A oposição abandonou o barco da mídia
Um dos fenômenos mais ridículos dessa longa noite de insanidade política dos últimos anos, foi a terceirização da política pelo PSDB (clique aqui para ler post sobre o tema).
Aqui analisei esse fenômeno, que é facilmente explicável:
José Serra assumiu a herança de FHC. Juntos, vieram colunistas políticos e econômicos adeptos da internacionalização, do suposto papel civilizatória dos mercados, do racionalismo vesgo contra qualquer forma de gastos sociais, tendo como tacape um iPod que repetia mantras, slogans e refrões. Jamais conseguiram entender o pais como um todo, composto de mercados eficientes, sim, mas também de políticas públicas, políticas sociais, indústria, agricultura, movimentos sociais.
As idéias de Serra não batiam com o reducionismo deles. Em vez de cumprir o papel de líder, convencendo-os de que os tempos mudaram, de que esse neoliberalismo exacerbado era coisa velha até para os mercadistas empedernidos, que política e política econômica são feitas com pragmatismo e não com ideologização de porta de banco de investimento, o neo-Serra decidiu não entrar em nenhuma dividida. E se eximiu da função básica de qualquer candidato a líder: fornecer o fio condutor das idéias capaz de organizar o discurso de seus liderados.
Com o campo das idéias em aberto, sem ninguém para os coordenar, a comitiva midiática desembestou. Imersos em um ataque continuado de megalomania, colunistas se viram como os novos heróis da civilização cristã ocidental, que fez com que as meninas daqui, colunistas culturais e de variedades dali, colunistas políticos e econômicos, até cronistas de costumes, poetas e produtores musicais do eixo Paulista-Ipanema se transmudassem em condutores de povos. Disseminando o quê? Slogans, preconceitos e fel.
Imagino meus amigos colunistas políticos e econômicos em um palanque lavando as mãos com álcool depois de cumprimentar qualquer um do “povo” – aliás, único ponto em comum com Serra. Só o fato de se lembrarem que um dia foram povo já os deixa com crises existenciais profundas. E foram eles que passaram a “ensinar” ao PSDB como falar para o povo e como falar para a elite.
No continente, todas as políticas neoliberais geraram derrotas políticas estrondosas e o advento de governos populares (como Lula), ou populistas (como Chávez). No campo popular, essa insensibilidade sepultou partidos e governantes. No campo dos conceitos, o neoliberalismo virou pó com a eclosão da crise. E nossos condutores de povos, conhecendo apenas o ambiente restrito e auto-referenciado de suas fontes, pretendendo orientar a oposição sobre como se comunicar com o Brasil. Mal conhecendo a Avenida Paulista e o Itaim, queriam expelir regras para o país. O Brasil se tornou o museu da cera desse neoliberalismo de orelha de livro.
Agora, caiu a ficha da oposição. E as meninas, impossíveis, passam a puxar a orelha de todo mundo, do governador A, que teve um gesto de gentileza aqui; do B, que compareceu a uma cerimônia com Lula ali; do C, que não xingou o Judas do presidente acolá.
A oposição abandonou os condutores de slogans. Porém, tarde demais para reconstruir seu discurso político.
O grande desafio, daqui para frente, será a construção de uma nova oposição, provavelmente de centro-direita – elemento fundamental para o aprimoramento das instituições nacionais. A atual, morreu. Ou melhor, suicidou-se.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições Tags: Mídia, neoliberalismo, oposição, Serra

Nassif,
Me permita discordar humildemente. Eu tive esta mesma impressão e estranhei a relativa calmaria. Minha análise é que os estrategistas pediram a ambos, oposição e mídia(que são a mesma coisa), para poupar munição. Estavam muito açodados e estava dando muito na cara. No ano que vem a coisa vai ser muito complicada. 2005 e o mensalão vão ser café pequeno comparado com o que vem por aí. Quem viver verá.
Nassif,
“As ideias de Serra …” (2º §). Quais ideias? O Serra tem ideias? Duvido muito. Lembro Tancredo apud PHA: “o que pensa este moço?”. Como não dá para conhecer suas ideias pois ele não fala, não se apresenta nos momentos cruciais — deixo a comentaristas mais pacientes a enumeração dessa enorme lista (comecem pelo buraco do Metrô) — resta somente inferi-las através de seus atos. E aqui, embora não simpatize com o Pde. Antônio Vieira (1608-1697), fico com o que ele disse: “o que fazeis, isso sois, nada mais”. Pronto, está dada a exata medida do Serra. Ele é o que ele faz: pedágio, calote no precatório dos velhinhos (ainda em projeto), cooptação da mídia via injeção de dinheiro, etc. etc. Portanto, se esse sr. tem ideias são unicamente dirigidas à sua locupletação, à sua desmedida ambição de poder, ao seu desejo de entregar o Brasil num leilão. Na minha opinião ele é um mentiroso que não cumpre nem o que escreve e registra em cartório, um estropício parasitando SP, um insidioso entreguista do Brasil,.
