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11/10/2009 - 19:27

O livro, segundo Sebastião Nunes

Por romério rômulo

nassif

na sua coluna semanal n’ o tempo, o nosso sempre suave sebastião nunes fala do livro, da leitura e das novas mídias.

vale observar o pensamento e o humor do, como já escreveu

alguém,” mais importante poeta desconhecido do brasil “.

Continua a briga de foice no escuro

Sebastião Nunes

Acirrada como nunca, prossegue a guerra santa sobre o futuro do livro e da leitura, iniciada desde que a internet se tornou popular. Como escritor, volta e meia tenho de meter minha colher no mingau, e disparar uns torpedos. Afinal, literatura faz parte de minha vida, da mesma forma que venda de livro faz parte da vida dos editores. E é exatamente aí que mora o perigo.

Exceto em tempos já remotos, há muito idos e vividos, editores só enxergam livro como mercadoria, noves fora as (relevem o chavão) raríssimas exceções. Para bom comerciante, tanto faz chuchu quanto apartamento de luxo. Ou cachorro quente na esquina e melancia no Mercado Central. Vendedor bom de papo vende a sogra caquética como se fosse princesa de conto de fadas e tijolo por lingote de ouro fino. Assim também a maioria dos editores. Existiam, nos primórdios brasilianos, editores que gostavam mesmo de livro, como bem lembrou meu amigo Romério Rômulo em conversa recente. Entre eles, o pioneiro Monteiro Lobato e seus sucessores José Olympio e Ênio Silveira. Esses davam gosto. Lobato vendeu fazenda para fundar editora, lançou muita gente importante (inclusive ele mesmo), criou o mercado editorial brasileiro e faliu uma ou duas vezes. Seu objetivo maior não era vender o produto livro, mas levar cultura em forma de livro ao país inteiro. A diferença é gigantesca. José Olympio era amigo de seus editados, que frequentavam a casa nos fins de tarde pra bater papo e ouvir novidades. Ênio enterrou três heranças com sua teimosia de excelente editor e péssimo comerciante. Bons tempos!

QUE DIABO É KINDLE? Não vou explicar, quem quiser procure na – ai! – internet. Só digo que é uma geringonça imitando livro, mas não posso ir muito além disso, ou gasto todo o meu rico espaço explicando o inexplicável. Digamos que é uma tentativa de livro eletrônico, e basta. Aliás, não é muito mais do que isso.

Mas o problema não mora exatamente no Kindle. Digamos, repito a expressão, que mora nos híbridos que pipocam nas lojas. E é claro que a classe média não deixa por menos: compra tudo quanto é porcaria, funcione ou não. É até melhor que não funcione, assim não é preciso muito esforço.

E que são esses híbridos? Ah, são aquilo que os celulares já colocam sob as patas de qualquer trouxa disposto a pagar pra ter e exibir: texto, imagem e som. Alguma novidade? Quase nenhuma. Já na televisão era assim, só que não se podia escolher o que ver, ler e ouvir. Nos celulares também não, mas o Grande Irmão não deixa que você fique sabendo que não tem escolha. Comprar um já é cair de joelhos, abraçar o inefável e louvar o mistério. Mas quem decide é ele, o GI, ou o BB, você só repete os cacoetes e os comandos que ele mete em sua cabeça oca.

QUE DIABO É VOOK? Trata-se da geringonça referida acima, se é que você entendeu. Confesso que eu mesmo não entendi muito bem, exceto que se trata de mais um facilitário com dois objetivos básicos: primeiro, vender a geringonça. Segundo, distanciar o leitor da leitura, misturando alhos (a dita leitura) com bugalhos (acessórios para “facilitar” a entrada do texto na cabeça do leitor). Digamos – de novo! – que tais bugalhos sejam imagens e sons bem convincentes, dignos daquele lá em cima, o GI, que nos reduziu a trapos, em termos de inteligência, iniciativa e coragem de pensar pelos próprios miolos, se é que os temos. Pra saber, é só dar uns pulinhos. Se alguma coisa chacoalhar lá dentro…

Mas é isso que eles, os vendedores, buscam: mais coisas pra vender e mais otários pra comprar. No entanto, argumentará você, o mundo virou isso: um imenso super-hipermercado, onde tudo se vende e tudo se compra. Sim, virou, mas eu não sou desse mundo. Eu sou de um mundo que já era. Ou que já foi. Ou que sifu.

