Governo x multinacionais brasileiras
Do Último Segundo
Coluna Econômica 20/10/2009
A caminhada do país rumo a um papel mais relevante no cenário mundial esbarra em alguns problemas culturais entranhados. Um deles é a visão provinciana, de quem não consegue entender as relações entre governos e grandes empresas.
Grandes multinacionais são extensão dos governos nacionais.
Lembro-me de um episódio, anos atrás, em que um presidente da Volkswagem do Brasil – austríaco – teceu algumas considerações sobre o “apagão” energético. A reação transbordou as críticas contra a Volks e quase se tornou um caso diplomático.
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Grande parte do poderio norte-americano no mundo resultou dessa aliança governo-grandes empresas. Da parte do governo, essa relação se manifesta nos acordos comerciais, nos tratados sobre direitos autorais, nas disputas na Organização Mundial do Comércio, no financiamento da expansão dessas empresas.
De sua parte, as multinacionais nacionais têm a obrigação de oferecer a contrapartida, garantindo investimentos no país, abrindo espaço para outros setores poderem exportar, ajudando a reforçar a diplomacia comercial nos países em que estiver instalada.
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O avanço da economia brasileira permitiu a montagem de várias frentes setoriais. Há as empreiteiras que, nas grandes obras em outros países, podem carregar consigo um bom volume de fornecedores, seja de insumos e alimentos para a obra, até como exportadores para os países em questão.
Uma segunda frente relevante é no agronegócios. Nos últimos anos foram feitos investimentos vultosos na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Simultaneamente, Lula montou caravanas de usineiros que visitaram a África, América Central oferecendo know how e equipamentos brasileiros para a produção de etanol nessas regiões. A diplomacia do etanol, aliás, é das mais promissoras, especialmente no relacionamento com regiões tropicais.
Outra frente que se abre é a dos grandes frigoríficos, que começam a se espalhar pelo mundo.
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Ao provocar a Vale, para que aumente seus investimentos e, em seguida, fustigar as siderúrgicas, Lula deu o pontapé inicial no jogo – que terá que ser aprofundado por seus sucessores.
A Vale tem um programa de investimentos, sim. Ofereceu projetos a siderúrgicas brasileiras e a contrapartida do minério e de investimentos. Mas a situação interna do país, especialmente a defasagem do câmbio, inibiu os investimentos.
Se, de um lado, Lula, tem razão em cobrar investimentos da Vale e das siderúrgicas, tem que oferecer a contrapartida de um ambiente econômico mais competitivo.
Reside nessa dupla cobrança a riqueza desse relacionamento Estado-multi.
Esse ambiente passa por pressões sobre o Banco Central por taxas de juros civilizadas, melhoria de infra-estrutura, modelo cambial mais competitivo, racionalização das leis de meio ambiente (agilizando sem reduzir os cuidados).
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É essa a dinâmica que irá vigorar nos próximos anos. Direitos e responsabilidades recíprocos preparando o Brasil para um papel cada vez mais relevante.
O BC e os juros – 1
Enquanto o IPCA tem um avanço discreto na semana, os outros índices de inflação apresentam trajetórias distintas, segundo o relatório Focus, elaborado pelo Banco Central a partir da consulta a diversas instituições financeiras. O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) estimado para o fim deste ano desacelerou pela segunda semana consecutiva, passando de -0,27% para -,29%
O BC e os juros – 2
Na avaliação mensal, os indicativos para outubro foram mantidos em 0,30%, enquanto os dados de novembro desaceleraram pela segunda semana consecutiva, passando de 0,38% para 0,37%. Contudo, o prognósticos suavizado pelos próximos 12 meses apresentou crescimento, de 4,14% para 4,17%, uma alta estatisticamente irrelevante. Para 2010, os números foram mantidos em 4,50%.
O BC e os juros – 3
O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) para o fim deste ano seguiu estável em -0,60% pela primeira semana. Em termos mensais, a instabilidade também deu o tom dos prognósticos para outubro (0,28%) e novembro (0,35%). Na avaliação suavizada para os próximos 12 meses, o indicador avançou de 4,13% para 4,15%. Da mesma forma que o IGP-DI, os dados para 2010 seguiram estáveis em 4,50%.
