O Partido Republicano e a América Latina
Por Andre Araujo
Prezado Nassif pobre de mim ser conhecedor de alguma coisa dos EUA mas por coincidencia cheguei hoje de Washington e a questão lá no meu ponto de vista é a seguinte:
1.Os Republicanos tem importante grau de controle na area de relações exteriores do Senado e tem uma visão precisa do interesse americano , consideram que inimigos dos EUA devem ser tratados como tal, Chavez e Fidel são assim considerados e quem é apoiado por ambos é inimigo dos EUA tambem, não transigem com isso.
2.Nesse quadro ideologico é evidente que Zelaya não seria apoiado pelos Republicanos, nem precisa de lobby.
3.O Governo Democrata pensa geralmente de forma diversa mas as vezes há coincidencia de opiniões, depende do assunto e das pessoas envolvidas.
4.A questão do atraso na votação de Shannon e Valenzuela no Senado não se deve só a Honduras, o tema não é tão relevante assim mas tambem a uma revanche dos Republicanos contra os Democratas que no passado torpedearam votações de nomes de diplomatas ou votaram negativamente indicações de governos Republicanos, como Otto Reich, vetado pelos Democratas e que só ocupou o cargo de Subsecretario de Estado por uma nomeação no recesso pelo Presidente Bush que não foi confirmada no Senado, durando no cargo apenas por dez meses. Agora os Republicanos dão o troco.
Chavez é um caso emblematico. É um inimigo mais retorico do que real dos EUA porque a Venezuela tem nos EUA até hoje seu parceiro comercial nª 1, os americanos são os principais compradores de seu petroleo, que só pode ser refinado nos EUA e os seus maiores fornecedores de tudo. Chavez é um refem total dos EUA que na pratica é seu unico comprador de petroleo e lá Chavez tem um enorme investimento na CITCO, com seus 14.000 postos de gasolina, 8 fabricas de asfalto e 6 refinarias.
Se os EUA embargarem o petroleo venezuelano Chavez não tem para quem vender e não se aguenta economicamente.
Mas a retorica de Chavez irrita profundamente os Republicanos e suas interferencias no exterior mais ainda.
Os EUA sempre defenderão em primeiro lugar seus interesses em todo o mundo, esse é o objetivo principal de sua politica exterior. Quando ocorreu um desvio dessa linha, como no Governo Carter, priorizando alguns principios,, a sociedade americana, predominantemente
conservadora, o rejeitou.. Carter tem algum prestigio hoje fora dos EUA. Nos EUA é considerado um pária politico.
5.Quanto ao lobby, nada mais natural, é perfeitamente legitimo, registrado e fiscalizado, é um dos principais setores de serviço de Washington, a principal firma do ramo fatura 70 milhões de dolares por ano e tem 400 funcionarios.
Um dos melhores clientes dos lobistas de Washington é a Venezuela, que se serve de 15 escritorios para proteger seus interesses nos EUA. O Equador tambem é grande cliente do maior escritorio, mas a China é de longe o grande cliente do setor, seguida pela India.
Todas as representações são registradas no Departamento da Justiça, com os valores pagos e serviços executados, a propria expressão “lobby” nasceu em Washington, porque os politicos se reuniam no lobby do Hotel Willard aonde atendiam reinvidicantes, dai nascendo a palavra hoje universal.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: Honduras, Hugo Chávez, Otto Reich, Partido Republicano, Senado, Venezuela

Ele bem podia ser nosso lobista lá.
Dava para corrigir muitas distorções.
essa atuação dos republicanos talvez dê uma ideia da importância do prêmio nobel a obama…
o curioso é que, parece, eles perdem as boquinhas deles quando é eleito um democrata, e resolvem dar uns golpinhos na américa latina…
muito parecidinhos com os nossos golpistas…
Concordo com você, Altamiro.
Desde que ouvi sobre o prêmio, hoje pela manhã, imaginei que ele foi dado não em razão de um reconhecimento pelo trabalho realizado, mas para marcar posição de que é isso o que se espera do governo americano. Ou seja: a promoção da paz e uma correlação de forças mais equilibrada.