QUE DIABO É CADUQUICE? Caduquice é aquela situação peculiar, comuníssima na vida dos mortais quando ficam velhos, em que você acha que está dizendo novidade, inventando a bússola, a pólvora e o macarrão, todos ao mesmo tempo (acho que já escrevi isso, há meses), quando não inventou nada, apenas requentou o macarrão grudento e estourou um traque dos mais vagabundos, incapaz de assustar pulga ou espantar barata.

Digamos – mais uma vez – que seja isso o que estou fazendo: caducando. Mas quando leio o que se tem escrito sobre o futuro do livro e da leitura, reconheço de cara que ninguém está falando de livro ou leitura, mas da venda de geringonças.

O MUNDO QUE HERDAMOS. Há 560 anos (ou 580, não sei bem) acompanho o desenrolar dessa surda batalha em favor do livro-mercadoria contra o livro-cultura. Briga boa, essa. De um lado, os que empunham espadas, lanças, arcos e flechas, espingardas, fuzis, metralhadoras, canhões, mísseis e estilingues em defesa do livro-mercadoria. Do outro lado, os que empunham as mesmas armas em defesa do livro-cultura. No meio, os juízes, que não entram na briga porque não são bobos. Ficam só na deles, espiando, e não julgam nada, só espiam, assuntam, prestam atenção. Tomam partido? Também não. Na deles.

Enquanto isso, eu aqui, bocó que nem eu só, bato o pé, faço beicinho, levanto o dedo, peço a palavra, chuto a mesa, dou socos no ar, acuso, me defendo. E não mudo nada, claro, afinal é mesmo desses embates que o mundo vive. Ou morre (perdão, mas não resisto ao prazer de um paradoxo).

Enfim, de Kindle, wooks e outras geringonças é feito o mundo atual, essa pipoca em que vivemos, pulando na panela do tempo. Não faz mal. Já houve o tempo do linotipo, da serigrafia, da litogravura. Cada um deles era um bicho-papão que assustava os ímpios e fazia rejubilar os crentes. Crentes na mercadoria, claro. No fim ficava tudo com era. Mudanças? Quase nenhumas. Guerra é guerra, batalhas são batalhas e, entre mortos e feridos, salvam-se todos. Ou não se salva, e é o mesmo.

Quem melhor argumenta são os céticos. Bem e Mal existem para o triunfo do Equilíbrio Primordial (ou do Uno). Churrasquear a mãe ou rezar cem dias ajoelhado em caroços de milho têm o mesmo valor. No fim dá tudo certo. Amém.

Por Wu Ming

Pô, eu tô ficando maluco ou ninguém captou o essencial do texto do senhor Sebastião Nunes?!?

Gente, pelo amor dos meus filhinhos, como dizia o Silvio Luiz: o homem não está falando de e-readers, está falando de uma mudança de paradigma do mundo editorial.

Não interessa COMO vc vai ler os futuros livros, mas O QUE vc vai ler nesses futuros livros.

Nos últimos 20 anos mais ou menos, o mercado editorial, no Brasil e fora dele, vem passando por um mesmo processo que se compõe basicamente das seguintes desgraças:

1. Aquisições e fusões de editoras para transformar o livro em um business industrial que dificulta a sobrevivência de pequenos editores e torna o ecossistema livreiro muito estreito e limitado intelectualmente.