O BC e os juros – 4
Já o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) para o fim deste ano apresentou crescimento, passando de 4% para 4,02%. Na avaliação mensal, os indicativos para outubro caíram de 0,32% para 0,31%, enquanto os dados para novembro subiram de 0,35% para 0,36%. A taxa manteve seu ritmo de avanço para os próximos 12 meses (suavizado) pela sexta semana consecutiva, ao subir de 4,22% para 4,28%.
A demanda por crédito -1
A demanda das empresas por crédito desacelerou pela segunda vez consecutiva, segundo dados divulgados pela consultoria Serasa Experian. No comparativo com agosto, a queda da procura em setembro chegou a 0,9%, mas a retração ante 2008 chega a 4%. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, a queda do volume de pedidos chegou a 5,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A demanda por crédito – 2
A retração foi puxada pelas micro e pequenas empresas – o único segmento a registrar baixa no período, e que já acumula queda de 5,8% no ano. Por outro lado, as médias e grandes companhias aumentaram seu volume de pedidos por crédito no mês em 1% e 0,7%, respectivamente. Ao longo de 2008, as médias empresas acumulam uma queda de 4,6% em relação ao mesmo período no ano anterior, enquanto as grandes companhias apresentam um acréscimo de 2,6% durante o período.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia Tags: Economia, empresas, governo, multinacionais

O plano original era simplesmente reestatizar a Vale. Não deu certo.
Gutt, o homem das informações privilegiadas. A propósito, até o Mailson acabou negando essa intenção, agora mesmo no Senado.
Entre os três presidentes. Refiro-me aos da Embraer, da Vale e o da República. Pois muito bem. Dentre os gestores citados, fico com o do Brasil, não apenas pelos resultados apresentados, mas, sobretudo, porque esse eu posso trocar.
As duas empresas além de terem origem pública, se tornam privadas, graças a injeção de recursos públicos. Por outro lado, os senhores das grandes empresas, se não pretendem compartilhar com o entorno, e, prestam apenas para os investidores, danem-se para saturno.
Orlando
O único compromisso desses executivos é com o bônus no fim de cada ano.
Para eles, o futuro a Deus pertence.
Operários da Vale entram no quarto mês de greve no Canadá
Aproximadamente 3,5 mil operários estão paralisados, em protesto contra alterações nos direitos trabalhistas
Por Desirèe Luíse
Radioagência NP
Os trabalhadores da mineradora Vale no Canadá entraram no quarto mês de greve, nesta terça-feira (13). Aproximadamente 3,5 mil operários estão parados. Eles são contra alterações nos direitos trabalhistas. Após comprar mais de 75% da mineradora de níquel Inco em 2006, a Vale anunciou, neste ano, o desejo de mudar o sistema canadense de participação nos lucros.
Atualmente, os trabalhadores recebem um bônus dependendo do preço do níquel no mercado. No novo plano, a Vale quer estabelecer um teto e congelar os salários durante os próximos três anos, o que indignou os funcionários.
Os operários também discordam dos planos da Vale de terceirizar parte da produção da empresa. Questionam ainda a demissão de 250 trabalhadores e o direito ao seniority – aumento de benefícios proporcionais ao tempo de trabalho.
Assim, no dia 13 de julho, os operários de duas unidades da Vale-Inco resolveram entrar em greve. Em agosto, a unidade da baía de Voisev juntou-se às de Sudbury e Port Calborne. Outras unidades aderiram posteriormente.
Operários ligados ao sindicato United Steel Worker (USW 6500) fizeram, no domingo (11), uma manifestação no porto alemão de Brunsbüttel. Eles protestaram contra a chegada de um navio da Vale vindo do Canadá, que continha carregamento de cobre.
A Vale já anunciou que pretende cortar 900 postos de trabalho no mundo, sendo quase a metade deles no Canadá.
A demanda chinesa .
Ótimo texto, com foco na demanda energética, porém pode facilmente ter seu foco aumentado para outras áreas, em especial a de mineração.
Impressionante como a China coordenou o desenvolvimento de suas empresas multinacionais em total harmonia com o desenvolvimento de seu mercado interno. E como um sustenta o outro. O caso da Vale é emblemáticamente o contrário.
