A volta do círculo vicioso do câmbio
O círculo vicioso do câmbio está dado mais uma vez.
Tem-se o seguinte quadro internacional:
1. Excesso de liquidez e propensão a novas bolhas especulativas.
2. Dúvidas de monta sobre o fim da crise internacional.
3. Desalinhamento das taxas de juros nacionais, com alguns países puxando a alta de juros antes de outros.
Todo esse clima induz à volatilidade cambial no mundo.
Nesse cenário, o Brasil é a bola da vez dos movimentos especulativos. Há fundamentos sólidos para se apostar no Brasil, o reconhecimento de que saiu da crise antes dos demais, o mérito de ter sabido dosar medidas ortodoxas e anticíclicas, a percepção mundial de que será um dos países líderes da economia global nas próximas décadas.
Sobre essa base fundamentalista, ocorre o movimento especulativo que, nos próximos meses, inundará o país de dólares.
Em qualquer país racional, o Banco Central alteraria sua maneira de atuar sobre o câmbio e a política monetária. Por aqui, não só tem reforçado a visão ortodoxa, como tem atuado claramente visando estimular esse jogo especulativo.
Duas manifestações do BC, em países como os Estados Unidos, no mínimo ensejariam a abertura de um processo de responsabilização.
O primeiro, a declaração de um diretor do BC de que a compra de reservas cambiais não reduz a apreciação do real. O segundo, o relatório do BC apontando a possibilidade de elevação dos juros no próximo ano, como reflexo do aumento de despesas públicas – uma afirmação que não tem nenhuma base factual, ainda mais levando-se em conta de que a apreciação do real funciona como elemento anti-inflação.
Nos dois casos, o BC atuou como agente estimulador desse movimento de apreciação cambial.
Agora, se entra em período eleitoral, no qual a apreciação cambial conta votos. Haverá volatilidade no câmbio atrapalhando exportações e investimentos. Mas será contida, no início, pelas reservas cambiais.
No final do ano que vem, os economistas dos candidatos favoritos estarão estudando como sair da armadilha cambial que lhes foi deixada.
Em fins de 1998, o país começava a recuperar o ímpeto reformista, atropelado pelas jogadas cambiais do início do Real. Na ocasião escrevi que a imprudência com o câmbio mataria qualquer veleidade de FHC de fazer um bom governo.
Espero que essa desgraça não se repita agora.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: Banco Central, câmbio, círculo vicioso, FHC, Lula

Não consigo compreender, como tendo conselheiros do porte de um Delfim, o Mantega, o Belluzzo, o Lula segue nessa sandice. Isso pode sim, se tornar o calcanhar de aquiles do seu governo, e de repente, dar ao Serra o discurso que hoje ele não tem. Sem falar o óbvio: jamais nos tornaremos exportadores fortes de produtos industrializados, com um dólar tão desvalorizado. Se leigos conseguem enxergar isso, o que falta ao Lula? Coragem? Humildade? É absurdo o tiro no pé que ele está dando no próprio governo… Quanto aos diretores do Banco Central, mal dá para não acreditar em má-fé, diante de tamanha incompetência!
Cadê a publicação da sentença do juiz Vítor Kümpel, da 27o. Vara Cível, contra o Sr. Nassif?
Aguardando para publicar.
Não sei se vocês leram o artigo do Thomas Palley publicado na Carta Maior, “Uma segunda Grande Depressão ainda é possível”.
Link: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16193
Em síntese, alguns economistas estão dizendo que a recessão estará encerrada muito brevemente. O futuro é fundamentalmente incerto, o que faz com que a prática de predições sempre seja um empreendimento temerário. Isso quer dizer que há uma boa chance de o novo consenso estar errado. Em vez disso, há bases sólidas para acreditar que a economia dos EUA experimentará uma segunda queda, seguida por prolongada estagnação que será qualificada como a segunda Grande Depressão.
O que fará a direção do BC brasileiro? Subirá a taxa básica de juros, conforme já vem sinalizando que irá fazer, ressuscitando o eterno fantasma da inflação descontrolada? Permitirá que a eleição presidencial de 2010 alimente “manias” no cassino especulativo do “mercado”?
Precisamos abrir um processo de responsabilização dos condutores da política monetária brasileira. Em um país que possui Lei de Responsabilidade Fiscal, por que não também uma Lei de Responsabilidade Cambial?
