A internet e o jogo político
Do Último Segundo
Coluna Econômica – 30/10/2009
Nos próximos anos, haverá alterações profundas no quadro partidário nacional, dos estados e municípios. Haverá um realinhamento dos partidos, redefinição de alianças, definição de novos princípios, novas bandeiras.
Recentemente, no meu Blog, houve uma discussão rica sobre o novo desenho da esquerda. Cada vez mais, a esquerda petista se aproxima do centro. Com isso, o PSDB é deslocado para posições que poderiam ser classificadas como de centro-direita ou direita.
Mas quais são as posições clássicas de esquerda ou direita?
Na verdade, as mudanças que vêm ocorrendo nas comunicações mudará completamente a forma de montagem das plataformas políticas dos partidos.
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No modelo de democracia tradicional, as plataformas políticas eram montadas através de sistemas de diretório mas, fundamentalmente, através da imprensa. Historicamente, a imprensa sempre foi porta-voz de grupos políticos. Esse modelo vai se alterando no século 20 até que ela passasse a tentar representar os chamados interesses difusos dos leitores.
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A democracia tradicional sempre foi feito com boa dose de hipocrisia. Partidos de organizam visando o poder. Aliam-se a grupos econômicos, a parcelas da tecnocracia, a grupos intelectuais. Mas, para conseguir o poder nas eleições, precisa desenvolver um discurso no qual se apresente como representante dos interesses majoritários do País.
Todo esse jogo era possível devido à centralização da comunicação. Em determinada região podiam ser organizados grupos de interesse. Só que ficavam isolados no seus guetos, sem condições de se organizar com grupos similares de outras regiões. Poucos desses grupos conseguiam levar suas demandas à direção dos partidos.
Com isso, o modelo tradicional de partidos era uma organização com uma imensa cabeça – uma executiva superdimensionada -, comandando um corpo mirrado, um partido com militantes pouco empenhados e fechando pactos de interesse, fisiológicos.
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Com a Internet, as redes sociais, os Blogs, a discussão pública ganha outra dimensão. Há um campo muito maior para a montagem de pactos, alianças, para se ter uma idéia multifacetada de grupos sociais, de demandas municipais, regionais, setoriais.
Então, os partidos do futuro, os futuros grandes partidos não poderão mais governar os militantes a partir de uma sede em Brasília, Rio ou São Paulo. As assembléias não serão restritas a reuniões presenciais, mas ocorrerão em ambientes da Internet.
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Além disso, a enorme facilidade de grupos interagirem, trocarem informações, se tornarem conhecidos, fará com que as alianças políticas sejam muito mais instáveis. Hoje em dia existem discussões polarizadas sobre os mais diversos temas, meio ambiente, célula tronco, controle de natalidade, desenvolvimento, inflação, câmbio, eutanásia.
Nenhum partido, isoladamente, poderá ter a pretensão de representar seus seguidores em todos os pontos. Por isso mesmo, o jogo político exigirá cada vez mais grandes negociadores, pactos em torno de cada ponto. Acabou a era dos condutores de povos.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia Tags: blog, campanha, eleição, internet, partidos, Política

creio q seja um erro pautar a dicotomia esq, direita, com base no PT. Qual é o raciocínio que permite q se diga, pq o PT migra para o centro, muitas vezes direita mesmo no agir, o PSDB vira DIreita agora:: O PT é gabarito:: Acho bem relativo.
Aliás, o PSDB é um partido que até hj não sabe o que é. Ou, melhor, sabe, é o partido em cima do muro. Os lulistas deveriam agradecer, diariamente, essa posição (ou falta dela) hehehehhehhe
Ha uma diferença entre ir para o centro e ter que ir para o centro. O Lula exemplificou isto com a metafora do judas , todos tem uma linha politica , uma ideologia ,agora dai a implementa-la a uma distancia grande. Com a internet e sua liberdade ,que umas vez transposta do virtual para a realidade havera minimas distorções no galgar do poder ,como o PT foi obrigado a fazer ( acho que isto é uma acomodação temporaria ,pois o mundo num movimento de balança ,esquerda sobe e direita desce esta determinando o lado). O reves que vem acontecendo na direita , implica em novos conceitos e paradigmas para que ela sobreviva , mas ai é que esta o maior problema ,dogmas religiosos,morais e economicos seculares não se muda facilmente.
Amigo Luiz…
Pessoas que pensam o que penso só posso chamar de meu amigo. Concordo em gênero, número e caso o seu comentário sobre “Elite Previlegiada”. Alguem tem que tomar a iniciativa de combater “esses” brasileiros. Alguem, de peso, tem que puxar a corrente dos combatentes. Alguém que tenha acesso a um blog e que este seja visitado.
