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29/10/2009 - 17:00

O Museu de Horrores da arquitetura paulista

Por Andre Araujo

Que tal a abertura de um “MUSEU DOS HORRORES DA ARQUITETURA PAULISTA” ? Com fotos, maquetes e audio-visuais mostrando coisas pavorosas não só em construções populares mas em mansões nos Jardins que parecem bingos ou churrascarias. O mau gosto em São Paulo deveria ser matéria de tese de todas as Escolas de Arquitetura do mundo. Não há ideia da preservação da memória social da grande metropole, o mau gosto virou hobby.

Magnificos palacetes, expressões de épocas importantes da cidade, são arrasados em 48 horas para se criar mo lugar verdadeiro lixo arquitetonio, grande parte assinados pelos memos arquitetos do estilo “bingo-churrascaria” e que circulam pelas colunas sociais. Todo mundo sabe quem são e me dá uma vontade enorme de fazer a lista.

Enquanto Buenos Aires (em primeirissimo lugar) e Rio de Janeiro tem vocação para restaurar e recuperar areas e edificios, porisso que são cidades bonitas, criando soluções magnificas como Puerto Madero (em BA), o bairro da Urca, uma joia arquitetonica, o lindo prédio da Sul América (anos 20) recem recuperado no centro do Rio, São Paulo simplesmente abandona seu patrimonio e suas areas e vai migrando, primeiro foi o Centro Velho abandonado, aonde prédios históricos como o do Banco Comercial do Estado de S.Paulo e do Banco Francês e Italiano foram transformados em algo parecido com fliperamas bancários, uma adaptação de interiores de extraordinário mau gosto, sem um centimetro recuperado da majestosa decoração anterior, dai migrou-se para o Centro Novo (Barão de Itapetininga), logo depois abandonado, depois Av. Paulista, que já entrou em fase de deterioração, depois Vila Olimpia, com pardieiros comerciais de aluminio e vidro em ruelas estreitas aonde haviam antes botecos e borracharias (alguns continuam lá), tudo sem nenhum sentido de planejamento, de urbanismo, de elementar gosto arquitetonico, tudo muito feio, depressivo, horroroso, sem plantas, sem cores, sem jardins, uma aula de mau urbanismo para o mundo inteiro ver, agora o novo centro da moda é Marginal do Rio Pinheiros, entre a Juscelino e a Nações Unidas, aonde uma arquitetura que nada tem a ver com Brasil, inspirada nos ventos gelados de Chicago, ergue predios de 40 andares que precisam de luz articial mesmo que fora haja sol a pino lá fora, que não tem qualquer sentido ecologico, miram pelas paredes de vidro o imundo Rio Pinheiros, existe cena mais dantesca? Emabixo não tem nada que relacione o prédio à cidade, a unica arvore que pode aparecer no saguão é a de Natal, ainda ssim artificial.

Colocar tudo isso a débito de uma elite paulistana que não tem qualquer interesse na cidade, que a deixa degradar, que prefere morar em condominios fechados a 30 kms a recuperar sua cidade.

São Paulo foi o berço da FAU, foi a terra de Ramos de Azevedo e de Prestes Maia, mas perdeu a noção de vida urbana. A Av.Tiradentes entra a Marginal e o Vale do Anhangabau parece bombardeada, Berlim em 1945, tudo deteriorado, lixo, buracos nas calçadas, prédios abandonados há décadas (o da Cia.Nacional de Tecidos, enorme, um escombro enegrecido e apodrecido), edificios de 30 andares, como o Brasilar, um São Vito comercial, não há interesse nem do poder publico (aonde está a EMURB?) e nem dos particulares que fazem a sujeira, do Anhangabu até o tunel Nove de Julho, tudo pichado e quebrado, abandono de pós guerra, começa a melhorar após o tunel.

A magnifica casa do ex-Governador Abreu Sodré na Rua Luxemburgo, no coração do Jardim Europa, em estilo frances primoroso, foi comprada recentemente por algum sucateiro e demolida sem piedade, aonde está o Condephat?), o mau gosto é democratico, da classe A à classe C, não se ve uma floreira, um gesto de simpatia com o entorno, com a vizinhança, com o bairro.

