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14/10/2009 - 07:00

O marqueteiro de Serra

Boa entrevista do meu xará Luiz Gonzales ao Valor de ontem, expondo a estratégia de campanha do candidato José Serra. Importante por mostrar que a experiência jornalística vale mais do que a visão do marqueteiro tradicional.

Em linhas gerais, a estratégia de Gonzales será a seguinte:

1. A polarização será entre Serra e Dilma, diz ele. O primeiro ponto será comparar a biografia do cara (José Serra) com “aquela mulher” (Dilma Rousseff), tirando o caráter plebiscitário das eleições.

2. O ataque à Dilma seguirá o roteiro que já vem sendo cumprido religiosamente pela mídia: focar na sua biografia (certamente realçando a vida guerrilheira), na sua rispidez no trato com as pessoas e colocando em dúvida sua eficiência na condução do PAC. É curioso, porque a marca pessoal mais óbvia de Serra é a rispidez no trato com pessoas e subordinados.

3. Do lado de Serra, a campanha ira focar sua biografia política e as obras que lançará no próximo ano, visando reforçar a imagem de bom gestor.

4. Em relação a Ciro Gomes, a tendência será de minimizar seu papel. Gonzales retoma o mote de “nanico” para se referir a Ciro, já utilizado por Serra. Aliás, para quem conhece intimamente o governador, essa retórica de desqualificar o adversário minimizando-o foi repassada – e seguida religiosamente – para os dois parajornalistas da Veja incumbidos por ele de fuzilar seus adversários.

5. Embora não contemplada na entrevista, provavelmente se levantará a tese da infiltração petista na máquina pública, que tem bom apelo junto a uma parte do eleitorado classe média.

6. Há uma estratégia que Gonzales não explicitada, mas que seguramente será empregada a granel nessa campanha: a criação de dossiês, verdadeiros ou falsos, pouco importa, a serem exaustivamente utilizados pela mídia partidária.

A contra-ofensiva

Como o jogo ainda não foi combinado com os adversários, vamos tentar avaliar como se comportarão os russos em campo.

Em relação às estratégias pró-Dilma:

1. Pelas conversas que tenho com diversos setores (especialmente saneamento e habitação), vencidos os obstáculos ambientais e de falta de projetos (no caso do saneamento) e acertados os contratos de financiamento (no caso do habitacional) 2010 será o ano de vôo de cruzeiro. Há inúmeras obras a serem mostradas; e inúmeras obras que não sairão do papel. Cada lado puxará a brasa para sua sardinha.

2. Desfazer a imagem de Dilma guerrilheira, autoritária e mentirosa será desafio menor. Ao contrário de agora, haverá tempo na campanha gratuita para mostrar mais o lado pessoal de Dilma. Quanto à gestora, provavelmente será apresentada como alguém que ajudou a conferir ao governo Lula o pique administrativo que lhe faltava e a lançar o país no mundo.

O segundo desafio será desconstruir a imagem criada pela mídia para Serra: a do gestor competente, preocupado com a responsabilidade fiscal, defensor do mercado e do social (por conta das recordações da atuação na Saúde).

Há uma obra relevante de Serra parlamentar, mas de baixa eficácia popular. Já seu trabalho no Ministério da Saúde tem apelo concreto. Será difícil para a contrapropaganda atacá-lo, mesmo porque algumas das heranças de sua gestão (envolvimento de assessores diretos com as máfias da Saúde) prosseguiram no governo Lula.

Assim, a discussão sobre sua eficiência administrativa se concentrará na avaliação de sua gestão como governador de São Paulo que até agora tem sido magnificamente blindada pela mídia.

Serra vestiu o figurino político que era de Paulo Maluf (vendendo a ideia de bom administrador, preocupado apenas com grandes obras e medidas populistas-conservadoras visando sensibilizar a classe média), porém fiscalmente responsável e ainda sem os escândalos de Maluf.

Seus calcanhares-de-Aquiles:

1. No campo das obras, deixará incompleta grande parte da sua vitrine: as obras viárias. Enfrentou os mesmos problemas do PAC – demora em licenciamento ambiental, falta de planejamento para as desapropriações. De certo modo, a exposição desses problemas amenizará as críticas quanto à morosidade do PAC. Além disso, os adversários mostrarão a participação de recursos federais nas obras paulistas.

2. O Serra bom administrador é lembrança do passado – especialmente na Secretaria da Fazenda de São Paulo, na atividade parlamentar e na parte visível de sua atuação na Saúde. Na Prefeitura e no Estado (que são realidades administrativas mais complexas) é nítida a fragilidade administrativa de Serra, incapacidade de enxergar gestão além das obras. Recorre a métodos arcaicos de administração, não aprendeu a trabalhar em gestão colegiada ou em processos, não inovou uma prática administrativa sequer (com exceção do governo eletrônico), nos seus discursos parece não ter idéia sobre o que está sendo feito por seus secretários. Agindo assim, foi incapaz de mobilizar a Europa brasileiro para um projeto moderno de desenvolvimento. Mas são temas para públicos especializados, assim como o estilo autoritário e centralizador do governador. Provavelmente a crítica mais eficiente será sobre a falta de cara do governo Serra.

