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06/11/2009 - 07:51

A máquina de suicídios da France Telecom

Por Sérgio Troncoso

Olha as teses de reengenharia total e competição interna sem sentido, levandos trabalhadores a doença e morte. Só na cabeça de empresários sem um pingo de sensibilidade para o que é o ser humano, para achar que essa loucura no trabalho seja uma condição “natural” para alguem.

A fábrica de suicídios

Um edifício antissuicídios, um local de trabalho com janelas fechadas e parapeitos altos, como se bastassem poucos aparatos técnicos para pôr fim a um desastre social com poucos precedentes. À primeira vista, a notícia de que a France Télécom ocupará a partir de janeiro aquele imóvel poderia parecer uma farsa, se não se inserisse em um contexto trágico: 24 suicídios em apenas 18 meses, dezenas de milhares de funcionários em estado de choque, um administrador sob acusação por ter transformado uma empresa gloriosa em uma fábrica de depressivos comandados com mão de ferro. A esquerda pede a demissão do presidente e do administrador delegado, Didier Lombard, mas o Estado, primeiro acionista da sociedade, talvez se limitará a pedir a cabeça do seu vice.

A reportagem é de Giampiero Martinotti, publicada no jornal La Repubblica, 01-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O edifício de Saint-Denis, às portas da capital, onde 200 mil funcionários da operadora telefônica irão trabalhar a partir de janeiro, tornou-se assim um símbolo de uma empresa aterrorizada: janelas fechadas, terraços e passarelas inacessíveis, parapeitos elevados. O medo paralisa um pouco todos: nos últimos tempos, pôde-se ver um dirigente apunhalar-se diante de seus colegas durante uma reunião, uma jovem mulher se jogou da janela do seu escritório do quarto andar. E aqueles que, entre os suicidas, deixou alguma explicação acusou implacavelmente a France Télécom, os seus dirigentes e os seus métodos brutais.

A mensagem enviada por e-mail por Stéphanie, 32 anos, ao pai é terrível: “O meu chefe não sabe, obviamente, mas serei a 23ª funcionária a se suicidar. Não aceito a nova reorganização do serviço. Vou mudar de chefe e, para passar por aquilo que eu vou passar, prefiro morrer. Deixo no escritório a bolsa com as chaves e o celular. Levo comigo a minha carta de doadora de órgãos, nunca se sabe. Não gostaria que tu recebesse uma mensagem desse gênero, mas estou mais do que perdida. Quero-te bem, papai”. Poucos minutos depois, a jovem se jogou da janela do seu escritório.

Na segunda-feira, 28, em Annecy, um outro funcionário se jogou de cima de um viaduto. Na carta à mulher, disse-se desesperado por causa das condições de trabalho. Lombard, ao assumir o posto, teve que enfrentar a cólera de 300 funcionários.

A France Télécom decidiu impedir a mobilidade interna dos funcionários, considerada uma das raízes do estresse. Mas trata-se só de um elemento. Um livro recém publicado (“Orange stressé”, de Ivan du Roy, que se refere à marca comercial da sociedade e brinca com a sonoridade de laranja espremida) aponta o dedo contra os métodos que têm um só objetivo: amedrontar as pessoas para estimulá-las a ir embora. Nesta quarta-feira, Louis-Pierre Wenes, o número dois do grupo, o homem encarregado de cortar os custos, estava sob fogo cruzado: “Uma vez ele nos disse: submissão ou demissão”, conta um sindicalista.

Porém, o mal-estar vai além dos métodos de um homem. A France Télécom passou do mundo protegido de uma sociedade pública monopolista à de uma empresa obrigada a enfrentar um dos setores de maior concorrência hoje. A transição era objetivamente difícil, e nenhum dos dirigentes dos últimos 12 anos soube olhar para além do vermelho e do preto das contas. Os resultados estão debaixo dos olhos de todos, com o medo de que a longa lista dos suicídios possa aumentar ainda mais.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Gestão Tags: , , ,

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62 comentários para “A máquina de suicídios da France Telecom”

  1. Luis Armidoro disse:

    Enquanto estes dirigentes miseráveis, assassinos piores que traficantes de crack, destróem famílias; aqui em SP o fóssil vivo do neoliberalismo faz aquilo para o qual foi programado (ou instruído pelos seus mestres, os neocons americanos): privatizar. A Cosesp é mais uma que vai ser vendida. Sinceramente, chega de tucano

  2. Luis disse:

    Leiam “O Artífice” de Richard Sennett

    • Helô disse:

      Luis, outro bom livro do Sennett é “A corrosão do caráter – consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo”.

  3. Cláudia disse:

    Mas que que é isso?! Os franceses esqueceram Dukheim? É óbvio que a empresa é a causa, mas se uma pessoa prefere se matar a simplesmente sair do emprego é porque a sociedade como um todo não está oferecendo alternativas melhores.

