iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
04/11/2009 - 15:48

Acusação de plágio na USP

Por Lima

Sei que estamos na era do copiar colar (Ctrl + C; Ctrl + V) e eu mesmo faço muito. Por isto costumo colocar o link, fonte e/ou créditos. O duro é o meio acadêmico parando de produzir e querer receber os louros ao reproduzir:

Reitora da USP é acusada de plágio em estudo sobre vírus

Suely Vilela e outras dez pessoas publicaram trabalho em 2008 com figuras idênticas a estudo de 2003, mas sem crédito

Dois trechos de artigo também são idênticos; grupo da UFRJ denunciou suposto plágio, e envolvidos dizem que não houve má-fé

Da Folha

Reitora da USP é acusada de plágio em estudo sobre vírus

EDUARDO GERAQUE

A USP abriu uma sindicância interna para apurar uma acusação de plágio contra a reitora Suely Vilela e mais dez pessoas. Na prática, a universidade vai investigar sua própria reitora.

O grupo formado por bioquímicos e farmacêuticos publicou um trabalho em 2008 com três figuras idênticas a um outro estudo, que saiu em 2003. A pesquisa mais antiga está assinada por um grupo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), autor da denúncia.

O estudo assinado pela microbiologista Angela Hampshire Soares e outros sete colaboradores é sobre a eventual aplicação de uma substância extraída da planta sacaca (típica da Amazônia) para o controle da leishmaniose -as imagens que geraram acusação de plágio retratam ação da substância.

Um dos objetivos da pesquisa da USP é investigar se uma substância isolada da jararaca é útil contra o vírus da dengue.

A reitora Suely, que é bioquímica, é uma das coautoras do trabalho. O principal autor da pesquisa é Andreimar Soares, professor da USP de Ribeirão Preto. O grupo nega que houve má-fé.

A cópia não se resume às três imagens idênticas de microscopia eletrônica que aparecem nas duas pesquisas.

Dois trechos do texto do artigo de 2008, publicado pela revista “Biochemical Pharmacology”, são semelhantes a parágrafos que constam do artigo original, editado na revista americana “Antimicrobial Agents and Chemotherapy”.

No artigo científico do grupo da USP não existe nenhuma referência ao trabalho anterior, de 2003. As chamadas referências bibliográficas formam um item obrigatório, e elementar, de todo texto de pesquisa.

“Estamos todos chateados e perplexos [com o uso das imagens]“, diz Rodrigo Stábeli, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz em Porto Velho, Roraima. Ele é um dos 11 autores do trabalho suspeito de plágio.

Especialista em estudos de proteínas, Stábeli não participou diretamente das pesquisas realizadas em Ribeirão Preto.

O cientista é a favor da sindicância, que deverá mostrar, segundo ele, que o suposto plágio é fruto de um equívoco.

O artigo publicado em 2008, assinado pelas 11 pessoas e, portanto, sob responsabilidade de todos, surgiu a partir da tese de doutorado da, na época, aluna Carolina Sant’Ana.

Após ter obtido o título de doutora, a pesquisadora, hoje, não está mais na universidade. Segundo o grupo acusado de plágio, uma confusão da aluna, que teria usado as imagens em seminário interno na faculdade, é o que poderia explicar as cópias. Ela não foi localizada.

A USP possui um portal eletrônico exclusivo para as teses defendidas na universidade. O trabalho de Sant’Ana, depositado em 2008, não estava disponível para consulta ontem.

Na história recente da USP, não é a primeira vez que pesquisadores são acusados de plágio. Em 2008, Alejandro de Toledo, diretor do Instituto de Física da USP, e Nelson Carlin Filho, vice-diretor da Fuvest, foram investigados. O caso terminou com uma moção de censura ética contra os cientistas.