3. O aparelhamento da máquina estadual por quadros do PSDB nada fica a dever aos quadros federais pelo PT. E os esquemas com fornecedores são mais amplos e arraigados, já que o PSDB está há mais anos em São Paulo, onde é poder hegemônico e homogêneo – sem a heterogeneidade da administração federal. Aliás, apenas no governo Alckmin abriram-se brechas para fornecedores de fora do esquema, muito mais pela falta de experiência de gerenciamento político de Alckmin. Mesmo assim, é uma realidade difícil de ser descrita na propaganda pela TV. Provavelmente a Internet cumprirá esse papel de disseminador desse lado do Serra, poupado pela mídia convencional.

4. O ataque maior deverá se concentrar na falta de sensibilidade social do governo Serra, associando-o ao governo FHC. Essa tarefa será facilitada pela perda de identidade do PSDB, que, mesmo depois de Serra e Aécio governadores, andou à reboque da supina vaidade de FHC. Hoje é um partido tão dependente de FHC quanto o PT de Lula. Só que Lula tornou-se Ás de Ouro e FHC terminou mico.

Nesse particular, será uma campanha engraçada: os marqueteiros do PT jogando FHC no colo de Serra; e os marqueteiros de Serra espanando e gritando “tira esse mico daqui”.

Nessa linha, haverá profusão de elementos, como a crise na segurança paulista, os indicadores de educação, a falta de políticas sociais eficientes, a demora em aderir ao programa habitacional do governo federal, a venda da Nossa Caixa, o preço dos pedágios. Como demonstrou Alckmin em sua campanha, a venda de empresas públicas ainda recebe avaliação negativa dos eleitores.

5. A imagem do Serra desenvolvimentista poderá ser atacada mostrando a lentidão exasperante para adotar medidas anti-crise. Enquanto o governo federal reduzia o IPI para manter a economia funcionando, Serra implantava a substituição tributária, aumentando a arrecadação paulista em detrimento da federal (bancada por contribuintes de todos os estados, incluindo São Paulo). Ou seja, foi “esperto”, em um momento que exigia solidariedade.

6. A imagem do Serra decidido poderá ser confrontada com dois vacilos imperdoáveis: a greve na USP e da Polícia Civil. Nos dois casos, sua insegurança permitiu com que a crise extrapolasse até o conflito físico. Depois, recuou rapidamente da intransigência inicial, mostrando fraqueza. Nos dois tempos, incapacidade de administrar conflitos. Aliás, a perspectiva de quatro anos de guerra, com Serra eleito – com movimentos sociais, com críticos, com setores não alinhados – é um fantasma que atormenta todos os que testemunharam a paciência e habilidade políticas de FHC e Lula. Mas provavelmente não terá apelo eleitoral.

7. A imagem do Serra responsável com as contas públicas deverá ser combatida de várias maneiras: os gastos exorbitantes com propaganda; as compras de assinaturas e material didático de empresas jornalísticas aliadas; a venda de ativos públicos para pavimentar suas obras; o avanço sobre receitas futuras (como a venda de dívidas ou da folha de pagamento dos funcionários).

8. Em relação a escândalos e dossiês, antes da Internet havia mais espaço para Serra atuar nessa área. Mesmo assim, o caso Lunnus (contra Roseana Sarney) afetou sua imagem junto a setores formadores de opinião. De qualquer modo, com o combustível eleitoral, tapiocas e mensalões tendem a ser desenterrados, mas dos dois lados. Assim como na área federal, há um bom estoque de escândalos a serem explorados na área estadual. No caso dos escândalos contra o governo, explorados pela mídia aliada de Serra; dos escândalos contra Serra, ou através da Internet ou de candidaturas auxiliares.

Do Valor

“Serra vai ganhar guerra de biografias”

Caio Junqueira, de São Paulo

Luiz González, 56 anos, paulistano, neto de espanhóis da Galícia, deverá ser o principal estrategista da campanha do governador de São Paulo, José Serra, a presidente em 2010. É o marqueteiro preferido dos tucanos paulistas. Sua ascensão no marketing político foi concomitante à consolidação do PSDB no governo estadual. Já se vão 15 anos desde que fez a campanha de Mário Covas, em 1994, mesmo ano em que trabalhou para Serra, que disputava o Senado. Quatro anos depois, ajudava Covas a se reeleger. Em 2000, perdeu com Alckmin na prefeitura, mas o fez governador dois anos depois. Voltaria a trabalhar para Serra na campanha à prefeitura em 2004 e ao governo do Estado em 2006, quando atuou para Alckmin na disputa presidencial. No ano passado, elegeu Gilberto Kassab (DEM) prefeito.

Foi em sua agência Lua Branca, detentora de contratos de publicidade tanto com a Prefeitura de São Paulo quanto com o governo paulista, que ele recebeu o Valor para uma entrevista, explicitou sua estratégia que, a exemplo do governo, é de polarização entre Serra e Dilma – “Só que o embate não vai ser entre Lula x FHC, mas entre a biografia de um realizador e a de uma desconhecida”. A seguir, trechos da entrevista:

Valor: O senhor não teme a transferência de votos de Lula para Dilma?