    • Mar. disse:

      Cláudia,
      as coisas não são tão simples como parecem, não são assim tabulares como você coloca. Em princípio parece óbvio né, esse trabalho é ruim, então vamos procurar outro. Ocorre que as pessoas investem um tempo na carreira dentro da empresa, assumem compromissos financeiros e de repente se vêem novamente tendo que iniciar do zero só que mais velhas, com filhos, em meio a uma crise econômica, já moldadas a processos específicos da empresa em que trabalhou por muitos anos, é difícílimo. Fora que a pessoa terá que enfrentar a questão do fracasso, que em sociedades como a dos EUA é uma questão binária: losers X winners. É claro que a pessoa tem que estar muito mal na vida pessoal também, eu concordo que não é asolução se matar, eu jamais faria isso mas se a pessoa está doente então acho cruel e criminoso que a empresa cometa esse assédio moral, levando o empregado ao suicídio. É o mesmo com relacionamentos, ninguém vai se matar porque termina um relacionamento de anos, mas não é assim também sai de um e procura outro, os amigos tem que ajudar, a família idem, ne a pessoa é muito solitária ai…
      Abrçs.

      • Guilherme disse:

        Acho que é uma mistura de questão cultural como você citou (loser X winners), como também uma questão pessoal de caráter patológico, ainda pouco conhecido.

        Existem pessoas que passam por enormes estresses, nem por isso se suicidam. Não se trata de botar a culpa no suicida, mas reconhecer um fato (aperente) de que algumas pessoas são uma “granada” na qual basta um motivo mais forte para destravar o pino.

        Eu trabalho numa estatal, tenho um emprego seguro, uma vida que dá para planejar, mas realmente, se me visse numa situação dessas, talvez tentasse ser balconista numa farmácia de cidadezinha do interior (onde a vida é mais barata e mais simples e que ainda se pode ver o sol nascer) do que entrar num esquemão frio de salas com lâmpadas fluorescentes onde a questão humana é relegada ao zero.

      • Cláudia disse:

        Mar, nós não estamos falando de bolivianos ilegais trabalhando para coreanos no Bom Retiro, mas de uma grande empresa da França, um país em que, até onde sei, ainda funciona o welfare state. Ou seja, a princípio deveria, sim, ser simples abandonar um emprego desses. Se não é, é porque a sociedade está com problema.

  4. Helô disse:

    Boa, Serjão.
    Para quem se interessa pelo tema (alô, Cabocla), vale a pena ler os livros de Christophe Dejours (psiquiatra e professor assistente de Medicina do Trabalho da Faculdade de Medicina de Paris).
    Conheço pelo menos dois traduzidos para o português: A Loucura do Trabalho e a Banalização da Injustiça Social.
    No YouTube há filmes sobre o assunto, mas estão em francês. Se alguma alma caridosa puder traduzir…

    Dejours – O suicídio no trabalho
    http://www.youtube.com/watch?v=qjT6CMstCks

    France Télécom : Le salarié suicidaire s’explique! (Aube)
    http://www.youtube.com/watch?v=coHd_0L8svs

    Há muitos outros. É só pesquisar “France Telecom”

    • Lima disse:

      Olá Helô. Saudações.
      Lido com o desenvolvimento de soluções (programas) em especial, para a área de saúde ocupacional – medicina do trabalho. Como boa parte do grupo de clientes, são da área da saúde, por exemplo observa-se cada vez mais, indivíduos do grupo mais afetados pelas demandas de doenças ocupacionais “dos outros”. Só para ficar em um exemplo, um hospital com cerca de 900 funcionários, tem quase que 10% de afastamentos, sendo em sua maioria, com especificação médica (CID) ligados à depressividade. Isto sem contar os altos índices de rotatividade (turn-over) aumentando seus custos . Um caso extremado é a notícia do matador que deixou 13 mortos e 30 feridos na base militar de Fort Hood, no Texas (EUA) ontem: PSIQUITRA ESPECIALIZADO em tratamento preventivo e atendimento em casos de desastre, ele trabalhou por seis anos no Centro Médico Militar Walter Reed, até ser convocado para o Fort Hood – um dos principais pontos de partida para missões nas duas guerras em que os Estados Unidos estão envolvidos no Oriente

  5. Sérgio Troncoso disse:

    Vice-diretor executivo da empresa renuncia após suicídios

    A empresa de telefonia francesa France Télécom anunciou ontem que seu vice-diretor executivo, Louis-Pierre Wenes, renunciou ao cargo após a recente onda de suicídios na companhia. Ele era responsável pelas operações da companhia no país e será substituído por Stephane Richard, ex-assessor do Ministério de Finanças da França e atual chefe de operações internacionais da France Télécom.

    O porta-voz do sindicato CGC-UNSA, Sebastien Crozier, recebeu bem o anúncio da saída de Wenes.

    - Agora, acreditamos que foram estabelecidas as condições para mudança de estratégia – disse Crozier.

    De acordo com sindicatos locais, a reestruturação da empresa, empreendida pela equipe de Louis-Pierre, teria sido a causa dos 24 suicídios cometidos por funcionários da telefônica nos últimos 18 meses.

    O mais recente ocorreu semana passada, quando um homem de 51 anos, pai de duas crianças, se jogou de uma ponte.

