O novo capitalismo de família no Brasil
Um dos fenômenos ainda não devidamente analisados nesta etapa do desenvolvimento brasileiro, é o do chamado capitalismo de família.
A privatização criou uma geração de novos financistas, beneficiados pelo modelo de FHC – que teve como principais mentores Gustavo Franco (no planejamento político), André Lara Rezende (no papel de conduto entre o mercado e a política cambial), Pérsio e Edmar Bacha (amoldando a política cambial e monetária ao novo modelo) e Luiz Carlos Mendonça de Barros e Ricardo Sérgio (como operadores).
Daniel Dantas, aliás, surge ainda no governo Sarney e Collor, em parceria com o Citigroup, adquirindo ações da Telebras a preço de banana. Depois, se consolida na era tucana.
Sob o guarda-chuva de FHC consolidam-se também Jorge Paulo Lehmann, Daniel Dantas, Luiz César Fernandes e outros bastante expressivos, mas com menor visibilidade. Outros grupos conseguem ganhar com a privatização, mas correndo por fora do sistema FHC – caso de Benjamin Steinbruch, Andrade Gutierrez e grupo La Fonte.
Finalmente, há outros tycoons que entraram para o clube do bilhão aproveitando o grande movimento especulativo mundial. Caso típico de Eike Baptista, que montou uma mineradora, vendeu com o preço do minério do ferro batendo recordes históricos e lançou sua petrolífera com o petróleo cotado a US$ 130,00.
Ou mesmo de André Esteves e seus sócios, ao vender o Pactual para o UBS, recomprar um banco várias vezes maior, mas pelo mesmo preço. Só nessa operação, devem ter ganhado US$ 2 bilhões.
Esses anos todos foram caracterizados por grande desnacionalização da economia mas, por outro lado, pela enorme valorização dos ativos nacionais. Alguns grupos permaneceram sob controle nacional, ganhando dimensão internacional mas sem perder o controlo familiar, como a Odebrecht, Gerdau, Sadia (até o desastre dos derivativos), Suzano, Klabin, Votorantim.
Mas grandes grupos nacionais foram vendidos. As famílias controladoras se tornaram investidores, ganhando com o longuíssimo processo de juros estratosféricos. Há enormes fortunas acumuladas no período.
Hoje, muitas dessas famílias entregaram seus recursos para gestores. Com a queda dos juros, passaram a se tornar investidores na economia real, em setores tradicionais e em novos empreendimentos.
Há uma diferença grande da geração dos gestores de recursos. Não entram em negócios visando ganhar na semana seguinte. Apostam a longo prazo, são conservadores, precisam conhecer os empreendedores antes de dar o passo seguinte.
Nessa nova etapa do capitalismo brasileiro – se o Banco Central conseguir ser domado pelo próximo presidente – serão agentes ativos da capitalização na nova economia.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: capitalismo de família, Dantas, FHC, Lehmann

Nassif FANTáSTICO a sua explicação sobre “Capitalismo Familiar no Brasil”, agora na atual conjuntura política e social brasileira diante do mundo, resta saber qual será o próximo golpe (encenação midiática) dos poderes familiares destas sobre o brasileiro comum.
Isso é muito importante – alertar sobretudo os desavisados (infelizmente a maioria no Brasil)…
Temos que ter uma lei claríssima sobre o que é e como deve ser a atuação de uma concessão pública dos meios de comunicação – Urgente!!!!!!
Se não, virá mais um golpe de Estado (lembram de 64!?!) para nos eternizar no Obscurantismo e nas Trevas da Miséria Total…
Só resta saber em quem eles vão “investir” eleitoralmente: na continuidade da “sorte” representada pelo governo Lula, ou na volta aos “anos dourados” da especulação representados pelo governo PSDB/DEM (à época PFL).
Está devendo uma análise semelhante para a, digamos, evolução das famiglias (sic!) que dominam a mídia tupiniquim. E sobre os laços que unem a ex-ekipekonômica (sic!), hoje dona de bancos, mundos e fundos e os setores que, também digamos, prosperaram à sombra das medidas adotadas (e previamente comunicadas) pela inefável ekipe.
Nassif,como seria “domar o Banco Central” ?
Imagino que o analista seja partidário dos que acham que somente com um B.C,independente,uma nação pode crescer,e proporcionar segurança ao mercado financeiro,que deveria flutuar ao sabor das ondas deste mercado,e deixar de ser comandado por “canetadas”políticas. Sendo assim,como torcer para que o próximo Presidente “dome”esta instituição,e determine suas funções ?
Não deveríamos deixar o Poder Executivo ser apenas o indutor dos atos economicos,e deixar que a sociedade civil,aí incluída a administração do Banco Central,tenha a menos interferencia política dos governantes ?
Nas inúmeras veses em que os governos anteriores ditaram o rumo a ser tomado pelo B.C,você lembra qual foi o resultado.
