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04/11/2009 - 07:58

FHC: como matar um projeto de oposição

O Vinicius Torres Freire, do caderno Dinheiro da Folha, entrevistou o ex-presidente FHC, para entender o significado do seu artigo de domingo passado, na Folha em O Globo. É curioso o artigo, apenas devido ao fato de Vinicius ter captado bem a falta de rumo de FHC. Fala da desarticulação da oposição, da falta de eco do Congresso, do fato dos grupos de discussão da sociedade civil estarem mais preocupados com temas específicos, do que com a política em geral.

Constata uma situação, na qual ele – como líder maior da oposição – é o grande responsável. E constata como um intelectual que analisa uma situação do lado de fora, sem nenhuma responsabilidade sobre os eventos analisados.

Quando se olha para trás e se vê a formação das idéias no PSDB de FHC, percebe-se como o partido jogou fora todas as bandeiras renovadoras que ajudaram a construir sua reputação.

Na época, parecia ser o único partido racional, as melhores idéias caíam no seu colo quase que por gravidade. Ganhou o apoio de um número significativo de pensadores que garimpavam o novo, por sua aparente disposição em ouvir propostas, em aplaudir a modernidade que emergia. Afinal, era um partido de intelectuais, acadêmicos, egressos da Universidade, aparentemente racionais e visando o bem comum.

Mas era só da orelha para fora, apenas jogo de cena visando exclusivamente ganhar aliados para tarefas bem mais comezinhas: a montagem do grande sistema de apoio econômico que surge da privatização.

O encontro de contas

O melhor exemplo para ilustrar FHC, presidente, foi um episódio que ocorreu logo após a crise cambial de janeiro de 1999. FHC estava caindo pela tabela. O governador mineiro Itamar Franco anunciara o calote de Minas em uma dívida avalizada pelo Tesouro. Atingidos em cheio pela crise, governadores eleitos anunciaram uma ida em bloco ao Palácio em um final de semana, para reivindicar recursos da União.

Anos antes, eu tinha ajudado a divulgar idéias bastante originais de Paulo Britto e Paulo Rabello de Castro, naquilo que acabou conhecido como o Plano K. Consistia em um encontro de contas geral, no qual as dívidas de estados e municípios com os fundos sociais (Previdência e outros) seriam convertidas em moedas sociais que facultariam aos trabalhadores participar e se beneficiar da privatização.

A proposta era brilhante, por permitir a criação de um capitalismo popular – nos moldes do que havia sido feito com a pulverização de ações de estatais britânicas -, fortalecer o investimento interno, encaminhar a solução de problemas fundamentais de contas públicas (déficit da Previdência e dos estados e municípios), legitimar a privatização.

Corri mundo atrás de aliados a essa tese. Ainda no governo Itamar, conversei com Andrezinho Franco Montoro e José Roberto Mendonça de Barros – que estavam à frente do programa de privatização. Depois, com Antonio Kandir, Pérsio Arida, Tasso Jereissatti, José Serra. Em vão. Ninguém apresentava uma restrição sequer ao modelo, mas ninguém dava um passo sequer para defendê-lo. Pela óbvia razão – que só entendi anos depois – de que na lógica do partido já estava consolidada a estratégia de criação de novos supergrupos aliados, com a privatização, visando garantir a perpetuação no poder.

Em 1999, com a crise correndo solta, lembrei novamente das idéias dos Paulo. Escrevi uma coluna. No dia seguinte me ligou o David Zilberstjan – ainda genro de FHC -, dizendo que poderia ser a saída para a crise. Comentara com FHC, durante a inauguração de uma hidrelétrica, ele manifestara interesse no tema. David perguntou se eu poderia ir à Brasília conversar com FHC. Marcamos para dali a alguns dias.

Deflagrou-se então uma operação destinada a aproveitar a crise para um salto no país. Conversei com o governador do Paraná, Jayme Lerner, que tinha idéias semelhantes e ajudaria a convencer o PFL. Paulo Rabello – que tinha relações com o PFL – conversou com a cúpula do partido. Fui a Brasília para uma conversa com Pimenta da Veiga, que me decepcionou, mostrando um homem público sem nenhuma vontade política. Paulo Britto reuniu-se com lideranças do PSDB. O tema “encontro de contas” ganhou consistência. Uniformizou-se o discurso, criou-se um bom entendimento sobre o sentido geral da proposta.