Obrigado
Que o Grande Arquiteto do Universo nos Ampare
Clovis
Acho que a Maçonaria Brasileira deveria ser mais ativa politicamente e mais seletiva nos convites para a entrada na Irmandade !!!
rs…
Tem que nos amparar, porque ainda tem gente acreditando que este texto é do Nassif.
“Amigo”, este texto não é do Nassif e se fosse eu não estaria lendo o blog dele.
Abraços.
O texto a que me referi é o “Elite…”.
Clóvis, não ficou claro se você concorda “em gênero, número e caso (?)” com o texto “Elite Privilegiada” ou com o comentário que Nassif publicou sobre o mesmo (cópia abaixo):
10/03/2009 – 09:34
O spam Elite Privilegiada
Voltou com tudo o spam “Elite Privilegiada”, falsamente atribuído a mim.
Volto a publicar a resposta que escrevi para que os amigos, que receberem esse spam, ou o lerem em algum blog, possam divulgá-la:
Elite Privilegiada
Voltou a praga daquele spam “Elite Privilegiada”, falsamente atribuído a mim. Como tenho recebido muitos emails pedindo confirmação e como, provavelmente, muitos sites possam reproduzir o conteúdo e a falsa autoria, repito a resposta que dei na época (novembro de 2006, se não me engano) solicitando a quem encontrar esse lixo em algum site ou blog, que copie a minha resposta.
Elite Privilegiada
Por Luís Nassif
Foi em novembro, enfim,
Pouco após as eleições
Que circulou um spam
Eivado de imperfeições
No começo, meio e fim.
Com dose de preconceito,
De arrogância e mal feito
Escrito sem muito jeito
E atribuído a mim.
Como a asa da graúna
Falava mal do nordeste
Terra de João Pernambuco
De Patativa do Agreste
Do choro que vem dos Turunas
Do frevo pernambucano
Do batuque afro-baiano
De Bomfim, o sergipano,
Dos sons do sertão e das dunas.
De quem era o palavreado?
Pus-me então a imaginar
Talvez o ectoplasma
De um rentista secular
Um dandy afrescalhado
Que nasceu escravocrata
Que abusava da mulata
Que gastou toda a prata
E quedou estropiado.
Ou então senhor de engenho,
Sem fazenda e compostura
Guardando dos velhos tempos
A arrogância e a usura
E total falta de empenho
Para assuntos do trabalho,
Que sempre achou ato falho
Quem na vida dava o malho
Atrás da boa procura.
Lembrei do deslumbramento
Com que tratavam o Edemar
Sujeito esperto e tinhoso,
Um malandro secular.
De como era um tormento
Quando dava suas festanças
Ócio, deslumbre, gastança
Malandragem e lambança
De tempo crepuscular.
A elite mega-store
Saia atrás do convite
Disputando a boca livre
Arroz de festa de estirpe
Como um penetra-mór
Edemar fez muito mais
Palácio nas marginais
Rei da elite, ex do cais,
Soberano do “offshore”
A elite deu Edemar
E os esquemas da Daslu
O povo deu dona Ivone
Maxixe, choro e lundu
E o poder de sonhar
Com uma terra irmã
Sem essa febre malsã
Que corrói o amanhã
Desse elitismo sem par.
Mas a elite eficiente
Prescinde da arrogância
É o empresário e o empregado,
Que buscam a relevância
A melhora permanente
Programas de qualidade,
Eficiência, lealdade,
Trabalho e brasilidade
Olhando sempre em frente.
Por isso, aqui, nessa hora
Solicito ajuda vossa
Para que espalhe o poema
Esclarecendo a quem possa
Que esse spam é desforra
Escrito baixo, rasteiro,
De quem não é brasileiro,
E passa o ano inteiro,
Querendo sempre ir à forra.
Luís Nassif.
É, existem uma série de situações problemáticas, presas a modelos anteriores, que não foram superados, mas se acumularam, se sobrepuseram, passado, presente e futuro, no Brasil. Mas será necessário fazer uma filtragem desses laços políticos, para que o país possa continuar progredindo – desculpe a palavra é essa mesma (indo para a frente, buscando novos diálogos, novas palavras, novos significados e valores = “progressão textual”).
Quais são os modelos predominantes hoje, nas campanhas e nos governos? Esses modelos precisam passar por ajustes e atualização. Os gastos, concorrências e cargos públicos têm de ficar sob constante fiscalização e reafirmação, pois a tendência natural é que sempre se acomodem ao poder, especialmente no Brasil, em que as oportunidades de carreira ou de investimento para os cidadãos sempre foram um pouco restritas e limitadas, para dizer o mínimo.
Se esses laços primários que organizam os dois principais partidos políticos se atualizarem, já teremos um novo quadro. Esta é uma das mudanças principais.