    No seu carro foi encontrado um bilhete em que ele atribuía sua atitude ao “ambiente de trabalho”.

    Entre 2006 e 2008, 22 mil pessoas foram demitidas da empresa, e são muitas as queixas de excesso de tarefas. Hoje, o quadro de pessoal é de cem mil empregados. O governo francês detém 13% do capital social da empresa.

    Empresa suspendeu 500 transferências

    Para inibir novos suicídios, a France Télécom já anunciou uma série de medidas. Entre elas, a suspensão de 500 transferências, que faziam parte da reestruturação da empresa no país. A elevada exigência de mobilidade também era uma das queixas dos funcionários.

    A direção da companhia também pediu aos funcionários que acompanhem sinais de depressão ou tendências suicidas entre os colegas de trabalho e que comuniquem qualquer comportamento estranho a seus supervisores.

    Também forma contratados psicólogos e médicos para prestar atendimento aos empregados.

    O ministro do Trabalho da França, Xavier Darcos, ordenou ainda que um de seus funcionários monitore a empresa

  6. Mario Blaya disse:

    predio grande!!! 200.000 funcionarios num edificio, deve ser esse aperto que provoca a depressão e leva ao desespero!

    imagino o pobre pai da infeliz moça que se suicidou porque iria mudar de chefe, realmente poucos de nós superamos incolumes a troca de nossos superiores. Isso é um claro sinal do capitalismo selvagem que vivemos, onde nem mesmo os chefes são mantidos!

  7. Daniel Campos disse:

    E viva o capitalismo selvagem

    P.S: Para quem não conseguiu entender, estou sendo irônico.

  8. Orides disse:

    É preciso levar em conta a responsabilidade das empresas de consultoria empresarial, são elas que realmente costumam espalhar os novos modismos.

    Essa da competição constante, onde o trabalhador tinha que, todo dia, matar um leão para manter sua empregabilidade, acho que se parece muito com as técnicas de tortura, na verdade, foram e são uma forma de tortura.

    Tá chegando a hora de acertar as contas.

  9. Clodo disse:

    Um neoliberal diria apenas tratar-se da seleção natural em tempos modernos…

  10. AaaHH disse:

    Eu adoraria se meu chefe fosse trocado. Trabalharia muito mais feliz.

  11. Mario Blaya disse:

    estou mandando um curriculo para a France Telecon, mas é do meu chefe! estou incluindo toda a nomenclatura corporativa que faz sucesso, mas agradeceria sugestões, para aprimorar o curriculo do amado chefe!!!!

  12. Luiz Fernando disse:

    Gente, desculpe a sinceridade, mas isso é M…. perto do que acontece no Brasil há cinco séculos… Enquanto lá os caras tão se matando por ter que mudar de Paris pra Lyon e vice-versa, aqui o cara sai do Nordeste, à pé, sem ter o que comer nem beber, chega à SP, RJ, monta um barraco no morro, acorda 3h da manhã e sai pra trabalhar, pega 12 ônibus diferentes, lata de sardinha, trabalhar 44h semanais (pra quem não sabe na França são 36h), o patrão engambela ele ainda no FGTS, horas-extras, INSS e tudo mais que tem direito (ou não tem direito, como preferir), no final das contas dá num acertinho na justiça do trabalho, e no final do dia o cara sobe o morro e ainda faz um samba, toma umas caipirinha, e ainda têm fôlego pra pegar a patroa e fazer uns 17 filhos nela, pra passar o sofrimento pras próximas gerações.

  13. Jura disse:

    Isso sim que é choque de gestão de alta tensão.

  14. Lima disse:

    Um livro a recomendar também é: Valores humanos no trabalho: da parede para a prática. São Paulo: Gente, 2006 – O’DONNELL, Ken.
    Trata dos 12 valores e como reintroduzilos nas relações no trabalho. Faz parte da exeriência de vida do autor como consultor em relações humanas e resolução de conflitos com passagem organizações, por todos os continentes. Estes valores são apresentados pelo programa VIVO (Vivendo Valores nas Organizações), que é facilitado para as organizações, através do IVV-Instituto Vivendo Valores, que tenham interesse em formar grupos de pessoas comprometidas e através de capacitação/workshop em difundir, expandir e de fato praticar. Os valores são:
    Confiar
    Respeitar
    Ser ético
    Dialogar
    Ser Líder
    Inovar
    Trabalhar em equipe
    Manter o foco
    Lidar com mudanças
    Comunicar
    Motivar
    Ser responsável

    Mais informações sobre VIVO – IVV
    http://www.vivendovalores.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=20&Itemid=47

    • Wu Ming disse:

      Vc tá de brincadeira, certo?

      • Lima disse:

        Olá Wu. Saudações.
        Não é brincadeira. É sério e real. E isto é demanda popular. Basta ficarmos atentos para quando forem divulgados os estudos do PNUD 2009 (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) que inclusive gera o IDH, realizado no Brasil com 500.000 pessoas. O item que vai representar a entrega dos trabalhos do PNUD, são justamente os valores. Inclusive no estado de SP foi o item principal para a pergunta básica: “O que precisa mudar no Brasil para a sua vida melhorar de verdade?”

