .
    É muito mais vantajoso e estratégico para as grandes teles uniformizar a grade de programação.
    .
    A esse respeito eu ressalto o que ouvi há muito tempo..
    .
    Havia um projeto de lei onde uma parte da programação deveria ser regional…cerca de 20%.
    .
    (vejam que nem é muito hein…)
    .
    Depois de grande pressão do setor o tal projeto jamais foi prá frente…
    .
    Se o primeiro ponto que se nota é o da importância dessa mídia na cultura do brasileiro….
    .
    O segundo é a alta concentração da produção em dois centros: São Paulo e Rio.
    .
    Vejamos com o que a Globo nos “presenteia” diariamente…
    .
    Primeiro o programa de futilidades da Ana Maria Braga…
    .
    Depois um bocado de desenhos animados para a criançada…
    .
    Aí entra um telejornal e o noticiário esportivo da cidade…
    .
    Volta a grade nacional…com aquela espécie de Jornal Nacional Vespertino…
    .
    Depois o Vídeo Show…a reprise de uma novelinha para começar o aquecimento…um filmeco de quinta categoria..
    .
    Aí vem aquela sequência sem fim de novelas…começando pela dos adolescentes…uma tal de Malhação…
    .
    Depois a novela das Seis….um micro intervalo para o noticiário local…
    .
    Na sequência vem a das Sete…O Jornal Nacional…A novela das Oito…
    .
    Aí vem qualquer coisinha meia boca para entreter…preparando o encerramento com o jornal da noite e o Programa do Jô…
    .
    Peguem isso tudo aí e vejam o que é local…e o que é nacional…
    .
    Façam um pequeno exercício de matemática e notem o que é feito nos outros estados…
    .
    E o tanto que se concentra em São Paulo ou no Rio…
    .
    E ainda tem a Bandeirantes, o SBT, a RedeTv, a Record…
    .
    Indo mais adiante…Cabe outro exemplo:
    .
    Em novembro do ano passado rolou o segundo turno das eleições para as prefeituras…
    .
    Lá pelas tantas o canal a cabo de notícias da Globo passou a transmitir o discurso de vitória do kassab..
    .
    Nessa brincadeira foram quase 40 minutos de falatório ininterrupto..
    .
    Depois chamaram alguns “especialistas” para avaliar o resultado das eleições…
    .
    De uma hora prá outra…e quase que instantaneamente…
    .
    O prefeito eleito de São Paulo foi transformado num dos três principais líderes da oposição no país..
    .
    Enfim…Esse tipo de distorção precisa ser corrigido…
    .
    Ao se concentrar quase tudo em determinadas regiões…O que só pelo gigantismo do país já seria um grande absurdo…
    .
    Boa parte da população desconhece ou usufrui daquilo que acontece em sua “realidade próxima”…
    .
    Tanto para o bem…quanto para o mal.
    .
    P.s: Só você e mais ninguém tem disposição para levantar esse tipo de coisa Nassa…
    .
    Grande abraço!

  5. Paulo Cezar disse:

    Estudei na minha monografia em administração pública a descentralização de poderes feita pelo governo federal quando da criação do SUS. E acredito que é necessária a centralização de poder no governo federal, e a descentralização da operação, o que pode ser feito por “acordos” entre as esferas do executivo. Agora retirar o poder completamente do governo federal, iria criar um monstro burocrático e confuso, desprovido de planejamento e recheado de incompetência e falta de vontade de politicos omissos de cidades pequenas. Coisa que acontece hoje , muitas vezes, em politicas descentralizadas, como a saúde pública.

    • Chico Pedro disse:

      Bom…nem tanto ao mar…nem tanto à terra..
      .
      Algumas operações administrativas…principalmente as menos complexas…deveriam ser descentralizadas..
      .
      Aquelas mais estratégicas, não.
      .
      O que não podemos esquecer é o caráter federativo do nosso Estado.
      .
      É bastante razoável pretender que a tomada de decisões esteja mais próxima do cidadão..
      .
      Afinal…eu sei muito mais que o pessoal de Brasília quais são os problemas da minha cidade e do meu estado…
      .
      Apenas acrescento que essa centralização não foi promovida pelo Lula..
      .
      Ela ocorre desde muito tempo…e acho até que exacerbou durantes os anos FHC.

  6. Nassif e demais:

    Se está ainte da diade “universal” versus “local”.

    Entendo que a legitimidade do universal se encontra no respeito e afirmação do local/regional.

    O Brasil é enorme, com culturais locais diversificadas. Se é importante haver uma cultura nacional, ela somente vai se legitimar se respeitar e retratar as peculiaridades regionais.

    Quando se contrói uma cultura universal sem dar conta de ressaltar os fatores localistas, a tendência é a susbstituição do multicultural pela imposição de uma uniformidade sem gosto e cor.

    Charles Bakalarczyk

  7. Ivan Moraes disse:

    A proposito, deu quebra-pau no lancamento do livro sobre Sarney no Maranhao.

    So podia dar mesmo.

  8. Chico Pedro disse:

    Procurei rapidamente lá no site da Rede Minas…mas não vi os valores que lhe são repassados pelo Governo.
    .
    Sei que aumentou um pouquinho perto do que recebiam antes..
    .
    Mesmo assim mesmo continua insuficiente…
    .
    Para quem está no interior o sinal não é captado por uma antena convencional..
    .
    E o mais importante…a qualidade dos programas é tosca..
    .
    O Governo Estadual deveria…portanto…investir mais…muito mais.
    .
    Mas isso significa competir com as grandes teles..
    .
    E significa incomodar quem NENHUM POLÍTICO nesse país tem coragem suficiente para fazê-lo.
    .
    Obviamente…o Aécio está nesse rol.

  9. Vivian S. disse:

    De fato, assunto muito interessante. O Brasil conhece o Rio e São Paulo, ademais tem uma pálida ideia de Salvador, de Curitiba e Porto Alegre e de Belo-horizonte, do restante, só sabe se tiver alguma ligação com a região, senão é desconhecimento total.

  10. CAIXA PRETA disse:

    Caro Chico Pedro,

    Receio que primeiro tenhamos que tirar o secular poder das Clãs, que, por exemplo, mandam no Norte e Nordeste, mas residem e continuam a formar seus filhos no Sudeste (Rio e SP).

    Curioso mesmo é o sotaque, em especial as expressões com “S” e “R” de Collor e Barbalho (cariocas típicos). Mais estranho ainda, o “nenhum sotaque nodestino” de, pelo menos, um dos filhos da Clã “Sarney”.

    Será mesmo que eles estão preocupados com essas Identidades Regionais ou só querem saber do “puder” e dos “récursus” públicos? Parabéns pelo menos aos Gaúchos, que tentam, mesmo que na “marra”, manter suas tradições.

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