O fracasso da Nova Luz
Os jornais não tomam jeito. Aqui, matéria do Estadão decretando o fracasso do projeto Nova Luz – um sistema de desapropriações que permitiria ao setor imobiliária a reconstrução do centro de São Paulo.
O fracasso é debitado na conta do prefeito Gilberto Kassab. E se tivesse sido um sucesso?
Clique aqui para Blog do vereador Floriano Pessaro (do PSDB) mostrando que a Nova Luz era comandada por Andréa Matarazzo e o pai era Serra.
Acertadíssima a decisão do secretário Andrea Matarazzo, da Coordenação das Subprefeituras, de acelerar a requalificação da área da Nova Luz, principalmente com a conclusão dos processos de concessão de incentivos fiscais a empresas selecionadas para se instalar na região. (…)O projeto Nova Luz foi lançado na gestão de José Serra e prossegue a pleno vapor na da gestão Kassab. Mas uma vez São Paulo está à frente de seu tempo e dá exemplo para o país!
Inicialmente o projeto previa a possibilidade de desapropriação de toda a área do centro. Depois, foi reformulado passando a proteger a região de Santa Cecília da desapropriação.
Era comandado por Andréa Matarazzo, homem de confiança de Serra, um dos arrecadadores de campanha. Meses atrás, Andreá foi demitido e todos os processos que passavam por ele submetidos a uma auditoria pela prefeitura.
No momento, há uma luta surda entre Kassab e tucanos. Depois, a denúncia das contribuições de uma ONG ligada ao Secovi. A denúncia atingiu apenas vereadores, mas há secretários municipais que foram beneficiados.
Agora, se joga no colo do Kassab o fracasso.
Essa história ainda não foi bem contada.
Do Estadão
Mercado imobiliário abandona Nova Luz
Bruno Tavares, Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli
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Principal vitrine da gestão Gilberto Kassab, o projeto para revitalizar a região da Nova Luz, mais conhecida como cracolândia, no centro de São Paulo, foi abandonado pelo mercado imobiliário. Para as maiores incorporadoras do País, o modelo de concessão urbanística da Nova Luz cria “guetos” de baixa renda dentro de um espaço no qual a mistura entre classe média, moradores de conjuntos habitacionais e comércio deveria ser a fórmula da revitalização. A queda de braço entre Prefeitura e construtoras não terá final fácil – enquanto o governo diz que o projeto sai em quatro anos, sem mudanças nas regras, as empresas dizem que não vão mais investir.
Ao lado de estações de trem, de terminais de ônibus e da Pinacoteca do Estado, a área degradada de 362 mil m² permanece há duas décadas ocupada por viciados e moradores de rua. A proposta de revitalização, de 2005, prevê R$ 2 bilhões de investimentos para um bairro bem servido de infraestrutura, mas com espaços vazios ou que podem ser recuperados.
O empecilho à reocupação dessas ruas, segundo as incorporadoras, está delimitado no Plano Diretor Estratégico de 2002 como Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis). Dentro da Nova Luz, um quarto da área é formado por Zeis-3, cuja ocupação deve obedecer à proporção de 40% para habitações de interesse social (para famílias com renda de até 5 salários mínimos) e de 40% de imóveis de mercado popular, para famílias com renda de até 16 salários. Só 20% da área fica de uso livre.
O mapa da área de concessão indica que o “miolo” do polígono – que inclui as Avenidas Rio Branco, Ipiranga e Duque de Caxias e as Ruas Mauá e Cásper Líbero – é todo formado por uma Zeis-3. No local, o governo tem como diretriz para o futuro concessionário a construção de até mil habitações populares – dois terrenos, totalizando 15 mil m², já foram desapropriados para essa finalidade nas Ruas Aurora e Vitória. Mas os empresários ligados ao sindicato da habitação (Secovi) consideram que esse número de habitações para famílias de baixa renda deveria ser pulverizado – e não concentrado em um único espaço, o que poderia minar o interesse da classe média em morar no centro.
“A Nova Luz foi pensada para irradiar um novo modelo de crescimento na cidade, com a mistura de usos numa mesma região. O modelo que está proposto não interessa ao mercado. O nosso projeto foi feito pelo Jaime Lerner, que não vai mais participar da concorrência”, afirma Cláudio Bernardes, vice-presidente do Secovi.