        1º) Valores 17,4%
        2º) Educação 17,1%
        3º) Política Pública 14,9%
        4º) Violência 12%
        5º) Emprego 6,5%

        Fonte http://www.brasilpontoaponto.org.br/

        A questão maior é falta de hábito e pelo desuso, muitos deles estão deturpados. Por exemplo, para ficar em um só: competitividade na base do ganha/perde ou perde/ganha tem virado agressividade. Os nossos maus costumes (desvirtuações) foram “educadas” em um processo sistemático e requer uma operação de reeducação (de valores > virtudes) também sistemática e disciplinada. No mundo do imediatismo, é mais fácil criarmos os processos artificiais, geralmente rótulos novos sobre coisas do passado, reformadas, rearranjadas e remendadas que não funcionam por muito tempo, sem que se mude a mentalidade do homem. Comprometimento só vem com a aceitação e esta surge através do entendimento/conhecimento. As coisas vazias e sem significado nunca farão alguém se motivar por muito tempo, ainda que o salário seja bom. Basta vermos pesquisas recentes de (des)motivação no trabalho.
        Item que é fundamental observar é o processo comunicativo, que é reclamação recorrente dos funcionários e é ao mesmo tempo causa e consequência da falta do uso de valores sustentáveis e claros. É sabido que a base da boa comunicação é o ouvir, ler, ver e perceber, para daí responder. E aí, sem o respeito e a consideração, não haverá compreensão. Sem compreensão, a comunicação através da resposta errônea, comprometerá ao resultado.

        Basta vermos os seguintes exemplos: o que eu preciso FAZER para TER?

        - Família feliz: SER (valores) respeitos, equilibrado, paciente, compreensivo, amoroso etc.

        - Trabalho recompensador: SER correto, respeitoso, paciente, concentrado, comprometido etc.

        - Comunidade agradável: SER cooperativo, proativo, participativo, desapegado etc.

        E por ai vai. O ter e o fazer são resultados e instrumentos para realizar o SER. Em suma, se não sei quem SOU, não saberei ao certo o que fazer ou como fazer. Perdido, sem saber onde se está, qualquer caminho serve. Assim dá para entendermos um pouco, porque índices de suicídios altos em países da rica Europa (Considerado, socialmente, um dos melhores países, a Finlândia é das campeãs na modalidade). Sem significado (valor), sem meta. Nós somos muito mais, além das inscrições nos “definindo” no crachá ou no cartão de visita, pois estas são provisórias e limitadas.

        Podemos até questionar a atual falta de hábito, despreparo e os desafios interiores e exteriores a vencermos. Por isto sugeri um instituto, onde sei que em sua maioria, seus membros não só defendem esta forma, como a praticam em suas vidas.

        • Wu Ming disse:

          Meu caro, isso pra mim é trololó liberal.
          O buraco é muito mais embaixo.
          Acho louvável que vc se preocupe a ponto de elaborar um post desse tamanho, mas é um discurso meramente ideológico que não põe em questão o sistema que gera essas distorções que vc aponta.
          Quando a gente tá com febre, toma remédio pra baixar a febre, mas esse remédio não é a cura da doença.
          A doença é o sistema capitalista, não o convívio dentro das empresas DENTRO do sistema capitalista…

        • Lima disse:

          olá Wu. Ratifico o que escrevi ao final do comentário, pois creio que, a questão maior é de prática e menos de filosofia, ideologia ou sociologia. Batalha-se tanto contra o lado errado por se acreditar que é o método certo e é inclusive por isto, que alguns dizem que o stress é a “ilusão” do controle. De querer mudar os sistemas de fora, sem mudar e alicerçar os sistemas de dentro. Sistemas sociais são criações e não “causações” ou obras do acaso. As distorções sim, são causais. Sistemas capitalistas, socialistas, comunistas, etc. são sempre resultados dos Valores utilizados por uma sociedade ou povo (escolhidos, impostos ou consensuais). Sistemas sociais nascem, crescem e se sustentam sempre por base em Valores. Lutar contra um sistema é um tanto insano e insalubre e muitas doenças ocupacionais inclusive nascem daí. Certamente que é um ser humano melhor, que estará mais apto a efetivar um sistema social melhor. De outro modo, matar-se aos poucos, não deixa de ser uma forma de suicídio. No caso em questão, francês, o país não mudou o seu sistema social. Ocorre o caso do post, e isto observamos em diversas partes do globo e irá ainda ocorrer muitos outros, pois muitos vivíamos fundamentados nos valores econômicos/financeiros e ao ruir ou ao menos ao rachar a estrutura destes valores, por viverem numa sociedade (francesa) até então, aparentemente, pouco complexa e com os eventos e a “programação” da vida um tanto previsíveis, muitos se descuidaram. A questão das crises sistêmicas é esta, com o desgaste (entropia) elas aumentam a complexidade e diminuem a previsibilidade. Sistemas, entre outras coisas, são complexos, dinâmicos e auto-organizantes. Nosso problema é considerar o sistema um inimigo e por desconhecimento não aproveitar que a crise é sempre um pedido: organize-se ou agonize-se.