Luiz González: Aqui em São Paulo ou em Caetés (cidade pernambucana em que Lula nasceu)? Em Caetés haverá mais. A pergunta é: quanto Lula vai transferir nos lugares onde a informação é menos variada, chega mais devagar e as pessoas dependem mais do Estado? Quanto isso pesa mais do que a admiração que as pessoas possam ter por um cara como o Serra e a expectativa de que com ele o lugar onde o eleitor vive melhora? Lula fez campanha para Marta. Foi para o palanque e resultou em quê? Nada. Não levantou meio ponto porque o eleitor aqui é atento.

Valor: Mas e no resto do país?

González: Alckmin era desconhecido nacionalmente, enfrentava um mito que tinha disputado as cinco últimas eleições e que havia feito um governo em que a economia ia bem. Agora está invertido. A Dilma é desconhecida, o Serra é mais conhecido e tem mais biografia. Dilma precisa mostrar o que o governo fez. Pode subir até certo ponto, mas para subir para valer tem que expor a pessoa.

Valor: Foi a privatização que derrotou o Alckmin?

González: Eu nunca saí de um estúdio tão festejado como naquele dia do debate da Bandeirantes. Não só os políticos mas também os coleguinhas. E eu sabia que tinha dado errado. Tinha falado pra ele: não faz isso. Foi ali que ele perdeu a eleição. Colocou o dedo na cara do Lula, foi desrespeitoso. O público fala: ‘Quem é esse cara? Tô desconhecendo’. E teve também a reação do Lula no segundo turno. Fez a famosa reunião no Palácio do Planalto com 17 ministros, despachou um para cada Estado e escalou quatro para aparecerem no “Bom Dia Brasil”, “Jornal Hoje”, “Jornal Nacional” e “Jornal da Globo”. Várias entrevistas do PT metendo a ripa no Alckmin e do nosso lado ninguém. O Tasso (Jereissati) estava no interior do Ceará, o Sérgio Guerra, em Pernambuco, o César Maia sumiu. Consegui o Heráclito Fortes para dar uma coletiva. Se você dá uma entrevista às 15h eu tenho que dar outra às 15h30. Esse é o jogo. E o nosso foi um desastre.

Valor: A força do Lula no Nordeste também não foi decisiva?

González: Não foi apenas no Nordeste. Uma grande derrota que ele sofreu foi no Amazonas. Perdemos em Minas, que tem 10 milhões de eleitores, por 1 milhão de votos. No Amazonas, que tem 2 milhões, perdemos por 900 mil votos. Amazonas virou Minas, que é o terceiro colégio eleitoral do país, porque os dois candidatos da base do Alckmin, Arthur Virgílio e Amazonino Mendes, brigaram o tempo todo e nenhum deles conseguiu defender o candidato da acusação de que ele acabaria com a Zona Franca.

Valor: Em 2010, o comando de Lula sobre a campanha não fará a diferença?

González: Uma coisa é o Lula outra é essa mulher [Dilma] que ninguém sabe de onde veio. Estou colocando como caricatura o discurso, mas no fundo é o seguinte: será que as pessoas estão dispostas a aguentar o PT mais quatro anos sem o Lula? Sem o Lula ficam só os Waldomiros [Waldomiro Diniz, ex-assessor do Planalto flagrado em vídeo recebendo propina]. O Lula foi preservado nessa coisa toda, e sem ele como é que fica?

Valor: O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?

González: Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece? Tudo isso vai continuar e vai melhorar porque onde esse cara [Serra] põe a mão dá certo. Veja só, como ministro: 300 hospitais reformados. Como deputado: tirou o seguro-desemprego do papel. Como ministro da Saúde: fez os genéricos. Como governador: fez três vezes mais metrô que todo mundo. Onde ele põe a mão dá certo. Vai dar certo com aposentadoria, com salário mínimo, água encanada porque ele é um realizador, tem credibilidade, melhora a vida das pessoas por onde passa. E do lado de lá? Quem é? Ninguém sabe.

Valor: E o PAC e o pré-sal?

González: Eles vão mostrar o PAC, nós vamos mostrar que o PAC não existe. Está tudo parado. A vantagem da campanha política é que o contraditório é exercido todos os dias. Cada um fala o que quer, ouve o que não quer e o eleitor julga. Por isso a campanha não é publicitária, é jornalística. Quanto tem para o pré-sal? São 5 bilhões de barris a US$ 40 dólares o barril. US$ 200 bilhões. Por que não põe US$ 100 bilhões na saúde agora? Ah, não existe? Pensei que tivesse. Não estão falando que a Petrobras está sendo capitalizada com 5 bilhões de barris?

Valor: A aposta, então, é que na disputa entre biografias o Serra leve?

González: O Serra é o favorito, tem grandes chances de ganhar. A Dilma passou a ter problemas com a entrada do Ciro [Gomes] e da Marina. Será uma surpresa se ela decolar. O governo acha que vai ser um plebiscito Lula versus não-Lula, ou Lula versus FHC, mas nós não vamos deixar. Não é isso. É a biografia do Serra contra a da Dilma. E daí o nosso japonês é melhor do que o japonês dos outros. Serra foi deputado constituinte, senador, secretário de Estado, ministro duas vezes, prefeito, governador. Tudo o que ele fez alicerça o que vai prometer. Isso dá credibilidade, confiança. E é uma figura nacional.

