O calvário de Luiza Erundina
Por Mario Siqueira
Se for possível a divulgação:
Luiza Erundina
Luiza Erundina está sendo executada judicialmente pela única condenação que obteve durante toda a sua vida política. Trata-se de uma Ação Popular ajuizada pelo cidadão Ângelo Gamez Nunes (processo nº 053.89.707367-9 / Controle 159/89 – 1ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo) quando Luíza era Prefeita de São Paulo, e visava obter a reposição aos cofres públicos de dinheiro utilizado pela Prefeitura com publicações jornalísticas nas quais a então Prefeita manifestou apoio à greve geral de 1989. A sentença entendeu que a matéria publicada não atendia ao interesse público e condenou pessoalmente Luiza Erundina a pagar o elevado valor de R$ 350 MIL REAIS.
Trata-se de decisão definitiva em razão da qual já foram penhorados o apartamento onde mora (seu único imóvel), seu carro e ainda 10% da remuneração mensal como Deputada. Mesmo assim, seu patrimônio é inferior ao total da dívida.
Como a ex-Prefeita Luiza Erundina foi alvo de enorme injustiça, com decisões que tangenciam o preconceito social, ideológico e político, é hora de nos unirmos para demonstrar nossa solidariedade.
Amigos de Luíza Erundina promovem jantar de solidariedade à deputada
O jantar de solidariedade acontecerá na próxima segunda-feira (9), às 20h, no Grand Hotel Ca’d’Ouro ( Rua Augusta, 129 – Consolação, São Paulo).
O convite custa R$ 100.
Você pode ligar no hotel, reservar e pagar na hora. Pode também entrar em contato com o escritório de Luiza Erundina – (11) 5078-6642
Alem disso, há uma conta bancária, no Banco do Brasil, em nome de “Luiza apoio você”
– ag. 4884-4, conta corrente 2009-5
Por André Borges Lopes
Afora o ponto da ironia, nem sempre compreendida, e que o Sanzio já comentou, o ponto central não é no “mais” ou “menos” errado.
O fato é que, na relativa calmaria dos dias de hoje, é difícil compreender a conjuntura daqueles conturbados meses de 1989 – quando a ditadura jazia mal-enterrada no claudicante governo Sarney e o PT ainda abastecia seu caixa de campanha vendendo rifas em quermesses e adesivos nos sinais de trânsito.
Na chamada “década perdida”, nossa economia andava e recuava aos trancos desde o fracasso do plano Cruzado. A inflação (250% só nos primeiros 6 meses de 1989) corroia os salários de todos e cada novo plano econômico congelava os ganhos dos trabalhadores pela “media” corroída dos meses anteriores.
Sarney vociferava que a nova Constituição havia deixado o país ingovernável e um chapeludo Paulo Brossard, ministro da Justiça, convocava seguidamente cadeias nacionais de rádio e televisão para ameaçar grevistas com o fogo dos infernos e borracha das polícias.
Tornando reais as ameaças, em Novembro de 1988 o Exército invadiu a Companhia Siderúrgica Nacional com fuzis e metralhadoras embalados com munição real, matando três operários da empresa em greve (até a Veja denunciou essa barbárie com uma reportagem de capa antológica). Um mês depois, em dezembro de 1988, o lider sindical dos seringueiros Chico Mendes foi assassinado por pistoleiros que, provavelmente, não tinham sequer idéia da dimensão e do reconhecimento mundial do seu trabalho.
No governo do Estado de São Paulo tinhamos o controverso e ambíguo pemedebista Orestes Quércia, com seu fiel escudeiro Luiz Antônio Fleury Filho ocupando a Secretaria de Segurança Pública. Um homem que, poucos meses depois, mandou a polícia vestir camisetas do Partido dos Trabalhadores nos sequestradores do Abílio Diniz.
Nesse caldeirão, a Prefeitura de São Paulo havia sido recém-conquistada pela Erundina e por um PT já então conflagrado por divergências internas. Erundina recebeu a prefeitura falida, com dezenas de obras viárias já paralizadas por falta de verbas no final da temerária gestão Janio Quadros. Como se não bastasse, passou a sofrer um boicote dos governos Estadual e Federal num nível que seria considerado absolutamente inaceitável nos padrões atuais da política brasileira.