  15. Henrique disse:

    E a medida que decidem tomar? Mudar para um prédio um insalubre. Se o clima na empresa já é ruim, imagine em um local com janelas lacradas e parapeitos altos? Com certeza isto vai afetar ainda mais o moral dos empregados

    • Henrique disse:

      “um prédio insalubre”, digo.

    • Mar. disse:

      Sim, mas impede que eles cometam suicidio já que não podem abrir as janelas. Caso eles partam para a solução de matarem uns aos outros já que o prédio é uma prisão, bom, ai é perfeito porque a empresa está querendo diminuir o número de empregados não é isso?

    • Jura disse:

      Os prédios da Telefònica já eram insalubres desde os tempos da Telesp.

      Não tinham janela para não entrar ar nem luz para não danificar os equipamentos. Os funcionários morriam sufocados, nem precisavam se suicidar.

  16. Mar. disse:

    Olha, vocês não sabem como é aqui no meu trabalho, eu tentaria a France Télecom numa boa…

    • Jura disse:

      Aposto que você trabalha na Telefó… caiu o Speed.

      • Mar. disse:

        Não, trabalho num banco. No casodas teles quem se mata somos nós os clientes…

        • Benê Teixeira disse:

          Ops… pelo que entendi o post está falando de suicídios de empregados de uma Tele. Portanto me permita, por favor, um comentário: quanto aos clientes, não só os das teles se matam… os de bancos também, os de agências financeiras também, os de seguro saúde também, os de….. e de… e de….

  17. Daniel Campos disse:

    Extendendo o meu comentário anterior, é resultado da idolatrada cultura norte-americana de competição: competição aqui, competição lá, competição entre equipes da mesma empresa, competição entre colegas, a empresa só está “bem” se for competitiva.

    Loucura na visão de qualquer pessoa que (ainda?) consegue enxergar a realidade. Só como exemplo básico, como é possível conciliar o santo graal da administração de recursos humanos – Espírito de equipe – com a idéia de competição muitas vezes selvagem entre os empregados para conseguirem manter o emprego? Isso chama-se “paradoxo” na minha área.

    Mas mais uma vez, sou um reles mortal sem PhDs no exterior, então a minha opinião não conta para esta turma.

  18. Marco Antonio disse:

    Pois é, e uma simples análise ou pesquisa junto a todos os servidores públicos de Minas Gerais deixará o pesquisador com a certeza de uma analogia entre esses comportamentos ultra-capitalistas e o conceito de ” choque de gestão” quanto à política de valorização do servidor. Apenas a avaliação dos salários já traria dúvidas a qualquer um que realmente avaliasse a competência gerencial, incluída aí não apenas a concretização de metas, mas o estímulo e o reconhecimento a quem faz o Estado se mover. Quem não respeita os próprios servidores, dificilmente vai respeitar a sociedade. E a valorização de um jamais excluiu a de outro. Mas vá explicar isso a tucanos, democratas e simpatizantes.

  19. Theo disse:

    Por essas e outras pretendo montar meu negocio algum dia.

    Nem que ganhe menos.

    Entre trabalhar o dia todo p/ vc mesmo e passar o dia recebendo ordem de vagabundo prefiro ser dono do meu nariz.

    Ainda qua nao seja nada facil acho que serei mais feliz.

  20. Julião disse:

    Só haverá mudanças de direçãonas empresas no dia que passarem a pressionar de totas as maneiras os chefes do alto escalão, responsáveis pelo problema, ao invés de se matarem.

    • Ana Dias disse:

      Querido, você não acha que eles tentaram pressionar ou negociar (individualmente ou coletivamente) com os chefes antes de se matarem? Gente, estamos falando de SUICíDIO!!! Se chegaram nesse ponto é porque não viram alternativa!

  21. Spok da Silva disse:

    Tudo isso aconteceu no Banco do Brasil, no malfadado Governo FHC, quando milhares de servidores do Banco perderam seus empregos por meio de uma carnificina chamada PAQ – Plano de Adequação de Quadros e um outro, ainda pior, o PDV – Programa de Desligamento Voluntário que de voluntário só tinha o nome. Os que não perderam o emprego foram transferidos do interior do país – o Piauí, por exemplo – para Brasília, São Paulo, Rio, etc. Embora abafado, o corpo funcional teve notícia de muitos suicídios em todo o país, uma vergonha que ficará na memória de todos os que serviram ou servem no nosso maior Banco, uma herança maldita registrada para sempre na ficha suja desse falastrão que, volta e meia, sai do túmulo para aterrorizar nosso país.

  22. Jura disse:

    Já aqui quem se suicida são os clientes da Telefónica.

    Vou contar como tudo começou:

    A France Telecom ligou a cobrar (pra reduzir custos) pra Barcelona e perguntar como não funciona o Speedy.