Ele ainda refuta as críticas de urbanistas, de que o mercado não quer construir moradias populares com pequena margem de lucro. “Queremos construir, mas de forma pulverizada. Não podemos criar um Cingapura dentro de um espaço que pretende ser modelo de requalificação no País.”
Autor: luisnassif - Categoria(s): Cidades, Gestão Tags: centro, Estadão, Mídia, Nova Luz, projeto, São Paulo, setor imobiliário

Favre comenta a carta de Andrea Matarazzo, e a resposta do Estadão ao ex-secretário das Subprefeituras de Kassab:
A Nova Luz provoca polemica de tucano com o jornal O Estado SP
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O editorial do Estadão “Projeto interminável” que desmascara a inoperância e politicagem demo-tucana no projeto do Centro, provocou uma reação epistolar de Andrea Matarazzo, Secretário das Subprefeituras e um dos responsáveis diretos do descaso da Prefeitura com a Nova Luz e a revitalização do Centro.
Reproduzo a seguir a carta enviada por Andrea Matarazzo ao jornal O Estado de São Paulo, assim como a sucinta e pertinente resposta dos editorialistas.
Este debate me parece primordial e gostaria acrescentar alguns esclarecimentos que a carta do “gestor” tucano procura esconder.
Em relação a importante questão da implantação de moradias na região da Nova Luz, Andrea Matarazzo escreve: “A questão de moradias no local também sempre esteve prevista, já que para a revitalização de qualquer área urbana é preciso haver movimento durante 24 horas por dia. Além disso, há Zona Especial de Interesse Social (Zeis) na área, o que obriga à construção de moradias.”
Efetivamente, as Zeis obrigam a construir moradias na região e foram estabelecidas no Plano Diretor de Marta Suplicy ainda em vigor. Os atuais “gestores”, portanto, não podiam legalmente não prever habitação popular no projeto. Eles então previram 170 apartamentos para dar satisfação à exigência legal e ponto.
No debate na Câmara de Vereadores, o líder do governo municipal acabou aceitando aumentar para 1.000 esse número, por pressão da bancada do PT. Na última discussão ele afirmou que aceitava modificar o projeto. “Pelo estabelecido, 40% do total terá de ser destinado a HIS (habitação de interesse social, destinada para famílias que tenham renda de até três salários mínimos) e 40% de HMP (habitação de moradia popular). O restante ficará a critério daquele que vencer a licitação.”(Folha Online ver Após protesto e audiência pública, vereador diz que Nova Luz terá novo projeto). Falta ainda por isto claramente no projeto que será votado.
Em relação a revitalização do Centro, Andrea Matarazzo nada diz sobre o dinheiro do BID, nem sobre a multa que a “gestão” Kassab paga por não ter utilizado os recursos emprestados e ter paralisado o projeto iniciado por Marta Suplicy. O jornal faz bem em relembrar este fato.
Com os recursos do BID, Marta reformou o Mercado Municipal, o Parque Dom Pedro, a Praça da Sé, mudou a sede da prefeitura e indemnizou os moradores do São Vito para eles desocuparem o prédio, eliminou a Favela do gato, com moradia no mesmo local para seus moradores etc. A “gestão” Kassab não deu continuidade ao projeto, às garagens públicas para o Mercado Municipal não foram construídas, a passarela de ligação com o antigo Palácio das Industrias que Marta previu como Museu, tampouco, o São Vito ficou parado e a região abandonada (Só agora, 4 anos depois, uma ONG acabou dando utilidade ao velho Palácio). Na Cracolândia, nada avançou realmente, e o editorial do Estadão está coberto de razão quando mostra isto.
Como o dinheiro do BID estava carimbado para o projeto de reabilitação apresentado e executado por Marta Suplicy e o projeto fora engavetado pela dupla Serra-Kassab, a Prefeitura acabou pagando multa ao BID pela não utilização dos recursos a sua disposição. Sobre estes fatos graves, Andrea Matarazzo não diz uma palavra.