André disse uma coisa muito importante sobre o ” Lobby”. Ele, em sua essência, nada tem de irregular, trata-se de uma forma de reinvindicar oficialmente e burocraticamente interesses de determinados grupos ou categorias. O problema ocorre quando surgem favorecimentos pessoais em troca de apoio. Aí, caracteriza-se o suborno. É como a expressão ” corporativismo”. Em sua acepção original, nada encontra de irregular, consiste tão-somente em buscar a proteção de determinados segmentos, o que é absolutamente legítimo. Cada esfera profissional tem o direito de buscar preservar seus interesses e ganhos sociais, e aumentá-los. A distorção poderia se dar quando houver conflito de objetivos entre o interesse público e o da categoria. Mas no Brasil, qualquer tentativa de se resguardar determinados setores ( como ocorre muito com os servidores públicos) é taxada de ” perdulária”, ” irresponsável” e ” contrária aos interesses públicos”. Quando bem poderia ser vista como investimento em pessoal, já que o Estado não presta favor algum a seus assalariados, que lubrificam a máquina estatal.
Enfim, peço desculpas ao André por ter exarado meu comentário desvirtuando um pouco os objetivos de seu texto, mas apenas quis mostrar a contradição existente no Brasil quando ao que se chama de Lobby. O irregular é visto como prática normal no país. O legítimos são entendidos como pressão insuportável sobre os representantes do povo e do país. É a vitória dos clichês sobre o racionalismo. Ou dos economistas da máquina do tempo só com marcha a ré, como Raul Velloso e outros falecidos, sobre economistas sérios e sociólogos e pesquisadores sociais respeitáveis.
“sobre o ” Lobby”. Ele, em sua essência, nada tem de irregular, trata-se de uma forma de reinvindicar oficialmente e burocraticamente interesses de determinados grupos ou categorias”:
Mostre me um unico lobby que tenha beneficiado a populacao.
Ele nao existe. Alias, eh por jogar dinheiro na cara de qualquer um que entra no caminho que a media americana DETESTA quem tem necessidade e nao tem dinheiro. Voce precisa ver o desprezo da media aqui quando se refere a qualquer movimento popular, mas especialmente a “militantes” e “ativistas”. So falta cuspir pro lado.
Os EUA sempre defenderão em primeiro lugar seus interesses em todo o mundo, esse é o objetivo principal de sua politica exterior. Quando ocorreu um desvio dessa linha, como no Governo Carter, priorizando alguns principios,, a sociedade americana, predominantemente conservadora, o rejeitou.. Carter tem algum prestigio hoje fora dos EUA. Nos EUA é considerado um pária politico.
Ótimo artigo, bastante didático. O que não consigo entender é como que as pessoas “de direita” não conseguem ver algo tão óbvio, e sempre defendem a política externa americana, que obviamente segue os princípios acima, de defesa incondicional dos interesses americanos.
Andre,
No caso da Venezuela:
“os americanos são os principais compradores de seu petroleo, que só pode ser refinado nos EUA …”
Isso é por uma questão de falta de tecnologia da Venezuela ou de contrato mesmo?
Alessandro, por falta de investimento em refinarias na Venezuela. O petroleo deles é muito pesado, vale no mercado 15% menos que o Brent, so pode ser refinado em refinarias especiais para heavy oil, na Venezuela existem tres, do tempo das antigas multinacionais, a maior é Puerto La Cruz, que processam metade da produção, a outra metade vai para as refinarias da CITGO no Texas, cerca de 1,1 milhão de barris/dia. Um dos maiores erros do Chavez, entre tantos, foi não ter investido nada no refino na propria Venezuela, nem na manutenção das tres velhas refinarias do tempo da Shell, da texaco e da Exxon, nacionalizadas antes dele, estão sucateadas. A refinaria Abreu e Lima em Pernambuco será construida para refinar heavy oil venezuelano e tambem nosso, de Marlim, que é um pouco menos pesado do que o do Maracibo mas tambem precisa de refinaria especial.
Eh, pelo visto, os demo-tucanos, como legitimos representantes dos interesses da direita do partido Republicano da norte-américa, prestam excelentes serviços no Congresso Nacional para impedir o ingresso da Venezuela no Mercosul.