A USP abriu uma sindicância interna para apurar uma acusação de plágio contra a reitora Suely Vilela e mais dez pessoas. Na prática, a universidade vai investigar sua própria reitora.
O grupo formado por bioquímicos e farmacêuticos publicou um trabalho em 2008 com três figuras idênticas a um outro estudo, que saiu em 2003. A pesquisa mais antiga está assinada por um grupo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), autor da denúncia.
O estudo assinado pela microbiologista Angela Hampshire Soares e outros sete colaboradores é sobre a eventual aplicação de uma substância extraída da planta sacaca (típica da Amazônia) para o controle da leishmaniose -as imagens que geraram acusação de plágio retratam ação da substância.
Um dos objetivos da pesquisa da USP é investigar se uma substância isolada da jararaca é útil contra o vírus da dengue.
A reitora Suely, que é bioquímica, é uma das coautoras do trabalho. O principal autor da pesquisa é Andreimar Soares, professor da USP de Ribeirão Preto. O grupo nega que houve má-fé.
A cópia não se resume às três imagens idênticas de microscopia eletrônica que aparecem nas duas pesquisas.
Dois trechos do texto do artigo de 2008, publicado pela revista “Biochemical Pharmacology”, são semelhantes a parágrafos que constam do artigo original, editado na revista americana “Antimicrobial Agents and Chemotherapy”.
No artigo científico do grupo da USP não existe nenhuma referência ao trabalho anterior, de 2003. As chamadas referências bibliográficas formam um item obrigatório, e elementar, de todo texto de pesquisa.
“Estamos todos chateados e perplexos [com o uso das imagens]“, diz Rodrigo Stábeli, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz em Porto Velho, Roraima. Ele é um dos 11 autores do trabalho suspeito de plágio.
Especialista em estudos de proteínas, Stábeli não participou diretamente das pesquisas realizadas em Ribeirão Preto.
O cientista é a favor da sindicância, que deverá mostrar, segundo ele, que o suposto plágio é fruto de um equívoco.
O artigo publicado em 2008, assinado pelas 11 pessoas e, portanto, sob responsabilidade de todos, surgiu a partir da tese de doutorado da, na época, aluna Carolina Sant’Ana.
Após ter obtido o título de doutora, a pesquisadora, hoje, não está mais na universidade. Segundo o grupo acusado de plágio, uma confusão da aluna, que teria usado as imagens em seminário interno na faculdade, é o que poderia explicar as cópias. Ela não foi localizada.
A USP possui um portal eletrônico exclusivo para as teses defendidas na universidade. O trabalho de Sant’Ana, depositado em 2008, não estava disponível para consulta ontem.
Na história recente da USP, não é a primeira vez que pesquisadores são acusados de plágio. Em 2008, Alejandro de Toledo, diretor do Instituto de Física da USP, e Nelson Carlin Filho, vice-diretor da Fuvest, foram investigados. O caso terminou com uma moção de censura ética contra os cientistas.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Ver todas as notas

41 comentários para “Acusação de plágio na USP”

  1. Chico Pina disse:

    Porto Velho, Roraima?

    Preocupados com a Bioquímica, esqueceram a Geografia…

  2. marlon disse:

    Tratada com discrição, a cópia de trabalhos acadêmicos utiliza empresas especializadas em teses ou sites na internet

    Maria Elisa Alves escreve para “O Globo”:

    Um assunto que é tratado nas universidades quase como um tabu, sempre na maior discrição, está vindo à tona cada vez com mais frequência. Trata-se do plágio de trabalhos acadêmicos, que deixou de ser protagonizado, como no passado, apenas por alunos da graduação.

    Atualmente, estudantes de pós-graduação, querendo obter o título de mestre ou doutor, e até mesmo professores universitários têm se apropriado da pesquisa alheia, recorrendo às antigas empresas especializadas em fornecer trabalhos e também a uma ferramenta ainda mais eficaz – a internet. A fraude acontece até em cursos conceituados, como o Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense, que cassou, em 2008, o diploma de doutor de um ex-aluno.