Valor: Como contrabalançar o Norte e o Nordeste?

González: Uma questão central na campanha é que Serra não pode perder Sul e Sudeste. Não é à toa toda essa movimentação em São Paulo. Eles não são trouxas, precisam de alguém que tire votos do Serra aqui. Uns cinco, seis pontos. Todo esse jogo com o [Gabriel] Chalita é entre PSB e PT porque tem que tirar uns 4 milhões de votos do Serra aqui. O Nordeste é fundamental, é importante, mas acho que nunca se pode perder suas cidadelas. O negócio é que não se pode perder de muito lá e ganhar bem aqui. Serra é tido no Nordeste como o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve.

Valor: O PMDB é crucial?

González: Se o PMDB for para o governo nos prejudica bastante porque tempo de TV é importante.

Valor: O fato de o PMDB ter as maiores bancadas no Congresso e o maior número de prefeitos não é importante também?

González: Não. Isso não é garantido, pois ninguém sabe se eles vão ajudar mesmo. Alguns só ajudam se receberem recurso material, outros até ajudam adversários. O PMDB de Pernambuco é diferente do de Goiás, que é diferente do Rio. Há a possibilidade remota, mas existente, de eles fecharem com o Serra. Aí nossa chance aumenta muito. A possibilidade em que acredito: o PMDB não vai para ninguém. Aí zera e a eleição fica polarizada entre Serra e Dilma. Mas até o início da campanha ela vai sofrer com matérias que ela não emplaca. Alguém do PT em off criticando, dizendo que o gênio dela é ruim, que ela briga com todo mundo. Só bastidores. Ela vai sofrer com isso.

Valor: E o Ciro?

González: Não emplaca. Primeiro porque não vai ter tempo de TV. Vai ter PSB e mais o tempo igualitário, que vai dar uns dois minutos e meio. Sabe qual a leitura do público? ´Aquele pequenininho lá não vai governar porque não consegue agregar. Tem dois que são pra valer e dois nanicos´. Segundo porque ele é verborrágico e alguém vai provocá-lo. Pode ser o Serra ou até mesmo a Dilma, porque pode se travar uma disputa entre ela e o Ciro pelo segundo lugar. Para nós é o melhor cenário. Isso se o Ciro não tiver cometido nenhum deslize verborrágico, o que eu não acredito.

Valor: E a Marina?

González: É uma candidata interessante, bacana, com história bacana, com aura de seriedade. A única coisa que a prejudica neste momento é o pouco tempo de TV. É pouco para expor as ideias, convencer, seduzir e apaixonar. O eleitor também avalia a capacidade de fazer alianças pelo tempo de TV. A tradução do pouco tempo é esse: o cara não tem força. Ela tende a murchar também.

Valor: Aqui em São Paulo o PSDB faz sucessor sem atropelos?

González: São Paulo sempre é uma eleição complicada. É um lugar com opinião pública forte, gente informada, urbanizada, antenada. Mas acho difícil para a oposição mesmo porque não sei quem é o candidato.

Valor: O Palocci pode ser competitivo em São Paulo?

González: Será um erro se ele sair. Tem uma série de coisas de quando ele foi prefeito de Ribeirão Preto que ainda não foram resolvidas, assim como o caso do caseiro Francenildo que também não foi resolvido na opinião pública.

Valor: E a disputa entre os tucanos? Alckmin lidera as pesquisas, mas o meio político prefere Aloysio Nunes Ferreira, com dois pontos nas pesquisas. É difícil alavancar o Aloysio?

González: Você pergunta o que é mais difícil, não a minha preferência. Mesmo porque, essa é uma questão partidária e não me caberia opinar. Mas é óbvio que é mais difícil pegar alguém com 3 ou 5 pontos e lutar morro acima para levar a 20, 25 pontos e forçar o segundo turno do que pegar um candidato com 50 pontos, ex-governador do Estado.

Valor: O que é mais determinante ao voto?

González: Tem uma tese do professor João Albuquerque, da USP, defendendo que 15% votam por identificação, o mesmo percentual, por oposição e 70% por expectativa de benefício futuro. A questão central é como se cria uma identificação com o candidato e se desperta no eleitor a confiança de que ele é capaz de melhorar sua vida.

Valor: A internet vai ser importante em 2010?

González: A cada eleição a internet fica mais importante. E, em 2010, pode até ser a ferramenta mais comentada, pelas novidades que trará. Mas não acredito que será a mais importante. Nas condições de 2010, acho que a TV ainda será mais importante do que a internet, por mais amplas e diversificadas que sejam as ações na internet e por mais tradicionais que sejam na TV. Mário Covas dizia que se ele tivesse pouco dinheiro pagaria advogado e programa de TV e depois contrataria o resto. Se fosse para hierarquizar os veículos que eu usaria, diria que o mais importante é o horário eleitoral, free media [presença dos candidatos no rádio, TV, jornais e revistas], programa eleitoral no rádio e, por fim, a internet.