No sábado houve a reunião de FHC com os governadores rebeldes. O resultado foi satisfatório e mereceu uma nota positiva no The Financial Times – talvez a primeira notícia positiva desde que a desvalorização cambial implodiu com o governo FHC. Os governadores voltaram para casa satisfeitos, a rebelião estava contida.

Nos dias seguintes, nas semanas seguintes, nos meses seguintes, ficamos aguardando os desdobramentos da reunião, o grande salto que permitiria legitimar a privatização, trazer uma solução para o déficit da Previdência. Em vão. A idéia – para FHC – era apenas uma maneira de contornar um problema imediato. Jamais teve gana de mudanças, jamais teve um pensamento modernizador sequer. Na entrevista com ele, com que fecho meu livro “Os Cabeças de Planilha” percebe-se um pensador raso, que só conseguia imaginar um modelo de país: grandes grupos sendo constituídos e levando o país atrás de si.

E não houve uma liderança nova no partido capaz de galvanizar as novas idéias e perseguir o novo. Nem de se dar conta de que, ao permitir que a mídia e FHC assumissem a liderança do partido, colocaram todo um projeto de país a serviço da vaidade de um homem público cujo único propósito era recuperar a própria imagem. E, para isso, não vacilou em marcar definitivamente o PSDB com a sua marca, a de presidente mais impopular da história do país. E esse vazio empoado foi sustentado nesses anos todos por um colunismo preconceituoso, muito mais próximo do esnobismo das colunas sociais do que da consistência das discussões públicas.

O que moveu FHC foi exclusivamente a lógica da tomada do poder. Tarde demais se deu conta de que sem projeto, sem votos, sem legitimação, é apenas um ex que tem em seu currículo dois feitos: o de ter matado um projeto de poder, e, agora, de ter matado um projeto de oposição.

Da Folha

VINICIUS TORRES FREIRE

FHC, Lula, apatia e “autoritarismo”

Satisfação com a economia ofusca “desvio da democracia”, mas é preciso “balançar o coreto”, afirma ex-presidente

A SATISFAÇÃO com a economia é um fator de “apatia” no Brasil. Tal ambiente favorece o “autoritarismo popular” que está no “DNA” do governo Lula e do lulismo. Mas por que a oposição é também apática e omissa, pergunta-se ao autor da tese da “apatia cum autoritarismo popular”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso? “Sim, a oposição está meio apática, como quase todo o país. Mas a oposição partidária é congressual.

Não repercute na sociedade. A sociedade, por sua vez, não tem dado muito ouvido ao que se passa por lá no Congresso, por achar que o Congresso não decide assuntos de relevância cotidiana ou por desconfiar do que sai de lá [Congresso], pelos motivos conhecidos. E o governo [Lula] teve papel importante nesse apequenamento do Congresso, dadas as ingerências e os chamados “escândalos’”, diz FHC a esta coluna.

E a apatia do PSDB e de seus candidatos indecisos? “O Congresso, os partidos, o PSDB também, as lideranças, não repercutem. Falta mais articulação com a sociedade. Mas os candidatos se movem pelo cálculo eleitoral, não tem jeito. Mas a discussão desses problemas interessa a muito mais gente, vai muito além do PSDB. Não escrevi para conclamar a oposição. Esse debate não pode ser rebaixado pela partidarização excessiva. Mas, afora o “partido dos economistas”, os intelectuais não se manifestam, contra ou a favor, de maneira pública, pensada (o Brasil tinha o partido dos advogados, agora tem o dos economistas, sinal da mercantilização do Brasil e do mundo). Os movimentos sociais, as organizações da sociedade, quando não estão aninhadas na burocracia do Estado, limitam-se a temas especializados. Isso por um lado é bom: discute-se a sério ambiente, drogas, violência. Mas não a política maior desses e outros assuntos”, diz FHC.