    Mudança de títulos e de ordem nos parágrafos O aluno – que não respondeu aos contatos do Globo – apresentou uma tese, em 2003, que foi aprovada. Cinco anos depois, um amigo do músico André Cardoso, autor do trabalho plagiado, teve acesso ao documento.

    Desconfiado com as semelhanças com a tese de doutorado de Cardoso – defendida em 2001 no programa de pós-graduação em música da UniRio e ganhadora do primeiro prêmio no II Concurso de Monografias da Academia Brasileira de Música -, ele mandou uma cópia para o músico.

    - Identifiquei aproximadamente 120 páginas de texto copiado de minha tese, além de tabelas e gráficos idênticos. O “autor” do trabalho modificou ligeiramente alguns títulos e subtítulos e trocou a ordem de parágrafos – contou André, diretor da Escola de Música da UFRJ.

    Ele procurou a UFF, que convocou uma comissão para analisar o caso, e cassou o título.

    - Tivemos até agora dois casos como esse. Não é muito, se consideramos que temos 300 alunos, mas é um problema que vem acontecendo em todos os departamentos. Enfrentamos ainda o uso de ideias sem referências, o “vampirismo” – diz Martha Abreu, coordenadora do programa, que defende a criação de comissões para discutir essa conduta pouco ética.

    Um dos professores da Pós-Graduação em História da UFF enfrenta problema semelhante, mas como vítima. Verificando na internet trabalhos realizados em outros estados na sua área de pesquisa – escravidão e imprensa abolicionista -, Humberto Fernandes Machado deparou-se com um resumo de uma dissertação de mestrado, da Universidade de Brasília, idêntico ao de sua tese de doutorado.

    Curioso, conseguiu que um amigo do Distrito Federal lhe mandasse uma cópia. Da primeira à última linha, o trabalho era uma cópia, sem trocar uma palavra, da sua tese: – Passei quase dois anos pesquisando no Arquivo Nacional e na Biblioteca Nacional para elaborar a tese sobre José de Patrocínio e a imprensa abolicionista.

    Como uma pessoa pode simplesmente copiar tudo durante o mestrado? O único trabalho que o plagiador teve foi trocar o título e uma parte dos agradecimentos. Por incrível que pareça, até na hora de mencionar a orientadora e a família, ele copiou meu texto.

    Em e-mail ao Globo, o acusado de plágio disse que, ao entrar na pós-graduação da UnB, teria 30 meses para fazer a defesa final da dissertação. Nesse período, teve um problema de doença na família e, para não perder o prazo, apelou a um serviço de redação de monografias.

    - Eu havia passado pelo difícil e rigoroso processo de seleção para ingressar no mestrado, cursado as disciplinas e, se não defendesse a dissertação, seria um prejuízo enorme para mim. Então, contratei um serviço de redação de monografias, dissertações e teses. Jamais pude imaginar que a pessoa encarregada de me prestar o serviço fosse capaz de copiar um trabalho de autoria de um renomado pesquisador. Em momento algum desconfiei da má-fé do redator, já que ele me pediu todos os meus apontamentos, resenhas, textos das aulas.

    Para Márcio Brandão, professor da Faculdade de Direito da UFF, ao contratar uma empresa para fazer o texto da tese, o pesquisador cometeu o crime de falsidade ideológica, cuja pena é de até seis anos de detenção.

    O acusado só soube que a dissertação pela qual ele pagou era um plágio no início de setembro, quando recebeu uma citação do Juizado Especial Cível do Fórum do Catete, onde o professor Machado entrou com uma ação por danos morais, ainda em tramitação. Já André ganhou a ação que moveu.

    (O Globo, 25/10)

    • Sansão disse:

      …criação de comissões para discutir essa conduta “pouco ética”.????????

      • Leo V disse:

        Vendo esses casos cada vez mais frequentes é questão de nos perguntarmos se um paradigma esté se encerrando.

