A proposta brasileira para o câmbio
Por Roberto São Paulo/SP
Do Estadão
Brasil quer câmbio flutuante no G-20
Alvo maior da iniciativa é a China, que atrela moeda ao dólar
Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL, LONDRES, O Estado de S.Paulo, Sexta-Feira, 06 de Novembro de 2009
O governo brasileiro vai defender hoje, na reunião ministerial do G-20, na Escócia, um padrão único de gestão do câmbio por todas as maiores economias do mundo. Mais: pregará que o modelo escolhido seja o câmbio flutuante, adotado pelo País desde 1999. O objetivo é “homogeneizar” o fluxo global de moeda, evitando a sobrevalorização excessiva, da qual o real tem sido vítima nos últimos meses, se comparado com o dólar, o yuan e até o euro.
A iniciativa tem como alvo maior a China, que atrela a valorização da moeda ao dólar.
As revelações foram feitas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no fim da manhã de ontem, em Londres, em meio ao seminário FT Investing in Brazil Summit.
A ideia do ministro é adicionar à proposta dos Estados Unidos, que incluía a regulação dos desequilíbrios comerciais e o acúmulo de reservas, o que chama de “desequilíbrios de câmbio”. ………..
…………..O alvo da medida é a China. De acordo com o relatório do banco Goldman Sachs, o real se valorizou 50% ante o yuan nos últimos 12 meses. “A moeda chinesa está atrelada ao dólar.
Como a moeda americana se desvaloriza, a chinesa se desvaloriza. Isso gera desequilíbrio cambial”, analisa. “Se a China tivesse câmbio flutuante, teríamos uma moeda mais valorizada e os capitais migrariam para lá também, e menos no Brasil. Então haveria mais homogeneidade.”
Além da padronização do sistema de câmbio, Mantega defendeu uma política de controle de liquidez mais equilibrada, o que evitaria a sobrevalorização do real ante o dólar, que chega a 51%.
Para o ministro, o “excesso de liquidez também acaba sobrando para países mais sólidos e com bolsas mais avançadas, como o Brasil, a Austrália e a Nova Zelândia”. Segundo Mantega, se a economia internacional adotar um padrão de câmbio e houver controle de liquidez, “já se resolve o problema”…………………
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091106/not_imp461978,0.php
Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: Brasil, câmbio, China, G20, Guido Mantega

Nassif, a resposta mais contundente à Caetano Veloso veio de forma simples e também surpreendente, pois veio lá do blog do tucano Josias de Souza. Um vídeo do YouTube com Caetano cantando Calúnia, da Dalva de Oliveira :
“Quiseste ofuscar minha fama
E até jogar-me na lama
Só porque eu vivo a brilhar
Sim, mostraste ser invejoso
Viraste até mentiroso
Só para caluniar
Deixe a calúnia de lado
Se de fato és poeta
Deixe a calúnia de lado
Que ela a mim não afeta
Se me ofendes, tu serás ofendido
Pois quem com ferro fere
Com ferro será ferido
Quiseste ofuscar minha fama
E até jogar-me na lama
Só porque vivo a brilhar… ”
Todo o mundo sabe que o problema cambial brasileiro tem a principal origem na taxa de juros. Não precisa pensar em soluções mirabolantes, basta reduzir a taxa de juros em 2% que tudo se ajusta.
A Competitividade do país melhora, dada a redução do custo financeiro das empresas;
O governo reduzirá o custo de rolagem da dívida, o que poderá se transformar em redução de impostos;
Não tem que pensar mais em outras soluções, o problema está principalmente nos juros.
Caso isto não se resolva agora será resolvido quando o Henrique Meireles sair do BC.
Sem jamais se esquecer do “spread” bancário, que é indecente.
É mais ou menos como os EUA, que preferem jogar napalm nas plantações de coca andinas do que reduzir o consumo de drogas no próprio país.
Gostei da sua fórmula. Tem lógica.
Por que será que não fizeram isso até hoje?
O Ministro da Fazenda está lá na reunião do G-20 tentando convencer à China mudar sua política cambial para resolver o nosso problema do câmbio, enquanto que a solução está aqui no blog no Nassif.
Esse pessoal do governo não enxerga um palmo à frente do nariz!
E se não aceitarem, então a gente faz o que quiser para se defender, sem que o “mercado” entre em pânico.
Bela jogada.
Câmbio flutuante? Brincadeira! Como é que se pode esperar superar o subdesenvolvimento dessa forma? Não há casos e exemplos que a idiotia neoliberal possa citar.
Bom, ela pode apelar para o abstracionismo dos equilíbrios involuntários… Piada!