Mas qual a relação atual entre popularidade e risco de autoritarismo? “O país está mais apático porque a situação econômica vai bem. E espero que vá cada vez melhor. Mas a satisfação com as condições de agora não nos deve impedir de pensar que tipo de sociedade e de Estado que estamos construindo. As pessoas aplaudem porque estão satisfeitas com o que lhes diz respeito, mais imediatamente. Mas o aplauso não significa aprovação a qualquer atitude do governo, e muitas vezes as pessoas não têm consciência das consequências de várias dessas ações.”

Mas onde está o autoritarismo? “Há uma grande cooptação. Há ingerência direta nos partidos, ataques à imprensa, à gestão de empresas. O presidente escolhe não só a candidata (até sem ela mesma saber) mas define nomes pelo país todo, em vários partidos, interfere diretamente no Congresso. Não sou “neoliberal”. E não sou a favor disso que chamam “Estado forte”, mas de um Estado competente. Esse “Estado forte” é paternalista, organiza os negócios, destrói os partidos, coopta setores sociais com recursos do Estado. Tudo isso ocorre em clima de forte personalização, em que o presidente centraliza em si decisões estratégicas (como na compra dos caças, do pré-sal, coisas feitas com atropelo, sem seriedade), com alianças partidárias que não foram feitas com base em um programa. Isso reforça as características da nossa “Presidência imperial’”, diz FHC.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , ,

171 comentários para “FHC: como matar um projeto de oposição”

  1. Paulo Daolio disse:

    Gostaria de evidenciar que o aglutinamento de forças e poderes que o dr. Cardoso, descreve verificou-se de forma bem parecida nos grandes paises europeus (Alemanha, França e Italia) no pòs guerra; Adenauer, De Gaulle e De Gasperi criaram nos respectivos paises uma aliança de forças e poderes (sindicatos, bancos publicos, alguns grandes capitalistas, burocratas da estrutura publica) que lhes permitiu, e a seus sucessores, a realização de um projeto de poder duradouro (20/30 anos, de 1950 a 1980) e representativo dos mais varios interesses de suas sociedades. A historia, mostrou que para esses paises foram anos de progresso, desenvolvimento e bem-estar economico e social para toda a população,.Note-se que em 1950 esses paises estavam arrasados pela II Guerra Mundial, e em 1980 tinham-se tornado a vanguarda da umanidade. Tomara que a historia possa repetir-se no Brasil, de modo que o “subperonismo lulista”, repita os feitos da “Grosse Koalition” do “Gaullisme” e do “Compromesso Storico”.
    Caro dr.Cardoso, democracia è simplesmente colocar um voto na urna ? ou garantir representatividade no poder a todas as instancias da sociedade?

  2. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Há três pontos seus no texto. Primeiro a sua grande expectativa no PSDB. É um problema seu. Eu, por exemplo, nunca tive nenhuma expectativa com o PSDB. Era um partido de intelectuais, mas isso não diz nada (ou diz tudo) e o que mais se poderia dizer sobre o PSDB? Nada. Ou talvez se pudesse dizer que como intelectuais de formação marxista, já há muito sabiam que a democracia funciona sob a égide da fisiologia e, portanto, não havia espaço para se formar um partido com base na ética.
    Desde então eu sabia que os intecectuais do PSDB não acreditava no que o partido dizia. Não que isso fosse ruim. Isso era bom, pois ruim era o que o partido dizia. O argumento da autoridade (O partido dizia pela voz dos intelectuais sabidamente de grande conhecimento) sabendo-se falso é um deserviço à nação.
    No segundo ponto você fala sobre o Plano K. Na verdade você não fala sobre o Plano K, mas sim sobre o grande esforço para implementar o Plano K. Plano K não, Plano Kafta. Este plano só existe na sua cabeça. Se fosse algo exeqüível, poderia ser posto em prática em qualquer tempo. Aliás, por que ele só seria possível no Brasil. E se possível em qualquer outro país, onde é que ele foi adotado?
    E no terceiro ponto você fala da falta de liderança nova e termina dizendo que FHC teve dois feitos sendo um “o de ter matado um projeto de poder”.
    Fiquei curioso. Que projeto de poder FHC matou e como? (O de Sergio Motta)
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 04/11/2009