”A oposição abandonou o barco da mídia” (título). Oposição e mídia (essa mídia do PIG) são gêmeos siameses. Políticos da oposição alimentam a mídia (vide vazamentos e factóides), a mídia repercute e alimenta esses políticos (só um exemplo: Artur Virgílio). Uns a serviço dos outros e todos a serviço da oligarquia que domina este país há séculos. Ainda, alguns desses políticos são donos de mídia. Não acho que dê para descolar uns dos outros.
Por isso, entendo que seu artigo serve como ponta de lança para disseminar a ideia de que:
- as mazelas são culpa da mídia indomada, da qual são vítimas esses políticos da oposição que agora parecem acordar (ou abandonar o barco);
- o Zé Serra tem ideias próprias e tem sido vítima de uma conjunção de fatores, devemos dar-lhe a chance de mostrar o ótimo estadista que promete ser.
Isso é tudo o que a oligarquia deseja; defenestram-se esses atuais colunistas “tresloucados” (depois virão outros) e entrega-se o poder à oposição (que representa os de sempre).
Podemos esperar para as eleições do ano que vem uma disputa de ataques baixos, caso a oposição continue aliada a esses jornalistas do PiG. Espero que realmente pelo menos o PSDB debata as questões no nível político do Aécio por exemplo. Mesmo sendo de esquerda entendo que se as coisas caminharem por esse lado os/as leitores/as é que perderam. Em termos de política o Lula é mestre que deixa no chinelo G. Vargas e Kubitschek. Não há espaço para oposição ignorante e que usa os métodos discursivos da época da ditadura como é o DEMO. É notório a ignorância desse pessoal que não entendia o “afasta de mim este cálice” de Gilberto e Chico Buarque. Pelo visto a mídia vendida dos ditadores continua a querer imbecilizar o povo. Só que agora a mídia é partido. É isso que dá perder a eleição para um sindicalista sem título que lê mais os teóricos da sociologia e da política que os afamados sucessos dos generais formados pela educação militar. Sem fazer doutorado em ciências sociais e economia Lula desarticulou a teoria da dependência de FHC. O neoliberalismo está em ruínas, um negro é o presidente americano; os republicanos perderam a base teórica e o controle político. Há muita coisa para mudar, mas é certo que a oposição terá de mudar assim como o homem, ser humano masculino, deve se encontrar frente à emancipação da mulher e das minorias sexuais.
Nassif:
Em minha opinião, os barões da mídia se vêem obrigados a combinar, logo, uma nova estratégia com os quadros políticos de oposição, pois o modelo arquitetado, cujo pano de fundo foi o convencimento, em especial aos membros do PSDB e DEM, sobre os acertos dos inúmeros factóides lançados por eles, grande mídia, cabendo aos políticos as declarações de defesa explícita a s tais notícias em plenário e telejornais.
Tudo indica que houve consenso sobre o acerto de tal estratégia, que, praticada de forma ininterrupta, seria suficiente para minar o governo e a popularidade do presidente Lula; para a grande mídia, teria sido o melhor dos mundos – mantinha o seu status de quarto poder e, ainda por cima, fazendo os seus parceiros de marionete, já que eles seriam os defensores visíveis da estratégia.
Mas, mais uma vez, a soberba dos barões se fez presente, pois não se deram ao trabalho de avaliar as repercussões sobre tal tática, inicialmente ignorando o poder carismático de Lula e não se dando conta da satisfação de grande parte de brasileiros a respeito das iniciativas do governo federal, assim como menosprezando a blogosfera.
Quando perceberam, inicialmente com o Caso Veja-Nassif, que na intensidade da internet estavam lidando com um inoportuno e inesperado foco de reação, já que veículo de comunicação com características por eles desconhecidas, e depois com os inúmeros contrapontos que a blogosfera provocou na rotina que pretendiam vitoriosa, tentaram o óbvio – por meio de dois reconhecidos parceiros de primeira hora, Eduardo Azeredo e Marco Maciel, o controle do monstro por vias legais, e, então, enfrentaram um dramático revés, tanto pela rapidez quanto pela hesitação de suas marionetes em defender aquela aberração (naquela altura, os marionetes já tinham percebido o desgaste que o embarque naquele tipo de canoa furada estava provocando em seus redutos eleitorais, tantos foram os factóides inconsequentes que foram obrigados a defender de peito aberto e, assim, deixando marcas indesejáveis em seus currículos políticos).