Outra mudança fundamental é a questão das lideranças. Os estudiosos de estratégia prevêem que nas próximas décadas o papel das lideranças será ainda mais decisivo, no destino dos quadros globais, mas isto não quer dizer personalismo, é o contrário!
O papel de liderança é o papel de responsabilidade, determinação e de uma atuação bastante dinâmica e mediadora. Lula personifica boa parte disso, a maior parte, mas não tudo. Faltam partes essenciais sobre a formalidade institucional, a segurança pública, etc.
No Brasil o que aconteceu na faze de redemocratização foi a criação de uma nova geração de políca personalista, que aos poucos enfraqueceu e corroeu toda a estrutura partidária realmente política e participativa. Isto não é liderança, mas uma outra foram “civil” de casuísmo, que se alastrou, ramificou, estruturou e intensificou. Uma política de nomes fortes pode ser boa, desde que esses nomes façam uma opção pela liderança e pela responsabilidade, e não pelo personalismo e pelo fisiologismo.
A mentalidade brasileira, o pensamento brasileiro, precisa ver que isso é melhor, que produz MAIS, e não MENOS negócios, mais e não menos oportunidades, mais e não menos desenvolvimento, de forma mais ampla, mais rica e mais sustentável.
ops, apareceu uma faze com “z”, deve ser o verbo fazer, até que faze sentido.
No Brasil o engraçado é que um partido de esquerda (o PT em seu estatuto) na verdade pratica a social democracia(o que o aproxima do centro e da chamada 3ª via entre capitalismo e socialismo). Enquanto isso o PSDB(Partido da Social Democracia Brasileiro) na verdade é um partido (Neo)Liberal-Conservador. Pelo que eu vejo no Brasil o nome adotado por um partido na verdade não diz nada sobre as práticas que eles utilizam…
E viva o Brasil….
rsrs
Podia ser pior, Caruso.
Na Russia, os neofascistas de Vladimir Jirinovski estãoa brigados num Partido Liberal-Democrático
Quando vc vê a ex-Arena virar Partido Democrático-Social e mais tarde dividir-se em Partido Popular (!) e Democratas (!!!), já se sabe que as palavras, no jogo político-partidário, querem dizer nada…
Quer coisa pior do que um partido que deu suporte ao maior periodo ditatorial da nossa história se autodenominar DEMOCRATAS.
Cada vez mais o PT se desloca para o centro eo PSDB, para a direita. Isso é um fato. Mas acho que muitos- até mesmo uma parte da classe média escolarizada- não estão entendendo isso. Aí entra aquele segmento da imprensa que a gente já conhece, distorcendo os conceitos e os propósitos dos partidos.
Só para ficar no exemplo do Reinaldo Azevedo, ele marca os petistas(todos) como radicais de extrema esquerda, e costuma dizer que , ele próprio, está à “direita do PSDB” Um horror!
O Karma do Nassif.
“Concordo em gênero, número e caso o seu comentário sobre “Elite Previlegiada”.
Perfeito, perfeito… mas para toda ação vem uma reação, dentro do novo contexto de posicionamento politico na teoria novas forças podem emergir naturalmente, o que não é algo desejavel por quem ja tem poder politico estabelecido.
Como o poder estabelecido pode lidar com isso? um partido como o DEM tem bases populares? Tem discurso interessante o suficiente para atrair alguem?
Acho que não, o que sobra para partidos tradicionais é “engessar” a politica, burocratizando a escolha dos candidatos, ai vem a tal reforma politica, com a adoção de lista de candidatos, fidelidade partidaria, exigencias maiores para formação de partidos e aumento da importancia da legenda.
Nassif,
Apenas para sua informação, não somente agora em função do PED 2009, a militância do PT, que se conta aos milhares, vem debatendo de forma quase diuturna as teses mais relevantes que VS pode imaginar para os interesses do País como, de forma paralela, dedica-se também à discussão dos mais variados temas de interesse geral através dos seus vários setoriais.
Digo isso para pontuar que as instâncias do PT (direção e militância), vem conseguindo se diferenciar dos outros partidos por ser mais orgânico e articulado do que eles
A internet pode se transformar num local de debate. O grande perigo, a meu ver, é que se transforme apenas num espaço de catarse coletiva, numa confederação de igrejinhas, na qual cada usuário limita-se a frequentar os sites onde vê seu pensamento reafirmado. Não por acaso, os blogs que reúnem esse tipo de leitor adotam um tom exaltado, onde o insulto tende a substituir a argumentação racional, ou pelo menos a disfarçar suas hesitações, seus vazios, suas insuficiências. Nesses lugares, oposições políticas são sempre traduzidas no registro moralista. Encena-se uma luta do mal contra o bem, na qual o crente busca, não refletir sobre a realidade que o cerca, mas apenas ver-se refletido na imagem que o blogueiro constroi de si mesmo.