    Depois acharam a linha popular pré-paga no site da Telefónica e ligaram pra São Paulo para comprar uma assinatura para copiar. Descobriram que só é vendida para clientes inadimplentes. Isso mesmo, um produto criado para quem não paga, e que não é vendido para mais ninguém. Eles então desistiram do negócio e, logo depois, receber uma ligação de volta dizendo que houve um engano, que a linha estava disponível sim e que o negócio poderia ser fechado.

    Aí eles teriam que pagar um boleto da taxa de instalação, que foi enviado para o endereço errado. Eles reclamaram e pediram uma segunda via. A atendente respondeu novamente que “o produto só é vendido para quem não paga”, não emitiu a segunda via e ainda tentou vender uma outra coisa!!!

    A ligação é encerrada com uma gravação dizendo “a Telefónica está trabalhando para ser cada vez mais a sua Telefónica”, a mesma frase do anúncio repetido na TV.

    Eles então xingam a pobre atendente até a quinta geração e mandam cancelar tudo. Alguns dias depois recebem pelo correio uma carta gentilíssima, dizendo que o boleto não foi pago e que, havendo interesse, pode ser pedida uma segunda via pela central de atendimento.

    Foi assim que começou essa onda de suicídios na France Telecom. Todo mundo pensa que foi por causa da política da empresa, mas tudo começou quando uma equipe começou a espionar o modelo de negócios da Telefónica de São Paulo e, depois, tentou implantá-lo em Saint Denis.

    O primeiro a se suicidar foi o funcionário incumbido de se comunicar com o atendimento da empresa paulista. Em seguida vieram os gerentes do projeto, por arrependimento do crime que cometeram e, em seguida, todos os envolvidos no projeto-piloto.

    PS: qualquer semelhança com fatos reais é a mais pura verdade.

  23. elizabeth disse:

    Quem se reconhece neste mundo?
    A jornalista canadense Naomi Klein, uma jornalista que nos orgulha, afirma que o free market é uma conspiração entre govenros e corporações. Ela se dedica ao tema desde o famoso NO LOGO, e publicou recentemente
    The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism. que escreveu a partir de sua estadia na Argentina durante a crise..
    Aqui uma entrevista ineressantissima
    http://video.google.com/videoplay?docid=-869023518623610246#

  24. Ozzy disse:

    Seria interessante se apurassem a remuneração dos executivos da empresa. Geralmente são milionariamente remunerados para fazer essas besteiras.

    • Daniel Campos disse:

      É algo interessante para se pensar mesmo. Qual a lógica em tentar economizar até onde não devia com “choques de gestão”, demissões, eoconomias muitas vezes burras (como as infelizes terceirizações) para depois gastar o dinheiro economizado em salários de rei para uma meia dúzia de executivos que se duvidar não valem o que comem? Que bem que eu deixei de esperar que as pessoas entendam essa coisa chamada… lógica.

    • Benê Teixeira disse:

      Ozzy, esse é um ponto interessante para a discussão. Geralmente esses executivos são muito bem remunerados, e sobretudo, colocados numa situação (redoma?) em que se sentem “semi-deuses”. Além dos altos salários há também as vantagens não visíveis ao fisco, todo tipo de mordomias para eles e familiares, moradias de luxo para morarem, empregados à disposição, diuturnamente, para cônjuges e filhos (e amantes) etc… etc… Fazem uma tremenda lavagem cerebral nessas pessoas que ao sentirem que perderão esse status passam por cima até da mãe. E aí não adianta aqueles programas de RH para elevar a motivação do pessoal, que o trabalho em equipe é o que importa, que concorrente significa “correr com… correr junto”…. Na hora “h” o capitão do mato é que dará a palavra final. Abs

  25. Jura disse:

    Vejam só isso:

    http://www.search.orange.com/fr/?mot=suicide&collid=7&x=15&y=10

    A France Telecom mudou repentinamente de nome para… ORANGE!

    Orange é uma palavra que significa laranja tanto em francês quanto em inglês. É óbvio que eles tiveram que abdicar do nome que remetia ao nacionalismo francês por outro mais “globalizado”.

    Laranja é a cor da seleção holandesa e do passe do metrô de Paris, só porque é uma cor que chama a atenção. Mas não é uva, nem maçã, nem pêra, nem pêssego, nem nada que dá na França.

    OK, na própria página da assessoria de imprensa da “Orange” tem um link para um estudo da FUNDAÇÃO CHIRAC!!!!!! patrocinado pela ORANGE!!!!!!! que fala do SUICÍDIO LINGUÍSTICO!!!!!!, conhecido hoje em dia PELA PERDA DE IDENTIDADE E A “DESCULTURAÇÃO” IMPOSTAS ATRAVÉS DO MUNDO, DO “BRASIL” ÀS ILHAS DO PACÍFICO, DA AUSTRÁLIA Á GROENLÂNDIA: ALCOOLISMO, TOXICOMANIA, SUICÍDIOS, VIOLÊNCIA DOMÉSTICA….

    http://www.orange.com/fr_FR/presse/dossiers/att00007834/DPSorosoro06102009.pdf

    Le ” suicide linguistique ” :… On connaît aujourd’hui les maux induits par la perte d’identité et la déculturation imposées aux populations autochtones à travers le monde, du Brésil aux îles du Pacifique, de l’Australie au Groenland : alcoolisme, toxicomanie, suicides, violences familiales, problèmes…
    presse

  26. Leo V disse:

    Foge-se do desemprego para isso!