Dedicados como são acabam por conseguir, mesmo contrariando o empresariado exportador. Esses tucanos são realmente de confiança nos seus negócios com os chefes americanos.
Orlando
Eu adorei (sem ironia) a frase do Andre Araujo:
“Os Republicanos tem uma visão precisa do interesse americano, consideram que inimigos dos EUA devem ser tratados como tal”.
Em outras palavras:
- Vamos para a guerra, irmãos!
Na prática, vejamos o que significa essa estratégia “vitoriosa” (ironia). Com a palavra, Wálter Fanganiello Maierovitch:
México (1):
“Eleito sob o odor de fraude, o conservador [presidente Felipe] Calderón mergulhou no projeto de ‘guerra às drogas’. A meta era fazer esquecer a alegada fraude e conquistar legitimação popular para neutralizar o esquerdista López Obrador, que prometeu um governo paralelo. No primeiro ano de mandato e com apoio financeiro do governo George W. Bush, o presidente Calderón priorizou o Plan Mérida e ganhou provisório e breve apoio dos mexicanos, incomodados com a violência, a proliferação dos cartéis e a fracassada repressão dos tempos de Vicente Fox.
O certo é que o Plan Mérida, uma adaptação do Plan Colombia, fez água. Os cartéis ficaram mais fortes econômica e belicamente.”
Afeganistão (2):
“Uma guerra de contrastes. De um lado, forças regulares com tecnologia de ponta: aviões sem pilotos, bombas penetrantes para atingir cavernas, etc. Do outro, camicases, minas, emboscadas e fanatismo. (…)
Além de coordenar os vários grupos, [o mulá Mohamed] Omar foi recentemente eleito para presidir o conselho do movimento Taleban, ou melhor, a Shura de Quetta (Paquistão). Não está fora de combate, como sustentava W. Bush e o certo é que as milícias talebans, a partir de 2003, se reorganizaram e atacam até em Cabul, uma zona dada como superblindada pelo comando da Nato-Isaf.”
Notas:
(1) http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5191
(2) http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5124
Não foi nesse post, mas queria colocar esse video de entrevista do terra tv com o ivan valente, mostrando que a opinião da comissão parlamentar sobre a a situação de honduras não é a opinião pessoal do nosso querido Raul Jungman http://terratv.terra.com.br/Especiais/Noticias/4416-250180/Zelaya-quer-derrotar-o-golpe-diz-deputado.htm
Andre Araujo,
Hoje cedo vi esse comentário seu, enviado ainda hoje, 9/10/2009 às 0:16, junto ao post “O lobby de Micheletti” de 08/10/2009 às 18:21 de autoria de Stanley Burburinho. Como foi uma leitura rápida não dei muita importância. Depois o vi como post na primeira página com o título de “O Partido Republicano e a América Latina” de 09/10/2009 às 07:00.
Você sempre impressiona pelo conhecimento. E a gente aproveita para aprender. De todo modo não consigo deixar de encasquetar com os seus textos. Desta vez não há nada de importante, tanto assim que no final vou recorrer de outro post mais antigo para trazer um comentário que eu enviei recentemente para você. Antes, entretanto, algumas pinceladas sobre os pontos sem muita convergência com o que eu penso, sendo que em alguns há mais divergências e em outros há mais convergências.
No item 1 você diz:
“Os Republicanos tem importante grau de controle na area de relações exteriores do Senado e tem uma visão precisa do interesse americano”.
Palavrinha estranha é preciso! “Navegar é preciso, viver não é exato”. Não, não é assim! O certo é: “Navegar é necessário, viver não é preciso”.
E então o que você quis dizer com “Os Republicanos têm . . . . uma visão precisa do interesse americano”? Os Republicanos têm o interesse que os americanos precisam ter ou têm o interesse americano bem delimitado e definido? “Speak softly and carry a big stick”, não era a afirmação do Presidente Theodore Roosevelt, um Republicano, e que ganhou o prêmio Nobel da Paz, como Jimmy Carter? Naquele tempo eles, os Republicanos, tinham a visão precisa do interesse americano?