Caso essa tendência se generalize, a internet significará um recuo em relação à imprensa tradicional que, mal ou bem, forçava o leitor a conviver com pontos de vista divergentes e igualmente respeitáveis. Evitar essa consequência nefasta é missão de todos nós, que frequentamos blogs democráticos, como o seu, em que opiniões contrárias não são sumariamente excluídas, como acontece no blog da revista Veja. É preciso manter o contraditório aceso, e isso só é possível se cultivarmos o gosto pela divergência. Cada vez que vejo um comentador tratar desrespeitosamente um colega de discussão, fico preocupado, pois me parece que há coisas importantes demais em jogo neste espaço. Estamos, aos poucos, em cada um dos comentários que fazemos, desenhando o rosto da democracia contemporânea. Ela pode ter a feição do pluralismo e da tolerância. Mas pode também assumir os contornos do fanatismo. O interessante é que, ao contrário do que acontecia antes, quando o guardião da tolerância era o dono do jornal, agora os guardiões somos todos nós. Precisamos assumir esse papel em sua integralidade, ou a internet está condenada a ser apenas o avatar moderninho da censura.
perfeito! é o que chamo de espírito de torcida organizada. que não se restringe à internet. os temas são menos importantes do que a rivalidade, argumentos dão lugar a ofensas e repetições dos mesmos argumentos; na melhor das hipóteses, porque no mais das vezes é uma cantilena de fatos isolados e verdades prontas que desqualifiquem o interlocutor.
a batalha entre a ação humana, o discurso, e o espírito de manada tem sido ganha por este, num nós contra eles generalizado. que os fóruns como este, de um jornalista sério, adotem a política da tolerância e franco debate. porque, nos mais reacionários, é impossível divergir sem ser vilipendiado ou, pior, censurado.
Em um trecho ali você fala da “…imprensa tradicional que, mal ou bem, forçava o leitor a conviver com pontos de vista divergentes e igualmente respeitáveis”.
Só posso concluir que em nosso país não existe imprensa nesses moldes tradicionais que você define, pois pontos de vista divergentes são uma raridade na nossa grande mídia.
A Internet PERMITE mobilização política. Haverá um impacto certamente dessa ferramenta, crescendo a cada eleição.
Mas a tecnologia não muda de per si a alienação política que a maior parte da população ainda apresenta, às vezes deliberadamente como reação à crônica falta de seriedade da política nacional. É uma ignorância que só piorará as coisas, por empobrecer o debate, pois essas pessoas terão posições ideológicas, ainda que nem percebam, forjadas pelo perigoso senso comum, que por sua vez é fabricado pelos meios de comunicação de massa e repercutido boca-a-boca, sempre acriticamente.
Quero acreditar no Lula quando disse que o brasileiro hoje rejeita intermediário; mas sem escolaridade ou egresso de uma péssima escola que não fomenta o espírito crítio – ou seja, virtualmente todas – creio que esse brasileiro “papagaio”, rico ou pobre, seguirá existindo.
Não tomemos nossa ágora virtual fora de sua proporção: a esmagadora maioria usa internet pra bobagem apenas, o fantástico potencial democrático da rede ainda está por ser plenamente desenvolvido.
Partido político não é a única forma de organização popular e política, vide MST.
Eu penso que enquanto as famílias brasileiras preferirem sentar em frente à TV em vez de participar de alguma forma de debate e construção coletivas estaremos na mesma, com internet ou não.
Veja bem, o que estou dizendo é que cada um tem seu papel numa sociedade. O papel do político é buscar o poder, o do empresário é ganhar dinheiro, temos ainda os pensadores e formuladores de políticas, estratégias, normas, enfim, e temos muitas pessoas que só querem ser feliz – vide Adriano no Flamengo.
O político sempre buscará o poder, e caberá à sociedade organizada pressioná-lo sobre o que fazer com o poder que conquistou. Sem pressão fica aberto o campo para o fisiologismo, o clientelismo e a corrupção. É nessa organização para pressionar os poderes que reside a tarefa dos cidadãos apartidários – mas políticos por natureza.
No Brasil vivemos uma fase obscura no que se refere a organizações sociais. A OAB, por exemplo, não representa mais anseio nacional algum. ABI, ANJ, enfim, não temos organizações apartidárias que pressionem as partidárias. Falta-lhes representatividade, ou outras coisas.