    • Clever Mendes de Oliveira disse:

      Luis Nassif,
      Retificando meu comentário de 4/11/2009 às 23:29.
      “Fiquei curioso. Que projeto de poder FHC matou e como? (O de Sergio Motta?)”
      No original faltou a interrogação após Sérgio Motta.
      Eo plano é Kafka de vem cá ficar comigo e, portanto, não como está lá ou como cá está: Kafta.
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 05/11/2009

  3. Neto disse:

    Saiam da divagação de fhc e entrem na História de fhc, serra, psdb, aecinho…

    “Laerte Braga: A meta agora é vender o Brasil e passar a escritura
    Atualizado em 04 de novembro de 2009 às 21:15 | Publicado em 04 de novembro de 2009 às 20:47

    quarta-feira, 4 de novembro de 2009

    PSDB É BRIGA DE FOICE NO ESCURO – E TAPAS

    por Laerte Braga

    A quase totalidade dos fundadores do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) – os tucanos – saiu do PMDB em 1988. Dois anos antes do fim do mandato do último ditador, o general Figueiredo (terminou em 1984), foram realizadas as primeiras eleições diretas para governos estaduais desde 1965.

    Franco Montoro, Leonel Brizola e Tancredo Neves foram eleitos governadores dos três maiores estados da Federação de mentirinha. São Paulo, Rio e Minas Gerais. O vice-governador de Montoro era Orestes Quércia.

    Em 1986 o grupo do governador Franco Montoro (um homem decente), ao qual pertenciam José Serra (seu secretário de governo) e Fernando Henrique Cardoso (senador e derrotado por Jânio Quadros nas eleições municipais de 1985), tentou de todas as formas evitar a candidatura de Quércia ao governo do estado. Covas, Mário Covas, que já havia sido prefeito nomeado de São Paulo, era o preferido do grupo.

    Quércia venceu-os na convenção do PMDB e FHC foi indicado candidato ao Senado. Não era propriamente uma candidatura à reeleição já que em 1978 perdeu para Montoro. Virou suplente já que a legislação à época assim o determinava em decorrência do expediente casuístico da sublegenda.

    As eleições para o governo do estado de São Paulo em 1986 foram disputadas por Orestes Quércia (PMDB), Antônio Ermírio de Moraes (PTB) e Paulo Maluf (PDS). FHC, mesmo candidato a senador pelo PMDB, apoiou a candidatura de Ermírio de Moraes, até…

    …Até que as pesquisas divulgadas três dias antes das eleições apontavam a vitória de Orestes Quércia. Quem tiver boa memória vai se lembrar que Ermírio e Maluf quase se atracaram num debate transmitido por uma rede de tevê e isso acabou beneficiando Quércia, já que, naquele momento, não existia a figura do segundo turno.

    À véspera da eleição o candidato do PMDB Orestes Quércia fazia panfletagem numa montadora no ABCD paulista em companhia do então deputado Fernando Moraes (hoje autor consagrado de várias biografias). Num dado momento Fernando Moraes notou que o “fusca” de FHC estava chegando e o candidato ao Senado, sem nenhum constrangimento, típico dos amorais, achegou-se e juntou-se ao candidato favorito.

    Ao perceber a chegada de FHC, Fernando Moraes virou-se para Quércia e disse-lhe o seguinte – “agora não tenho dúvidas que você venceu, olha quem chegou” –. Definição perfeita para o caráter oportunista do então senador e candidato.

    O fato foi publicado na coluna PAINEL do jornal FOLHA DE SÃO PAULO.

    José Serra naquele ano foi eleito deputado federal.

    Em 1988, depois de tentar de todas as formas o comando do PMDB paulista e se insurgindo contra Ulisses Guimarães, o grupo de FHC e Serra saiu do partido e resolveu fundar o PSDB. Uma das explicações dadas de público é que o partido havia sido dominado em São Paulo por “corruptos”, no caso o governador Quércia e estava se desviando de seu caminho de partido popular, à esquerda. O PSDB, segundo seus fundadores, resgatava o extinto MDB, na linha de frente da luta por um Congresso Nacional Constituinte que não cedesse às pressões de grupos conservadores (PFL e outros) e o PMDB que, nos dois principais estados da Federação de mentirinha, São Paulo e Minas, estava em mãos de políticos “corruptos”, no caso Quércia e Newton Cardoso.