Valor: Por que?

González: Pela abrangência. O Brasil tem pouco mais de 131 milhões de eleitores. A televisão chega a praticamente todos. Existem 57 milhões de domicílios no Brasil. Há pelo menos um aparelho de TV em 95% desses domicílios – 170 milhões de brasileiros a assistem diariamente. Estima-se que haja até 60 milhões de internautas, com 11 milhões de conexões em banda larga. Ou seja: a televisão chega a muito mais gente. Outra questão é a distribuição geográfica. A TV chega a todo o país de maneira mais uniforme: 96% dos domicílios urbanos têm TV. Na zona rural a presença cai, mas ainda é alta: 78% das residências rurais têm TV. Essa presença avassaladora e bem distribuída não acontece, ainda, com a internet. A internet está mais presente nas regiões Sul e Sudeste, com 60% dos internautas. Mas as regiões Norte e Nordeste que têm, juntas, 34% do eleitorado, só têm 22% dos internautas.

Valor: Essa concentração da internet no Sul e Sudeste favorece alguma candidatura?

González: Acho que a internet vai servir de maneira distinta às candidaturas. Serve mais ao PT do que ao PSDB. Como o PT tem mais dificuldade no Sul e no Sudeste, onde a internet tem mais penetração, o instrumento vale mais. Da mesma forma, se o corte for cidade grande versus cidade pequena, o PT tem mais dificuldade nas capitais e cidades grandes. O PSDB tem mais dificuldade nos grotões. Desse ponto de vista, o que o PSDB precisa é de carro de som nas pequenas cidades. Além disso, a televisão é um veículo impressionista. É um veículo de emoção, que surpreende o telespectador em sua casa. Nessas características essenciais, é insubstituível.

Valor: O que o senhor achou da reforma eleitoral recém-aprovada?

González: Lamentável. O Congresso perdeu a oportunidade de limpar as regras eleitorais, de deixar o pleito mais livre. Por exemplo: não se pode usar imagem externa nas inserções ao longo da programação, nos comerciais. Mas se pode usar imagem externa nos programas grandes, em bloco. Qual o motivo?

Valor: Quais são os outros problemas da reforma?

González: A reforma instituiu um “liberou geral” nas coligações. Agora é possível, na mesma circunscrição eleitoral, fazer coligações que se contradizem. Essa emenda do “liberou geral” para as coligações atende a estratégia governista. Nos últimos anos, prevaleceu a norma que impedia o uso de um espaço eleitoral no rádio e na TV por um candidato a outro cargo. Mesmo assim, em 2006 Lula “invadiu” grande parte das campanhas estaduais, principalmente onde o candidato a governador do PT era fraco. Foi parcialmente punido por isso, com perda de tempo de TV. Nem todas as “invasões” foram descobertas a tempo de se acionar o TSE. Na eleição de 2010, as campanhas estaduais estão autorizadas a veicular “imagem e voz” do candidato a presidente, ou de militante político nacional. Traduzindo: é a licença para Lula e Dilma” invadirem” os tempos de propaganda de candidatos a governador, senador e deputados. Vai ser uma festa. Infelizmente, a oposição deixou passar. Vamos ver o que o TSE diz sobre o assunto.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições, Política Tags: , , , , ,

144 comentários para “O marqueteiro de Serra”

  1. edna baker disse:

    Altamiro Souza tem razão “Aperto de mão do Lula ninguém esquece!”