2. Aumento do número de redes de livrarias e correspondente fechamento de pequenas livrarias. Com isso, muitas redes passam a “ditar” o que os editores publicam. Nos Estados Unidos, por exemplo, livros deixam de ser publicados porque o manuscrito é enviado para o gerente comercial de uma grande rede e este dá um parecer de que o livro não vai vender. Daí, a editora desiste da publicação…

3. Aumento desproporcional, na participação dos títulos publicados, de baboseiras de auto-ajuda e outros lixos. Com isso, formar bons leitores fica cada vez mais difícil. Óbvio que isso tem a ver com a falência do sistema educacional e outras cositas más, mas publicar 80% de bobagem tb não ajuda.

4. Ao contrário do que as fusões do item 1 deixariam entrever, AUMENTO do preço de capa dos livros. Se antes eram caros, agora estão MAIS caros. De que adiantou a escala industrial?

5. Espetacularização de livros e autores em eventos, supostamente destinados à difusão do livro e da leitura, mas unicamente utilizados como ferramentas de marketing destinadas a OCUPAR espaços midiáticos.

Enfim, o texto do senhor Nunes aponta o óbvio: onde estão os grandes editores das novas gerações?

É disso que ele está falando, não de Kindle, e-book e que tais.

O Kindle não vai matar o livro de papel. O que vai matar o livro de papel é um mercado editorial estreito, padronizado e marqueteiro que trata o livro apenas como mercadoria.

Acho que foi isso o que ele falou. Ou tô maluco?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,

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15 comentários para “O livro, segundo Sebastião Nunes”

  1. Nao deu para entender muita coisa desse texto nao, mas o Kindle, quando chegar para valer aqui, e com textos em Português em número suficiente, será uma maravilha. Você pode levar o que seriam quilos e quilos de livros num único aparelhinho leve. Minha coluna agradecerá penhorada.

    Mesmo com textos em Inglês já é um bom começo. O problema é que os livros eletrônicos (de estudo) estao sendo vendidos por quase o mesmo preço que os outros, é um escândalo, porque os gastos das editoras sao muito menores. Para nós, no entanto, fica mais barato, porque o frete de livros importados às vezes fica mais caro que os próprios livros.

  2. Marcia disse:

    Por falar em Sebastião, nunca ouvi falar aqui no blog do Sebastião Nery, uma figura ímpar!

  3. Fernando Curi disse:

    Nassif:
    Existem fragmentos de registros históricos de que os escribas em papiros cometeram suicídios em massa por ocasião da descoberta dos tipos móveis, de chumbo, por parte de Joahannes Gutenberg que, por sua vêz, já era avanço sôbre tecnologias existentes, tais como os blocos fixos e tipos de madeira. Já imaginou que progresso para a humanidade? Não poderíamos considerar, claro, guardada as devidas proporções, como a descobreta da “Internet” da época?
    Amigos, a historicidade humana está fundamentada em avanços e conquistas tendo como um dos pilares principais a difusão da comunicação. Tudo que se fizer em cima dêsse conceito, principalmente no contexto de novas tecnologias, será sempre bem vinda, pois, na medida que represente uma aplicabilidade real, facilitando o acesso da maioria a informação, a seletividade, com relação a qualidade de textos, virá de forma natural e processada por todos. Afinal, o que realmente interessa é a oportunidade de leitura e, consequentemente, resultados positivos disso. Se, virando páginas de livros ou apertando teclas de avanço, nos E-books, as necessidades e interesses é quem determinarão os métodos.
    Fernando Curi (Curitiba)
    Em tempo: A Facit e a Burrougs se escabelaram com o surgimento das calculadorinhas portáteis…