    Mário Covas foi o relator da principal comissão do Congresso Nacional Constituinte, ainda no PMDB e FHC, também no PMDB, foi o autor da emenda que dispunha sobre tributação de heranças (quando foi presidente mandou esquecer desse negócio).

    Em 1989 Covas foi indicado candidato do partido, já o PSDB, à presidência da República. No segundo turno, disputado entre Lula e Collor, foi dos primeiros a se postar ao lado de Lula, assim como Leonel Brizola e Ulisses Guimarães.

    Covas veio a ser eleito governador de São Paulo em 1994, depois de derrotado em 1990 por Luís Antônio Fleury, candidato de Quércia. Havia sido eleito senador em São Paulo em 1986 e arrastara FHC na segunda vaga, estavam no PMDB. Naquela eleição Covas assombrou os especialistas com a votação que teve, mais de sete milhões de votos.

    Em 1992, quando Collor começou a enfrentar dificuldades em seu governo e era visível que o desfecho não lhe seria favorável, o presidente convidou FHC para exercer funções semelhantes às de um primeiro ministro e de pronto o senador aceitou. Sem consultar partido, sem ouvir ninguém, aceitou. A ordem viera de Washington, da Fundação Ford, o projeto de Collor viria a ser aplicado por FHC com o mesmo nível de corrupção a partir de 1994. Não virou ministro por conta da oposição de Covas e nasceu aí mal disfarçada rivalidade entre os dois dentro do PSDB.

    Serra sempre ao lado de FHC, sempre trabalhando seu projeto pessoal.

    Pouco antes de virar ministro das Relações Exteriores o então senador FHC disse a alguns jornalistas que seria candidato a deputado federal, temia não ser reeleito para o senado nas eleições de 1994. Ministro das Relações Exteriores do governo Itamar Franco, em seguida ministro da Fazenda, construiu sua candidatura presidencial nos bastidores, iludindo e mentindo (o que sempre fez), à custa de intrigas, beneficiou-se do Plano Real e dos altos índices de aprovação do governo Itamar.

    Eleito, entre outros, derrotou o candidato do PMDB, exatamente Orestes Quércia. José Serra foi nomeado Ministro do Planejamento. Em pouco mais de três meses bateu de frente (tem um temperamento do cão, além de ser traiçoeiro e mau caráter) com Pedro Malan, ministro da Fazenda. FHC chamou Serra e o ministro pediu demissão. Foi franca a confissão de FHC – “não posso demitir Malan” –.

    Por que? Malan não era e nem é tucano. Malan não era amigo de FHC. Por que? Malan não fora indicado por FHC, mas pelos condutores externos e internos do processo neoliberal que resultou no desastre absoluto do governo tucano, nas privatizações e FHC era e é empregado desses condutores, digamos assim.

    Serra voltou e no Ministério da Saúde quando se aproximavam as eleições de 2002 e os tucanos precisavam de um candidato. Aí, a essa altura do campeonato, já absorvido e na folha de pagamento dos mesmos grupos que pagaram e pagam a FHC.

    Foi Serra quem armou a operação contra Roseana Sarney em cima de um esquema para beneficiar a si e favorecer a GLOBO. No exato momento que Roseana subiu nas pesquisas e ameaçou a candidatura do tucano, a Polícia Federal sob controle tucano trepou nas tamancas e armou todo aquele fuzuê contra Roseana. O jornalista Luís Antônio Magalhães, de credibilidade acima de qualquer suspeita, revela hoje que foi Serra quem mandou que Regina Duarte fizesse a declaração “tenho medo da eleição de Lula”.

    O que acontece dentro do PSDB hoje é uma espécie de briga de foice no escuro entre José Serra e Aécio Neves pela indicação presidencial para as eleições de 2010. Tanto um como outro obedecem aos mesmos patrões. A disputa é só de poder. Se Aécio é um tresloucado controlado pela irmã, pelo vice-governador Anastasia, Serra é um ditadorzinho sem caráter algum, sem nenhum escrúpulo, cheio de ódio, que não admite qualquer tipo de contestação, paranóico e obcecado com o poder.