Está correta a iniciativa brasileira. A maior parte dos problemas do mundo atual requer uma solução global. O problema da imigração na Europa requer uma política global de fixação dos imigrantes nos territórios da Ásia e da África. Enquanto medrar a miséria e a fome nesses continentes, a Europa, adotando quantas leis de imigração quiser, não solucionará esse problema. A violência que agora toma conta de São Paulo, com tiroteios de fuzil em plena Via Anhanguera, também requer uma solução global. Enquanto os fabricantes de armas continuarem a permitir seu contrabando para a Bolívia e o Paraguai (principalmente esses países) e não houver uma política continental de combate a esse contrabando, não estaremos livres da violência.
Creio que a enorme injeção de liquidez promovida pelo principais Bancos centrais, liderados pelo FED, vai exigir um controle muito maior dos mercados para impedir que se repitam os exageros que provocaram a maior crise do capitalismo.
O controle do fluxo de capitais é parte fundamental dos novos controles que precisarão ser implementados para garantir a recuperação da economia americana e mundial.
A rápida recuperação da economia brasileira e a lenta recuperação da economia dos países desenvolvidos provocaram a necessidades de medidas que permitam uma maior estabilidade cambial no Brasil.
Chance de um a dez é zero. Proposta retórica, cada Pais ou bloco de paises tem uma visão e um interesse especificio, a China não vai se atrelar a decisões de outros sobre cambio. Mas o tema é bom
para fogos de artificio, que é uma especialidade atual da diplomacia brasileira, na linha de propor temas que nunca chegarão a um consenso mas servem para criar espuma ou temas em que todos tem consenso, como o combate à fome, mas que não trazem desdobramentos no mundo real.
Andre Araujo,
Concordo com a primeira parte do seu comentário, mas dizer que há consenso no combate a fome acedito ser demais. O “desdobramento no mundo real” não acontece por não haver consenso algum. O que existe é HIPOCRISIA.
O que eu disse é que há consenso nas intenções e na sequência não há ação alguma.
Concordo com o que diz. É uma proposta inócua, intelectual, humanitária,bonitinha, mas inócua. Vai ser muito aplaudida. E só.
Não fosse o poder sobre sua próprias moedas e provavelmente não existiriam Japão, Coreia do Sul, Vietnam, China, India, etc, na forma como existem.
O Brasil deveria deixar de querer consertar o mundo e tentar consertar o Brasil.
Acredito que estamos no limiar do início de uma nova forma de Guerra: A Guerra cambial, que terá um poder devastador muito maior e duradouro que as guerras como conhecemos. Permitirá aniquilar o inimigo sem destruir sua infraestrutura, sem criar animosidades ou nacionalismos extremos, desejos de vingança, etc. E permitirá domínio pelo vencedor, através do domínio da economia do vencido. Talvez esta poderá ser a forma de uma 3ª Grande Guerra.
Viajei na maionese? Não duvido, mas acho possível que haverão combates nessa área, e que tais desestabilizarão economias de forma muito mais profundas que uma guerra convencional o faria.
Estaríamos a caminho de um consenso cambial na Escócia?
A insanidade vai tomando conta do planeta, e esses senhores não fazem mais do que apresentar propostas, como destacou Araújo, que não tem nenhuma chance de acontecer. E, além disso, quem disse que se a China deixasse seu câmbio flutuar, o yuan se apreciaría? Existe a possibilidade que o yuan derreta ainda mais rápidamente, assim como isso é esperado em algúm momento futuro com o yen.
Os desequiíbrios globais foram gerados nos EUA, pais que controla a emissão de moeda internacional. A tal “recuperação dos mercados e da economia global” não é mais do que a ação sincronizada dos bancos de investimento americanos injetando dólares espúrios em tudo quanto é ativo, graças a ordem dada desde o Fed, de que o dinheiro de graça estará a disposição dos bancos americanos durante muito tempo. O mundo inteiro está pagando essa conta. O próximo crash vai doer muito mais do que o de 2008. O problema é a MOEDA, não o câmbio.
Marola. Como disse o André: fazer espuma. Cumpre-se a agenda, um rolê pelos países, algumas fotos, elogios nos jornais. O deus-mercado fica quieto no seu canto lambendo as patas.
A China jamais vai se atrelar a políticas econômicas(ou cambiais, que seja) com um mercado interno do tamanho gigantesco que tem. O raciocínio é o “primeiro os meus, Mateus.”
Interessante a jabuticaba.
Enquanto nos outros países os bancos quebram, no Brasil batem recordes de lucratividade. Nada contra, mas precisava ser tanto?