É nesse contexto de campo de concentração urbano que se constroem agora esses paliteiros de 200 apartamentos, no mesmo figurino de péssimo gosto no projeto arquitetonico, na falta de vegetação para amenizar a dureza do concreto, na falta de minimos equipamentos que custariam frações do valor da obra e dariam algum ar de humanidade no entorno dessas futuros cortiços verticais.

Prefeitura, Camara, construtoras, habitantes, todos tem parte da culpa, moram em uma cidade aonde ninguem cuida, só pode virar um imenso cortiço, agora potencializafo pelo crédito imobiliário.

Depois esses mesmos caboclões ricos ou remediados vão a Paris e acham uma linda cidade,pelos seus predios de 400 anos muito bem conservados, pelo verde cuidadosamente mantido, pelas calçadas caprichadas e

pelo urbanismo organizado.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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187 comentários para “O Museu de Horrores da arquitetura paulista”

  1. Reproduzo aqui, por pertinente, o final do livro de Mariana Fix – “São Paulo, Cidade Global; fundamentos financeiros de uma miragem”.

    “Resumidamente, o esforço das cidades da semiperiferia do capitalismo em se tornarem globais tem diferenças significativas em relação ao esforço nacional de acumulação do desenvolvimento. A falência do desenvolvimentismo, o qual havia revolvido a sociedade de alto a baixo, abre um período específico,essencialmente moderno,cuja dinâmica é a desagregação. Uma das diferenças é a distância que nos separa do núcleo orgânico do capitalismo, que aumenta com a passagem da segunda para a terceira revolução industrial, segundo Francisco de Oliveira. Não há sinal da convergência sugerida pela apologética globalizante e reforçada pela versão normativa da tese da cidade global, embora com uma diferença. No discurso das cidades globais a convergência ocorreria não entre nações, mas entre cidades, que passam a competir pela atração de capital e de pessoas do ‘tipo certo’, por meio da produção de uma série de vantagens comparativas.

    No lugar da convergência, além do aumento da distância entre centro e periferia na divisão internacional do trabalho, aprofunda-se, internamente, o fosso entre dominantes e dominados. Essa nova diferença obriga aos dominados a um esforço descomunal para superá-la, o que induz a uma nova qualidade de desigualdade: a quase ausência completa de horizonte de superação.

    Assim, essa operação de substituição de mitos é bastante limitada. Se o mito do desenvolvimento não mais convence, no sentido de uma recuperação restauradora que permita aos povos pobres desfrutar algum dia das formas de vida dos atuais povos ricos, ainda assim mobilizou os povos da periferia e os levou a aceitar enormes sacrifícios, na explicação de Celso Furtado. O mito das cidades globais, por sua vez, já nasce enfraquecido, e por isso ganha ares de farça. Tem como miragem as novas centralidades produzidas em cidades como São Paulo, que reproduzem, em escala modesta, o skyline que mimetiza os centros de comando e projeta, em um país semi-periférico, a imagem de uma global city. Cria-se uma nova paisagem de poder e dinheiro que mobiliza Estado e capital privado nacional, parceiros nas várias modalidades de apropriação do fundo público, que caminham no sentido de transformar a cidade, ela própria, em uma espécie de título financeiro”.

    E aí está a São Paulo real e neoliberal: uma quantidade a cada ano menor de ricos que se aparta e se protege da pobreza do restante da população em condomínios de luxo fechados para a vida urbana, que macaqueia a arquitetura das cidades do centro do capitalismo, inclusive com direito à uma formosa ponte estaiada para vencer o pequeno vão de um riozinho sujo como o Pinheiros, construída onde antes existia uma favela. E os favelados? Como sempre acontece, foram expulsos para uma periferia longinqua e carente de recursos urbanos e humanos (transporte, educação, cultura, trabalho, lazer, etc.) mas plena de violência, vinda tanto do lado dos bandidos quanto do lado da polícia e dos grupos de extermínio.

  2. Waldyr Kopezky disse:

    “Essas intumescências trabalhosas (dos antigos prédios de São Paulo) servem apenas para evocar as purulações dérmicasda lepra.”
    Claude Lévi-Strauss, “Tristes Trópicos”

    Este foi seu comentário (todo mundo o conhece!) ainda na primeira metade do século passado sobre o “estilo rococó” (um barroco tardio e indefinido) que imperava nas fachadas de edifícios da capital paulista. Ainda se pode vê-los aqui e ali, no centro antigo. Só para marcar: em arquitetura sempre se diz que não há certo ou errado, só gosto ou desgosto – às vezes, mais desgosto, como bem apontou o André Araújo.