O item 4 você fecha com chave de ouro:
“Os EUA sempre defenderão em primeiro lugar seus interesses [dos Estados Unidos] em todo o mundo, esse é o objetivo principal de sua política exterior. Quando ocorreu um desvio dessa linha, como no Governo Carter, priorizando alguns princípios, a sociedade americana, predominantemente conservadora, o rejeitou. Carter tem algum prestigio hoje fora dos EUA. Nos EUA é considerado um pária político.”
Não vou discutir com um descendente de americano, ainda mais de um descendente que acaba de chegar dos Estados Unidos, onde eu nunca estive, mas dizer que o Jimmy Carter é considerado um pária político nos Estados Unidos não seria um pouco de exagero?
Não se pode esquecer que Jimmy Carter perdeu a eleição para Ronald Reagan, um político mais carismático do que Jimmy Carter, quando Jimmy Carter enfrentava a crise da embaixada do Irã e a inflação nos Estados Unidos chegava a casa de 12% ao ano tendo ele indicado para resolver o problema Paul Volcker que elevou o juro para mais de 20% e os resultados chegando primeiro no Brasil do que nos Estados Unidos, e Ronald Reagan ainda assim precisou mentir um tanto (Prometeu acabar com o déficit público americano e o elevou às alturas e, quanto às promessas cumpridas, como a de reduzir os impostos, acabaram sendo responsáveis por George Bush, o pai, ter que se desmentir (Read my lips, no more taxes) aumentando os impostos para não ser acusado de irresponsável como o filho depois seria, mas, aumentando os impostos, abriu o flanco para Bill Clinton).
E o terceiro ponto que eu gostaria de salientar é que não é só o lobby que é uma característica da política democrática americana, pois também o é o fisiologismo. No caso o assunto era o lobby, e eu entendo a sua análise. A ressaltar que junto ao post do Stanley Burburinho “O lobby de Micheletti” de 08/10/2009 às 18:21 você só fez foi confirmar o título do post e o subtítulo que dizia: “Micheletti conseguiu pressionar EUA a seu favor, diz jornal”.
Eu defendo a regulação dos lobbies. Assim estou de pleno acordo com o que você diz em “Quanto ao lobby, nada mais natural, é perfeitamente legitimo, registrado e fiscalizado é um dos principais setores de serviço de Washington . . . .”. E penso que esta será a tendência das democracias modernas.
Bem, como eu disse a minha intenção aqui era outra. Quero aproveitar para trazer aqui a discussão sobre o fisiologismo que eu penso ser da essência da democracia representativa. Assim vou transcrever a seguir o comentário que eu enviei em 03/10/2009 às 16:52 para completar outro de 01/19/2009 às 14:24 e que você respondera em 02/10/2009 às 9:24 junto ao post “A fiscalização do TCU” de 30/09/2009 às 09:38 aqui no blog do Luis Nassif, mas de sua autoria (Fiz quando visível alterações no original visando corrigir os erros cometidos):
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“Andre Araujo (02/10/2009 às 9:24),
Via Emenda Constitucional a alteração também pode partir do Legislativo, mas a alteração que você está pedindo demandaria uma constituinte.
A proposta orçamentária depois de passar pelo crivo de cada ministério e do ministério de planejamento passa pelo crivo do Poder Legislativo (Os assessores do Congresso funcionam como o Escritório Geral de Contabilidade) exatamente para verificar a oportunidade, o custo benefício e lógica econômica. Transferir esse poder todo para o TCU significa alterar a própria natureza do Estado Democrático do Direito. Além disso, a questão da oportunidade, custo-benefício e lógica econômica é solucionada em grande parte mediante o processo eleitoral. O projeto da NASA, avaliado sob a questão da oportunidade e do custo-benefício e da lógica econômica poderia nunca ser implementado. Foi decisão política, dada pelos representantes eleitos pelo povo, desconsiderando em grande parte esses questionamentos, que permitiu que o projeto fosse para frente.
Chamar o TCU para participar da assessória do Congresso Nacional no momento de elaboração da Lei Orçamentária Anual e nas Leis de Diretrizes Orçamentárias e nos Planos Plurianuais é a forma mais aceitável da sua proposta. Mesmo assim há que se considerar que é uma medida que não precisa de uma alteração tão grande da estrutura, organização e funcionamento do TCU e ela pode ter o efeito contraproducente de intimidar o TCU a questionar e a fiscalizar obras que eles próprios tenham considerado como corretas.