É preciso urgentemente indexar o dólar ao real numa taxa de câmbio que nos favoreçam. Impostos para a remessa de capitais e de lucros das multis.
Se a comunidade internacional vai adotar as práticas sugeridas, que apresentam um novo rumo para a gestão do cambio é outra estória.
O que me enche de orgulho é que “NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESSE PAÍS” o Brasil apresentou propostas sérias de gestão da economia mundial para debate.
Enquanto isso os cães ladram e a carroagem passa.
Fiquem voces ai ladrando que a china não vai aceitar, que isso , que aquilo.
Um bom dia a todos
A proposta deixa de ser séria se for inviavel.
É impressionante o desconhecimento da história do Brasil nos ultimos 500 anos, como se isto aqui antes do Lula fosse um acampamento de indios.. O Brasil foi um dos OITO paises aliados que combateram o Eixo na Segunda Guerra Mundial, o unico pais da America Latina que teve essa condição, foi um dos fundadores da ONU e até hoje é o Pais que por tradição abre a Assembleia Geral das Nações Unidas. Não é por acaso.. O Brasil não nasceu anteontem a não ser para aqueles que tem completo desconhecimento de nossa História. Documentação recem liberada nos arquivos do Governo Americano mostram que o Brasil foi sondado pelos EUA e Inglaterra para ser a potencia ocupante da Austria, ao fim da Segunda Guerra e não aceitou. O Brasil já comandou duas importantes Forças de Paz da ONU antes desta agora no Haiti, é portanto Pais absolutamente confiavel para o Conselho de Segurança, que é quem detrmina a missão.
Quando Brasilia foi inaugurada em 1960 o Brasil foi manchete em todos os jornais e revistas do mundo, foi um acontecimento acompanhado por todo o planeta.
O BID , Banco Interamericano de Sesenvolvimento foi criado
por proposta do Brasil apresentada pelo Presidente JK ao Presidente Kennedy. Foi uma proposta brasileira e não foi inviavel.
Agora, achar que podemos nos pavonear porque a delegação do Brasil apresentou uma proposta que tem zero chance de ser aceita, francamente é pouco alpiste para muito passarinho, isso acontece todo dia em conferencias internacionais, todo mundo apresenta propostas, é absolutamente normal, não é motivo para
levantar taça e estourar champanha, parece coisa de pobre que ganhou na Sena.
Se o Brasil realmente fizer esta proposta aplaudo de pé o presidente Lula e o ministro Mantega. Sei que jamais será aceita pela China, afinal o meio que ela tem para garantior o seu crescimento no curto prazo e continuar exportando muito.
Uma medida como esta como seria recebida pelos aliados preferenciais do Lula, como o pc do b, o porta-voz e relações públicas do PCC no Brasil.
*PCC partido comunista chinês
“O governo brasileiro vai defender hoje, na reunião ministerial do G-20, na Escócia, um padrão único de gestão do câmbio por todas as maiores economias do mundo” Assim comeca a materia do Estadao! A voz e o protagonismo do Brasil sao tao evidentes que ate o Estadao um explicito critico do governo Lula se confunde no criterio de publicar materias.
O Brasil vai apresentar uma proposta na reunião ministerial que foi convocada exatamente para que os paises participantes apresentem propostas. Se o Brasil lá está presente não precisa ter protagonismo e nem voz especial para apresentar propostas, bastar estar lá sentado na mesa, todos se reuniram para esse fim.Não vi qualquer confusão na matéria do Estadão, o jornal esta cobrindo a conferencia, o que há de extraordinario?
o André Araújo tem uma má vontade… parece até o editor do UOL.
Ah, ah, ah, meu caro colega de blog, eu sou critico de tudo, é minha vocação, tambem critico igualmente os tucanos, para elogiar não precisa blog, todo governo já seus puxa-sacos habituais. Vou lhe dar minha opinião maldosa : essa proposta só atende a um interessado, os EUA, porque o unico Pais do G-20 que não tem cambio flutuante é a China, é uma proposta dirigida especificamente contra a China, como os EUA não podem atacar diretamente a China porque esta tem quase 2 trilhões de dolares em titulos americanos, usam a mão do gato do Brasil. Qual a logica? Em reuniões internacionais a coisa mais comum é um pais servir de cobertura para outro que não pode se expor. Fica um crédito diplomático que depois se acerta em outra reunião. Vc veja bem que essa proposta é neutra em relação ao Brasil, porque temos uma balança comercial relativamente equilibrada com a China, mas é essencial para os EUA que há anos pressiona a China para que ela deixe o cambio flutuar, visando diminuir o cronico superavit comercial chines vis a vis os EUA.