  2. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Se por acaso, mesmo após os meus comentários de 14/10/2009 às 13:24 e de 14/10/2009 às 19:08 aqui para este post “O marqueteiro de Serra” de 14/10/2009 às 07:00, alguém ainda dizer que eu sou a favor de José Serra, eu vou procurar refutar esse entendimento analisando criticamente o que diz o marqueteiro Luiz Gonzales na resposta dele à pergunta do jornal Valor Econômico logo no início da entrevista.
    Pergunta o Valor: “O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?”
    Responde o Marqueteiro Luiz González: “Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece? Tudo isso vai continuar e vai melhorar porque onde esse cara [Serra] põe a mão dá certo. Veja só, como ministro: 300 hospitais reformados. Como deputado: tirou o seguro-desemprego do papel. Como ministro da Saúde: fez os genéricos. Como governador: fez três vezes mais metrô que todo mundo. Onde ele põe a mão dá certo. Vai dar certo com aposentadoria, com salário mínimo, água encanada porque ele é um realizador, tem credibilidade, melhora a vida das pessoas por onde passa. E do lado de lá? Quem é? Ninguém sabe.”
    O PSDB tem a mania de cópia. Há um texto de FHC que se chama “A originalidade da cópia”. Provavelmente seja o único texto bom de FHC. De FHC é modo de dizer, pois é texto com base na análise da dialética marxista dos amigos dele. Então essa é a essência do PSDB. Copia tudo. Não vê a diferença entre realidades diferentes e vai aplicando aqui o que ainda está em experimento em outros países.
    Assim, a Lei de Responsabilidade Fiscal deu certo em algum condado ou distrito, então tem de dar certo no Brasil. Regime de Metas de Inflação, câmbio flutuante, agências reguladoras, pulverização das telecomunicações, etc. tudo vai sendo incorporado à realidade brasileira sem tir-te nem guar-te. E não ficam só na cópia sem ajustes à nossa realidade, apropriam e se dizem inventores, da roda ou do que quer que seja.
    Assim, após os 300 hospitais reformados tudo o mais é apropriação indevida. Fiquemos por ora nos 300 hospitais. Em 1986, à custa do Plano Cruzado, Newton Cardoso foi eleito governador de Minas Gerais. Assumiu em 1987 e entregou o poder para Hélio Garcia que tentou passar a idéia de que fora o apoio dele a razão para a eleição de Newton Cardoso. Helio Garcia teve parte na eleição. O Plano Cruzado também teve parte. Um pouco de fraqueza de Itamar Franco e um pouco da aliança que Itamar Franco montou também pesou na eleição de Newton Cardoso.
    Pesou também, mas ninguém fala nisso o carisma de Newton Cardoso e a capacidade de trabalho e de gerenciamento executivo de Newton Cardoso. Eleito, juntou-se com Quércia para pressionar José Sarney para conseguir verbas para o Estado. Iniciou a construção do hospital do coração em Belo Horizonte – o Cardiominas. Dizem que comprou muito equipamentos, mas só ficou o esqueleto de um prédio em construção. Veio Hélio Garcia com Collor e Itamar Franco, Eduardo Azevedo com FHC, Itamar Franco com FHC e José Serra no Planejamento e nada de se mudar alguma coisa na construção. Veio Aécio Neves, Fernando Pimentel, Lula e Dilma e hoje há um belo hospital no lugar. Se tivesse sido o José Serra eu ficaria satisfeito em dizer 301 hospitais reformulados.
    O que eu vou comentar agora também já foi mencionando em outros comentários como, por exemplo, no comentário de Felipe Rodrigues enviado em 14/10/2009 às 14:50, com questionamentos sobre o programa de combate a AIDS e o programa dos medicamentos genéricos. A forma como Felipe Rodrigues refere-se à apropriação dos programas talvez não seja exatamente fiel aos fatos. Em relação ao programa de combate a AIDs há um relato bem circunstancioso no blog do Azenha com o título “AIDS: Serra assume como dele programa criado por Lair e Jatene” (Atualizado em 14 de junho de 2009 às 19:56 | Publicado em 12 de junho de 2009 às 12:10) e de autoria de Conceição Lemes.
    Bem, então após os 300 hospitais reformulados quando José Serra era ministro da Saúde, o Luiz Gonzáles acrescenta:
    1) “Como deputado: tirou o seguro-desemprego do papel.”
    Se formos atrás do histórico do seguro-desemprego encontraremos o seguinte: “Embora previsto na Constituição de 1946, foi introduzido no Brasil no ano de 1986, por intermédio do Decreto-Lei n.º 2.284, de 10 de março de 1986 e regulamentado pelo Decreto n.º 92.608, de 30 abril de 1986.”
    Decreto-Lei da época da ditadura era emitido pelo presidente da República e passava a vigorar se em 45 dias se o Congresso Nacional não o rejeitasse. E quem era o presidente da República na época? O mesmo que você no final do post intitulado “As denúncias contra Sarney” de 17/06/2009 as 15:59 diz considerar “o maior representante do que de mais atrasado existe na política nacional”: José Sarney.
    2) “Como ministro da Saúde: fez os genéricos”
    A descrição que o Filipe Rodrigues faz no item 2 do comentário que ele enviou em 14/10/2009 às 14:50, parece-me bastante factual. A legislação é da época de Itamar Franco como presidente e Jammil Haddad como ministro da Saúde. Ficou faltando indicar qual foi a participação maior de José Serra nos medicamentos genéricos para que todo mundo o aponte como o grande responsável pelo programa. José Serra subsidiou com o dinheiro público a propaganda dos medicamentos genéricos. Em vez de instruir ao MEC para obrigar as Faculdades de Medicina a dar maior destaque para os medicamentos genéricos, José Serra optou por gastar dinheiro publico para divulgar o medicamento genérico. É claro que ninguém pára para lançar suspeita sobre o fato de que com a propaganda o medicamento genérico subiu de preço, o brasileiro, já bastante hipocondríaco, passou a automedicar-se ainda mais, o que trás sérios problemas de saúde pública (Não é de se estranhar que uma propaganda que todos dizem que foi muito boa nunca mais foi feita) e o mais interessante é que as grandes empresas de medicamentos estão situadas em São Paulo (90% da importação de medicamentos é feita por empresas situadas no estado de São Paulo).
    Faltou o Luiz Gonzáles acrescentar a vinculação de José Serra com o programa de combate a AIDs pois é essa uma das grandes obras atribuídas ao paulistano. Como eu disse há um bom artigo no blog do Azenha (“AIDS: Serra assume como dele programa criado por Lair e Jatene” (Atualizado em 14 de junho de 2009 às 19:56 e publicado em 12 de junho de 2009 às 12:10) e de autoria de Conceição Lemes) com o histórico do Programa de Combate à AIDs. Transcrevo o seguinte trecho do artigo:
    “. . . . Sensibilizado com o problema, o senador José Sarney, então presidente do Senado, apresentou e conseguiu aprovar contra a opinião de alguns setores do governo (do presidente Fernando Henrique Cardoso), a Lei 9313 de 13/11/96”.
    Na época já derrotado por Celso Pitta na eleição para a prefeitura de São Paulo, José Serra estava de volta ao Senado onde poderia ser considerado como fazendo parte de alguns setores do governo de FHC com opinião contrária a legislação que José Sarney conseguiu aprovar. É só ler os jornais da época que se verá o José Serra criticando o projeto de lei que resultou na Lei 9313. Bem, José Serra não estava de todo errado. José Sarney que é por você considerado como “o maior representante do que de mais atrasado existe na política nacional” é também por mim considerado como tal quando se leva em conta o principal instrumento de realização do poder público: a carga tributária. Quando José Sarney assumiu a presidência da República, em 15 de março de 1985, a carga tributária brasileira estava na casa de 24%, e caiu para 22% quando ele entregou o poder para Fernando Collor em 15 de março de 1989. José Sarney não buscou nenhuma fonte de financiamento para uma legislação que seria bastante generosa para com o doente de AIDs, pois a legislação consistia em assegurar o tratamento gratuito para a enfermidade.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 14/10/2009