Quem disse que “a compra de reservas cambiais não reduz a apreciação do real”? Brincadeira o nível do debate proposto pela idiotia neoliberal tupiniquim e os defensores dos grandes interesses pecuniários rentistas no Brasil.
você esta levantando a bola pra alguém cortar? ..talvez servindo de escada?
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então espera lá ..óia a manchete ..”Governo estuda TAXAR capital externo”
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http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091016/not_imp451326,0.php
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calma camarada, minha chamada foi uma provocação ..sei que sua preocupação é mais anterior que a manchete desta edição
Se o governo tomar alguma medida, terei algum mérito pelos anos e anos de alerta para essa loucura.
Nassif, mas o que fazer? O BC sozinho não conseguirá segurar a desvalorização. Intervenção direta no cambio também nao é salutar, haja vista a economia de mercado. Controlar exportações então, beira ao ostracismo comercial, e nao contribui com o crescimento do país. Será que em algum momento não haverá um equilíbrio? Dificil a tarefa que se tem pela frente.
Luciano, na maioria dos paises do mundo o cambio é flutuante dentro de um sistema de bandas fixadas pela politica monetaria, até os EUA operam assim, é a chamada “flutuação suja”. Na China o cambio é administrado, a taxa é arbitrada pelo Governo. Cambio absolutamente livre, sem parametros, é raro nu mundo. Costuma ser assim na Suiça, no Uruguai, nos paraisos fiscais do Caribe e no Brasil.
Não é necessário controlar exportações, ao contrário, queremos segurar o câmbio para manter a competitividade das nossas empresas.
O fator que tem atrapalhado no câmbio é a entrada de capitais de curto prazo. Isso o BC pode controlar. Nem precisar ir muito longe. Com a imprensa que temos e sabendo que boa parte desses “investimentos” são de brasileiros, basta o governo anunciar que pretende taxar capitais de curto prazo.
“Em qualquer país racional, o Banco Central alteraria sua maneira de atuar sobre o câmbio e a política monetária ”
Como seria isso ? Criando uma sobretaxa; um tempo mínimo associado a um imposto.Entrar no mercado com os dólares da reserva pode parecer arriscado e as perdas podem ser grandes e só surtirem efeito por pouquíssimo tempo, até outro ataque.
Como faz o BC chinês, já que tb pertecem ao Brics ?
E por que o BC não toma esta medida sugerida,tantas vezes em seus comentários”. Quais os prós e os contras desta. ?
Ortodoxia ? Diante da valorização especulativa e do cassino montado, mas parece cegueira – só não vê quem não quer. Ou é carta marcada comandada pelos empresários brasileiros, que estão novamente se comportanto como no ambiente pré-crise do ano passado?
Isso. Há um estoque de medidas conhecidas na literatura.
Nassif, sou leigo em economia. Dela só fico com os resultados das politicas adotadas. Quando acertam, deixo de perder. Quando erram, pago o pato.
Fico aqui pensando: se o atual governo quer e aposta que vai fazer o sucessor(a) essa política cambial não é um tiro no próprio pé? A armadilha estaria sendo armada contra sí próprio? Não me parece lógico.
Depende de quem está ganhando com isto … Será que como outrora, alguém do BC vai montar seu banquinho ?
Faltou dizer no comentário anterior: a carne é fraca, Nassif.
Não adianta torcer, Nassif. O desastre será enorme. O problema ainda não foi sentido pois grande parte da indústria exportadora diversificou para o mercado interno. Como se este tivesse o mesmo fôlego que tem na China. A safra que será colhida em 2010, apesar de seu bom volume físico, gerará baixa remuneração às culturas de exportação. Lula corre o risco de receber, ainda em seu mandato, a herança maldita de sua política cambial.
O valor do câmbio é indiferente para o BC. Ele trabalha com um preço médio,ou seja,não terá prejuízo nem com a preciação nem com a desvalorização do real.
Investidores que entraram com o dólar a R$ 2,60,terão um ganho extraordinário. Se investiram na bolsa quando ela estava nos seus 27 mil pontos,aí então é que o lucro multiplica-se por 3.
Se compraram ações de construtoras,este lucro pode ser multiplicado por mais de 6.
Enfim,traçar o cenário pelo melhor ganho é o sonho de todo investidor mas,vamos traçar outro cenário para sermos realistas com a situação atual.
Existem dólares entrando agora no país com o patamar de R$1,70,com a bolsa querendo beijar os 70 mil pontos,com o preço das ações muito próximo do recorde anterior.