  27. O trabalhador foi reduzido a uma mercadoria, sua força de trabalho é mensurada e tabelada por esse sistema capitalista em troca de um salário, e só!!
    O ser humano perdeu seu real valor, sua mais valia como ser, holístico, que produz mas também está sujeito a tudo que o rodeia.
    Uma vez extraído todo seu potencial, quando já o caos emocional o impede de ser “lucrativo”, “produtivo”, como bem disse Ivan du Roy, da laranja sobra-se o bagaço, resíduo, garbage…

  28. luzete disse:

    Primeiro mundo…
    ahhhhhhhhh… primeiro mundo… agora descobri: é porque eles chegam primeiro nas desgraças…

  29. Sonja disse:

    Nassif – Boa Noite,
    Tenho um amigo que se mudou para o sudoeste da França e instalou um telefone da France Telecon em abril. Até ontem só ele podia ligar para ca (UK) mas eu não consigo ligar para lá. Quando estive lá ha pouco tempo liguei do celular para a casa dele (aonde eu me encontrava) e fui informada que o numero não existia. Vcs não podem imaginar quantas horas já foram gastas com eles e nada foi resolvido. Esses são os que ainda estão vivos mas não resolvem nada.

  30. CAIXA PRETA disse:

    ISTO NÃO É PRIVILÉGIO DELES!

    Algumas instituições financeira privadas, além das “coligadas” e/ou “participadas”, no Brasil, onde os empresários ficaram “bilionários ricos” sem nada produziram para o país (mesmo tendo sido grande perdedor o próprio Governo) já fieram seus “colaboradores” passaram por isso, para conseguirem ser “sócios”,

  31. adauto disse:

    Quer dizer quem entra nesta empresa não pode mais sair…?

    Que falta de perspectiva…..

    Manda este pessoal vir aqui cortar cana para ver o que é bom…..

  32. Ana Dias disse:

    Oi Nassif e comentaristas,
    legal ver esse assunto por aqui (ainda que eu preferisse que tais fatos nunca tivessem ocorrido…) e o pessoal recomendando Sennett e Dejours. Muito bom. Há um livro do Vincent de Gaulejac que também é bacana, na mesma linha – em francês é La societé malade de la gestion; está traduzido em português, porém eu não sei o nome da edição local.
    Bem, já me deparei com vários estudos da France Télécom, anteriores à parcial privatização (o Estado continua sendo o maior acionista) e posteriores a esta (Aliás, já faz tempo que a FrT adota o nome Orange; se não me engano, desde 2001). Além de toda pressão por atingir metas na gestão atual da FrT, há uma dimensão não mencionada nos comentários do post, que é a dimensão da identidade dos funcionários em relação ao serviço público, historicamente muito forte, e que foi simplesmente jogada na lata do lixo nessa nova gestão. A competência do “servir ao público”, de forma igualitária e justa, é agora considerada como incompetência (já que prestar um bom serviço, ainda que às custas do resultado financeiro, não interessa ao capitalismo puro). Tal mudança não é fácil.
    Não se trata simplesmente de mudar de emprego para resolver o problema. É a sua competência profissional que é colocada em xeque, e todos sabemos como, na nossa sociedade, nossa competência no trabalho colabora para a construção de nossa própria identidade.
    E isso não ocorre só na FrT, ainda que os casos tenham estourado por lá. Os acidentes de trabalho mais ou menos graves estão aí para nos demonstrar. Concordo que é uma questão maior, mas não “social” no sentido de ser desvinculada da situação de trabalho.
    O caso do Banco do Brasil, citado pelo Spok, parece hiper interessante. Vou procurar referências…

  33. Ana Dias disse:

    Finalizando: não consigo conceber como alguns comentaristas parecem culpar o funcionário que se suicida! “mudem de emprego!”, “venham cortar cana pra ver como é bom!”. Pelo amor de Deus. O suicídio é o ato de mais extremo desespero que eu posso imaginar. Nesses comentários está implícita a mesma visão dos dirigentes da empresa: os incomodados que se mudem.
    E além do mais, cortador de cana também se suicida. Nós é que não ficamos sabendo…

  34. Lima disse:

    Boa colocação Ana Dias, esta dos cortadores de cana, pois uma parcela deles hoje está viciada em álcool e/ou crack, inclusive conforme estudos do MTE. As fazendas que ainda se utilizam deles, hoje em dia só pegam praticamente jovens e homens, devido às exigências produtivas. Atualmente, no rico interior de SP, costuma-se pagar R$ 2,40 por tonelada de cana-de-açúcar cortada e colhida. Em média, o tipo de trabalhador que interessa aos fazendeiros, deve colher entre 10 e 12 toneladas por dia. Se ele conseguir fazer esta média, pode chegar ao final do mês com um salário de cerca de R$ 700,00. Para cortar com o facão estas 10/12 toneladas imagine a quantidade de golpes necessários num único dia. Muitos estão com LER ou inflamações nas articulações e para amenizar as dores, um número crescente está se entregando às drogas. É o mesmo padrão, o do suicídio, só que mais lento.