  3. Gunter-SP disse:

    Muito bons seus comentários. Esclareceram-me fatos do passado que eu não conhecia.

    Tudo indica que o PSDB não é pródigo em iniciativas criativas e próprias, pois o mais famoso trunfo, o Plano Real, foi inspirado pelo sucesso do Plano Menem (de 1990) e preparado no Brasil em nov./93, por Edmar Bacha (e não por FHC apesar deste ser o ministro), sob o patrocínio do Itamar e do PMDB (não sei se Itamar já havia retornado ao PMDB nessa época).

    Até o Mercosul tem raízes em Sarney/Collor.

    Como as privatizações não foram populares, o que ficou do governo FHC foi a responsabilidade fiscal. (Mas você indica que até isso foi copiado)

    De qualquer modo, a história então diz que o PSDB é focado apenas em gestão e quando muito em aperfeiçoamentos. Raramente apresenta um programa de estado (a não ser o estado mínimo, que caiu em descrença no mundo.) Como é o histórico em MG?

    Só não concordo muito em dizer que Serra coloca os interesses de SP acima de tudo. Ele me parece colocar os interesses dele acima de SP.

    • Clever Mendes de Oliveira disse:

      Gunter (14/10/2009 às 23:49),
      Obrigado pelo elogio. Tenho que repetir aqui o agradecimento que eu fiz para o comentarista Jotapê junto ao post “A irresponsabilidade cambial de Lula” de 09/10/2009 às 08:10, dizendo que o agradecimento é triplo: pelo elogio, por ler o texto e por ler textos meus que sempre são tão extensos. Depois eu descobri que o Jotapê passara pelo sofrimento da longa leitura por duas vezes, pois eu havia copiado no meu comentário que ele elogiara um outro comentário também grande que eu enviara para o post “BC x Fazenda” de 07/10/2009 às 14:00 e que ele havia elogiado.
      E aproveito para fazer uma correção em informação que repassei no comentário enviado em 14/10/2009 às 20:55. Falando sobre a epopéia do Cardiominas, eu disse o seguinte:
      “Iniciou a construção do hospital do coração em Belo Horizonte – o Cardiominas. Dizem que [Newton Cardoso] comprou muitos equipamentos, mas só ficou o esqueleto de um prédio em construção. Veio Hélio Garcia com Collor e Itamar Franco, Eduardo Azevedo com FHC, Itamar Franco com FHC e José Serra no Planejamento e nada de se mudar alguma coisa na construção. Veio Aécio Neves, Fernando Pimentel, Lula e Dilma e hoje há um belo hospital no lugar. Se tivesse sido o José Serra eu ficaria satisfeito em dizer 301 hospitais reformulados.”
      Na verdade, o certo é:
      “. . . . Veio Hélio Garcia com Collor e Itamar Franco, Eduardo Azevedo com FHC E JOSÉ SERRA NO PLANEJAMENTO (ELE FOI MINISTRO DO PLANEJAMENTO EM 1995 E ATÉ MARÇO DE 1996 QUANDO SE DESCOMPATIBILIZOU PARA DISPUTAR A PREFEITURA DE SÃO PAULO CONTRA PITTA), Itamar Franco com FHC e José Serra NA SAÚDE e nada de se mudar alguma coisa na construção. Veio Aécio Neves, Fernando Pimentel, Lula e Dilma [E DEVERIA ACRESCENTAR JOSÉ GOMES TINHORÃO NA SAÚDE]e hoje há um belo hospital no lugar.
      Ao reler hoje o post eu vi a expressão “Veja só, como ministro: 300 hospitais reformados” e dei-me conta que 300 hospitais reformados faz lembrar “Os 300 de Esparta”. Não sei se esta é propaganda recente. Se for recente, ela é cópia.
      Não gosto de FHC. Desde a época do jornal Movimento, eu o achava um demagogo (Chamo demagogia o populismo feito para os ricos). Penso, entretanto, que o Plano Real que eu fui e sou contra deveria ser melhor avaliado e junto a essa avaliação se deveria avaliar também a importância de FHC na coordenação do Plano tanto sob o aspecto econômico como sob o aspecto político e dos acertos no mercado externo. Fui e sou contra o Plano Real porque penso que o processo de acabar com a inflação deveria ser um processo lento como se fazia na administração de Marcílio Marques Moreira durante o governo Collor no período chamado de Plano Collor II. A Inflação voltou a subir com Itamar e FHC aproveitou e deixou-a subindo lentamente para que a implantação do Plano Real fosse ainda mais rocambolesca. Fazer um Plano para acabar com a inflação de uma vez tem efeitos econômicos tremendos e danosos para a economia que os defensores do Plano Real não assumem preferindo culpar o Gustavo Franco que embora só tenha assumido o posto de presidente do Banco Central em 20 de agosto de 1997, foi o grande timoneiro do Plano Real. Falo disso em um post no blog antigo de Luis Nassif projetobr na aba principal do blog com o título “O estrategista maior” de 03/08/08 às 10:11. Há comentários também mais recentes em especial junto ao post “A análise de Gustavo Franco” de 17/04/2009 às 11:09 em que eu defendo mais o Gustavo Franco.