Hoje o yuan é absolutamente administrado pelo Governo de Pequim, que fixa a cotação dentro dos interesses da politica macroecnomica chinesa, voltada para a exportação crescente.
Porisso a proposta brasileira é artificial, não visa a um objetivo natural do Brasil e apenas veste com outra roupa um antigo pleito dos EUA.
Também acho que essa proposta não tem chance alguma de vingar, mas fiquei com dúvida em sua afirmação de que essa proposta é neutra para o Brasil.
Com a valorização da moeda chinesa, nossa indústria ganharia maior competitividade. Nosso mercado interno ficaria mais protegido das importações chinesas e nossas exportações ganhariam mercado. Se o real também desvalorizasse como consequência dessa medida, esses efeitos seriam ainda mais potencializados.
Ou não seria nada disso?
Meu caro, se o Brasil não consegue resolver o seu problema cambial, que depende da ação exclusiva do BC comandado pelo Governo, como é que vai querer mandar no cambio da China para ajudar a industria brasileira?
Se naquilo que depende exclusivamente de nós, não conseguimos conter a valorização do real para que se proteja o parque industrial brasileiro, vamos fazer isso convencendo a China valorizar o yuan? Dá para acreditar?
Of course.
No meu leigo entender,isto não acontecerá. A CHINA não topa.
Porque é interesse do país manter a paridade com o dólar.O brasil tem que defender seus interesses com medidas próprias aqui.
Ser ou não ser ?
Fico a pensar com meus botões, dinheiro é ou não é commoditie, e câmbio é ou não é operação de mercado.
Muita gente que não entende de mercado dando palpite, mas o que realmente importa no mercado é o tempo. Sem o timing certo é prejuízo garantido.
Faltam operadores para dar o tranco necessário no Real, mas certos interesses serão contrariados.
Como fazer isto sem provocar marolas desnecessárias é o mistério, mas… em terra de cego, quem têm um olho só é Rei.
Acho louvável a intenção de o Brasil propor a adoção do cambio flutuante por todos os países do G-20. Realmente creio que daria um equilíbrio saudável aos fluxos de capitais e até contribuiria para uma concorrência mais igual entre os países (fundamento capitalista). Mas ca entre nós… Além de politicagem, qual é a probabilidade da proposta emplacar? Eu acho que esta próxima do -5. É meio estranho analisar do ponto de vista político/ideológico. Nenhum país do mundo galgou as escadas até o “primeiro mundo” (ou reconstrução pós-guerra) dentro de um modelo neoliberal (passaram a adotar depois). O Brasil demonstra estar abandonando em partes o modelo neoliberal e já está colhendo frutos… Não seria mais lógico o Brasil se adaptar reduzindo a taxa de juros, adotando outros mecanismos para controle de capitais especulativos, ao invés de tentar mudar a política econômica da China, da Índia, e de outros? Ou será que a politicagem no nosso pais é consegue ser pior. Em casa é desenvolvimentista, e internacionalmente carrega a bandeira neo-liberal… Será mais uma daquelas questões de dividir para governar? Apesar de achar louvável, prefiro ser mais pragmático…
Nassif,
o Brasil está fazendo o jogo de poder americano.
A China está no direito de ter um câmbio fixo, como era do mundo inteiro há 30 anos e de 99% dos países há 12 anos.
Os americanos querem desvalorizar sua moeda em relação à de todos os outros países para bloquer a industrialização de países não-desenvolvidos.
Se o Brasil quer ter um câmbio mais desvalorizado, basta fazer o óbvio, reduzir os juros ou comprar dólares.
Mas aí os banqueiros ganham menos dinheiro e os americanos não conseguem realizar seu plano.
Se dobrarem a China, o mundo entrará em uma grande depressão e o Brasil será um dos mais prejudicados…
Sinceramente ao entendi as criticas a proposta brasilera. O que se deve fazer entao? Nao participar dos foruns multilaterais? Nao dizer absolutamente nada! Que e de dificil implementacao, isso ate as pedras sabem. Mas a questao da desvalorizacao do Yuan esta na base de um novo equilibrio internacional e esta na raiz da crise. Foram os desequilibrios no fluxos comerciais entre os EUA e a Asia que levara a formacacao da bolha especulativa,. E a questao interessa ao Brasil tambem,afinal o Real se valorizou com relacao ao Yuan cerca de 50% nos ultimos meses. O Brasil tem insistido em solucoes multilaterais e sem isso nao havera uma nova ordem internacional que se faz necessaria.
E se amarrar o real a uma cesta de moedas, acaba a política cambial brasileira, a possibilidade de ter uma moeda competitiva.