  4. Edelvais disse:

    Gostei do artigo. Acredito que quem tem o hábito de ler um livro , foleá-lo, conferir a coerência do texto, saborear passagens, relê-lo quantas vezes quiser, bastando para isto estender a mão e pegá-lo na cabeceira da cama, nunca deixará de ler. Não sei o que significam os termos usados. Mas para mim os sons não combinam com leitura ( a não ser música clássica, bem suave) porque a leitura nos transporta para o mundo descrito onde completamos a história com nossa imaginação. Acho que ela é necessária- a leitura de um bom livrfo- porque nos dá o tempo necessário para refletir, entender e estabelecer relações pessoais e nos ensina a viver, nos dá cultura e amadurecimento. Tenho certeza de que o número de pessoas que gostam de ler nunca foi maioria, mas nunca deixará de existir. É claro que as editoras poderiam ser mais exigentes quanto ao conteúdo, principalmente no que se refere ao público infantil que por falta de maturidade se seduz primeiramente pelas imagens e cores. Se as crianças encontrarem um bom texto há grande possibilidade de que venham a ser bons leitores.

  5. Tartufo disse:

    Pegando uma carona nesse artigo do Sebastião, reedito aqui um texto sobre teatro que escrevi tempos atrás para um blog sobre artes cênicas.

    Virou, mexeu, surge alguém anunciando a morte do Teatro.

    Profissional dos palcos, crítico, estudioso, pesquisador ou o que for, sujeito empertiga-se frente ao microfone, ou na mesa do bar, faz aquela cara compungida, baixa o olhar e lasca:

    “Infelizmente o teatro está morrendo! Vai se tornando uma expressão artística ultrapassada, incapaz de acompanhar a
    as alterações repentinas da geopolítica mundial, o ritimo acelerado dos novos tempos, a velocidade dos avanços tecnológicos… Portanto eu penso que..” (Sempre a tecnologia apresentada como vilã, exterminadora do presente, quando na verdade é uma esplêndida via de fluência e de suporte à produção artística.)

    Vai aqui uma sugestão: procure por alguma publicação sobre teatro da década de 50/60. Busque nos arquivos de uma biblioteca ou use o google. Em seguida encontre alguma entrevista ou artigo opinativo de alguém da classe teatral da época. A possibilidade de encontrar ali a sentença da morte do teatro é imensa. Ou seja: o teatro está morrendo pelo menos há mais de cinquenta anos.

    Que morte dolorosa, lenta, cruel.

    Hoje, domingão ensolarado paulistano, nesse exato momento em que tenazmente cato milho no teclado do pc, existem cento e um espetáculos de teatro em cartaz na cidade. 101! Infantis inclusos.

    Não estão incluídos aí os espetáculos de dança. E nem os espetáculos que não figuram nos guias de cultura da grande mídia, que sabemos não são poucos.

    A grande maioria dessas peças são encenadas graças ao esforço pessoal de artistas apaixonados, nos limites da paixão, que investem até seus já parcos recursos financeiros para mostrar seus trabalhos, em poucas apresentações e para público de sempre.

    Talvez esteja aí, nesse muito esforço para pouquíssima compensação que a sentença da morte do teatro seja decretada, em forma de desabafo.

    Mas o ser ou não ser não é essa a questão A nossa questão não tem nada de hamletiana.

    É uma questão visível, clara, exposta: mais de uma centena de milhões de nós, brasileiros, não consegue ler, ou lê mas não consegue compreender o que está escrito.

    Diante de tal realidade, pensar na formação de um público consumidor de literatura ou de teatro, ou de qualquer forma de expressão cultural. beira a a insanidade.

    Formação de público só é possível através de um sistema educacional eficiente, planejado, estruturado fortemente em toda gama de patamares que se apresentem necessários. Exige investimento, aporte massivo de recursos na formação e capacitação de professores, nas condições plenas do ensino, na sistematização e aplicação de grades curriculares eficazes e funcionais. Em suma: exige prioridade.

    Sem considerar essa pauta, não há a mais remota possibilidade de se discutir arte e cultura aqui nos trópicos.

    Não sériamente, como determina o figurino.

    Até lá, livros com míseros cinco mil exemplares vendidos tornam-se best-sellers aqui, enquanto fracassos editoriais retumbantes em centros civilizados.