As tentativas de participação popular hoje se resumem às conferências dos mais diversos temas, como a Cofecom, Saúde, Educação, Saúde Ambiental, enfim, e o modelo de conferência pressupõe organização dos diversos segmentos representativos da sociedade. Já participei de algumas conferências, e posso dizer que nas fases municipais e regionais, ao menos, é tudo pro-forma devido à falta de organização dos pariticipantes. A exiguidade de tempo de realização de uma conferência pressupõe grupos organizados que já levem suas demandas discutidas em fóruns anteriores. Nunca fui a uma conferência estadual ou nacional, que foi poderia contribuir com a narração da sua experiência.
Durante a campanha de Barak Obama à Casa Branca a internet foi cantada em verso e prosa, e não vejo o mesmo acontecendo agora. Ele continua ouvindo os leitores do seu blog? Alguém acompanha isso?
Nassif:
Já imaginou quando as instituições políticas resolverem colocar em prática o potencial que a Internet disponibiliza à todos, instituições partidárias tradicionais ou as que se dedicarão ao exercíciopolítico sem as características de partidos como conhecemos? O que eu acho incrível é que, após acampanha presidencial nos EUA, com a demonstração dada pelo Barack Obama, as instituições, aquí no Brasil, ainda não saíram em busca, nem mesmo, de uma estruturação apurada visando, não só 2010, mas a sua sobrevivência.
Falta percepção do filão à disposição? Ou não sabem o que fazer? Estão atrelados a permissões e prazos ditados pela legislação eleitoral? Acredito que seria uma enorme demonstração de inteligência e uma grande vantagem àqueles que já estivessem dando a devida atenção à oportunidade..
Fernando Curi (Curitiba)
Alguns comentários.
O PT está se tornando de um partido de esquerda revolucionário (aquele que prega a revolução) para um partido social-democrata.
Esse processo já vinha ocorrendo antes do governo Lula, mas se acentuou nos últimos 7 anos. É um processo que já aconteceu antes, com o Partido Trabalhista britâncio, que na origem era um partido de líderes sindicais da Inglaterra.
Mas é bom lembrar que social-democracia continua sendo esquerda. Essa coisa de que social-democracia não é esquerda foi invenção dos stalinistas. Seria bom lerem um pouco sobre a história da política alemã antes da ascençao de Hitler ao poder para entenderem o que estou afirmando.
Os historiadores é que terão de coçar a cabeça para explicar porque um partido que foi criado para ser social-democrata, o PSDB, tornou-se um partido de direita.
hehehhehehe verdade!!! pau no PSDB!! hehehehe primeiro, João, explique-me, p q eu melhor entenda: o que é ser de direita e o que permite q diga q o psdb é de direita….é pq é oposição ao Lula, ao PT::: e aí é mais ou menos o bem contra o mal, o bom contra o ruim, o destro contra o canhoto, a direita contra a esquerda::::
VEJA QUE COISA, NÃO!
O “Nosso Guia”, se diz de esquerda, que o PSDB é direita; não que isso definitivamente seja ofensa, mais cá pra mim, o Geisel assinaria em baixo na petro-sal, que se diz em favor do povo, de esquerda.
Luis Nassif,
Vou transcrever mas à frente um comentário que eu enviei para o artigo no Observatório da Imprensa de autoria de Michael Massing intitulado “TEMPOS MODERNOS – Notícias sobre a internet” de 31/08/2009. Atualmente o artigo vem com os dois seguintes parágrafos de apresentação:
“Reproduzido do New York Review of Books, volume 56, número 13, de 13/8/2009, título original “The news about the internet”; tradução de Jô Amado
O tema deste artigo foi comentado no Observatório por Luiz Weis (”Parasitas ou renovadores do jornalismo?), Sandro Vaia (”Os jornais e a cacofonia da internet”) e Ricardo Kotscho (”O maridão na net e o futuro dos jornais”)”
Originariamente a tradução do artigo do Michaek Massing saiu no Observatório da Imprensa No 552 – 25 de Agosto de 2009. Só que por alguma razão ele foi retirado só existindo os comentários (São apenas 4). No meu comentário o editor deixou o link para o original no New York Review of Books. Depois de certo tempo o artigo traduzido do Michael Massing voltou para a página do Observatório da Imprensa, mas sem os comentários e sem que se possa fazer comentários ao artigo.
Enfim, todo esse blábláblá é para dizer que todos esses textos valem bem uma leitura e justificar a transcrição a seguir do meu comentário que foi enviado em 27/08/2009 às 12:30:49 PM, com a nota do redator como resposta a ma indagação que eu fizera:
“Ao Observatório da Imprensa, Estou direcionando ao Observatório da Imprensa, por não saber quem postou este artigo do Michael Massing.