Com ressalvas ao Henrique Meireles,e à constantemente criticada equipe do Copom,o Brasil hoje goza de outro conceito no que concerne á condução segura e austera,da nossa política economica e a nível interno,o cambio está relativamente dentro dos padrões aceitáveis,mesmo com sua tambem criticada política de flutuação do mesmo.
Já é passado aqueles dias de medo da sociedade,quanto aos rumos que estão sendo dados à nossa economia,e o medo que devemos ter,é ter que conviver novamente,com aqueles dias de insegurança e de intranquilidade economica.
Por falar em coisas estranhas, aí vai uma pergunta que não quer calar:
=> Se a Brasil Telecom tinha 62 por cento de seu capital acionário nas mãos dos Fundos de Pensão (liderados pela Previ) , por que motivo o BNDS e o Banco do Brasil DERAM R$ 5 BiLHÕES (ou seriam 15 BiLHÕES ??) nas mãos de Carlos Jereissat e Sérgio Andrade para a “criação de um grupo local forte” na área da telefonia (”patranha” da Br/Oi ) ???
=> Se a BT era “62 por cento nacional”, qual a justificativa de “DOAR” 100 por cento das ações a um grupo específico ???
=> Se eu tenho 51 por cento das ações de uma empresa, EU É QUE MANDO nesta empresa !! Estou certo ?! Ou alguém ainda assim manda mais do que eu, mesmo tendo menos da metade das ações ??
Sinceramente, NÃO ENTENDI até hoje….Mas estou pagando por isso !!
Obs. 1)
Para que a fusão Br/Oi se tornasse legal, foi necessário mudar o Plano Geral de Outorgas, que não permitia a concentração de mercado como a gerada por esse “negócio” (Aí entrou o decreto presidencial ->”Lula”…-> publicado em 21/11/08, que MODIFICOU o PGO e permitiu a “patranha” !!)
A compra da Brasil Telecom foi anunciada pela Oi no dia 25 de abril
( Portanto “fora da lei”…Mas já contava como certo o decreto presidencial que modificaria o PGO 7 meses depois…Interessante, né…?)
obs. 2)
=> Não perca o texto dessa esclarecedora reportagem (abaixo), que escancara os interesses espúrios por traz da necessidade de “um grupo local forte para enfrentar a espanhola Telefônica e a mexicana Telmex…”
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/537/artigo70289-1.htm
Obs. 3)
Não deixe de clicar sobre as 2 frases abaixo da simpática figurado sr. Carlos Jereissat – lá nesse texto sugerido:
* Um história conturbada ;
* O jogo do controle ;
Sabe o que é mais aterrorizador, nisso tudo ??
É que o Lula (ou o seu candidato) é o menos pior dos presidenciáveis !!
Att.
Martin
O Jereissat foi um dos financiadores da campanha do Lula. Ah, mas ele tem sobrenome de tucano. E quem disse que os tucanos se dao?
Vc so e dono com 51% das acoes ordinarias (com direito a voto). As prefenciais nao dao direito a um misero votinho.
A única duvida, hoje, é se a tunga no povo brasileiro foi maior quando o FHC vendeu a Vale ou quando o Lula patrocinou essa fusão.
“=> Se a Brasil Telecom tinha 62 por cento de seu capital acionário nas mãos dos Fundos de Pensão (liderados pela Previ) , por que motivo o BNDS e o Banco do Brasil DERAM R$ 5 BiLHÕES (ou seriam 15 BiLHÕES ??) nas mãos de Carlos Jereissat e Sérgio Andrade para a “criação de um grupo local forte” na área da telefonia (”patranha” da Br/Oi ) ???”: repatriacao de dinheiro.
“=> Se a BT era “62 por cento nacional”, qual a justificativa de “DOAR” 100 por cento das ações a um grupo específico ???”: repatriacao de dinheiro.
“=> Se eu tenho 51 por cento das ações de uma empresa, EU É QUE MANDO nesta empresa !! Estou certo ?! Ou alguém ainda assim manda mais do que eu, mesmo tendo menos da metade das ações ??”: quem repatria mais dinheiro manda.
Na Brasil Telecom…
“Os fundos de pensão, comandados por Sérgio Rosa (da Previ), possuem cerca de 62 % da Solpart, que controla a empresa”
( Dados de janeiro de 2008, ou seja, antes do “negócio” )
Por que criar a Br/Oi ??????
Att.
Martin
“Nessa nova etapa do capitalismo brasileiro – se o Banco Central conseguir ser domado pelo próximo presidente – serão agentes ativos da capitalização na nova economia.” por Luis Nassif
R – Assim, Nassif, eles deixarão de ser meros ‘rentistas’ e especuladores e irão se transformar em investidores de fato, aplicando seu capital nos setores produtivos, certo? E o país ganhará muito mais com isso, é claro.
Creio que isso poderia ter sido feito já no governo FHC, mas as alianças políticas deste deram preferência aos especuladores e rentistas, infelizmente.