Contudo acredito que o ponto principal do texto é que a demanda chinesa, no nível que cresce, e com os padrões de consumo atuais, não é sustentável.
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“Os desdobramentos internacionais do desenvolvimento e da demanda por petróleo na China
Diego Pautasso
Mestre e Doutorando em Ciência Política pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e
professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda eMarketing – ESPM (dpautasso@espm.br).
Se os recursos energéticos fósseis tem sido centrais à economia moderna; o petróleo tem tido uma estreita ligação com a geopolítica (SÉBILLE-LOPEZ,
2006). Mais do que isto, é possível encontrar uma conexão entre a busca de segurança energética e o envolvimento militar dos EUA (FUSER, 2008)
das grandes potências desde a Segunda Guerra Mundial. Trata-se de um recurso estratégico, uma vez que é fundamental ao desenvolvimento de um
país e, ao mesmo tempo, de suprimento incerto.
Nesse sentido, o presente artigo de conjuntura visa a discutir os desdobramentos para o sistema internacional da ampliação da demanda externa
de petróleo pela economia chinesa. O acelerado desenvolvimento da China após
política de Reforma e Abertura de Deng Xiaoping (1978) tem impulsionado a urbanização e crescimento da renda per capita, bem como a promoção do mercado interno e a realização de grandes obras de infraestrutura. Com efeito, a economia chinesa está aprofundando a demanda internacional por commodities agrícolas, minerais e energéticas. No caso do suprimento energético, a crescente importação de petróleo torna-se uma questão crucial, uma vez que envolve a sustentação do crescimento da economia e a estabilidade política do país oriental.
Para ilustrar, o consumo de energia na China passou de 361 em 1976 para 1.697 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (mtoe) em 2006, ou seja, crescendo 470%, enquanto o consumo de petróleo, no mesmo período, passou de 1.546 para 7.445 milhões de barris diários (mb/d), crescendo 478%. Não houve, portanto, um aumento significativo da participação do petróleo na matriz energética chinesa, mas um aumento do consumo total de energia, preservando
a expressiva participação dos recursos energéticos fósseis em mais de 90%. Ou seja, carvão representa 69% da matriz energética, petróleo 21%, hidroelétrica
6%, gás natural 3% e nuclear apenas 1%, segundo a BP Statistical Review of World Energy 2007.
Em função das características da matriz energética chinesa, o governo, a partir do relatório China’s Energy Conditions and Policies, tem sugerido as seguintes linhas de atuação: 1) estímulo às fontes alternativas, 2) aumento da eficiência energética, 3) diversificação das fontes energéticas e 4) ampliação dos fornecedores em escala global. Ainda assim, o forte ritmo de crescimento econômico da China tornou o país importador de petróleo em 1993. Em 2006, o país já era o 3º maior importador mesmo sendo 4º o maior produtor mundial, ou seja, a China produziu 3.687 e importou 3.761 (mb/d), alcançando uma dependência externa de mais de 50% da demanda doméstica.
Cabe sembrar que o maior importador foi os EUA com 13.718 (mb/d), seguido do Japão que importou 5.164. Já os maiores produtores foram a Arábia Saudita com 10.859, Rússia com 9.769 e EUA com 6.871. Embora a China seja um grande consumidor e importador líquido de petróleo, o uso per capita ainda é muito baixo, de pouco mais de 5 barris por dia – enquanto os EUA consomem cerca de 71 barris por dia. Isto quer dizer que a tendência de crescimento ainda é muito grande, mesmo com fontes alternativas e aumento da eficiência energética, o que sugere repercussões ainda mais expressivas para o sistema internacional.
Tanto o crescimento da economia quanto o das importações de petróleo estão associados ao menor dinamismo da produção e à diminuição das reservas chinesas. Entre 1986 e 2006, a produção da China de petróleo progrediu cerca de 40%, passando de 2.621 mb/d para 3.684 mb/d, enquanto o consumo cresceu 387%, passando de 1.921 mb/d para 7.445 mb/d, no mesmo período. Já as reservas de petróleo provadas regrediram cerca de 5%, de 17,1 bilhões de barris para 16,3 b/b. Embora as pesquisas e os investimentos na exploração sejam grandes, não acompanham a velocidade do consumo, conforme o BP Statistical Review of World Energy 2007.