Você, com fundamento que desconheço, parece dar maior valor ao técnico do que o político. Não sei porque não há a percepção geral que os políticos são muitos mais competentes que os técnicos. Afinal, no mundo todo são os políticos que mandam. Deixe essa rejeição dos políticos para colegiais, universitários e mesmos pós graduandos ou pós-graduados que se deixaram instruir por professores técnicos que não conseguiram atrair o interesse do eleitorado e nem dar ao eleitorado a convicção de que poderiam representá-lo.
Os políticos escolhidos para os nossos tribunais são pessoas que aprenderam durante 20 a 30 anos como funciona o processo democrático. A maioria já foi deputado ou prefeito e pode assim repassar para os técnicos que eles comandam as particularidades da atividade orçamentária que um técnico enclausurado e analisando apenas números jamais poderia conhecer. De todo modo, a análise contábil é dos técnicos e não dos que você chama de políticos derrotados.
O Tribunal de Conta, o Congresso na análise das leis orçamentárias e o Executivo na elaboração dessas leis também pouparam gastos irracionais na mesma ordem de grandeza do Escritório Geral de Contabilidade do Congresso dos EUA guardada as devidas proporções dos dois PIB (O PIB dos Estados Unidos é 10 vezes maior do que o nosso) e considerando também o mesmo período de tempo que você está considerando para dizer que o Escritório Geral de Contabilidade do Congresso dos EUA poupou trilhões de gastos irracionais.
É preciso salientar, no entanto, que, dada a incerteza que existe na atividade pública na capacidade que temos em qualquer tempo de avaliar qualquer decisão de qualquer governo, não encontraria argumentos para refutar alguém que dissesse que se teria poupado muito mais se não tivesse poupado os trilhões de dólares com gastos aparentemente irracionais (A Nasa foi um gasto racional? A construção de Brasília foi um gasto racional? Não ter construído Brasília alegando que era gasto irracional teria poupado tudo que seria gasto irracionalmente em Brasília ou Brasília acabou poupando gastos ao país (Brasília pode ter viabilizado o Centro-Oeste que sem Brasil seria hoje uma grande extensão de terra)? O mesmo pode ser dito sobre a NASA.
Em matéria de democracia, embora meu lema seja o da Revolução Francesa Igualité, Fraternité e Liberté, eu tenho como parâmetro a Democracia Americana. Lá impera a democracia fisiológica. Você já leu Theodore J. Lowi em obras como “American Business, Public Policy, Case-Studies, and Political Theory” (1964) ou “The End Of Liberalism” (1969). E também já deve ter tido conhecimento de “The Process of Government: A Study of Social Pressures” de Arthur Fisher Bentley (Eu só tive conhecimento, mas pelo tanto que você sabe você teve mais que conhecimento). No ano passado em 14/09/2009, Plínio Fraga, em artigo para a Folha de S. Paulo de 14/09/2008, intitulado “A quem interessar possa” comentou sobre este livro fazendo referência a artigo de Nicholas Lemann que saiu no The New Yorker. O artigo de Nicholas Lemann chama-se “A Critic at Large – Conflict of Interest”. O artigo do Plínio Fraga na Folha de S. Paulo foi objeto de um bom post no blog antigo do Luis Nassif (Projetobr) intitulado “As elipses por trás dos fatos” de 14/09/08 às 11:48 de autoria de João Vergílio. Fiz referência a eles, o livro, o post e os artigos junto ao post “A mídia como partido político” de 23/09/2009 às 16:43 de autoria de Hans Bintje. Menciono-os aqui porque a discussão do processo democrático tratado tanto por Theodore Lowi como por Arthur Fisher Bentley, tenho certeza, é assunto de seu conhecimento. Então pergunto, é possível a democracia não fisiológica? O modelo que você propõe não é um impedimento à democracia fisiológica e, portanto, um impedimento à democracia? O modelo que você propõe não se assemelha a um modelo tecnocrata?
