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01/11/2009 - 08:48

Controle de capital ganha força

Por Roberto São Paulo/SP

”Brasil pode ter de subir o IOF para 4% ou 5%”

Economista diz que a crise enterrou princípios do neoliberalismo e que o FMI deveria ajudar os países a taxar o capital estrangeiro

Hoje se reconhece que há espaço para políticas keynesianas em tempos keynesianos, quando a economia está sofrendo de demanda agregada inadequada. E é necessário estatizar algumas coisas – privatização era uma das palavras de ordem do Consenso.

Em alguns momentos, é preciso engatar uma marcha à ré nas privatizações. A ideia de que o melhor Estado é o mínimo foi enterrada para sempre.

Patrícia Campos Mello, CORRESPONDENTE, WASHINGTON, O Estado de S.Paulo,

Domingo, 01 de Novembro de 2009
Entrevista
John Williamson: economista, criador da expressão “Consenso de Washington”
John Williamson, o economista que cunhou a expressão “Consenso de Washington”, diz que o Brasil deve elevar o imposto sobre capital estrangeiro para 4% ou 5% e afirma que a crise financeira enterrou de vez muitos dos princípios do chamado neoliberalismo – principalmente a ideia de que controle de capital é uma heresia. Williamson diz que o Fundo Monetário Internacional (FMI) erra ao condenar a taxa brasileira………….

…………. O sr. acha que foi inadequada a reação do FMI ao imposto sobre capital estrangeiro adotado pelo Brasil? Restrições de capital ainda são inaceitáveis?

Ainda é importante ser “amigável ao mercado”, mas os países não devem mais ser dominados ou aceitar de forma passiva o julgamento do mercado, e isso ficou muito claro com a crise. O modelo que era visto como sacrossanto antes da crise asiática, que pregava a mobilidade de capitais, começou a mudar depois da crise da Ásia e completou sua transformação nessa crise.

………..O Fundo diz que, com o IOF, o governo brasileiro pode se sentir tentado a adiar algumas reformas necessárias.

Isso é bobagem, pode-se fazer reformas ao mesmo tempo em que se adotam controles de capital…………..

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091101/not_imp459491,0.php

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

17 comentários para “Controle de capital ganha força”

  1. foo disse:

    O aumento do IOF parece ter sido uma medida acertada.

    Outra medida poderia ser a emissão de títulos de longo prazo, para refletir o fato de que há riqueza entrando no país.

  2. Hilano Carvalho disse:

    “A ideia de que o melhor Estado é o mínimo foi enterrada para sempre.”

    Será mesmo que foi enterrada para sempre?

    Daqui alguns anos, com a continuação do sistema social vigente, o capitalista, o neo-neo-liberalismo vai despontar. Tenho esperanças de com a ascensão acelerada da China com a sua mistura de socialismo com capitalismo, superando os EUA em termos econômicos, a ideia de Estado mínimo seja realmente enterrada. Por ora, não creio.

    • Figue disse:

      Basta que qualquer Estado fique em situação boa, que empresas estatais estejam enxutas e gerando bons lucros para a balela de Estado mínimo voltar a tona. Qual a vantagem de se falar em Estado mínimo em meio a uma grande crise gerada pelos defensores do Estado mínimo?

    • Caetano disse:

      Tenho medo de que esse aversão ao Estado mínimo obscureça a visão de que a função do governo é atender ao povo, e não a seus funcionários e apaniguados. Enquanto o Estado incha, nós, pobres trabalhadores da iniciativa privada, somos esfolados com impostos brutais, mantendo os salários gritantemente desproporcionais da nomenklatura.

  3. José disse:

    Nassif, bom dia!

    Tenho uma dúvida: qual é a origem dos dólares que o Brasil diz ser reserva (duzentos e tantos bilhões), é devido as exportações ou dinheiro de investidores.
    A origem das reservas na China, por exemplo, é devido a grande quantidade de exportações (venda de inúmeros produtos para o mundo inteiro), portanto, é saudável!
    Você acha que é necessário manter todo esse dinheiro parado?
    Poderia esclarecer melhor esta posição brasileira em relação as rservas de dinheiro?