O OI está de parabéns por obter um texto tão rico de informações e tão esclarecedor sobre a mídia e os blogs. O artigo, em minha opinião, é excelente. Não li o original, mas avalio que o tradutor também fez o bom trabalho, pois o texto ficou claro e sem dubiedades. Discordo do conteúdo do parágrafo a seguir transcrito em que há opinião crítica aos blogs, não a do autor Michael Massing, ainda que ele a perfila, mas a de Bill Wasik: “Isso aponta para alguns dos aspectos mais preocupantes do jornalismo na web. Os excessos em polêmicas atribuídos à blogosfera permanecem reais. Em seu livro And Then There´s This, sobre a cultura na internet, Bill Wasik descreve como “a rede de blogs políticos, por meio do retorno entre blogueiros e leitores” produziu um mecanismo que fornece ao leitor “informação pré-filtrada” em apoio às suas opiniões. Segundo uma pesquisa citada por Wasik, 85% dos links de blogs eram com outros blogs da mesma tendência política e “praticamente nenhum blog mostrava respeito algum com um blog de tendência distinta”.” Não concordo com a crítica aos blogs sob o fundamento de que neles existe opinião filtrada. Sim, nos blogs há opinião filtrada. Onde, entretanto, a opinião não é filtrada?”
E a Nota da OI é a seguinte:
“Nota do OI: Este artigo foi postado pela Redação do OI, como todos os publicados neste site. O original dado na NYRB está aqui. (L.E.)”
No “aqui” lá na página dos comentários no Observatório da Imprensa há o link para o original.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 27/08/2009
“Só para ficar no exemplo do Reinaldo Azevedo, ele marca os petistas(todos) como radicais de extrema esquerda, e costuma dizer que , ele próprio, está à “direita do PSDB” Um horror!” por Daniela
R – Daniela, o Reinaldo Azevedo está à direita de Hitler e de Gengis Khan…
Vale relembrar um antigo post que usei aqui:
A esquerda mata seus opositores. A direita manda matar ou deixa morrer.
A esquerda reconhece as minorias, mesmo quando se aproveita delas. A direita ignora as minorias, mesmo quando se aproveita delas.
A esquerda acredita que a igualdade social será atingida num espaço finito de tempo. A direita acredita que a igualdade social será atingida num espaço infinito de tempo.
A esquerda domina o povo, em nome do povo e para o bem do povo. A direita domina o povo, em nome do povo e para o bem do povo.
Ambas não perdem uma chance mínima de serem totalitárias.
A esquerda acredita que a educação é base do desenvolvimento, desde que seja a que ela quer e como ela quer.
A direita acredita que a educação é base do desenvolvimento, desde que seja para quem ela quer.
A esquerda defende o voto universal, desde que ela seja eleita.
A direita tem restrições ao voto universal, quando ela não é eleita.
A esquerda faz tudo para se manter no poder.
A direita faz tudo para se manter no poder.
Simples assim!
E se inverterem tudo, continua tudo verdadeiro…
E acrescento:
A imprensa irá se por ao lado do que mais lhe fizer bem.
A internet pode ser um catalizador que unirá os descontentes com os dois lados (seria o centro?).
Isto se os extremos não acharem uma forma de anula-lo pois seus objetivos são os mesmos..
Governos de sociedades saudáveis são de centro.
A ascensão de extremistas é sintoma de profunda doença social.
Mas os extremos são úteis como esqueletos de equívocos (*às vezes belos) que ladeiam a estrada da felicidade humana, advertindo por onde não se deve ir.
Uma lista exemplificativa de esqueletos:
Catolicismo Medieval
Anarco-Sindicalismo*
Nazi-fascismo
Comunismo
Sionismo
Opus Dei
Al Qaeda
Taleban
OBAN
MST
UDR
TFP
…
assino embaixo, JPOX! aliás, eu, a lógica e a história!
Acho que o PT está indo em direção ao PMDB. Ou seja, passando a ser uma partido de coalizão geral. Aliás, não haverá outra saída a não ser se juntar ao clube dos velhacos, caso não vença a próxima eleição presidencial. Sem a presença de Lula e sua extrema “demagogia de efeitos”, sem maioria no Legislativo e com a cara de pau que soube incorporar, moldada pelo mensalão e alianças espúrias, a história do PT vai ficar engraçada. Fazer uma oposição irada e castiça, como nos “bons tempos” não vai convencer mais. O mais difícil para o PSDB será limpar as boquinhas que os milhares de companheiros ocupam na máquina administrativa. Não largarão o osso tão fácil. Escrevam aí: se o PT perder as eleições assistiremos à maior depredação de patrimônio público da história (nunca antes…). CUTs, paulinhos e demais “bandidos irmãos” vão botar pra quebrar, pra alegria e gáudio do Partido dos… Trabalhadores que, ao menos nesse ponto, voltará a ser o “arraso” de sempre. Como diz Zé Simão, o Brasil é o país da tragédia feita; digo, da piada feita.