Retirei algumas das referências que fiz acima de dois comentários que enviei em 24/09/2009 às 1:36 e em 24/09/2009 às 1:51 para o post “A mídia como partido político” de 23/09/2009 às 16:43 de autoria de Hans Bintje”
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Era mais ou menos isso o que eu tinha a dizer (Talvez eu tivesse mais a dizer e acabei dizendo menos, se esse for o caso e você reclamar depois eu digo mais).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 09/10/2009
Meu prezado Clever : Mais uma vez vc me honra com seus preciosos e bem articulados comentarios, não mereço tanto.
O conceito do Escritorio Geral de Contabilidade não é o mesmo dos Tribunais de Conta. São organismos que veem o dispendio publico de forma diversa. Os TC olham para trás, examinando despesas já feitas e contratos já assinados. O GAO é farol de milha, olha para frente e procura evitar despesas erradas. Não interfere com o Legislativo, é parte dele, os relatorios emitidos não são sentenças, são analises, o Congresso siga se quiser.
Mas não seguir uma nalise de custo beneficio que indica a logica ou não logica de um gasto é perigoso para o Congresso e para o Executivo. Funciona como o relatorio dos tecnicos do BNDES sobre uma operação proposta. A Diretoria não é obrigada a seguir mas é muito dificil uma Diretoria aprovar uma operação vetada por um relatorio da area técnica. Assim é com o GAO. Como os relatorios são publicos, o eleitor pode acessa-los pela internet, são emitidos cerca de dez por dia.
Mas reconheço que o modelo será dificil no Brasil, depende muito do interesse e da educação da sociedade sobre os gastos publicos, que aqui é infinitamente menor do que nos EUA.
Andre Araujo,
Venho mencionando muito o cientista político e filósofo e também jornalista Arthur Fisher Bentley que até o ano passado era para mim um ilustre desconhecido. Arthur Fisher Bentley, nasceu em Freeport, Illinois, 16/10/1870 e morreu em Paoli, Indiana, 21/05/1957. A obra mais importante dele “The Process of Government – A Study of social pressures” é de 1908.
Por coincidência a ganhadora do Prêmio Nobel (Não tão nobel assim) de Economia em 2009, Elinor Ostrom tem esta referência a seguir na biografia dela no Wilipedia:
“Ostrom is the Arthur F. Bentley Professor of Political Science, and Co-Director of the Workshop in Political Theory and Policy Analysis at Indiana University”.
É realmente incompreensível o relativo esquecimento de Arthur Fisher Bentley na nossa academia. E quanto o livro “The process of government . . . . ” ele pode ser encontrado no google no seguinte endereço:
{http://books.google.com.br/books?id=L7c7btT6T1sC&pg=PR27&lpg=PR27&dq=arthur+Bentley+fischer+the+process+of+government&source=bl&ots=NAc6K47ABm&sig=X6h20gaeYKw38-3s-nXH6_Hb3eg&hl=pt-BR&ei=c-bUSqW1JZCduAeK-YX_DA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=5&ved=0CBgQ6AEwBA#v=onepage&q=&f=false}
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/10/2009
“Os Republicanos [...] tem uma visão precisa do interesse americano”.
Se ao menos os nossos conservadores tivessem essa clareza sobre os interesses brasileiros. Mas não. Eles, por algum motivo obscuro, adotam como seus, sem pestanejar, os interesses americanos.
ainda afirmo
otto reich
não é lobista
é terrorista
gente
agora é facil
pesquisem em
quarquer
motor de busca
“Otto Reich”
Otto é uma doce criatura, modesto, educado e otimo papo. Assumiu alguns fardos que não eram dele. Trabalha como consultor e vem muito a Sao Paulo. Na vida politica existe o personagem e a pessoa. As vezes são bem diferentes. Otto é um caso desses, virou alvo simultaneamente de Fidel, Chavez e dos Democratas, é pedra por todo lado, criou fama. Quando Lula foi eleito Otto era o Subsecretario de Estado da area (Western Hemisphere, antiga Assuntos Latinoamericanos) e prestou decisivo apoio ao novo Governo do PT, que era visto até então com desconfiança em Washington,, construindo a ponte da otima relação entre os Presidentes Lula e Bush.