A Cracolândia, lamentavelmente, continua a Cracolândia, como inúmeras reportagens dos jornais e da TV se cansaram de mostrar. Mesmo na carta de Matarazzo, estamos longe da apresentação manipuladora da Nova Luz como uma nova realidade, apresentação que ocupou generoso espaço na Veja e na campanha eleitoral demo-tucana. Em cinco anos, pouco ou nada foi feito e isto com enormes recursos financeiros disponíveis. O projeto está novamente em discussão e talvez a Câmara dos Vereadores consiga dar um rumo adequado ao assunto.
Andrea Matarazzo afirma que para ele a Nova Luz levaria 10 anos a ser realidade. Como já se passaram quase 5, ao ritmo que vai a coisa…
Para os crentes nas virtudes “gestoras” dos demo-tucanos a questão da realidade não tem maior importância, pois poderão sempre enxergar a Nova Luz graças a fé. Alguns afirmam até que a Nova Luz só é enxergada nos instantes que precedem a “longa viagem”. Para o resto dos mortais, será necessário aprender com a experiencia e trocar os responsáveis do fornecimento da eletricidade. LF
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A Nova Luz e a mesma velha Cracolândia 5 anos depois
PROJETO NOVA LUZ
Permitam-me discordar e esclarecer alguns pontos do editorial Projeto interminável (14/4, A3). 1) O projeto Nova Luz começou em março de 2005, já na gestão do então prefeito José Serra. Nada existia a respeito da área até essa data – nem a verba do BID estava prevista para ali ser utilizada. Portanto, não é projeto da administração anterior. Não havia nada previsto para a região – nenhuma obra, ação ou projeto. 2) Desde a criação da Lei de Incentivos Fiscais se definiu a vocação do bairro como polo de TI, cultural, de educação, serviços, etc. Este perfil diverso, detalhado no próprio texto da lei, até hoje, portanto, não sofreu alterações. A questão de moradias no local também sempre esteve prevista, já que para a revitalização de qualquer área urbana é preciso haver movimento durante 24 horas por dia. Além disso, há Zona Especial de Interesse Social (Zeis) na área, o que obriga à construção de moradias. 3) Desde março de 2005, além das ações de fiscalização e de policiamento, não há falta de ações concretas, já que foi realizado recapeamento das ruas, remodelação da rede de iluminação, implantação da rotina de limpeza pública. No plano urbanístico, passos vitais foram dados: o perímetro da Nova Luz foi decretado de utilidade pública em 2005; em 2005 foi sancionada a Lei de Incentivos Fiscais; 65 imóveis foram desapropriados; 57, demolidos; a Guarda Civil Metropolitana foi instalada no local; atualmente estão sendo investidos R$ 13,7 milhões para revitalização de calçadas, implantação de valas técnicas, iluminação e paisagismo em ruas do bairro e está em fase final a desapropriação de imóveis para a construção da Escola Técnica do Centro Paula Souza e de dois prédios do CDHU. 4) Em relação à Santa Ifigênia, nunca foi prevista desapropriação dos imóveis, já que a ideia do polo de tecnologia foi fruto da própria vocação local. Em 2005 estimei um prazo de dez anos a partir do início do projeto para que a Nova Luz esteja completamente recuperada. Passados quatro anos, já avançamos muito e certamente nos próximos anos a região terá uma realidade completamente diferente.
Andrea Matarazzo, secretário das Subprefeituras
São Paulo
N. da R. – A origem do Nova Luz é o Procentro, um projeto da administração anterior para a revitalização de vários pontos do centro, inclusive a Cracolândia. Em 2003, o governo Marta Suplicy obteve no BID empréstimo de US$ 100 milhões, mais US$ 60 milhões de contrapartida, para obras de revitalização do centro, inclusive da Cracolândia. Por último, devem ter-se preocupado à toa os comerciantes da Santa Ifigênia que, no início do mês, foram em passeata até a Câmara Municipal para exigir que no texto do novo projeto Nova Luz constasse a garantia de que aqueles quarteirões não seriam desapropriados.