      Foi mérito de FHC levar Gustavo Franco para formar a equipe que implantou o Plano Real. Lembro que quando FHC assumiu, eu ria a bandeiras despregadas a cada economista que ele chamava para compor a equipe. Todos da antiga turma do Plano Cruzado. Não que eu torcia contra o Brasil, mas aceitava que o pais que ia a trancos e barrancos se submetesse a mais alguns meses de incompetência de um demagogo sem tamanho. Até que ele chamou Gustavo Franco que por um texto que eu lera dele em uma revista americana que fora indicado por Delfim Neto para ler um trabalho sobre tributação (Tax Policy: A Survey. John A Kay. Economic Journal, 1990, vol. 100, issue 399, pages 18-75) em que o reconhecera como o único economista que eu acreditava fosse capaz de acabar com a inflação. A referência bibliográfica para o texto de Gustavo Franco é: (Franco, Gustavo H. B. (1990): “Fiscal Reforms and Stabilization: Four Hyperinflation Cases Examined” The Economic Journal, Vol. 100, no 399, (March 1990), pp. 176-187.). O que a Google faz pela gente! Tenho uma cópia em casa deste texto, mas não o tenho encontrado, mas nas minhas referências não punha o nome do artigo e nunca o mencionava nos meus comentários aqui para o blog do Luis Nassif ou em outros blogs.
      Quando eu falo sobre a defesa dos interesses de São Paulo é porque ele como um economista de esquerda deveria defender a distribuição de renda que deve ser pensada não só socialmente, mas também espacialmente. Assim na Constituinte de 86-88, ele deveria ter evitado a alíquota zero de ICMS nas operações com combustíveis e energia elétrica que beneficiavam São Paulo e devia ter alertado que a alíquota reduzida (7%) de ICMS para o Nordeste, Espírito Santo, Centro Oeste e Norte é benéfica para as finanças públicas dos estados mais pobres, mas é prejudicial para a economia desses estados, pois as empresas vão preferir produzir nos estados onde o consumo já é grande é vender para os estados pobres a uma alíquota reduzida do que produzir em um estado de baixo consumo e na saída interestadual a alíquota não ser tão reduzida (12%).
      Quanto ao governo Aécio, a minha opinião está exposta mais detalhadamente no post aqui no blog do Luis Nassif intitulado “O governo Aécio” de 03/06/2009 às 12:37. Há um grande gerente que é o Augusto Junho. É um gênio, mas como eu costumo dizer, os gênios não são grande coisa não. O governo Aécio não tem a empáfia autoritária da soberbia sapiente do tucanato de São Paulo, mas muitos dos auxiliares possuem essa arrogante presunção da sapiência. E possuem o grande defeito do PSDB que é pensar uma coisa e dizer outra. Exemplificando para o caso geral com três frases do PSDB.
      “É um partido que veio para trazer a ética para a política”. Eles sabem que a política é a composição de interesses conflitantes e a composição de interesse é uma luta feita não pelo indivíduo, mas pelo representante que não pode renunciar, mas sim negociar e, portanto, não há ética.
      “A inflação é o mais injusto dos impostos”. Não há comprovação econômica disso e eles sabem disso.
      “Governo bom fica e governo ruim o povo tira”. Eles sabem que provavelmente trata-se de frase falsa. Que não é pelo resultado que se deve valorizar a democracia, mas sim pelo processo que nos faz a todos iguais.
      E Aécio Neves não foge dessa forma de enganar bem própria do PSDB. A diferença é que aqui em Minas felizmente o PSDB não possui um corpo de ideólogos divulgando essas idéias no melhor caquéticas no pior falácias (ou contrafações).
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 15/10/2009

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