    E ambos estão liquidando com seus estados, São Paulo e Minas. Os próximos governadores desses dois estados pagarão as contas dos absurdos cometidos com dinheiro público.

    Quer dizer, o povo pagará a conta.

    A notícia divulgada pelo jornalista Juca Kfhoury sobre o tapa dado pelo governador de Minas na namorada numa festa no Rio foi passada a jornalistas do País inteiro, a partir de jornalistas aliados de Serra. Joyce Pascowitch (tem ligações e caso com o governador de São Paulo). Se Aécio deu ou não deu o tapa é outra história. Serra e Aécio são dois perigos para o País. Dois políticos corruptos, sem escrúpulos. E Aécio vai carregar uma carga da qual nunca se livrará. Tancredo Neves, seu avô, tinha aversão a FHC e a Serra, considerando-os exatamente como são. Canalhas aproveitadores, oportunistas e doentios, no caso de Serra.

    Orestes Quércia, hoje, é o principal aliado de Serra dentro do PMDB, principalmente o paulista, já que Michel Temer, presidente da Câmara, deve ser o vice na chapa de Dilma Roussef.

    Como serão duas as vagas em disputa para o Senado (renovação de dois terços) em 2010, uma delas é de Quércia, isso no acordo com Serra, resta saber se o povo vai embarcar na canoa furada.

    De Quércia, ex-corrupto para Serra, sobre tucanos, logo após sua vitória em 1986 –“se um tucano estiver apertado para fazer xixi, entrar no banheiro e encontrar dois vasos, faz nas calças, não vai conseguir decidir-se a tempo” –.

    Um e outro se merecem. Os corruptos se encontram muito antes do infinito. Não são paralelos, são congruentes.

    Vem mais chumbo grosso contra Aécio e ele que se cuide. É que o mineiro resolveu entrar na briga pela indicação partidária. Uma coisa é certa. Aécio saber também dar o troco. Já avisou a Serra que se o indicado for ele, apóia outro candidato, Serra nunca.

    Tucano tem esse negócio de raivinha, de ódio, de descabelar quando em jogo está o poder e o que o poder representa.

    Não existe um que preste. Não é partido político, é quadrilha.

    A meta agora é acabar de vender o Brasil e passar a escritura.

    -Extraído do blog viomundo.

  4. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Dois outros pontos que esta série de comentários e de posts ensejam.
    Primeiro a tendência em ver no outro agrupamento a pequenez. É como se dissessem: “Eu quero fazer a boa política, eles é que não querem, não sabem e não podem”.
    Segundo a falta de menção ao instituto da reeleição que provavelmente está por trás dos grandes problemas que o Brasil enfrenta nos últimos anos e que provavelmente enfrentará nos próximos anos.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 04/11/2009

  5. Neto disse:

    Santayana: A plataforma de FHC
    Atualizado em 04 de novembro de 2009 às 15:06 | Publicado em 04 de novembro de 2009 às 15:05

    Jornal do Brasil – Coisas da Política

    A plataforma do candidato

    03/11/2009 – 23:45

    Por Mauro Santayana

    O recente artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso parece ter como único objetivo sua candidatura à Presidência da República. Observadores atentos da situação política suspeitam que, por detrás da indecisão do PSDB em escolher entre o governador de São Paulo e o governador de Minas, haja manobra do próprio Fernando Henrique, talvez com a aquiescência de Serra. Ambos atuariam como servidores dos poderosos interesses de São Paulo. Diante do impasse entre Aécio e Serra, e do provável crescimento da candidatura de Ciro e – quem sabe? – da própria Dilma, a saída seria a ida de alguns próceres do PSDB e de outras agremiações ao escritório político do ex-presidente, instalado com doações de empresários, no final de seu governo. Ali, apelariam para o patriotismo paulista de sua excelência, a fim de recuperar o poder.