    Um abraço!

  4. daSilvaEdison disse:

    Nassif,

    E com todo o apoio de alguns tipos exóticos e raros do poleiro, tucanos que não abdicaram de pensar.

    Um deles é o Nakano.

    Dele hoje na FSP:
    “É essa guerra cambial e essa transferência de riqueza que o governo decidiu enfrentar tributando com 2% de IOF a entrada excessiva de capitais.
    Mas a guerra cambial está apenas começando e, com o vigor do nosso mercado doméstico, poucos perceberam -a não ser a indústria de manufaturados que exporta ou compete com as importações- que estão roubando empregos dos brasileiros.”
    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0111200909.htm

    .
    mas aves rarasrE

  5. Emerson disse:

    Para o presidente Lula se tornar um verdadeiro Estadista, é imprescindível que ele faça rapidamente uma troca no comando do Banco Central, colocando no lugar do Meirelles o Luciano Coutinho do BNDES e fazer uma queda drástica nos juros da Selic, para 6% a.a.; o real sofreria uma desvalorização, tirando o setor exportador do sufoco e a inflação ficaria comportada devido a deflação mundial.

  6. Roberto São Paulo/SP disse:

    Creio que a rápida retomada do crescimento do PIB no Brasil, deve continuar atraindo o capital estrangeiro.
    É preciso aproveitar está situação melhorando as condições de competitividade das empresas instaladas no Brasil.

    Para combater a crise de liquidez no Brasil o Governo do Presidente Lula realizou um aporte de mais de R$ 100 bilhões no BNDES.
    Algumas linhas de crédito do BNDES estão cobrando 4,5% ao ano, mas a maioria das linha de crédito do BNDES cobra a TJLP que está em 6% ao ano, quando o custo de captação do Tesouro Nacional é no mínimo os juros da Selic, que estão em 8,75%, uma diferença de R$ 3 bilhões de reais por ano.

    A arrecadação prevista para 2% de IOF da aplicação de estrangeiro em renda fixa ou em´Bolsa de Valores é de mais de R$ 6 blhões de reais ao ano.

  7. Roberto São Paulo/SP disse:

    Com IOF, Brasil saiu na frente contra dólar fraco
    Iniciativa chamou atenção pelo pioneirismo no pós-crise
    Fernando Dantas, RIO, O Estado de S.Paulo, Domingo, 01 de Novembro de 2009
    …………..Apesar da moderação da medida, a iniciativa brasileira chamou a atenção do establishment financeiro internacional pelo seu pioneirismo nesse início da fase pós-crise. O novo IOF foi elogiado em editorial do Financial Times e por economistas de renome (como John Williamson, criador do Consenso de Washington), apesar das críticas recebidas no Brasil, principalmente em relação à possibilidade de o imposto desviar a liquidez da Bovespa para bolsas estrangeiras onde se negociam ações brasileiras.

    Em recente artigo, o economista Nouriel Roubini, que antecipou a crise global, escreveu que vários países cogitam seguir o Brasil e introduzir algum mecanismo de controle.

    Mas ele frisou que, até agora, a principal reação tem sido a combinação de “intervenção verbal” (quando as autoridades econômicas dizem que consideram o câmbio sobrevalorizado, o que às vezes pode influenciar o mercado na direção do que seria o equilíbrio) e compras de dólar no mercado…………………….

    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091101/not_imp459495,0.php

  8. João A. disse:

    Defendo o bom senso. O Estado precisa ter controle sobre necessidades fundamentais e estratégicas!

    O resto pode deixar pra iniciativa privada.

    • daSilvaEdison disse:

      João,

      O Câmbio é uma necessidade estratégica ou não?
      A China, a Índia, e todos os asiáticos de peso estariam errados?