        Acho que há semelhanças quanto à indústria fonográfica e o download de músicas.

        O fato é que a internet está acabando com o sentido de autoria que virgorou por alguns séculos, e no caso da academia isso pode ter implicações no sentido dos diplomas, bolsas e títulos.

        • Ettore Majorana disse:

          Caro Leo V,
          Descordo plenamente de você.
          Isso não tem nada a ver com tecnologia, com internet.
          Isso é resultado puro de uma única coisa: falta de ética!
          A universidade pública sofre dos mesmos problemas a que estão sujeitas quaisquer autarquias públicas: ingerência do mandatário mais próximo.
          No caso da USP, há tempos ela está sob o jugo dos tucanos. As diretorias, presidencias e reitorias estão todas “aparelhadas”. Como gosta de falar a grande mídia.
          Há muito tempo o reitor deixou de ser magnânimo para ser apenas um testa de ferro do governador (já que, pelo menos no papel, a universidade é autônoma).
          Nos institutos e departamentos ocorrem cenas “indignas” de qualquer engenho de açúcar de séculos remotos.
          Na universidade segue o lema: “Mens sana in corpore sano” mas com o espírito pobre.
          Ainda assim, é a USP.

  3. Ivan Moraes disse:

    A ultima vez que “plagio” apareceu aqui foi com uma pessoa do NYTimes, e nao me lembro mais qualquer detalhe

    Mas nao acredito nem por um segundo que houve “roubo” de propriedade intelectual alheia EXCETO se toda a tese sustentada pelo trabalho eh baseada nos (DOIS!) paragrafos e graficos.

    Pra mim, copy/paste sem atribuicao esta longe de ser plagio.

  4. Leo V disse:

    Vindo dessa reitora, não é de admirar.

  5. Sansão disse:

    Já na semana passada uma horda de primatas, arfando e com uma imensa baba bovina se elasticando dos beiços em cio investiram contra uma jóven, no coração da maior região metropolitana da américa do sul, de início todo mundo pensou que se tratasse do Piauí( ou qualquer cidade nordestina). Agora mais essa do Piauí, digo Piauí porque isso não pode estar acontecendo em São paulo. Ademais( como disse aquele diretor daquela multinacional da cultura do disco) se o Piauí sumir do mapa, quem vai sentir falta?

  6. Tovar disse:

    Pode ser apenas coincidência, mas conheço bem esta história de 11 pessoas assinando um trabalho científico. Ela é recorrente em faculdades públicas.

    Uma pessoa faz, outra orienta e todos os chefes de departamento e professores graduados assinam para manter o número de publicações altos.

    Na verdade, ninguém deve saber do que se trata, mas vira publicação.

    Agora a pergunta: O que será pior? Fazer um plágio (Esta desculpa de uso de imagem incorreta é de doer) ou simplesmente assinar trabalho dos outros para manter alto o número de publicações?

    • Os dois casos ocorrem realmente e forma comum. Porém, normalmente eles não são capazes sequer de fazer um plágio, e até para isso contratam serviços de terceiros. Nem para contratar prestam, pois ao invés de contratarem bons gosthwriters, contratam plagiadores.

      Conheço um pouco desse mercado…

    • Carlos de Souza disse:

      Excelente ponto esse. Sou pesquizador na area de energia e ja vi dezenas de artigos assinados por 7, 8 ou mais pessoas. Nos que produzimos trabalho cientifico sabemos que num trabalho com tantos autores, apenas 2 ou 3 realmente trabalharam. Os demais assinam apenas por terem participado de uma banca, ou por serem do mesmo departamento ou por outra razao qualquer, mas sem realmente ter contribuido.

