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05/11/2009 - 17:00

Sérgio Macaco, um brasileiro inesquecível

Por Marco Nascimento

Olha, achei a data:

12 de junho! Dia dos namorados. Podia ser o Dia do Capitão Sérgio.

Do Blog Mídia Independente

Sérgio Macaco: o homem que fez diferença

Por WB 15/06/2008 às 18:16

Sérgio era admirado por indianistas como os irmãos Vilas-Boas e o médico Noel Nutels. Foi amigo de caciques como Raoni, Kremure, Megaron, Krumari e Kretire. Os índios o chamavam “Nambiguá caraíba” (homem branco amigo). Aos 37 anos, Sérgio Macaco (como era conhecido na Aeronáutica) já tinha seis mil horas de vôo e 900 saltos em missões humanitárias, de resgate e socorro em geral. Todavia o tipo de tarefa que lhe seria proposta ali pelos oficiais não era nem um pouco digna ou solidária.

Dia 12 de junho de 1968, o capitão para-quedista Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, convocado a uma reunião, foi recebido no gabinete do ministro da Aeronáutica pelos brigadeiros Hipólito da Costa e João Paulo Burnier, que viria a se tornar conhecido como torturador e assassino.

Sérgio era admirado por indianistas como os irmãos Vilas-Boas e o médico Noel Nutels. Foi amigo de caciques como Raoni, Kremure, Megaron, Krumari e Kretire. Os índios o chamavam “Nambiguá caraíba” (homem branco amigo). Aos 37 anos, Sérgio Macaco (como era conhecido na Aeronáutica) já tinha seis mil horas de vôo e 900 saltos em missões humanitárias, de resgate e socorro em geral. Todavia o tipo de tarefa que lhe seria proposta ali pelos oficiais não era nem um pouco digna ou solidária.

? O senhor tem quatro medalhas por bravura, não tem? ? indagou Burnier.

Sérgio respondeu afirmativamente. Então o brigadeiro continuou:

? Pois a quinta, quem vai colocar no seu peito sou eu ? fez uma pausa. ? Capitão, se o gasômetro da avenida Brasil explodir às seis horas da tarde, quantas pessoas morrem?

Achando que a pergunta se referia apenas à remota hipótese de um acidente na cidade do Rio de Janeiro, Sergio respondeu:

? Nessa hora de movimento, umas 100 mil pessoas.

Foi nesse momento que os dois brigadeiros começaram a explicar um terrível plano terrorista das Forças Armadas e qual deveria ser a participação de Sérgio. Os dois propuseram que ele, acompanhado por outros para-quedistas, colocasse bombas na porta da Sears, do Citibank, da embaixada americana, causando algumas mortes. Em seguida viria a grande carnificina: queriam que dinamitasse a Represa de Ribeirão das Lajes e, simultaneamente, explodisse o gasômetro. As cargas, de efeito retardado, seriam colocadas pelo capitão Sérgio, que depois ficaria aguardando, no Campo dos Afonsos, o surgimento duma grande claridade. Aí ele decolaria de helicóptero e aportaria no local da tragédia posando de bonzinho, prestando socorro a milhares de feridos e recolhendo mortos vítimados pela ação da própria Aeronáutica.

Colocariam a culpa nos grupos esquerdistas que lutavam contra a ditadura. Sérgio seria tido como herói por salvar as supostas vítimas dos “comunistas” e receberia sua quinta medalha, enquanto a ditadura teria um pretexto para aumentar a repressão a socialistas e democratas.

O capitão se negou a participar de uma ação tão vil. Declarou corajosamente aos bandidos fardados:

? O que torna uma missão legal e moral não é a presença de dois oficiais-generais à frente dela, o que a torna legal é a natureza da missão.

Outros em seu lugar simplesmente encolheriam os ombros e obedeceriam aos superiores, iriam se desculpar dizendo que estavam apenas “cumprindo ordens”. Mas Sérgio era ético, íntegro, não tinha obediência cega a ninguém, seguia acima de tudo sua consciência e valores. Era um homem de verdade: denunciou o plano diabólico e evitou aquela que seria a maior tragédia da nossa história.