Nos telejornais e jornais, passaram a deixar demasiadamente escancaradas as suas posturas, o que fez com que muitas das marionetes se poupassem dos “indignados” pronunciamentos (tapioca, CPI da Petrobras, Enem, Jesus x Judas e tantos outros, parecendo que a agenda de Lina Vieira tenha sido a gota d’água).
O certo é que esta rotina praticada pelos dois grupos provocou uma enorme e preciosa perda de tempo para ambos, pois colheram resultados pífios daquela estratégia enquanto o adversário teflon, Lula, seguia a passos largos em sua toada, sempre com expressiva aceitação popular e, de uma hora prá outra, como que num passe de mágica, uma sucessão de fatos – Pré-sal, PAC, um impressionante reconhecimento por parte das grandes lideranças mundiais que “nunca ninguém viu neste país”, culminando com uma vitória consagaradora do adversário na indicação do Rio de Janeiro como cidade olímpica em 2016, fulminou o ânimo do lado político e, do outro, os barões ficaram entregues ao desespero, conforme estampado no teor das colunas das marionetes, agora as de suas próprias redações.
Como o calendário político caminha contra a parceria, o pânico pode ser verificado também pelas atitudes do DEM, partido em vias de extinção a reclamar urgência na definição do candidato de seu aliado, PSDB, à campanha que rapidamente se aproxima, e este último a querer protelar tal indicação para março de 2010 – sobre esta atitude tresloucada, só existem duas possibilidades para explicar: a esperança no surgimento de um fato novo que possa alavancar a candidatura de José Serra, ou então a certeza que o candidato a candidato não será capaz de deter o candidato de Lula, então, guarda o governador para uma provável reeleição em SP, deixando Aécio Neves com pouco tempo para enfrentar o candidato governista.
Tenho convicção de que os dois lados estão em péssimos lençóis, os barões por anteverem a redução de seu tão comemorado quarto poder, e os políticos de oposição por perceberem que só terão alguma chance legítima (resta apostar na possibilidade ilegítima, à la Honduras) de retorno ao comando do poder em 2014, quiçá em 2018.
Eu não vi nda disso. A oposição e midia cada vez mais juntas. Hj estourou uma represa da sabesp. As noticias foram no jornal paulista das 7:30 na globo: chuva causa inundação em um bairro (40 casas) em barueri. Pensei eu: foi um tromba dágua. O IG deu: rio transborda… aí vc ve as aguas passando por sobre um barragem destruida ao inves de seguir algum curso. No estadao e na folha idem – nenhuma palavra sobre a sabesp. Agora a noite no datena ouvi ele metendo o pau na sabesp e ainda falou “se fossê na bahia a gente não podia falar nada mas em sao paulo ? me ajuda aí gente”. Vcs querem um paulista mais esclarcido e indignado que esse (risos) ? Vc precisa de mais evidencias Nassif e não observações espurias de tucano-demo querendo aparecer na foto com Lula 84%. Se fosse na bahia tudo bem mas em são paulo ?????
Grande texto, malungo Nassif.
Análise conjuntural e comportamental de nossa “inteligentsia” cultural, política e (pseudo)jornalística de nossa terra patropi concisa, completa e fatal.
EVOÉ!!!
A ULTIMA FRASE DE SEU ÓTIMO POST PODE SER MELHOR AINDA NASSIF.
Bem ao estilo PIG.Dando saraivadas de tiros no próprio pé.
Se suicidou-se a si mesmo.
Análise lúcida. Esse caminho adotado pelas oposições foi uma maravilha para o governo. Eles foram obtusos demais!!! Custa crer. Será por causa da cegueira da arrogância, do preconceito e do absolutamente insuportável da situação para eles? Isso os impediu de raciocinar? O que move pessoas como essas?
A oposição achava que o Lula era um idiota e o PT um bando de aloprados que não conseguiriam simplesmente governar sem jogar o país em uma baita crise.
Dessa maneira, o país poderia constatar que só eles, os de sempre, estavam aptos a dirigir o Brasil. Face a isto, a volta ao poder seria algo natural e alcançável sem grandes esforços.