    Espetáculos de teatro continuarão estreando e saindo de cartaz em quatro semanas, quase sempre carregando sentidos prejuízos. Financeiros e espirituais.

    Não inclusos aqui os “globais” e nem os importados da Broadway. Esses pedem um outro tópico.

    Nem as leis de “incentivo cultural”, que brotam em profusão, sai governo entra governo. Essas pedem a presença da polícia e de um camburão gigante.

  6. Falamos tanto sobre o Kindle, leitor de e-books da Amazon com tecnologia e-ink, mas sempre achamos que ele demoraria para chegar no Brasil: pra começar que nem tem Amazon ou qualquer loja de livros virtuais por aqui.

    Além de ser difícil pensar em um dispositivo que não seja um celular ou o Zeebo com tecnologia 3G. Mas contra todas as expectativas e adversidades, o Kindle chegará ao Brasil — e a mais de 100 países — a partir de 19 de outubro. Mas falando inglês e, claro, a um preço salgado.

    A versão do leitor de e-book a ganhar o mundo é o Kindle 2 — o Kindle DX, com tela maior, continua exclusivo dos americanos. A grande vantagem do Kindle é sua tela de e-ink, que não cansa a vista; a maior desvantagem, aparentemente, é que interagir com o texto fica mais difícil.

    O preço do Kindle internacional é de 279 dólares que, mais taxa de importação e envio para o Brasil, saltam para 585 dólares, ou 1.030 reais. Bem mais que o preço esperado para o E-Book Reader da Braview — mas você leva mais funções pelo preço maior.

    Primeiro, já existe uma grande loja de e-books: é na própria Amazon que você vai comprar o Kindle, e onde você vai escolher entre os mais de 200 mil livros e 85 jornais e revistas disponíveis para clientes internacionais.

    Dentre os livros, os best-sellers custarão a partir de 11,99 dólares para clientes internacionais (contra US$9,99 nos EUA); os outros livros saem a US$5,99. E as revistas e jornais — dentre eles O Globo — serão vendidos avulsos ou por assinatura. No entanto, a maior parte do conteúdo está em inglês, e todas as compras serão feitas em dólares.

    Segundo, vai rolar a transferência dos livros via 3G, um dos diferenciais do Kindle sobre outros leitores de e-book. Você poderá comprar e baixar conteúdo direto no aparelho, sem necessidade de um computador. Mas a cobertura do sinal 3G só atinge algumas regiões urbanas no Brasil, como você pode ver neste mapa.

    A IDG detalha as regiões que possuem sinal 3G ou EDGE; se não houver sinal, você precisa baixar o livro no computador e transferi-lo via USB. Aparentemente, não existe custo adicional no uso da rede 3G, tal como ocorre nos EUA.

    Terceiro, o Kindle tem um teclado para inserir notas, além de ser possível marcar páginas e destacar trechos — algo que o E-Book Reader da Braview não tem.

    O que vai faltar no Kindle internacional, em comparação ao Kindle americano, é o navegador web (que renderiza as páginas porcamente, mesmo). E, segundo a Folha, o acervo de 200 mil livros para clientes internacionais é menor que o oferecido nos EUA, onde mais de 355 mil livros estão disponíveis para compra.

    Enquanto isso, nos EUA, o preço do Kindle 2 caiu de 299 para 259 dólares. Jeff Bezos quer fazer o Kindle bombar no mundo inteiro, mas será que vai dar certo? [Amazon via IDG

    http://www.gizmodo.com.br/

    • Algumas pessoas podem querer manter seus livros físicos por um valor emocional, assim como alguns fazem com os discos de vinil. Mas nossa previsão é de que as próximas gerações lerão exclusivamente no formato digital – disse Cinthia Portugal, relações-públicas da Amazon, em entrevista ao GLOBO.