Foi perseguido pela ditadura, discriminado, removido para o Recife, reformado na marra aos 37 anos, cassado pelo AI-5 e pelo Ato Complementar 19, curtiu prisão… só não puderam quebrar-lhe integridade e honra, sua firmeza de ser humano. Sérgio se recusou a ser anistiado. “Anistia-se a quem cometeu alguma falta”, costumava dizer. “Não posso ser anistiado pelo crime que evitei”.

Em 1970, necessitando de um tratamento de coluna, aconselharam-no a não se internar em unidade militar, pois certamente seria assassinado lá dentro. Graças ao jornalista Darwin Brandão, com auxílio do médico Sérgio Carneiro, o capitão acabou sendo tratado clandestinamente no Hospital Miguel Couto.

Nos anos 90, o Supremo Tribunal Federal determinou indenização e promoção de Sérgio a brigadeiro. Tal sentença dependia, porém, da assinatura de Itamar Franco. Itamar, como se sabe, não é nenhum modelo de virtude e, não por acaso, foi vice do corrupto Fernando Collor de Mello, que foi prefeito biônico de Maceió durante a ditadura e se criou politicamente graças ao regime militar…

Por seis meses, o presidente Itamar Franco ? mesmo sabendo que Sérgio estava acometido de um câncer terminal no estômago ? guardou, na gaveta, a sentença do STF favorável ao capitão. Só a assinou três dias depois da morte do herói ocorrida em 4 de fevereiro de 1994.

Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho (cuja história é narrada no documentário “O Homem que disse Não” do diretor francês Olivier Horn) foi enterrado no cemitério São Francisco Xavier no Caju sem honras militares. É lembrado, entretanto, por todos aqueles que valorizam vida, ética, honestidade, coragem. Sérgio provou que, ao contrário do que muitos dizem, uma pessoa pode mudar a História: cada um de nós faz diferença no mundo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Brasileira Tags: , , ,

44 comentários para “Sérgio Macaco, um brasileiro inesquecível”

  1. GalileoGalilei disse:

    É bom lembrar, quando algumas viúvas da ditadura acusam de terroristas os que a ela se opuseram, quem foram os verdadeiros terroristas.

    Por falar nisso, vocês sabiam que o atentado frustrado ao Rio Centro ocorreu após a promulgação da lei de anistia. Se a justiça resolver reabrir o caso, não há como alegar que a lei da anistia encerra as investigações.

    • GalileoGalilei disse:

      Correção: Faltou um ponto de interrogação na frase:

      Por falar nisso, vocês sabiam que o atentado frustrado ao Rio Centro ocorreu após a promulgação da lei de anistia?

  2. Dias Melhores disse:

    Quanto ao Itamar Franco, já sabemos que vale menos que cocô de môsca. O que vale à pena falar é da grandeza de um grande oficial do Exército Brasileiro apelidado de Sérgio Macaco.
    O país a que tanto honrou, honra ao bravo filho que têve.
    Lamentamos que o Brasil tenha em suas forças armadas tão poucos filhos como o Sérgio “Macaco”.

  3. Magali disse:

    Encontrei uma foto aqui
    http://www.vivasp.com/fotos/2009_5/2009,5,3941.jpg – pequena…
    Nao consegui entrar no site que publicou a foto –
    http://www.vivasp.com/texto.asp?tid=7980&sid=3
    Abs

  4. C. Khosta y Alzamendi disse:

    Sergio Macaco é um dos grandes brasileiros de sempre! O mesmo não se pode dizer desse senhor Itamar Franco…

  5. Coelho 27 disse:

    Só não entendi a acusação gratuita contra Itamar Franco? È só isto, guardou na gaveta…, e o os Generais e Brigadeiros…, punha todos na cadeia. Todos sabem que até hoje os militares não reconhecem seus erros.
    Esta tendencia de condenar os que se mostram honesto é a parte triste destes que protestam e usam o protesto para manchar alguem que não lhes é agradavel. Mancham a honra de quem querem promover porque usam esta promoção para expor ódio a quem nada tem com o caso. Desculpem-me mas …que merda…