    • As agências de fomento estao praticamente obrigando os professores a esse(s) tipo(s) de comportamento desonesto(s), com gradações. Assinar a vários; fazer “troca de citações”; plagiar os próprios artigos (é a mágica da multiplicação dos artigos — essa, TODO MUNDO faz). A mentalidade dos “bônus” resulta nisso, e em várias outras deformações piores ainda, entre elas a pouca importância dada ao ensino de graduação, que nao garante nenhuma pontuação.

      • Ettore Majorana disse:

        A pergunta que fica é a seguinte: onde estão os grandes catedráticos, os comendadores, os pesquisadores laureados?
        Estão cegos ou mortos?
        Afinal de contas, as agências de fomento foram criadas para dar suporte as universidades/institutos ou estes é que foram criados pra dar sentido àquelas?

    • Leo V disse:

      Boa pergunta.

      Mas ambas as coisas me parecem que são conseqüência do modelo produtivista que foi imposto à academia. Há que se produzir artigos e mais artigos, não importa o conteúdo.

  7. Cris Moreno disse:

    Caramba, taí uma coisa que faço questão de colocar – o crédito, ou o livro, qualquer identificação. Quando não puxo link, faço rodapé, mesmo que seja uma coletânea de informações. Isso é muito feio! Beijos.

  8. Nassif,

    Os acusados dizem que não houve má fé. Bem, acho que temos aí importante tópico para discussão. Sei que pode haver divergências quanto a isso, mas minha opinião é que plágio é plágio, não importa a intenção. Não importa se por má fé ou por desatenção.

    Num caso, seria crime ativo. No outro, passivo por conduta irresponsável.

  9. Eduardo disse:

    A estória talvez seja mais complicada e tem a ver com as eleições para a Reitoria da USP. Suely Vilela não apóia o candidato João Grandino Rodas, Diretor da Faculdade de Direito, que é o favorito do Serra. No mesmo caderno da Folha saiu uma matéria sobre os problemas dos prédios da USP, com foto para goteiras no prédio da FAU. Essa Reitora está muito longe de ser uma maravilha, mas esses problemas não são novos, infelizmente. Para mim isso tem cara de matéria requentada visando favorecer o candidato do Serra na atual campanha eleitoral da USP. No final, ninguém se salva e o patrimônio da USP vai se esvaindo.

  10. julia disse:

    Parece que a coisa com a reitora é mais complicada, como bem escreve o Marcelo Leite: http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/arch2009-11-01_2009-11-07.html#2009_11-04_13_31_15-129493890-25
    Sem querer justificar a reitora, os professores e alunos são pressionados cada vez mais para publicar. Daí ocorre a má fé nos trabalhos. Erraram não somente os pesquisadores, mas também a revista que deixa passar uma dessa. Revista da Elsevier, diga-se de passagem, que só tem coisa boa (pelo menos na minha área). Vendo essas coisas, eu me pergunto se é possível continuarmos essa produção em massa de artigos científicos….

  11. Roberto disse:

    Quanta bobeira, meu Deus. Deveríamos abandonar esse negócio de plágio, não é possível que vamos carregar essa besteira para o século XXI

  12. Luiz disse:

    Nassif
    Não tenho opinião formada sobre o caso no que diz respeito à responsabilidade da reitora, mas considero o crédito de citações obrigatório do ponto de vista ético.
    O que a reitora argumentou é que a “parte” do trabalho realizado por ela não é a que foi plagiada. Ela não é autora principal e também não é orientadora da autora principal.
    de qualquer modo, em tempos de “publicar ou perecer” é provável que isso esteja ocorrendo mundo afora.
    Devemos estar alertas para esse desvios éticos.

  13. Glaura disse:

    Essa prática de entrar como autor do trabalho para aumentar os índices de produtividade não é só de “faculdades públicas”. Várias revistas científicas tentam coibir essa prática exigindo justificativa para número de autores acima de 4, ou exigindo que se explicite qual foi a participação de cada autor. Bem, se alguém tinha dúvidas quanto aos problemas de se colocar o nome sem participar do trabalho, aí está o resultado…

  14. Roque disse:

    Cuidado com a Reitora.
    Ela vai chamar a PM.