      Tanto otimismo da Amazon nesta, digamos, “Revolução Digital dos Livros”, deve-se à aceitação do Kindle nos EUA. O aparelho é um e-book do tamanho de um livro pequeno, mas com menos de dois centímetros de espessura. Nele, podem ser armazenados mais de 200 obras ao mesmo tempo, entre as 225 mil disponíveis. O Kindle também possui um teclado, possibilitando que se faça anotações como num bloco, ou que se marque alguma página do livro virtual.

      http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/01/28/amazon-aposta-que-seu-book-kindle-vai-substituir-obras-fisicas-754178913.asp

    • O Globo do dia poderá ser armazenado no Kindle.
      A assinatura do jornal poderá ser feita.
      É bem provável que os postos de gasolina ofereçam serviços de abastecimento.
      E os blogs, será que poderão ser vendidos também nos postos de abastecimento?
      Tomara que sim.

  7. Pelo que vi, a nova geração de e-books proporcionará uma leitura agradável.
    Por outro lado, que conteúdos estarão sendo oferecidos para os usuários dos novos e-books?
    Por enquanto, em português, somente o jornal O Globo estará disponível.
    Deixe-me fazer uma ideação sobre o assunto então.
    Estou pegando a estrada para viajar, passo num posto de gasolina e pergunto o frentista o que há disponível para que eu abasteça meu e-book de última geração de tela igual papel.
    Eu: o que tem de bom aí?
    Frentista: a Veja, o Globo, a Folha, o Estadão.
    Eu: mas não leio isso. Quais os blogs que você tem disponível?
    Frentista: tem os da Abril, Globo, – Reinaldo Azevedo, Miriam Leitão…
    Eu: mas não perco tempo lendo estas porcarias que você está me oferecendo, tenho os meus blogs preferidos. Clique aqui para visitar um deles.
    Frentista: eu não sabia, agora sei que há outras opções. Agora sei.
    Eu: você era mais uma das vítimas do monopólio da fala e da informação.
    Coro: a vida é muito mais. Agora sabemos que podemos.

  8. foo disse:

    Por falar em novas midias, um artigo interessante na Ars Technica:

    100 anos da indústria de conteúdo temendo a tecnologia

    É quase um truismo, no mundo da tecnologia, que os detentores de copyright se opõem automaticamente a novas invencões que destruam (ou não) seus velhos modelos de negócios.

    A retórica contra novas tecnologias é chocante em sua veemência, mas a maior parte dela revela-se um absurdo exagero.

    Assim, aqui estão, em suas próprias palavras: os detentores de propriedade intelectual que demandaram restricoes às pianolas automáticas, fotocopiadoras, videocassetes, fitas K7, MP3 players, Napster, DVDs regraváveis, rádio e TVs digitais.

    http://arstechnica.com/tech-policy/news/2009/10/100-years-of-big-content-fearing-technologyin-its-own-words.ars?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=rss

  9. foo disse:

    Nassif, eu acabei de mandar um artigo da Ars Technica sobre este tema — indústria de conteúdo vs novas tecnologias. Vê aí se caiu na pasta anti-spam.

  10. Cristovam disse:

    A evolução preocupa e em todos os temos existiram os corajosos que não desistiram, se não as cavernas ainda seriam a morada humana.

    Mas não vamos confundir conservadores com atrazo, há muito no ambiente humano que é universal e precisa ser preservado, mas pode evoluir.

    Não entendeu, vamos pensar no primeiro computador e no que temos hoje, o universal é o mesmo mas a utilidade é muito superior.

    Falou…

  11. Wu Ming disse:

    Pô, eu tô ficando maluco ou ninguém captou o essencial do texto do senhor Sebastião Nunes?!?

    Gente, pelo amor dos meus filhinhos, como dizia o Silvio Luiz: o homem não está falando de e-readers, está falando de uma mudança de paradigma do mundo editorial.

    Não interessa COMO vc vai ler os futuros livros, mas O QUE vc vai ler nesses futuros livros.