Estes investidores estão comprando os reais já com seu dólar em um preço muito baixo. Pode cair mais? Pode. tudo pode mas,a medida que isto vá ocorrendo o ricso aumenta e a possibilidade de lucros diminui.
O país vem recebendo grandes investimentos que estão visando o longo prazo. Investidores de curto prazo correm o risco de quebrar a cara,de ter chegado no fim da festa.
Outra coisa é o preço do dólar para a nossa política industrial e balança comercial.
Novamente se abre uma janela para importação de maquinário de ponta que possibilitará a indústria nacional mudar de paradigma,existe finaciamento farto e barato para isso,quer seja via BNDES ou mesmo via bancos comerciais.É uma oportunidade rara termos esta conjunção de fatores.
A balança comercial não sofrerá grandes alterações. As commodities já não estão mais atreladas ao dólar.Estão atreladas a custos nos diversos países o que,com a desvalorização do dólar em termos mundiais,provoca um aumento em dólar do preço.
Assim,quem conseguiu capitanear a nau durante o pior da tempestade e a levou para águas seguras,tem todo o crédito para continuar no seu percurso.
Ganahr e perder sempre fará parte do capitalismo.
O Ministro Mantega demonstrou ter plena conciencia do desastre a longo prazo que o cambio valorizado causa. Mas o poder politico sobre o cambio está no BC que não tem essa visão. O Presidente, que é o arbitro desse poder, não vai mudor o jogo a esta altura. E está muito tarde no calendário eleitoral para mudar a politica cambial, isso se faz em inicio de governo. Por outro lado a sucessão no BC será controlada pelo mesmo grupo e nada vai mudar. Então nada será feito nem mesmo medidas de taxação ou contenção do influxo de capital volatil, que Mantega já insinuou que seria o logico a fazer.
Esse é um governo oportunista que não pensa a longo prazo, não tem projeto nacional e nem visão histórica.
Vai continuar fazendo o que lhe parece dar certo a curto prazo para manter o poder na sucessão de 2010.
Para complicar, a entrada de Paulo Skaf na politica deixou orfã a FIESP, que teve a cegueira de permitir que neste momento crucial para a definição da politica economica pós 2010, com qualquer Presidente que seja eleito, o lider do empresariado paulista trocasse a defesa da industria por um projeto politico egoista e pessoal, mas continuando na FIESP, ele agora na politica por um partido socialista, uma aberração impensavel em um pais organizado, o uso da representação do empresariado para combate-lo politicamente, pelo menos essa é a função de um Partido Socialista.
O exportador de manufaturados, frontalmente prejudicado pelo cambio, não tem defensores visiveis, cada um que se vire, a politica economica é a cara do Brasil de hoje, tudo é festa enquanto a festa durar.
Não sei se já foi comentada por aqui a reclamação do banqueiro suíço, ontem no Valor, de que o Brasil virou o novo paraíso da lavagem de dinheiro:
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/10/15/banca-suica-ataca-brasil-por-evasao-fiscal
Nassif, qual o percentual de comodities exportado pelo Brasil?
Os produtos industrializados representam quanto de nossa pauta de exportação?
Criar mecanismos para exportação de produtos industrializados e não termos condições de produzí-los é doloroso, vai beneficiar uma parcela mínima. Onde está o investimento de nossas indústrias, em qualidade, novos produtos, etc?
Poucos percebem: o dolar é a bomba atomica da economia mundial. Existe mais dolar ‘estocado’ fora dos EUA que circulando la dentro.
Quando perceberem que a economia mundial nao pode ser suporta pela moeda-referencia dolar, essa crise vai ser uma marolinha diante do tsunami que vem aí. Brasil inclusive.
como e quando vai ocorrer? observem os tremores começarem em três paises: china, japão e… EUA. Como sabemos, tremores precedem tsunamis.
até agora os tremores mais fracos estão na china, mas suas rachaduras estão ampliando. (observem suas necessidades de comoditties e encharcamento do yuan). acho que uma década será o bastante para o colapso (ou conversãosalvadora).
Nassif,
mas a criação do fundo soberano foi feita para conter uma valorização do real diante de uma expressiva invasão de dólares, ou não é bem isso?
Nassif, Ocorreu o que todos estavam esperando a taxação para investimentos especulativos, mas 2% de IOF é o bastante? Que outras medidas poderiam ser tomadas? Sei ue vc milita sobre isto durante muito tempo.