A Greve Geral de marco de 1989 – em que pese seu relativo fracasso ou sucesso, conforme a análise – foi um movimento importante para garantir a consolidação da democracia brasileira e impulsionar o crescimento do movimento popular que culminaria na surprendente campanha de “Lula-quase-Lá” no final daquele ano.
Hoje, vivemos um tempo em que não é mais usual que os governos “apoiem” ou “condenem” as greves que pipocam pelo País, a não ser quando se trata de paralizações no quadro do seu próprio funcionalismo. As greves atuais são, em sua imensa maioria, parte de campanhas salariais. Em 1989, as greves ainda eram parte fundamental da luta política que se travava no País. O apoio da Prefeitura de São Paulo a essa Greve Geral foi importante, mas não passou de uma tímida e isolada contraposição à criminalização brutal do movimento grevista então levada à cabo pelos governos federal e estaduais em todo o Brasil.
Na letra fria da Lei, é muito provável que tenha sido mesmo ilegal gastar dinheiro da Prefeitura para manifestar apoio a uma greve política. Desse ponto de vista, é até positivo que a ex-prefeita tenha sido condenada a ressarcir os cofres públicos. Só não concordo que ela deva assumir esse ônus sozinha. E não concordo com o fato de que outras ilegalidades – muito maiores e moralmente mais condenáveis – não estejam merecendo o mesmo tratamento por parte da Justiça.
Todos os cidadãos que acreditam que a luta pela consolidação da democracia no Brasil era justa e que havia que ser travada, todos os que concordam que a cidadania foi beneficiada pela descriminalização dos movimentos grevistas, todos os que entendem que as conquistas de hoje são também frutos das lutas e vitórias de 20 anos atrás têm hoje a responsabilidade moral de colaborar com a Erundina na devolução desse dinheiro que – ao cabo de tudo – foi muito bem empregado.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: Luiza Erundina

[...] ação popular ajuizada em 1989, período em que Erundina foi prefeita de São Paulo, pediu a reposição aos [...]
Sabiam que a Luiza Erundina promoveu uma renovação na frora de ônibus de Sampa, e que depois isso só voltou a ocorrer na gestão Marta (e aí foi uma renovação ainda três vezes maior)? Significativo, não é? que tenham sido exatamente nestas duas gestões. Isso são dados oficiais do município, mas os jornais não se empenham muito em divulgar essas informações…
Querida Erundina,
Se ao menos 10% dos nossos politicos fossem como você, tenho certeza de que o Brasil seria hoje a maior potencia em termos de justiça social e solidariedade. O que certamente resultaria em ganhos economicos e financeiros para todos!!
Conte com a presença de nossa familia nesse jantar. Queremos abraça-la e agradece-la por ser brasileira como nós!
Neusa Sebok
Infelizmente, no momento não tenho condições de ajuda financeira, mas resta aqui minha total solidariedade para com a prefeita Luiza Erundina!
Luiza Erundina faz parte de um grupo chamado Movimento Politico Pela Unidade que tem como objetivo a Fraternidade como categoria política. Se todos os políticos fossem como ele o Congresso seria outro e poderemos viver para o Bem Comum!!! Obrigada Luiza por existir!
Maria Chiara
Luiza Erundina é uma politica de sorte… Não entro no mérito da sua integridade, mas o número de barberagens que ela cometeu como administradora foi muito grande:
a) Tentou desapropriar (e depois tombar) a mansão dos Matarazzos na Av Paulista só para construir o Museu do Trabalhador na Porta da FIESP.
b) Por birrra com o Janio, mandou entupir o boulevard na Av JK, que já estava num ponto irreversível, gastando mais para entupir do que gastaria para terminar.
c) Cedeu para a iniciativa privada (Shell) muitos terrenos públicos da prefeitura, numa tremenda negociata para reformar o autódromo.
A lista é grande, inclui a remuneração das empresas de ônibus por Km rodado, os multirões da casa própria, mas vou parar por aqui. Quem viveu aquela época lembra que além do viés ideológico na adminstração ela se cercava de gente incompetente.
Portanto, acho que R$ 350 mil é uma condenação muito branda.
Falam tanto do Maluf, mas em muito mais tempo de vida pública, ele não tem nenhuma condenação em fase de execução.