    Nos últimos 20 anos mais ou menos, o mercado editorial, no Brasil e fora dele, vem passando por um mesmo processo que se compõe basicamente das seguintes desgraças:

    1. Aquisições e fusões de editoras para transformar o livro em um business industrial que dificulta a sobrevivência de pequenos editores e torna o ecossistema livreiro muito estreito e limitado intelectualmente.

    2. Aumento do número de redes de livrarias e correspondente fechamento de pequenas livrarias. Com isso, muitas redes passam a “ditar” o que os editores publicam. Nos Estados Unidos, por exemplo, livros deixam de ser publicados porque o manuscrito é enviado para o gerente comercial de uma grande rede e este dá um parecer de que o livro não vai vender. Daí, a editora desiste da publicação…

    3. Aumento desproporcional, na participação dos títulos publicados, de baboseiras de auto-ajuda e outros lixos. Com isso, formar bons leitores fica cada vez mais difícil. Óbvio que isso tem a ver com a falência do sistema educacional e outras cositas más, mas publicar 80% de bobagem tb não ajuda.

    4. Ao contrário do que as fusões do item 1 deixariam entrever, AUMENTO do preço de capa dos livros. Se antes eram caros, agora estão MAIS caros. De que adiantou a escala industrial?

    5. Espetacularização de livros e autores em eventos, supostamente destinados à difusão do livro e da leitura, mas unicamente utilizados como ferramentas de marketing destinadas a OCUPAR espaços midiáticos.

    Enfim, o texto do senhor Nunes aponta o óbvio: onde estão os grandes editores das novas gerações?

    É disso que ele está falando, não de Kindle, e-book e que tais.

    O Kindle não vai matar o livro de papel. O que vai matar o livro de papel é um mercado editorial estreito, padronizado e marqueteiro que trata o livro apenas como mercadoria.

    Acho que foi isso o que ele falou. Ou tô maluco?

    • wu ming:

      você matou a pau na compreensão do que fala o meu camarada tião nunes. e adicionou vários elementos.
      proponho que o blogueiro dê destaque ao seu texto.

      romério

  12. José Vitor disse:

    O texto é um tanto hermético, nem tentei decifrá-lo.

    Aparentemente ninguém tocou num ponto óbvio quando se fala de mídia digital: a pirataria.

    Vai haver pirataria. Isso é líquido e certo. Já existe hoje, mas como não existem leitores de livro digitais massificados a pirataria aparentemente não é algo tão alarmante a ponto dos editores criarem uma entidade com a RIAA ou a MPAA prá sair processando gente por aí.

    O livro digital vai seguir o mesmo caminho da música e do vídeo: se eles não tiverem preços ridiculamente mais baixos que o livro físico, a pirataria vai rolar solta. Imaginem se todo mundo vai estar a fim de pagar 10 dólares prá ler o novo best-seller de Dan Brown, se podem lê-lo, bem, de graça…nem a pau Juvenal.

    Minha opinião é que o modelo atual de distribuição de bens culturais digitais está falido. Acho que um esquema por assinatura (baixa!) seria melhor prá todo mundo. Quem está no caminho certo é o Google, que anda digitalizando tudo quanto é livro que consegue botar a mão.

    Com relação ao Kindle: é um negócio delicado, o usuário fica na mão da Amazon. Recentemente houve um escândalo quando a Amazon apagou remotamente livros que os clientes tinham comprado. Eu acho que um computador do tipo “tablet” (de uso geral, não especificamente dedicado à leitura de livros digitais) teria muito mais apelo comercial. O problema é que este formato de computador ainda não vingou. Tá todo mundo torcendo prá Apple lançar um tablet, porque a Apple é um “trend-setter” com formidável poder de fogo. Se ela lançar um tablet provavelmente o mercado para esse tipo de computador vai decolar, e, imagino eu, isso poderia matar os leitores tipo “kindle”.

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