  15. Marello Saffioti disse:

    Plagio é pouco, há histórias e histórias de professores que parasitam trabalhos de alunos e depois os jogam para os tubarões!

  16. Marello Saffioti disse:

    Tovar,

    Na academia isso que você descreveu é conhecido como “o milagre da multiplicação dos papers”

  17. Se isso acontece na USP, imagino o que não deve acontecer naquela universidade onde até o josé serra, que não tem diploma de economista, andou dando aulas de economia!
    O PHA é que tem razão: cadê a locomotiva que estava aqui?

  18. Marcelo W disse:

    O problema é grave, mas o plágio é apenas a ponta do iceberg.

    O aluno escreve a tese de doutorado inteira com a ajuda de um orientador, no máximo um co-orientador. Os demais colaboradores, mesmo que tenham participado significativamente, ficam restritos aos agradecimentos e na defesa não respondem pela tese. Chega na hora da publicação, uma parte da tese é formatada para os padrões da revista científica, e quando chega na hora de submeter para a publicação… voilà… surgem uma dúzia de pais da criança.

    “Minha colaboração com o docente é na área de isolamento e purificação de toxinas animais, matéria distinta em relação às passagens e imagens questionadas.”
    Se a contribuição foi pontual, porque não permaneceu apenas como colaboradora? Se um dos autores não pode responder pelo conteúdo do trabalho, então o que o seu nome está fazendo lá? Sim, essa divisão do trabalho é uma prática comum no meio científico, e incrivelmente isso é encarado com naturalidade, possivelmente porque para os órgãos de fomento à pesquisa, só importam o fator de impacto e a quantidade de publicações. Predomina a política do “publish or perish”, e ter currículo é sobreviver, pouco importando como isso foi conseguido.

    Veja bem, as vagas para pesquisadores e as verbas para pesquisa são limitadas. Os critérios para a avaliação inevitavelmente recaem sobre o currículo. E aí, quem tiver mais trabalhos publicados certamente está na frente. Então se uma pessoa que construiu um currículo na base do toma lá, dá cá pode levar os méritos quando as coisas dão certo, porque não pode ser responsabilizada quando as coisas dão errado, como nesse caso de plágio? Nesse caso ninguém é pai da criança?

    No meio científico são comuns casos de sujeitos com currículos imensos conseguidos simplesmente porque dominam certos testes estatísticos, alguns porque são bons na tradução de jargões para o inglês e outros simplesmente porque possuem um equipamento caro, de ponta e compartilham com os colegas com a condição de se tornarem autores mesmo que não contribuam com a análise dos dados.

    Há um pouco mais desse assunto aqui:
    http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1480&sid=9

    E mais completo aqui:
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2007001200026&lng=pt&nrm=iso

  19. Cláudia Guimarães disse:

    Plágios em teses só são difíceis de reconhecer se não estiverem digitalizados. Exitem programas que reconhecem facilmente uma seqüência de 20 palavras.

  20. Só uma correção menor, os trabalhos *não* são sobre vírus. O de Sant’Ana et al. é sobre tripanossomos, o de Rosa et al. (que teve as fotos copiadas) é de leishmania – ambos *protozoários*.

    []s,

    Roberto Takata

    • Aliás, o trabalho de Sant’Ana et al. analisa também o efeito de uma toxina da jaraca sobre o vírus da dengue. Mas as fotos copiadas são dos protozoários.

      []s,

      Roberto Takata

  21. Monier disse:

    Tenho a leve impressão de que essa notícia é requentada. Já não circulou esta história sobre a reitora antes?

    Teve o caso da Física que o jornal está dizendo que houve censura.

    E teve outro caso no Direito, um ou dois anos atrás, em que a constatação inicial é que não havia plágio, mas uma citação bastante longa.