Embora os primeiros anos do Governo Lula não tenham confirmado essa tese, o advento do mensalão deu um forte impulso a ela; de tal maneira que a oposição achou que bastava esperar as eleições, ir sangrando o Governo até lá, para recuperar tranquilamente o assento no palácio.
Turbinada pelo apoio total da mídia, a oposição já foi preparando o terno da posse e houve até disputa a cotoveladas para decidir quem iria ocupar a presidência, já que o operário já era.
Tomou uma piaba nas eleições e ficou que nem cachorro que cai de caminhão de mudanças: não podia voltar para a casa velha e não sabia chegar à nova.
O diagnóstico, surpreendente para quem precisa de votos para se eleger, foi que a culpa foi do eleitor.
Totalmente perdida no jogo, a oposição passou para a mídia a definição de como ela, oposição, deveria armar o seu time. Dessa maneira, assistimos estupefatos ao Muricy delegar ao Galvão Bueno a direção técnica do Palmeiras. Simplesmente, inacreditável.
O resultado dessa brilhante estratégia não poderia ser outro. A oposição passou a perder todos os jogos para o Governo Lula. Note bem, meus amigos, todos!
E, agora, quando o valoroso escrete oposicionista caminha lépido e faceiro para a segundona eleitoral, os nossos valentes comentaristas descem a ripa no esquadrão demo-tucano, o qual eles dirigiram nos últimos anos. E dirigiram não do campo, mas confortavelmente instalados no ar condicionado das suas cabines.
Cabe lembrar que, quem dirige time de futebol é quem vive de futebol e entende de futebol; trocando em miúdos tem que ser boleiro. Comentarista comenta futebol, comentarista não joga futebol. Quando joga, com honrosas exceções, se estrepa.
Quem dirige partido político é quem vive de política e entende de política; trocando em miúdos tem que ser político. Jornalista comenta política, jornalista não faz política. Quando faz, com honrosas exceções, se estrepa.
Enfim, um enredo idiota, desenvolvido por um autor idiota, interpretado por um bando de atores idiotas e com um final previsivelmente idiota.
E por falar em idiota. Ao final, quem era mesmo o idiota? O operário ou quem o achou um idiota? Cartas para a redação.
Como sempre seus bons conselhos para o PSDB… pena que eles desembestaram para o ataque mediático ineficinete. De qualquer modo isso é bom. Fossem os tucanos o que acham que são, fosse a imprensa mais inteligente e sensata, acho que muita gente que agora censura a oposição e é vítima desse movimento , estaria ao lado dela defendendo um movimento político, o tucano, que junto ao DEM é um dos mais defastos movimentos internacinalistas dos últimos anos. Tecnocratas que fazem o mesmo de sempre, mas com um Curriculum escolar melhor.
Caros coelgas e Nassif,
Muito boa a sua argumentação, assim como de todos que aqui participaram dando a sua contribuição. Na minha simplória e humilde opnião, nessa história não existem só vilões e só mocinhos…
O PSDB possui um excelente quadro de políticos, mas tb um grupo que não honra o partido. O José Serra e Aécio são dois ícones dessa nova abordagem e seriedade na administração pública. A parceria com o DEM que é um desastre. Um partido repleto de figuras carimbadas e associadas ao que há de pior na alta sociedade brasileira. Verdadeiros sangue sugas ambulantes. Pena que o PSDB não consigua se aliar a partidos com melhores ideologias e composições, como o PDT, PSB, PV, e de até alguns integrantes do PT.
Mas o Lula não está muito distante disso, porque praticamente se vendeu as exigências e imposições do PMDB, partido esse que além de ser o maior do Brasil, também é o maior em número de políticos respondendo a processos políticos e na justiça comum, como também o eterno partido dividido e que gosta sempre de aproveitar da “situação”, nunca sendo oposição…
Reflitamos sobre isso e as alternancias de poder são saudáveis e necessárias para a melhor consolidação da democracia e avanço social.
Nassif, você não menciona um ponto fundamental e que precisa ser aprofundado, a estratégia de enriquecer os jornalistas “masters” neste período. Este fenômeno já era evidente nos EUA talvez já na década de 80, quando os âncoras começaram a ganhar milhões com os vencimentos e em apresentações fora das redações. Ou seja, as penas alugadas são pagas a preço de ouro tanto pelos patrões quanto pelos anunciantes dos patrões. Passaram a fazer parte de uma nova classe social com valores muitos mais próximos a elite que tanto bajulam. E portanto a defendê-la.