  3. Elvys disse:

    esse movimento de apartamentos neoclássicos se alastrou pela região do Tatuapé, aqui em Sampa. Quem se lembra como era o bairro há 25, 30 anos atrás? Basicamente ocupado por industrias. Agora na Penha, concordo com o milton e a silvana, a construção daquele prédio extrapolou o bom senso!!!Po, perderam a noção do ridiculo!!Após tantos anos, finalmente a Igreja está praticamente terminada e vem um “iluminado” que permite aquela atrocidade!!!Outra coisa que está aumentando aqui em Sampa, principalmente na Zona Leste: condomínios horizontais!! Qualquer terreno com 400 m2 é candidato à ser tornar um condominio deste tipo. O pior é o tamanho das casas – praticamente o mesmo tamanho de um apartamento padrão de 2 ou 3 dormitórios!!
    Por fim, uma dica de leitura para entender a dinâmica de uma cidade: Teorias sobre a cidade, de Marcella Della Done. Achei o livro um pouco pesado, mas deixa claros quais são as forças, os interesses que agem no meio urbano. Foi publicado pela Editora Martins Fontes, com duas edições – brasileira e portuguesa. Adianto que é dificil de encontrar.

    • C. Khosta y Alzamendi disse:

      “…a massa operária do Tatuapé, canta enquanto enfrenta o batente…” já cantava Taiguara, corroborando nosso amigo comentarista. Aliás, Nassif, não caberia um “trivialzinho” em homenagem ao saudos cantor e compositor num final de semana, digamos, particularmente próprio à lembrança daqueles que já se foram?

  4. Jotavê disse:

    Em frente a cada um daqueles caixotões lá do centro, deveriam pôr uma placa com o nome e a foto do arquiteto responsável pelo projeto.

  5. antonio rodrigues disse:

    Gostaria de propor ao blog e aos comentaristas um prolongamento desse tema e que traz ainda mais prejuizo ao pais: a degradação das localidades turisticas no Brasil.

    Evidentemente não cabe aqui muita perda de tempo para se expor a importancia economica do turismo no mundo atual. É um dos maiores negocios. Sustenta a economia de varios paises. Emprega milhões de pessoas. Tambem é claro que o potencial do Brasil nessa area é de altissima relevancia. E poderia ser muito mais aproveitado.

    Mas o que acontece? Destruimos tudo. Se fizermos uma lista das localidades que foram procurados locais de turismo num passado recente e hoje estão degradadas, certamente ficariamos bastante preocupados.

    O que se mantem mais ou menos protegidas são as cidades tombadas pelo IPHAN. E mesmo assim naquilo que corresponde aos predios historicos. Os entornos vão se tornando areas degradadas, favelizadas, construidas sem o menor criterio, como acontece em Ouro Preto, Tiradentes, Paraty.

    As cidades do circuito das aguas, num passado recente agradaveis endereços turisticos, acabaram se tornando enormes monstrengos.

    Se metade da camara de vereadores em SP esta envolvida com interesses imobiliarios, podemos imaginar o que não acontece com os representantes politicos em localidades turisticas.

    O Brasil deveria criar uma forte legislação para proteger seu patrimonio de interesse turistico. Estamos perdendo com essa destruição o equivalente a varios pre sais.

    Juntamente com outras pessoas da localidade onde vivo lutei durante muitos anos pela preservação de Penedo, colonia finlandesa, ao lado do Parque de Itatiaia. Com o tempo a localidade se tornou um dos maiores polos turisticos do pais com o surgimento de uma infinidade de hoteis e de outros empreendimentos ligados a atividade. Conseguimos fazer com que Penedo se tornasse legalmente uma area de proteção ambiental denominada Parque Turistico Ecologico de Penedo. Pois não é que os vereadores na sombra da madrugada desformularam toda a proteção legal que protegia a localidade para transforma-la num bairro da cidade de Itatiaia, promovendo assim a destruição de mais um importante patrimonio turistico da nação. Um pouco mais acima na montanha, encontra-se Maua, uma das mais charmosas localidades turisticas do pais. Manteve-se mais ou menos protegida devido a estrada em pessimas condições que a liga a Dutra. O governo pretende asfalta-la. Se não houver um forte movimento para a sua preservação, muito brevemente o interesse imobiliario ira sufocar o turisco. O Brasil tera mais um irreparavel prejuizo.