    Estou falando sobre a possibilidade de história requentada porque está ocorrendo a eleição para a reitoria, e nos últimos dois casos de plágio o desfecho não teve grande destaque posteriormente, se é que teve desfecho.

    Não tive grande orgulho da atual reitora, e não teria votado nela se as eleições fossem diretas. Mas pelo bem da imagem da universidade pública, contruída em 180 anos de árduo trabalho coletivo, quero que a disputa seja realizada nas bases mais cristalinas possíveis. De preferência pelo mérito acadêmico do primeiro colocado, nunca pelo suposto demérito do perdedor.

  22. Mario Abramo disse:

    Caros,
    Trechinho da entrevista com o Mário Schemberg(Publicada em julho/agosto de 1984) que se não me engano o Cherubine postou há algum tempo:
    “O sistema atual não visa estimular a criatividade do aluno, mas sim a sua produção. Aliás, tive uma experiência interessante quando estive nos Estados Unidos em 1940, trabalhando com o professor George Gamow. Era um russo de formação européia, tinha horror à Universidade norte-americana, e me preveniu; não vá muito à universidade daqui, não é recomendável, pois a pessoa é promovida pelo peso de suas publicações, e não pelo seu peso científico. Achava que isso se devia ao fato de serem, em geral, universidades particulares, e que os boards of trustees, formados por homens de negócio, cultivavam a idéia de produção sem pensar na qualidade. O critério para promoção, para a renovação de contrato, era o número de trabalhos. Esse critério qualitativo foi introduzido no Brasil pela reforma universitária que, como se sabe, é conseqüência do acordo MEC-USAID. Um físico americano famoso fez uma defesa da universidade nos EUA dizendo que o país tinha necessidade de formar 50.000 engenheiros por ano, não necessariamente os melhores do mundo, para manter o desenvolvimento industrial. Quando queriam alguém de grande capacidade, contratavam na Inglaterra, onde a organização universitária permitia formar, por ano, os duzentos melhores engenheiros do mundo. Essa era a filosofia dominante: aplicavam no ensino os métodos industriais. Esse sistema foi transplantado para cá, fazendo tábua rasa de toda uma tradição universitária brasileira que já existia e que talvez fosse mais adaptada ao Brasil do que aquela que foi instituída. Estou convencido de que a Universidade de hoje é uma instituição em vias de desaparecer. Ou então será uma coisa inteiramente diferente. Terá que ser reformulada, repensada, certos objetivos deverão ser redefinidos.”
    http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis/txt.php?id=71
    Psé, como a Anarquista, o Marcelo W e outros, essas distorções ocorrem por causa do “publish or perish”. Mas essa é uma tendência mundial. Não dá muito pra ser parrudo e encarar de frente.
    Mas bem que a CAPES podia começar a enxergar um pouquinho mais longe… e não com essa mentalidade contabilista.
    O grande problema do plágio científico é que a evolução acadêmica depende disso, implicando inclusive em acesso a cargos. A fraude não é cometida apenas contra o plagiado, lesado em seu direito autoral, mas também contra toda a sociedade, como ato de falsidade ideológica.
    []s
    Mario Abramo
    PS: Cara Cláudia, isso pode até funcionar no ambiente escolar. Contra uma base de trozilhões de documentos de literatura científica, e com as particularidades da língua portuguesa e de outras línguas latinas, que permite a livre negociação dos termos da oração, o buraco é bem mais embaixo.

  23. Machado Pires disse:

    Existe uma crise na Universidade Publica brasileira. Grupos que disputam visceralmente espaços de poder, levando a aburdos como este. Existe muito mais casos, mas os colegas se calam, por medo de perseguição e perda de espaço no seu próprio “grupo”. Corporativismo e silencio.
    Não é o unico. Existem diversos casos de fraude de curriculo Lattes, nunca investigados.