A visão tanto dos republicanos quanto dos democratas da América Latina é a mesma. Somos o quintal e continuaremos a se-lo, custe o que custar (e no final sai baratinho)
Tendo em vista o objetivo claro da política exterior americana, exposto de forma didática pelo André, e também da maneira como eles operacionalizam esta política, para mim fica claro qual deveria ser o objetivo maior da nossa política externa:
-cordialidade com os EUA, mas jamais se alinhar automaticamente a qualquer das suas posições.
Dito de outra forma: usar nossa política exterior para defender nossos interesses, mas evitar, sempre, massacrar outros países que estão em desvantagem em relação a nós.
A maneira de agir dos americanos lhes trouxe uma pá de inimigos e muito ódio, tão grande que hoje ameça de fato o futuro das próximas gerações de americanos. Não só o futuro econômico, mas a própria sobrevivência.
De uma coisa ninguém escapa, nem mesmo as nações mais poderosas: tudo o que se planta será obrigatóriamente colhido. Isso vale para todos, grandes ou pequenos. Arrisco a dizer que é uma lei da física.
Hahahahaha,
Então os congressistas americanos também fazem suas picuinhas. Nem o Congresso americano se salva. Será que pelo menos o parlamento da Suécia está livre dessas práticas?
“Chavez é um caso emblematico. É um inimigo mais retorico do que real dos EUA porque a Venezuela tem nos EUA até hoje seu parceiro comercial nª 1…”
Chaves dá de mão beijada aos setores mais conservadores dos EUA a oportunidade de retomar a retórica bipolar da “ameaça externa” que manteve a corrida armamentista em pé por décadas. Agora que o perigo vermelho da Unão Soviética não mais existe, Chaves foi o escolhido pelos velhos senhores da guerra para incorporar o papel de arqui-inimigo da América e da liberdade. Como se a Venezuela pudesse tudo isso. E o bobo do Chaves caiu como pato nessa armadilha. Vaidoso, se tornou prisioneiro do personagem que lhe ofereceram.
Caro Nassif,
para mim não aparece a opção de ver as postagens mais antigas como sempre aparecia no final da página.
Vladimir, o IG está acertando.
e o Brasil, tem feito seus lobbys lá nos EUA? ou será que estamos “dormindo no ponto”, como se diz na gíria.
[...] Por Andre Araújo, no Portal Luis Nassif [...]
Luis Nassif,
Fiz menção a este post “O Partido Republicano e a América Latina” de 09/10/2009 às 07:00 e de autoria de Andre Araujo e em comentários que enviei para o post de autoria de Ivan Morais aqui no seu blog e intitulado “Dois americanos levam Nobel de Economia” de12/10/2009 às 13:21 em que se trata da premiação do Nobel (mas não tão nobel assim) de Economia para Oliver E. Williamson, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e para Elinor Ostrom da Universidade de Indiana (primeira mulher a ganhar o Nobel de Economia). Enviei o primeiro comentário em 13/10/2009 às 13:28 e junto a ele um segundo em 13/10/2009 às 18:41.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/10/2009
Luis Nassif,
Como referência a consultas posteriores lembro que o comentário de 13/10/2009 às 18:09 colocado junto ao comentário de Andre Araujo de 09/10/2009 às 23:09 que por sua vez foi colocado junto ao meu de 09/10/2009 às 13:58, aqui neste post “O partido Republicano e a América Latina” de 09/10/2009 às 07:00, foi posteriormente reproduzido em comentário enviado em 13/10/2009 às 23:38 para o post aqui no blog do Luis Nassif intitulado “Sobre as teorias de Elinor Ostrom” de 13/10/2009 às 14:58 e de autoria de Gustavo Cherubine.
Alem disso, o mesmo comentário foi reproduzido em 13/10/2009 às 18:41 junto a outro comentário de 13/10/2009 às 13:28 no post que tratava sobre o Prêmio Nobel (Não tão nobel assim) de Economia e intitulado “Dois americanos levam Nobel de Economia” de 12/10/2009 às 13:21 de autoria de Ivan Moraes
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/10/2009