    • Andre Araujo disse:

      Meu caro Antonio Rodrigues : Assino em baixo de tudo o que vc disse. A preservação do patrimonio arquitetonico, cultural, historico e turistico deve partir do Estado, como na França.
      O Estado precisa ter a conciencia do valor dessa patrimonio.
      As cidades-veraneio, as estancios hidrominerais, as cidades serranas, por exemplo. O interesse nesses polos deve ser nacional e não local. O que acontece hoje é que a Prefeitura e a Camara dessas localidades não respondem ao publico flutuante que em interesse na preservação e sim aos eleitores locais, que querem benesses a curto prazo. Liquidam com o futuro das localidades para ter um pequeno ganho politico na hora.. O Guarujá foi destruido assim, São Sebastião quase foi, aprovarem lei para construção de prédios altissimos na orla, o projeto foi brecado pelo Ministerio Publico Estadual, Campos do Jordão foi implodida por um turismo excessivo que a cidade não comporta e que só deixa lixo, Ouro Preto está vindo abaixo, a preservação é um projeto de longo prazo, não temos mecanismos juridicos para impedir que Camaras e Prefeitos chacais vendam o futuro para ganhos politicos vagabundos no imediato. Por linhas tortas o Governo Militar nomeava os Prefeitos de Estancias e Cidades Veraneio diretamente pelo Governador, não havia eleição nessas cidades. É um mecanismo melhor que eleição na cidade, porque esses poderes interessam muito mais ao conjunto dos cidadãos do que aos moradores locais, que se vendem por meia duzia de empreguinhos em uma construção horrenda.
      É uma discussão interessante.

      • antonio rodrigues disse:

        Caro Andre Araujo:

        Como voce bem disse a discussão sobre uma legislação que proteja o patrimonio turistico do pais é bastante interessante.

        Infelizmente ja tentei varias vezes aqui no blog levantar a questão, mas não consegui sensibilizar o Nassif. Mesmo assim, obrigado pelo apoio a ideia.

        Ha poucos dias estive em Tiradentes e um amigo me contou que aquela maravilhosa montanha que emuldura a cidade foi quase entregue a uma mineradora. Essa barbaridade so não aconteceu porque ele conseguiu, na ultima hora, mobilizar um grupo de pessoas para impedi-la.

  6. antonio rodrigues disse:

    Nassif:

    Voce bem que poderia dar destaque ao meu comentario acima. O inicio de uma discussão sobre esse tema ajudaria proteger o emprego de muita gente.

  7. Evaristo disse:

    Como dizia o poeta: ” A melhor parte do Rio são os túneis. A única forma de descansar a vista”. De São Paulo deve ser o fundo do Tietê.

  8. Romanelli disse:

    poxa …ninguém falou de Brasília e sua periferia “central”

  9. Gerson Pompeu disse:

    Esse mau gosto não é privilégio paulista. Está espalhado pelo país. Costumo chamar a isso de arquitetura “como eu queria morar em Miami”.

    • Andre Araujo disse:

      Mas em Miami pelo menos os predios conversam com a cidade, fazem um conjunto entre a geografia e a população.

    • Neves disse:

      Eu chamo de “arquitetura de caixote”, é o que predomina na paisagem urbana brasileira.

  10. Gabriel disse:

    Um marco da “belezura-arquetetônica” aqui perto de casa é o edifício que abriga o instituto tohmie otake. Para não ser acusado de ter feito um projeto bastante careta e convencional (torre de vidro com iluminação e ventilação artificiais, pois é disso que se trata), o ilustre arquiteto resolveu “inovar” com cores “discretíssimas” e uma discreta carambola gigante.

    E o pior de tudo é que dá pra ver a monstruosidade de qualquer lugar da vila madalena.