  9. Sarg. Hans disse:

    3% na entrada.
    10% na saída com menos de 120 dias da entrada.

  10. Ivan Moraes disse:

    Controle de capital?

    Mas o Brasil nao eh propriedade do bc?

    Ma, por sinal, se “c” eh “cavalinho”… o que significa o “b”?

  11. CAIXA PRETA disse:

    Certo Roberto,

    Mas ….. depende do país onde se irá colocar em prática.

    No Brasil, por exemplo, costuma-se, ainda, e muito, usar as estatais e “coligadas” (federais ou estaduais) para empregar parentes, afilhados políticos, políticos que perderam eleição ou antigos companheiros de sindicatos (exatamente como faziam os militares com os “antigos companheiros de farda e/ou de caserna”).

    Assim, “há de se ter muita calma nesta hora”!

  12. Roberto São Paulo/SP disse:

    Creio que são muitos os cargos de confiança a serem preenchidos no governo Federal, e o PT não tem quadros para ocupar todos os cargos.
    Além disso boa parte dos quadros no PT ocupam cargos na estrutura sindical.

    Sempre que se muda os partidos que controlar o governo federal, ocorre uma mudança geral nos cargos de confiança, os demais cargos são preenchidos por meio de concurso.

    Ao impedir o desenvolvimento de uma espiral recessiva o Governo do Presidente Lula beneficiou maioria das empresas e de seus empregados, frustrando os fundos de investimento que aproveitam os momentos de recessão para adquirir empresas com problemas de liquidez.

    Agora é preciso aproveitar o atual momento pra consolidar a queda dos juros da Selic e buscar uma longa estabilidade cambial.

    O IOF para aplicação de estrangeiro não residente em renda fixa ou em bolsa de valores e uma agressiva compra de dólares no mercado à vista pelo BACEN irão garantir uma correção cambial e condições para uma longa estabilidade cambial.

  13. Vander Fagundes disse:

    Consenso de Washington… Esse termo me faz lembrar de um livro que li no ano passado, penso comigo mesmo. Vou até minha estante e abro o livro “60 lições dos 90 – Uma década de neoliberalismo”, do professor José Luís Fiori. Compartilho com os amigos alguns pequenos trechos do capítulo 21 (Washington consensus) e 22 (O pós-consenso de Washington):