Cabe destacar a crescente importância da China na importação de petróleo comparando-a com a maior economia do mundo, os EUA. Em 1991, de um total de 8,2 milhões de toe (toneladas equivalentes de petróleo) consumidos em escala global, a China era responsável por 9% do consumo de petróleo mundial e os EUA, 23%. Já em 2006, de um total de 10,9 milhões de toe, a participação da China foi para 16% e a dos EUA foi para 21%. Em suma, a China foi responsável por 78% do crescimento do consumo mundial de petróleo em 2006, a Índia por 16% enquanto os EUA (e a OCDE em conjunto) tiveram declínio de 7%, como revela o Relatório BP Statistical Review of World Energy (2007, p. 10 e 28).
A análise da evolução da demanda da China por petróleo tem importantes desdobramentos internacionais. De um lado, o desenvolvimento e a ascensão da
China dependem do suprimento energético, especialmente o petróleo. De outro, a segurança energética chinesa impacta os negócios e a política internacional,
justamente no contexto em que o sistema internacional passa por profundo reordenamento.
O primeiro desdobramento importante, é que a segurança energética chinesa é fundamental ao desenvolvimento e à estabilidade do país, de modo que o 11 º Plano Quinquenal da China (2006) reafirmou a necessidade de desenvolver a cooperação internacional em petróleo-gás, utilizando-se do mercado internacional e proporcionando a segurança do abastecimento do país. Cada vez mais o crescimento da China relaciona-se com a estabilidade da Ásia Oriental e do próprio sistema internacional, uma vez que o país “puxa” a economia mundial – ironicamente financiando a maior potência mundial através da compra de cerca de 800 bilhões de dólares em títulos do Tesouro dos EUA.
Segundo, a necessidade do governo chinês de diversificar a matriz energética (JABBOUR, 2006, cap. 3) no contexto em que a economia mundial transita para
a Revolução Científico-Tecnológica sem equacionar uma alternativa aos recursos fósseis. Embora a situação seja mais delicada na China, trata-se de um problema a um só tempo nacional e global, uma vez que as problemáticas ambiental e energética apresentamse vinculadas. Além disso, a China precisa aprimorar a eficiência energética da economia, equiparando-se aos países desenvolvidos em termos tecnológicos, mas sem reproduzir o modelo de desenvolvimento e os padrões de consumo dos países ocidentais. Daí a necessidade das «três coordenações» a que se refere o 11° Plano Qüinqüenal: coordenação de velocidade, qualidade e rentabilidade; coordenação de consumo, investimento e exportação; e coordenação da população,
recursos e ambiente.
Terceiro, a presença crescente das corporações petrolíferas chinesas no mercado internacional (GUIZOT, 2007, cap. 9). As empresas chinesas sofreram
reestruturações para competir no mercado internacional e com isso internalizar padrões avançados de produção e gestão dos negócios. São atualmente três
grandes corporações multinacionais sobre controle estatal atuando no ramo dos hidrocarbonetos: a CNPC (China National Petroleum Corporation, cuja subsidiária é a PetroChina), a CNOOC (China National Offshore Oil Cororation) e a Sinopec (China Petrochemical Corporation). Além da produção doméstica (85% em território), há as aquisições de empresas e de campos em outros países, como no Equador (En-Cana), no Cazaquistão (PetroKazakhstan), no Canadá (PetroCanada), bem como a construção de oleodutos, grandes petroleiros, modernização das refinarias, etc., como destaca o relatório da Energy Information Administration.
Quarto, a crescente demanda externa por petróleo tem forçado a política externa da China a se universalizar, diversificando o suprimento energético. Ou seja, como atesta o caso de Angola (PAUTASSO, 2009), as importações chinesas de petróleo têm como contrapartida ao país africano a realização de grandes aportes financeiros em infraestrutura; a não-imposição de padrões institucionais e de desenvolvimento; e a aceitação, pelo governo chinês, de déficits comerciais.