    Abrs

  11. Gustavo Soares disse:

    Aqui o que importa é construir… se der pra ser bonito OK… se não der, melhor ainda gasta menos e dá pra cobrar o mesmo…
    Não ligaria se todos os prédios fossem feios mas com um minimo de planejamento para a cidade ser mais agradável. (Prédios feios, mas baixos, com jardins e áreas verdes grandes).
    Mas querer o que de um lugar onde as pessoas preferem ter carro novo na garagem a morar bem…

  12. Jura disse:

    A arte, como o veneno, ainda é o melhor antídoto:

    Ambrogio Lorenzetti (Siena, 1290 – Siena, 1348) é o autor dos afrescos (ca. 1338) sobre os efeitos do bom e do mau governo, que até hoje decoram as paredes do palácio ducal, o antigo palácio dos governantes de Siena, na Toscana. Os afrescos abordam a “gestão da coisa pública” – diferente da gestão da coisa privada – e da política. Eles mostram muito claramente que o bem da cidade (comune) é igual ao bem comum, o bem de todos.

    A feiúra de São Paulo tem tudo a ver com a privatizaç~´ao que domina a cidade. São Paulo foi e continua sendo privatista. A privatização é egocêntrica e o ego narcisista só vê a feiúra nos outros. O eu é sempre belo, mesmo quando não é.

    Dêem uma olhada. Se você é paulistano, vale a pena limpar a vista:

    http://it.wikipedia.org/wiki/Ambrogio_Lorenzetti
    http://www.ricardocosta.com/pub/lorenzetti.htm

    Eu apóio o museu dos horrores (ótima idéia) como afresco do mau governo. Mas o que poríamos no nosso afresco do bom governo?

  13. Maurício Gil - Floripa (SC) disse:

    Quem visita São Paulo, com olhos de ver, chora.
    Tem toda a razão o André: triste ver toda aquela parafernália dita contemporânea, moderna, clean.
    Tempos atrás podia-se apreciar toda a beleza dos edifícios antigos, suas arquitetura e integração ao bairro, à cidade.
    Era um raro prazer. Hoje, tudo destruído em nome de nada.

  14. Lafayette Veiga disse:

    São Paulo não é feia. Está desarrumada. Em setembro, fui com a minha namorada para visitar a cidade (moramos em Madrid) e ela se encantou com a diversidade da cidade. Sinais de tantos ciclos econômicos, correntes migratórias, passado e futuro comvivendo juntos. A paisagem da cidade de São Paulo nada mais é que a síntese de sua diversidade, de sua velocidade. Madrid, como outras capitais européias é linda, bem preservada e conservada, mas cá entre nós, essa paisagem é monótona, enche o saco. Morei em Sampa já, e, por não ter carro e andar a pé e em transporte, sempre discubria algo novo, interessante. Isso me fascina na cidade.
    São Paulo é linda, só precisa de uma boa arrumação, muita água e sabão…

  15. Georgia disse:

    O ambiente urbano paulistano nada mais é do que um exemplo “micro” do que são as relações “macro” que vigem em nosso país, senão no mundo: condomínios e enclaves de fantasia, riqueza, pseudo-educação, em meio à feiúra e à desigualdade de tudo.

  16. Fr@ncisco disse:

    E o do instituto que homenageia o Frias pai, lá na Doutor Arnaldo, merece ou não implosão?

  17. Marco Antonio disse:

    Belíssimo artigo, André. Tema riquíssimo, explorado com rara sensibilidade e denotando, além de senso de observação, preocupação e ativismo com relação a uma implosão cultural e histórica detonada diariamente. Nesse tipo de arquitetura contemporânea _ evidentemente sem pretender incorrer em generalizações irracionais_ a beleza das formas e o valor da busca da arte foram substituídas pelo ” inóspito descartável”.

    Parabéns pelo primoroso texto. Marco Antônio.

    • Marco Antonio disse:

      perdão, eu quis dizer ” inusitado descartável”.

