Cenas mineiras
Nada mais agradável do que esses mergulhos periódicos em Minas, a Minas profunda do interior, das pessoas de fala mansa e de cuidados em cada gesto.
Em cada visita me revigoro e colho as pequenas cenas mineiras, que me lembram meus tempos de infância, longe das guerra midiáticas e do ritmo maluco das metrópoles e dos aeroportos.
Cena 1
Patos de Minas é típica cidade média agradável. Limpa, bem cuidada e atenciosa.
O motorista da Localiza, que me trouxe de Uberlândia, me pega no hotel para irmos ao evento. Fica na Avenida Tancredo Neves. O motorista não conhece, mas se vale do procedimento padrão: para em um ponto de táxi.
Vem o mineirinho taxista, todo atencioso. O motorista pergunta o itinerário. O mineirinho pede para ele desligar o motor para poder ser atendido com mais vagar e cuidado.
Vai até o banco do ponto de táxi, parlamenta com um colega. Conversa e conversa e conversa. Daí os dois vão até à cabine do ponto e trazem um Guia enorme, mas tão grande que deve pegar toda a região. Chamam o motorista de Uberlândia e parlamentam, parlamentam, parlamentam.
Procura daqui e dali e encontram a Avenida Tancredo Neves que é travessa da Avenida Juscelino Kubistecheck, é lógico.
O primeiro taxista abre o mapa, coça a cabeça, coça a orelha, chama o motorista de novo, troca idéias com o colega. No fim, decide:
- Faz assim, ó. Segue na Avenida Juscelino Kubistcheck até um posto de gasolina. Lá você entra e pergunta onde é a Avenida Tancredo Neves, que eu não sei não.
O GPS do meu celular resolveu o problema.
Cena 2
Aeroporto de Uberlândia, pronto para voltar para São Paulo. Fila para entrar na sala de embarque. Na minha frente, uma loirinha oxigenada e um rapazinho moreninho, todo centrado. Quando chega na porta da sala de embarque, tumulto. Aparece a mãe, a filha, o irmão, toda a família, o pai, a avó e a tia chorando. Para tudo. E a fila espera na maior paciência, ninguém reclama e alguns exibem olhar de ternura.
Aí uma da turma me explica: “É lua de mel!”. Eu completo: “E é Minas Gerais”. E o marido mineirinho todo serinho e compenetrado, sem entrar no clima. Quase perguntei: “Foi casamento de gosto ou de obrigação?”, mas me contive.
Cinco minutos de choradeira depois, o último da fila foi o irmão de um metro e noventa que abraçava a irmã e chorava, todos entramos.
O avião chega, a moça da companhia aérea diz que pessoas de idade, gestantes etc. têm preferência. Três velhinhas saem na frente. E todas elas fazem questão de se despedir da mocinha da companhia aérea com um beijo no rosto.
Minas é assim.
Cena 3
E os sotaques das mineirinhas? Preciso encontrar a crônica que postaram outro dia aqui sobre essa fantasia nacional: o sotaque da mineirinha. Né não?
Por Stanley Burburinho
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/07/30/o-sotaque-das-mineiras/
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags: minas, mineirice, mineirismo

Nassif, não chega a ser exclusividade dos mineiros, embora seja bem característico… do blog do Geneton Moraes Neto: “SÓ EXISTE UM POVO TÃO PIEGAS QUANTO O BRASILEIRO: O PORTUGUÊS – QUE CHORA ATÉ PARA ATRAVESSAR UM RIO (PALAVRA DE UM HISTORIADOR QUE ENTENDE DE BRASIL)”
De qualquer jeito, isso me faz lembrar q qdo 2 tios meus foram viajar para Portugal, visitar a terra em que meu avô nasceu, a família foi de ônibus fretado levá-los de Sorocaba até o aeroporto em São Paulo – e enchemos o ônibus!! Quer mais? rs