Assim, a China amplia a sua participação no comércio e nos investimentos internacionais, ampliando a inserção internacional sobre a periferia. Por fim, intensifica-se a competição internacional pelos hidrocarbonetos, com impactos mais diretos sobre os EUA, maior importador e consumidor mundial, como atestam os casos das reservas do Golfo da Guiné, do Mar Cáspio, entre outros.
Trata-se de uma conjuntura delicada para os EUA, pois aos problemas domésticos, como déficits gêmeos, erosão do dólar e problemas militares, somam-se à crescente demanda externa por petróleo. Os EUA se deparam com um cenário pouco animador: o declínio das reservas de 39 bilhões de barris de petróleo (1970) para 20,9 bilhões (2006); da produção, que em uma década (1996-2006) caiu de 8.295 para 6.871 milhões de barris por dia (mb/d); e o aumento expressivo do consumo na mesma década (1996-2006) de 18.309 para 20.589 mb/d. O resultado é um déficit de 13.718 mb/d, ou seja, numa importação de mais 66% do total consumido no país.
A argumento central é, portanto, que a política externa e a economia da China têm fornecido uma resposta ativa à dependência de petróleo, com repercussões
em várias arenas da economia política internacional.
A questão energética ganha sentido maior pois é parte tanto da projeção da China ao núcleo do sistema internacional quanto da resistência dos EUA ao declínio relativo, expressando a tensão entre competição e cooperação nas relações sino-americanas.
Quer dizer, o petróleo e a China estão no centro de questões fundamentais ao reordenamento mundial: as fragilidades dos EUA neste setor (importam 66% e consomem mais de 1/5 da produção mundial), a instabilidade das zonas produtoras (Iraque, Irã, Nigéria, etc.) e os novos competidores (China e Índia)
que representaram 84% do crescimento do consumo petrolífero em 2006.
Mais do que isto, as equações energética, econômica e ambiental da China, cujo petróleo é uma das maiores expressões, cada vez mais se tornam uma questão global. Em outras palavras, o desenvolvimento pressiona os recursos energéticos, mas ao mesmo tempo é pré-condição para o progresso técnico, para o aumento da eficiência e para geração de alternativas energéticas em um país carente de recursos naturais e com grande população. Em suma, a China precisa equilibrar desenvolvimento e elevação do padrão de consumo sem reproduzir o modelo ocidental.”
Mais sobre como a China faz o contrário daquilo que pensa Agnelli e a Vale. E com isso abocanha mercados tradicionalmente brasileiros em produtos manufaturados:
“China tira espaço do Brasil
Chineses são responsáveis por 45% da perda de participação brasileira nos mercados da Argentina e do Uruguai
Liana Verdini
As exportações brasileiras estão perdendo espaço para os produtos chineses na América do Sul, principal destino das manufaturas nacionais. De acordo com estudo da economista Lia Valls, da Fundação Getulio Vargas (FGV), as perdas ainda são pequenas, mas a situação pode se agravar este ano, pois a estratégia desse país oriental é vender produtos manufaturados para nações em desenvolvimento, uma vez que todas as projeções indicam que esse grupo está sofrendo menos perda de renda do que os países desenvolvidos.
Trata-se de uma tentativa da China de compensar a perda de exportações para o mercado dos Estados Unidos, que enfrentam uma das piores recessões de toda a sua história. Esse movimento chinês explica a expressiva perda de mercado no exterior de alguns produtos brasileiros, especialmente siderúrgicos e componentes do setor automobilístico.
Esse é o caso, por exemplo, do dispositivo para comando de acelerador, freio, embreagem, direção ou caixa de marchas vendido ao Uruguai. De acordo com o levantamento da economista, 98% das perdas das exportações brasileiras para o país vizinho são devido ao aumento da participação chinesa na venda desse tipo de componente. Outro exemplo são os tubos para perfuração utilizados na extração de petróleo ou gás comprado do Brasil pela Colômbia. Em 2008, o Brasil perdeu 90% desse mercado para produtos similares chineses.
“O preocupante de tudo isto é que o Brasil está perdendo exportações de produtos de maior valor agregado (mais caros). E isso poderá ter algum impacto em nossa balança comercial se não houver maior atenção das autoridades para essa tendência que está se desenhando”, observa a economista.