http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/a-nova-luz-provoca-polemica-de-tucano-com-o-jornal-o-estado-sp/
Nassif,
Eu moro na Luz ou “nova luz” mais precisamente na Cásper Líbero e posso dizer que o problema do fracasso ou sucesso desse tipo de intervenção passa pelo envolvimento de quem vive no lugar. Hoje ninguém sabe direito o que é a Luz nem tampouco quem vive aqui. O que existe é um arrazoado de estereótipos, preconceito, desconhecimento e mito. Desde que começou a tal revitalização, falei com o Andrea Matarazzo algumas vezes e também com alguns outros secretários e tentei montar uma associação de moradores e comerciantes aqui da santa efigênia para aproveitar a iniciativa porque a impressão que eu tinha é que jorrava dinheiro para o projeto e era nosso dever, colaborar e fiscalizar o processo ao invés de apenas criticar e/ou partidarizar a coisa. Infelizmente não obtive sucesso no convencimento dos moradores de que não podemos esperar que o poder público resolva todos os problemas da região que vai da simples coleta de lixo à auto-estima. Então neste caso fica difícil endereçar o sucesso ou fracasso das tentativas de resgate da Luz, pela complexidade do fenômeno do abandono do centro. Quem melhor compreendeu isso até agora foi o arquiteto Paulo Mendes da Rocha na Carta Capital 457 “A cidade degenerada” (link: https://docs.google.com/Doc?docid=0AdrKr7qv20N1ZHJtM214NF85aGd6cGtqZjg&hl=en ) Enfim, fala-se muito da infra estrutura, das fibras óticas, disso e daquilo e nada é feito pela imensa população de marginalizados, cortiçados, andrajosos, drogados que vagam pela região. Como poderá o “mercado” se interessar por um lugar onde permanentemente se esbarra na degradação humana? E quando se tenta alguma coisa é através da polícia somente que evidentemente não lida com alvarás, ocupações irregulares, etc. Enquanto nada for feito para melhorar o perfil humano da região, os bem nascidos continuarão saindo em carros blindados da Sala São Paulo e com os olhos fechados porque não temos ainda câmaras de gás -como alguns gostariam. Se alguma crítica puder ser feita ao projeto é essa: Não dá pra intervir no centro sem conhecê-lo. Não funciona intervir no centro com somente com o olhar de quem vive no Jardim Europa. Por último é desalentador a auto-estima da Região e acho que deveria começar por aí o projeto. Exemplo? Praça Roosevelt: A partir do momento em que a cultura elevou o astral ali, a recuperação veio no rastro e a feiúra, tristeza e degradação geral definhou Com isso os espaçosos apartamentos recuperaram seu valor etc etc… e voltaram a atrair. Uma última coisa; Um exemplo de intervenção simples, arbitrária e preconceituosa que expõe o estilo de administrar do PSDB/DEM? A construção recente de uma muretinha HIGIENISTA travestida de “segurança” que ergueram no Café da Pinacoteca a qual eu eu combati exautivamente aqui: http://blogdoricardoreis.blogspot.com/2009/07/o-apartheid-nosso-de-cada-dia-nos-dai_02.html#links
Nassif, pessoal,
aproveitando que a pauta é revitalização do Centro de SP, já notaram os tapumes que colocaram no Anhangabau, ali onde ficam os banheiros públicos e um posto da Guarda Municipal? Pois é, trabalho em um prédio bem próximo e é fácil ver que aquele local está se degradando rapidamente. Este é apenas um pequeno exemplo de como a região central de SP é maltratada!! E sempre é bom lembrar que não adianta revitalizar o espaço sem recuperar todos aqueles que fizeram daquela região sua moradia – falo aqui dos moradores de rua. É o cumulo da hipocrisia como alguns discutem sobre recuperar o Centro de São Paulo, mas todas as pessoas que moram em suas ruas continuarão à margem da sociedade! Recordo uma entrevista de Paulo Mendes da Rocha, em certo momento ele fala sobre SP e sua região Central., e chamou atenção algo que disse: existem muitos moradores de rua que na verdade dormem sob marquises e tudo mais porque na verdade trabalham no Centro e bairros próximos mas a sua residência fica muito distante do trabalho. Como forma de economizar tempo e dinheiro, acabam por dormir nas ruas da região Central, voltando para suas casas nos finais de semana.