    • Andre Araujo disse:

      Agradeço, Marco Antonio. No caso dos paliteiros, 90% deles são financiados pela Caixa Economica Federal. Porque a CEF não estipula como condição para o financiamento a apresentação de um projeto arquitetonico harmonioso? Custa uma pequena fração do projeto, melhora a qualidade visual e torna mais atraente para venda. Parece que ninguem liga para arquitetura, nem a construtora, nem a Prefeitura e nem a Caixa. Qualquer caixote feio serve. Na Rodovia dos Bandeirantes, na altura de Campinas, se veem grandes conjuntos pavorosos, parecem penitenciarias, construções da COHAB estadual, uma coisa aterradora, como algum engenheiro assinou aquilo? Feito com boa arquitetura o custo da construção não aumenta, não é preciso mais material, só mais inteligencia e cultura.
      No caso das construções de luxo o problema é a má arquitetura, presente no “estilo Batman”, uma salada kitsch que mistura greco-romano com gótico, neoclassico francês, modernoso Las Vegas, falsos mediterraneos,
      presente em certos monstregos de luxo, como um edificio-mausoleu na Rua Haddock Lobo quase em frente ao restaurante Figueira, cuja venda encalhou de tão feio que é, os dois predios morceguentos em frente ao Shopping Iguatemi, a zona residencial da Horacio Lafer, Vila Olimpia e adjacências plena de Golden Gates, Maisons du Cygne, Piazzas Navonas, a incultura homenageando a cafonice, parece a marca registrada da nova arquitetura paulistana, cujas figuras mais colunáveis são um certo arquiteto-decorador da moda e uma arquiteta-perua-deslumbrada sem estilo, ou melhor, com o estilio pasticcio-pizza-rocambole. Quano ao celebre arquiteto da carambola berrante, é uma unanimidade. Hors Concours em mau gosto, chama a atenção pelo choque de cores e nada mais. Enfim deve ter quem goste e pague, fazer o que.
      A má arquitetura paulistana incorporou-se à cara da cidade, poderá ser no futuro inclusive atração turistica.

  18. Wellington disse:

    Caro André, você se engana quanto a Prestes Maia… não creio que ele seja uma referência tão positiva do urbanismo paulistano. Sobre esse tema vela estudar as grandes polêmicas da primeira metade do século 20 entre Prestes Maia e Anhaia Melo, este sim um urbanista respeitável e esquecido.

  19. Ivan Moraes disse:

    Quem nunca foi nuveau riche quando come se lambuza de lixe!

  20. Paulo disse:

    Me desculpe Nassif mas sinceramente, citar o Rio como modelo de urbanismo ou arquitetura é ridículo… Há muito mais áreas degradadas por lá do que aqui em SP.
    A Zona sul com aqueles prédios “sessentistas” horrorosos é cantada em verso e prosa (nsc!). Da cidade do Rio só se salva mesmo o que Deus fez.
    Ah sim! A Barra da Tijuca, apesar de “fake”, talvez seja a única região da cidade realmente interessante…

  21. fred disse:

    Sendo que thomie otake, ela própria, colocou medonha flor na Lagoa Rodrigo de Freitas, uma escultura horribilíssima.

  22. fred disse:

    O Rio como arquitetura é um desastre. Rio é Campinas com mar. Aliás, Campinas é mais bonito. Os sucessivos governos cariocas são gigolôs de paisagem. Melhorar a cidade, ninguém melhora.

  23. Lísias Mouráo disse:

    Amigos,

    Mais uma vez, estamos vendo a incriiiivel ARVORE DE NATAL DO IBIRAPUERA.
    Inocentemente as pessoas passam por esse trozo (de 75m de altura) construído e colocado em meio ao transito caótico da Av. Pedro Alvares Cabral. Encantadas por seu brilho de toneladas de cabos, lâmpadas e holofotes. Crianças, pais de família com crianças de colo não percebem que são atraídas por um elemento altamente perigoso e colocado ali de forma errônea e inescrupulosa por parte de nossas incompetentes autoridades. Uma babel construída com o sistema tubular (que exige o aperto de milhares de parafusos) e que depois de ficar quadrada (paralelepípedo) ainda passa por uma transformação pra ficar redonda e cônica.
    O resultado estético é o pior de tudo. Confesso que o sindico do meu prédio tem um gosto artístico mais apurado (quem será o Artista plástico que assina essa obra?).
    Será que tudo isso não poderia de substituído por um sistema mais simples e seguro (com menos lâmpadas e com melhores feitos luminosos). Até quando vamos ficar aí babando pelas arvores de Nova York, Rio e a magnífica Arvore de Brasília?
    Lisias Mourão

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