Para a realização do estudo, a economista utilizou produtos classificados do sistema harmonizado e cujas exportações brasileiras e chinesas coincidem em cada um dos países pesquisados. O trabalho foi feito para Argentina, Uruguai, Colômbia, Chile, México, Estados Unidos e União Europeia.
A economista ressalta que os produtos brasileiros em que houve perda de mercado para a China ainda representam uma parcela pequena de nossas exportações totais. Por exemplo, no caso argentino, a parcela é de 0,4% de tudo o que o Brasil vende no exterior. Mas já é de 1,3% no mercado dos Estados Unidos e de 1,7% no da União Europeia. O problema é que a China já responde por 45% da perda de participação nos mercados da Argentina e do Uruguai. E mais: em relação ao período anterior estudado pela economista (2006/2007), houve um aumento de 10,5 pontos percentuais na participação chinesa.
Lia Valls explica que as maiores perdas nos Estados Unidos e na Europa foram os produtos do setor siderúrgico. No México, são itens do setor automobilístico. E nos países sul-americanos são itens como máquinas de processamento de dados, itens de bens duráveis da indústria automobilística e da linha branca. Justamente itens que o Brasil vinha conquistando mercado. “
No caso das pressões do Lula junto a Vale, há uma analogia a fazer com os períodos de maior solidez do Planejamento (notem o “P” maiúculo) no país. Durante o II PND do governo Geisel, o CDI chamava as empresas e praticamente as pressionava para que elaborassem projetos segundo as necessidades macroeconômicas vigentes (notadamente o fechamento da balança comercial), sempre garantindo, é claro, subsídios os mais gerais. Ora, eliminada a preversidade de um regime ditatorial, a prática é altamete alvissareira, pois recoloca o papel central que deve ter o Estado na condução do desenvolvimento do país, que jamais pode ficar ao sabor da livre (e algo mítica) força dos mercados.
Nassif:
Entendo a política do Presidente Lula de querer dotar o Brasil de empresas gigantes nacionais para fazer frente em outros países. O que eu não entendo é como o governo pretende proteger os monopólios nacionais dos internacionais. Eu explico. O destino de todo monopólio é concentrar-se cada vez mais. E, em um mundo dominado e regido pelos monopólios, para os nossos restam quais alternativas? Unirem-se aos já existentes ou reproduzir sua política de dominação dos mercados que levou o mundo à falência ano passado. Veja o caso do BNDES, que destina muito mais do que a metade de seus recursos para financiar monopólios estrangeiros. O que o Brasil ganhou com essa transferência de recursos? Nada. Os monopólios pegaram o dinheiro do BNDES e deram a ele dois destinos: 1) remeteram à suas matrizes, como boas multis que são; 2) aplicaram na especulação financeira. Penso que o papel do Estado não é o de incentivar a formação de monopólios, mas de um mercado interno forte, diversificado, que possa servir de base para o crescimento de nossa economia, como fazem, em alguma medida, a China e a Índia, que tem crescido mais do que o Brasil sem incentivar monopólio nenhum – ao contrário.
Esse modelo de grandes grupos transnacionais agindo como braços do estado é muito antigo, os EUA elevaram esta estratégia ao estado da arte.
Mas em algum momento os grandes grupos acabam invertendo o jogo, ou seja, o estado passa a ser o braço das transnacionais, e isto acaba prejudicando a própria nação que se torna refem das suas empresas.
Exemplo:
Vide industria armamentista americana atacando ferozmente qualquer lei de restrição a venda de armas e forçando o estado a entrar em guerras questionaveis.
Vide industria farmaceutica americana controlando a FDA e boicotando medicamentos mais baratos e acesso universal a serviços de saúde.
Vide industria de fertilizantes e pesticidas criando monstros trangenicos e coagindo agricultores a usa-los.
Vide grandes grupos financeiros boicotando qualquer iniciativa de controle, destruindo mercados…
O fato é que grandes grupos tem interesses distintos da maioria da nação e por isto acabam usando seu enorme poder financeiro para eleger politicos, alterar leis, direcionar a midia, etc…