Logo, não foi à toa que o governo FHC terminou de maneira tão melancólica.
E em vez de uma ‘Herança Maldita’ como a que FHC deixou para Lula, este legará uma ‘Herança Bendita’ para o sucessor ou sucessora.
Sorte de quem vier depois de Lula, pois encontrará o país quase pronto para deslanchar de vez no cenário mundial e se transformar numa Nação de verdade, com economia forte e competitiva e em crescimento, desigualdades sociais sendo progressivamente reduzidas e liberdades democráticas plenamente consolidadas.
“eles deixarão de ser meros ‘rentistas’ e especuladores e irão se transformar em investidores de fato, aplicando seu capital nos setores produtivos, certo? E o país ganhará muito mais com isso, é claro”
Nao vai acontecer. Quem investe no Brasil e nao tem conexoes politicas nem pritecao de lei internacional perde tudinho sem sobrar nem sombra de rastro. O Brasil eh um buraco sem fundo do dinheiro brasileiro.
Interessante notar nessa “nouveau jeunesse dorée´” do capitalismo,os cariocas, vá lá,fluminenses ,sejam dominantes.
Poder vir a ser os” Resgatadores do Status Perdido”,deste estado deliberadamente massacrado pela ditadura,começando pela criminosa fusão.
Eh.bom.lembrar:
Dantas.se.criou.no.governo.FHC
e.foi.preso.no.do.Lula
é.por.favor.corrija:
“próximA.presidentA”
No caso, Capitalismo Familiar não seria um novo nome para OLIGARQUIAS?
Ou seja, permanecemos na IDADE MÉDIA !
Nada a ver. É um estágio diferente, as famílias como investidoras.
Fazendo uma outra interpretação das informações sobre os neocapilistas brasileiros: nunca neste país houve tanta transferência do patrimonio público para riqueza privada como na era FHC, a famosa privataria. Tudo isto incrementado pela a inexistente taxação sobre heranças e grandes fortunas. É inócuo raciocinar sobre hipóteses, mas penso que teria sido mais vantajoso se esta doação de capital tivesse sido pulverizada, contribuindo para a formação de uma neo classe média e incrementando o mercado de capitais. Prefereria ser um pequeno socio de uma grande Brasil Telecom a ficar invejando o sucesso dos poucos grandes beneficiários da privatização.
Nassif,
a história recente nos ensina que todo “novo” ou “neo” não passa do retorno de velhas formas de exploração e/ou dominação. Eu queria ser mais jovem para ser otimista como você.
“estágio diferente, as famílias como investidoras”
Ah, eh, mas com ums bilhoezinhos na minha mao eu viraria “investidor” no Brasil tambem. Igual os Safra, ne?
Acho complexo Nassif, se a Dilma for seguir o caminho do Lula e, com certeza vai seguir, só maluco para investir num país onde as coisas são feitas e depois se muda a lei para acomodar um arranjo, para não usar termos mais fortes (OI/Brasil Telecom). Com um Banco central completamente dominado pelo mercado financeiro ( como de resto parece o “normal” no mundo de hoje, veja-se, por exemplo, o FED), com governos que mudam as regras todos os dias para favorecer os amigos e se voce estiver do lado errado, babau( a tal de segurança jurídica, inexistente), num país sem congresso, administrado por medidas provisórias, é muito mais seguro investir na especulação e no financiamento das companhas políticas.
Caro Nassif
Não é de hoje que considero muitos dos seus textos como importantes páginas da nossa historia.
No programa do Trajano, na ESPN, tive a oportunidade de ressaltar a sua crônica “Café Society” (págs. 156 a 163, do seu livro ‘A casa da minha infância’), um exemplo, na minha opinião, de abordagem de fatos passados de modo tão delicado e preciso.
A etapa atual do capitalismo brasileiro está realmente precisando ser emiuçada.
Por isso, quando está citada a ‘grande desnacionalização’ (sétimo parágrafo) seria interessante falar da grande quantidade de empresas familiares (algumas de grande porte) dedicadas a produção de autopeças ou dedicadas a indústria automobilística e que desapareceram sob a então grande fase de expansão das empresas montadoras globais.
Cada época com sua circunstância.
P.S. Seria possível detalhar a questão do B.C.
Paulo, no meu livro “OS Cabeças de Planilha” esmiuço o que estava por trás do jogo cambial do Real.
Cotações em tempo real das principais ações de bolsas de valores pelo mundo:
http://www.forexpros.com.pt/equities/
Diversas pessoas no Brasil criticaram a privatização das empresas estatais.
Dentre os críticos se destacava o PT.
Eis que o PT chega a presidêcia e não faz nada para reverter as privatizações.
Calma lá!
Se o povo brasileiro era contra a privatização porquê o PT não propõe um referendum ou plebiscito questionando àquelas políticas?
Haja hipocrisia!
“Novo capitalismo de família”? Eufemismo.
E o Tanure (Intelig, Gazeta Mercantil), é da cepa de Daniel Dantas?