  24. com essa aura de superioridade, as estaduais paulistas vão caindo do cavalo, aos poucos. em outro caso, na usp também, mas na física, o acadêmico que acusava um colega de plágio também era plagiador… eu estudei na unicamp e não aceito até hoje haver um laboratório da Motorola na FEEC (Elétrica e Computação). deve ser por isso que eles não apresentam nada útil à sociedade; e quando se tentou montar uma fábrica de microcomponentes, o projeto foi sabotado até pelo governo militar.

  25. Clarice Spoladore Reis disse:

    GOMA XANTANA! Muitos e muitos textos destes tempos estão cheios de goma xantana, substância com pseudoplasticidade e viscosidade… São textos cheios de expressões intercambiáveis, formadas por substantivos imponentes e adjetivos modeláveis… Você as troca de lugar e o texto ainda fica de pé… E se você cortar parágrafos, incrivelmente isso não fará falta, não desestruturará a sequência… Como num efeito especial, não é que o texto se rearranja? Há um sentido repetitivo em quase todos eles, de uma obviedade acintosa e de uma aparente inovação… Há anos sou revisora de textos de pós-graduação e sei do que estou falando… Até já pensei em criar a plataforma de Currículo Látex para indicar textos assim, que sempre procuro recusar, até mesmo porque geralmente são copiados e, a cada cópia, acrescem-se erros gramaticais e incoerências metodológicas. Há orientadores de renomadas universidades que estão coando mosquito e engolindo camelo, ao observar os centímetros das margens e não perceber que significativos trechos daquele texto são espúrios… Rigor científico, inovação, relevância…

  26. Paulo disse:

    Nassif,
    Será que vamos ver um “retraction”? Duvido muito…..

  27. Ricardo Vigolo de Oliveira disse:

    Também acho que muita da responsabilidade são dos órgãos de fomento. Sou pesquisador, e pesquiso o cientista de bioquímica. Um sistema que avalia única e exclusivamente a quantidade de produção está pouco se lixando pra esse entorno, como ética e originalidade. Então, o que acaba ficando é “temos que produzir (qqr coisa), não importa o que custe”.

  28. João disse:

    Artigos:

    1) Antimicrobial Agents and Chemotherapy, June 2003, p. 1895-1901, Vol. 47, No. 6, DOI: 10.1128/AAC.47.6.1895-1901.2003
    “Antileishmanial Activity of a Linalool-Rich Essential Oil from Croton cajucara”
    Maria do Socorro S. Rosa,1 Ricardo R. Mendonça-Filho,1,2 Humberto R. Bizzo,3 Igor de Almeida Rodrigues,1 Rosangela Maria A. Soares,1 Thais Souto-Padrón,1 Celuta Sales Alviano,1 and Angela Hampshire C. S. Lopes1*
    LINK: http://aac.asm.org/cgi/content/full/47/6/1895

    2) Biochemical Pharmacology
    Volume 76, Issue 2, 15 July 2008, Pages 279-288
    “Antiviral and antiparasite properties of an l-amino acid oxidase from the Snake Bothrops jararaca: Cloning and identification of a complete cDNA sequence”
    Carolina D. Sant’Anaa, Danilo L. Menaldoa, Tássia R. Costaa, Harryson Godoya, Vanessa D.M. Mullera, Victor H. Aquinoa, Sérgio Albuquerquea, Suely V. Sampaioa, Marta C. Monteirob, Rodrigo G. Stábelic and Andreimar M. Soares
    LINK: http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6T4P-4SFS0JS-3&_user=687336&_rdoc=1&_fmt=&_orig=search&_sort=d&_docanchor=&view=c&_acct=C000037858&_version=1&_urlVersion=0&_userid=687336&md5=5ecfa54acbf118af2e796c5e163911a1

  29. [...] Acusação de plágio na USP – Luis Nassif Online; [...]

Voltar ao topo