    O presidente Lula tem sido beneficiado pelas circunstâncias, o que não é mau. Mas é inegável que ele é sincero na luta pela redenção de milhões de famílias pobres às quais, durante a história do país, foram negados o conhecimento, a dignidade e os salários justos. Ele conseguiu isso sem provocar a reação dos empresários inteligentes, que descobriram um mercado de consumo que não conheciam: o do próprio país. O reconhecimento popular pode ter inflado as velas do barco de Lula, que se sente estimulado a, tal como Pico de la Mirandola, discorrer sobre todos os assuntos e mais alguns. Mas, nisso, ele tem ótimo modelo no próprio weberiano Fernando Henrique. Trata-se de pecado menor, e, no caso de Lula, justificável em sua inigualável biografia de vitorioso. Ele, pelo menos, não se considera “mais inteligente do que vaidoso”.

    O artigo de FHC é uma plataforma de candidato, com argumentos anacrônicos. Ele e outros identificam o “discurso ultrapassado dos anos 50” nos nacionalistas de hoje. Mas repete os de Lacerda contra Jango, no caso da falsa Carta Brandi, em que se denunciava (também) o propósito de instalar-se, no Brasil, uma república sindicalista sob molde peronista.

    Há quem veja em seu artigo apenas a expressão de preconceito de intelectual contra o torneiro mecânico que está dando certo – mas isso seria reduzir a inteligência do acadêmico. É melhor deduzir que seu objetivo é mesmo o de se pôr como tertius na disputa. Ele já tentara a mesma manobra, na segunda eleição de Lula, quando dificultou a candidatura de José Serra, em favor de Geraldo Alckmin. Sabe que Serra poderá, sem dificuldades maiores, reeleger-se para o Palácio dos Bandeirantes. Entende que, sem a unidade do partido em torno de Serra ou de Aécio, faltarão votos para vencer o pleito. E – aí está o pulo do gato – sabe também que, para alguns empresários paulistas, nada melhor do que ter representantes tanto no Morumbi quanto no Planalto.

    O ex-presidente duvida da memória de seus leitores, que não se esquecem do que foram as privatizações e o uso dos fundos de pensões, na operação que tornou o senhor Daniel Dantas um dos homens mais poderosos do Brasil. Quanto à Vale do Rio Doce, a nação compreenderia o seu silêncio, se ele evitasse tocar no assunto. Nunca, desde el-rei dom Manuel, houve doação de bem público de tal monta a um grupo de favoritos. Os interesses de São Paulo – também representados no governo Lula – conduzem a União, há quase 16 anos em violação ao pacto republicano da igualdade entre os estados, e continuarão por mais oito anos, se a manobra der certo. Dentro de 11 dias, a República fará 120 anos. Já é tempo para que se torne, tal como a quiseram então, uma Federação de direito e de fato.

    Aécio recusa, como é da conveniência dos mineiros, a Vice-Presidência. Ele interpreta bem o sentimento de Minas que, desde o regime militar, vem dando credibilidade ao Planalto com seus vice-presidentes, e já se cansou disso. Castelo Branco buscou José Maria de Alkmin para endossar a ditadura inaugural; Costa e Silva recrutou Pedro Aleixo (menosprezado no episódio do AI-5); Aureliano serviu de avalista a Figueiredo; Collor foi atrás de Itamar e, por último, Lula teve que se valer de José Alencar para tranquilizar os meios empresariais.

    O ex-presidente previa o caos, se Lula fosse eleito. A vitória do trabalhador provavelmente tenha salvado o país do caos. Se os programas do governo não houvessem aliviado a situação dos famintos e humilhados, teria sido impossível conter a explosão do desespero.

    - A oposição pode não ter projeto, mas FHC tem.;

  6. José disse:

    É só um deboche.
    O “Principe dos Sociólogos” (FHC, Br….) equivoca-se a respeito de príncipes. Curioso silêncio de uma mídia tão ciosa da respiração de seus atores ( curioso também o silêncio dos próprios). O “Príncipe Tresloucado” , em verdade, era um conselheiro da rainha. Para seu azar (do conselheiro), havia dito que naquela loucura havia método. O conselheiro, por imbecil, veio a falecer.

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