  6. Salvador J. Ferreira disse:

    Fazia bastante tempo não sentia a emoção do momento em que leio essa reportagem sobre o Sergio Macaco. Conheci o Sergio nos corredores da Cãmara dos deputados durante a nossa batalha em busca da anistia. Sou petroleiro e junto a colegas fazia lob junto aos deputados na sentido de recebermos apoio para nossa causa e lá encontrei, e fui apresentado ao Sergio. Durante mais de duas horas, na sala do então deputado Fábio Raunheti. Confere tudo que li acima. Foi como nos contou o Sergio. Só voltei a ter noticias dele quando da sua morte. E agora. Que Deus o tenha em lugar de destaque. Merecia tambem aqui na terra, um local de destaque. Um busto, pois não?. Com a palavra os nacionalistas da Aeronáutica, se é que existem ainda.

  7. humberto disse:

    Gente, vamos ressuscitar , urgente, o Capitao Sergio.
    Com a bencao de Raoni, Krumari, Mekaron, Kremure, Kretire, e todos os xinguanos.
    Precisamos dos nossos herois, esquecidos, abandonados.
    O Brasil contemporaneo carece deles.
    Eles Vivem !

  8. marcos disse:

    Capitão Sergio Macaco: Presente!

  9. kalango Bakunin disse:

    PQP!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Que coisa boa resgatar a história de um dos maiores heróis brasileiros!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1
    Muito obrigado!!!!!!!!!!!
    Agora o Capitão Sérgio voltou a viver entre nós!!!!!!

    mas não espalhemos, senão a mosca de sumpaulo vai desencavar um dossiê falso do Sérgio…..

  10. ivomar disse:

    O criador do grupo de elite parasar. O orgulho da aeronautica.

  11. kalango Bakunin disse:

    quem sabe fazer uma vaquinha para colocar um monumento ao grande Sérgio Macaco?
    Quem se habilita a recolher?
    Entro com R$ 100,00 para começar, ele merece muito mais!!!!!!
    Merece estar sentado num banco em Copacabana ou Ipanema, como Drummond? Os dois se merecem…..

  12. NILO FILHO disse:

    Quais as provas materiais? só afirmações (e de partidários). Isso é válido? e até quando?

    • Maurício Gil - Floripa (SC) disse:

      Ô Nilo Filho, não diz besteiras!!!
      Pede p’ra defecar e sai de mansinho.

  13. José Carlos - Fix disse:

    Rapaz, olhe que eu leio bastante estas histórias da ditadura e nunca tinha me atentado (sem trocadilho) para esta passagem. Me lembrou um trecho da música “Faroeste caboclo”, do Renato Russo, em que o tal João de Santo Cristo foi procurado por “generais de cinco estrelas” com uma proposta indecorosa.

  14. [...] É lembrado, entretanto, por todos aqueles que valorizam vida, ética, honestidade, coragem. Sérgio provou qu e, ao contrário do que muitos dizem, uma pessoa pode mudar a História: cada um de nós faz diferença no mundo. Publicado anteriormente no Blog do Nassif [...]

  15. Paulo Cezar disse:

    Essa história me lembrou uma música do Legião Urbana… :

    “O tempo passa e um dia vem na porta
    Um senhor de alta classe com dinheiro na mão
    E ele faz uma proposta indecorosa
    E diz que espera uma resposta, uma resposta do João

    “Não boto bomba em banca de jornal
    Nem em colégio de criança isso eu não faço não
    E não protejo general de dez estrelas
    Que fica atrás da mesa com o cú na mão

    E é melhor senhor sair da minha casa
    Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião”
    Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:
    “Você perdeu sua vida, meu irmão”"

    FAROESTE CABOCLO…..

    É uma história que deveria ser mais divulgada, tenho 26 anos e a primeira vez que leio a respeito…. Acredito que não sou o único jovem que não conhece uma história emocionante de bravura e heroismo , como essa.

  16. Jose Carlos Martins disse:

    Caro Paulo Cezar:
    post de 06/11 10:55 Hs

    Como voce, milhoes de jovens brasileiros nao sabem nada sobre o periodo do GOLPE MILITAR/64. Apos 1964 os milicos graduados nao usavam a farda, pois, diziam que seriam mortos pelos resistentes. E HOJE ?
    Continuam a nao usar a farda em publico, porem, desta vez e por VERGONHA pelas MAZELAS que impuseram ao BRASIL

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