Assim, de duas, uma:
a) Ou ele não é tudo isto que falam,
b) Ou, o que é mais provável, ele é muito melhor assessorado que Erundina. O Maluf no mínimo teria o mérito de se cercar de gente mais competente que Erundina.
Tem fundos para contratar os melhores advogados do país.
Por que dª Erundina não saca um pouco de seu dinheiro depositado na Suíça? Ou será que, como Maluf, nada possui por lá?
Comparar Erundina com Maluf … desculpe, preciso ir ao banheiro.
Você só pode estar de brincadeira.. Você acredita mesmo na justiça brasileira? Maluf não cometeu nenhum crime??? Não vou nem perder mais o meu tempo.
e por estas e outras que politicos como ele estao no poder. porque por incrivel que pareca tem gente que ainda os apoia e nao consegue enxergar 1 nanometro a frente para entender como funciona o judiciario, o fisiologismo, clientelismo aos quais maluf e outros sao signatarios. e olha q culpamos muitas vezes os ignorantes por votarem nos que estao no poder. se alguem e capaz de escrever aqui neste forum, passa longe de ignorante, o que me faz perder as esperancas de que meu bisneto venha a ver um pais melhor
Um político ladrão cínico e corrupto em meu país disse uma vez: Um político pobre é um pobre político. Admito a honestidade de Luiza Erundina que após ser prefecta tem um apartemento e um auto nada mais. Contribuirei na conta de apoio a Erundina. A honestidade e a congruencia na política têm que ser apoiadas.
É uma pena que a democracia, seja utilizada por pessoas de coração malicioso, para garantir e assegurar suas maldades, as vezes essas pessoas se esquecem que a grande luta e ideal de Luiza foi a luta pela democracia, luta dos milhões de desconhecidos que reúnem em Luiza Erundina uma representação fiel de que é possível garantir a justiça e a liberdade para todos, mesmo para essas pessoas maldosas, que poderíam apenas não achar que devem contribuir com ela, mas vão além, ainda a criticam-na maliciosamente, ainda bem que quem tem o coração da Erundina entende que ela, mesmo quando criticada, é feliz, porque o simples ato de criticá-la, é feito por pessoas livres, e isso é a constatação de que ela alcançou o ideal da democracia pelo qual tanto lutou, assegurou à essas pessoas o livre direito de expressarem o que pensam dela.
Aos críticos maldoso e insensatos, continuem criticando-a, porque são vocês quem mais provam o quanto Erundina é nobre e vitoriosa.
Luiza Erundina é uma das maiores figuras da Política brasileira, sem qualquer mancha em seu longo currículo d serviços prestados a São Paulo, ao Nordeste e ao Brasil.
Se tivéssemos 50 Erundinas no Congresso inteiro (Câmara e Senado), o Brasil seria muito mais civilizado e justo.
Boicotada pela mídia, devido a sua atuação brilhante na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, onde discute os critérios de concessões de canais de rádio e TV, entre outros temas vitais, ela tem o reconhecimento do povo, por onde anda.
Pensou-se em lança-la candidata ao Senado pelo seu Estado natal, a Paraíba, o que seria uma grande contribuição para depurar aquela provecta Câmata dita “Alta”. Não sei se ela transferiu seu domicílio a tempo. Caso continue candidata por São Paulo, vamos recolocá-la na Câmara, como nossa digna representante.
Toda minha solidariedade a esta honesta, inteligente e doce pessoa.
concordo com você, Antonio, em genero, numero e grau. Essa situaçao toda, dessa condenação da Luiza Erundina, demonstra em que nível nós estamos, é uma explicação lamentável de tudo de podre que acontece no nosso congresso, senado, etc, e de quão distantes nós estamos de alcançarmos um nível aceitável de dignidade. Uma senhora como essa de nobre estirpe política, de honestidade, de atuação social plena, e, como você diz, uma doce senhora, receber uma condenação dessa, e ter que pagar isso, enquanto tanta sujeira e roubalheira é perpetrada por muitos de nossos homens públicos (não vale à pena começar a citar, porque não havera espaço nem tempo), e não são condenados a pagar NADA, são apenas incomodados um pouquinho e nada mais, e depois ainda voltam sorridentes e vitoriosos, isso mostra o inferno de lodo em que nós (ainda) estamos.