Hoje,com a velocidade da informação,via internet,tenho a impressão que a profusão dos temas, a rapidez com que chegam as noticias, o imediatismo dos fatos,tem banalizado todo e qualquer assunto,pois num piscar de olhos(dependendo da banda larga),acessamos tantos: sites,blogs,comunidades,bibliotecas virtuais,vídeos,músicas,filmes,debates e toda sorte de opiniões, que ao findar o acessos diário,sinto vez por outra um certo vazio.
Não tenho duvida, quanto a democratização que a internet,proporcionou a todos,salvo aqueles que ainda não tem acesso por privações econômicas ou tecnológicas que é o caso de países pobres.
Vejo com muito entusiasmo a possibilidade que esta ferramenta proporciona:a crítica,o debate o confronto imediato das opiniões.
É prematuro afirmar que “acabou a era dos condutores de povos”, apesar de serem cada vez mais amplas as possibilidades de trabalho intelectual coletivo por meio da internet, ou melhor, da computação em rede.
Nem todos os grupos, setores e classes podem ainda se valer igualmente dessas possibilidades, cada qual em defesa dos seus interesses.
Primeiro, porque a produtividade e a eficácia do trabalho intelectual coletivo são diretamente proporcionais à formação e às habilidades dos trabalhadores intelectuais individuais mobilizados em torno de um dado centro de interesse.
Segundo, porque a universalização do acesso às ferramentas computacionais em rede jamais será uma realidade enquanto o controle dos meios físicos para isso estiver concentrado em apenas alguns grupos, setores ou classes.
Neste momento da história há, ainda, grupos, setores e classes que levam grande vantagem sobre os demais nesses dois quesitos, o que lhes dá, por consequência, vantagem importante na condução das lutas políticas.
A essa vantagem se agrega também, ainda que circunstancialmente, a vantagem clássica do controle das mídias tradicionais de difusão ideológica.
A universalização do acesso às modernas ferramentas para o trabalho intelectual coletivo e aos novos meios de difusão ideológica é uma questão de natureza semelhante à do controle dos meios de produção colocada por Marx. Ou seja, requer mudança profunda (uma revolução?) que, para ser efetiva, não poderá se limitar aos ambientes da realidade virtual.
Na realidade real da política, os condutores terão ainda, por bom tempo, predomínio sobre os conduzidos.
Norberto Bobbio tem um livro bem interessante publicado pela UNESP sobre as diferenças entre “direita e esquerda”. Muitos haviam pensado que essas diferenças tinham terminado junto com a história.
Pois bem, não foi esse o caso. Igualdade e liberdade continuam permeando e polarizando visões de mundo. Muitas sociedades, as mais desenvolvidas principalmente, apresentam modelos políticos de centro capazes de conciliar igualdade com liberdade. Igualdade em relação a certas questões, como, por exemplo, oportunidades. Repúblicas de centro? François Furet defendeu essa tese.
Há ainda uma longa trilha a ser percorrida no Brasil. A democratização dos meios de comunicação ajuda nesse sentido.
Mas até o ponto de centro se move conforme se deslocam as pontas. Na situação brasileira, nenhum partido andou mais para o centro do que o PT. Se vai acabar dividindo ou tomando o espaço do PSDB, que já estava por lá, vermos a partir de Lula. Já Hugo Chavez deu a volta. Foi confirmar a velha teoria de que os extremos se unem. Nenhum regime, tecnicamente, está mais à direita hoje na América Latina. Paradoxal. Daí que governos populares geralmente sejam tentados a evoluir pro populismo. Lula esquivou-se disto ao rejeitar a possibilidade de um terceiro mendato. Só não ficou claro se agiu por uma consciência democrática ou se achou que a reação poderia ser-lhe muitíssimo desfavorável. Talvez tenha preferido permanecer um Getúlio do que se transformar num Jânio.
“livro bem interessante publicado pela UNESP sobre as diferenças entre “direita e esquerda”. Muitos haviam pensado que essas diferenças tinham terminado junto com a história”:
Ate hoje nao existe direita continental identificada com liberdade nem com democracia exceto o Canada. Toda direita do continente eh facilmente identificada por qualquer um com a RETORICA da liberdade e da democracia.
Na verdade, não é um comentário a seu texto. É que andei sem tempo de ler seu blog nos últimos dias e não sei se você (ou algum comentarista) postou mensagem sobre a chamada pública do Ministério da Justiça sobre o marco regulatório da internet no Brasil. O link é: http://culturadigital.br/marcocivil/
Se já foi postado, por favor desconsidere esta mensagem. Um abraço.
Nassif !
“Acabou a era dos condutores de povos”
Seja bem vinda a frase ,sobretudo para quem há duas semanas queria entregar o “galardão de estadista ” a Lula.