    “Um consenso construído durante a década de 1980 e que condensava e traduzia as idéias neo-liberais, já hegemônicas nos países centrais, na forma de um ‘pacote terapêutico’ para a crise econômica da periferia capitalista. O grande Consenso e suas recomendações podiam ser divididos – no início da década de 1990 – em três capítulos fundamentais. O primeiro referia-se às políticas macroeconômicas, e recomendava rigorosa austeridade fiscal e disciplina monetária, donde se seguia, em forma direta, a exigência de um programa de corte de gastos e de implementação de reformas administrativas, previdenciárias e fiscais, consideradas indispensáveis para o sucesso dos programas de estabilização monetária que vieram a ser implementados em quase todos os países latino-americanos e do Leste Europeu. A segunda ordem de reformas e propostas do Consenso era de natureza micoreconômica. Impunha-se desonerar o capital para que ele pudesse aumentar sua cometitividade num mercado internacional, aberto e desregulado (…) A terceira ordem de proposições referia-se ao desmonte radical do modelo de industrialização seguido pela maioria destes países periféricos depois da segunda guerra mundial (…) Esse projeto, entretanto, durou pouco porque supunha, em última instância, que as reformas liberais somadas a uma política macroeconômica ortodoxa seriam condições suficientes para manter a entrada abundante e constante do investimento direto estrangeiro, que deveria ser o verdadeiro carro-chefe do “novo modelo” de crescimento. A crise argentina de 1990 foi o primeiro anúncio da fragilidade do modelo. Logo depois vieram a crise mexicana de 1994 e a crise brasileira de 1998, que obrigou os EUA mobilizarem um empréstimo internacional de 48 bilhões de dólares para salvar o Brasil da insolvência, no momento em que ruía o seu Plano Real. Mas foi sobretudo o retumbante fracasso do mesmo modelo, responsável pela destruição econômica e social da Rússia, que acabou desacreditando o Consenso de Washington e obrigando seu establishment a repensar sua estratégia. Coemçava a nascer o que veio a ser chamado de ‘Pós-Consenso de Washington’ (…) O próprio John Williamson, que cunhou o conceito, publicoiu, em 1996, um artigo intitulado ‘The Washington Consensus Revisited’. Mas foi Joseph Stiglitz quem sistematizou a crítica e deu autoridade ao sentimento de insatisfação – como economista-chefe do Banco Mundial e ex-chefe da assessoria econômica da presidência dos Estados Unidos – no seu artigo ‘Post-Washington Consensus’, publicado em 1997. A nova posição, representada por Stiglitz, não está em desacordo com os objetivos gerais do Consenso. O que ela não aceita e critica é a convicção de que ‘os mecanismos de mercado’ possam resolver, automaticamente, os problemas do crescimento econômico e da distribuição equitativa da riqueza. Mas critica também a fiorma descontrolada e selvagem dos processos de privatização, que acabaram substituindo o Estado por novos monopólios privados; e a obsessão do ‘velho consenso’ com o problema da inflação, que Stiglitz considera umdos grandes responsáveis pelo baixo crescimento das economias submetidas à terapia de Washington. As palavras-chaves do ‘novo consenso’ deveriam ser, segundo Stiglitz: sustentabilidade, democracia e equidade. E a nova estratégia deveria começar por uma redefinição completa do papel do Estado e dos governos como agentes reguladores e co-responsáveis pelo provimento de infra-estrutura e pela implementação de políticas ativas de desenvolvimento tecnológico e industrial”.

  14. JPOX disse:

    DISSECANDO O FETICHE DO INTERESSE PÚBLICO

    O estado é uma ferramenta de coordenação destinada à gestão de interesses privados concretos, mas que são gerais (como ter uma praça ou rua bem cuidada e segura). Só isso.

    O tal interesse público, como coisa autônoma, não vinculada a interesses pessoais coincidentes, só existe enquanto construção ficcional.

    E a chamada coisa pública é, em essência, co-propriedade privada, destacada de patrimônios particulares para custear o atendimento de interesses privados coincidentes para o qual se entendeu ser mais eficaz se realizado de forma coletiva e por terceiros (imagine cada um levando o lixo de sua residência até o aterro sanitário para atender ao seu interesse privado de manter sua casa limpa). Os terceiros, no caso, são os servidores estatais.

    O estado é instrumento procedimental que a sociedade concebeu e que cotidianamente burila para atender aos seus interesses.

    A Sociedade é o sujeito, o fim; estado é o meio, a ação.

    Como visto, o estado cuida de interesse de outrem, difuso e não prioritário para seu titular (alimentação, vestuário e moradia, normalmente não se terceiriza para o estado) e como o dono dos bois (o cidadão) não se interessa tanto, o estado raramente cumpre bem sua obrigação.

    O estado sempre será pouco eficiente, mas naquilo que é geral, comum e difuso, o estado tende a ser mais eficaz, mesmo com pouca eficiência, simplesmente por ser inviável o atendimento do interesse respectivo por meio da ação individual (é o caso do controle do fluxo de capitais).

    A discussão é saber se é tecnicamente correto controlar fluxo de capitais e se interesses os privados atendidos são da maioria dos brasileiros (consumidores e micro-investidores, por exemplo) ou são de apenas alguns grupos de pessoas, nacionais ou não (exportadores e banqueiros).

    Aliás, concretamente, só existe interesse privado, de pessoa de carne e osso. ainda que, ao mesmo tempo, muitas pessoas tenham o mesmo interesse e que a forma adequada de atendê-lo seja coletiva.

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