    E a tendência para já, não parece indicar mudanças, já que a imensa maioria dos carros hoje produzidos no país, são com o motor flexível e o usuário na maior parte das vezes preferirá ao etanol. Ocorre que cada tonelada de cana, se transforma em cerca de “apenas” 90 litros de etanol, o que seriam os tanques cheios de dois automóveis médios (tipo popular),

    Sugiro, Livro em PDF – Cana e Crack: Sintoma ou Problema? Um Estudo Sobre os Trabalhadores no Corte de Cana e o Consumo do Crack (ARLETE FONSECA DE ANDRADE)
    http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ea000225.pdf

  35. Lima disse:

    Quem quer se matar dá sinais, diz autora do livro “Suicídio”

    FLÁVIA MANTOVANI
    Editora-assistente do Equilíbrio da Folha de S.Paulo

    Depois que seu pai se matou com um tiro, em 2005, a jornalista Paula Fontenelle, 42, escreveu o livro “Suicídio: o Futuro Interrompido” (Geração Editorial), finalista do prêmio Jabuti 2009.

    Leia trechos de sua entrevista:

    Folha – O que leva uma pessoa a cometer um ato tão drástico?

    Paula Fontenelle – Mais de 90% dos casos de suicídio são associados a um transtorno mental não tratado adequadamente, como depressão ou bipolaridade. O uso de drogas também é comum.

    Folha – Muitas vezes a pessoa tem uma melhora no humor antes de se matar. Por quê?

    Fontenelle – O deprimido não tem energia nem para se matar. Depois que ele começa a tomar remédios, recobra a energia para isso. O outro motivo é que, quando alguém decide se suicidar, fica aliviado. Muitas vezes ele reencontra antigos amigos, quer se despedir. Outros sinais são desfazer-se de coisas materiais ou pagar contas para não deixar dívidas.

    Folha – A pessoa “avisa” que vai se matar?

    Fontenelle – Ela pode até não dizer “vou me matar”, mas diz coisas como “a vida não tem mais sentido”, “não consigo entender por que estar vivo”. São sinais.

    Folha – O que fazer ao perceber que uma pessoa quer se suicidar?

    Fontenelle – Perguntar diretamente se ela está pensando em se matar e levá-la imediatamente a um psiquiatra, que é a única pessoa que poderá ajudar.

    Folha – Quem se mata mais, o homem ou a mulher?

    Fontenelle – O homem comete três vezes mais suicídio, mas mulheres tentam de três a quatro vezes mais. A diferença é que elas tomam mais remédios, menos letais, e eles dão um tiro na cabeça e raramente escapam.

    Folha – O luto vivido pela família de quem se mata é diferente?

    Fontenelle – Sim. É um luto silencioso, o que dói. Quando alguém morre de infarto, todo mundo fala sobre como ele morreu. No caso do suicídio, as pessoas mudam de assunto, é um tabu.

    Folha – É comum os familiares sentirem culpa?

    Fontenelle – É quase impossível não sentir. E as pessoas também os culpam, pensam: “Como ele não viu?”

    Folha – A mídia é cautelosa em relação ao tema porque é dito que o cobrir pode incentivar outras pessoas a se matarem. Ele deve ser abordado?

    Fontenelle – Sim, desde que com responsabilidade. O que dissemina o suicídio é a cobertura personalista, romantizada, em que só se entrevistam os parentes. Devem ser ouvidos analistas que falem de prevenção e nunca se deve entrar em detalhes sobre os métodos, por exemplo. Mas, acima de tudo, a mídia não deve se calar.

    Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u647349.shtml

    - Campanha quer informar sobre prevenção a suicídio
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u647347.shtml

  36. O que é que tem na cabeça alguém que, ao invés de se demitir, dá um tiro contra o próprio crânio?

    .

    .

    .

    R: Uma bala, é óbvio.

  37. Marko disse:

    Mandaram bem,
    Ana Dias, Spok e Lima

    Banzo não se refere apenas à saudade e nem é pelo q se vê exclusividade dos escravos do Brasil dos tempos da colônia e império…

    Tb não tenho dúvida q mta gente à direita e à esquerda q nunca pegou no pesado pra valer e do conforto do seu ar condicionado na maior facilidade enche a boca e receita o corte d cana como ‘tratamento d mtos males’ se fosse obrigada à perder d vista, experimentar do remédio q prega, preferiria o suicídio…

  38. bruno disse:

    Há pouco mais de três meses um colaborador da Brasil Telecom se suicidou em Florianópolis exatamente no momento em que o setor dele iria ser transferido para o Rio (devido a fusão) e ainda não se sabia se ele iria ser demitido ou transferido…

    pergunta se alguém noticiou isso? (kd a RBS?)

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