Rodrigo disse:
“Norberto Bobbio tem um livro bem interessante publicado pela UNESP sobre as diferenças entre “direita e esquerda”. Muitos haviam pensado que essas diferenças tinham terminado junto com a história.”
Con tutto rispetto al Senatore e Professore :
Precisamos ter coragem de deixar essa topografia política construída sobre a Assembléia Nacional Francesa, vista, revista e hoje usada pela propaganda política morrer adequadamente.
Esse mundo em épura , fendido por um eixo , onde os atores tem que se amoldar a posição do mestre do cerimônia, ou do comissariado,em função de 2 ou 3 valores básicos não expressa mais a experiência contemporânea.
Mudou nossa arquitetura, não trabalhamos mais com modelos únicos de fundações. Construímos sobre areia.
A pulverização das opiniões é imensa.
Saudações
Cabe às novas ferramentas políticas ( internet) e aqueles que a manejam
Saudações
E tem se comportado como estadista mesmo. Aliás, nesse novo mundo, muito mais complexo, sem a eficácia das ferramentas tradicionais da democracia, haverá cada vez mais a necessidade de estadistas a entender a alma do povo e propos a síntese.
Nassif .
Lula é eficaz porque é arcaico. Maneja as ferramentas porque não se pergunta sobre a história delas. Ele não entende, maneja. Ele não conhece almas, ele se move nas contradições.
Ele personifica a crítica ao nosso político bacharel da qual, reconheço nosso país cansou.
Propor sinteses é uma marca relevante.
Mas não creio que vc. esteja pensando em bolsa familia , nem em cortar o pais com o velho Chico transposto.
Assim estou esperando a síntese desse governo.
Uma decorrência dessa pulverização de poder é reconhecer as demandas na sua nascente e lá elas ainda são pequenas, não são apropriadas a grandes narrativas.
Quando as localidades ganham força. O espaço para políticos do tipo Lula tb decresce.
Lula precisa dos vícios de nosso país para se manter.
Saudaçoes
E daí é de se indagar: como, fazendo tudo errado, acertou? A sorte não explica tudo isso não. Lula sabe se locomover entre os vícios e conseguiu transformar o país. A FHC, sem Sérgio Motta, faltava o básico: vontade de mudar, amor à camisa, isto é, ao país.
Nassif !
Eu não disse que Lula errou em tudo. Não faço eco a tropas de choque , ovos de serpente que brotam estúpidas, nesse jogo político partidário.
Digo que essa glorificação de Lula num blog como o seu é sintomática. Se isso é necessário aqui , imagine nas igrejas sindicais que pululam no país. Imagine nas periferias a luta de fé ,vida e morte, que isso alimenta.
Isso é o avesso de uma política que precisa encontrar caminhos novos dentro de um arcabouço jurídico-institucional arcaico e carcomido como o nosso.
Lula é tímido em reformar. Falta a seu partido a convicção. Convicção que (talvez corretamente) vc. diz FHC não ter, mas a convicção para a reforma, essa o comissariado do PT não tem. Enquanto isso tomam posse e aguardam os efeitos do uso capião do estado.
A reforma é ora de cortar na carne.
Saudaçoes
Aqui, tem a hora da celebração e a da cobrança. Estamos entrando na hora de cobrança porque ainda há muitíssimo por fazer.
Tudo o que um ditador gostaria de ouvir você disse agora, Nassif. Sem as ferramentas tradicionais da democracia, haverá cada vez mais populistas a governar a manada. A análise está corretíssima. Porém, torço para que nosso destino não vá por aí e que, em vez de “estadistas a entender a alma do povo” ele conduza a alma do povo na capacidade de entender e exercer eterna vigilância sobre os propósitos dos “estadistas”.
Gutt, essa sua relação com FHC ainda vai terminar em uma música tão bela quanto o “te amo, espanhola”.
Não sei onde você viu FHC em minha reposta. Fica feio utilizar-se de evasiva para se esquivar da razão central do meu texto – que foi denunciar o tremendo desprezo pelos princípios democráticos manifestado por você em seu comentário. Uma afronta extremamente grave.
Você parece o Ali Kamel, quando classificou os conceitos de trabalho em rede como marxismo anacrônico, sem saber que o principal teórico era Manuel Castells, ídolo do vosso ídolo FHC. Onde você viu mesmo deprezo pelos princípios democráticos? (Ah às vezes entra um comentário do comentário e não tenho como saber daqui do módulo administrativo. Se a resposta foi para outro comentário, favor desconsiderar).
Sempre há “muitíssimo a fazer”. O que está em jogo é se vamos construir uma grande democracia, valorizando suas ferramentas, ou se vamos substituí-las pela ação que os “estadistas” tomarem a partir de noção própria da “alma da povo”, como você preconiza.